Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#837298 por Renato37
06 Mai 2013, 22:12
Trilha feita em 04/05/2013.

Álbum com todas as fotos estão em:
https://picasaweb.google.com/1104304139 ... directlink

A principio, por ser bate-volta, a intenção era acordar as 5h00 e sair as 6h00, para que pudesse aproveitar o máximo do dia. Porém, como o despertador falhou, acabei acordando somente depois das 7h00. Foi ai que vi que parte do tempo da trip poderia ficar comprometida. Pois até sair daqui de SP e chegar na primeira das trilhas mapeadas, levaria cerca de 1 a 2 horas.

Mas até que acordei relativamente cedo (por ter ido dormir cedo na noite anterior). Com a mochila preparada já na noite anterior, tendo que apenas pegar sucos na geladeira e passar na padoca para comprar presunto, rapidamente tomo café e as 8h20 estava arrumando a mala no bagageiro da motoca. Feito isso, zarpei as 8h25 e as 8h40 estava na marginal em direção a rodovia Ayrton Senna, com destino a Boraceia, passando por Mogi.

A viagem transcorreu em uma manhã relativamente quente para os padrões do outono, porém com céu totalmente azul e livre de qualquer vestígio de nuvens, confirmando a previsão meteorológica da Somar (do tempo agora) que o tempo só mudaria no dia seguinte. As 9h28, após descer o trecho da Serra do Itapety, cheguei a mogi das cruzes, onde a cruzaria para pegar a SP-98, mais conhecida como "Mogi-Bertioga". Antes de chegar no cruzamento com a linha da CPTM, dei de cara com uma blits da PM, que ao me verem aproximando, um deles acenou para eu parar.

Enquanto encostava a motoca, pensei: Espero que não embacem com a aparência da moto, um pouco suja de estrada de terra, com aparência de velha, propositalmente deixada assim para que a mesma não chame a atenção dos bandidos, mas com a manutenção e documentação em dia. Parado ali, entreguei a documentação e o CNH ao PM e como quem não deve, não temes, tudo ok e fui liberado. Porém, não foi rápido: custou 20 minutos do meu estourado tempo. Imprevistos, faz parte.

Por ser um sabadão de um fds tradicional e fora de temporada, a rodovia estava vazia, então logo que sai de Mogi, percorri em 25 minutos o trecho de planalto da serra e as 10:13h, já no meio da descida, fiz uma rápida parada para fotos do belíssimo cachoeirão véu das noivas, mais conhecida como cachu do elefante, visto de longe da rodovia, cachu essa que já foi palco de algumas pernadas nas entranhas dessa parte da Serra. Travessia Casa Grande x Guaca que o diga.

O céu estava bem limpo e livre de qualquer vestígio de nuvem, o que é raro em se tratando de trecho de serra, porém, ventava muito, com rajadas inclusive. Ventos muito fortes e constantes no geral, indicam a aproximação de uma frente fria, ou seja, sinal que de fato, o tempo iria mudar no dia seguinte.

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Cachu vista do ponto de refúgio no meio da descida da serra de Mogi-Bertioga.

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Picada alternativa que sai da rodovia e desce até o Rio Itapanhaú em menos de 30 minutos, onde se faz necessário atravessar o rio e seguir do outro lado a direita até a cachu.

Porém, como já tinha perdido muito tempo por ter acordado tarde e pelo fato de ter sido parado na blitz, me limitei a algumas fotos apenas, e as 10:25h, retomei a viagem. Após passar o entroncamento com a Rio-Santos e virar sentido Boracéia, rapidamente cheguei ao Km 200, onde virei a esquerda em uma área de retorno. As 11:05hs, após seguir o roteiro previamente mapeado (com nomes de ruas e caminhos traçados pelo google earth + maps), inicialmente seguindo pela "R.R um", cheguei na tal rua com o nome "R.R.Quatro", entrando pela portaria do segundo condomínio após fazer o retorno.

Rua essa que, seguindo reto, dá acesso direto a estradinha de terra que leva a cachoeira do Perequê mirim.

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Estradinha de terra que dá acesso a trilha da Cachoeira do Perequê-Mirim.

Es que as 11:15h adentrei a estradinha de terra e após 4 km, cheguei ao final dela e inicio da trilha da cachoeira do Perequê-Mirim. Após algumas alongadas básicas e preparar a mochila, es que as 11h40 dou inicio a pernada propriamente dito. Bem tarde por sinal, já que previa chegar ali as 8h00.

Já no inicio da trilha, noto algumas bifurcações logo de cara, o que me atiçou a curiosidade de espia-las rapidamente antes de seguir pela principal até a cachu. Antes mesmo de iniciar a trilha, vi 2 bifurcações, uma a direita e outra a esquerda. A primeira apenas dava volta por dentro da mata e caia mais a frente, numa outra trilha que termina numa casa, com uma placa dizendo: Proibida a entrada. A outra termina no rio. Já no começo da trilha principal, notei uma placa indicando com uma seta a esquerda: "cachoeira". Enquanto que, seguindo reto, cairia na tal casa.

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Inicio da trilha

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Placa indicando o sentido da cachoeira

Virando a esquerda pela picada principal, logo de cara, cheguei ao trecho de rio, onde o conforto dos pés secos vai literalmente para o saco, já que a travessia se fazia necessária, pelo fato da trilha continuar do outro lado. Logo após atravessar o rio, dou de cara com mais 2 bifurcações, ambas bem abertas, o que me deixou dúvidas a principio, sobre qual delas seguir. Pois bem, como tenho que escolher por qual irei, resolvo ignorar a picada da esquerda em favor da direita, que segue subindo o rio, já que ia na direção desejada.

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Trecho de travessia de rio, bem no inicio da trilha.

A trilha segue bem aberta e batida, onde noto inclusive algumas marcas de pneu de moto (me perguntei como os caras passaram com a moto pelo aquele rio meio fundo e bem pedregoso naquele trecho, mesmo com moto de trilha). Após a travessia de rio, es que em 10 minutos, passo por mais uma bifurcação a esquerda. Por estar mto bem aberta, assim como a principal, resolvo abandonar temporariamente a picada principal em favor da bifurcação a esquerda, indo por algum tempo nela para ver onde vai dar.

A picada segue forte em direção quase oposta a principal, o que me fez pensar que estivesse voltando e poderia cair em alguma outra estradinha. Mas mesmo assim, resolvo ir mais um pouco nela para ver, qualquer coisa, voltaria e exploraria ela depois que passar pela cachu. Porém, não dá nem 5 minutos de pernada e a mesma cai num belíssimo poção natural do rio, de cor esverdeada, enorme, profunda, com a maior parte dela só de areia, com um belo descampado e até uma corda para se pendurar e saltar na agua.

Sem nenhuma alma viva no local, o calor queimando meus neurônios e dono absoluto do lugar, não resisto a dar um rápido tchibum nessa belíssima piscina natural. Refrescado e pronto para continuar, noto que a picada que me trouxe até ali vira a esquerda e desce, então resolvo retornar a principal e de lá, seguir até a cachu. De volta a principal, segui por mais 10 minutos e para a minha grata surpresa, cheguei na cachoeira do Perequê-Mirim as 12h25, cujo acesso se dava por uma picada a esquerda, enquanto que a principal seguia rio acima. Na cachu, pausa para mais fotos e um pit-stop, claro.

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Poção do cristal verde

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A cachoeira é formada por uma enorme pedra lascada, com cerca de 20 a 30 metros de altura formada por 3 quedas, com um trecho onde é possível até descer escorregando num tobogan natural. Pausa para mais cliques e me deliciar por mais uma sensação de dono absoluto do lugar, já que além do poço do cristal verde, tb não havia nenhuma alma viva na cachoeira. Mesmo com o calor e o astro-rei brilhando forte. A fome dá seus primeiros sinais, então aproveitei a ocasião e mandei ver nos lanches para forrar o estomago e molhar a garganta seca com mais um sucão, acompanhado de algumas barras de cereais e biscoito. ::otemo::

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Cachoeira do Perequê-Mirim....

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Outra queda da cachu do Perequê-Mirim, primeira que é visualizada logo que chega pela trilha....

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Vista geral do alto da cachu

Com o estômago forrado, revigorado e relaxado, após permanecer na cachoeira por cerca de 30 minutos, es que as 13:00hs, retorno para a trilha principal e continuo em frente, imaginando que poderia dar em alguma outra cachoeira maior. A picada segue o rio acima e após alguns minutos nela, es que chego num trecho onde ela começa uma subidinha mais ingreme, que aliado ao forte calor, várias gotas de suor são tiradas do meu rosto. O estrondo da cachoeira vai ficando para trás e dando lugar ao silêncio e ao sons da floresta, iluminados pelos raios solares....

As 13:15h chego ao uma espécie de mini-represa de captação de agua, onde a picada termina. Explorei o entorno, inclusive o outro lado do rio, e como não encontrei vestígios de uma suposta continuação da picada propriamente dito, cheguei a conclusão que a trilha é só até ali mesmo. Então, as 13:20h inicio o retorno até o final da estradinha de terra, mas não antes de explorar a continuação da bifurcação a esquerda que entrei antes (que me levou aquela mega piscina natural).

Seguindo nessa trilha que mais parecia uma estradinha de terra de tão aberta que estava, es que para a minha surpresa, o final dela cai no trecho inicial da trilha principal logo após a travessia do rio. Ou seja, se tivesse optado por ir pela trilha da esquerda, teria caido no poção e depois mais para frente na principal. Após atravessar o trecho de rio e chegar ao final da estrada de terra onde deixei a motoca estacionado as 14h00, inicio o retorno até o asfalto e as 14:20h já estava de volta a Rio-Santos.

Agora o destino era seguir para a próximas 2 cachoeiras mapeadas: Cachu do Poço do escorrega e Una, distantes 18 km sentido Boiçucanga, saindo do km 200 até o km 182, onde entraria a esquerda logo após passar uma placa com os dizeres: "Sertão do Barra da Una". Acesso esse que seguindo, vai dar em 2 cachoeiras: Poção do escorrega e Cachoeira do Una. Isso é, se não fosse por dois inconvenientes. ::mmm:

Adentrei a estradinha as 14:55h e após percorrer cerca de 2 km, chego a uma portaria e ao tentar passar, um funcionário na guarita e segurança me pararam e disseram que o acesso ali fora restrito somente a moradores ou com autorização de algum deles, por ser um condomínio. Na hora pensei: Condomínio? O lugar mais parece um bairro lindeiro como aqueles de Bertioga do que um condomínio, com estrada de terra, sem placa e nome algum de condomínio.

Perguntei sobre a cachoeira e ambos me confirmaram que é por esse caminho mesmo. Então tentei argumentar com o segurança (em vão) que só queria ir até a cachoeira, mas o "Stallone" permaneceu irredutível, embora compreensível, já que o mesmo estava apenas cumprindo a sua função. Frustrado, resolvi deixar para lá por desconhecer um outro acesso (por enquanto) e voltei me perguntando como permitiram a construção de um condomínio numa área de preservação ambiental? Só pode ser condomínio antigo, porque se for recente, alguma coisa está errada ali. Pena que é justamente no caminho onde vai para as 2 cachoeiras. Paciência, faz parte.

Felizmente o acesso a Cachoeira do Perequê-mirim tb é feito através de um condomínio, porém de acesso livre, como o do Flamboaty para a trilha da Pedra Grande em Atibaia. Talvez porque tenha cara de ser mais novo e mais afastado dos limites das áreas de proteção ambiental. De qualquer forma, é só um mero achismo. Por ter visto outras estradinhas de terra próximos a esse adentrando em direção a serra, para não perder a viagem, resolvo adentrar e explorar cada uma para ver se não encontrava algum caminho alternativo que levasse até as cachoeiras, sem a necessidade de passar pela portaria de entrada.

Mas infelizmente foi em vão, todas que entrei terminavam em alguma casa ou sitio, sem nenhuma suposta picada mergulhando na floresta. De qualquer forma, não procurei aos mínimos detalhes, pois com o horário avançado (eram quase 16:00hs), estava apenas colhendo o preço de ter perdido a hora de ter saído de casa bem mais tarde do que o previsto, dado a falha do despertador em tocar, descoberto depois que não tocara por conta da pilha estar fraca. Durante a volta e como era caminho, me surgiu a ideia tosca de dar uma passadinha na trilha da cachoeira da Perereca para explorar uma bifurcação que poderia levar a tal cachu "Tobogan" da foto, que tive o infeliz azar de não encontrar. A dita cuja é essa:

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Foto por pclaudemir no panoramio

Pelo menos passaram a serrote na trilha do trecho de manutenção das antenas de transmissão (que estava com o mato mó alto e cobrindo boa parte da trilha) e ela virou praticamente uma estradinha de terra: :mrgreen:

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Trilha da "torre 47" e cachoeira das Pererecas:

Como não deu tempo e eu não estava nem um pouco afim de voltar no escuro, es que deixo para uma outra vez com mais tempo e as 17:30hs inicio a volta para Sampa (com uma parada para um lanche e reabastecer em Bertioga) e as 19:20h já estava em casa.

A Cachoeira do Perequê-Mirim e o poço do Cristal verde são ótimos programas bem família cuja trilha é curta, sendo o maior trecho dela em estradinha de terra até a entrada da trilha, com 4km de extensão, sendo possível ir de carro/moto até a entrada da mesma. Após o fim da estradinha, o trecho de trilha é curta e não dá nem 20 minutos de pernada, tendo a opção da trilha do Poço do Cristal verde, aproveitando uma mega piscina natural com prainha fluvial e áreas descampadas para camping selvagem.

Essa é a nossa serra do mar, com opções dos mais variados níveis: Desde as picadas bem abertas e curtas, até as de longas horas e com dificuldades e tempo de percurso bem maior, bastando apenas ter espírito, tempo e vontade de desbravar e explorar cada uma delas. Na maioria das vezes, sempre chegará a algum lugar interessante, desde rios com belíssimas piscinas naturais, pequenas quedas, belíssimos mirantes ou mesmo cachus enormes. Mas tb podem dar em apenas casas ou sítios.

Porém, você só vai descobrir "o pote de ouro, prata, bronze ou mero ferro enferrujado" se for até o fim do arco-íris, ou melhor dizendo: Da trilha. Nesse tempo de trilha, aprendi que no geral (com raras exceções), qto mais aberta e batida for a trilha, maiores são as chances dela dar numa cachoeira, mirante, pico etc. Não que as picadas pequenas ou aquelas que você acha que não vai dar em nada, não surpreenda.

Mas ai cabe apenas a vontade e disposição de escolher e percorrer cada uma delas (independente do tamanho e do estado de cada picada) no tempo que tiver disponível. :D


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