Olá, mochileiros!
Sempre consultei o Mochileiros.com mas, como meus destinos eram sempre muito batidos, acabei nunca postando... Agora, inspirando-me em uma amiga que fiz em uma dessas viagens (Evelyn, aqui vai uma homenagem a vc, que sempre posta suas viagens com o máximo de detalhes e informações possível), e vendo a dificuldade que tive de fazer um roteiro por conta da escassez de informações, decidi dividir com os leitores do site um pouco sobre a Colômbia, onde resido há quase dois meses, e algumas dicas sobre Bogotá, para onde fui no último feriado. As informações sobre Medellín, minha atual moradia, ficam para quando tiver conhecido mais pontos turísticos.
Por estar residindo neste país tão incrível, tracei um plano pessoal de aproveitar alguns feriados (aqui todos os feriados são transferidos para a 2a. feira seguinte - são os chamados "lunes festivos" - salvo quando já caem na 2a. feira ou datas como Natal, Ano Novo, Independência, Dia do Trabalho e algumas festas religiosas) para conhecer a diversidade de culturas, climas e pratos. Para levar em conta os valores descritos abaixo, considerar que R$1,00 equivale, aproximadamente, a $1.000,00.
Meu primeiro destino mais distante de Medellín foi Bogotá! Partindo de dicas deste site, fiz reserva no albergue Destino Nómada, na Calle 11, 00-38, La Candelaria. Fica na mesma rua do Centro Cultural Garcia Márquez (Calle 11, 5-60 - tem um Juan Valdez Cafe, imperdível), Donación Botero (Calle 11, 4-41 - entrada gratuita, e não tem somente obras do Botero, mas obras doadas por ele, então tem também Monet, Renoir, Picasso, dentre outros), Casa de Moneda (Calle 11, 4-21 - entrada gratuita) e Biblioteca Luis Ángel Arango (Calle 11, 4-14), e é travessa da Plaza Bolívar. Dá pra fazer tudo a pé (só tem que ter um fôlego bom, porque na volta tem uma subida razoável).
A construção do albergue é antiga, como todo o bairro, então tem que levar isso em conta na hora da sua avaliação. Pontos positivos: staff atencioso, boa localização, bom custo-benefício (paguei $44.000 a diária por um quarto privado sem banheiro, mas os coletivos são mais baratos), banheiros limpos, claridade em relação à proibição ao uso de drogas e ao turismo sexual, roupa de cama e banho brancas e limpas, chuveiro e cobertores quentes (contando que Bogotá fica em um ponto alto da cordilheira, e faz frio), tem área comum com televisão, sala de vídeo, wifi, computador com internet (pago à parte), churrasqueira (toda 6a. rola um churras) e uma geladeira com refri, água, cerveja, prateleira com uns salgadinhos e brownies, e tudo é pago na hora de fechar a conta. Pontos negativos: o café da manhã gratuito vai das 8:00 às 9:00h e é bem simples (pra não dizer ruim), e fora isso tem um mais completo pago à parte, instalações um tanto antigas, não é recomendável caminhar pela vizinhança à noite (como nos centros da grande maioria das cidades do mundo), e é afastado das baladas (rumbas) que acontecem na Zona Rosa (de táxi dá uns 20 minutos, e fica em torno de $15.000), Usaquén e Parque de la 93. No albergue conheci brasileiros, além de backpackers da França, EUA, Austrália e Peru.
Tentei utilizar o shuttle do albergue na chegada à cidade ($18.000), afinal o aeroporto se localiza na principal avenida (Calle 26, que está completamente tomada por obras, causando um caos no trânsito), mas o motorista bateu o carro, então tomei um táxi tradicional (saiu $17.000). Primeira dica em relação aos táxis: pergunte sempre quanto é o "recargo", porque eles cobram isso aleatoriamente em cima do valor da corrida, independentemente de ser via taxímetro ou previamente combinado. A dica para quem pretende alugar carro é ter em conta que há rodizio municipal duas vezes por semana para cada final de placa, das 6:00 às 20:00h - praticamente o dia inteiro sem poder utilizar o carro. Ouvi dizer que os táxis estão melhores agora, mas por precaução é melhor escolher os rádio-táxis.
Há um site oficial de turismo do país (
http://www.colombia.travel/po/) que dá a informação de um passeio guiado gratuito a pé pelo centro histórico da cidade pelo Ponto de Informações Turísticas (PIT). Infelizmente houve um problema com o e-mail que eles disponibilizam para se inscrever no passeio, mas como cheguei cedo aproveitei para me inscrever pessoalmente. Neste passeio (e em todos os outros pontos turísticos que visitei) encontrei muitos brasileiros, o que me alegra muito, pois a imagem do narcotráfico e das FARC está ficando para trás e finalmente estão descobrindo a beleza do país e a gentileza de sua gente. O passeio dura em torno de duas horas, tem dois horários diários (10:00h e 14:00h) e é guiado por um policial militar especializado em turismo. O ponto de partida é a Plaza de Bolívar com os quatro monumentos em seu entorno: Capitolio Nacional, Catedral Primada de Bogotá, Palacio de Justicia e Palacio Lievano (onde se encontra o PIT). Passamos pelo Museo Iglesia Santa Clara, Palacio Echeverry, Observatorio Nacional, Palacio Nariño (a casa do presidente), casa do Simón Bolívar, dentre outros pontos. O guia era muito gentil, tinha muitas histórias para contar, o passeio foi extremamente agradável.
Antes do passeio, como tinha tempo, tomei café da manhã em um lugar indicado pelo hostel chamado La Puerta Falsa (Calle 11, próximo à Plaza Bolívar), e pedi um "combo" de chocolate (não se esqueça que o chocolate aqui pode ser em leite ou em água de panela, que é um tipo de diluição de rapadura em água onde se coloca uns tabletes de chocolate, e para quem está acostumado com leite, como eu, pode ficar decepcionado), queijo (único ponto realmente saboroso neste café da manhã), almojábana (um tipo de pão de batata que não tem recheio mas tem queijo na massa) que costuma ser gostosa, mas estava fria, e pão com manteiga por $5.000. Depois aproveitei e conheci a Casa de Moneda.
Depois do passeio no centro pensei em ir ao Monserrate (ponto mais alto da cidade), mas começou a chover, então fui ao Museo del Oro (Calle 16 com Carreira 5 - $3.000, nos domingos a entrada é gratuita, e também dá para ir a pé do albergue). Vale a pena conhecer, pois mostra toda a história de troca entre sociedades até chegar ao uso do metal, além das várias técnicas de artesanato com ouro utilizados pelos antigos povos. Almocei no restaurante do museu, provei um ajiaco (uma sopa típica da região, com vários tipos de batatas e frango, acompanhada de alcaparras, creme de leite, arroz e abacate, além de um couvert não cobrado (um pão maravilhoso com azeite e vinagre para "chuchar") e suco de mandarina por $20.000 (já contando a "propina", ou o serviço). Voltei para o albergue, e estava tão cansada que à noite não saí para jantar. A dica é que os colombianos apreciam muito mais os produtos nacionais que os de empresas que vêm de fora, e eles realmente são saborosos, então provar um biscoito Noel, um refrigerante Postobon ou um sorvete CremHelado vale a pena!
No dia seguinte tomei um táxi do hotel e fui ao Cerro Monserrate ($6.000), ponto mais alto da cidade - lembrando que esses trajetos podem ser feitos a pé, mas contando que eu tinha pouco tempo e a chuva era iminente, preferi ir de táxi. A subida pode ser feita de funicular (que é um tipo de trem), de teleférico (as viagens têm o mesmo valor, então se pode fazer como eu, que subi em funicular e desci em teleférico - $8.000 ida e volta), ou a pé (só é aconselhado para grupos maiores, pois o caminho é perigoso). Os horários de funcionamento e os valores estão no site
http://www.cerromonserrate.com. Chegando lá tomei café da manhã no restaurante Casa de Santa Clara (que tem uma vista espetacular), comi um Desayuno Monserrate, com suco de laranja, chocolate (esse sim em leite, bem cremoso), pão, manteiga, marmelada de uchuva, tamal (um parente da nossa pamonha, mas recheado com carne de frango e de porco), queijo e café extras - lembrando que o pessoal por aqui chama o cafezinho de "tinto", então não se assuste se te oferecerem um tinto às 8 da manhã ($23.000 com propina). Uma dica interessante: o pessoal aqui coloca pedaços de queijo no chocolate quente, e a textura resultante é bem interessante.
Saindo de Monserrate, tomei um táxi ($5.000) até o Museo Nacional (Carrera 7, 28-6 - fui no domingo, e a entrada era gratuita), e sugiro que se vá com tempo para contemplar as diversas exposições que ocupam seus corredores que formam uma cruz. São três alas em cada andar, e são três andares! A pé de lá se pode ir à Plaza de Toros de Santamaria (Carrera 7 com Calle 27), que infelizmente não está aberto para visita, e ao Planetário de Bogotá (Carrera 6, 26-07), que é seu vizinho. Na rua seguinte está o Colpatria, o edifício mais alto da cidade (Carrera 7, 24-89) e, em teoria, estão o Museo de Arte Moderno (Calle 24, 6-00) e a Biblioteca Nacional (Calle 24, 5-60), mas estava debaixo de chuva, caminhando rápido, mas acho que fui tão rápido que passei pelos dois e não percebi e, quando dei por mim, já estava no Museo del Oro (rs)... uma pena, mas na próxima viagem a Bogotá serão meus primeiros destinos!
Na esquina seguinte ao albergue tem uma lanchonete que pertence à maior rede colombiana de fast food, a El Corral (e fica bem em frente a uma universidade), mas infelizmente na hora que fui jantar estava fechada. Bem em frente tinha uma pizzaria aberta, a 1969 (pizza individual Napolitana e uma cerveja Club Colombia, mais propina: $15.000 - detalhe que eu só consegui comer metade da pizza, era muito grande)! Aliás, uma dica: cuidado ao tomar cerveja nacional, pois se vc aprecia uma Original, Bohemia ou Brahma como eu, há marcas muito boas como Club Colombia e Aguila, mas tem outras como a Reeds, que é doce... urgh!
No dia seguinte só tinha a manhã para passear, então rachei um táxi com um casal que estava no albergue até Usaquen ($22.000), um bairro (que um dia foi um "pueblo" perto de Bogotá) há uns 20 minutos de La Candelária onde rola um mercado de pulgas, uma feirinha de rua com artesanatos e comidas típicas, vários restaurantes descolados e um shopping que aproveitou a estrutura de um antigo casarão, o Hacienda Santa Bárbara (interessante, mas no final vc se dá conta que é um shopping mesmo - rs). A sorte é que dei de cara com um restaurante de frutos do mar indicado por uma amiga colombiana, o 80 Sillas. Comi o couvert (pãezinhos folha com patê de grão de bico com curry) e duas entradas, um ceviche misto (camarão, peixe marinado, polvo e lula) com molho green (alface romana, hortelã, coentro, limão) e um tartar de atum com óleo de gergelim, coentro, cebola e ovas sobre arroz de sushi, uma taça de Chardonnay e uma garrafa de água, saiu em torno de $50.000. Saiu caro, mas a experiência valeu muito! No próprio restaurante pedi um táxi para voltar ao albergue, e saiu $16.000.
Acabei não andando de Transmilénio nem indo a um monte de lugares, como o Parque de la 93, a Zona Rosa e o MamBo, além da Catedral de Sal em em Zipaquirá, Chia, Villa de Levya, mas tentei aproveitar o máximo possível os lugares que consegui ir! Não tem problema, pois pretendo voltar em breve à capital! Dentre as frutas locais, sugiro experimentar guanábana, feijoa, tomate de arbol, lulo e uchuva. Dos restaurantes, além dos que já citei, vi muitas referências nos posts sobre o Crepes & Waffles, e realmente vale a pena fazer uma refeição lá: é barata, saudável e feita com muita qualidade (uma curiosidade que o pessoal do meu trabalho me contou: eles só empregam mulheres chefes de família, e geralmente mães solteiras). Outra coisa que li e também é recorrente tanto em Bogotá quanto em Medellín é a revista, seja do carro que está entrando em um shopping, ou da bolsa de quem vai entrar a pé em algum lugar. Claro que isso não impede completamente a violência (os cuidados de sempre são imprescindíveis), mas inibe bastante e, associado ao grande número de policiais na rua deixa os turistas mais tranquilos para fazer o que realmente tem que ser feito: divertir-se!
Espero não ter me equivocado em nada, e estou à disposição para tirar dúvidas sobre o que escrevi!
Boa viagem!!!