Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#747538 por Jorge Soto
13 Ago 2012, 08:23
http://jorgebeer.multiply.com/photos/al ... eiro-Verde

RETORNO Á GRUTA DE BELTENEBROS
Não deu nem duas semanas de nossa iniciação “cavernosa” ao pitoresco Complexo de Beltenebros, região serrana de Biritiba-Mirim, q estes dias nos vimos perscrutando seus fundos e esguios corredores de rocha novamente. A oportunidade surgiu qdo recebi o convite irrecusável do Carioca e do Tuca em acompanhá-los numa exploração mais minuciosa dum setor desconhecido até mesmo por eles. O resultado da empreitada foi a descoberta de novas rotas subterrâneas, além de imponentes grotas recém-batizadas de Gruta das Aranhas e do Cheiro Verde. Uma autêntica e quase-viagem ao centro da Terra q só não se prolongou com novos achados por conta de um risco pra lá de considerável: o local estava infestado de aranhas armadeiras, cuja reputação é de ser a mais letal do mundo!

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O relógio marcava exatas 8:15hrs e um espesso brumado tomava conta da paisagem qdo chegamos no portão de entrada do Sitio Serra Verde, situado as margens da Estrada da Adutora. O quarteto explorador da vez era composto por este q vos agora escreve, o Albino Cesar (http://rumoselvagem.blogspot.com.br) e o Wellington Carvalho (http://sentidobrigatorioaventuras.blogspot.com.br) , respectivamente Carioca e Tuca. Fechando o grupo e conferindo-lhe seu charme feminino estava a Vevê, convocada não somente pela sua disponibilidade naquele dia mas principalmente por demonstrar uma assumida paixão pelo Conjunto Beltenebros na ocasião da nossa primeira incursão, semanas atrás.
E claro, pra otimizar o tempo de exploração naquele dia enxuto apenas duas mudanças em relação àquela empreitada anterior (já relatada detalhadamente noutra ocasião) foram necessárias: chegamos ao sopé da serra de carro, economizando assim um tempo precioso de entediante estrada de terra, a partir do bairro rural de Manoel Ferreira; interceptariamos a vereda principal da Pedra do Sapo mediante outra picada q nasce do sitio acima mencionado, abreviando assim consideravelmente o trajeto total. Desnecessario mencionar q este acesso através de propriedade particular requer a autorização dos donos (ou caseiros, no caso), coisa q o Tuca e Carioca conseguiram anos a fio, na base da confiança e respeito mútuos.

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Pois bem, após sermos gentilmente recebidos pela simpatia da Dna Leonice e da espivetada Maria Eduarda, q prenderam os enormes cachorros q tomam conta do belo sitio, estacionamos o veiculo e imediatamente arrumamos as tralhas pra trip daquele dia. O caseiro, Raimundo, não se encontrava naquele momento e só estaria ali durante a tarde. A névoa úmida acentuava a sensação de frio qdo mergulhamos na mata fechada, subindo forte atraves da discreta (e recém-roçada) picada q nasce próximo do laguinho principal. “O termômetro marca 13 graus!”, falou o Carioca, enqto encabeçava a fileira do nosso destemido quarteto e ajeitava a enorme corda em volta do corpo.
A subida arrefece e nivela assim q a vereda intercepta a principal, as 8:30hrs, numa encruzilhada assinalada por um espesso bambuzal. A partir dali o caminho é conhecido pela gente e o cenário já nos passa a ser familiar. O canto metálico das arapongas se funde ao murmúrio de um riacho nalgum vale próximo, servindo de trilha sonora pra nossa caminhada q ate ali é totalmente tranqüila e desimpedida. Quebrantando este som ambiente esta a animada conversa do Tuca e do Carioca, q no decorrer de td trajeto desfilam os segredos daquela floresta, valendo-se de valiosos e imprescindiveis conhecimentos de seus cursos de resgate e sobrevivência; assim como se queixam da proliferação dos tais “Guias-Rambos” sem qualificação alguma adentrando no mesmo nicho de mercado deles, colocando irresponsavelmente em risco a própria clientela. “Nego acha q basta ter um GPS e sair guiando gente por ai, onde der na telha, sem equipo apropriado pra rapelar ou até trilhar!”, reclamam. “Se der alguma m.. nem eles sabem como resolver! E ai eles despudoradamente chamam a gente, q ta bem melhor equipado!”, emendam.

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Após chegar numa importante (e discreta) bifurcação e subir atraves de uma picada onde o mato ameaça cobri-la em breve, finalmente as 9hrs desembocamos á margem da “clarabóia” principal do Conjunto Beltenebros. A dita cuja na verdade é uma enorme grota resultante dum desmoronamento de gigantescas pedras de granito, da qual nascem uma intrincada rede de buracos, fendas e abismos, q se ramificam em tds as direções! Percorrer o topo é andar constantemente em armadilhas, pois o chão é instável e, coberto de folhagens e alguma terra, esconde armadilhas traiçoeiras a td instante. Por isso td cuidado é pouco. Áquela altura o nevoeiro já havia se dissipado totalmente, e os raios do sol matinal eram maravilhosamene filtrados pelo espesso arvoredo do entorno.
Mal chegamos e a primeira coisa a fazer é explorar o setor da extrema direita à “clarabóia”. Descendo então uma encosta do morro, nos firmando em raizes, tocos e alguma vegetação, logo damos ao sopé de um enorme pedrão do qual pendem trocentos cipós. Olhando bem ao sopé do mesmo avistamos um buraco bem promissor e imediatamente estamos do lado dele, após contornar outro menos amigável no caminho. Foi ai q o Tuca lançou a corda e se pirulitou com uma habilidade q deixaria qq tatu profissional enrubescido, apenas pra chegar a conclusão q a grota era pequena e não havia muito o q explorar em seu interior. Ainda assim, eu e a Vevê fizemos questão de adentrar naquela minúscula lapa apenas pra nos familiarizar com corda, luvas, capacete e demais apetrechos q complementam qq incursão “cavernosa”. E extremamente necessários, diga-se de passagem, como depois sentiríamos na pele.

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Pois bem, dando uma vasculhada superficial por este setor – onde unicamente topamos com uma cobra-verde - chegamos a conclusão q daquele lado encontra-se o trecho mais compacto (e menos esburacado) de td Beltenebros, o alto do morro. E q se quizessemos explorar cavernas e abismos maiores teríamos q tender pro setor à esquerda da “clarabóia” principal, ou seja, o q corresponde ás encostas mais baixas da serra onde as enormes rochas tenderam a repousar definitivamente. Ali sim q era um verdadeiro “queijo suíço” de puro granito!
Em comum acordo, decidimos então penetrar pela abertura principal, chegar no fundo e dali tocar pra setores mais baixos, conforme essa possibilidade fosse mais viável, seja pelas fendas, quebra-corpos e corredores no caminho! E nossa saída seria por qq greta q desembocasse na mata, já na encosta. Pois bem, Tuca ancorou a corda firmemente no poderoso arvoredo do entorno enqto a gente se preparava de acordo. Não estava acreditando: desta vez adentraríamos ao fundo daquela “clarabóia” q limitara nosso acesso a vez anterior apenas a niveis intermediários! Mas era aquela coisa... o acesso seria feito mediante um rapel de menos de 30m, algo q nunca tinha feito na vida! E pelo olhar de ansiedade da Vevê, parece q tb seria seu batismo nesse sentido. Sim, a altura não era tanta assim, mas pra gente aquela distância q nos separava, ali do alto, do fundo da grota correspondia ao tamanho do World Trade Center.

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Divididos entre a excitação e o medo, eu e a Vevê então ocupamo-nos em atos triviais: ajustar cadeirinha, conferir nós, testar a corda, etc. Tuca e Carioca nos passam as coordenadas básicas do rapel e o processo de soltar-travar a corda, com uma naturalidade e tranqüilidade q deixariam Jó orgulhoso. Mas chega enfim a hora da verdade. Tuca se pirulita na frente e num piscar de olhos já ta la embaixo. “Quem vai primeiro?”, pergunta o Carioca, me encarando. “Damas na frente!”, retruco sem pestanejar devolvendo o olhar p/ Vevê, tentando adiar o inevitável. “Nossa, q cavalheiro!”, devolve ela, com um sorriso tendendo pro amarelo. Pra ser sincero, tava assumidamente me borrando de medo e com c* na mão, uma vez q sempre fui pé-no-chão e tds minhas tentativas de evocar uma lagartixa profissa foram desastrosas. “Q bom, pois o medo é o regulador da coragem!”, ouço o Albino dizer.
Mas, surpreendendo a si mesma, Vevê fez o rapel numa boa me deixando com a obrigação mais q moral de seguir em seu encalço. Td e qq tentativa de desistir ali tinha ido água abaixo pra este q vos escreve, motivo pelo qual agora teria de honrar necessariamente minha dignidade masculina. “Ai, ai, ai! Seja o q Deus quiser!”, pensei comigo mesmo. E lá vou eu. Agarro a corda entre as mãos, inclino o corpo de modo a deixá-lo perpendicular à parede. A gravidade fez o resto. Desço um pé por cima da borda do abismo, e então o outro. A rocha, coberta de limo escuro, está escorregadia. Logo abaixo apoio meu velho e surrado tênis Timberland sobre uma lâmina rochosa mais aderente. Desco mais um metro, as pernas bem afastadas pra não perder o equilíbrio e pendular pela parede escura de granito, q se esparrama verticalmente na minha frente. A “clarabóia” do abismo então fica cada vez menor e distante, enqto continuo a descer com uma calma q os olhos desmentem. Apesar de td, conforme perco altura começo a me familiarizar mais com a jogada de mãos nesse lance de “freada-equilibrio”, o q me dá um pouco mais de confiança. Sentindo mais segurança no processo, apresso um pouco mais o “paso” e logo me vejo num trecho negativo. Os pés agora já não encontram a rocha e é preciso deixar o corpo na vertical calmamente, de modo a não pendular e meter a fuça na rocha. Mas a Vevê segura firmemente a corda la embaixo e o restante da descida se dá da forma mais tradicional possível, isto é, num salto. Uffaaa! Passei no meu primeiro (e quiçá último, sei lá) rapel!

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Qdo o Carioca juntou-se á trupe nos preparamos pra vasculhar so vãos e fendas q dali ramificavam-se em varias direções. Estávamos num gde “salão”, por assim dizer, cercados por enormes muralhas verticalizadas e arredondadas. O silencio sepulcral era apenas rompido pela nossa conversa e pelo gotejamento constante de umidade oriunda do teto. Foi qdo ouvi o Tuca, q tava na dianteira da fila, dizer q tinha visto algumas aranhas-armadeiras no caminho. E qdo uma delas, por instinto defensivo, levantou os dois primeiros pares de pernas, á nossa aproximação, erguendo o corpo em posição ereta, foi q ele mencionou a real noção do risco no qual estavamos metidos. Pior. Ao olhar com mais atenção as paredes a nossa volta, os fachos das headlamps revelavam não apenas uma mas inúmeras armadeiras próximas da gente, devidamente mimetizadas na rocha.
“Caralho! Esta porra ta cheia de armadeiras! Vamo sair daqui rapidinho!”, alertou o Carioca, demostrando seria preocupação. Ambos nunca tinham visto tanta aranha daquelas concentrada num lugar só e chegaram a conclusão q a caverna era um gigantesco “motel”, pois devia ser era época de acasalamento das bichinhas, q gira nos meses secos de inverno. “Ué, mas são apenas aranhonas! Basta desviar delas, não?”, falei ingenuamente. Só depois q o Carioca desfiou td currículo da peçonhenta é q revi consideravelmente essa minha vontade de prosseguir a exploração em niveis mais estreitos sem a devida segurança. Pra quem não sabe, as aranhas-armadeiras brasileiras aparecem no Guinness World Records 2010 como a aranha mais venenosa do mundo. Do gênero Phoneutria (do grego, "Assassina"), podem crescer até ter uma envergadura de até 15cm, tem hábitos noturnos e adoram se esconder em lugares escuros e úmidos. Bingo! Mas o pior mesmo é seu veneno, q contem uma poderosa neurotoxina q causa dor intensa, inflamação, além de perda do controle muscular e problemas respiratórios. Não bastasse “apenas” isso, a picada provoca priapismo em seres humanos. “Pria-o-quê?”, perguntei. Sem mtas delongas, a picada provoca desconfortaveis ereções q podem durar horas e podem levar à impotência. “Opa, então vamo embora daqui rapidinho!”, falei, uma vez q a última lembrança q queria levar dessa aventurinha era uma desagradável e inconveniente disfunção erétil. “Ficar broxa, tô fora!”, concluí. É, rir de nervoso é o melhor remédio..

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Foi ai, sentindo na pele, o motivo de td exploração de caverna se dar devidamente trajado de macacão grosso e luvas, indumentária q sempre julguei “frescura”, crente q era pra não se sujar. Pois bem, reconheço q minha ignorância total em espelologia me expôs a risco desnecessário na trip anterior. Isso se levarmos em conta q estava ali, de bermudinha bem curta com as pernas e braços totalmente expostos, dando moleza pras mortais aracnideas! Vale salientar tb q as luvas não servem pra apenas p/ evitar contato com bichos peçonhentos como tb com fezes de morcego, já q alguns são hematófagos e transmitem a raiva.
Pois bem, a exploração daquele setor e das gretas q dali havia tinha sido abortada, sem dúvida. Nossa prioridade era sair dali, e rápido. Felizmente, do salão principal vislumbrávamos uma luminosidade bem á nossa esquerda, ao longe, emoldurada por verdejante mata. Era sinal q seria nossa saída emergencial. O problema era chegar até lá. Um estreito e acidentado corredor rochoso repleto de aranhas venenosas nos separava da segurança do mundo exterior. Tão longe e tão perto. Eis a ambigüidade q carateriza as cavernas. Anda-se horas a fio nelas não pela distancia e sim pelos obstáculos naturais a serem superados.

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“Ilumina e olha bem onde vai encostar ao passar, Tuca!”, disse o Carioca. Lá ia td mundo em fila índia, dando cada passo de forma calculada e metódica, naquele chão q se alternava ora de rocha granítica ora coberto por folhagens ou sedimentos trazidos pelas enxurradas. E assim, lentamente, fomos avançando naquele estreito corredor, emparedados por pura rocha, vencendo alguns poucos lances de desescalaminhada. Claro, após avaliar trocentas vezes a superfície onde nos apoiaríamos, evitando a td custo aquela q estivesse com armadeiras. Mas felizmente a maior parte do trajeto foi na horizontal onde apenas tínhamos a atentar ás paredes nas quais teriamos q nos segurar ou firmar, e assim seguir em diante, aos poucos. Portanto, nada melhor q apelidar àquele setor de Beltenebros de “Gruta das Aranhas”, com td e total propriedade!
Respiramos aliviados assim q alcançamos a tal “luz no final da caverna”, emergindo num trecho da encosta coberta de vegetação mas igualmente repleta de fendas e gretas no meio dela! Estavamos no tal “queijo suíço” acima mencionado! Carioca foi na frente, rasgando a mata no peito (e no facão, qdo necessário) tateando bem o terreno antes de dar o paso sgte. Nesse cauteloso processo de saltar de pedra em pedra perdemos altitude de forma imperceptível até ganhar terreno de chão firme num patamar inferior daquela encosta serrana, e com vegetação de facil transposição. Dali podíamos observar a sequência de enormes rochedos tombados montanha abaixo revelando novas e incríveis grotas. E foi pra lá q nossas energias e intenções de exploração foram direcionadas.

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Chegando bem próximo da entrada das fendas, escondidas em meio às arvores e à mata em volta, avistamos uma enorme fenda espremida entre rochedos gigantescos quase similar à palmilhada anteriormente. Estendendo-se no sentido leste-oeste, ou seja, acompanhando a linha da encosta, esta super-grota logo encantou nossos anfitriões não somente pelo fato daquele lugar ser novidade mas sim pelas possibilidades ali avistadas. Tentamos aceder por um trecho onde bastou desescalaminhar umas pedras mas onde o avanço não foi alem disso. Nas frestas, outra aranha redobra nossa cautela mas q desta vez era desnecessária. Não era uma armadeira e sim um “Opilião”, um aracnídeo inofensivo q vive em ambientes subterrâneos. Parecida com a armadeira mas com alguns detalhes sutis q a diferenciam de sua prima letal, pra mim eram a mesma coisa, motivo pelo qual bastava ver qq bicho com oito pernas esguias e compridas q desviava rapidinho o dito cujo.
Td indicava q alguém teria de retornar pra buscar a corda pra nos auxiliar na exploração qdo notamos q, contornando pela mata um enorme bloco desmoronado, era possível sim alcançar aos poucos o fundo da tal grota, na unha! E assim fizemos! Equilibrando-nos sobre pedras e nos firmando na mata em volta, dessa forma alcançamos patamares inferiores ate chegar num estreito corredor de mais pedras desmoronadas! A primeira coisa q nos chamou a atenção foi o odor do lugar, q me lembrou imediatamente dos aromas sentidos em qq feira de rua. “Caraca, cheiro verde! Ta sentindo?”, alguém disse. Td mundo concordou, e assim aquele lugar recebeu o nome provisório de “Caverna do Cheiro Verde”. Outro detalhe interessante foi o fato da bússola endoidecer ali, indicando gde presença de algum minério de alto poder magnético.

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Desescalaminhando mais alguns lances de pedras chegamos, enfim, num trecho onde o único trecho pra aceder a continuidade da grota era atravessando um estreito buraco onde mal passava um adulto acima do peso! Tuca foi na frente, avaliando a superfície da fresta e fazendo um pente-fino com a lanterna atrás de armadeiras. Sinal verde! Na sequencia foi a Vevê e eu, logo depois. Carioca fechou a fila. Este trecho francamente não recomendo a pessoas mais gordinhas ou q tenham problemas com exíguos espaços. Primeiro tivemos q nos contorcer e rastejar um pouco, feito serpentes, até dar num setor onde ao menos havia maior liberdade de movimentos. Ainda assim havia q prosseguir agachado ou sentado, de onde saímos bem imundos. E claro, uma parede mais baixa nos lembra q estamos usando capacete.
Após este trecho estreito emergimos num corredorzão rochoso q dava continuidade á grota, num patamar inferior, onde era possível ficar novamente em pé! Uffa! A partir daqui o avanço foi mais rápido, embora isso seja algo relativo em cavernas. O breu so não era total e a iluminação escassa se restringia aos poucos raios q penetram, no alto, por aberturas nas rochas superiores. O gotejamento constante a nossa direita acaba revelando um mirrado córrego subterrâneo q acompanha a direção da abertura principal, espremido ente o chão e o teto da mesma.

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Mas como alegria de pobre dura pouco, não demorou pras armadeiras começarem a dar o ar da graça nas paredes novamente, camufladas pelo tom acizentado-escuro do granito. E a medida q teimávamos avançar sua qtidade parecia elevar-se exponencialmente. Até ali apenas desviávamos delas numa boa, mas qdo começaram a obstruir nosso avanço é q o bicho pegou. E não eram armadeiras pequenas, eram umas do tamanho de nossa mão aberta. “Putz, essas enormes devem ter gde qtidade de veneno!”, alertou Carioca. É, nossa exploração chegara apenas até ali. Tuca ate arriscou ir um pouco além, apenas constatando q mais a frente o corredor rochoso tinha continuidade, mas estava infestado das bichinhas. É, sem a devida proteção sem chance de prosseguir caverna adentro.
Retornamos então pelo mesmo lugar, mas saindo por outra fresta na rocha a meio-caminho, emergindo um patamar acima, próximo da mata. Um corredor ascendente entre as pedras remanescentes já revelava o caminho pra sair daquele mundo de rocha, gretas e abismos. É verdade, estavamos possuídos por um sentimento q misturava frustração por terminar ali, mas misturado ao de satisfação de ter adentrado seguramente onde ninguém decerto já esteve. Num piscar de olhos nos vimos rasgando mato no peito, contornando o morro em meio á afiadas bromélias, inicialmente subindo até a cumieira pra depois tender perder altitude num trecho de encosta conhecido.

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Enfim, por volta das 13:30hrs estavamos novamente as margens da “clarabóia” principal, onde deixamos td nosso material despreocupadamente. Após um delicioso lanche arrumamos as coisas e retornamos pelo mesmo caminho feito naquela manhã. Desnecessario mencionar q a volta é sempre mais rápida q a ida e assim um pouco depois das 14:20hrs já estavamos nas dependências do “Sitio Serra Verde”, onde o Seu Raimundo nos recebeu como se fossemos seus filhos, em meio a robustos marrecos circulando pelo fofo gramado. Simpático e falador como ninguém, este senhor nos mostrou quase td o sitio, orgulhoso: desde os 60 tipos de grama disponível ao gado q ali pastava despreocupadamente; uma curiosa toca de pacas ao lado do casarão principal; uma cachu (artificial), ideal pra banho em dias quentes; e as demais dependencias do resto da fazenda, onde o abastado dono recebe seus amigos, com direito á ofurô particular. Não bastasse isso, nos mostrou o Chicão, uma cobra-do-milho de estimação e um loro q canta o hino nacional! Sem mencionar nas valiosas dicas de outros picos próximos, em especial uma tal de Pedra Branca, algo q despertou meu interesse. E pra coroar nossa breve passagem pela fazenda o Raimundo nos ofereceu não somente degustação de uma deliciosa pinga de Cambuci, q eu e a Vevê mandamos ver, como presenteou td mundo com garrafões entupidos de leite fresquinho, tirado das vaquinhas naquela manhã! “É pra q alguem o aproveite, senão estraga se permanecer aqui guardado!”, diz ele.

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Meia hora depois pegamos o carro, dando adeus aos nossos gentis anfitriões, pra então tomar o asfalto da Mogi-Bertioga rumo Suzano. Uma vez la ainda paramos no centrão pra beliscar e bebericar mais alguma coisa. Nos despedimos então do Carioca e, em Guaianazes, do Tuca. O resto da volta foi ate mais rápido q o previsto, onde felizmente chegamos à Terra da Garoa ainda cedo, com tempo suficiente de aproveitar o resto daquele produtivo e emocionante dia de explorações “cavernosas”. Voltar a Beltenebros outra vez? Sem duvida, mas agora com a devida proteção e segurança, ou fora da época de acasalamento das aranhas-armadeiras, claro!

Diferente das famosas cavernas de calcário do Petar, o Conjunto granítico de Beltenebros realmente pode parecer modesto e acanhado. Mas não menos interessante. Mesmo consistindo basicamente numa intrincada rede de fendas, grotas, corredores e abismos, resultantes de um desmoronamento de rochas gigantescas duma época incomensurável, o local não deve em nada em aventura a suas ilustres parentes do Vale do Alto Ribeira. A emoção de entrar neste admirável e silencioso mundo de trevas é a mesma: uma experiência q une mistério, fantasia, ansiedade e até medo, e são parte dos desafios a serem vencidos; tal qual os obstáculos físicos q surgem na frente, q por sua vez são superados mediante muita escalaminhada ou rastejando feito calango. Mas isso td no final certamente nos gratifica por revelar uma surpresa atrás da outra. Surpresas estas q tem um gostinho especial qdo as cavernas em questão são totalmente primitivas, inóspitas e desconhecidas.

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