Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#319006 por Augusto
10 Ago 2008, 15:49
Oi pessoal.

Esse é um relato da caminhada de Angra dos Reis (RJ) até Lídice pela linha do trem, subindo a Serra do Mar e de lá até o topo da Pedra Chata e depois retornando para Angra dos Reis pela trilha do Sertão do Sinfrônio, realizada em Janeiro de 2007, juntamente com a Márcia o Jorge e a Luciana até um certo trecho.
Pegamos trechos com muito Sol e alguns períodos de chuva, mas que não atrapalharam a caminhada.

As fotos eu dividi em 2 álbuns.
Caminhada pela linha férrea + trilha plotada em carta topográfica:
https://plus.google.com/photos/113724275009356050810/albums/5822981329877000577

Topo da Pedra Chata e descida até o litoral pela trilha do Sertão do Sinfrônio:
https://plus.google.com/photos/113724275009356050810/albums/5822986995474089809

Caminhar por linha de trem e conhecer lugares onde nunca tinha ido. Era isso o que queria fazer nas minhas férias e já que a Márcia conseguiu emendar o feriado do dia 25/Jan, lá fomos nós.
Depois de ter lido uma matéria do Sérgio Beck em sua revista sobre uma caminhada pela linha férrea na região de Angra dos Reis aí que me deixou mais animado. Quem resolveu embarcar nessa trip foram o Jorge Soto e a Luciana. Compramos a passagem para o horário das 22h40min do dia 24 de Janeiro (véspera de feriado do Aniversário de SP) em direção a Angra dos Reis, nosso ponto de partida. No horário combinado encontramos o Jorge e a Luciana na Rodoviária do Tietê.
Por algum problema da empresa nosso ônibus só foi sair lá pelas 23h15min, mas deu para dormir um pouco e as 06h30min chegamos em Angra dos Reis.

Agora era achar a linha do trem que sobe para Lídice, mas antes tínhamos de passar em alguma padaria para tomar um café da manhã.
Pergunta daqui, pergunta dali e encontramos uma próxima da linha do trem. Era pequena, mas vendia um pão que era uma delícia.
A linha que sobe para Lídice é a que sai do porto de Angra dos Reis e passa próximo da Rodoviária. Não é difícil encontrá-la.
Na dúvida é só perguntar para qualquer morador, que eles indicam.
Por volta das 08h30min iniciamos nossa caminhada pela linha do trem.
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Depois de uns 15 minutos já encontramos nosso primeiro túnel, onde existe uma pequena bica, mas como ainda estamos em zona urbana, resolvemos não usar essa água. Nunca se sabe se está poluída ou não.
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Para atravessar o túnel o ideal é usar uma lanterna e ir pisando nos dormentes.
Ele até que não é longo e alguns minutos depois já estávamos saindo dele.
Passando ele ainda existem algumas casas ao longo da linha férrea e lá pelas 09h30min passamos em cima da Rio-Santos.
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Daqui para frente a estrada segue subindo em ritmo lento e com o Sol forte sobre nossas cabeças.
De vez em quando cruzávamos com algum riacho ou bica de água.
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Como já estamos subindo a Serra do Mar, quase não encontramos vestígios de casas ou alguém passando pela linha do trem.
Por volta das 11:00 hrs pegamos uma ponte extensa bem longa e alta. Aqui se vier um trem o jeito é sair correndo, pois não existem refúgios ao longo da ponte.
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Mais alguns minutos e chegamos em um outro pequeno túnel que no final dele existe uma pequena cachoeira.
Deu para se refrescar e bater bonitas fotos do local.
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Voltando para caminhada, a linha do trem segue por entre a serra sem perspectiva de visual nenhum. Não demora e o tempo começa a ficar nublado, caindo uma pequena garoa, mas a tempo de atravessarmos uma ponte, pois quando os dormentes se molham eles ficam extremamente escorregadios e é risco de vida tentar atravessar uma ponte pisando neles.
Notamos que embaixo da ponte que tínhamos atravessado, o rio forma uma cachoeira e uma piscina natural, então resolvemos descer até lá para tomar um banho. Deixamos nossas coisas próximas ao trilho e fomos até lá.
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O Jorge foi o primeiro a entrar e logo em seguida entramos todos.
Quando estávamos voltando para pegar as mochilas, ouvimos uma buzina, mas pensei comigo: buzina no meio do mato ????
Era um pequeno trenzinho de apenas 1 vagão que estava descendo para Angra dos Reis.
Nem consegui bater uma foto dele.
Ao voltar para pegar minha mochila, sem perceber, deixei cair meus óculos em algum lugar e não mais o encontrei.
Todo mundo ajudou a procurar, mas em vão.
Pelo menos os óculos não eram de grau elevado, então não tive problemas de enxergar sem ele.
Voltando para caminhada agora com mais disposição, logo passamos por mais outros túneis e encontramos uma fruta que seria nosso alimento por um bom tempo: banana.
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Conhecida como banana macaco, era bem pequena e cheio de caroços.
Ao longo da linha do trem existem inúmeros bananais e sempre em algum deles tinha um cacho de bananas maduro.
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E por volta das 15h30min chegamos na antiga estação Jussaral.
Totalmente abandonada, a estação possui só as paredes, mas toda pichada.
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Passamos direto, pois tínhamos planejado parar por voltas das 17:00 hrs em algum local plano e montar as barracas.
A partir daqui a paisagem se abriu e conseguíamos ver parte da baia de Angra e estava parecendo que a gente não tinha caminhado nada.
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Como a Márcia estava caminhando em um ritmo mais lento, fiquei para acompanhá-la e o Jorge e a Luciana mais a frente.
Ainda passou por nós o trenzinho que tinha descido à Angra dos Reis e nem nos ofereceu carona, mas tudo bem.

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A hora estava passando e nada de encontrar um local plano para acampar e lá pelas 17h30min eu e a Márcia encontramos a Luciana descansando em um descampado bem plano junto a linha do trem, do lado direito.
Era o lugar perfeito para acampar, pois existia uma pequena bica de água próxima. O Jorge tinha caminhado um pouco mais para ver se encontrava outro local plano, mas decidiu voltar logo em seguida.
O local ficava uns 20 metros antes de uma ponte e ali mesmo montamos as barracas.
Quando já estava começando a anoitecer, ouvimos um trem que estava descendo para o litoral.
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Era de carga, pois de longe conseguíamos ver alguns vagões.
O trem possuía 2 locomotivas e com inúmeros vagões de carga carregando chapas de aço, provavelmente da CSN. Depois de passar o trem de carga, fomos preparar nossa comida e todos foram dormir cedo.
Durante a noite caiu uma leve garoa, mas bem pouca.

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No dia seguinte, Sexta-feira, por volta das 07:00 hrs todos já estavam levantando. Tomei um susto muito grande quando fui fazer as necessidades matinais e lavar o rosto, pois nessa hora eu quase piso em um filhote de Cascavel, que identifiquei pela cor.
Na hora gelei e a primeira coisa que pensei foi: onde é que tá a mãe? Se ali tinha um filhote, a mãe também estava perto, mas não a encontrei, graças a Deus.

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De volta ao acampamento e mochilas prontas, continuamos nossa caminhada. Estávamos contando os túneis, pois o Jorge tinha lido um relato que dizia que lá pelo 10º túnel chegaria a bifurcação para a saída da estrada de ferro e pelas nossas contas só restavam mais dois túneis, mas foi uma decepção.
Chegou o nono e o décimo túnel e nada da bifurcação.
O que encontramos foi mais outro túnel e mais outro.
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E quase todos eles bem extensos.
Pena foi termos passado ao lado de um enorme paredão com o visual obstruído pela neblina.
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Desses paredões desciam inúmeras cachoeiras e todas muito lindas, sendo que uma delas caia bem no meio da linha do trem.
Se o tempo estivesse bom, seria uma coisa para encher os olhos.
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Outra indicação de que a bifurcação estava chegando foi do Jorge ter lido também que assim que passarmos as linhas de alta tensão, a bifurcação estaria chegando.
Pelo menos essa informação estava certa, já que assim que passamos as torres e o 14º túnel, às 12h30min avistamos a antiga estação de trem Alto da Serra.
Foi aqui que saímos da linha do trem e seguimos por uma estrada de terra à direita.
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Ainda paramos em uma pequena casa para perguntar sobre a trilha para a Pedra Chata e o Sinfrônio só para tirarmos as dúvidas.
Continuando a caminhada logo começamos a seguir o Rio Piraí que passava do lado direito.
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Foi o convite para pular na água e não deu outra; assim que encontramos um trecho de remanso, mergulhamos no rio, mas ficamos só pouco tempo.
Logo voltamos a caminhada e pouco mais a frente perguntamos para um cavaleiro que passava sobre a estrada para Casa do Bispo, ponto inicial da trilha para Pedra Chata, mas o mesmo nos deu uma informação errada, fazendo a gente tomar a estrada para o Sertão do Sinfrônio e com isso perdemos cerca de 30 minutos.

Nessa bifurcação errada a Luciana resolveu desistir de nos acompanhar e seguiu para Lídice (problemas pessoais, segundo ela). De volta à estrada certa, nosso objetivo era chegar no barzinho que marca o início da estrada para a Casa do Bispo e por volta das 13:30 hrs chegamos nele.
Bem ao lado existe uma pequena escola e o Rio das Pedras com algumas piscinas naturais, tobogãs e pequenas cachoeiras.
É um bom local para um descanso, mas nosso objetivo ainda estava a algumas horas de caminhada serra acima.
A partir do barzinho a subida até a Casa do Bispo vai ficando cada vez mais íngreme, passando por um vale muito bonito.
Pouco antes das 15:00 hrs quando estávamos descansando em cima de uma pedra, o Jorge avista uma Toyota subindo a estrada pelo mesmo caminho. Pensamos com a gente: era a nossa carona.

Ela parou do nosso lado e só tinha um senhor idoso dirigindo e uma mulher ao lado, mas estava cheio de malas atrás. Parecia uma mudança e era. Disse que só poderia levar uma pessoa. Foi a Márcia junto com as mochilas.
Eu e o Jorge continuamos a subida e sem o peso das mochilas chegamos rápido na Casa do Bispo e por incrível que pareça quem nos ofereceu carona era o próprio Bispo (Dom Vital) e a pessoa que estava com ele era uma freira, a Isa.
Para chegar na Casa do Bispo era bem fácil. Passando uma pequena Igreja (Paróquia Santana) e uma Escola, logo à frente a estrada cruza o Rio das Pedras para a direita.

Antes de atravessar o Rio surge uma pequena subida de concreto para a esquerda e que dava em frente à Casa.
Quando chegamos em sua casa, perguntou para a gente se queríamos comer e beber algo.
É claro que não recusamos não é.
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Ficamos ali conversando com ele por um bom tempo.
Nos contou sobre a trilha que íamos fazer e suas caminhadas pela região.
E quando deu por volta das 16h30min resolvemos iniciar a subida.
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A trilha se inicia bem ao lado da Casa, que segue subindo para a direita e depois esquerda.
Passamos por uma plantação de feijão e milho e o final desse trecho é marcado por uma cerca de arame fechada. Do outro lado dessa cerca se chega a um rio, mas a continuação da trilha é voltar uns 5 metros antes da cerca e subir à esquerda.

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Essa trilha vai ficando mais íngreme e logo cruza com um pequeno riacho e uma cerca de arame.
Passando a cerca a trilha sai em um descampado com várias bifurcações, mas aqui é só seguir a trilha da esquerda que segue sempre subindo até o ponto mais alto do enorme descampado e aqui a trilha entra novamente na mata fechada à direita e logo cruza com um outro riacho.
Depois segue para a esquerda, com o riacho ao lado e sempre subindo. A trilha é bem demarcada, não tem erro.
Depois de uns 20 minutos desde o riacho chegamos ao último ponto de água que desce da direita. Cruzando esse pequeno riacho e uns 20 metros à frente a trilha encontra outra bifurcação.
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A da esquerda deve levar a algum outro pico, mas a trilha correta é a da direita que devemos seguir, agora com a subida bem mais íngreme. Eu e a Márcia íamos parando a cada 10 minutos e o Jorge seguindo bem a frente. E para não ficarmos ainda mais desanimados, íamos sempre perguntando para o Jorge se ele já tinha chegado no topo da Pedra e sempre dizia que não.
Mas chegou uma hora em que ele disse que já estava quase no topo e aí eu e a Márcia ficamos mais animados e apertamos o passo.
Ainda descemos um certo trecho para passarmos em uma água empoçada pelas chuvas para depois chegarmos no cume da Pedra Chata, pouco depois das 20:00 hrs, já no escuro.

Aqui o piso é um pouco irregular e inclinado. Tivemos que montar nossas barracas em cima da vegetação rasteira e cheio de tufos em uma área exposta.
Só torcíamos para que não ventasse muito. Foram cerca de 3 horas e meia desde a Casa do Bispo com mochilas cargueiras quase cheias e cansados da longa caminhada na linha do trem.
Até que não demoramos tanto assim.
Preparamos nossas comidas e fomos dormir por volta das 22:00 hrs.
Eu coloquei o celular para despertar as 05:00 hrs para bater algumas fotos do nascer do Sol.
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No dia seguinte quando acordei, fiquei olhando para o vale por onde tínhamos caminhado e imaginando se não existiria alguma trilha que interligasse com o outro vale da esquerda, sem precisar descer até o barzinho para seguir de volta para Angra dos Reis.
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O Bispo Dom Vital até tinha falado que tinha feito essa trilha a uns 20 anos atrás, mas sem dar maiores detalhes. Se ela existisse mesmo nos economizaria uma boa caminhada, além de algumas horas preciosas.

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E por volta das 08h30 min iniciamos nossa descida até a Casa do Bispo aonde chegamos pouco antes das 10h30min.
Lá o Bispo nos recebeu novamente com algumas frutas e mostrou a capela octogonal em frente à Casa e falou sobre a trilha que subia o vale.
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Depois de algumas fotos da freira Isa e do Bispo, iniciamos nossa descida lá pelas 11:00 hrs rumo ao Barzinho, já que as informações sobre a trilha que cortava o vale eram muito poucas, mas assim que chegamos na Igreja Santana e na escola ao lado encontramos o Sr. Adão da Silva.
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Ele me perguntou de onde estávamos vindo e depois de explicar a ele, perguntei se conhecia a trilha que ia para o Sinfrônio.
Para nossa surpresa ele morava ali perto e nos levaria até o início dela.
Pelo jeito o Bispo Dom Vital tinha intercedido junto a UMA CERTA PESSOA ONIPRESENTE para nos ajudar.
Passando pela Igreja e uns 100 metros depois cruzamos o Rio das Pedras por uma ponte suspensa e chegamos na chácara onde ele mora.
Ali ele deixou algumas coisas e voltou para nos levar até o início da trilha, que não estava muito longe.
Dizia para a gente se orientar por um coqueiro lá no alto do morro e quando chegasse perto dele haveria uma cerca de arame que seguia a esquerda e sempre subindo. Isso foi a nossa referência.
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Na subida, quando chegamos em um pequeno curral tivemos que cruzar um pequeno riacho para a direita e depois continuamos subindo pelo pasto.
No topo chegamos pouco depois das 14:00 hrs e lá existe uma porteira trancada com correntes e cadeado e nela tem uma inscrição de ENTRADA PROIBIDA.
O Sr. Adão falou que não teríamos problema para passar na propriedade e foi a que a gente fez.
Paramos para comer alguma coisa e depois pulamos a cerca e iniciamos a descida do outro lado do vale em direção ao Sinfrônio. Passamos ainda por um pequeno curral de vacas leiteiras e fomos seguindo um pequeno rio que estava à direita até chegarmos em uma casa. Perguntando para o senhor que estava na casa, parecia que falava outra língua.
Ele não sabia explicar e a gente não entendia o que ele dizia, mas seguimos em frente assim mesmo.

E por volta das 16:00 hrs chegamos no final da estrada que vem de Lídice.
Aqui passamos por uma enorme casa com apenas 1 morador e logo cruzamos o Rio Papudo.
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Até tentamos falar com esse morador, mas parecia que o mesmo tinha algum problema na fala, porque ele só nos ouvia, mas não dizia nada.
Atravessando o rio chegamos em uma enorme cachoeira que fica atrás de uma casa de madeira pintada em vermelha com muros de pedra, mas que estava deserta no dia.
Nessa hora chega o tiozinho que tentamos falar com ele anteriormente.
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Ele disse que poderíamos pular na piscina natural da cachoeira, pois a casa estava deserta a muito tempo e foi o que a gente fez, mas com um detalhe que a gente não contava: agora tínhamos uma plateia de dois caras meio estranhos nos olhando tomar banho.
O tiozinho e o outro morador.
Dava a impressão que os que eles queriam mesmo era ver a Márcia ficar de biquíni, mas se ferraram, pois ela entrou de roupa e tudo na água.
O Jorge falou para montarmos nosso acampamento ao lado da casa em um enorme gramado plano, mas insisti que ali eu não ficaria.
Acampar perto da casa de 2 caras estranhos que ficam olhando a gente tomar banho ???? Tô fora. Se estivesse só eu e o Jorge, tudo bem, mas com a Márcia ali, nem a pau Juvenal !!!!!!!

O Jorge entendeu e então continuamos pela trilha em direção a antiga estação Jussaral.
A trilha na verdade é uma antiga estrada que segue à direita da casa sempre subindo. Passamos uma porteira de arame e ignorando uma outra à esquerda mais acima.
Logo atravessamos outra porteira de arame e depois a estrada segue por um pequeno leito de um riacho, por uma área de descampado. Depois de uns 20 minutos chegamos a uma antiga casa, que parece mais um barracão à esquerda e cerca de 50 metros depois dessa casa chegamos a um rio. Aqui não tem como atravessar. Para fazer isso volte uns 10 metros e entre em uma trilha à direita e que vai dar em um ponto mais abaixo do rio.
Aqui atravessamos sem problemas e depois do rio seguimos por uma trilha que vai dar novamente na antiga estrada. Aqui surge uma cerca de arame à esquerda que vai seguindo a estrada e logo ela começa a virar uma trilha na mata fechada e assim vamos contornando o morro pela esquerda, mas a maior parte no plano. As longas subidas íngremes, pelo menos tinham terminado.

Os vestígios da antiga estrada estão lá, então é só seguir na trilha, não tem erro. Ainda passamos por uma bifurcação que desce a esquerda, que deve ser desprezada. Minha pretensão era tentar chegar na antiga estação Jussaral ou o mais próximo dela.
Cruzamos ainda com vários riachos e devido a insistência da Márcia resolvemos acampar em um local plano junto da trilha às 18h30min.
Como a gente não sabia se estávamos longe ou perto da estação Jussaral, combinamos de acordar as 05:00 hrs para sairmos o mais cedo possível. A noite foi tranqüila, com alguma garoa, mas bem fraquinha. Acordamos um pouco tarde e só fomos sair lá pelas 07:00 hrs.

Voltando à trilha ainda seguimos no plano por cerca de 30 minutos. No final dessa antiga estrada e trilha existe uma curva em "S" que sobe à esquerda.
Passando esse pequeno trecho de subida iniciamos agora a longa descida até a antiga estação Jussaral.
Ainda passamos por outra bifurcação, onde seguimos a da direita e depois de + - 1 hora e meia chegamos a última bifurcação.
Aqui chega a confundir, pois a trilha que vem da direita é a mais demarcada, mas seguimos em frente.
A da direita provavelmente vai dar em algum ponto acima da antiga estação Jussaral.

Continuando pela trilha logo saímos em um descampado que marca o início de uma cerca de arame à esquerda.
Ainda passamos por alguns bananais onde encontrei um cacho de bananas maduro.
Não resisti e enchi a mochila.
Ainda caminhamos poucos metros na trilha e antes das 10:00 hrs chegamos na antiga estação Jussaral, onde tínhamos passado 2 dias antes.
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Cruzamos a linha do trem e ainda subimos cerca de 100 metros até encontrar uma trilha que desce à esquerda para um bairro de Angra de Reis. Aliviados por estarmos adiantados (ainda íamos pegar o busão das 15:00 hrs) resolvemos parar aqui e ficar comendo as bananas.
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Agora era descida fácil até o bairro do Belém e depois de + - 1 hora de caminhada chegamos a uma bifurcação e algumas casas.
Seguimos para a direita e mais uns 30 minutos chegamos no asfalto e fim da caminhada.

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Aqui paramos em um bar para comemorar e bebemorar e ficamos por pouco mais de 1 hora e depois tomamos o circular para o centro de Angra dos Reis que nos deixou perto da Rodoviária.

Só tivemos problemas mesmo com o ônibus de Angra para SP que levou demoradas 8 horas e 30 minutos até o Terminal Tietê, aonde chegamos as 23h30min.
Foi um absurdo, mas conseguimos chegar a tempo de pegar o Metrô.


Depois coloco algumas infos e dicas.


Abcs
Editado pela última vez por Augusto em 29 Mai 2013, 05:28, em um total de 2 vezes.

#319834 por Augusto
16 Ago 2008, 21:47
Aí vão algumas dicas dessa caminhada:

# A subida pela linha do trem de Angra até Lídice é extremamente cansativa, pois caminhar entre dormentes é horrível. O que compensa mesmo é o visual das cachoeiras, pontes e túneis. Se os dormentes estiverem molhados ou que esteja chovendo é extremamente perigoso atravessar as pontes, pois se escorrega facilmente nos dormentes.

# Sempre que for atravessar um túnel ou uma ponte extensa, procure atentar quanto a chegada de algum trem. Nos túneis e pontes não existem refúgios para se proteger.

# Pela linha férrea se cruza inúmeros pontos de água.

# São poucos os pontos de acampamento ao longo da linha férrea. Com exceção da antiga estação Jussaral e o local onde acampamos.

# Cuidados com cobras peçonhentas que podem estar embaixo de dormentes podres jogados ao longo da linha do trem.

# A caminhada pelos trilhos da linha férrea deve ter chegado em um total de + - 35 Km, já que na estação Alto da Serra há uma placa de Km 35.

# Quando for fazer a Pedra Chata, procure ver se o Bispo Dom Vital está na casa dele. Ele é bem receptivo e uma conversa com ele vale a pena.

# Dom Vital é um Bispo Emérito, isto é, é um Bispo aposentado. Já tem quase 80 anos e por isso é bem provável que em qualquer dia da semana ele esteja na Casa.

# Se vier a fazer a Pedra Chata e a descida para Angra passando pelo Sinfrônio, procure a chácara do Sr. Adão da Silva. Ele pode explicar como se chega a essa trilha. O acesso é próximo da Igreja Santana e o Bispo Dom Vital o conhece. É só perguntar. Ou voltar pela estrada até o Barzinho e de lá seguir por uma estrada à esquerda para o Sertão do Sinfrônio.

# Essa trilha que desce para Angra dos Reis pela trilha do Sertão do Sinfrônio era a muitos anos atrás uma estrada, que atualmente tá abandonada e que virou uma trilha. Por isso a dificuldade dessa trilha é muito pouca.

# A parte final da trilha do Sinfrônio para a estação Jussaral é bem íngreme, mas ela é tranquila.



Acho que é isso.

Abcs
Editado pela última vez por Augusto em 29 Mai 2013, 05:30, em um total de 1 vez.
#376245 por Augusto
19 Jun 2009, 17:03
Blz Alberto.

Essa caminhada dá p/ ser feita em 1 fds.
E muitas cachoeiras e riachos ao longo da linha do trem.


Aproveite.




azaueb escreveu:::otemo:: Muito bom este relato Augusto.
Já é a segunda vez que o leio e fico maravilhado com o visual.
Estou tentando me programar para fazê-lo na primavera, ou até o fim do ano.
Abraço.
#385408 por diego_udia
20 Jul 2009, 17:15
Qual a extensão total dessa trilha? Aqui no Triângulo Mineiro, já fiz algumas trilhas pela linha do trem, com alguns belos visuais, qualquer dia posso mostrar alguma foto e relatar, más esta ai me interessou muito. De qual cidade mesmo devo sair? quantos km de trilhas?


Me impressiona que nestes túneis não têm o abrigo para proteção de pedestres, todos que eu já vi tinham.
#385448 por Augusto
20 Jul 2009, 18:48
Blz Diego.

Tive que somar no google earth e deu aproximadamente pouco mais de 35 até a estação Alto da Serra. Não deu p/ sair exato porque a partir de um trecho, as imagens do satélite não estão bem nítidas.
Esse total é só pelos trilhos da linha do trem hein.

Qdo chegamos na antiga estação Alto da Serra, pegamos uma estrada de terra que nos levou até a Casa do Bispo. Lá que iniciamos a trilha na mata até o topo da Pedra Chata. Desse total de caminhada pela estrada de terra e a trilha aí já não sei dizer, mas pelo tempo dê p/ calcular.

Não entendi sobre sua pergunta de qual cidade vc deve sair.
Talvez vc não tenha lido o relato todo não é?

Qto as proteções nos tuneis, vc tem razão. Elas não existem mesmo. É porque pouca gente caminha por essa linha férrea.
O que a gente fazia qdo encontrava um tunel, era de atravessá-lo o mais rapido possivel. Para evitar encontrar com algum trem.

Mas o unico que passou pela gente foi um que carregava bobinas de aço e bem no final da tarde.
Esse aí que aparece na foto.
As outras vezes foi qdo passou pela gente um tipo de bondinho, bem pequeno.


E se vc tiver relatos de caminhadas semelhantes a essa, pode criar um tópico aqui no Fórum.
Crie um relato e coloque junto as fotos que vc tem.



Abcs


diego_udia escreveu:Qual a extensão total dessa trilha? Aqui no Triângulo Mineiro, já fiz algumas trilhas pela linha do trem, com alguns belos visuais, qualquer dia posso mostrar alguma foto e relatar, más esta ai me interessou muito. De qual cidade mesmo devo sair? quantos km de trilhas?


Me impressiona que nestes túneis não têm o abrigo para proteção de pedestres, todos que eu já vi tinham.
#388790 por bernardo_santos
31 Jul 2009, 13:14
Caro Augusto,
Li seu relato e gostei muito mesmo, moro perto de Angra do Reis e nunca avia ouvido falar desse caminho, Pretendo fazer essa viagem em agosto. Por isso gostaria de saber se alem das cartas topográficas, vc teria outras informações específicas sobre o caminho? Alem é claro das que ja estão no seu relato que ja é muito bem explicado. Agradeço desde já. abraços
#389282 por Augusto
02 Ago 2009, 14:20
Blz be.

O caminho a que vc se refere é o da linha do trem?
Se for esse, pode ficar tranquilo. É só seguir pela linha serra acima. Ao longo da subida, não existem bifurcações.

Já se vc tá falando da Pedra Chata, não é tão dificil.
Qdo vc chegar naquela antiga estação Alto da serra, saia da estrada de ferro e siga por uma estrada de terra em direção a Lidice.
Na segunda bifurcação a direita depois de uns 40 minutos de caminhada, vc chegará em um barzinho e uma estrada que segue subindo e que te leva a Casa do Bispo (muita gente conhece ele - é só perguntar)

Chegando na Casa, é só seguir o relato. A trilha é bem demarcada.
O pessoal da Casa pode te dar algumas dicas também.

Qqer outra duvida, é só falar.........


Abcs


be_mochileiro escreveu:Caro Augusto,
Li seu relato e gostei muito mesmo, moro perto de Angra do Reis e nunca avia ouvido falar desse caminho, Pretendo fazer essa viagem em agosto. Por isso gostaria de saber se alem das cartas topográficas, vc teria outras informações específicas sobre o caminho? Alem é claro das que ja estão no seu relato que ja é muito bem explicado. Agradeço desde já. abraços
#845275 por Augusto
29 Mai 2013, 16:58
Ola pessoal.

Com o fim do Multiply tive que postar todas as fotos de caminhadas no Google +:
https://plus.google.com/photos/113724275009356050810/albums/5822981329877000577

Tô pagando hospedagem, mas não tem jeito. $5,00/mes em média tá bom.

E para quem sempre me perguntava da trilha até o topo da Pedra Chata, criei um tracklog de toda essa caminhada.
Tá no wikiloc:
http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=910073

Só um aviso. Na época que fizemos essa trilha até o topo da Pedra, ela era bem demarcada.
Hoje em dia tá bem diferente. Tive retorno de algumas pessoas que foram lá e me disseram que a trilha tá um pouco fechada, por isso muito cuidado.


Abcs
#846656 por Augusto
03 Jun 2013, 15:53
Blz Bernardo.

Agora só não faz essa caminhada quem não quer.
Até o inicio do ano passado existiam alguns deslizamentos ao longo da linha férrea, mas nada impossível de se transpor.

Só na Pedra Chata mesmo que o mato tá tomando conta.



Abcs
#847303 por gvogetta
05 Jun 2013, 01:43
Salve Mestre Augusto!

Essa é uma caminhada que ainda está nos meus planos fazer...

Você já viu o tal Ipernity? http://www.ipernity.com
O Jorge está usando, eu comecei a usar também... O receio é que ele faça como o Multiply depois e nos deixe órfãos... ::vapapu::

Abraço!
#847513 por Augusto
05 Jun 2013, 15:29
Blz Bernardo.

A informação que eu tinha de que a trilha da Pedra Chata tá um pouco fechada é de uns 2 anos atras, qdo me responderam lá no Multiply.
Apesar que em Outubro do ano passado um guia chamado Fragoso subiu até o topo dela e parece que ele deu uma limpada. Só nao tenho certeza.
Tem umas fotos dele na internet. Dá uma pesquisada.

E bem ao lado da Pedra Chata tem o Pico do Papagaio que é um outro que vale a pena também.
Dá até p/ fazer os dois ao mesmo tempo.


Abcs



bernardo_santos escreveu:É Augusto,

Fiz essa trilha há uns 2 anos, mas não fui na pedra chata. Quer dizer que agora esta tomada pelo mato? Estava planejando subir lá mais para frente!

Vc acha que está impossível de fazer?

Abraços

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