LA PAZ - TITICACA - CUSCO - MACHU PICCHU
Bolívia e Peru, de 18 de setembro a 7 de outubro de 2008TRILHA ALTERNATIVA PARA MACHU PICCHU1ª PARTE - A IDABom, conforme prometido, aqui vai um roteiro bem básico pra quem quer chegar a Machu Picchu de maneira rápida e barata.
Trata-se de uma trilha diferente. Apesar de não ter feito a trilha inca original, aquela cara e concorrida, não acredito que esta que fiz substitua aquela. Só fiz esta trilha alternativa por um motivo: economia!! Economia de tempo e principalmente de dinheiro. Se o viajante tiver tempo e dinheiro, que faça a trilha inca original, que deve ser show de bola. Se não tiver nem tempo nem dinheiro, esta que fiz é uma boa opção.
ATENÇÃO: Se vc quer fazer a trilha sem conhecer detalhes, a partir daqui leia somente o que está em
vermelho no texto!!
Como eu acho que o legal é ir sem saber muita coisa, pra ter surpresas, entendo que cabe a cada um pegar o que está postado aqui e fazer seu próprio roteiro, deixando somente o que considerar necessário e suficiente pra ter uma experiência legal e sem riscos demais. Pra facilitar essa tarefa, coloquei em vermelho os trechos que podem ajudar a montar um roteiro minimalista (um mero itinerário, sem dicas ou qualquer informação que possa estragar surpresas). Foi com um roteiro assim que eu fui, e acho que é legal porque vc tem que se virar pra descobrir como fazer as coisas (como achar o rio, por exemplo).
Antes do roteiro, cabe apontar algumas peculiaridades que podem fazer com que vc se anime ou não a seguir esse caminho:
1 – não há qualquer ruína inca no caminho... o máximo que dá pra se ver – e isso se a pessoa tiver conhecimento prévio – é onde fica Machu Picchu, lá em cima das montanhas (dá até pra ver as pessoas olhando pra baixo lá de cima!!), e se tiver um nativo junto, talvez dê pra ver alguma passagem da trilha inca, a famosa e cara (mas não tenho certeza disso, pois acho que a trilha inca fica do outro lado das montanhas);
2 – vê-se muito verde, cachoeiras, montanhas (inclusive o pico nevado do Salcantay), alguns animais (talvez até uns grandinhos, se der sorte), e natureza abundante, pois se estará caminhando por uma trilha no meio da mata e das montanhas;
3 - não se vê muitos mochileiros (na ida só encontramos uma menina argentina e um casal de não lembro onde voltando);
4 - pelo caminho se encontram alguns nativos ribeirinhos;
5 - esporadicamente, durante a primeira parte do trajeto, um ou outro carro passa por vc (não é perigoso quanto a isso, basta estar minimamente atento);
6 – gasta-se muito pouco dinheiro;
7 – caminha-se pacaraio;
8 – parece que esse roteiro está resumido no guia Lonely Planet;
9 – o roteiro que usei como base para fazer o meu foi retirado deste site:
http://thanksforthefish.net/machu-picchu-alternative-route/. Lá existe um roteiro básico em inglês. O roteiro abaixo postado é mais completo e contém mais informações úteis. Facilita um pouco a vida do mochileiro. Mais pra frente, quando chegar a hora, postarei a minha experiência com ainda mais detalhes no relato.
Bom, então vamo lá:
Vc vai precisar de 3 dias inteiros pra ir e voltar, já incluído um dia inteirinho em Machu Picchu. O primeiro dia pra ir, o segundo pra Machu Picchu, e o terceiro pra voltar. Sai de Cusco lá pelas 21:00 de um dia e chega em Cusco lá pelas 20:00 três dias depois. Eu, por exemplo, saí de Cusco às 21:25 do dia 28/09 (domingo) e cheguei de volta lá pelas 19:00 do dia 01/10 (4ª feira).
Veja o que é melhor pra vc, programe seu tempo e faça o seguinte:
Preparativos-
No dia anterior ao da partida, vá até o terminal de bus Santiago e compre passagem pra Santa Maria (o destino final é Quillabamba). Há algumas opções de empresa. Eu fui com a Turismo Ampay, por 25,00 soles peruanos (daqui em diante SOL$). Ao comprar a passagem, certifique-se que o teu ônibus irá parar em Santa Maria.
Compre a passagem pro ônibus das 21:00 do próximo dia.- Pegue sua mochila e coloque somente o básico dentro dela. Não deixe ela muito pesada, porque a caminhada será longa e árdua, com grande parte do trajeto levando sol no lombo. Se possível, leve tua menor mochila, de preferência uma daquelas de ataque. Deixe o resto da bagagem no seu hostal em Cusco (geralmente há um depósito de bagagens - gratuito - nos hostals).
- Não se esqueça dos seguintes itens, quase todos fundamentais: papel higiênico, repelente, calça, camiseta de manga comprida, bota, boné, sunga ou calção de banho, toalha, passaporte, grana (e moedinhas

), lanterna, muita água, comida (bananas, sanduíches, chocolates e barrinhas de cereais podem ser boas opções), além de umas duas camisetas. Obviamente que levar escova de dentes e desodorante é uma ótima idéia!!
- Não precisa levar blusa muito quente porque faz calor em todo o trajeto. Um anorak resolve eventuais problemas de frio e ainda é útil em caso de chuva.
- Pra levar a água, compre em Cusco ou ainda em La Paz um carregador de garrafa de 2 litros. Com ele vc leva a garrafa de água, pendurada no ombro ou pescoço, ao lado do seu corpo o tempo todo. Não é muito confortável, mas é bem prático e deixa as mãos livres.
1. De Cusco a Santa Maria (“velho oeste 1”)-
Ao embarcar, ajuste o seu alarme pra 1:50 da madruga, pra acordar e lembrar o motora de parar quando chegar em Santa Maria, entre 2:00 e 3:00. Fique bem esperto quanto a isso. Não perca a parada. Vale a pena sentar bem na frente do bus e acordar um pouco antes pra ver o caminho. Sinistro!! Um verdadeiro rally de ônibus no meio da selva.
2. De Santa Maria até Santa Teresa ("velho oeste 2")-
Chegando a Santa Maria, que é um vilarejozinho, lá pelas 3:00 da madruga, aguarde a chegada de uma van que leva até Santa Teresa. Provavelmente já vai ter um pessoal (nativos) esperando.
Se a van já estiver lá, vá negociar o preço. Conseguimos por SOL$ 10,00 por pessoa.
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A van só sai quando estiver cheia, lá pelas 4:00, e leva galinha, cachorro, gente, mudança e tudo o que couber dentro. Sente na frente, ao lado do motorista, pra mais uma aventura pela madrugada escura. Bem mais sinistro do que o busão!!
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Chegando a Santa Teresa (outro vilarejo, este beeeem “velho oeste”), ao clarear do dia, existem vários carros que levam até a hidroelétrica, de onde sai o trem que leva a Aguas Calientes. Aqui
vc tem duas opções: a mais fácil, que é pagar o preço e ir de carro, e a total roots, que é descobrir onde fica o rio, caminhar pelo “velho oeste” até lá (10 minutinhos), atravessá-lo e seguir caminhando até a hidroelétrica. Ao perguntar sobre o rio, os caras vão fazer de tudo pra que vc desista da caminhada e pegue um carro. Se estiver a fim de ir caminhando, insista ou pergunte a outra pessoa.
- Em Santa Teresa há águas termais. É possível se hospedar na região e aproveitar estas águas. Pra fazer isso, tem que se fazer algumas adaptações no roteiro. Não tenho como dar mais detalhes sobre isso porque não fiquei por lá.
3. Atravessando o rio- Se escolher a segunda opção (total roots), coma alguma coisa (há um mercado público onde é possível conseguir algo além do que vc tem na mochila), abasteça-se de água (muita água), coloque uma calça e camisa de manga comprida (por causa dos mosquitos) e se mande.
- Atravessando o velho oeste, chega-se a um barranco, e lá embaixo se vê o rio.
Desça até o rio, e então há mais duas opções: a racional, que é
atravessar a ponte, sólida e segura, e a irracional, que é atravessar o rio usando uma cañastita, uma espécie de tirolesa que te leva numa cesta (cañasta) de um lado ao outro do rio. Aqui cabe um conselho: se quiser certeza de chegar ao outro lado do rio vivo, vá pela ponte. Basta dizer que bem abaixo do barranco onde está a origem do cabo de aço da cañastita há algumas cruzes bem sugestivas. Inclusive, se vc perguntar aos locais sobre a cañastita, eles vão te dizer que ela não existe mais. E os que admitem a existência, desaconselham o uso, dizendo que uns dias antes alguém morreu tentando usá-la. Na verdade a cañastita existe (fica uns 20 metros à direita da ponte), mas ao avistá-la já se vê que não é uma boa opção, e sim uma loucura. Detalhe: a cañastita passa a uns 15 ou 20 metros acima do leito do rio, que é uma corredeira rasa cheia de pedras. Além disso, o vão que se atravessa por ela é de uns 40 metros, ou seja, não é curto, mas bem longo se considerar a situação. Boa sorte se resolver encarar!! Ah, e se resolver encarar, pague algum local pra te assessorar no manuseio do sistema de travessia, que é cheio de cordas, e já deixe as instruções para o caso de acidente. Vale conhecer a cañastita e puxar ela (ela fica “estacionada” no meio do cabo de aço) pra tirar uma foto. Foi o que eu fiz.
4. Do outro lado do rio até a estação de trem na hidroelétrica (1º tempo da caminhada)-
Chegando ao outro lado do rio, peque a sua direita e siga a estrada de chão batido que vai margeando o rio o tempo todo.- Logo no início da caminhada (lá pelos 30 do 1º tempo) é possível ver, de diferentes ângulos, ao longe e imponente, o pico nevado do Salcantay, o que rende ótimas fotos.
- Bem mais pra frente, há uma cachoeira não muito alta, mas bem power, que vc escuta mas não consegue ver. Ela fica escondida, e sai do meio da montanha (talvez tenha sido aberta artificialmente). Fique com os ouvidos atentos, e quando vc ouvir o barulho forte de água caindo, saia da estrada e caminhe em direção ao rio até encontrá-la. Vale a pena tentar ver, porque vc fica muito perto dela. É bem seguro chegar onde dá pra vê-la, mas não abuse, porque cair ali é morte certa.
- Se prestar atenção vc verá outras cañastitas sobre o rio ao longo do trajeto até a hidroelétrica. Os caras são muito lóki!!
- Depois de umas 2 horas (caminhando num ritmo moderado, mais pra rápido do que devagar), vc chegará a outra ponte, onde há um casebre de controle de acesso à área de propriedade da hidroelétrica. Bom lugar pra parar, dar uma descansada, bater um papo com o carinha que cuida do lugar e assinar o livro de entrada (o que não é obrigatório, mas já que ta lá e pode assinar...).
- Só não pense que já chegou. Depois de atravessar a ponte, ainda há um bom trecho de caminhada até a estação do trem. Continue andando e logo (mais uma meia hora) chegará lá.
5. Da estação de trem na hidroelétrica até Aguas Calientes (2º tempo da caminhada)-
Quando vc finalmente chegar à estação de trem, dê um tempo, coma mais alguma coisa (há várias barracas de venda de comida e água), reabasteça-se de água e se prepare psicologicamente pra mais umas duas horas e meia de caminhada até Aguas Calientes.
- Quando decidir partir, vá pelos trilhos (esta parte dos trilhos, que tem uns 300 metros, é só uma área de manobras) até a boca de uma trilha no meio do mato, suba o barranco e lá em cima
procure o início dos trilhos do trem que vc vai ter que seguir até Aguas Calientes. A dica aqui é caminhar pelas laterais dos trilhos, onde houver terra ou grama, ou então, caso haja pedras, ir pelas tábuas que formam a base dos trilhos (o que não é tão confortável por conta do espaçamento irregular entre elas). Aqui vc vai ver como valeu a pena ter comprado aquela bota de hiking/trekking que custou o olho da cara.
- No caminho vc deparará com uma ponte de ferro sinistra. A ponte é para passagem do trem, mas nela há uma passarela, igualmente sinistra, ao lado dos trilhos. Estufe o peito, tome coragem e encare a travessia. A partir desta ponte, se vc olhar pra sua direita, lááááá em cima, talvez consiga enxergar, bem pequenininhas, algumas pessoas olhando pra baixo. Essas pessoas estão em Machu Picchu. Só descobri isso quando estava em Machu Picchu e olhei pra baixo e vi a ponte, por isso estou dando o toque antes.
- Depois da ponte, os trilhos seguem bem próximos ao leito do rio, e há vários pontos em que dá pra tomar um banho de rio. A esta hora da manhã vc já estará cansadão de caminhar, o sol estará pegando pesado no seu lombo (use o boné!), e um banho de rio será nada mais nada menos que tudo que vc poderia desejar no momento. Se eu soubesse disso antes de ir, com certeza teria levado uma sunga e uma toalha. Vc, que já sabe, aproveite!!
- Quando estiver mais perto de Aguas Calientes, o trem começará a passar por vc vez por outra. Foi aí que meu amigo Ferdinand teve uma idéia irresponsável e fantástica (segundo ele, o pai dele fazia isso quando criança, hehehe). É o seguinte... pegue uma moedinha (ou quantas vc quiser, mas uma de cada vez - o trem passa várias vezes) de SOL$ ou de BOL$, de baixo valor, e coloque no trilho do trem um pouco antes de ele passar. Guarde bem o lugar onde ela está. Depois de torcer para o trem não descarrilhar

e assim que ele passar, procure a moedinha no chão. Ela vai estar bem próxima de onde vc a deixou, e estará achatada, deformada, desfigurada e quente. Além das boas risadas que vc dará, terá ainda um souvenir show de bola. Eu fiquei com um exemplar de cada (BOL$ e SOL$).

- Quase chegando (alguns quilômetros ainda distante) a Aguas Calientes, há uma propriedade privada onde existem algumas cachoeiras que dizem ser bem legais. Por aqui já dá pra encontrar um povo que vem caminhando desde Aguas Calientes pra visitar essas cachoeiras. Eu não fui porque não sabia que existia. E na volta não deu tempo.
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Finalmente, depois de um tempo que vai parecer interminável, vc avistará, ao longe, Aguas Calientes.6. Em Aguas Calientes-
Chegando em Aguas Calientes, lá pelas 11:30 da manhã ou meio-dia, tome uma Cuzqueña gelada (vc merece!!) e depois procure hospedagem.
- Dê uma descansada e
vá até o escritório que tem na Plaza de Armas comprar o ingresso pra subir até Machu Picchu no dia seguinte. O ingresso custa SOL$ 122,00. Estudante paga menos, acho que metade. Aproveite a oportunidade e pegue um guia impresso.
- Se ainda tiver pique, dá pra subir a montanha Putucusi, de onde, dizem, tem-se uma vista livre de Machu Picchu. Eu não encarei essa, porque tava podre depois de 5 horas caminhando.
- Dê um rolê pela cidade, coma bem, compre uns lanches pra levar pra Machu Picchu, descanse e
vá dormir meio cedo porque no outro dia vc terá que acordar cedo pra subir a Machu Picchu.- Em Aguas há umas águas termais onde dá pra dar uma boa relaxada (pagando, claro!). Nós deixamos pra aproveitá-las depois que voltássemos de Machu Picchu, mas acabamos não indo. Fica aqui a dica!
Continua no próximo post...