SINTRASInceramente não me lembro de como Sintra apareceu na minha viagem, mas quando me dei conta a cidade estava no meu roteiro e num lugar de honra: eu estava muito ansioso para ir lá e conhecer um local tão importante para a história de Portugal, e do Brasil também!
O dia começou com uma caminhada pela rua Augusta até a Praça do Rossio, onde se pode ver uma estátua do rei Pedro IV. Mas o que eu demorei para me tocar foi que aquele rei na verdade também governou do nosso lado do oceano: é o nosso Dom Pedro I! Aquele que dizem ter gritado: "Independência ou Morte!", aquele que teve um romance cálido com a marquesa de Santos! Para os portugueses ele também foi um herói, pois derrotou o irmão mais novo absolutista numa guerra civil que todo mundo acreditava já estar perdida. Ao fim da guerra quem subiu ao trono foi a filha dele, a brasileira Maria da Glória. Desculpem falar sobre essas coisas aqui, mas é que essa parte da história me interessa bastante. Mas vamos logo à ação.
Ao lado da praça, um pouco mais à frente, fica a Estação do Rossio, recentemente reformada. Dali saem os trens para Sintra, e somente para Sintra. Nas maquininhas abasteci o meu cartão com a passagem ida e volta para Sintra. Custou 4,50. E a viagem dura cerca de 45 minutos. Ao descer na estação ainda é preciso andar um pouco para chegar ao coração da cidade, onde fica o Palácio Nacional de Sintra com as suas duas torres. Como minha intenção era ver primeiro o Castelo dos Mouros e o Palácio da Pena, fui seguindo as indicações e peguei a estradinha que leva ao topo do morro onde ficam as duas atrações. Talvez seja meio estranha a ideia de ir andando morro à cima em vez de pegar o ônibus, mas eu não acreditei no que viam os meus olhos e decidi ir apreciando a paisagem pelo caminho. Não demorou muito para perceber a besteira que eu tinha feito, mas era tarde demais e eu não tinha outra solução se não continuar caminhando morro acima por quase uma hora.
Morto de cansaço e suado como um porco, cheguei à bilheteria do Castelo dos Mouros. O bilhete combinado com o Palácio da Pena custa 14 euros. O Castelo é uma visita mais rápida: você vai se aproximando das muralhas, entra no pátio central, sobe pelas muralhas até o ponto mais alto e pronto, está tudo consumado. Bem, falando assim parece que eu não gostei do que vi, mas muito pelo contrário. Subir pelas muralhas, em meio aquele céu azul e a ventania forte e depois o olhar o mundo lá embaixo, o mar... é incrível. Acho que dei sorte, pois quase não havia gente por lá então eu pude ficar sentado sozinho na parte mais alta do Castelo, admirando a paisagem e acreditando que eu era o cara mais sortudo do mundo.
Depois dessa visita, continuei pela estradinha e cheguei ao Palácio da Pena. Na entrada há um trenzinho que te leva morro acima. Eu também não quis pegar, mas dessa vez tinha razão, não era nada longe. O Palácio é uma maravilha. Há tantos estilos diferentes que parece uma coisa de outro mundo. Tanto a parte de dentro como a parte de fora são incríveis. Às vezes parece que estamos numa fortaleza árabe, às vezes parece que estamos num castelo inglês, mas não: é Portugal! No pátio de trás dei uma bela olhada para a vasta planície que termina no mar e quase perdi o fôlego. Dizem que o Palácio é uma das 7 maravilhas de Portugal e não é preciso ficar muito tempo ali para saber por quê... No tour interno, dá para ter uma ideia de como era a vida de rei naqueles lugares. O interessante é que o museu é organizado de modo a parecer que alguém ainda vive por lá. Imperdível.
Na volta decidi pegar o ônibus de volta para a cidade, tendo pagado 2,60. Lá embaixo passeei pelo centro e procurei a famosa doceria Piriquita, que vende as especialidades de Sintra: a queijada e o travesseiro.
Por fim, para fechar o passeio, fui ao Palácio Nacional, bem menos imponente que o Palácio da Pena, mas com algo único: a sala de azulejos, onde eram tratados os assuntos "sérios" do reino: trata-se de uma bela sala coberto com os legítimos azulejos portugueses.
Sem mais o que fazer por ali, voltei a Lisboa.
Entre tantas mais, havia uma coisa que eu fiquei devendo de outros dias: visitar a Sé de Lisboa. Fui subindo de novo a ladeira e cheguei à igreja. O estilo dela é bem sóbrio e não se compara ao estilo das catedrais italianas, mas ela tem uma atmosfera própria, mais parecida com as igrejas brasileiras.
Saindo de lá, andei pelos bairros de Alfama e Chiado (claro que não me esqueci do café A Brasilera, onde está a estátua do Fernando Pessoa). Era terça-feira à noite e a minha estada em Lisboa estava se acabando, mal havia começado. Naquele momento, porém, eu estava exatamente onde queria estar e para dividir isso com alguém, deicidi enviar alguns cartões-postais para casa. No dia seguinte eu ia voltar para a minha adorada Itália. Com que saudades eu estava de lá!
No albergue dessa vez aconteceu uma coisa engraçada: assim que cheguei fiquei batendo papo no lounge com umas brasileiras que encontrei. Depois que elas saíram, fui para o quarto e lá estava um loirinho abaixado com um laptop. Cumprimentei-o, mas ele não me deu muita atenção. Enquanto, ele usava uma webcam para conversar com alguém em uma língua que eu não consegui identificar, arrumei minhas coisas e fui tomar banho, mas quando voltei para o quarto levei o maior susto, pois quando avri a porta dei de cara com ele. Ele olhou para mim e começou a falar em inglês comigo que nem um doido, dizendo que tinha perdido o cadeado do locker e etc etc. Primeiro achei que ele ia me culpar, mas logo percebi que ele estava é preocupado de ter de pagar para o albergue. Ele chamou o funcionário, e os dois resolveram a situação. Depois que o atendente foi embora ele começou a conversar comigo e me pediu algumas informações e dicas sobre a cidade. O cara era alemão, de Leipzig. Até que foi uma conversa interessante e não final o cara não era tão doido como eu tinha pensado no início! rs

Castelo dos Mouros.

Palácio da Pena, visto do Castelo dos Mouros.

Palácio da Pena.

Piriquita.