Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#842552 por Renato37
22 Mai 2013, 10:55
Trilha feita em 11/04/2013.

Álbum com todas as fotos estão em:
https://picasaweb.google.com/1104304139 ... directlink

Sempre que subia a serra pela Anchieta, via a direita, encravada no paredão da imponente serra do mar, uma enorme cachu, brotando do paredão da mesma. E pensava: Um dia, irei desbravar essa cachoeira e qualquer outra que encontrasse no meio. O tempo foi passando, passando até que esse dia chegou. Pois bem, es que após ver algumas fotos e ler relatos sobre a exata localização da trilha de acesso para a dita-cuja, chegou a hora de conhecer essa que imaginava ser uma majestosa cachu.

Dias depois, lá estava eu, saltando do busão no "km 52" da Anchieta, na chamada "Cota 95" as 9:20h em uma bela manhã de outono parcialmente nublada, com o astro-rei dividindo espaço no céu com as nuvens. Sem perder tempo, parti em busca da entrada da picada em questão, que pelas infos coletadas, a mesma se inicia do outro lado da rodovia, onde uma passarela logo abaixo serviria de transposição para o outro lado. Após a travessia, comecei a prestar atenção na mata ao lado esquerdo da rodovia, afins de encontrar a entrada de alguma picada.

Não tardou e logo encontrei a entrada de uma trilha pequena e estreita a esquerda, que sai de uma curta estradinha de terra de acesso a direita (sentido para quem sobe a serra), com sinais de uso, onde resolvi entrar para explorar as 9:45h. A picada que começa discreta, em poucos metros de caminhada, fica mais larga e abre de vez, assim que mergulha na floresta.

Percebendo que a mesma seguia na direção desejada, resolvo ir de vez por ela. O barulho dos carros foi ficando para trás, dando lugar ao silêncio e ao frescor da mata. Durante o percurso na trilha que subia quase que sem parar a serra (embora a subida fora tranquila nesse trecho inicial), passei por algumas bifurcações a esquerda, que ignorei, já que o sentido desejado era óbvio: permanecer na principal que seguia mais larga e batida, onde havia inclusive, mangueiras de captação de agua por toda sua extensão.

As 10:10h cheguei a uma pequena cachoeira, com uma piscina natural, onde fiz uma pausa rápida para fotos e também para apreciar um detalhe que me chamou muito a atenção: O tom super cristalino da piscina dessa cachu.

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Piscina natural

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Mini-cachu na trilha

Ainda sem saber para qual das 2 cachoeiras a trilha iria dar, logo retornei a pernada. A picada continuava na outra margem, porém, a partir dali, ela embicava de vez para cima, bem íngreme, onde o auxilio das mãos se fez necessário para impulso nas pedras e troncos. Pequeno trecho esse vencido através de escalaminhada, propriamente dito. Após a subida nas pedras e raízes de troncos que serviram como degraus naturais, a mesma deu uma curta nivelada, mas logo voltou a subir íngreme. Ou seja, estava subindo a serra. Pelos relatos, a cachu da lagoa azul era mais para cima da Paraíso. Então cogitei que era a trilha para essa cachu.

As 10:34, fui ganhando altitude rapidamente, após percorrer um trecho razoável de subida + íngreme. No trecho final, a mesma embicou de vez, o que me arrancou várias gotas de suor do meu rosto e também onde mais uma vez, a picada foi percorrida na base da escalaminhada. Nesse ponto, já se ouvira de longe, o rugido de alguma cachu que estava próxima. Mas a escalaminhada dura pouco tempo e logo ao alcançar o topo (para meu alívio), a mesma nivelou e nisso, dei de cara com uma Trifurcação.

Nela, partiam 3 trilhas: Para a esquerda, continuava subindo a serra. A direita, descia para não sei onde e seguindo reto pela principal, descia até um vale. Optei pela picada que descia o vale, já que seguia na direção desejada. A picada desceu forte o morro em zigue-zagues onde perdi altitude em 2 palitos. Em algumas frestas na mata (durante a descida), pude ver parte da cachu lá embaixo. Mas não deu nem 5 minutos ziguezagueando a encosta, e a mesma termina no rio, com uma mega poção natural de cor azul esmeralda a esquerda, onde pude contemplar a primeira visu da cachoeira mais ao fundo.

Pelas fotos e o formato, era a Cachoeira da Lagoa azul. Missão cumprida. Primeira cachu mapeada concluída. O poção onde a trilha termina, era a poção da lago azul. Time to clicks now!

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Poção da lagoa azul

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O poção, vista por cima

A cachoeira mesmo, estava um pouco mais acima, onde uma discreta picada na margem direita do rio, sugeria que eu seguisse por lá. Após escalaminhar parte da rocha pela trilha, caí na parte de cima da "poção da lagoa azul", onde me fartei com mais algumas fotos desse belíssimo espetáculo natural. Uma pedra a esquerda servia de "trampolim" para o poção que pela coloração bem escura, sugeria ser bastante profunda. Mas ainda não havia chegado a cachu da lagoa azul.

Após atravessar um pequeno trecho erodito do rio, onde literalmente tive que meter os pés na agua para transpor de uma margem a outra, finalmente cheguei a belíssima cachoeira da lagoa azul as 10:52h. Cachu essa que dispunha de mais uma mega e belíssima piscina natural, encravada num cânion que parece que foi desenhado para tal fim. Agora sim, pausa para mais fotos. E o primeiro pit stop para finalmente poder forrar o estômago e molhar a goela seca e sedenta com o sucão, após encarar quase 50 minutos de subida constante do asfalto até ali, embora com poucos trechos de escalaminhada.

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A cachu da lagoa azul, vista de Longe.

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Cachoeira paradisíaca com uma bela piscina natural

Enquanto descançava, notei uma picada que subia forte a esquerda, o que me fez crer que poderia ser um acesso para algum patamar seguinte a cachu. Após o pit-stop, resolvi subir nela e a mesma deu num outro trampolim, bem de frente a poção da cachu, que estava lá embaixo, a mais ou menos uns 15 metros de altura, o que novamente me fez imaginar que seria mais um "trampolim". Nesse ponto se via uma das quedas da cachu bem de perto e lá embaixo, o belíssimo poção azul, uma visão privilegiada.

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Vista do poção, do alto de uma enorme rocha.

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Mega piscina natural da cachu

Porém, a esquerda, a picada ainda seguia, agora bem ingreme acima, onde foi necessário escalaminhada nervosa para vencer os degraus num paredão quase vertical, embora um pouco curta, onde troncos, raízes e até pedras serviram de apoio para atingir os patamares superiores. Mas logo a dita cuja cruzou com mangueiras de de captação d´agua e terminava ali.

Com as horas passando e ainda precisando encontrar a trilha para a 2ºcachoeira mapeada, a do Paraíso, retornei e logo me encontrava novamente na cachu. As 11:30h, dei adeus a Cachoeira da Lagoa azul e retornei por onde eu vim, perfazendo todo o caminho de volta, que foi bem mais rápido do que a ida, por ser só descida, obviamente. ::mmm:

As 11:45h estava novamente na trifurcação e durante a descida até o asfalto, aproveitei para explorar as bifurcações ignoradas durante a ida, afim de que alguma delas me desse acesso direto a cachu Paraíso, logo abaixo, em algum outro canto do vale. Após 20 minutos de descida, após passar novamente pela pequena cachu com as aguas cristalinas, es que visualizo uma bifurcação a esquerda bem aberta, que pela logica, poderia dar na cachu Paraíso.

Então, deixei a picada principal em favor dessa que seguia pela esquerda, que iniciou bem aberta, mas para o meu espanto, por incrível que pareça, rapidamente foi fechando até que sumiu de vez, me obrigando a retornar.
Pensei até em seguir em frente varando mato mesmo, mas como estava sem a minha bússola e em um local que nunca estive antes, optei por retornar, afinal, varar mato sem auxilio de uma bússola seria de um risco que eu não costumo correr, ainda mais estando sozinho.

Mesmo com relativa certeza que o sentido a ser seguido ali era óbvio. Em cia de um grupo e com uma bússola, a conversa seria outra. Após zapiar as outras bifurcações encontradas pelo caminho e não encontrar nada, retornei pela trilha principal até cair novamente na estradinha de terra ao lado da rodovia anchieta as 12:50h.
Segui descendo a encosta esquerda da rodovia afim de encontrar uma segunda picada que levasse direto até a cachu, imaginando que aquela bifurcação que sumira (ou fechou) poderia ser uma suposta "interligação" entre as 2 trilhas.

Mas não deu nem 3 minutos e após passar uma placa amarela na rodovia, es que encontro mais uma picada, essa mais aberta, brotando da margem e mergulhando forte na floresta. Entrei nela as 12:55h. Logo de cara, a picada mergulha na mata, onde logo o barulho dos carros deu lugar ao silêncio da mata. As 13:10h, passei por um trecho de aqueoduto de pedra, na qual fui obrigado a saltar para o seu interior e novamente escalar a encosta, afim de acessar a continuação da trilha do outro lado.

Passei por 1 bifurcação a esquerda, que ignorei, pois o sentido era óbvio, sempre me mantendo na principal, mais aberta, que ia na direção desejada. A picada vai subindo discretamente e contornando um morro, até chegar no topo dele, onde visualizo por frestas na mata a esquerda, partes da Usina Henri Borden. Nesse ponto, passei a ouvir o barulho de uma grande queda, ainda longe, e a seguir, a picada começa a descer forte a encosta, com trechos onde troncos e árvores passaram a servir de degraus e apoios naturais.

Após passar por um bananal e uma bifurcação a esquerda, a trilha logo cai no leito pedregoso do rio, onde dou de cara com uma piscina natural convidativa para um tchibum. Porém, com a vontade maior de chegar a cachu, me limito a apenas molhar o rosto suado e logo voltei a trilha, que seguia o rio acima, a esquerda. A picada segue por mais alguns minutos rio acima, e termina no mesmo.

A partir de agora, o percurso final seria feito pelo leito do rio, saltando de pedra em pedra, e utilizando algumas variantes de picadas em sua margem esquerda. O Rugido da imponente cachu fica mais evidente e audível, onde após passar algumas ruínas do que pareceu ter sido algum tanque de captação de agua, es que dou de cara com uma pequena cachu com um mini poção ao sopé da mesma.

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Pequena queda durante a subida do rio.

Contorno a lateral esquerda da mesma, onde uma picada com pontos naturais de apoio é vista na Pedra a frente. Escalei o trecho, onde mais uma vez o auxilio das mãos foi necessário para impulso do corpo e assim, alcançar o patamar seguinte. Vencido esse pequeno trecho e após passar no meio entre 2 enormes rochas, es que abre ali na minha frente, como se me fosse apresentado, a imponente Cachu do Paraíso, com cerca de 80 metros de queda d´agua encravados em um enorme buracão, onde chego as 13:40h.

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Cachoeira do Paraíso vista de longe

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Cachoeira do Paraíso, bem de perto

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Piscina natural da cachu

Suas aguas despencam furiosamente em uma grande queda em uma mega piscina natural, onde o rio volta a correr relativamente manso em uma prainha cheia de pedras, em direção a cubatão. A Cachu impressiona pela altura e também com uma pequena semelhança com a Cachoeira do Veloso em Ilhabela. É, até as cachoeiras tem suas "sósias", guardadas as devidas proporções, claro. ::otemo::

Com a 2ºcachoeira mapeada encontrada e assim como a Cachu da Lagoa azul, não havia nenhuma alma viva na da Paraíso tb, o que novamente tive o prazer de ser dono absoluto do lugar, embora acredite que aos domingos e feriados de sol e calor, o lugar deve virar uma farofada, devido a proximidade com Cubatão e o acesso relativamente fácil e curto. Felizmente, optei por vir durante a semana, aproveitando o fato de ter horário flexível.

Com o objetivo da trip concluída, hora de repor as energias gastas com mais uns sandubas, barra de cereais e biscoito, ao lado dessa cachu que faz juz ao nome. Um Paraíso perdido ao lado da poluída Cubatão e da barulhenta e movimentada Rod. Anchieta. Permaneci no local por quase uma hora, qdo dou adeus a imponente cachu e inicio o retorno pela trilha as 14:40h, chegando no Asfalto as 15:08h, em meio do sol relativamente forte da tarde.

A trip estava concluída, mas não a jornada. Atravessei para o outro lado e peguei o busão para a rodoviária de Santos, onde cheguei quase 1 hora depois, após muito sacolejar. Na rodoviária de Santos, embarquei no busão de volta para sampa, com direito a contemplar uma última vista da imponente cachu Paraíso de longe, antes do busão iniciar a subida da Serra pela Imigrantes. E após saltar no metrô Jabaquara e percorrer o restante do percurso pelas linhas 1 e 2 do metrô, as 18:30h estava de volta no conforto do lar.

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Como chegar nas cachoeiras da Lagoa azul e Paraíso:

De ônibus:

No terminal Jabaquara, pegue o ônibus para Cubatão. No geral, todas as linhas que descem para as cidades da baixada santista seguem pela Anchieta. porém, eu escolhi Cubatão pelo fato da tarifa ser menor. Peça para o motorista parar no km 52, mais precisamente entre os km 52 e 53, na Cota 95. Desça até a passarela mais próxima, atravesse-a e localize uma curta estradinha de terra de acesso a parte alta do bairro a esquerda, onde no trecho bem próximo a rodovia, encontrará a picada a direita que segue direto até a cachu da Lagoa azul.

Cerca de 50 metros a frente descendo sentido Santos, já na encosta da rodovia Anchieta, parte a trilha para a Cachu do Paraíso, ao lado de uma placa amarela com o indicativo "fim da 3ºfaixa".

De Carro:

Desça a serra pela Rod.Anchieta e ao passar a placa com o km 52, adentre a "Cota 95" onde há algumas ruas onde é possível deixar o carro. Se não me engano, há um estacionamento particular tb, mas não tenho certeza. Na dúvida, pergunte a moradores locais.

Se quiser evitar a "farofada", dê preferência p/ ir durante a semana ou então em dias frios, caso opte por ir durante domingos ou feriados até para reduzir o risco de possíveis assaltos por conta da proximidade com Cubatão. Durante a semana, é sossegado. Não encontrei nenhuma alma viva em nenhuma das trilhas e as 2 cachus. ::otemo::


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