Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#840037 por Renato37
14 Mai 2013, 17:35
Trilha feita em 11/05/2013.

Álbum com todas as fotos estão em:
https://picasaweb.google.com/1104304139 ... directlink

Eram 8:32h qdo saltei do trem na Estação Estudantes numa manhã fria e enevoada, com o céu totalmente encoberto, típico das manhãs de outono e inverno. 20 minutos depois, encontrei com a galera da trip: Leo, Talita, Augusto, Andrez, Myung Lee e sua esposa. A principio, Leo tinha em mente pegar alguma Van na estação para nos levar até a entrada da trilha a fim de otimizar o tempo da pernada. isso pq, todos sabiam que se tivermos que ir de busão, perderíamos um tempo considerável, além de ter que andar 4km na rodovia do ponto final do busão até a na entrada da trilha.

Pois bem, ninguém estava afim de desperdiçar energia andando os inúteis 4km, então tentamos (em vão) pegar uma van, mas não havia nenhum disponível e ao recorrer aos taxistas, os mesmos pediram R$ 120 para levar até lá, que recusamos, é claro. Com o tempo passando e sem expectativa alguma de conseguir uma van, resolvermos que não restara outra opção a não ser ir de ônibus mesmo. Nos dirigimos para o terminal do ônibus proximo a estação afim de embarcarmos no busão " Manoel Ferreira" que nos levaria até a Balança, km 77 da Mogi-Bertioga.

Embarcamos no busão as 9:50h e chegamos lá as 10:40h, após uma viagem com trocentas paradas que durou quase 1 hora. Alonga aqui, ali e após preparamos a mochila, iniciamos a tediosa caminhada pelos 4 km pela Rodovia Mogi-Bertioga as 10:55. O pessoal estava bastante animado, embora tenhamos perdido parte da manhã em busca de uma van e na espera de quase 1 hora pelo busão no terminal. A névoa da manhã se dissipara rapidamente, o que permitiu o astro-rei aparecer e logo começar a fritar nossas testas.

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Encarando os 4 km na Mogi-Bertioga até a entrada da trilha

Andamos a passos largos a fim de chegar logo na trilha antes do sol ficar forte. Feito isso, chegamos a entrada da trilha as 11:38. Agora sim, a pernada começaria de verdade, a rodovia foi apenas um "aquecimento obrigatório".
Com isso, abandonamos a rodovia em favor da picada a direita, localizada ao lado da placa do km 81. Trilha essa que logo mergulhou na floresta, onde o som dos carros deu lugar ao silêncio e ao frescor da mata, permitindo a todos sentir o ar puro e úmido, para o alívio de nossos pulmões e narinas ressecadas por conta do ar seco e poluido de SP.

8 minutos desde a rodovia, passamos por uma bifurcação a direita, onde eu, curioso por não me lembrar dessa bifurcação da ultima vez que fizera essa trilha, es que resolvo adentrar a mesma para espiar, enquanto a galera resolveu continuar em frente. Desci um curto trecho ingrime da trilha bem aberta e dei de cara com uma clareira enorme,com o rio Itapanhaú passando bem manso ao lado esquerdo.

Pelo tamanho da clareira, calculei que tinha espaço para pelo menos umas 4 barracas do tipo "Iglu" ali. O Rio, ainda calmo, era pura piscina natural, o que se fosse em um dia quente de verão seria um convite para um rápido tchibum. Bati algumas fotos e logo retornei para a trilha principal. Enquanto seguia na trilha e estava me aproximando do rio, ouvira os gritos da galera logo a frente, o que imaginei que era porque estavam atravessando o rio.

Qdo cheguei no rio, vi os últimos do grupo atravessando e logo vi que os gritos eram disso mesmo. A agua, geladíssima por conta da friaca forte da madrugada, deu a impressão que estava atravessando um rio com gelo recém descongelado.

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Piscina natural do Rio

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Trecho de travessia do Rio

As 12:00hs, após atravessar o rio, o pessoal resolveu fazer um pit stop ali para descanço, apreciar o local, tirar fotos e esperar o Myung Lee e sua esposa, que haviam ficado para trás. Nisso, mandei ver nos sandubas para forrar o estômago e molhar a goela seca com um gatorade geladão. 5 minutos depois, Myung lee e sua esposa nos alcançam e o grupo fora reunida novamente. Permanecemos ali por cerca de 30 minutos e as 12:30h, com todo mundo saciado, revigorado e descançado, retomamos a pernada em direção a trilha para a cachoeira véu das noivas, mas não sem antes passarmos pelas cachus do escorrega e das 2 quedas.

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Cachu 2 quedas vista por cima

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Após 10 minutos na trilha e logo após passarmos uma bifurcação a direita que leva a um mirante, chegamos a uma outra bifurcação, dessa vez a esquerda, onde abandonamos temporariamente a picada principal em favor dessa curta trilha que nos levaria até a simpática cachu do escorrega, formada pelo rio Itapanhaú que nesse ponto, deixara de ser o calmo e manso rio, onde iniciava a descida da serra discretamente.

A cachoeira do escorrega é uma queda d´agua formada por um pequeno tobogan com 2 piscinas naturais, uma em cima e outra embaixo. Pausa rápida para cliques, claro. Enquanto retornávamos para a trilha principal, es que o Myung Lee, preocupado com o ritmo menor de sua esposa, avisou que seguiria na frente a fim de adiantar os passos e que iria descer na frente, mais devagar, assim nós o alcançaríamos.

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Cachoeira sem nome que batizei de "escorrega"

Pois bem, 5 minutos depois, após retornamos a trilha principal, seguimos até uma segunda bifurcação mais a frente, onde (com exceção do Myung Lee, sua esposa e o Andres que seguiram reto) es que eu, Leo, Talita e o Augusto abandonamos novamente a picada principal em favor de uma curta e discreta trilha a esquerda que em poucos minutos, nos deixara novamente no rio mais a frente, agora bem do lado do topo da cachu 2 quedas, onde pudemos contemplar mais um belo espetáculo natural.

Nesse trecho, o rio despenca serra abaixo em 2 quedas visíveis e outras grandes quedas, visíveis do outro lado da serra, do refúgio na Rodovia Mogi-Bertioga. Donos absoluto do lugar, aproveitamos para apreciar aquele espetáculo da natureza, com o rio vindo do alto da serra e despencando furiosamente serra abaixo, onde o Rio das Pedras encontra-se com o Rio Sertãozinho no meio da descida da serra e o Guacá bem no final, formando o cachoeirão do Elefante e o imponente Rio Itapanhaú, que se inicia oficialmente a partir da cachu do Elefante.

Após contemplar a cachu 2 quedas, retornamos a picada principal. As 13:10h iniciamos a descida, onde pouco a pouco fomos perdendo altitude até chegarmos no meio do caminho, no trecho onde (segundo relatos), houve um mega desmoronamento, que soterrara parte da picada principal, o que nos forçaria a varar-mato até encontrar a continuação da dita cuja. Felizmente, para a nossa sorte, passaram o facão ali e reabriram a trilha, o que iria permitir nossa passagem por baixo dos troncos das várias árvores caídas.

Porém, pouco antes do trecho de desmoronamento, chegamos a uma bifurcação a esquerda bem aberta descendo forte serra abaixo, o que imaginei que seria um atalho alternativo por conta do desmoronamento que cobriu a trilha principal. Então, como ela seguia na direção desejada, es que abandonamos a picada principal em favor desse atalho que descia semi-reto a serra, o que nos fez perder altitude rapidamente. Fomos desescalaminhando, contornando uma ou outra árvore caída na trilha. A picada "alternativa" desviara totalmente da principal e seguia descendo forte a serra, bem ingreme.

Sem ter que varar mato, graças ao "atalho", es que as 13:50 chegamos ao rio, um pouco mais próximo da cachu, onde a trilha alternativa se encontrava com a picada principal. De volta a principal, seguimos a esquerda até que pontualmente, as 14:00hs,chegamos ao famoso cachoeirão do Elefante. O Cachoeirão, formado pela junção de 3 rios, tem mais de 100 metros de largura com 70 de altura. Porém, ao chegarmos lá, demos de cara com uma tropa de guardas. Deveria ter pelo menos uns 20 homens que imaginei estar em treinamento de sobrevivência na mata para a decepção da galera, principalmente da Talita, a única mulher da turma. E do local.

Paciência, resolvemos recuar um pouco na trilha e ficarmos em um outro ponto, onde fosse possível avistar a cachu, pelo menos até que a "tropa de elite" saísse de lá....Após encontrarmos um outro local, estacionamos ali e ficamos observando a bela cachu, enquanto que o Leo e o Augusto, deslumbrados com a cachu que mais parece uma mini catarata de tão grande e larga que és, resolveram pirulitar pelas pedras a fim de chegar até a base da mesma, com o intuito de vê-la bem de perto e de outro ângulo.

Enquanto estávamos ali, reencontramos o Myung Lee e sua esposa, que desceram pela trilha principal e só chegara depois de nós, mesmo tendo saído na frente lá no topo, enquanto estávamos na cachu 2 quedas.
Algum tempo depois, a "tropa de elite" deixara a cachu para a alegria da galera, que rapidamente seguiu para a mesma e estacionamos de vez ali, dessa vez como donos absolutos do lugar.

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Cachoeirão do Elefante.

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Com excessão da "tropa", não havia mais nenhum trilheiro no local, nem gente acampando nas clareiras próximas, o que me fez pensar que o desmoronamento deve ter afugentado muitos farofeiros que devem pensar que a trilha está fechada até hoje....Mal sabem eles que uma trilha bem frequentada jamais fecha e sempre irão abrir picadas novas, seja para desviar das árvores, seja para cortar caminho.

Permanecemos no local por cerca de 1 hora até que as 15:15h, iniciamos o retorno de volta, passando por algumas clareiras enormes para camping selvagem, uma toca que mais parecia um bivaque natural debaixo de uma enorme rocha e pela bifurcação do atalho que utilizamos na ida. Após 10 minutos, chegamos ao tradicional clareira que é referência de travessia do rio para acessar a trilha mais curta do outro lado do rio que sobe até o "refugio" da Rodovia Mogi-Bertioga.

Fizemos um rápido pit stop ali para coletar agua e nos prepararmos para a árdua subida de volta para o alto da serra e o asfalto. Iniciamos a retorno pela trilha principal as 15:30h, onde nesse trecho inicial, a picada não dá moleza e sobe bem ingreme, com partes da subida onde o auxilio das mãos se faz necessário para impulso do corpo nos troncos. Rapidamente o suor passou a tomar conta do rosto do pessoal, em especial a Talita, que acostumada a subir e depois descer trilhas, sentira um pouco esse trecho do que ela chamou de "trilha invertida".

Ao contrário das trilhas de pico, essa a gente desce forte na ida e depois retorna subindo, já com menos energia disponível, gastos durante a ida. Com isso, ela ficou um pouco lenta,tendo que parar algumas vezes para recuperar o fôlego. Não só ela, o trecho ingrime aliado ao forte calor, faz qualquer um subir em ritmo de tartaruga manca.

Enquanto isso, da-lhe escalaminhada que parecia não ter fim, onde somente após 30 minutos de pura pirambeira, a picada começava a nivelar, diminuindo o grau da subida, mas ainda subindo sem parar e sem moleza. Afinal, é o preço a se pagar para ver aquele belo espetáculo natural e único. Porém, passados mais 5 minutos, a mesma sai do trecho mais ingreme e dá uma curta nivelada, mostrando que a pior parte ficou para trás. A partir desse ponto, a picada contorna um trecho de vale e entra no famoso trecho dos ziguezagues em formato de "8".

Como a altitude da cachoeira fica bem próximo ao nível do mar, o desnível a vencer ali seria de + ou - menos 700 metros. É Quase como descer do topo da Pedra Grande de Atibaia na ida e subi-la até o topo na volta.

Na metade da subida, Andrez disparou na frente, comigo logo atrás. Paramos algumas vezes para esperar os demais nos alcançarem até que faltando pouco para chegarmos ao rio, eu e o Andrez (que estava com um pique de dar inveja), seguimos rapidamente até que chegamos ao rio as 16:50h, onde aproveitamos para descançar um pouco mais, aproveitando a vantagem de quem chega antes. Após 5 minutos, enquanto nos preparávamos para atravessar o dito cujo, es que surgem da floresta, o resto do pessoal.

Encaramos a travessia do rio, onde a agua estava ainda mais gelada do que nunca e fizemos um rápido pit stop do outro lado do rio afins de trocar as vestes sujas e molhadas por outras limpas e secas. Os 10 minutos restantes da trilha foram percorridas com muita descontração, risadas e de alivio após a dura subida. A trilha estava chegando ao fim, mas não a pernada, pois após cairmos no asfalto, teríamos pela frente, 4 km de caminhada pelo asfalto da rodovia até chegarmos na balança no km 77, para então pegarmos o busão até Mogi e de lá, trem de volta para Sampa.

Seguimos sem parar pelos 4km até que as 18:00hs chegamos na balança, onde estacionamos de vez. A fome apertara de novo, e sem pensar 2 vezes, mandei ver uma coxinha e uma coca geladona, enquanto os demais ficaram só na prosa com um senhor, enquanto esperávamos o busão, que viria somente as 18:55h. Enquanto isso,fomos combinando novas pernadas para as próximas semanas, como Pico do Marins, Onça, Queixo d´anta e outros.

Após marcamos e confirmamos os próximas trips, es que o busão chegou e embarcamos. De volta ao terminal, resolvemos ir a um Rabib´s próximo a estação Estudantes, onde estacionamos de vez e o povo bebemorou a empreitada com chopps, 3 pizzas e esfihas. As 21:00hs, pegarmos o trem de volta a Sampa, onde fomos nos despedindo a medida que cada um chegava a sua estação de destino, seja de baldeação, seja ponto final.

Muitos anos atrás, já estivera nas entranhas dessa serra de Mogi algumas vezes, tendo desbravado essa imponente cachu pela primeira vez em meados de 2004, com alguns outros breves retornos em 2005, seja só retornando para explorar outras picadas novas, seja para acampar e fazer travessia entrando por cima, via rio Guacá vindo de Casa Grande e saindo por baixo, na Mogi-Bertioga.

Porém, quase 10 anos depois, é muito bom ver que o local continua do jeito que está, acessível somente a quem conhece e quem tem pique para encarar a dura subida de volta da trilha, numa seleção natural de público, deixando a maior parte da farofada fora dela. E que continue assim. :)
Editado pela última vez por Renato37 em 31 Mar 2015, 18:43, em um total de 5 vezes.

#840271 por Jorge Soto
15 Mai 2013, 12:34
Parabéns pela pernada, Renato...apenas um adendo explicativo. O Rio Itapanhaú tecnicamente começa la embaixo, no fundo do vale, e é formado pelos rios Guacá, Sertãozinho e Das Pedras, q é o primeiro curso dagua q vcs cruzaram (no inicio da trilha) e formador do toboga e duas quedas. A Cachu Elefante é formada pelo Sertãozinho e Das Pedras apenas, pois o Guacá é o ultimo tributario do então Itapanhaú. Uma sugestão de pernada é do fundo do vale subir o Rio Guacá pela margem/pedras até a SP-98. A meio caminho tem uma cachoeira encaixada num cânion que deixa o Elefante (ou Véu da Noiva, etc) parecendo uma bica. É um programa pesado, claro, mas dá pra fazer num dia saindo bem cedo da Balança.
#840429 por Renato37
15 Mai 2013, 19:20
Jorge Soto escreveu:Parabéns pela pernada, Renato...apenas um adendo explicativo. O Rio Itapanhaú tecnicamente começa la embaixo, no fundo do vale, e é formado pelos rios Guacá, Sertãozinho e Das Pedras, q é o primeiro curso dagua q vcs cruzaram (no inicio da trilha) e formador do toboga e duas quedas. A Cachu Elefante é formada pelo Sertãozinho e Das Pedras apenas, pois o Guacá é o ultimo tributario do então Itapanhaú. Uma sugestão de pernada é do fundo do vale subir o Rio Guacá pela margem/pedras até a SP-98. A meio caminho tem uma cachoeira encaixada num cânion que deixa o Elefante (ou Véu da Noiva, etc) parecendo uma bica. É um programa pesado, claro, mas dá pra fazer num dia saindo bem cedo da Balança.


Hum, valeu pelos detalhes sobre o rio. Eu nunca tive 100% de certeza se era mesmo o Rio Itapanhau ali...Ali então é o Rio das Pedras? Pela carta não diz o nome real?
#840678 por Jorge Soto
16 Mai 2013, 11:16
Renato37 escreveu:
Jorge Soto escreveu:Parabéns pela pernada, Renato...apenas um adendo explicativo. O Rio Itapanhaú tecnicamente começa la embaixo, no fundo do vale, e é formado pelos rios Guacá, Sertãozinho e Das Pedras, q é o primeiro curso dagua q vcs cruzaram (no inicio da trilha) e formador do toboga e duas quedas. A Cachu Elefante é formada pelo Sertãozinho e Das Pedras apenas, pois o Guacá é o ultimo tributario do então Itapanhaú. Uma sugestão de pernada é do fundo do vale subir o Rio Guacá pela margem/pedras até a SP-98. A meio caminho tem uma cachoeira encaixada num cânion que deixa o Elefante (ou Véu da Noiva, etc) parecendo uma bica. É um programa pesado, claro, mas dá pra fazer num dia saindo bem cedo da Balança.


Hum, valeu pelos detalhes sobre o rio. Eu nunca tive 100% de certeza se era mesmo o Rio Itapanhau ali...Ali então é o Rio das Pedras? Pela carta não diz o nome real?


A carta confirma sim, Renato. Se tiver a mão a carta de Mogi das Cruzes (1:50mil), repare no canto inferior direito q esta td la. Ali vc pode ver o Rio das Pedras passando por baixo das torres de alta tensao (logo no inicio da trilha), quase tangenciando a SP-98, pra dali entao embicar serra abaixo. A meio caminho vc vê o Sertãozinho se juntando nele, pra somente láááá no fundo do vale ambos juntarem suas águas às do Guacá. É dali q nasce o Itapanhaú.

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