Desde a primeira vez que estive em Santiago, em novembro de 2008, estou devendo uma matéria sobre a cidade e, um guia rápido do lugar para onde os brasileiros mais viajam na América do Sul depois de Buenos Aires. Agora, com esta passagem pela capital chilena, pago minha dívida com esta rota.
Dois dias e meio são suficientes para conhecer esta sensacional cidade com calma, com direito a uma visita na Concha y Toro a qual vou relatar amanhã. Inclua um terceiro dia para Viña del Mar e Valparaiso e outros dias, caso queira conhecer Sewell, Valle Nevado, visitas na Cousiño Macul e/ou Santa Carolina, viagem a Cajón del Maipo ou fazer algum tour para ver a produção de vinho na VI Região, vizinha a Santiago. O básico e essencial, da capital chilena, estarão aqui.
Aeroporto: É distante do centro e muito organizado. Lembre-se que o Chile não tolera qualquer entrada de alimentos perecíveis, desta forma, jogue fora antes de passar pela alfândega, com pena de multas se eles encontrarem algo. Para sair temos 3 alternativas:
1. Ônibus: saem de 20 em 20 minutos e custam em media $ 1500. Param na estação de metrô Parajitos e dali você tem todo Santiago pelas linhas de metrô.
2. Van Compartida: utilizei e recomendo. Por $ 5700 a van da TurBus te deixa no local que você indicar, este preço é ficar no bairro da providencia; se não em engano, $ 5200 para o centro e $6200 para Las Condes. Antes da saída do portão internacional procure o balcão da TurBus e boa viagem! E na volta, quando você for embora, só ligar ou mandar e-mail para eles que o preço sai o mesmo.
3. Taxis: sempre pegue taxis credenciados. Saindo do portão internacional você será assediado como se fosse uma estrela de Hollywood. Lembre-se de ir a um balcão credenciado para pegar o taxi. Media de preço: $18000 até a Providência.
Dinheiro: o peso chileno é algo complicado nada divisível por 10, 100 ou 1000 e sua cabeça demorará umas horas para acostumar a diferenciar o barato do caro. Um cálculo médio para se chegar em real é dividir por 1000 e multiplicar por 4. Não estranhe se sua mente pirar quando você chegar, e pedir uma água, e a atendente responder que custa $ 450. Ora, é simples. $450 = ~ R$ 2,00. Fuja da AFEX, a única agencia de cambio em todo aeroporto. Ali ela cobra taxa para troca de moeda e tem uma terrível cotação para o dólar e euro , pior ainda para o real. Como você não sobrevive no Chile sem peso chileno, troque o necessário para a locomoção e uma alimentação. As melhores casas de cambio estão no Paseo Ahumada no centro, lugar que fatalmente você passará no seu city tour.
Metro: use e abuse das linhas de metro. Te levam para todos os lugares que você precisa, são seguras e o bilhete é barato. Tem 3 faixas de horários, todas com seus preços, mas no horário de rush o bilhete não passa de $500 (~ R$ 2,00). Se preferir, compre um cartão e recarregue, pois você poderá utilizar no metro e nos ônibus interligados, como o Bilhete-único em São Paulo, porém pagando sempre uma nova tarifa; o cartão traz a comodidade de não ter que toda hora entrar na fila para comprar bilhete. Algumas estações são completos centros de serviço. A estação Los Heroes/La Moneda/Baquedano são uns exemplos: tem escritórios da TurBus para você comprar passagem (e não vende só ônibus deles, há convênio de venda para outras empresas), correios, centros da Entel/Movistar/Claro, ...
Começando nosso passeio pela cidade, desci na estação La Moneda e fui até o Palacio de la Moneda, centro do poder executivo chileno. Arquitetura única o palácio, bem no centro da cidade, é passagem para muitos executivos ou trabalhadores que perto dali fazem suas horas de trabalho. Em frente tem um museo que conta toda a história da colonização chilena e nos dias ímpares as 10am tem a troca da guarda presidencial, evento fotografado e filmado por muitos. Seguindo à direita, estamos no Paseo Ahumada, um mega calçadão com várias lojas (muitas da Falabella, a gigante do varejo chileno) e muitas casas de cambio com as melhores cotações de Santiago; se tiver que trocar dinheiro, troque ali. As casas têm letreiros luminosos na porta, assim dá pra fazer uma pesquisa de todas as cotações. Ali, não deixe de entrar em um dos bares ‘Café com Piernas’ para tomar um Capuccino Vanilla ou um Café. Não pense errado! Ali são bares antiguíssimos (Café Haiti e Café Caribe) sem maldade alguma, freqüentado por pessoas comuns e executivos para uma pausa diária, ou um café antes de trabalhar. As atendentes servem café com um micro vestido de lycra, ai está a origem do nome e podemos dizer que é uma válvula de escape do conservadorismo chileno.
Seguindo este calçadão chegamos à Plaza de Armas, considerado o marco da fundação de Santiago e onde estão a Catedral Metropolitana e os Correios. Antigamente ali era onde ficava a forca na época da colônia, onde os espanhóis mostravam o poder da justiça e com o passar dos séculos foi se transformando na praça onde foram erguidos os edifícios administrativos da província, hoje, Santiago.
Continuando reto, o calçadão muda de nome para Paseo Puente, mas nem notamos. No final chegamos ao Mercado Municipal, famoso pelos frutos do mar frescos à venda. Lembre-se que o Chile está no Pacífico, onde temos as melhores qualidades de frutos do mar. Se for hora do almoço, não deixe de experimentar o Côngrio no restaurante Donde Augusto, este tão antigo quanto meu avô. Atravessando o mercado por dentro, chegamos a um ponto com atrações culturais e populares: à direita a Bienal de Artes e à frente o mercado popular da ‘Puente Cal y Canto’. O primeiro quando fui estava acontecendo a feira do livro e o outro mercado vendia de tudo um pouco, como se fosse uma feira misturado com camelô; ali comprei umas frutas desidratadas que eu gosto muito.
Próxima parada são os ‘cerros’ (morros, montanhas) que estão dentro de Santiago e são 2 principais: Santa Lucía e San Cristóbal.
O cerro Santa Lucía fica bem próximo a estação homônima e é o cerro dos namorados. Digo isso porque o que você mais vê são casais nos mais generosos ‘amassos’ em vários espaços. Mas o clima é, digamos, romântico. Seu diferencial está no conteúdo, pois este não é apenas um mirante disfarçado de cerro - sem querer desmerecer nenhum mirante, afinal muitas vistas valem mais do que qualquer outra atração. O negócio é que no Cerro Santa Lucia se tem belas vistas e de quebra muitas atrações, como uma imensa e bonita fonte que serve como coleta de fundos para uma ONG. Há ainda diversas histórias contadas através das estátuas e bustos espalhados pelo local, uma elevação rochosa de cor amarelo avermelhada com vegetação local típica. No outono, fica ainda mais exuberante com as folhas amarelas caindo. Fiquei horas sentado nos bancos descansando, pensando e refletindo; o lugar é calmo o extremo e merece essa pausa.
O segundo cerro é o parque metropolitano gigantesco, pois tem piscinas publicas, bosque, pistas de esportes, zoológico e claro, lá em cima um enorme mirante com a estátua da padroeira de Santiago (Imaculada Conceição) e Santiago a seus pés. Tem 2 maneiras de subir, por teleférico ou funicular. Eu recomendo subir por um e descer por outro, assim se contempla duas vistas deste enorme parque. Sempre verifique no site antes o horário de funcionamento, mas digo de antemão que o teleférico tem uma vista maravilhosa. Lá no alto tem um anfiteatro e uma igreja feita de pedras e também, com muita sorte de um dia claro sem poluição, a cordilheira faz às vezes de parede da cidade. Lembre-se que a entrada do funicular e do teleférico são diferentes. Para completar, às portas do parque está uma das casas de Pablo Neruda, a La Chascona. Vale a visita, menos de segunda quando está fechada.
O melhor shopping da cidade é o Parque Arauco, próximo a estação de metro Escuela Militar (de lá 15 minutos caminhando ou uns 5 pontos de ônibus). É um pouco diferente dos shoppings aqui, não sei descrever, mas há algo diferente. Sobre a arquitetura, o Parque Arauco tem um enorme boulevard e muitas lojas, alguma coisa barata, mas a pechincha fica nas lojas ali do Paseo Ahumada, no centro. Àqueles que tem crianças, cuidado: em Santiago tem lojas da Fisher Price, e são uma tentação; eu, infelizmente, não pude trazer nada para minha afilhada, pois estava no início da minha viagem.
Quer agitar? Bairro Bellavista. Restaurantes, danceterias e bares a seu dispor, por ironia do destino, a Calle Brasil tem muitas opções.
Santiago é a mistura do novo e do antigo, é a organização em forma de cidade, é a funcionalidade das ruas e metro, é a cordialidade dos santiguinos.
Mais fotos:
http://picasaweb.google.com.br/fhmartins/3Santiago#SERVIÇO:
Turbus:
http://www.turbus.comParque Metropolitano:
http://www.parquemet.cl/ e
http://www.funicular.cl/Metro:
http://www.metrosantiago.cl/Abraço!