NazcaO conjugê tanto fez que topei escapar do roteiro e ir pra Nazca. Como disse antes, fechamos ainda em Arequipa o sobrevôo das linhas e voltaríamos no mesmo dia pra Arequipa.
Chegamos em Nazca as 06h30 da manhã e a pessoa da Aeropacas (
http://www.aeroparacas.com/) já estava nos esperando na parada da Cruz del Sur. Como o céu estava com um nevoeiro pesado, fomos tomar café da manhã no hotel de um amigo desse cara e ele questionou se gostaríamos de fazer um tour com o pai dele pro Cemitério de Chauchilla, casas de confecção de cerâmica e casa de processamento de ouro. Topamos, já que a previsão de início dos vôos seria para 09h00.
O pai do moço chega em um Cadillac Azul.

Depois de andar pelo Valle Sagrado de moto, lá vamos nós pela Rodovia Panamericana em um carro antigão...

Nossa impressão de Nazca, que foi só se acentuado a medida que íamos conhecendo é de uma cidade abandonada. O Cemitério é assim, um patrimônio riquíssimo abandonado. Enquanto se anda você vê uma quantidade enorme de ossos, tecidos e pedaços de cerâmica jogados para todos os lados além dos limites dos caminhos feitos para os visitantes andarem. As múmias estão bem preservadas apesar dos inúmeros saques que aquela área sofreu durante muito tempo. É interessante, mas não indispensável.
Depois disso, fomos ao aeroporto pra fazer o sobrevôo. Maneire no café da manhã porque sacode demais. Ficamos um pouco decepcionados porque não existe nenhum tipo de explicação, você sobre e o co-piloto fica gritando: ali é o astronauta, ali é a baleia, ali é o colibri etc etc etc...


Desci passando muito mal! Achei que fosse ter um piripaque. Fui ao banheiro, joguei uma água no rosto, pus tudo pra fora e estava ótima! Havíamos deixado nossas coisas no escritório da Aeroparacas, que fica bem próximo ao terminal da Cruz del Sur, em frente ao Hotel Alegria. Quando terminamos o vôo, fomos a casa de cerâmica onde se tem uma explicação de como são feitas (e a mulher mostrando peças de cerâmica que ela tem que vieram dos túmulos de Chauchilla, achando que era o máximo e eu completamente enojada uma vez que ela estava ajudando os saqueadores a continuar com aquilo) e depois a um lugar onde se processa ouro. Ambos completamente dispensáveis. No final se vende cerâmica e peças de ouro a preços exorbitantes.
Comprei algumas coisas, andamos pela cidade e fomos almoçar no Hotel Alegria. Gostei bastante do hotel e se fossemos ficar hospedados, seria lá. Depois do almoço, nos jogamos no sofá que tem lá ao lado da piscina e dormimos por duas horas. Muito tranquilo, ninguém veio falar nada pra gente e ainda usamos a internet na faixa
Estávamos meio putos pois realmente achamos que antes do sobrevoo haveria algum tipo de explicação sobre os estudos das linhas etc. Eu sempre viajo com O Guia Criativo do Viajante e havíamos decidido ir ao Maria Reiche Centre e ao Planetário. Fomos primeiro ao Centro que fica duas quadras atrás do Terminal da Ormeño, seguindo a Calle Lima.
A Maria Reiche foi uma matemática alemã que estudou a vida toda sobre as Linhas. Ela morreu em 2008 e uma outra matemática austríaca que a acompanhou durante alguns anos, chamada Viktoria Nikitzi deu continuidade ao seus estudos e ainda criou novas teorias.
Quando chegamos ao Centro, o portão estava fechado, mas havia uma plaquinha indicando o horário e que deveria estar aberto. Batemos na porta e surge uma figura indescritível, com uma toalha na cabeça e a camiseta ao avesso. Entramos em um quintal de terra batida completamente bagunçado com alguns crânios jogados, livros, pedaços de madeiras, móveis...
Entramos onde seria o Centro, também bagunçado, com uma maquete de todas as linhas e uma mini-arquibancada. Começamos a conversar com ela e a todo o momento eu só pensava: Que mulher maluca!
Ela começou a nos explicar sobre porque as linhas existiam e a relação que há com lençóis freáticos, com calendário lunar para definição do solstício de verão e inverno etc. Brilhante! Foi muito bom...
A todo o momento ela reclamava sobre a globalização e o fato das Linhas terem virado algo puramente comercial, de terem destruído alguma delas, que ela tentou por diversas formas indicar os novos estudos sobre as Linhas e a relação com os lençóis freáticos e que antes de morrer a Maria era discriminada pelas autoridades locais etc. Nos pareceu uma mulher muito frustrada.
Antes de ir embora perguntamos o nome dela e ela é a Viktoria. Ela nos pediu para assinar o livro de visitas e falar sobre o Centro pras pessoas irem visitar e nos pediu um favor, levar um pedaço de madeira pra dentro da casa dela porque as pessoas queriam queimar.
Saímos de lá completamente arrasados. Uma mulher brilhante, com uma inteligência fora do comum vivendo daquela forma. Claro que ela poderia fazer mais pelo Centro, colocando na internet, parando de ser reclamona, arrumando a bagunça que é aquele lugar... Quando saímos, Maurício vira pra mim e fala: Conhecemos uma pessoa importante hoje... e aquela frase ficou na minha cabeça...
Se você for pra Nazca, visite o Centro. Vale MUITO a pena!
Depois fomos ao Planetário, que fica dentro do Hotel Nazca Lines e até agora me pergunto porque se chama Planetário. Você vê júpiter em um telescópio bem pequeno e entra em uma sala onde se projeta no teto fotos e as estrelas para se mostrar as algumas teorias sobre as Linhas. Se fala um pouco sobre as teorias da Maria (apesar do Planetário levar o nome dela) e algumas outras completamente estapafúrdias, como, por exemplo, que as linhas eram caminhos em rituais de dança. Oi?
Escolhemos a sessão em inglês (e que pééééssimo inglês) pelo horário. Há sessões as 19h00 em inglês e as 20h00 em espanhol.
Fomos para um restaurante na Calle Bolognesi para jantar e esperar dar a hora do ônibus e partimos de volta a Arequipa as 21h30.
Gastos:Café da manhã: 6 soles (cada)
Tour: 30 soles (cada)
Entrada Cemitério: 5 soles (cada)
Almoço: 30 soles (cada)
Comprinhas: 98 soles
Maria Reiche Centre: 20 soles (cada) ah, e ainda ganhamos um livro e deixamos 10 soles porque não quisemos pegar o troco
Planetário Maria Reiche: 20 soles
Jantar: 32 soles (cada)
Total: R$ 155,00