Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#750556 por ricardojcarvalho
21 Ago 2012, 23:22
Vejam o álbum completo dessa trilha no meu site:
http://www.panoramio.com/photo_explorer#view=photo&position=0&with_photo_id=77334367&order=date&user=6483509&tag=Bertioga%20-%20Cachoeira%20e%20Funicular%20da%20Usina%20do%20Rio%20Itatinga

O Rio Itatinga, um dos mais importantes afluentes do Rio Itapanhaú, nos prestigia com um fantástico espetáculo natural em meio ao seu acidentado trajeto rumo ao Litoral: A Cachoeira de Itatinga, também conhecida como Garganta do Gigante: Uma imponente queda d' água com cerca de 200 metros de altura, dividida em três patamares. Além de sua incontestável importância ecológica, o Rio Itatinga possui grande destaque econômico desde 1910, quando foi inaugurada a Usina de Itatinga, atualmente responsável por suprir a demanda energética de todo o Porto de Santos.

A região entre Mogi das Cruzes e Biritiba-Mirim é privilegiada por conta da bela Mata Atlântica em bom estado de conservação às margens da SP-98 (Rodovia Mogi-Bertioga). Recentemente tive o privilégio de conhecer dois de seus principais atrativos: As cachoeiras do Elefante e da Pedra Furada. Porém a vontade de explorar os redutos do Vale do Rio Itatinga aliado a um longo período de estiagem (em pleno inverno) fez com que meu amigo André e eu decidíssemos, de última hora, organizar uma investida a afim de alcançar este belo contraforte da Serra do Mar Mogiana. Sendo assim, André e eu começamos a pesquisar na internet informações sobre o trajeto até o Rio Itatinga, partindo da SP-98, tarefa esta, que não foi muito complicada. Convidamos para essa trip o nosso amigo, o Fernando, que resolveu nos acompanhar, mesmo sabendo que nunca tínhamos estado no local. Esse sim é o legítimo espírito aventureiro!

Marcamos com Fernando de nos encontrarmos às 6:30 da manhã do sábado no Extra Anchieta em São Bernardo do Campo. Como nós dois estávamos de carro, achei inviável irmos em dois carros, pois poderia ser complicado para estacionar. Sendo assim, deixei o meu carro no estacionamento do mercado e assim, pegamos a estrada rumo à Mogi das Cruzes, onde chegamos por volta das 8:45 da manhã. O Fernando deixou o carro estacionado na Balança (km 77 da Rodovia Mogi-Bertioga), e logo em seguida iniciamos a caminhada rumo a entrada da trilha onde existe um portão de madeira e uma placa informativa com os dizeres: "Propriedade Particular". A trilha, que na realidade é uma antiga Estrada de Manutenção, inicialmente é bem larga, mas a medida que avançávamos, íamos notando que a vegetação ia deixando a dita cuja cada vez mais estreita. Enquanto caminhávamos pela trilha, às 9:15, uma coisa chamou a nossa atenção: O esqueleto de uma mula, devorada por uma onça encontrava-se em meio à mata: Rápida parada para clicarmos o ocorrido, e demos continuidade a pernada.

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Trilha para a Cachoeira de Itatinga

Fomos avançando por aquela estrada onde, às 9:30, chegamos em ponto em que havia alguns pinheiros e a mesma ia avançando, só que agora, pelo lado direito. Nesse ponto, o que era uma estrada, agora se transformara em uma trilha que ia adentrando em uma mata mais densa e fechada, diferente do trajeto em que vínhamos percorrendo até então. Fomos avançando pela mata, sem grandes dificuldades seguindo sempre a picada principal, que por sua vez, vai margeando um pequeno riacho. Às 9:57, chegamos uma "pinguela" suspensa uns 5 metros de altura, que dá acesso à continuação da trilha, onde tivemos apenas que tomar cuidado para não escorregar durante a travessia.

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Passada a primeira ponte, continuamos a caminhada. Às 10:08, chegamos à uma antiga caixa d' água abandonada, onde o Fernando se empolgou para subir, com o propósito de explorar o que havia dentro de seu interior. Deixamos o local e seguimos pela trilha, e poucos minutos depois, chegamos a um modesto riacho com um belo poção. Nesse ponto havia duas formas de cruzá-lo: Pela ponte (meio precária) ou por baixo mesmo, atravessando por dentro da água. Resolvi atravessar por cima, pois a adrenalina é um pouco maior.

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Fernando no topo da Caixa d' água

Após cruzar a ponte sobre o riacho, é necessário atentar-se, pois no local existe uma trifurcação: As entradas à esquerda e à direita, serão alvo de investidas futuras. Para esta trip, pegamos a do meio e por ela seguimos até que chegamos a mais riacho, exatamente às 10:45. Neste não havia nenhuma ponte. A trilha continua na outra margem desse riacho que não tivemos dificuldade alguma para atravessar. Cerca de 5 minutos depois, notamos um antigo forno de carvoaria enterrado em meio à mata. Ao que parece ele ainda estava em bom estado de conservação.

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Antigo Forno de Carvoaria

Continuamos andando e observando com atenção o trajeto por onde passávamos, pois nesse trecho do percurso a trilha não é tão bem demarcada e quaisquer aberturas por entre a mata poderia nos confundir, fazendo com que abandonássemos a picada correta, mas para nossa felicidade, estávamos no caminho correto, pois às 11:10, começamos a ouvir um forte barulho de cachoeira. Este era um bom sinal de que estávamos próximos do Rio Itatinga. Notamos que a trilha onde estávamos tinha saído em uma bifurcação. Para alcançarmos o rio, pegamos a entrada à direita. Esta, por sua, vira uma pirambeira que tivemos que descer com cuidado para não escorregar, segurando em árvores ou pequenos caules. Após, cerca de 10 minutos descendo aquela íngreme encosta, chegamos a barragem do Rio Itatinga, às 11:20, onde era possível avistar nitidamente o litoral de Bertioga.

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Notamos que existe um casa na outra margem do rio, possivelmente de algum guarda da usina. Aparentemente existia gente dentro, mas ninguém deu as caras. Cruzamos a barragem e começamos a estudar uma forma de descer até o patamar inferior do rio para, assim, chegarmos a Garganta do Gigante. Caminhamos pela "passarela", que na verdade é o aqueduto da usina e na primeira oportunidade entramos na mata, com o objetivo de descermos até a cachoeira. Seguimos por um caminho, que aparamente era uma pequena trilha. A picada saiu em um grande abismo intransponível. Retrocedemos um pouco e pegamos uma outra trilha que visivelmente dava acesso ao patamar inferior do rio. Para nossa triste surpresa, esse caminho estava com um cheiro insuportável de esgoto. Como estávamos com medo de sermos pegos por algum guarda, descemos por esse caminho mesmo, tentando não pisar nas poças do esgoto. Após esse trecho um tanto quanto desagradável do percurso, finalmente alcançamos o topo da Garganta do Gigante, às 11:40.

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Cachoeira de Itatinga

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Garganta do Gigante

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Litoral de Bertioga


O visual do topo da Cachoeira de Itatinga é formidável em dias sem novoeiros. É possível ter uma ampla visão do Vale do Rio Itatinga e das belas praias de Bertioga. Tivemos muita sorte de termos pego um dia ensolarado. Mas quanto mais agente tem, mais agente quer, o André resolveu descer um pouco mais as pedras para fotografar, de um ângulo diferente, aquele enorme abismo. Isso sim, eu digo: Coisas só para loucos e não recomendo!
Pois bem, fizemos um pit-stop bem demorado no topo daquela cachoeira: Apreciamos o belo visual, tiramos muitas fotos, fizemos um lanche e proseamos bastante. Ás 13:00, decidimos ir embora, mas não sem antes, explorar um pouco aquele caminho sobre o aqueduto por onde tínhamos estado inicialmente. O Fernando foi o grande incentivador nessa hora: "Se os guardas nos pegar, agente volta. Senão, agente vai indo até onde der!". Pois bem, fomos andando pelo aqueduto, onde no topo do morro havia uma casa onde vimos alguns funcionários da usina. Eles viram que nós estávamos com câmeras e perguntaram se nossas máquinas conseguiriam tirar foto de um macaco que, segundo eles, estava nos galhos de uma árvore. Dissemos que não tínhamos lentes potentes o bastante para fotografá-lo, e continuamos a caminhada. Passamos por um reservatório onde a água é capitada do rio e armazenada no aqueduto.

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Reservatório

Notamos que os trilhos do Funicular de Itatinga iniciam-se na casa onde estavam os funcionários da usina, e logo em seguida eles vão seguindo por cima do aqueduto, por onde estávamos andando. A partir deste ponto, o percurso é sobre os trilhos. O aqueduto serpenteia as encostas serranas, proporcionando um belo mirante do Vale do Rio Itatinga e do litoral. Notamos, também, as grandes obras de engenharia necessárias para transpor aquele perigoso vale. Enquanto avançávamos, notamos a existência de uma grande cachoeira na encosta por onde passam os trilhos e o duto: Analisando bem o local, vimos que o leito natural da cachoeira estava seco e que suas águas tinham sido desviadas para dentro do aqueduto para ajudar na geração de energia para usina. Ficamos bem impressionados com a grande obra ali construída.

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Continuamos a caminhada, mas sempre esperando que algum guarda fosse nos mandar voltar. Como isso, ainda, não tinha acontecido, continuamos seguindo os trilhos. Chegamos a mais uma grande cachoeira que também era desviada para dentro do aqueduto. Embaixo do curso da queda d' água, existe um túnel de cerca de dois metros de altura. Aproveitamos para fazer uma rápida pausa para fotos.

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Continuamos a pernada, admirando a paisagem e os belos e perigosos desfiladeiros desse trecho da Serra do Mar. Após, quase 1 hora de caminhada pelos trilhos, chegamos, finalmente à casa de máquinas do Sistema Funicular de Itatinga, onde os trens são tracionados por cabos de aço, durante a descida e a subida da Serra. Na casa de máquinas, encontramos com mais alguns funcionários da usina. Perguntamos a eles, se nós poderíamos avançar mais e eles nos informaram que nós nem poderíamos ter saído da barragem do Rio Itatinga, pois ali é perigoso devido aos fios de alta tensão existentes no local. Mas mesmo assim, eles foram muito gentis, e permitiram que nós fossemos até o inicio da descida da Serra para fotografar e conhecer o local, de onde é possível avistar mais amplamente o curso do Rio Itatinga, a Vila de Itatinga e também algumas praias do Guarujá.

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Funicular de Itatinga - Inicio da Descida da Serra

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Vila de Itatinga vista do Alto da Serra

Decidimos pegar o caminho de volta às 14:30, pois ainda tínhamos muito chão pela frente. Aceleramos o passo, pois queríamos chegar à estrada antes de escurecer, pois pernoitar naquela região sem estarmos preparados, estava fora de cogitação. Para nossa alegria, o ritmo durante a volta foi bem satisfatório e chegamos à balança exatamente às 17:30, onde paramos para fazer um lanche. Proseamos um pouco com um homem que estava tomando cerveja: Um morador da região e que nos informou que era dono da mula morta, que eu comentei aqui no inicio do relato. Ele nos pareceu ser um homem bem inteligente e com pleno conhecimento da natureza a sua volta. Demos muitas risadas com suas histórias, também. Bem, já era hora de ir embora, então nos despedimos do homem e pegamos a estrada de volta rumo ao Extra Anchieta onde eu havia deixado o meu carro. O André e eu nos despedimos do Fernando, que nos agradeceu por mais esta trip.

Roteiros como este, que muitas vezes exigem muita determinação e força de vontade para concluir o trajeto, são algumas das muitas opções de passeio em nossa Serra do Mar Paulistana, que está ao alcance de todos, sinal de que não precisamos viajar para muito longe para desfrutar das maravilhas que só a natureza pode nos proporcionar.
Editado pela última vez por ricardojcarvalho em 26 Ago 2012, 22:36, em um total de 2 vezes.

#750853 por gvogetta
22 Ago 2012, 18:19
Olá Ricardo!


Gostei de ver, mandando bem... Essa região tem mesmo muito a oferecer, o Jorge Soto e agora você, que o digam! Bela pernada e um ótimo relato, recheado de fotos.

Abraço!
#751033 por Jorge Soto
23 Ago 2012, 08:55
Proximo da casa de comportas da barragem e da passarela de pedras nascia uma trilha curta e ingreme q desembocava num largo mirante rochoso com vista pivilegiada da cachu e do litoral. Infelizmente essa trilha nao encontrei na minha ultima visitacao ao lugar, e pelo visto ficou descaracterizada por recentes deslizamentos e chuvas. Uma pena pois a vista era deslumbrante, uma das mais bonitas da serra do mar. É de se esperar q ela seja recuperada pois tentei me enfiar no mato atras dela, mas julguei bem perigoso, sob risco de despencar serra abaixo ja q a encosta esta bem instavel.

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Da trilha ou estrada rumo Itatinga existem ramificacoes pra varios lugares pitorescos, como a Pedra d Calango, Fazenda Simao e o Lago do Simao, entre outros. Subir o Itatinga é altamente recomendavel - desde q se tenha dia extra pq sao longas distancias - pois dali nasce uma travessia q nao deve nda ao Vale da Morte e cheia de cachus, rumo afluentes do Rio Claro, em Taiacupeba. Alem de outros roles pela regiao...Os relatos tao tds aqui, basta procurar.

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