Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#638955 por Kássio Massa
04 Out 2011, 03:07
Trip realizada no dia 01 de Outubro de 2011
Por: Gabriel Medina, Jefferson Zanandrea, Kássio Massa e Renata Cristina


Galeria completa de fotos da trip: http://t.co/VB9hIcaG

Passado o quase rigoroso inverno paulista, nada melhor que relaxar em meio a um paraíso escondido na Serra!

Após um labirinto de torres elétricas, em pleno planalto pré-desnível serrano, uma cadeia de encantadores poços cristalinos no Rio da Solvey fazem deste lugar, um paraíso ainda não descoberto, e que, em conjunto com outros rios, resulta no caminho conhecido como "Vale da Morte"!

O convidativo bate-volta, em função das excelentes e excepcionais condições climáticas do dia, foi decidido, via Messenger, em plenas 23h desta Sexta-feira - dia que marcou o fim do mês de Setembro -, entre nós - eu e o Gabriel - e nossos recém conhecidos colegas do fórum de viagens mochileiros.com - Jefferson e Renata. A princípio, estávamos a fim de dar uns mergulhos nas gélidas águas da Pedreira Salto de Pirapora, em Sorocaba, mas em virtude da proximidade da data da trip - ainda digo data O.o - decidimos por algo um pouco mais próximo e diferenciado, que também envolvesse água. E assim, optamos em ir à trilha da Cachoeira da Fumaça, que tem início em Rio Grande da Serra, e que, em conjunto com outros 2 rios, formam o conhecido e temido Vale da Morte, na divisa de Paranapiacaba com o município de Cubatão, na Baixada Santista.

Uma trip ligeiramente rápida, mas sem um bom planejamento devido à velocidade com a qual foi marcada nos obrigou a levantarmos cedo de nossas camas e partirmos sem contratempos, a fim de que eventuais surpresas não nos prejudicassem quanto ao nosso tempo, pois não estávamos em condições de pernoitar por lá.

O Gabriel, incrivelmente, conseguiu ser pontual, me encontrando exatamente às 8h20, no ponto de ônibus, de onde tomamos o veículo que rumava à Estação Santana, do Metrô. Neste local, ficamos a esperar a Reh, que por sinal, havia varado a noite, assim como todos nós, mas acabou adormecendo mais intensamente, perdendo a hora do encontro. O resultado foi quase 1h de atraso. Formado o trio, em Santana, embarcamos na jornada subterrânea rumo a Estação Tamanduateí, onde o Jeff, ansiosamente, nos aguardava, já na plataforma da Linha 10-Turquesa(Luz-Rio Grande da Serra). Por sorte, chegamos à plataforma e um trem acabava de alinhar-se a ela. Não pensamos e logo embarcamos neste, que não demorou a nos deixar na tranquila Rio Grande da Serra. Uma viagem de trem perfeita para que nos conhecêssemos melhor - pessoalmente - e colocássemos nossos planos de trips em dia!

O ônibus intermunicipal, da EMTU, tímido como sempre, resolveu dar as caras, só às 11h50. Talvez, por já estar um pouco tarde, já não havia tanta muvuca e farofada naquela frente de bar e ponto de ônibus que, por vezes, é palco de quilométricas filas de turistas dispostos a conhecer a histórica vila inglesa, já citada e visitada por nós, em outras aventuras mata afora. Após esperarmos cerca de 20min, foi-nos liberado o embarque no coletivo, que partiu, pontualmente, às 12h15.

Não tivemos muito tempo para farras dentro do veículo, uma vez que o início da estradinha que nos levaria até o começo da trilha ficava a apenas 5min da estação ferroviária, algo em torno de 6km dalí. Assim que adentramos a SP-122, que liga R.G. da Serra a Paranapiacaba, já acionamos o sinal de parada, e quando nos demos conta, já estávamos frente à bucólica estrada das antenas, nos bastando seguí-la até o início da picada. Logo no início da estrada, havia uma pequena guarita, onde um senhor, gentilmente, nos orientou a respeito do caminho que nos esperava. O agradecemos e iniciamos a caminhada, com trajeto aparentemente símples, mas que, posteriormente, se mostrou bastante confuso. Devido à nossa pressa no dia anterior, acabamos não elaborando o tão companheiro mapinha de bolso, o que adicionou quase 2h à nossa empreitada, uma vez que, sem notar, acabamos ignorando a picada que deveríamos tomar, à direita, seguindo a estrada principal por mais ou menos 1km adiante. Conforme avançávamos, o caminho ia, gradativamente, se transformando em um verdadeiro esgoto a céu aberto, com lamaçais fétidos à carniça ou algo parecido, o que nos fez, em algum instante, retornar e arriscar as picadas que ignoramos no meio do caminho.

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Por sorte, encontramos um grupo que seguia para algum lugar dali, e não perdemos a chance de nos informar sobre o tal trajeto até a Cachu da Fumaça. Nos alertaram sobre as dificuldades em se chegar até o local, afirmando ainda, que já haviam tentado noutrora, porém, haviam se perdido. Em contrapartida, nos indicaram uma outra "cachoeira" aonde estavam se dirigindo, neste dia. Após breve reunião, decidimos topar a pernada junto ao grupo, que adentrou justamente a última picada que havíamos ignorado.

De início, o caminho aparentava ser o que nos conduziria à cachu da Fumaça, porém, este resultaria em um outro rio: o Rio da Solvey! Consegui reconhecer este caminho devido a um vídeo que havia visto no YouTube sobre o mesmo, que mostrava a travessia de um riacho, sobre dois troncos posicionados paralelamente, sobre um largo cano de concreto, pelo qual corria o singelo córrego. "Legal, isso bate perfeitamente com as fotos e vídeos que havia visto a respeito da trilha!".

Mais adiante, atingimos o Rio da Solvey, dono de inúmeros piscinões naturais disponíveis ao longo de seu curso. O trecho pelo qual percorremos sobre este rio era raso, sendo que a água não passava de nossos tornozelos. Bastava um pouco de atenção quanto às pedras soltas do leito do rio, para que evitássemos possíveis escorregões. Após 20min de caminhada pelo leito do rio, atingimos a primeira piscina, cujo nome "Lago de Cristal" se faz muito atraente! Alí, notamos um forte movimento de pessoas. Havia, inclusive, um acampamento na clareira às margens do lago. Faziam parte de outra trupe, 3 ciclistas - sim, estavam com suas bikes - com os quais o Jeff logo puxou conversa!

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O lago realmente faz jus ao seu nome. Com aproximadamente 3m de profundidade, era possível observar, nítidamente, seu fundo rochoso. Suas águas extremamente transparentes e límpidas eram uma verdadeira tentação a um delicioso - será? - mergulho para refrescar nossas almas! Quando demos conta, lá estava o Jeff, prestes a dar seu pulo de estreia, a partir de uma das "plataformas de salto" do lago. Com uma leve pressão por parte da plateia, ele se deu a saltar!

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A Reh também não tardou a banhar-se. Entrou sem muitas enrolações, em um rápido mergulho, enquanto eu, ainda me mostrava um pouco receoso com a baixíssima temperatura da água. Decidi, por vez, dar meu mergulho - afinal, vim mesmo para isto! Enfim, consegui meus 3 minutos de sofrível glória! Em seguida, o Gabriel, apesar de estar com uma inflexível calça jeans, resolveu, também, sentir na pele o refrescante prazer serrano, adentrando as águas de cristal, nem que fosse para permanecer na porção mais rasa, uma vez que não fora instruído a nadar.

Aproveitamos o lugar até as 15h30, quando decidimos que já poderiamos voltar, pois ainda tínhamos cerca de 1h20 de caminhada até o ponto de ônibus, e o nevoeiro típico da serra, havia se intensificado drasticamente, fazendo sumir aquele prometido calor de 34ºC, verificado na previsão do tempo.

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Todo o pessoal, com excessão dos que estavam acampando, decidiu rumar de volta à estrada, naquele tempo. Então, partimos em meio a rio, pedras, terra e antenas - com direito a ver os únicos carros do dia transitarem por aquele caminho -, até, finalmente, atingirmos o retão que nos daria acesso à rodovia, onde se localizava o ponto de ônibus. Um detalhe importante para qualquer caminhante é que em trechos de rios, principalmente quando se deve margeá-los, deve-se prestar atenção aos obstáculos da mata - foi numa dessas que, por eu usar óculos, um tronco atravessado não me cegou do olho esquerdo!

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Foi aqui que paramos para trocar contatos e tirar uma última foto, com toda a galera! Enfim, os selvagens ciclistas se foram para o horizonte, fazendo sobrar apenas nossa trupe e o "segundo Gabriel"(de camiseta azul) da trupe. - um detalhe para o que este carinha sagaz faz com meras pelotas de barro: verdadeiras obras de arte!

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Nós cinco, rumamos em direção à Estação de R.G. da Serra, onde pegamos o trem para São Paulo. Todos descemos na Estação Tamanduateí, onde transferimos para a Linha 2-Verde. A partir daí, o pessoal foi saindo a cada estação. Nos despedimos, enfim, da Reh, já na estação Santana, onde nossos ônibus nos esperavam!

Enfim, após um incrível bate-volta, que nos rendeu várias novas amizades, não havia nada melhor que nossa tão saudosa e aconchegante HOME's, a nos esperar neste final de dia!!
Editado pela última vez por Kássio Massa em 17 Jan 2013, 06:51, em um total de 4 vezes.

#638969 por Jorge Soto
04 Out 2011, 08:46
Apenas algumas correcoes... o riacho q abastece o lago Cristal nao é o Rio da Onca e sim o Rio da Solvay, q pelo menos assim conheco faz anos.. e a cachu q tem logo adiante nao é a Fumaca, mas pelo q sei é outra q nem nome tem. Perpendiculamente a esse rio tem um afluente da qual despenca a Cachu Escondida, de facil acesso.
A trilha da Fumaca é outra e parte paralela a q vcs tomaram, uns 400m antes, do asfalto. O rio q despenca da Fumaca, por sua vez, chama-se Rio das Pedras.
O Vale da Morte comeca efetivamente apos a Garganta do Diabo (um impressionante canion rochoso), situadi um pouco depois da confluencia dos Rios Vermelho, da Solvay e das Pedras. A juncao destes tres rios, num fundo vale pedregoso chamado Portal, formam o Rio da Onca, q percorre td Vale da Morte ate desaguar no Rio Mogi, ja em Cubatao.
#639240 por Jefferson Zanandréa
04 Out 2011, 20:55
Helderzito escreveu:Bela Aventura Garoto...

Sabado eu estava de bobeira eim..poderia ter ido nessa ::prestessao::


Fala Helderzito, sussa brother?

Então, estaremos por lá novamente no domingão haha...
Eu sou aquele ali na foto do Massa que deu o salto no lago, irá um pessoal bacana, segue meu e-mail e face...
Se estiver a fim da um alohaaaa;

Face: Jefferson Zanandréa Filho

Msn: Jefferson.zanandrea@hotmail.com

E-mail: Jefferson.zanandrea@yahoo.com.br

Abraços.
#639343 por Helderzito
05 Out 2011, 08:42
Fala brother tranquilo e vc?

Então infelizmente nesse final de semana não estarei por aqui ::bad::

Mas estou agitando uma galera pra fazer alguma trilha em Paranapiacaba no feriado do dia 12, todos são meio que virgens de trilha...você tem alguma boa indicação para fazermos por lá? Queriamos alguma trilha com cachoeira e tal e que não precise de guia...



Jefferson Zanandréa escreveu:
Helderzito escreveu:Bela Aventura Garoto...

Sabado eu estava de bobeira eim..poderia ter ido nessa ::prestessao::


Fala Helderzito, sussa brother?

Então, estaremos por lá novamente no domingão haha...
Eu sou aquele ali na foto do Massa que deu o salto no lago, irá um pessoal bacana, segue meu e-mail e face...
Se estiver a fim da um alohaaaa;

Face: Jefferson Zanandréa Filho

Msn: Jefferson.zanandrea@hotmail.com

E-mail: Jefferson.zanandrea@yahoo.com.br

Abraços.
#640182 por Kássio Massa
07 Out 2011, 23:21
Fala pessoal, estive ausente nestes 4 ultimos dias, pois estava acompanhando uma viagem alternativa de formatura de ensino médio, no PETAR.

E aí, Jorge? Valeu pelas correções! Elas são de extrema valia para os leitores, e também para mim xD. Aquele pedaço ainda me confunde, de certa forma, mas ainda pretendo desbravar todaa redondeza, e os citados rios, atingindo assim, o Vale da Morte! Quem sabe algum dia destes neh? kkk

Enfim, terminei de corrigir as informações no relato. Obrigado novamente! xD
Abçs
#891058 por riquao
24 Out 2013, 10:56
Parabéns pelo relato Kássio, você escreve muito bem. Não parece que estava lendo um relato de mochileiro, mas um livro de narração.

Eu sou de Rio Grande da Serra e não conheço tão bem essa região, fiz algumas trilhas em Paranapiacaba mas nunca essa do relato, só deu pra perceber que de fato não é a trilha da Cachoeira da Fumaça, porque essa eu conheço. Nela você chega na cachoeira pela cabeceira e de lá de cima já é possível ver a Garganta do Diabo e o Vale da Morte.

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