Em fevereiro de 2007 eu comprei uma bota modelo Titã, na cor Caramelo. Na época pretendia comprar uma Salomon, mas o vendedor da loja Gamaia em São José dos Campos, acabou me convencendo a comprar uma Nômade, alegando ser uma bota nacional, com qualidade das estrangeiras, fabricada para o clima e terrenos brasileiros. Após experimentar a bota fiquei surpreso pelo conforto gerado por ela e acabei optando pela compra, mesmo sem conhecer a marca, confiando no vendedor, no que avaliei sobre o produto e dando um voto de confiança a marca.
Esse “casamento” com a Titã durou um ano e meio, com muitas trilhas, belas paisagens e vários kilometros de caminhada, até q a biqueira do pé direito começou a descolar. A principio não dei muita atenção e encarei isso como um primeiro sinal de desgaste da bota, apesar do calçado estar muito bem conservado, inclusive o solado. Algum tempo depois a biqueira do outro pé também começou a descolar e aí passei a ficar preocupado. Mas o pior aconteceu posteriormente quando percebi que no local onde a biqueira estava descolando passou a entrar água.
Fiquei extremamente descontente com o ocorrido e decepcionado com a marca. Não imaginaria que em um ano e meio a bota fosse apresentar este tipo de problema. Se fosse somente um pedaço da biqueira se soltando, tudo bem, mas uma sola se descolando e permitindo a entrada de água é algo sério para um montanhista que confia uma caminhada de dias, que foi planejada durante semanas, num par de botas para garantir a saúde de seus pés e conseqüentemente um passeio tranqüilo e cheio de alegrias.
Como tinha planejado e programado fazer a meia volta na Ilha Bela no final de outubro de 2008, fiquei praticamente refém da situação, pois fica impossível você fazer uma trilha de 3 dias no meio da mata sem um calçado técnico, sem uma bota que na verdade é um equipamento, uma extensão do corpo do montanhista.
No inicio do mesmo mês entrei em contato com a empresa e fui muito bem atendido pela Solange Rosa, que entendeu a minha situação e me passou que conseguiria me entregar a bota consertada ou uma nova a tempo de eu fazer a trilha. Encaminhei a bota e ainda pedi para fazerem o possível para consertar a bota ao invés de me mandarem uma nova, pois não iria dar tempo de amaciar o calçado para a trilha.
O tempo passou vários e-mails foram trocados e no dia 29/10 recebi a informação de que a minha bota estaria sendo colada no dia seguinte. Nesta data, com a bota ainda na linha de produção me lembrei que além do problema da biqueira e da entrada de água, que os ilhoses superiores eram bastante moles, alguns chegaram a se abrir durante a caminhada, enroscando no cadarço da outra bota ou na calça, cheguei quase a cair por isso. Solicitei a Solange que verificasse isso e providenciasse a correção do problema.
Como no final se semana seguinte ao dia 29/10 seria o final de semana onde faria a trilha, o sentimento de arrependimento me bateu, pois ao invés de confiar na empresa deveria ter comprado outra bota, assim teria tempo de amaciá-la para a trilha e não precisaria cancelar uma aventura que foi planejada por meses.
Como só me restava esperar, fiquei aguardando a minha bota e após alguma cobrança recebi a informação de que a minha bota tinha sido postada no correio no dia 11/11.
Já comecei a planejar uma trilha para comemorar a volta da minha companheira, mas para a minha surpresa a bota que recebi não era a minha. Era uma bota com o tamanho inferior ao meu, com o solado desgastado no canto do calcanhar de uma forma que eu nunca pisei.
Fiquei revoltado com o ocorrido, chegando a postar várias notas de desagravo a Nômade em comunidades de montanhistas no Orkut. Entrei em contato com a Solange que descobriu que a bota que me foi enviada era de um cara de Brasília e que a minha estava com ele. Como o cara estava de viagem marcada (26/11) precisei enviar urgentemente a bota para ele, pois já bastava um cliente decepcionado com a Nômade. No dia 19/11 postei a bota via Sedex para Brasília.
Alguns dia depois recebi a minha bota, com o soldado re-colado, mas notei que os ilhoses ainda eram os originais da bota. Mais uma vez confiei na Nômade e deduzi que a fábrica não tivesse encontrado nenhum problema neles.
Mas no ultimo final de semana, um deles se quebrou quando eu estava re-amarrando a bota, me deixando descalço mais uma vez....
Entrei em contato com a Solange, novamente, que ficou surpresa e ainda se lembrou o quanto eu enfatizei sobre esse problema e mais uma vez me pediu para enviar a bota novamente para a fábrica.
O fato é que estou estou desde o final de setembro sem a bota e o pior (2 meses), sem fazer nenhuma trilha porque a Nômade não se preocupa com a qualidade dos seus produtos. Se isso já é grave para um fabricante de calçados normais, para um fabricante de um equipamento para esporte é ainda pior.
No meio disso tudo cheguei a pensar em comprar uma Nômade Tx Pró, mas depois desta novela toda, nunca mais. Ontem mesmo fui a loja Gamaia comprar uma nova bota e a primeira coisa que falei para a vendedora é que não quero Nômade.
Quando comprei a bota, a indiquei para uns seis companheiros de trekking, mas a partir de hoje farei questão de contar a minha experiência com a Nômade para todos e desestimular qualquer um que pense na Nômade como um calçado técnico para o montanhismo.
Como disse, desde ontem comecei a pesquisar a compra de outra bota, mas desta vez será uma Salomon, coisa que devia ter feito a um ano e meio atrás.






Resumo