Eu também fui furtada em Buenos Aires, mas, o espantoso é que moro no Rio e nunca conseguiram me assaltar. E, sabe porque? Porque não dou bobeira!
Mas, isto foi impossível em Buenos Aires... Dezembro de 2011 - semana do Natal.
Nunca abro carteiras na rua. Não pego dinheiro da bolsa em qualquer lugar ou tampouco vou ao banco para sacar grandes quantias. Só pego uns trocadinhos para as passagens. Por isso mesmo é que, em Buenos Aires, depois de passear e tirar umas fotos procurei, para almoçar, sentar-me na parte de dentro de um restaurante.
Bom... pra encurtar a estória... foram os garçons do restaurante que deram a dica sobre minha carteira para os trombadinhas. Como tenho certeza?
Além de não ter aberto a carteira em lugar algum antes do restaurante, pois tudo era pago por meu amigo que mora e trabalha lá e, portanto, só tem pesos na carteira, também percebi depois do ocorrido que o “encontrão” que dois dos garçons me deram no restaurante foi para marcar de bolinhas vermelhas a minha calça jeans.
Quando levei um encontrão do garçom ao me levantar para sair, nem me atentei para o fato de que outro garçom havia passado muito encostado nas minhas costas chegando a me esbarrar. Um pouco a frente, saindo do restaurante no Caminito e seguindo pela Florida, tive a bolsa aberta sem que percebesse – pasmem … justamente na parte da carteira, pois minha bolsa tem outro fecho na frente que não estava aberto. Esta mesma bolsa possui uma aba anterior aos fechos e precisa ser aberta primeiro. Mas, ao abri-la se vê primeiro o fecho menor, onde, geralmente, se colocam carteiras e no meio o fecho aonde havia colocado a minha justamente pra evitar furtos de encontrão.
Só o garçom que recebeu meu pagamento viu aonde coloquei a carteira e, o pior, que estava cheia de grana. A carteira foi com a grana e os cartões que esqueci de tirá-los antes de descer do navio.
Mas, não termina por aí... Descobri que parece existir um conluio de autoridades na Argentina a favor desse tipo de furto; ou seja, a brasileiros.
Como estava extremamente preocupada com o furto dos cartões, procurei saber aonde faria um boletim de ocorrências para não ter problemas no Brasil. Fomos indicados (estava com minha namorada e este amigo que está trabalhando lá) a uma “secretaria do turista”. Chegando lá, a pessoa que nos atendeu disse pra não se preocupar já que não havia nenhum documento roubado _ acontece que, na Argentina não se digita senhas para comprar com os cartões, basta passar e assinar. E, ninguém confere com a identidade __ por isso, insisti em fazer um boletim. Aí descobri que a tal secretaria não faz boletim e não serve para nada, pois pedi que o tal agente me desse acesso a um telefone para ligar ao Visa e ao Mastercard. No entanto, este agente disse que não tinham telefone lá (estranhei) e nem internet e, em seguida, me entregou um papel com dois números de telefone para ligar do orelhão e o endereço, sem anotar este, da polícia federal.
Os tais números de telefones que ele alegou ser do VISA e do MASTER Internacionais eram atendidos por pessoas que falavam em espanhol (não tenho certeza, pois parecia castelhano) e estas atendentes diziam o tempo todo que não estavam entendo.
Seguimos para a tal polícia federal e constatamos que, o endereço é impossível de se achar, a menos que esteja acompanhado de alguém que more lá. Não há placas que indiquem ser uma delegacia, ou sequer tem cara de dp, e,mesmo com este meu amigo, acabamos por passar 3 vezes na frente até que descobrimos o local.
Enquanto minha namorada tentava falar com as tais atendentes, que acreditávamos ser dos cartões, eu e meu amigo tentamos ir fazer o boletim. Pasmem, novamente: o porteiro (ou sei lá o quê) tentou nos impedir de entrar. Ficou na minha frente e não me deixava entrar. Como era eu a vítima, o meu amigo não falava, apenas me acompanhava. Mas, foi aí que tive certeza que todos estavam falando em castelhano, pois eu precisei de tradução. O tal porteiro tentou argumentar que eu não podia entrar porque tem de passar primeiro naquela secretaria que não serve pra nada, mas quando o tal porteiro percebeu que estava acompanhada de alguém que está morando lá, não teve jeito. Entrei!
Pedi a outras vítimas brasileiras para passar a frente, pois eu estava num navio e tinha hora pra voltar e embarcar. Tentei explicar ao agente federal que não deu a mínima e continuou enrolando. Quando, por fim, atendeu-me, também falava em castelhano. Um agente federal falando em língua regional???
Bom... fiz o tal boletim com muito custo. Graças não ter precisado usar no Brasil, pois o tal é tão mal formulado que não consegui revertê-lo na polícia daqui.
Mas, em suma...
Quem fala que, não tem problemas na Argentina é porque só tem pesos na carteira. Ninguém assaltou ou furtou o meu amigo desde que está lá, porque não tem reais ou dólares na carteira. Argentino não quer peso, pois não vale nada.
Fiquei desiludida com a Argentina, pois se turistas gastam tanto por lá, tinha-se de ter apoio das autoridades. Constatei, na delegacia, que isso está acontecendo com todos os turistas brasileiros. É um monte de reclamação que não dá em nada!
O meu boletim só foi feito porque estava acompanhada de alguém que fala também o castelhano. E, só consegui bloquear os cartões porque minha namorada pegou os cartões dela e viu quais os números certos fora do Brasil.
Se você ainda quer fazer compras ou estudar na Argentina, leve pesos. Valem menos, mais você estará a salvo.