09/01/2006 - Huaraz
Cheguei em Huaraz cedíssimo pela manhã, ainda não eram nem 7h. Hospedei-me no Hotel Churup, que recomendo. Bom e barato. Esqueci de contar, mas já em Lima comprei minha passagem aérea para Cusco para o dia 15/01 às 9h, então meus dias em Huaraz eram contados e eu tinha que otimizá-los ao máximo! A vista da cordilheira de alguns pontos da cidade é animal e foi amor à primeira vista! Eu sabia que quantos dias eu tivesse aqui, ainda não seriam suficientes! Assim, fechei logo a trilha Llanganuco - Santa Cruz para o dia seguinte e o Chavin de Huantar para o mesmo dia. Estava muito cansado, mas não podia me dar ao luxo de ficar de bobeira descansando na cidade, então às 9h já estava saindo para o passeio do dia. As ruínas de Chavin são relativamente longe de Huaraz, então se passa uma quantia considerável de tempo dentro do ônibus, o que não era nada legal para quem havia dormido em um. No caminho, há uma parada para observar um pequeno lago e as montanhas e outra para o almoço antes das ruínas propriamente ditas, que realmente valem a pena. A cultura Chavin floresceu uns 2000 anos antes dos incas e é impressionante o desenvolvimento deles na área de engenharia. Os túneis subterrâneos que eles construíram são simplesmente fantásticos. Retornei a Huaraz com muita cãibra nas pernas, mas acho que tomei a decisão correta e fui dormir cedo.
10/01/2006 - Trekking Llanganuco-Sta Cruz
Havia conseguido fechar a trilha por 70 dólares e coloquei na negociação um passeio grátis no dia seguinte ao retorno à Huaraz, um bom negócio! O começo do passeio é o transporte em ônibus público até depois das lagunas Llanganuco, de onde se começa a caminhar. O primeiro dia é moleza, sem problemas se você já estiver aclimatado. O meu medo era com relação ao clima, pois todos me haviam dito que essa seria a época de chuvas, mas nesse primeiro dia choveu apenas de leve e muito rapidamente. À noite, um friozinho razoável mas nada de outro mundo.
11/01/2006 - Trekking Llanganuco-Sta Cruz
O segundo dia da trilha é o mais difícil, pois boa parte é em subida até se chegar ao ponto conhecido como Punta Unión, a 4750m.s.n.m., mas eu já estava totalmente aclimatado ao ar rarefeito após ter enfrentado o El Misti e em boa forma física, depois de tantas caminhadas, assim não tive muito problema. O guia era super gente boa e o grupo também era legal, 2 irlandesas e uma americana super gente fina que ficou minha amigona. Ela foi a que sofreu mais, pois não havia ainda se aclimatado bem à altitude e não estava na melhor das formas físicas, mas depois que se chega a Punta Unión, é tranqüilo. A vista de lá de cima, aliás, é espetacular! No acampamento, um frio descomunal! Todos foram dormir cedo porque simplesmente ninguém agüentava muito tempo fora das barracas. Quanto ao clima, até chegarmos a Punta Unión, dia fechado, muitas nuvens, impossível de ver o céu. De P.U. para lá, dia claro e céu azul. Nada de chuvas.
12/01/2006 - Trekking Llanganuco-Sta Cruz
Terceiro dia, céu limpo e lindo e caminhada fácil. Praticamente tudo plano, nada de subidas ou descidas. Ainda assim, a americana passou mal quando chegamos ao acampamento, acho que insolação, mas nada de grave, apenas precisou de descanso. O acampamento, aliás, foi o melhor da trilha, ao lado de um rio super caudaloso e lindo, o som das corredeiras era realmente muito bom para se dormir. Para coroar o dia, ao chegarmos lá o guia e o dono da mula que levava as barracas pescaram umas trutas, fresquíssimas, e o jantar foi saborosíssimo. Na viagem, ainda viria a comer trutas boas, mas como as desse dia, nenhuma chegou sequer perto!
13/01/2006 - Trekking Llanganuco-Sta Cruz/Huaraz
O quarto dia é bastante curto enquanto trilha. O caminho é fácil mas é chatinho, com muita descida e machuca um pouco o joelho. Caminha-se pouco e logo se chega ao lugar onde se pega o ônibus de volta a Huaraz. Do caminho, acho que o mais interessante foi ver in loco o famoso cacto alucinógeno San Pedro, de onde se extrai mescalina, e que era utilizado em rituais xamanísticos pelos incas, e ainda hoje o é por muita gente, parecido com a ayahuasca amazônica.
14/01/2006 - Huaraz/Lima
Já em Huaraz, acordei cedo para aproveitar o dia e pegar o passeio a que teria direito. Acontece que dos passeios "clássicos" (Pastoruri, Chavin, Llanganuco e Punta Olímpia) um estava fechado até o mês de abril, o outro já havia feito, o terceiro era justamente de onde havia saído a trilha e o quarto não tinha grupo para aquele dia. Assim, fui fazer o Lago Churup, que custa mais caro, e paguei apenas a diferença. Esse passeio tem um grau de dificuldade um pouco maior, pois são 3 horas de trilha ladeira acima todo o tempo e um pequeno trecho de escala em rocha. O dia ameaçava chover, mas por sorte a chuva só nos alcançou quando já havíamos descido do alto da montanha onde está o lago (que é lindo, a propósito). Sorte mesmo, pois apesar de a escalada ser fácil, molhada se torna um pouco escorregadia e perigosa. Agora era caminhar 3 horas ladeira abaixo e na chuva. Cheguei ensopado a Huaraz e com o joelho bastante dolorido, mas quem disse que me arrependo? À noite, 22h, ônibus rumo a Lima.