Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#682441 por Jorge Soto
03 Fev 2012, 08:13
http://jorgebeer.multiply.com/photos/al ... rao_de_Itu

REDESCOBRINDO A CLÁSSICA SALESÓPOLIS – BOIÇUCANGA
Qdo o Guto me ligou convidando descer a serra pela trilha q acompanha o Ribeirão de Itu sentido litoral norte paulista não pensei duas vezes em topar pois não se tratava de uma picada qq. A pernada em questão era a outrora tradicional vereda tb conhecida como “Travessia Salesópolis-Boiçucanga”, da qual nunca mais ouvi falar por causa dos boatos da mesma estar fechada pelo mato por conta do desuso. Sendo assim, num recente fds fomos conferir a veracidade destes rumores apenas pra constatar q não passam mesmo de rumores. Em parte. Os extremos da travessia estão em perfeito estado de conservação, mas seu “miolo” contém trechos q podem gerar confusão devido a deslizamentos e mata tombada no caminho, mas nada q um bom farejo de trilha pra reencontá-la logo adiante. Afinal, o q seria de uma pernada q percorre íngremes e acidentados 9km em meio a exuberante Mata Atlântica, cascatas e piscinas naturais, sem algum pequeno desafio?

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Já havia algum tempo q namorava a idéia de palmilhar por completo a ilustríssima “Salesópolis-Boiçucanga”, mas sempre surgia algum contratempo ou empecilho q adiava indefinidamente minhas pretensões. Desde agendas desencontradas até dificuldades logísticas em chegar até o inicio da picada. A última vez q fui ver as condições da mesma – coisa de ano e meio – comecei no sentido inverso, do litoral ao planalto, apenas pra confirmar “in loco” os alertas dos monitores do Pq Est. Serra do Mar da área: deslizamentos e desuso tinham comprometido boa parte da trilha. Pois bem, o tempo passou e fiquei então no aguardo de alguém disposto a reabrir a dita cuja no peito, o q decerto demandaria um pernoite no mato. O Carlão até topou, mas tava difícil entrosar nossas agendas, e por conta disso acabei relegando a travessia ao Deus dará. Afinal, as coisas acontecem qdo a gente menos espera.
Mas eis q no meio da semana recebo o telefonema de alguém por quem tenho gde apreço e particularmente considero um dos maiores montanhistas-exploradores de Sampa. Sim, era o Augusto, q cá entre nós optei de chamar de Guto pq era bem mais facil lembrar. Amigo a quase uma década e parceiro de incontáveis roubadas homéricas, o homem atualmente deu uma pausa nos perrengues por mais q justa causa: cuidar e acompanhar o crescimento (como qq pai decente q se preze) da serelepe Sophya. Mas deixando a lambança de lado, td perrengueiro sabe q tem dentro de si uma comichão, um desejo irresistível q o impele de cair no mato. E isso é pura questão de tempo. E o do Guto foi semanas atrás qdo havia esquematizado uma trip e cordialmente me convidou percorrer q trilha? Um doce pra quem adivinhar... Pois é, as coisas acontecem qdo a gente menos espera. Claro q topei no ato o convite, já q declinar do mesmo no geral causa remorso ou peso na consciência dias depois. Resumindo: após mta enrolação finalmente ia rolar a “Travessia do Ribeirão de Itu”!

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Após uma descida de serra tão rápida qto tranqüila pela sinuosa Rodovia dos Tamoios, saltamos na rodoviária de Caraguatatuba por volta das 12:45hrs. Éramos eu, o Guto e o Ricardo abraçados pelo calor abafado naquele inicio de tarde quente, onde os firmamento encontrava-se coberto daquela indefectível nebulosidade clara, típica de verão. Imediatamente fomos negociar com algum taxista o transporte até o inicio da picada (ou pelo menos o mais próximo dela), situada aproximadamente no km18 da precária “Estrada da Petrobrás”. Uma roda de tiozinhos dominava o pto e ao mencionar nosso destino seus semblantes se irradiaram de cifrões saltando pelas orbitas dos zóio, tanto q chutaram o pau na barraca no quesito preço do frete, alegando principalmente as péssimas condições da estrada. Deles somente Seu Tavares topou nos levar após fecharmos o transporte por redondos R$60. Já estavamos no lucro pq provavelmente seríamos obrigados inclusive vender o corpo pra saldar o valor extratosférico q quiçá resultaria com taxímetro rodando.
Embarcamos então no veiculo, tomamos a Rio-Santos e por ela rodamos até deixar Caraguá pra trás. 9km depois e após cruzar a ponte sob o Rio Juqueriquerê, tomamos uma estrada de chão a direita e tocamos reto, rumo a enorme muralha serrana de cumieira encoberta q aumentava de tamanho conforme nos aproximávamos. Estavamos na “Estrada do Cadeião” e enqto rasgávamos a retidão da paisagem, cercada de plantações de cana-de-açucar, Seu Tavares nos contava um pouco da historia da região, antigamente dominada por fazendeiros do cacau até a criação do Pq Est. Serra do Mar, arrolando td aquela área com fins de preservação.

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Num cruzamento deixamos a “Estrada do Cadeião” pra tomar, à esquerda, a “Estrada do Rio Claro”, um dos mtos nomes como tb é conhecida a “Estrada da Petrobrás”. Não demorou pra paisagem se encher de verde a nossa volta e uma vegetação exuberante tomar conta de ambas as margens da rústica estrada. Poucos kms depois alcançamos um bar até cruzar o largo e raso Rio Claro (tb conhecido como Ribeirão Caçandinha), pra então dali iniciar a suave subida de serra emparelhando com o referido cristalino regato a nossa esquerda.
Serpenteando sinuosa e cautelosamente a encosta da montanha, este trecho inicial ate surpreende Seu Tavares pelas boas “condições”, apesar de vários trechos estarem sendo recuperados devido a deslizamentos. Mas qdo a estrada embicou de vez e se encheu de cascalho solto, erosão e lama, o orgulhoso tiozinho não se envergonhou em nos confidenciar q ali, um lugar conhecido como “Garganta do Rafael”, era o pto máximo onde seu valente e surrado Fox conseguia chegar. Ali de fato já tava de bom tamanho, pois pensávamos q qq taxista fosse nos deixar até bem antes dali onde agora nos encontrávamos. Noutras, saímos no lucro no frete.

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Nos despedimos do simpático senhor, q deu meia volta e se perdeu serra abaixo, ajeitamos as cargueiras e demos inicio oficial à caminhada. Eu aproveitei a ocasião pra estrear uma mochila q havia ganho num “amigo-secreto” recente. Eram 13:45hrs e o altímetro do Guto marcavam exatos 340m de altitude. E tome subida! Felizmente o frescor da mata a nossa volta, a abundância de bicas naturais e a nebulosidade preenchendo o firmamento tornam a ascensão agradável. Uma placa verde, decrépita e repleta de marcas de bala nos diz estarmos nos domínios do Pq Est Serra do Mar, mas isso é redundante pois basta olhar em volta pra se sentir imerso na mais densa, genuina e exuberante Mata Atlantica. Outra placa amarela, porém, me chama a atenção afirmando q estamos no “km13 – Estrada do Rio Pardo”. Sim, mais um dos nomes como é conhecida a “Estrada da Petrobrás”. Na verdade, em cada canto recebe a nomenclatura dos rios q ela acompanha ou cruza.
Pois bem, após árdua subida alcançamos uma cumeada da serra, as 14:15hrs, dominada por um gde descampado marcando a cota dos 500m. A partir dali a estrada passa a bordejar as encostas do fundo vale do Rio Pirassununga, cujo som borbulhante se mistura ao do canto dos pássaros, damos inicio então a um constante sobe-e-desce corcoveando os ombros da Serra do Juqueriquerê. Frestas na vegetação revelam encostas abruptas e contrafortes serranos opostos forradas de verdejante mata, em fantásticas paisagens q alegram os olhos. No caminho, tropeçamos com uma pequena e solitaria chácara perdida na serra, alguns veículos com tração no sentido contrário (provavelmente vindo de Salesópolis), como tb com uma folgada cobra-coral descansando á beira de estrada, indiferente a nossa presença. Ah sim, e tb com um punhado de bikers, já q a estrada é roteiro carimbado e mais adrenado de quem curte uma magrela.

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Um pouco antes de topar com o cruzamento da “Estrada do Limeira”, uma construção acima - a nossa esquerda - desperta nossa atenção. É um gigantesco viaduto de concreto (ou pelo menos parte dele) perdido no meio da Serra do Mar, ligando nada a lugar nenhum! Depois tomei conhecimento q o mesmo foi construído p/ a Rio-Santos e depois abandonado devido a uma mudança no traçado da famosa rodovia. É difícil de mensurar o qto de dinheiro público tem ali, desperdiçado de forma ridícula. E olha q tem vários deles espalhados mais adiante. Bem, não quero nem saber dos projetos “mirabolantes” q devem nascer pra Copa do Mundo aqui... Mas se serve de consolo, tem q utilize o imponente pontilhão pra prática de rapel e bungee-jump, pois há picadas q dão acesso a base deles. Subir no alto já são outros quinhentos..
Dando continuidade a caminhada pela bucólica estrada, finalmente topamos com os dutos q justificaram a construção da estrada. Ao longo da mesma, várias picadas largas (e algumas ate asfaltadas) dão acesso a estes oleodutos, algumas oferecendo boas clareiras pra eventual pernoite no alto dos morros. Mas eis q a estrada começa a se afastar do vale do Pirassununga e passa a tomar rumo sinuoso pra noroeste, nos brindando com belas vistas das montanhas do Vale do Rio Verde, ao longe. Mas é logo neste inicio de mudança na direção apontada pela bússola q começamos a prestar atenção a uma obvia entrada na mata, á nossa esquerda.
Dito e feito, as 15:40hrs alcançamos, finalmente, a entrada da famosa picada rumo Boiçucanga. Não tem como passar batido pois ta bem óbvia e marcada. Além duma clareirinha de capim, há uma placa amarela da Petrobrás (“Válvula de bloqueio – 400m”) como referência. Ali, na cota dos 710m, fizemos nosso primeiro pit-stop a beira da estrada pra beliscar alguma coisa e tb descansar. Amoras silvestres complementam nosso “almoço” a base de sandubas e bolachas, enqto o sol ensaiava dar as caras naquele horário.

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Na sequencia, enfim, mergulhamos na famigerada vereda, descendo suavemente. O caminho alterna-se entre picada, vala erodida e breves trechos onde é possível distinguir um antigo e precário calçamento de pedras. De cara tropeçamos com uma pequena clareira com uma bifurcação, onde instintivamente tomamos a picada principal, isto é, o ramo da esquerda, q desce de forma cada vez mais inclinada. Alcançamos então nova clareira repleta de brejo e mato alto onde a picada parece se perder, mas ela logo é encontrada sentido vale abaixo. Ali, fuxicando bem, encontramos os restos de um casebre de concreto abandonado q julgamos erroneamente ser do famoso e folclórico “Seu Dito Cachimbo”, figura carimbada da trilha. Mas uma posterior análise (e sobreposição da carta com fotos do Google Earth) do Guto, chegamos a conclusão de q se tratava apenas de um antigo alojamento da Petrobrás.
Eram quase 17hrs e agora descíamos uma íngreme encosta por meio de uma estreita picada, sendo acompanhados o tempo td pelo rugido de um gde rio, no fundo do vale. Ao perceber q a partir dali provavelmente não teríamos mais lugar plano pra pernoitar, o Guto sugeriu retornar à primeira clareira (seca) avistada e lá pernoitar. Não q isso fosse problema, afinal eu e o Ricardo estavamos com rede e podíamos pernoitar onde quer q fosse, mas como a logística e cronograma da trip estavam inteiramente a cargo do Guto, consentimos em retornar á tal clareira. Afinal, pra q a pressa em descer o vale se tínhamos um dia inteiro pra isso?

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Retornamos á clareira onde, enfim, jogamos as mochilas no chão. O Guto estendeu sua barraca confortavelmente na grama fofa, enqto eu e o Ricardo acomodamos nossas redes no arvoredo ao redor. Descendo pela outra picada (meio fechada) ali avistada, em menos de 5min desembocamos num colo serrano onde foi possível coletar água suficiente pras nossas necessidades imediatas. E assim, antes mesmo do dia se esvair eu e o Ricardo já havíamos “jantado” pra depois desfalecer em definitivo em nossas aconchegantes redes. O Guto ainda teve paciência de preparar sua janta qdo o manto negro se debruçou sobre a serra, horário em q eu já tava no 15º sono. À noite, vale destacar, teve uma súbita pancada de chuva castigou o vale, mas nada q uma oportuna lona bem estendida não resolvesse. Problema mesmo eu e o Ricardo tivemos com mosquitos a noite, principalmente borrachudos q nos obrigaram a dormir praticamente enfiados dentro do saco. Mesmo assim não escapei de ter belos caroços nos lábios, testa e sobrancelhas, q coçaram horrores madrugada adentro. Somente qdo a temperatura despencou é q os malditos sanguessugas alados bateram em retirada e, ai sim, pudemos ter um sono mais tranqüilo e continuo.
O dia amanhece radiante, com direito ao sol penetrando por entre as frestas da vegetação, contrariando as previsões nefastas da meteorologia. Animados, levantamos acampamento enqto simultaneamente mastigávamos nosso desjejum pra colocar pé-na-trilha um pouco depois das 7hrs. Retomamos a pernada pela mesma vereda e tocamos vale abaixo, sentido sudoeste, ladeando a íngreme encosta da montanha ora em nível ora com forte declividade, sempre atraves de uma trilha bem batida. Obstáculos surgem sob a forma de gigantes da floresta tombados, mas q são facilmente contornados. Fora isso, vale destacar as inúmeras nascentes q cruzamos (contabilizamos umas sete!), alguns bons locais de pernoite no caminho, pegadas de anta no meio da vereda e vestígios de um antigo e precário acampamento desativado, provavelmente de palmiteiros, já q a mata esta repleta do Jussara á margem da trilha. Ah sim, e duas jararacas pelas quais eu e o Guto passamos desapercebidos, segundo o Ricardo. Isso sem mencionar a cia das onipresentes mutucas, q nos obrigam a viver estapeando o corpo.
Sempre descendo pela íngreme encosta, perdendo altitude imperceptivelmente e ladeando a montanha de modo a acompanhar o vale por cima, sem perder o som onipresente de agua correndo farta nalgum lugar logo abaixo. Neste setor vale salientar q a picada principal cruza com duas clareiras de tamanho considerável, quase q seguidas, q posteriormente o Guto identificou (agora sim!) como o “Sitio do Dito Cachimbo” e outro alojamento da Petrobrás: o primeira consistia apenas numa ampla clareira com restos de lixo cercada de araucárias(!), pinheiros(!!) e eucaliptos(!!!), onde a trilha se perdeu e obrigou os três marmanjos a farejar a continuidade dela; e a segunda era basicamente um espaço largo ocupado apenas por um capinzal alto, sem vestígio nenhum de construção.

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Após perder a trilha e reencontrá-la novamente mais adiante diversas vezes, as 9:15hrs finalmente desembocamos nas margens do raso e cristalino tal Ribeirão de Itu, q na carta consta como Rio Grande, correndo sunuosamente sentido sudoeste. A partir daqui a picada some varias vezes e nos obriga trocentas vezes a nos separar ir atrás dela. Por sorte meus companheiros são determinados e não acomodados – como mta gente q conheço q senta e espera q os outros façam o trabalho sujo – e a vereda é logo encontrada, ora numa margem ora na noutra. E tanto vai-e-vem no rio já dilui nossas esperanças de manter os pés secos, q qdo menos percebemos já enfiamos o pé na água até a altura da canela. Qdo a trilha não é encontrada basta acompanhar o rio abaixo - varando mato sem maiores dificuldade - q uma hora a trilha ressurge logo adiante.
A medida q descemos o rio, aqui praticamente sem mto desnível, ele ganha cada vez mais volume por conta das trocentas nascentes q deságuam nele vindas de ambos lados do largo vale. Após “costurá-lo” um bom tempo, desvioando de barrancos e poções intransponíveis, na cota dos 400m reencontramos a picada principal e buscamos não fugir dela de vez. Um morro é vencido mediante árdua subida pra depois descer novamente ao lado do regato, processo q se repete varias vezes. Jardins de bromélias, samambaias e exuberante mata úmida ornam este belo trecho da trip, acompanhando o rio q até então corre manso e plano.
As 10:30hrs a picada nos obriga cruzar á margem direita do rio, na cota dos 350m, onde um belo poço esverdeado complementa uma boa área de acampamento com restos de fogueira. Seria aqui a tal “Toca Verde”? Não sei, mas as descrições parecem bater. Mas ao cruzar novamente á margem esquerda o rio aparenta ficar mais encachoeirado, mais precisamente num belo lugar onde enormes pardoes parecem afunilá-lo num pequeno cânion.

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Mas não tarda pro avanço outra vez alternar as margens quase q seguida e inipterruptamente, sem gde variação de altitude. A trilha ta ali, numa delas, basta procurá-la q acha. Senão, vamos pelo leito pedregoso, pela mata ou por onde der, q uma hora reencontra na frente. As vezes desviamos de mta mata caída ou deslizamentos no caminho, mas nada do outro mundo. Noutras vezes somos obrigados a ir pelo meio de ilhas fluviais onde parece q o rio se divide, mas logo adiante os braços se juntam outra vez, facilitando a procura da vereda. E por ai vai, num processo q se repete quase q inipterruptamente e sem gdes dificuldades pra quem tem bom farejo de picada. O único inconveninete deste entra-e-sai-no-mato é se carrega de tabela tds os carrapatos descansando na vegetação. Uma hora paramos apenas pra, tal qual babuínos, remover carrapatos uns dos outros. E qual minha surpresa q o Ricardo tira um das minhas costas q mais parecia uma enorme aranha grudada na pele!
Pois bem, na cota dos 300m e o relógio batendo meio-dia, nos presenteamos com um longo e merecido pit-stop num bucólico piscinão conhecido como Poço do Macaco. A parada é mais q justificada até pq a partir daqui eu já conheço o caminho de volta. Lembro de ter chegado até aqui da primeira vez q vim (pelo litoral), portanto agora o q faltava era mero caminho da roça. O pior já havia sido deixado pra trás. Entre tchibuns e lanche, foi aqui q escorreguei cinematograficamente no limo e meti a nuca numa rocha. Além do corte da forte pancada, tive um sangramento ate q razoável q por sorte o Ricardo estancou com um pó de Anaceptil. Pois é, sempre tenho q voltar de trips com “souvenires”, alem dos carrapatos e outra pancada na canela.

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Retomamos a pernada, agora por terreno por mim conhecido, sempre acompanhando o rio ora por uma margem ora por outra, sem erro nenhum. A cada passo a picada era cada vez mais nítida e batida, a diferença do confuso trecho anterior. Estavamos em casa, enfim. A partir daqui a declividade aumenta e agora sim o rio fica bem mais encachoeirado. Após o bucólico Poço das Antas, o rugido de quedas cada vez maiores anuncia estarmos adentrando nos domínios da “Trilha das Cachoeiras do Ribeirão de Itu”, já no Núcleo São Sebastião do PE Serra do Mar.
Esta trip já foi descrita detalhadamente noutra ocasião, por isso serei breve no resto deste relato. Não demora pra cair já na 3º Queda, a “Cachu da Serpente”. Uma bela queda formando um poço q por sua vez despenca nuotra queda maior, logo abaixo, a 2ª, esta conhecida como Samambaiaçu. Agraciada tanto por uma enorme cachu como por um enorme poço, as águas do Ribeirao de Itu convergem aqui num vertiginoso e furioso cânion. Td cuidado é pouco ao se chegar perto pra apreciar este desfiladeiro nervoso. Uma placa reforça laconicamente o óbvio: “Atenção - Perigo de acidente fatal”

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No caminho, porém, resolvemos abandonar a trilha (obvia e batida) pra apenas acompanhar a sequencia de cachus consecutivas pelo paredão. Uma discreta picada auxilia na descida pirambeira q vem a seguir, auxiliados por galhos e troncos a disposição, numa legitima desescalaminhada. Dessa forma, as 14:30hrs terminamos caindo na base da “Cachu Pedra Grande”, sob o olhar incrédulo dos farofas ali presentes. Esta queda faz parte da 1ª Queda dali, q tb agrega a “Cachu Pedra Lisa”, td devidamente bem sinalizado. Nesta última, já na cota dos 130m, o Guto e Ricardo resolveram dar novo tchibum, banho do qual declinei por conta do rasgo na cachola, à contragosto, claro.
O tempo passou e vendo o negrume q comecava a se formar no céu resolvemos concluir a travessia. Não tanto pelo risco real de tromba dágua mas sim por conta dos famintos borrachudos q naquele horário devem ter enlouquecido. E assim, cruzando uma ultima vez o Ribeirão de Itu, caímos na vereda principal, agora larga e inconfundível, pra percorrer os últimos metros da caminhada proposta. Lixo no chão, bombas de captação aqui e ali, som de muvuca, rádios ligados a td volume...enfim, de volta à civilização, mais precisamente no Sertão de Boiçucanga, as 15:40hrs!

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Da bafafá do “Estacionamento do Cicero” basta seguir a sinalização q logo nos vemos no meio da vila de Boiçucanga (q em tupi significa “cobra da cabeça gde”) sob respingos de uma chuva forte q sequer veio. Coletando infos de transporte de volta, chegamos a conclusão q o mais viável (e seguro) não era esperar o bus (de horários irregulares) dali pra Sampa, e sim mediante sucessivas baldeações. De Boiçucanga tomamos um coletivo até Boracéia. Dali pegamos outro q nos deixou na entrada da Riviera de São Loureço (condomínio chique de Bertioga), de onde partem lotações freqüentes até Mogi das Cruzes, onde chegamos as 20hrs. Apesar do tempo consumido neste processo, a volta foi mto mais econômica q a ida, embora demorada. Resumindo: cheguei em casa por volta das 23hrs.

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A “Travessia Salesópolis – Boiçucanga” ou “Trilha das Cachus do Ribeirão de Itu” já constituiu outrora uma antiga rota dos índios tupinambás e tupiniquins, pra depois tornar-se rota comercial de acesso dos primeiros colonizadores ao planalto. Até poucos anos atrás era programa carimbado do cartão-postal de Boiçucanga, relegado ao esquecimento por conta do desuso e da boataria das péssimas condições da trilha. Balela. Fomos preparados esperando encarar um leão mas encontramos um gatinho; facões e cordas apenas ocuparam espaço a tóa na mochila. Constatamos q a picada tá em boas condições de ser palmilhada e, saindo bem cedo, é possível conclui-la no mesmo dia. Seu miolo é sim confuso, mas nada do outro mundo. Basta apenas determinação e vontade. Pois somente assim, com mais e mais pés consolidando e mantendo firme esta vereda é q a trilha inteira será resgatada de modo a não cair novamente no esquecimento. De quebra, uma parte da historia continuará sendo preservada nesta q é uma das mais belas caminhadas do litoral norte.


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#684153 por gvogetta
08 Fev 2012, 17:18
Olá Pessoal!!

Que bom ver que o "comichão" atacou o Augusto e o impeliu novamente ao mato!!! Sem dúvida um grande montanhista/aventureiro/trekker/perrengueiro/faz-tudo deste país... Admiro muito seus feitos e relatos.

Brincadeiras e elogios à parte, parabéns pela pernada! Ótimas fotos!

Abraços,
#684966 por Augusto
10 Fev 2012, 23:35
Oi Getúlio.

Dei uma parada por alguns anos para cuidar da minha herdeira.
Tô voltando aos poucos, mas hoje em dia, em qqer trip tenho de pensar na patroa e na Sophia p/ ver se dá p/ inclui-las. Esse ano quero ver se faço caminhadas com elas.
Essa caminhada com o Jorge quase que as 2 foram me encontrar em Boiçucanga, mas por causa das chuvas não deu p/ ir.
Mas foi uma bela trip porque deu tudo certo, mesmo sem sabermos como era a trilha. E as cachoeiras e poções ao longo dessa caminhada valem uma parada.

Eu tirei mais de 200 fotos dessa travessia.
O link é esse:
http://agsts.multiply.com/photos/album/189/189


Abcs
#685193 por gvogetta
12 Fev 2012, 01:15
Olá Augusto!

Sei perfeitamente como é isso. Não voltei com tudo ainda por causa da minha pequena também, que agora está indo pros 4 aninhos... Da mesma forma que você tento sempre que possível nas viagens e passeios encontrar uma opção que contemple a patroa e a herdeira, senão fico com pinta de egoísta! ::lol3::

Mudando de saco para mochila, as fotos da pernada estão ótimas também. Realmente uma bela caminhada. Mais uma vez parabéns a você e ao grupo!

Abraço!

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