LA PAZ - TITICACA - CUSCO - MACHU PICCHU
Bolívia e Peru, de 18 de setembro a 7 de outubro de 200823 de setembro, 3ª feira
COPACABANA E ISLA DEL SOLConforme combinado, às 8:00, depois do já conhecido desayuno, embarcamos no bus da Combi Tours que nos levaria até Copacabana, uma cidadezinha à beira do lago Titicaca que, reza a lenda, é parada obrigatória numa viagem por essas bandas.
No ônibus encontramos novamente, e por acaso, nosso amigo inglês, o Phillip. Nesse ônibus estavam umas 30 personas, umas indo a Copacabana pra voltar no mesmo dia, outras pra ficar por lá, outras pra dormir na Isla del Sol e ainda outras que passariam por lá sem parar, a caminho do Peru. Assim, conhecemos uns hermanos que depois voltaríamos a ver muitas vezes pelo caminho.
Para ir de La Paz a Copacabana, é preciso sair por El Alto. A estrada que leva a Copa não é a mesma que vai a Tiwanaku. Pra ir a Copa se passa ainda mais perto da Cordillera, então, de novo, sente do lado direito do bus. A primeira vista que se tem do lago sagrado já impressiona. O visual é muito tesão. E a composição que se forma, parecida com a do caminho a Tiwanaku (campos áridos com as montanhas nevadas ao fundo), mas agora incrementada com o Titicaca aos pés da cordilheira, é show de bola. O foda é que por causa do sol as montanhas não aparecem muito bem nas fotos. Mas não dá nada!! Mesmo assim é show!!
Lá pelas tantas da manhã se chega ao Estrecho de Tiquina, onde a galera desce do bus pra atravessar uma parte do lago. 1,50 BOL$ pra atravessar o estreito. O bus vai com as malas numa balsa e a galera em barquinhos. A água do lago é muito limpa nessa região, chega a ser transparente e me fez recordar da água da Ilha Grande e de Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro.
O que mais chama a atenção, ao atravessar o estreito, é o prédio da marinha boliviana que fica do outro lado do lago. E chama a atenção porque a Armada Boliviana não cuida do mar, já que o país não tem saída marítima. Já teve, mas hoje a Armada só serve mesmo pra proteção do território em caso de invasão externa pelo lago Titicaca. É uma verdadeira marinha órfã, marinha sem mar.
La Armada Boliviana
Depois de mais um trecho de estrada, às 12:00 chegamos em Copa. O ônibus larga a galera a algumas quadras do “centro” da cidade. Não sei por que motivo, mas acho que é por causa das ruas muito estreitas. Enfim, descemos, pegamos as mochilas e fomos andando até a loja da Combi pra acertar a saída pra Puno no dia seguinte. Fizemos isso e já fomos para o Las Kantutas, nossa primeira opção de hospedagem na cidade, indicação de alguém aqui no site.
Acertamos o preço com o mal-humorado recepcionista, 50 BOL$ por pessoa, largamos nossas coisas no quarto e saímos pra almoçar e em seguida embarcar rumo a Isla del Sol.
Por indicação do chato da recepção, acabamos almoçando no Puerta del Sol, um restaurante que não chama atenção na rua principal da cidade. A primeira truta da viagem, acompanhada de arroz e batata cozida com um molho meio agridoce, foi o melhor almoço de todos até então. Com duas Paceñas, desta vez geladas, o almoço saiu a 37,50 BOL$ per capita.
Em cima da hora, corremos até o lago pra pegar o barco que nos levaria até a Isla del Sol. Pagamos o preço – 15 BOL$ - e saímos em direção à famosa ilha onde “nasceu”, das águas do lago sagrado, Manco Kapac, o primeiro inca.
Puta viagem demorada!! Dá até pra dormir no caminho. Na verdade o tempo que você fica na ilha, se for voltar pra Copa no mesmo dia, é muito menor do que o tempo que você fica no barco.
Chegando lá, o guia informa que teremos uma hora na ilha, e que o que se tem de interessante pra fazer, pra quem só tem uma hora ali, é subir a escadaria inca que, pelo que entendi, é o início da trilha que leva à parte oposta da ilha. Ao desembarcar são cobrados 5 BOL$, afinal se está adentrando em um sítio arqueológico. Não pagamos porque a desorganização é tão grande que só ficamos sabendo que tinha que pagar quando já estávamos de volta no barco.
Com pouco tempo, fomos direto subir a escalera. Ao longo da escalera, inúmeras nativas, quase todas cholas, trabalham ao ar livre em seus tecidos enquanto suas filhas vendem fotos ao lado de lhamas para os turistas. Na subida uma menininha nos ofereceu “una fotito con la llamita”. Apesar de toda a graça da pequena, não conseguiu nos convencer.
Lá em cima não vimos nada de ruínas, mas a subida vale a pena pelo que se vê não lá em cima, mas lá de cima: a melhor vista que tivemos do Titicaca!! E as montanhas nevadas lá, compondo o visú!!

O visú na Isla del Sol
Na descida não resisti ao pedido da guriazinha. Pechinchamos e conseguimos duas fotos com la llamita, la cholita e sua irmãzinha de nariz ranhento por 2,40 BOL$, tudo que tínhamos em moeda. Valeu a pena!! Grande lembrança, não pela foto, mas pela simpatia e lindeza da pequena cholita.

Una fotito con la llamita
Chegando lá em baixo, só deu tempo de ir ao banheiro (1 BOL$) e já tivemos que embarcar pra voltar a Copa. Mas ainda passamos em outra parte da ilha pra ver umas ruínas onde parece que morou o velho Manco. Nada que impressionasse, e como pra entrar aí tinha que mostrar o ticket de entrada na ilha, o qual não tínhamos, tivemos que desembolsar os 5 BOL$ da entrada. Mais umas fotos e enfim estávamos a caminho de Copacabana, onde eu esperava dar uma boa dormida até o início da noite. Mais uma atração programada da viagem que decepcionou: nota 5 unânime pra Isla del Sol!!
Eu tava podre de cansado, então já dormi um pouco no barco. Quando chegamos, ainda passamos na igreja, pra conhecer. Da igreja fui direto pro hotel, caí na cama e só levantei lá pelas 20:30. Tomei um banhão e saímos jantar e dar um rolê pela princesinha do lago.
Já um pouco tarde para os padrões da cidade, custamos a encontrar restaurantes abertos. Mas achamos um muito bom, o Bambu, onde comemos pejerrey e dividimos uma Coca de 1 litro, tudo a 33 BOL$ por cabeça.
Na volta resolvemos parar num bareco de nome estranho (algo como Akwaaba) onde tínhamos visto que iria rolar alguma coisa. Entramos e havia umas 15 pessoas assistindo um showzinho ao vivo de música de cabaré, com duas mulheres a caráter se revezando no microfone. Pelo que percebi, tratava-se de tango, porque o público sul americano presente no local, especialmente los hermanos, entoava junto muitas das canções. Chegamos tarde!! Depois de duas músicas o show acabou e as meninas passaram uma latinha para contribuições. Ficamos ali no balcão por mais um tempo, tomando uma Paceña, e conversamos com as cantoras, que eram duas argentinas que estavam iniciando uma viagem que duraria um bom tempo, saindo da Argentina e chegando ao México. Faziam o show por onde passavam pra conseguir grana pra continuar a trip.
Terminamos a cerveja e fomos embora dormir. O Desembarga tava a fim de acordar cedo pra visitar um calvário que existe em cima de um morro. Falei que ia ficar dormindo, dei boa sorte pra ele e dormi um dos melhores sonos de toda a viagem.