por macrjunior » 03 Mai 2012, 17:05
Olá a todos,
Tenho 41 anos, sou um viajante inveterado, mochileiro (ou quase isto) como boa parte de vocês e gostaria de relatar minhas impressões sobre Cartagena, Bogotá e Villa de Leyva, as quais conheci entre 19 e 30 de abril de 2012.
BOGOTÁ: cidade grande, muito movimentada e extremamente policiada pelo Exército, Polícia e seguranças privados: estão por toda a parte, literalmente, portanto, creio ser bem segura. Hospedei-me em um hotel (GHL Hamilton) de uma rede norte-americana, quarto duplo a R$ 220,00 aproximadamente, muito confortável, espaçoso e com um ótimo café-da-manhã, além de um serviço impecável (com internet inclusa, sem limite de utilização) e ótima localização: na Zona Rosa, o equivalente à Ipanema/Leblon para os cariocas ou os Jardins para os paulistanos. Os bares são incríveis, muito bem frequentados e atrativos, come-se e bebe-se das mais diferentes culturas gastronômicas que se pode imaginar, com preços muito baratos em relação ao Brasil. Conheci também o Cerro Montsserat, com uma bela vista da cidade e pouco mais: há estátuas representando a Via-Crúcis mas a igreja em seu topo é sem-graça, moderna, perdendo em muito para a maioria das nossas; há também um bistrô francês (dizem que mais caro) que só abre à noite, então, não pude conhece-lo. O Museu del Oro é imperdível, bem no centro (movimentadíssimo) da cidade e próximo a um bairro muito bacana de se conhecer, a Candelária, com seu casario antigo (equivalente no tempo ao casario da Lapa, no Rio de Janeiro) e o Museu Botero (com obras do próprio e outras de artistas consagrados mundialmente, em menor número). Não visitei a Feira de Usaquén, nome da praça onde a mesma ocorre aos domingos, famosa pelo seu artesanato, mas creio que a mesma é equivalente às várias lojas do ramo que encontrei (inclusive ao lado do Museu del Oro). Os táxis são baratos mas para alguns destinos talvez convenha perguntar antes o preço, que às vezes parece ir de acordo com a cara do passageiro; o trânsito é caótico, parecido com o de São Paulo em seus piores dias, sobretudo na região central da cidade: não é um bom lugar para alugar um carro. Vi o Transmilênio, o metrô de superfície da cidade, mas talvez, como eu, você se decepcione com as filas e as pessoas compactadas dentro dele e desista de usá-lo. Como a cidade fica a 2.600 m de altitude, senti um pouco de falta de ar e dor de cabeça nos primeiros dias, nada sério. Como em toda Colômbia, basta reconhecê-lo como turista que as pessoas oferecem de tudo para comprar, com o passar dos dias, chega a ser desagradável tamanha insistência; os táxis também passam buzinando o tempo todo, sempre que reconhecem um turista. Visitei por último a mina de sal de Zipaquirá, a 50 KM da cidade, interessante mas não tão sensacional como se apregoa por lá; além da entrada, comprei um bilhete para a Rota do Mineiro, decepcionante, nada mais é que uma caminhada e explicação sobre técnicas de mineração...acontece que você já caminha pelo interior da mina e percebe isto antes mesmo de chegar ao início da rota, portanto, achei dispensável.
VILLA DE LEYVA: belíssimo conjunto arquitetônico, tipicamente colonial, situado a cerca de 200 KM de Bogotá, acessível por uma estrada ruim (embora pedagiada, o asfalto é irregular e há grandes buracos - achei pior que as estradas do Brasil. Pode ser resultado das chuvas intensas que caíam antes e na semana em que lá cheguei, mas mesmo assim o estado de conservação deve ser ruim em outras épocas); a estrada usada para o retorno (pode também ser usada para a ida), embora em pista única ao contrário da outra, é melhor conservada e corta uma bela região de pastagens e plantações. Há muitas opções de hospedagem, de todos os preços, e pode-se ficar muitas horas passeando enquanto se admira o casario e as ruas. Sugiro também visitar o belo jardim do convento franciscano (ou algo assim) próximo ao centro da cidade e o observatório astronômico dos muiscas, nos arredores (acesso ruim por estrada de terra, mas há empresas que o levam lá). Os restaurantes são variados e muito bons, assim como a lanchonetes e bares. Fui de táxi até lá, pagando o mesmo que seria por um carro alugado, com a vantagem de não ter de enfrentar o trânsito pesado da saída da cidade, os pedágios (inclusos no preço) e o abastecimento de combustível.
CARTAGENA: outro belíssimo conjunto arquitetônico, um pouco mais para o moderno que o colonial mas com traços deste (sobretudo em suas belas muralhas e adjacências): dá para ficar dias curtindo suas ruas, casas, bares e restaurantes, todos muito bons como em Bogotá e Villa de Leyva. Como acontece no restante do país, o povo é simpático, solícito e também oferece de tudo para comprar, irritante ao final de 1 semana na cidade (que foi o tempo que passei lá e que julgo suficiente para conhecê-la bem); os táxis buzinam a todo tempo por uma "corrida" e o preço varia de acordo com o destino e a cara do freguês (peguei um táxi por 6.000 pesos - algo como R$ 6,00 - e, na volta para o mesmo local de partida, cobraram 3.000 pesos), ao que parece, mas são baratos. Bocagrande é uma mistura mal feita de Copacabana (que por si só já não gosto, mesmo sendo carioca da gema) e Miami, um lugar totalmente dispensável de se ir a não pela praia (de areia escura mas de águas limpas - prepare-se para uma enxurrada de ambulantes); não vi nada de glamouroso lá a não ser os arranha-céus e os carros importados (que também vi em outros locais da Colômbia). Getsemani fica dentro das muralhas mas é a versão mais pobre do centro histórico da cidade: há sujeira, esgoto correndo nas ruas e o casario não é tão bem conservado. As famosas praias...bem, ficam fora da cidade, acessíveis somente por barcos (pelo menos, 30 minutos em lancha rápida - se tem problemas com mar agitado, mar aberto ou algo assim, esqueça, pode dar medo a forma como encaram as ondas e os coletes salva-vidas são para adultos e não para crianças - ou 1 hora em barcos maiores - que somente são oferecidos para grupos de pelo menos 50 passageiros, grupos menores irão em lanchas rápidas, com as características que mencionei). Conheci uma delas, a Playa Blanca, na Ilha Barú, bem bonita, de águas límpidas, transparentes mas com muito lixo espalhado pelos turistas (principalmente os "ecologicamente corretos" europeus, que propagam aos 4 ventos suas virtudes e que não praticam...), também com uma enxurrada de ambulantes. A Isla del Rosário é um engodo: não tem praia para mergulhar (embora haja 26 delas - é uma reserva ambiental, proibida portanto para banhos de mar, como informaram), não curto os ridículos shows de golfinhos amestrados que tem lá e mais parece uma farofa tipicamente comum nos domingos de praia no Rio; se você também não curte isto, peça apenas o passeio até Playa Blanca...mas terá de aguardar a ida e retorno de Isla del Rosario dos demais que assim o decidirem, o que pode ser desconfortável com o sol e calor fortes do local (estimo uma espera de 3 a 4 horas, pelo menos). As demais praias estão em resorts ou casas privadas e podem ser contratados na própria cidade. Resumindo: se por achar que está no Caribe terá praias no quintal de casa, esqueça.
Espero ter ajudado um pouco, abraços a todos!