(20/jul/08) Dia 4: Rumo a SerroAcordamos às 7h para arrumar as coisas pro primeiro dia que prometia ser realmente difícil: seriam 21km percorridos (segundo o mapa) e até então não tínhamos percorrido nem metade disso em um só dia.
Tomamos café e saímos às 8h15. O sol já estava quente, mas o calor ainda aumentaria: o caminho estava só começando. Esse foi o primeiro grande erro do dia: sair tarde demais, deveríamos ter saído antes das 7h.

Apesar da inclinação bastante íngreme da Estrada Real nesse trecho, o ritmo de caminhada estava ótimo e chegamos ao povoado de Três Barras (7km depois) em 2h. No último quilômetro, fomos acompanhados pela Dona das Dores, moradora local que nos mostrou uma cachoeira próxima onde resolvemos fazer nossa segunda parada de descanso do dia. Descansamos bastante tempo, enchemos os cantis no único bar e nos despedimos da Dona das Dores, recusando o convite para almoçar – segundo grande erro – por achar que era muito cedo, e seguimos para Serro.
Meio à vegetação do serrado, às montanhas pedregosas da
Serra do Espinhaço, aos rios e riachos, seguimos pela Estrada Real, que insistia em transpor todos os morros da deslumbrante paisagem. Entre subidas, descidas, sol e poeira o caminho nos presenteava com as mais belas paisagens e esculturas naturais, e ao mesmo tempo, cobrava inclemente nossas costas e nossos pés. Há menos de 7km de
Serro, o trânsito de locais aumentou, mas por ser domingo, nada de ônibus, caminhões ou caronas. A Paula já estava com tantas bolhas nos pés que mal podia caminhar e as mochilas pareciam ficar mais pesadas à medida que a água acabava. Há 5km, recusamos a carona de um táxi – terceiro grande erro. A partir desse ponto, o ritmo de caminhada caia constantemente e, se pela manhã caminhávamos aproximadamente 4km por hora, apesar das subidas, agora íamos à metade da velocidade, se o terreno fosse plano! Às 16h45 avistamos Serro do morro mais alto do relevo local. Olhamos para trás e percebíamos que passamos nesse mesmo dia pelo último morro que conseguíamos enxergar, e que toda a paisagem que enxergávamos da Estrada Real, já possuía nossas pegadas. Mas Serro é visível muito antes de se chegar, efetivamente, ao centro da cidade e embora a visão nos motivasse, o almoço que não tivemos e o cantil seco dificultava a chegada.

Caminhamos mais quase 2km à beira de uma estrada asfaltada e na entrada da cidade, no bairro do Gambá, paramos para o último descanso em uma praça. Enquanto fui ao único posto de gasolina comprar água e alguma coisa para comer, a Paula esperou na praça com as mochilas. Ao retornar, descobri que uma moradora local nos ofereceu pouso e comida – o que, nos dias de hoje, não imaginávamos que poderia acontecer, mas já era a segunda vez nessa viagem. Não aceitamos o convite, mas aceitamos a carona que o irmão dela nos ofereceu até uma pousada no centro da cidade. Hospedamos-nos na Pousada Matriz (R$50 o casal), tomamos um banho e quase não conseguimos sair para jantar, tamanho era o esgotamento. Acabamos saindo para comer no lugar mais próximo possível: Bar Zé Lindolfo, muito freqüentado pelos moradores locais. Voltamos para a pousada e desmaiamos.
Informações locais:Bar Zé Lindolfo: Pça. Dr. Andrade, 28 - Tel:(38) 3541-1633 - (R$6/PF)
Pousada Matriz: R. Alferes Luiz Pinto, 82 - Tel:(38) 3541-1591 - (R$25/pessoa)
"Caminhante, o caminho não existe. O caminho se faz ao caminhar. -- dito popular espanhol""
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