Buenas, personas!
Sou novo aqui no recinto e ainda estou conhecendo os recursos disponíveis pra seus membros. Mas mal cheguei e já me inscrevi como colaborador. Poderia me apresentar num tópico de apresentação, claro, mas pensei "melhor de me apresentar é escrevendo um relato". Pois bem, aqui estou pra contar um episódio ocorrido na trip feita em 2009/10, que foi a viagem de Curitiba até Natal.
Descendo a Estrada Real (até porque pra subir seria punk-junk) sem fazer manha!
Primeiro dia de viagem, saímos de Curitiba às 05:11 da matina e chegamos às 11:45 em São Vicente onde tínhamos uma parada programada pra encontrar uns parentes. Às 14:15 pegamos a estrada novamente. Estávamos atrasados em relação ao que planejamos, logo, pensamos "vamos pegar um caminho mais rápido e tudo se resolve". Antes a ideia era ir pelo litoral, rio-santos, mas, por ser um trecho mais lento, resolvemos ir até São Paulo e pegar a Dutra. Um pouco depois de Aparecida/SP, pegamos a estrada sentido Cunha e já desembocaríamos em Paraty/RJ, passando pela Estrada Real. Era o começo da tensão... Essa estrada, um pequeno trecho de apenas 10 km, que deveria ser light (não sei pq concluí isso), transformou-se na pior experiência pela qual o Chumbeta, meu carro, já passou. Esse trecho era de terra e ficava exatamente na serra, ou seja, sinônimo de neblina e chuva. No início, enfrentamos um buraco aqui, outro ali, uma raspada em algumas pedras no protetor de carter, até nos depararmos com uma "valeta" no meio do caminho. Valeta não é o termo apropriado. Vou tentar ilustrar: imagine aqueles suportes onde os carros são colocados e depois suspensos para troca de óleo em oficinas, postos, etc. O que acontece se ele estiver suspenso e o motorista, por ventura lá dentro dele, tirar ele do "trilho"? Pois imaginem que esse "trilho", em que a largura era de 1 pneu e 1/3, digamos assim, era formado de barro molhado e que bastava um cabelinho de sapo, uma brisa mais forte pra tirar o carro do traçado e deixá-lo suspenso sem conseguir tocar o solo. Após 15 minutos analisando a situação e pensando num melhor caminho para passar a tal valeta, e com muita cautela, meu Velho utilizou toda sua técnica de anos de experiência (virtual) de estradas, passando o buraco com destreza. Mas o desafio não terminava aí. Metade da trilha foi andada. Faltava mais 5 km, uma eternidade. Voltar, impossível. Se pra descer era difícil, subir, com a valetinha no caminho de novo, era inviável. Fazer o "retorno" já seria um milagre, pois a estrada é estreita e só passa um carro por vez em muitos trechos. A garoa caindo, o barro piorando, a primeira marcha engatada, o led do combustível batendo na reserva. Pensei "bom, qualquer coisa a gente fica de boa no carro, contando lorota e esperando o dia amanhecer pra continuar a jornada ou buscar ajuda". Mas quando a gente passava por trechos que tinha vários troncos de árvores caídos, pedregulhões maiores que meu carro às margens da estradinha, já vi que seria difícil dormir tranquilo caso essa fosse a saída. Imaginava uma pedra daquelas rolando e nos achatando como baratas. Ducapeta. Mas a reza é braba. A cada km vencido, era mais uma lágrima que escorria. E, exatamente aos 10km, como assinalava o guia que a gente levava, encontramos o asfalto. Que beleza! Alívio. Não me lembrava de ter rezado pra tanto santo diferente de uma vez. Hoje sou devoto de São Jorge, com orgulho.
Finalmente, às 20:40, duas horas depois de entrar na terra, estávamos na pousada. Prontos para o sono dos herois. Certos de que numa próxima, pela estrada real, só com 4x4.
Abrax, povaré!
Alexandre




Tão tenso que o melhor, que seria filmar o momento, a tensão, a gritaria
, pra posteridade, nós não pensamos em fazer. Ficará pruma próxima...
Resumo