Relatos de Viagens por 2 ou mais países da América do Sul
#1191464 por Gabriel_Turano
29 Mai 2016, 19:55
Mochilão Patagonia 2015 - 22 de Agosto á 5 de Sembro.

Amigos
Realizei este ano um mochilão que tinha planejado desde de 2010, no entanto outras prioridades foram acontecendo e tive que postegar. Durante esse tempo, fiz o mochilão pela America Central (relato: ), Estados Unidos e Canada e Nordeste Brasileiro.
Como de costume, muita informação coletada foi adquirada por esse riquíssimo forum, através da partipação de cada um de Vocês, e portanto já deixo registrado aqui meu MUITO OBRIGADO!

Queria deixar os seguintes agradecimentos as pessoas abaixo:

A Caroline, querida namorada, pela sua paciência, entendimento e pelo amor.
Ao Marcello, grante amigo que pude fazer nesta viagem, conhecerão ele adiante.
Ao Sas, Australiano, grande parceiro que fiz em Calafate e que compartilhou grandes momentos nas trilhas de Chalten.
Ao Mike, Americano, sempre digo que o ponto alto das viagens é conhecer pessoas, e realmente tive um grande prazer em conhecer este grande humano.
E a todos que cruzaram meu caminho!

Agora vamos ao relato: realizei a viagem sozinho durante 15 dias no inverno da Patagonia, a principio tinha um schedule muito bem estabelecido porém no decorrer da viagem aconteceram coisas maravilhosas, e acabei ajustando o schedule de acordo com a necessidade.

Custo da viagem
U$800 + passagens

Transporte:
Cia: Aérolineas
Preço: R$1950 (considerando stop em Buenos Aires)
Áereo: Ida São Paulo -> Buenos Aires -> Ushuaia
Volta Calafate -> Buenos Aires -> São Paulo

Schedule
22\08: São Paulo -> Buenos Aires
23\08: Buenos Aires
24\08: Buenos Aires -> Ushuaia
25\08: Ushuaia
26\08: Ushuaia
27\08: Ushuaia
28\08: Ushuaia -> Calafate
29\08: Calafate
30\08: Calafate
31\08: Calafate -> El Chalten
01\09: El Chalten -> Calafate
02\09: Calafate -> Puerto Natales
03\09: Torres del Paine
04\09: Puerto Natales -> Calafate
05\09: Calafate -> São Paulo

Equipamentos
Gopro Hero 3 black edition
Canon Powershot SX500 IS
Iphone 5

Roupas para o frio
Bota Quechua impermeável (MANDATÓRIO!)
2 camisetas 1 camada (weedze)
1 calça 1 camada (weedze)
1 Corta vento (weedze)
1 Blusa com fleece impermeável Quechua
1 Fleece Quechua
1 par de luvas com touch Quechua

Informações relevantes

Câmbio: Se buscar na internet existem vários tópicos falando a respeito deste assunto e também sei que vocês devem estar cansado de ler sobre este tema. Apensar vou fazer um breve comentários sobre minha percepção.

Argentina possui uma inflação atual de 40% e portanto todos os preços do qual havia feito meu budget foram modificados durante minha viagem, para mais, infelizmente :(. Em base disso, qualquer incentivo para melhorar o câmbio é super bem vindo. O blue market, ou câmbio negro, é amplamento praticado na argentina. Eu decidi levar dolares devido a desvalorização do real, que inclusive tem impactado no peso argentino. Troquei U$500 assim que cheguei em Buenos Aires com o Daniel (recomendado aqui no forum), e consegui U$1=14.50 pesos, enquanto o mercado oficial pagava U$1=9pesos, baita diferença.

Existem muitas pessoas que acabam trocando na calle Florida, porém devido a vários relatos de notas falsas, decidi ganhar um pouco menos no câmbio e trocar em um lugar mais confiável. Também troquei dinheiro em Calafate, e a cotação foi exatamente a mesma praticada em Buenos Aires.
Referente ao real, a moeda tem perdido muito favor devido a atual economia. Durante minha viagem, o real perdeu mais valor e os lugares na Patagonia estavam trocando por volta de R$2.50.

Custo diário
Confesso que me surpreendi com os altos preços na Argentina. Não encontrei refeição por menos de AR120 em Buenos Aires e AR150 na Patagonia.
Todos os passeios aumentaram MUITO, exemplo é o Perito Moreno que me custou AR1500 + AR200. Conheci uns brasileiros que praticam esqui em Ushuaia a mais de 8 anos e todos afirmaram que este ano é de longe, o ano cujo os preços estão mais elevados.

Hostels
Buenos Aires: America del Sur Hostel
Ushuaia: Cruz del Sur
Calafate: Hostel Calafate \ I Ke Kun
El Chalten: Trevis
Puerto Natales: Hostel Lili Patagonicos

Relato:

22.08 - Buenos Aires

Sai de Guarulhos as 15h e após 2:30 cheguei em Buenos Aires. Sempre comento que a melhor parte de viajar é conhecer pessoas e sempre tento valorizar isso ao maximo. No vôo sentei ao lado de um argentino de Bariloche, fisíco que estava no Brasil estudando na Unicamp. Tivemos um excelente papo durante o vôo e já me preparei um pouco melhor do que esperar do clima na Patagonia.

Desembarquei no Aeroporto Internacional de Jorge Newbery (Airpark) que está muito proximo na cidade de Buenos Aires. Sabendo ja da possibilidade de obter um câmbio paralelo muito melhor do que o oficial, troquei apenas U$20 no aeroporto para tomar o taxi para o Hostel.

O taxi me custou AR100 até o bairro de San Telmo. Fiz o check in e peguei o quarto com 4 camas, que custou AR290 para 2 noites (AR145\cada).

Neste primeiro dia, aproveitei para montar minhas caminhadas para o domingo e também conheci um francês que estava no meu quarto, inclusive falava espanhol muito bem.

Saimos para jantar em um restaurante na quadra debaixo e rachamos uma pizza. Voltamos para o Hostel e fui dormir, enquanto o francês aproveitou para curtir sua ultima noite em Buenos Aires (foi uma noite dificil, fiquei no 1 andar do hostel e o barulho estava altissimo por conta do pessoal que fazia o esquenta pra ir pra balada, que começava após as 2:30am rs).

23.08 - Buenos Aires

Acordei cedo e já fui correr atrás de trocar meu dinheiro pois estaria partindo pra Patagonia no proximo dia de manhã. Como era domingo, fiquei com medo de não conseguir achar lugar aberto na Calle Florida e também ser enganado por oportunistas quanto a notas falsas. Entrei na internet e tive uma ótima recomendação para trocar dinheiro com o pessoal do Turismo Baire (facebook). Troquei algumas mensagens com o Daniel que prontamente encaminhou seu amigo para me encontrar no Hostel que estava hospedado.

Troquei U$500 (usd1 = 14.50ar) e fui conhecer a cidade. Como era domingo ,estava acontecendo uma feira de artesanato no barrio de San Telmo e aprovetei para dar uma caminhada por lá. Passei também na casa Rosada e haviam alguns protestos da população insatisfeita com o atual governo. Descendo a rua da Casa Rosada você sai diretamente em Puerto Madero, lugar maneiro para caminhar e também almoçar!
Caminhei praticamente o dia inteiro e voltando para o hostel, passeio no mercado e já fiz algumas compras basicas pra janta e pra levar para Ushuaia.

Imagem
Imagem
Imagem
Imagem
Imagem

24.08 - Buenos Aires -> Ushuaia - Canal de Beagle

Meu vôo saia de Ezeiza as 9:10 am e infelizmente não encontrei nenhum transfer que atendia neste horário. Tomar um taxi sairia muito caro para meu budget e tentei buscar por outras opções. Fui aconselhado pelo pessoal do hostel a pegar um onibus regular que sai a cada 30m do outro lado da cidade.

Acordei as 5:20, coloquei o mochilão nas costas e fui pegar o metrô. Consegue pegar o onibus das 6am e antes das 7 já estava no aeroporto Ezeiza.

O vôo foi muito tranquilo e teve uma duração de 3h até Ushuaia. Já tinha reservado o Hostel Cruz del Sur até quarta-feira, pois ainda não tinha decidido minha ida para Calafate. Infelizmente não há transfer do aeroporto de Ushuaia para os hostel e portanto fui obrigado a tomar um taxi (AR100). Cheguei rapidinho no hostel (excelente hostel, pessoal super gente boa e mega atenciosos para ajudar no que for preciso). Havia nevado muito na semana anterior e a cidade estava coberta por gelo. Suas lindas montanhas em volta da cidade estavam todas branquinhas.
Neste hotel conheci um brasileiro chamado Lucas, que fez o roteiro inverso do meu, e fechamos o passeio canal do beaggle juntos.

Canal de Beaggle: é um passeio bem light e dá pra ver bastante leões marinhos e outro animal muito parecido com o pinguim, além do farol super famoso. O vento estava muito forte (padrão Patagonia) e ficar fora do coberto foi muito dificil rs. Basicamente são 2 saidas por dia, uma matutina e outra que inicia as 3pm. Os preços são praticamente todos tabelados e fechei na av do porto em uma das centanas operadoras de turismo. Custou AR600.
Retornando do passeio passei no mercado para cobrar algumas coisas pra minha janta. Meu quarto era de 6 pessoas e conheci 2 brasileiros (Roberto e Daniel) que frequentam Ushuaia todo inverno para a pratica de ski e snowboarding, e tambem conheci o irlandês Micheal Barry, gente finissima! Eu, ele o Lucas ficamos grandes amigos e fizemos algumas atividades juntas nos proximos dias.

Imagem
Imagem
Imagem
Imagem
Imagem
Imagem
Imagem
Imagem

25.08 - Ushuaia - Parque Nacional

Fechamos o transporte para o parque nacional no próprio hostel (AR300). Basicamente os preços aqui também são todos tabelados e não há necessidade de pagar a entrada do parque. Tinha intenção de fazer 2 caminhadas neste dia, mas o tempo me permitiu apenas a fazer o HITO, que é a divisa entre a patagonia argentina e chilena.

São 4km cada trecho e nivel relativamente facil. Fizemos tudo em 2h30m e estava MUITO frio. O vento realmente é de matar e estar bem equipado nessas horas faz toda a diferença. Botas impermeaveis e o sistema de 3 camadas me ajudou muito!

Pegamos a van de volta das 3pm e retornamos a cidade de Ushuaia. Incrivel a necessidade dos carros em utilizar correntes na roda, caso contrário seria impraticável qualquer transporte no inverno patagonico rs.
Chegamos no hostel e a noite fomos comer no Dublin Pub (o mais popular de Ushuaia e mais movimentado).

Imagem
Imagem
Imagem
Imagem
Imagem
Imagem

26.08 - Ushuaia - Glaciar el Martial

Neste dia o Lucas foi fazer o passeio dos rusky e o Michael aproveitou para fazer o canal de Beagle pois ainda não tinha feito. Acordei cedo, tomei um café reforçado e peguei o mapa pra fazer a caminhada até o Glaciar El Martial (10kms).
O taxi me custaria AR100 (preços tabelados), mas preferi fazer a pé pra conhecer também parte da cidade. Os primeiros kms são bem tranquilos mas quando a subida inicia, fica bem complicado hahaha! Havia muito gelo e isso dificultou muito a caminhada pois alem de escorregar, o corpo fica muito mais pesado para caminhar.

Cheguei esgotado na mini estação de esqui e depois ainda tem mais 1000 metros de subida até o mirador da cidade de Ushuaia, infelizmente não estava permitido caminhar além do mirador devido as condições. Em alguns momentos, a neve vinha até proximo do joelho, realmente muito complicado caminhar!

Pra voltar, devido minhas condições fisicas hahaha, tomei um taxi até a calle principal (San Martin) e já dei uma olhada nas lojas. Passei tambem em uma agência para ver os preços dos onibus para Calafate. São 18 horas até a cidade de Calafate, basicamente é preciso comprar uma passagem até Rio Gallegos e a partir desta cidade tomar uma conexão em outro bus para Calafate. O preço da passagem estava em torno de AR1100 e achei melhor ver o preço do áero antes de fechar. Voltei para o hostel e encontrei o Lucas e o Michael, contei da minha experiência no Glaciar El Martial e convidei eles pra esquiar no dia seguinte. Tambem vi os preços de aviao para Calafate e para minha surpresa, eram praticamente INDENTICOS! Fui até a loja da aerolineas na rua do porto e fehei diretamente lá por AR1400 para sexta-feira, 50 minutos de vôo, e portanto tinha mais 1 dia em Ushuaia.

... Minha intenção era passar o dia no Cerro Castor, a melhor e mais bem preparada estação de ski em Ushuaia, mas devido aos custos altissimos, tive que deixar para uma proxima oportunidade. Aluguel de equipamento + entrada do parque me custaria em torno de U$120.

Imagem
Imagem
Imagem
Imagem

27.08 - Ushuaia - Glaciar el Martial \ Snowboarding

Acordamos cedo e partimos rumo ao Glaciar el Martial. Como estavamos em 3, rachamos um taxi até a mini estação.
Eu e o Lucas alugamos os equipamentos (AR280) e não tem que pagar a pista. Também é possivel fazer aula, mas como um belo guerreiro, fui na raça! Que desgraça que foi, só tombo. Como é difcil praticar isso! hahahahha.
Enquanto praticamos o snowboarding, o irlandês foi fazer a caminhada até o mirador e depois desceu sozinho até a cidade de Ushuaia. Após longas horas caindo, iniciamos também a descida a pé. Até o hostel são em torno de 10km.

Este era o ultimo dia do Lucas e portanto voltamos no inicio da tarde para que ele não perdesse o vôo. Aprovetei e fui ao mercado comprar algumas coisas para fazer minha janta a noite no hostel.
Chegando no hostel me despedi do Lucas e passei o resto do dia com o irlândes, que tambem iria partir no proximo dia bem cedo.

Imagem

28.08 - Ushuaia - Cidade e ida para Calafate

Neste dia já não tinha mais meus companheiros Lucas e Michael para me acompanhar nos passeios. Aprovetei para fotografar a cidade e caminhar mais uma vez pela San Martin para ver as lojas. Comprei algumas lembrancinhas e voltei para o hostel para terminar de arrumar minha mochila. Meu vôo era 3:30 e neste dia o Daniel (brasileiro) também estava a caminho do aeroporto para voltar para o Brasil. Antecipei minha ida para o aeroporto para rachar o taxi que custou AR80 (total).
Embarquei com destino a Calafate. É um vôo muito rapido com duração de 50m.

O aeroporto de Calafate esta distante da cidade e qualquer taxi sairia muito caro. Existem algumas empresas que fazem o transfer para os hoteis\hostels e Você já pode pagar a ida e agendar a volta. Efetuei o pagamento da ida e volta e saiu por AR170.
Van lotada e seguimos para os hostels. Desembarque no Hostel Calafate, que esta muito bem localizado, apenas a 1 quadra da San Martin (sim, também chama San Martin a rua principal aqui rs).

Dei uma caminhada rapida pelo centro da cidade e passeio no mercado para comprar algumas coisas para minha janta (foooome!).

O Hostel estava vazio e o quarto que me colocaram estava com um cheiro de veneno absurdo. Pedi para me trocarem mas infelizmente também não tive sorte. As paredes são de DRYwall e se poder escutar tudo que se passava no quarto vizinho. O problema era que o quarto vizinho era uma espécia de livingroom para o pessoal que trabalha no hostel, eles gritavam a noite inteira conversando e tive uma péssima noite de sono.

Imagem

29.08 - Calafate

Após uma pessima noite de sono, levantei por volta das 7am e fui tomar café. Aproveitei o WIFI para buscar alguma outra opção de hostel e FELIZMENTE, a partir deste monte, tomei a melhor decisão da minha trip, porque tudo iria mudar daqui pra frente. Encontrei o hostel muito bem avaliado chamado I KEY KUN hostel, que embora a localização na fosse a melhor, foi o melhor hostel que já fiquei nesses 19 países visitados até o momento.
Retornando ao post rs, arrumei minha mochila, fiz o check out, peguei minha grana de volta e fui caminhar até o hostel. Nunca encontrei explicação para algumas coisas, e nessa caminhada me aconteceu uma coisa muito curiosa. Tive que caminhar em torno de 2km e durante o caminho, um cachorro, bem vira-lata (meus preferidos!) me acompanhou tudo todo o caminho. Ele simplesmente parecia que sabia para onde estava caminhando, pois estava sempre na minha frente e virava as ruas de acordo com a localização do hostel. Como forma de agradecimento, abri meu mochilão e peguei uma lata de atum que tinha dentro e, penso eu, foi o melhor presente que aquele dog tinha recebido durante sua vida.

Ele me acompanhou até a entrada do hostel. Neste momento fui recepcionado por outro cachorro, desta vez muito grande, acho que nunca vi um cachorro tão grande como esse, mais tarde descobriria que seu nome era Froyde, cachorro do Marcelo (outro grande amigo que fiz nessa viagem), mas por hora não vou me antecipar nos acontecimentos. Toquei a campainha e nada de ninguem atender, fiquei esperando por uns 10 minutos quando finalmente um rapaz, com seus 1.60m de altura, vem correndo do fundo da casa pedindo desculpas pela demora.

Esse pequeno rapaz se chama Marcelo, dono do Hostel, possui uma estatura baixa mais um coração do tamanho do mundo. No pouco tempo que fiquei em seu hostel, aprendi muito, e sem dúvidas tive uma das minhas melhores estadias da minha vida.
Marcelo me deu breve recomendações e dicas e depois me acompanhou até meu quarto. O Hostel, por ser fora de época, estava vazio. Fiquei em um quarto de 4 pesssoas mas sozinho. Quem for ficar em Calafate, super recomendo ficar no Hostel do Marcelo, ele é super gente boa, mega atencioso e uma pessoa maravilhosa de coração! O hostel possui uma excelente estrutura, limpo, organizado, tem uma visão para o lago que nenhum outro lugar tem!
Deixei minhas coisas no hostel e fui caminhar pela cidade. Na rua principal existe vários resturantes, lojas de presentes, mercados, casinhas de turismo e etc. Também muito proximo tem a rodoviária central, que viria a ser de extrema utilidade para mim.

Aproveitei a oportunidade para garimpar os preços do Glaciar Perito Moreno, e os preços são completamente tabelados, com uma variação de menos de AR100. Deixei para reservar com o Marcelo no hostel.
No caminho de volta, encontrei um outro hospede descendo a rua que eu estava subindo (viria a ser um grande amigo), apenas acenei com a cabeça e retornei para preparar minha comida. Reservei o Perito Moreno para o dia seguinte por AR1500 (mini trecking) + AR200 de entrada do parque.

Enquanto cozinhava, fui apresentado para um Australiano (Sas) e ele aproveitou para fazer o passeio comigo no dia seguinte. Também reservamos IDA para Chalten na segunda-feira. Durante a tarde fui caminhar em volta do lago (5km), e após esse mini tour voltei para descansar.
Durante a noite chegou um novo hospede (Mike) dos Estados Unidos, e acabamos dividindo o quarto e nos tornamos também grande amigos. Viriamos a compartilhar excelentes momentos juntos.
Um breve histórico: Ele é americano dos Texas. Tinha alugado uma sleepervan no Chile e estava viajando dormindo na van, porém como achou o hostel muito bom decidiu ter algumas boas noites de sono nele rs.

Imagem
Imagem
Imagem

30.08

Acordei cedo para tomar café e esperar o onibus para o parque nacional do Perito Moreno. Havia reservado o passeio junto com o Sas.
Chegou um novo onibus para somente havia o nome do Sas na lista, após alguns telefonemas e algumas discussões, fomos informados que chegaria um novo onibus em breve e que fariamos o tour juntos no parque.
Acabei pegando o segundo onibus e o schedule funciona da seguinte forma: 1h e 2m até o Parque Nacional (deve-se levar AR200 para pagar entrada no parque). O onibus para nas escadarias para tirar fotos e caminhar por 1h.

Depois deste periodo, volta para o onibus e depois mais 20m até o porto para tomar os barcos até a base do Perito Moreno (20m). Recebe breve instruções e inicia o trecking (em torno de 2h).
Quando cheguei na escadaria procurei pelo Sas mas fui informado que ele já havia partido para os barcos pois estava em uma outra turma (diferente daquilo que foi dito), mas OK, sem problemas, go ahead rs! Aprovetei esse tempo para tirar fotos, fazer alguns videos e caminhar. Quando faltava em torno de 30m para o ponto de encontro, notei que estava sozinho e comecei a ficar preocupado de ter perdido a hora. Retornei até onde o onibus havia nos deixado para não encontrei ninguem, quando percebi que teria que caminhar até o porto do outro lado das escadas (20m descendo escadas sem parar), fui desperado correndo para não perder a turma e consequentemente o barco para o Perito Moreno. Quando cheguei onde os barcos estavam atracados, também não havia ninguem, nessa hora começou a bater um desespero! Questionei ao único homem que estava no local se ele havia visto alguma turma e a resposta foi "no". Não era possível que havia me perdido da turma e que iria perder o passeio que me motivou a visitar Calafate! Decidi retornar todo o caminho que havia feito, subindo escadas desesperadamente pois ja havia perdido a hora. Quando cheguei no local onde o onibus nos havia deixado, COMPLETAMENTE SUADO, encontrei toda a turma me esperando! Nossa que alivio que foi! hahahaha.
Entrei no onibus e seguimos para o porto. Infelizmente começou a chover durante o caminho de barco até a base do Perito Moreno, mas mesmo assim não tem palavras para descrever a sensação de ve-lo tão de perto, maginifico, esplendido, gigante! Chegamos no pequeno refugio, recebemos algumas instruções dos monitores e guias e fomos caminhar até a base do Glaciar. Na Patagonia o clima é completamente instável, e durante essa caminhada começou a nevar. Sim senhores, NEVAR! Nunca vi nevar e foi tão fodástico isso! Até filmei, vou mostrar abaixo o video.

Fizemos outra parada na base do Glaciar, desta vez para colocar os grampones. Iniciamos o trecking no majestoso Perito Moreno. A sensação de ver gretas, a cor do glaciar, as minis cachoeiras que se formam é UNICA! Realmente recomendo esto passeio para todos que forem visitar Calafate. Se houver uma proxima oportunidade, sem dúvidas farei o BIG ICE.

Após o trecking retornamos para o refugio para aguardar o barco e depois retornarmos aos Hostels. Pedi ao motorista que me deixasse na calle principal pois precisava trocar dinheiro.
Retornei ao hostel e encontrei Sas, passamos a noite bebendo vinho e comendo uma parilla argentina feita na lareira do hostel pelo Marcelo.

Imagem
Imagem
Imagem
Imagem
Imagem
Imagem
Imagem
Imagem
Imagem
Imagem

31.08 - Chalten
Trilha: Laguna Capri (4km) \ Flitz Roy (4km)

Acordamos cedo neste dia para tomar o onibus das 8am. El Chalten é um pequeno povoado localizado a exatamente 3 horas de Calafate. É um destino para amantes de caminhadas, trecking e hiking. Não existe absolutamente nada para fazer além de aproveitar as paisagens e caminhar, caminhar muito!
Comprei a passagem no próprio hostel, os preços são tabelados em toda cidade de Calafate. Pagamos AR350\ida e durou 3 horas a viagem. Assim que chegamos na cidade, o ônibus para em um pequeno posto polical para receber as principais instruções do parque e receber o mapa de todas as trilhas.
Ficamos em um hostel que não me recordo o nome na frente onde os ônibus ficam estacionados. Encontramos o MIke (Americano) que estava de vãn nos aguardando na rodoviária e seguimos de carro com ele até o hostel onde ele estava hospedado. Neste momento, lembrei que meu mochião estava a bordo do ônibus e tive que sair correndo para recolher na rodoviária. Que susto!
Fomos direto para a primeira trilha, deixamos a vãn na rua e seguimos para a Laguna Capri e o mirador do Flit Roy. Como havia muito gelo na trilha, todos os campings como o Poincenot estavam fechados. Não era possível seguir além da Laguna Capri, infelizmente.
Os primeiros 40 minutos de trilha é bem complicado pois é somente subida, mas a paisagem vale muito a pena (pensaria que era uma trilha muito fácil depois de fazer Torres del Paine kkk).
Estava muito complicado caminhar devido a várias camidas de gelo, o australiano Sas caiu e fez um corte profundo no dedo mas conseguimos chegar no mirador do Flitz Roy e também na Laguna Capri (as imagens falam por sí mesmo).
Fizemos o passeio durante a manhã inteira e retornamos por volta das 13h. Comemos no restaurante do El Rancho, de frente ao nosso hostel, e fomos descansar. Durante a noite fomos em uma Hamburgueria (também na rua do El Rancho) muito boa. Optamos por dormir cedo visto que retornariamos para Calafate no dia seguinte.

Imagem
Imagem
Imagem
Imagem
Imagem
Imagem

01.09

Dividi quarto com o Sean (australiano), enquanto o Mike ficou em um quarto sozinho. Acordamos por volta das 7:30, tomamos um rapido café da manhã, e fomos conhecer antes de ir embora a famosa cachoeira "chorrillo", en Chalten.
É muito prático, facil e rapido chegar nesta cachoeira. Basta seguir a rua do hostel El Rancho até o final, por uma estrada de terra, acredito que deve ser em torno de 5km. Como estavamos de vãn, fizemos muito mais rápido a trilha até a entrada da cachoeira.
Vale muito a pena conhecer, é um âmbiente muito tranquilo, super conservado e de paisagem maravihosa. Ficamos em torno de 2h tirando fotos, filmando e conversando até seguirmos de volta para vãn para partirmos para El Calafate. O Sean iria voar para Lima neste mesmo dia e o Mike partiria para Puerto Natales de carro, portanto era mandatório partir.
Paramos no posto de combustivel na saida de El Chalten e seguimos de van para Calafate. A parte boa de ir com seu próprio carro é a liberdade de poderar parar para tirar fotos, curtir a paisagem e dar o luxo de deitar na pista por mais de 5m sem passar qualquer veiculo rsrsrs.
Fizemos várias paradas e realmente é impressionante como as estradas Patagonicas não possuem movimento. Se encontramos mais de 5 carros durante todo o percurso de volta foi muito!
Chegamos por volta do meio dia e paramos no centro da cidade para almoçar. O Sean e o Mike foram comer na cidade, enquanto eu que estava muito acima do budget estabelecido, fui no mercado comprar algumas coisas para fazer no hostel do Marcelo.
Marcelo já estava nos aguardando, super contente com nosso retorno, assim como o Floyd seu cachorro. Preparei minha comida no hostel e quando estava terminando de almoçar o Sean e o Mike apareceram no Hostel para arrumar as coisas.
Aqui aconteceria uma mudança drástica no meu schedule. O Mike me conveceu a ir com ele para o Chile para fazer um trecking nas Torres Del Paine. Sempre tive o sonho de conhecer o parque, mas meus planos era fazer uma trip para fazer o percurso W, e não 1 dia de hiking com o parque vazio, considerando que estavamos no final do inverno, e provavelmente muitos lugares estariam vazios. Porém, desconsiderando tudo que acabei de dizer, concordei com o MIke e iriamos partir dentro dos proximos 30 minutos sentido a Puerto Natalles!
Corri no centro da cidade e fui até a rodoviária comprar a passagem de retorno para Calafate, pois o MIke não retornaria mais para o lado Argentino.
Comprei com uma companhia e paguei AR450 pelo trecho Puerto Natales -> Calafate. Meu vôo estava programado para Sabado, e portanto tinha que retornar na sexta-feira.
O Mike passou na rodoviária de vân e me buscou junto com o Sean. Demos uma carona para o australiano até o aeroporto, e depois seguimos para Puerto Natales (6 horas de viagem).
Tivemos alguns problemas na imigração argentina porque o oficial estava duvidando da veracidade do passaporte do MIke. Após muitas conversas conseguimos seguir até imigração Chilena, que passamos rapidamente.
Puerto Natales é uma cidade muito pequena, é o ponto base para conhecer o parque Torres del Paine. Estavamos foram de temporada e por este motivo parecia uma cidade fantasma, muito vento e muito frio.
Fomos diretamente ao hostel que localizei na internet quando estava em Chalten ainda. Estava completamente vazio, acredito que eu e o MIke eramos os únicos hóspedes do local. O dono estava nos aguardando e foi muito gente em nos auxiliar com todas as informações que precisavamos sobre Torres Del Paine.
Reservamos o motorista para o dia seguinte, e alugamos o "hiking sticker" e os "grampones". De acordo com o dono do hostel, 90% das trilhas do parque estariam fechadas, inclusive provavelmente teríamos dificuldade em adentrar visto os guardas que se encontravam nos "check points".
Entre mortos e feridos, tudo estava pronto para o dia seguinte. O motorista agendado para 7horas da manhã e todo o material alugado.
Somente para fins de valores, pagamos o valor de 10.000,00 pesos chilenos pelo transporte.

Imagem
Imagem
Imagem
Imagem
Imagem
Imagem

02.09

Acordamos conforme haviamos combinado. O motorista atrasou alguns minutos mas logo já estaríamos na estrada a caminho do tão esperado Torres del Paine.
Rodamos por volta de 2 horas quando paramos em uma guarita. Entramos, conversamos com os guardas e falamos conforme sugerido durante o caminho: "estamos indo somente para conhecer as torres de longe". Neste ponto, é necessário pagar uma entrada no valor de 30.000,00 pesos chilenos.
Mais alguns minutos e chegamos na base, onde os carros ficam estacionados e onde se dá o ínicio do trecking.
Felizmente para nossa sorte, em poucos minutos após nossa chegada, encontramos a americana que haviamos conhecido em El Chalten, e ela estava acompanhada de um guia VIP até o mirador das torres.
Gostaria de abrir aspas nesta narração. Preciso confessar que estre trecking foi uma das atividades mais difíceis que já fiz em toda minha vida. Se soubesse o que estava nos aguardando, provavelmente teria declínado o convite hahahaha.
Enfim, partimos eu, meu parceiro Mike, a americana e seu guia. Apenas 14 kilometros nos aguardavam até o ponto do mirador.
Não vou narrar todo o caminho, pois quero mante-los acordados durante a leitura deste relato, mas foi realmente muito dificil (repare nas filmagens como estou cansado!).
Nem preciso dizer que no final das contas, acabei fazendo todo o trecking apenas com o Mike, dois mortos a caminho do mirador.
Após longas horas, chegamos enfim na GRANDE recompensa que nos aguardavam. Fomos ainda abençoados pelo ser maior ao olhar as torres. Estavam elas alí, completamente visíveis e sem qualquer nuvem. Como se estivessem nos aguardando para nos recompensar depois de tanto trabalho. Sabendo que aquelas trilhas são praticamente inacessíveis durante durante o inverno. Esplendido, fantástico!
Passamos longos minutos admirando. São momentos como este, como os que eu tive também na America Central (San Blas, Semuc Champey, Roatam Island e etc), ou America do Sul (salar, macchu picchu, chacaltaya e etc) ou em qualquer outra parte do mundo que fizesse refletir a existência da vida, como cada pedacinho foi esculpido a mão...
Fizemos todo o caminho de volta, e após mais de 10 horas de caminhada, ao lado do meu parceiro Mike, concluímos o mirador. Que sensação plazerosa!
Aproveitei o caminho de volta pra ir na caçamba da 4x4, sozinho, olhando as torres e agradecendo pela bela vivência que presenciei.
Retornamos ao Hostel, esse era meu último dia ao lado do grande companheiro que conheci nesta viagem. Nos despedimos e fui dormir, sabendo que no dia seguinte tomaria o ônibus com destino a Chalten, para encontrar outro grande amigo Marcello.

Imagem
Imagem
Imagem
Imagem
Imagem

03.09

Acordei cedo, meu ônibus tinha saída previsa para as 8 horas em ponto. Passei pela recepção e me dei conta que não hava ninguem. TInha apenas uma impressão que o ônibus saíria do terminal central da cidade.
Caminhei pela rua tentando encontrar um ser vivo, questionei onde era o terminal principal e fui informado que teria em torno de 20 minutos de caminhada. Boa noticia! Chegaria com 20 minutos de antecedência no terminal.
Ao chegar no terminal rodoviário, fui ao balcão de informações e pela minha surpresa (e bota surpresa nisso), a senhora que me atendeu disse que desconhecia qualquer ônibus com saída daquele terminal com destino a Chalten, e em contra partida, me informou o nome da rua de sua possível saida.
Pedi para ela me chamar um taxi para não perder o ônibus. Entrei no taxi e numa correria só cheguei até a rua da "suposta saída". Caramba! Me dei conta que não tinha pesos chilenos para pagar o taxi, somente 2 notas de U$100 que foi prontamente recusado pelo motorista. Não havia troco! Pedi que me levasse até algum ATM para sacar o dinheiro da corrida, me faltava 10 minutos para a chegada no ônibus, e ao chegar no ATM não conheci sacar qualquer centavo com meu cartão do santander.
O desespero tomou conta de mim. Se eu perdesse esse ônibus, não conseguiria tomar o vôo no dia seguinte. Não havia mais opções de ônibus com destino a Chalten até o ínicio da proxima semana.
Devo realmente ser uma pessoa abençoada. O motorista notando minha preocupação e minha sinceridade com a situação, me deixou na rua onde o ônibus passaria e não me cobrou um centavo. Que Deus o abençoe!
7:55, 7:59, 8:05 e nada do ônibus! Perguntei a um gari se ele sabia de algum onibus que pudesse passar naquela rua, e ele desconhecia qualquer! Novamente o desespero começou a tomar conta de mim.
Simplesmente do NADA, uma caminhote para na calçada e um homem de média idade sai do carro praticamente gritando questionando o que eu estava fazendo lá! Praticamente me agarra com mochila e tudo, pede pra eu entrar no carro e sai no transito de Puerto Natales como um piloto de fuga. Eu não estava entendendo praticamente nada, mas naquelas circustâncias, não me restava muitas opções.
Sua filha estava no banco do passageiro, e ele não parava de argumentar em um espanhol muito rústico e rápido, como eu poderia estar aguardando o ônibus alí. Como eu era estupido!
Ele me leva até o terminal de ônibus, aquele que havia chegado, onde a mulher me deu uma informação equivocada, e o ônibus estava alí, apenas me aguardando. Mal pude entender a situação ou até mesmo agradecer aquele anjo, pulei para dentro do ônibus, suando frio, e o veículo partiu a Chalten.

04.09 -> 05.09
Passei os últimos dias no Hostel de meu amigo Marcello, aproveitando a sua hospidalidade e gentiliza. Fizemos "assado", tomamos vinho e conversamos muito. Sempre com a presença da lagoa de Calafate no horizonte.
O Shuttle passou para me buscar no Hostel. Embarque para Buenos Aires onde tomei a conexão de volta a São Paulo.

Esta foi mais uma aventura! Agradeço a todos pela paciência dos que chegaram até aqui.
Será um prazer responder qualquer pergunta que houver. Peço desculpas por qualquer informação equivocada, por qualquer erro de português (não revisei o texto rsrs)...
Avante amigos!

Segue os videos da Go Pro

Brincando de Snowboarding

https://youtu.be/f5sNO_vvCjY

Perito Moreno

https://youtu.be/4jjhNPwq95M
https://youtu.be/KDZdNPYxZUI

Estrada Chalten para Calafate

Imagem

Torres Del Paine (trilhas e mirador)

https://youtu.be/RsVd1TnGQnA
https://youtu.be/WRDvkDGdbZA
https://youtu.be/jQPSeaAij30
https://youtu.be/Ql7_2mukMkw

E BACKPACKER NA PELE ::otemo:: ::otemo::

Imagem

Forte Abraço
Gabriel Turano


Usuários navegando neste fórum: Nenhum usuário registrado e 5 visitantes