Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#782046 por FRANCISCO CARDOSO
26 Nov 2012, 22:36
Olá amigos,
Sei que há um cem números de relatos sobre a Travessia Lapinha Tabuleiro, inclusive aqui no Fórum. Por que então publicar mais um?
Porque foi aqui no Mochileiros que a realização dessa Travessia começou a ser idealizada!
De antemão não tenho pretensões técnicas, nem sou bom nisso. É mesmo para constar um registro e para comprovar que é possível formar grupos coesos e interessantes por aqui!
Peço paciência e agradeço pela leitura!


Quando estava planejando minha ida ao Pico da Bandeira em maio-junho de 2012, ao procurar companhia aqui no Mochileiros (pico-da-bandeira-16-a-19-de-julho-2012-t70204.html), acabei conhecendo algumas pessoas, dentre estas o James Deam, residente em Belo Horizonte, que assim como eu é um aventureiro. Confesso que ele foi um grande incentivador para minha ida ao Bandeira. Entretanto, o James não foi comigo ao Bandeira por motivos pessoais, mas me confidenciou que pretendia fazer a Travessia Lapinha-Tabuleiro no feriado do Dia da Pátria. Convidou-me para a empreitada e eu animei, pois também tinha planos de realizá-la.

Decidido então que iríamos realizar a Travessia, passamos a fazer parte de um grupo em uma rede social e fomos conhecendo mais pessoas interessadas em fazê-la. Inclusive criamos um tópico aqui no Mochileiros (lapinha-x-tabuleiro-no-feriado-de-7-de-setembro-t71190.html). Fomos surpreendidos positivamente, acabando por fechar um grupo com 15 pessoas para a sua efetivação. O grupo era misto, tanto em idade, sexo e experiências em trilhas. Havia pessoas que já realizaram trekking em várias partes do Brasil e exterior, bem como outras cuja Travessia seria o seu batismo.

Éramos seis pessoas de Belo Horizonte (James e sua esposa Daniele, aventureiros natos, o casal mais disposto que já vi; Lucas e seu irmão Mateus, aventureiros, experientes e já conhecidos e amigos do James há mais de dez anos; Rodolfo de Paula, outro aventureiro, administrador, fotógrafo esmerado e de uma calma exemplar; além deste que escreve); três amigos de Brumadinho, cidade próxima à Belo Horizonte (Sol Matos, Déia Oliveira e seu esposo Luiz Medeiros – esse trio pratica trekking de competição, participando inclusive do Campeonato Minastrekking); um casal de São Paulo, Capital (Myunge Lee e sua esposa, experientes, conhecedores de meio mundo); um rapaz de Itaguaí, estado do Rio de Janeiro (Igor Pimentel, aventureiro, porém debutante em trilhas e travessias), uma garota de Colatina, estado do Espírito Santo, (Valéria Alberto, que pedala 30 km por dia, faça sol ou faça chuva; debutante também); um rapaz de Patos de Minas, Minas Gerais, (Thiago Silva, um apaixonado pela natureza, ciclista e legítimo “caça cachoeiras”); e uma garota de Contagem, (Raissa Santana, aventureira nata, também debutante em trilhas e travessias).


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O grupo próximo à Cachoeira do Tabuleiro


O período que precedeu a Travessia foi de intensa troca de mensagens via internet, visando deixar a todos bem informados a cerca dos planos e da Travessia.
Os planos basicamente consistiam em três dias de trekking, passando pela trilha mais trabalhosa da Travessia Lapinha-Tabuleiro, que é aquela que passa pelos Picos da Lapinha e do Breu. Em nenhum momento cogitamos realizar a travessia contornando o Pico do Breu.
No primeiro dia, sete de setembro, reuniríamos por volta de 7h00 da manhã na rodoviária de Belo Horizonte para conhecimento do grupo e de lá sairíamos logo depois, indo de ônibus para Santana do Riacho. De lá seguiríamos de táxi/van para a Lapinha, onde a previsão de chegada seria por volta de 11h00 da manhã. Imediatamente iniciaríamos a Travessia, passaríamos pelo Pico da Lapinha e terminaríamos nosso primeiro dia no Pico do Breu, acampando nas redondezas.
No segundo dia sairíamos das redondezas do Breu, passaríamos pela Prainha no rio Parauninha, casa da D. Ana Benta (para reconhecimento) e dirigiríamos para a casa da D. Maria, onde dependendo do horário da chegada, decidiríamos se armaríamos acampamento por lá ou mais próximo à Cachoeira do Tabuleiro. Nesse dia, pretendíamos visitar a parte alta da Cachoeira do Tabuleiro e após, retornar ao acampamento.
No terceiro e último dia, visitaríamos a parte baixa da Cachoeira do Tabuleiro, aproveitando ao máximo os seus belos poços naturais. No final do dia voltaríamos para Belo Horizonte, via Tabuleiro-Conceição do Mato Dentro.

Diante desse planejamento, a ordem para todos era levar comida suficiente para a Travessia, porque as informações obtidas eram de que a trilha estaria congestionada devido ao feriado, com muitas pessoas disputando a alimentação fornecida pelas D. Ana Benta e D. Maria. Além disso, diante de grupo numeroso, a atenção deveria ser redobrada, para se evitar acidentes ou divisões, fatos que ocorrem com freqüência em grupos maiores. Outra dificuldade que tivemos foi quanto à logística na região, pois apesar das tentativas, tornou-se impossível firmar com antecedência o transporte do pessoal de Santana do Riacho para Lapinha; bem como a volta de Tabuleiro para Conceição do Mato Dentro. Mantive contato com várias pessoas, inclusive com algumas que se dizem conhecedoras da região e que se colocam à disposição de interessados em grandes fóruns na internet para informações e dicas. Uma decepção, demonstrando total despreparo para o que se propõem! Desse modo, os fiadores de nossa travessia éramos nós mesmos, baseados na infra de cada um. Apesar dessas dificuldades, a Travessia foi mantida!

Assim, na manhã de sete de setembro, cheguei à rodoviária de BH um pouco depois de 7h00. Dei uma olhada pelo saguão que estava superlotado, mas não reconheci ninguém do grupo. Desci então para a plataforma de embarque, porque lá era o ponto em que todos deveriam passar. Isto também evitaria que ficasse andando de um lado pra outro com a pesada cargueira. Minutos após chegar à plataforma, vi descendo a escada o James e o Igor e logo os reconheci. Vieram em minha direção e assim nos conhecemos. Simpatias! Eles já haviam conhecido outros participantes da viagem no saguão da rodoviária e estavam ajudando na descida das cargueiras para as plataformas. Nesse intervalo, o James chegou todo eufórico chamando o Igor para dar entrevista para uma Rede de TV (http://www.alterosa.com.br/html/noticia ... erna.shtml). Eles subiram para o saguão. O resultado dessa brincadeira foi pro ar (os segundos do 10 ao 22 da reportagem foram dedicados aos mochileiros Farqueiros). Pessoal celebridade! Eu permaneci na plataforma e circulei em direção ao “nosso” ônibus e reconheci a Sol Matos. Nos apresentamos e ficamos conversando quando o restante do pessoal chegou. Apresentações básicas, pois o ônibus já estava partindo. Foi um corre-corre geral. E infelizmente uma notícia desagradável: o casal de São Paulo que iria conosco não conseguira chegar a tempo em BH. Estavam presos no trânsito nas imediações da Cidade Industrial, em Contagem. Bom, o jeito foi seguir viagem, o que poderíamos fazer!

Embarcamos no ônibus da Viação Saritur por volta de 7h40 e fomos conhecendo uns aos outros. Fotos, vídeos, enfim, animação total. Viagem tranqüila até chegar à Lagoa Santa, próxima ao Aeroporto Internacional de Confins, ainda na região metropolitana de BH. Um congestionamento infernal tomava conta da rodovia MG 10, que dá acesso à região da Serra do Cipó. Além do elevado número de veículos, essa estrada é de pista simples, com uma ponte estreita em certa altura na saída de Lagoa Santa, o que causava o congestionamento. O jeito era ficar calmo e assim vencemos o trecho. Passamos por São José de Almeida, depois pela Vila de Cardeal Mota, a famosa vila da Serra do Cipó. De lá, passamos por um trecho de estrada de terra, depois asfalto e chegamos a Santana do Riacho por volta de meio dia.

Estávamos aí com um problema. A essa altura planejávamos estar já com 1 hora de caminhada, chegando ao Pico da Lapinha. Além disso, o casal de São Paulo havia chegado a BH e conseguido embarcar para Santana do Riacho em um ônibus extra. Logo, iríamos esperá-lo chegar à Santana do Riacho para somente aí seguirmos para a Lapinha. Enquanto aguardávamos a chegada do casal de SP, combinamos o transporte até à Lapinha com um proprietário de uma van. O casal chegou por volta de 13 horas, embarcamos na van, pegamos a estradinha de terra e chegamos à Lapinha por volta das 14 horas.

Nem sentamos para descansar, paramos apenas para abastecer cantis e nos hidratarmos. Fazia sol forte e eram 14 horas quando passamos pela ponte defronte a represa da Lapinha, portanto, 3 horas de atraso perante o nosso planejamento oficial. Apenas uns cliques, contemplação da bela Serra da Lapinha e pé na trilha. Peladeiros jogavam bola no campinho ao lado, mas mal deu tempo de reparar. Iniciada a trilha, passada uma ponte de concreto, logo adiante há uma bifurcação: para quem vai contornar o Pico do Breu, segue-se à direita. Para que vai subir os Picos da Lapinha e Breu, toma-se o rumo da esquerda. A trilha é bem demarcada e sinalizada com tocos de madeira fincados no solo, com a indicação do Pico da Lapinha.

Passamos em frente ao local onde na época das chuvas desce uma cachoeira, mas ela estava seca. Cruzamos também alguns regos d’água. Trecho muito bonito! Seguimos fazendo zigue-zague morro acima pela trilha, que alterna bons trechos com outros com erosões bem profundas, dificultando a caminhada. Lá embaixo o visual era de tirar o fôlego: o arraial da Lapinha à direita e à esquerda o belo lago da Lapinha! É sem dúvida uma das vistas mais belas de toda a Travessia. Várias foram as paradas para fotos e admiração da paisagem e da diferente vegetação!


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Pessoal subindo


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O Trem bunito sô!


Fomos subindo e margeando sentido leste do pico da Lapinha. A subida é efetivamente mais longa do que se parece, porém de tão demarcada torna-se impossível de se perder. Cargueiras pesadas, cansaço da viagem, grupo ainda se integrando, modos que a caminhada não rende muito. O consumo de água era elevado, fazia muito calor. Levamos umas duas horas para subir esse trecho, chegando então a um ponto de água. Fomos captar água logo acima, à direita da trilha, próximo a uma matinha rala. Descansamos um pouco e retomamos a caminhada.

Logo adiante, uma bifurcação e tomamos erroneamente a trilha da esquerda, que nos levou a um rancho. Passamos pelo rancho, uma cerca de arame e logo mais adiante percebemos o erro. Retornamos e retomamos a trilha da direita, que é a correta. Diante desse erro e devido ao adiantado da hora tomamos uma decisão acertada e que foi fundamental: abandonamos a nossa ida ao Pico da Lapinha. Isto porque o nosso maior objetivo era o Pico do Breu, que tem um acesso mais difícil. Ir somente ao Pico da Lapinha é mais fácil e possível de realizar em outra ocasião. Então, “hasta la vista” Lapinha!

Assim, descemos uma ladeira, onde há uma depressão, com um pouco de água e um brejinho e imediatamente continuamos a subir na mesma trilha que leva ao Pico da Lapinha. Logo acima, no grande e descampado vale, deixamos para trás o Pico da Lapinha. Ficará para outra ocasião! Trilha adiante e o sol indo embora. Esse trecho é formado por uma vegetação rasteira e rala e o sentido da navegação que tomamos foi o oeste. Ora sem trilha alguma, ora que algum sinal de uma trilha bastante desgastada.


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Entardecer atrás do Pico da Lapinha


Aproximava-se das 17 horas quando caímos na real de que não conseguiríamos chegar ao Pico do Breu. Isto porque, além da distância, ocorreu um grande problema: o GPS de um dos nossos amigos cuja trilha havíamos discutido e finalizado resolveu parar de funcionar. A sorte é que o casal de SP estava com outro GPS e aí, a sua orientação foi fundamental. Entretanto, ao percorrer a trilha, eu percebi uma diferença nas marcações: enquanto o arquivo que perdemos mandava ir pela crista, o outro mandava contorná-la! Para complicar e por desleixo meu, eu não havia levado mapas; nem cartas e bússola! Talvez tivesse sido útil!
Mas o problema com a navegação era o de menos. Agora precisávamos arrumar um local para armar acampamento. Escurecia rapidamente. Fomos margeando a crista, no fundo do vale, atrás da Serra da Lapinha. O terreno é pedregoso e inclinado, o que dificulta local para acampamento para grupos grandes, como o que estávamos. Mesmo assim, alguns do grupo foram adiante e localizaram um ótimo local, completamente plano, aos pés de um morro. Não tinha jeito, era lá mesmo e o Pico do Breu só no outro dia! Às 18h30 e sob iluminação das lanternas montamos nossas sete barracas, graças a Deus!

A noite foi maravilhosa. Preparamos nossa comida. O Igor era meu companheiro de “casa”. Jantamos e o grupo todo ficou conversando e se conhecendo; aliás, vendo e ouvindo o pessoal, parecia que já nos conhecíamos há anos! Animação total, muitas risadas, fotos... Nem parecia que tínhamos caminhado com as cargueiras pesadas. Esquecemos do calor que fez durante o dia; pelo contrário, a temperatura caiu bastante, mas nada muito frio. Refizemos o planejamento e decidimos que sairíamos bem cedo do acampamento, no máximo às seis da manhã para cumprirmos o plano inicial. Sabíamos então que o dia seguinte seria puxado! Então tomamos um vinho pra comemorar (uns até ficaram bem alegrinhos; outros viram coisas...) e por volta das 22 horas todos já dormiam o sono dos justos. Noite perfeita!

Nota Relevante:
Nesta noite e amanhecer foi-se decidido que o grupo que fazia a Travessia se oficializaria. Esta decisão baseou-se na surpreendente interação entre os membros, na existência de objetivos comuns e no gosto pelas Trilhas e Travessias. Nasceu então a FarcAventuras. Os procedimenos necessários à oficialização do Grupo estão sendo tomados!

Levantamos no dia 8 de setembro por volta das cinco da manhã. A neblina tomava conta de tudo ao redor. Nem o morro atrás da barraca era visto. Tomamos café, desmontamos acampamento e às seis da manhã deixamos o local. Como havíamos perdido nossa marcação, seguimos a orientação da marcação do casal de SP. Fomos então margeando o lado direito da crista, sem trilha definida. O trecho foi um pouquinho mais difícil, com alguns degraus mais complicados. A beleza da paisagem derrubava qualquer eventual desânimo e cansaço! Até que chegamos ao final da base da crista, onde segundo a marcação do GPS, deveríamos virar 90 graus à esquerda para atingir o Pico do Breu. Nessa virada, a solidariedade do grupo foi importantíssima, pois o trecho é um pouco exposto, com algumas lajes sobrepostas e um precipício abaixo, onde qualquer erro poderia resultar em sérios problemas. Todos passaram bem e com louvor pelo trecho. Logo após essa passagem, uma subida leve e chegamos até um platô, onde fizemos uma conferência.

A questão era a seguinte: Diante da dificuldade de orientação devido à neblina/GPS e perante o objetivo do dia, deveríamos ainda subir o Pico do Breu ou abandonar essa opção, tomando o rumo da trilha que o contorna (e que passa um pouco abaixo de onde estávamos)? Acertadamente venceu a opção pela subida. Assim, tomamos a esquerda num descampado rumo ao Pico do Breu, conforme indicava o GPS. Atravessamos uma velha cerca de arame, seguimos por um trecho sem trilha definida, mas de fácil caminhada devido a vegetação rasteira e logo adiante chegamos ao pé do Pico do Breu. Foi muito fácil chegar até próximo ao nosso grande objetivo do dia: o Pico do Breu! Passamos a examiná-lo e como nem tudo que reluz é ouro, constatamos que a sua subida não seria tão simples. Além disso, a neblina não permitia ver muita coisa além de uns 20/30 metros adiante e acima!

Tratava da face norte/noroeste do Pico do Breu, um trecho bastante complicado, com rochas irregulares, inclinação elevada, o que exigiria uma escalaminhadinha básica. Se fosse só isso não seria nada, uma vez que examinando o trecho, era possível observar que não necessitava de nenhum equipamento técnico para subi-lo. Entretanto, estávamos com um grupo grande, inclusive com pessoas cuja travessia era o seu batismo nas trilhas. As cargueiras estavam pesadas, e nenhum de nós esperava encontrar complicação naquele trecho e daquela forma. Eu não tinha (e ninguém mais) nenhum pedaço de corda pra içar cargueiras; logo, elas teriam que subir nas costas de seus donos ou nas de alguém disposto a ajuda extra.

Decidimos que tentaríamos a subida. Diante disso, permaneci na base do Breu, com o intuito de que, caso fosse abortada a subida, eu poderia auxiliar na descida, que normalmente é sempre mais complicada que uma subida. Enquanto isso, alguns foram, explorar a face do Breu, para definir qual seria a melhor rota, especialmente o Mateus, o Lucas e o Thiago. Depois de uns vinte minutos de pesquisas, escolheu-se o melhor caminho e aí, um a um foi subindo. Outra vez a solidariedade do grupo falou alto. Todos se ajudaram. Finalmente também subi, com relativa facilidade, apenas com cuidado redobrado para se evitar acidentes. Confesso que fiquei um pouco preocupado nesse trecho, sobretudo com os novatos. Um erro e estaríamos com sérios problemas! Mas deu tudo certo, graças a Deus!

Surpreendentemente poucos passos após esse trecho complicado, chegamos ao cume do Breu. Eram por volta de 8 horas da manhã. A densa neblina havia plantado a imagem de que esse trecho seria muito mais difícil do que realmente foi. Corremos rápido para o totem do cume do Breu. Felicidade total, alegria, abraços, cumprimentos, cliques, enfim, nosso grande objetivo havia sido atingido. Infelizmente a neblina continuava firme e forte, modos que o visual foi comprometido. Apenas algumas aberturas rápidas que permitiram ver muito pouca coisa. E estava muito frio e ventava bastante. Também não era pra menos, estávamos a 1650/1700 m de altitude (aproximadamente)!


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No cume do Pico do Breu


O cume do Pico do Breu não é plano, há inclinações para os “quatro” lados. Apesar da existência de algumas rochas, estas são pequenas, tornando a área bastante exposta. Por esse motivo a área não seria recomendável para acampamento. Porém, para quem não se importa com vento e tem equipamento adequado, imagino que deve ser uma experiência incrível passar uma noite por lá!

Permanecemos por pouco tempo no cume, uma vez que não tínhamos visual. Nos dirigimos para o lado mais ao sul para iniciarmos a descida. Não há trilha definida para a descida do Pico do Breu: é no visual mesmo! Iniciada a descida, a neblina começou a dissipar e aí foi possível ver o vale do Rio Parauninha, a famosa prainha um pouco mais abaixo em direção à casa da D. Ana Benta, bem como a longa descida. Decidimos então que não iríamos à D. Ana Benta, pois estávamos apertados com o horário. Como era possível ver a trilha logo após o Parauninha, decidimos pegar esse atalho para ganhar tempo.

A descida do Pico do Breu é um pouco complicada. Não que haja trechos expostos ou perigosos. Ocorre que o desnível é muito grande, cerca de 500 metros aproximadamente e haja pernas e joelhos. Chegado logo abaixo no “pé” do Pico do Breu, o grupo parou para um descanso. Fui então até o Rio Parauninha para comprovar se era possível atravessá-lo no ponto imaginado. Como era possível, acenei positivamente para o grupo que em instantes chegou junto ao rio. Novo momento para descanso. Aproveitei para tomar um banho, bem como o restante do grupo. Em dado momento, uma bela cobra que parecia ser uma jararaca veio nos visitar, descendo mansamente na flor d’água no rego que desaguava no Parauninha. Logo a espantamos e ficamos mais um tempo por lá, cerca de meia hora, apenas para refrescarmos do calor, que já era intenso.

Reiniciamos a caminhada por uma trilha que segue no pasto acima. No final do leve morro, atravessamos uma cerca de arame e entramos na trilha que vinha da D. Ana Benta. Tomamos o rumo à esquerda, passamos em frente a um curral, cruzamos uma porteira (que estava trancada com cadeado) e mais adiante, próximo a uma matinha, à sombra, paramos para comer alguma coisa. A parada foi longa, por mais de meia hora. Após o merecido descanso, atravessamos o leito de um córrego, com uma grande erosão e mais adiante, captamos água. Nesse momento, ao apoiar-me nas pedras, acabei por desequilibrar-me e molhei meu pé esquerdo. Fiquei tenso, porque trilha com o pé molhado é problema. Mas foi até bom, refrescou o calor!


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O belo Pico do Breu ficando para trás


Após o incidente, seguimos trilha adiante, distanciando cada vez mais do Breu. Paisagem linda, linda, linda! Nesse ponto, nosso grande grupo de dividiu. Enquanto uma parte seguiu um pouco mais apressada, o outro grupo, inclusive eu, ficou um pouco para trás. Nesse ponto, tivemos que fazer uma parada, pois um dos nossos começou a sentir fortes cãibras. Claramente conseqüência da parada longa que fizemos! Minutos depois, retomamos a caminhada e veio uma subida mais forte. Erosões profundas e areia na trilha por um pequeno trecho, ambiente propício para um bom tombo! Novamente nosso amigo voltou a sentir cãibras, modos que fui até ele e ofereci a única ajuda que poderia: carregar a sua cargueira. Ele agradeceu e retomou a caminhada. Alguns metros adiante ainda na subida íngreme, constatei que o mesmo necessitava de ajuda. Dirigi-me a ele e dessa vez obtive sucesso: peguei a sua cargueira e subi morro acima. Outro companheiro de caminhada pegou a cargueira da sua companheira e assim fomos revezando, vencendo a subida. Logo adiante, os que estavam à frente ficaram à nossa espera e passou a nos ajudar no transporte das cargueiras.

Grupo reintegrado, pé na trilha, e chegamos a uma bifurcação, onde há uma porteira. Tomamos o rumo à direita, pois à esquerda-reto segue sentido Bicame. Há ao longe um cruzeiro, à esquerda, visto ao longo da trilha que orienta bem esse trecho. Desse trecho em diante acabaram grandes subidas e descidas. A trilha é ótima, plana, bem demarcada. Adiante, corre à direita um ribeirão, com pouco volume d’água. É o ribeirão do Campo, que vai aumentando ao longo da trilha. Nesse trecho, parada para breve descanso. As cargueiras extras que carregávamos foram devolvidas aos seus donos, pois eles já estavam 100%.

Houve nesse trecho todo apenas uma dúvida, em uma bifurcação próxima a uma mata. A trilha correta e que nos levaria à D. Maria é a da esquerda, conforme nos informou um nativo que passava à cavalo naquele momento um pouco acima do nosso grupo. A trilha sobe um morrinho, para depois descer, passar por uma cerca/porteira e chegar a uma matinha. Nesse trecho passa um rego d’água, onde há uma pinguela, resultado de uma árvore tombada. A trilha passa por ela e segue suave, margeando o ribeirão do Campo. Não tem erro e logo adiante já é possível avistar a cerca de 1 km a casa da D. Maria. Atravessamos mais um rego d’água e pronto. Chegamos à D. Maria. Era por volta de 15h30.

Parecia que havia festa na casa da D. Maria. Havia umas 50 pessoas no terreiro da casa. Muita gente mesmo; e falavam alto, muito alto! Confesso que pensei na privacidade daquela família! Mas os moradores do interior são humanos e muito tolerantes! Ponto pra Eles! Naturalmente havia barracas aos montes e por todos os lados. Na área de acampamento abaixo da casa e à esquerda da trilha da Cachoeira do Tabuleiro eu contei umas 30 barracas. As melhores posições de acampamento já estavam ocupadas. Tomamos então duas decisões: a primeira que acamparíamos por lá, porque parte do grupo estava bastante cansado. E não era pra menos. Na verdade, todos nós estávamos um bagaço! A outra decisão tomada foi a de se dirigir à parte alta da Cachoeira do Tabuleiro antes que o sangue esfriasse. Também tivemos a informação de que, dado ao movimento, não poderíamos deliciar com a janta da D. Maria. Uma dorzinha no coração; mas isso não era problema, nossas dispensas estavam abastecidas! Mais tarde soube que alguns sortudos do nosso grupo conseguiu saborear a janta da D. Maria. E nem me avisaram...

Escolhemos a nossa área para acampamento um pouco acima da casa, à esquerda, próximo a um poste (Sim, na casa da D. Maria há energia elétrica). Nós que fomos à parte alta nem montamos nossas barracas, apenas deixamos no local para demarcação de espaço. Outros três membros do nosso grupo permaneceram no acampamento. Tomamos a trilha para a parte alta do Tabuleiro saindo à esquerda da casa da D. Maria. Na bifurcação logo abaixo, segue-se à direita, numa subida leve. A trilha é demarcada e não tem erro. Segue tranqüila, com algumas subidas e leves descidas. Chegando a dado ponto, depois de pouco mais de 1 hora de caminhada é possível ver o cânion por onde desce o Ribeirão do Campo lá embaixo. E para atingi-lo há uma descida de tirar o fôlego, um teste para os joelhos, com uma trilha repleta de pedras e degraus, requerendo cuidado redobrado.

No trajeto para a parte alta, o grupo acabou se dividindo em três. Os primeiros apressaram o passo para chegar à parte alta, já que a área é evacuada por volta de 17 horas. Um grupo mais lento ficou para trás. Permaneci no grupo intermediário, seguindo o meu ritmo, nem acelerado, nem devagar. Essa tática, nem demais, nem de menos eu aprendi com os mateiros do sul de Minas.

Assim, por volta de 17h15 chegamos à margem do Ribeirão do Campo, no local de acesso ao cânion e à parte alta da cachoeira do Tabuleiro. Para nossa surpresa, lá estava um guarda parque, que nos avisou que a área não mais poderia ser acessada aquela tarde. Explicamos pra ele que estávamos em um grupo, vindo desde o Pico do Breu naquele dia; e que parte do grupo já havia adentrado ao cânion. Simpaticamente ele permitiu nossa entrada e até nos acompanhou à garganta da Cachoeira do Tabuleiro, aonde chegamos 10 minutos depois.

A área é de fácil acesso, requer apenas cuidados para não se machucar. É só ir descendo os degraus e como havia pouca água, foi tudo muito simples. Impressiona as formações dos paredões à direita e esquerda. A garganta é precedida de um poço propício a um mergulho. Lucas e Mateus aproveitaram bem o poço! Aliás, por todo o cânion há poços semelhantes, porém não entrei em nenhum deles! Ao chegar à garganta, não tive palavras. É impressionante! Talvez uma das imagens mais marcantes que já vi em toda a minha vida! De lá é possível ver toda a trilha de acesso à parte baixa da Cachoeira do Tabuleiro, que nos esperava no dia seguinte. É possível ver os paredões de tons avermelhados à direita e à esquerda da queda d’água. O conjunto impõe respeito! E aqui confesso, tenho medo de altura, então não fiquei muito tempo por lá. Foi só uma olhadinha básica encostado à rocha! Como já estava escurecendo, voltei logo cânion acima, enquanto o restante do grupo ficou navegando por lá, inclusive aqueles que chegaram depois! Infelizmente o tempo foi curto para explorar essa área, que mereceria até um dia inteiro!


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A garganta


Por volta de 18h30 retomamos a trilha de volta à casa da D. Maria. Estava escurecendo e logo fechou tudo. O início da trilha de volta é uma subida íngreme, cheia de pedras, lembra as trilhas de acesso ao Pico da Bandeira. Há muitos degraus inclusive. Completamos essa subida já no escuro, utilizando as lanternas. Acho que devido ao cansaço, saímos da trilha por duas vezes, mas logo retomamos a direção certa. Viemos conversando, alegres, dispostos! E assim foi até ao acampamento, aonde chegamos por volta de 20h30. Foi uma volta tranqüila, com caminhar suave, com a sensação de mais um objetivo cumprido!

Chegando ao acampamento, constatei que o Lee havia montado a minha barraca. Que bênção; foi só fazer uns ajustes e pronto. O restante do pessoal armou as barracas e daí, foi só preparar a nossa janta. Alguns foram encarar o chuveiro gelado ao lado da casa da D. Maria e tomaram banho. Algumas “trekeiras” foram mais corajosas e sortudas, e ficaram na fila do banho quente na residência da D. Maria. Eu jantei e somente depois fui ao chuveiro gelado. A intenção era tomar um banho completo, mas o vai-vem de lanternas na trilha ao lado me desencorajou... Então tomei um banho de gato mesmo.

Voltei para o acampamento. Curiosamente naquela noite não dormi bem. Talvez porque havia jantado pouco, estava bastante cansado e além de tudo, tinha tomado banho de gato. Além disso, havia dormido muito na noite anterior e o piso da barraca era inclinado! Mas era o espaço que tínhamos! Acordei à noite várias vezes e nem acreditei quando eram quatro horas da manhã. Caí fora da barraca, fiquei fazendo hora e fui premiado com o lindo nascer do sol, por volta das 05h00. Estava tão lindo que acabei acordando praticamente todo mundo para contemplar essa hora tão abençoada.

Como havia jantado pouco, não fiz de rogado e preparei um tremendo almoço no café da manhã: arroz, feijão, batata palha, bacon e lingüiça defumada. Que delícia! Grupo de pé, café da manhã no papo, por volta de 8h30 deixamos a casa da D. Maria sentido parte baixa da Cachoeira do Tabuleiro. A trilha é tranqüila, demarcada, batida e não tem como errar. De um jeito ou de outro acabará saindo na portaria do Parque Municipal do Ribeirão do Campo, onde fica a Cachoeira do Tabuleiro. Depois de pouco mais de 1 hora de caminhada, deparamos com aquele visual de cinema: á direita, após uma leve subida, a belíssima Cachoeira do Tabuleiro, mostrando todos os seus 273 metros de queda d’água. Aquela imagem conhecida, com os paredões formando um coração é realmente impressionante! Parada no mirante para fotos! Deslumbramento de todos! Congraçamento! Após essa parada, dirigimos sem pressa para a portaria do Parque, chegando em pouco mais de 20 minutos, através de uma leve descida.


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Realmente é uma beleza!


Chegando à portaria, pagamos a entrada no Parque e fomos até o Centro de Visitantes, onde fomos recepcionados gentilmente por uma simpática funcionária. Ela permitiu que deixássemos nossas cargueiras em um cômodo e então leves, dirigimos à parte baixa da Cachoeira. A trilha segue sinalizada, demarcada e bem batida, com alguns lances que requer atenção, pois a descida é íngreme e há vários degraus encravados na rocha. Terminada a descida, chega-se à margem esquerda do Ribeirão do Campo, onde através de um trepa e pula pedra chega-se ao poço da Cachoeira do Tabuleiro.

O poço é grande e a água tem coloração de coca ou guaraná. A queda d’água impressiona, porém como era época de seca, havia pouca água, que ao sabor do vento, dançava de um lado para o outro fazendo um balé. Os paredões são majestosos e confesso que me impressionou mais que a queda d’água em si! Enquanto uns mais corajosos cruzavam o poço a nado de um lado pra outro, preferi descansar à beira do espelho! O Igor Pimentel, que já foi guarda-vidas se esbaldou! Ficamos por lá até umas 15 horas, quando iniciamos o retorno para a portaria. Alguns pareciam não quererem deixar o local! Paramos a certa altura no meio do leito do Ribeirão do Campo. Algumas das meninas não resistiram e caíram na água novamente! Nessa hora da subida eu estava cansado. Senti cada degrau na subida, que sem dúvida foi a mais íngreme de toda a Travessia. E o sol castigava, parecia cozinhar os meus miolos! O grupo se dividiu no caminho, modos que eu cheguei à portaria novamente por volta de 16 horas.


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Chegando à Cachoeira


Conferidas as cargueiras e estando tudo ok, iniciamos a saga atrás de transporte para o Tabuleiro, Conceição do Mato Dentro ou BH. Não cogitamos ir finalizar a Travessia no arraial do Tabuleiro por vários motivos. Alguns tinham horários marcados para viagens em BH; outros compromissos profissionais; além disso, o cansaço era geral. Após várias tentativas, conseguimos uma Kombi e mais dois táxi em Conceição do Mato Dentro, que foram nos resgatar lá na portaria do Parque.

Esperamos por cerca de 1 hora, tempo suficiente para descanso, muita prosa e para presenciar o belo pôr do sol na Portaria, quando a Kombi branca chegou. Embarquei nessa leva, cujo dono era de BH; logo viríamos direto da Portaria do Parque Municipal de Ribeirão do Campo a BH. Quanta sorte! Despedimos do restante do pessoal e pé na estrada. No trajeto, encontramos com os táxi, que iriam à portaria resgatar o restante do grupo. Os mesmos nos ultrapassaram na estrada, já de volta, ainda no arraial do Tabuleiro. Estavam a mil por hora!

Quando chegamos à Conceição do Mato Dentro, ao passar pela rodoviária, encontramos com o restante do grupo que havia vindo de táxi e que não tinha encontrado passagem para BH. Estavam aguardando ou carona; ou alugaria uma van; ou ainda algum ônibus extra. Soube depois que uns vieram para BH de carona (Raissa e Thiago) e os outros embarcaram em um ônibus extra que a Viação Serro disponibilizou. A viagem de volta foi tranqüila, porém enfrentamos novo congestionamento na região de Lagoa Santa. E por volta de 22 horas desembarquei da Kombi na Av. Dom Pedro I, na região da Pampulha, juntamente com o Rodolfo. Igor, Lee e esposa, além do pessoal de Brumadinho que estavam na Kombi desembarcariam no centro de BH. Ao desembarcar, Rodolfo tomou um táxi e eu rumei para casa, a pé, cansado, mas de alma lavada!

OBS.:
Como nem tudo é perfeito, lamento não ter tido mais tempo para visitar outros locais, como o Pico da Lapinha e os arraiais de Lapinha e Tabuleiro. Também adoraria ter ficado mais tempo na parte alta do Tabuleiro. Então já tenho ótimos motivos para voltar um dia ...

Ao finalizar esse relato deixo meus agradecimentos ao James, Danyelle, Lucas, Mateus, Sol Matos, Déia, Luiz, Raissa, Rodolfo, Thiago, Igor, Lee e Esposa, companheiros nesta jornada. Agradeço também ao Fórum Mochileiros pela oportunidade oferecida. Sem o Fórum, talvez não tivéssemos realizado esta empreitada.

SERVIÇO:
Travessia Lapinha Tabuleiro

Localização:
Parte sul do Espinhaço, na Serra do Cipó, nos municípios de Santana do Riacho e Conceição do Mato Dentro; região central do Estado de Minas Gerais.

Como chegar/voltar:
Cidade referência: Belo Horizonte.

De carro:
Ida: Sentido norte da Capital, pegar a rodovia MG 10 sentido Aeroporto Internacional de Confins, entrando e passando pela cidade de Lagoa Santa, sentido Serra do Cipó. Antes de Cardeal Mota (Vila da Serra do Cipó) entrar à esquerda, sentido Santana do Riacho; e desta, pegar a estrada de chão batido até o arraial de Lapinha da Serra.
Volta: Do arraial do Tabuleiro (ou na portaria do Parque Municipal de Ribeirão do Campo) seguir para Conceição do Mato Dentro, via estrada de chão. Desta, pegar a rodovia MG 10, passando por Cardeal Mota (Vila da Serra do Cipó), Lagoa Santa e depois BH.

Obs.: atentar para o fato de que a Travessia inicia-se em um local e finda-se em outro. Portanto, é necessário ter alguém que não esteja participando da Travessia para fazer esse resgate!

De ônibus:
Ida: Via empresa de ônibus SARITUR, embarcar na rodoviária de BH, descendo no final, em Santana do Riacho. De Santana à Lapinha não há linha regular de ônibus, necessitando então a locação de táxi ou van.
Volta: tomar táxi ou van no arraial do Tabuleiro (ou na portaria do Parque Municipal de Ribeirão do Campo) para Conceição do Mato Dentro. Desta, embarcar em ônibus da Viação Serro e descer na rodoviária de BH.

Para horários de ônibus e tarifas, consulte as empresas Viação Saritur e Viação Serro.

Distâncias:
BH a Santana do Riacho: 120 km (aproximadamente)
Santana do Riacho a Lapinha: 12 km estrada de chão (aproximadamente)
Tabuleiro a Conceição do Mato Dentro: 20 km estrada de chão (aproximadamente)
Conceição do Mato Dentro a BH: 168 km (aproximadamente)

Sobre a Travessia:
Normalmente realizada em três dias, essa Travessia sai do arraial de Lapinha da Serra, no município de Santana do Riacho e estende-se até o arraial do Tabuleiro, município de Conceição do Mato Dentro. Há dois trajetos para a Travessia: via Picos da Lapinha e do Breu, que é mais difícil; ou contornando os Picos da Lapinha e do Breu, que é mais fácil. Essa classificação fácil ou difícil é relativa, dependendo dos atores que realizarão a Travessia. (pessoalmente, achei-a fácil). Em ambos os trajetos, é tradição pernoitar a primeira noite na casa da D. Ana Benta e a segunda noite na casa da D. Maria, que inclusive, em época de menor movimento, servem jantares aos caminhantes. Entretanto, outras variáveis também são possíveis. Dependendo do trajeto escolhido, as atrações podem variar, mas a parte final é sempre passando pela Cachoeira do Tabuleiro. Igualmente pode variar a quilometragem, mas normalmente fica entre 35 e 45 km, dependendo do trajeto escolhido. A vegetação predominante é o cerrado, com colorido, vida animal intensa e visual espetacular! Mesmo em época de inverno/seca é possível encontrar água basicamente em toda a trilha. Como toda região de relevo acidentado, normalmente se faz frio no inverno, mas nada exagerado; bem como há a presença de neblina pelas manhãs. Muito embora haja trechos da Travessia com trilhas paralelas e algumas bifurcações, tendo o aventureiro bom conhecimento quanto à orientação/navegação, caminhar pela região torna-se bastante fácil e simples. É sem dúvida uma das mais tradicionais Travessias do Brasil.

Algumas observações finais:
• Ao realizar a Travessia, procure iniciar a caminhada no máximo por volta de 8 da manhã.
• Não faça a Travessia afiançado nos jantares de D. Ana Benta ou de D. Maria. Seria muito bom jantar nesses locais, mas em trilhas imprevistos podem acontecer!
• Procure fazer a trilha passando pelo Pico da Lapinha e pelo Pico do Breu.
• Saiba se orientar, pois a densa neblina é comum na região.
• Em períodos de chuva, normalmente o acesso à parte alta/baixa do Tabuleiro são fechadas.
• Leve dinheiro em espécie, pois cartões de crédito/débito são raramente aceitos por lá.
• Procure combinar o seu resgate no final da Travessia com antecedência.
• Reserve um tempinho para visitar os arraiais de Lapinha e Tabuleiro.
• Reserve um bom tempo para visitar a parte alta da Cachoeira do Tabuleiro, se o clima colaborar. Ir ao Tabuleiro e não visitar a parte alta é a mesma coisa que ir a Roma e não ver o Papa!


Mais imagens no Blog: http://www.chicotrekking.blogspot.com.br

Obrigado, abraços a todos!

#782224 por FRANCISCO CARDOSO
27 Nov 2012, 12:09
emeka escreveu:Que lindo relato. Agradeço muito a turma tudo por atenção especial pra nosso casal.
E se tiver outro trip vou acompanhar ainda mais.


Caro Lee,
Saiba que foi um prazer tê-lo conosco, aprendemos muito com você! E espero em breve estar contigo novamente!
Grande abraço a você a à sua esposa!
#782229 por FRANCISCO CARDOSO
27 Nov 2012, 12:17
Otávio Luiz escreveu:Show de bola Francisco!
E o que é aquela garganta, caraca, que lugar!!!!! ::ahhhh::


Grande Otávio,
Que privilégio ter a sua visita!!!
E aquela garganta é a parte alta da Cachoeira do Tabuleiro, já no poço final, antes da queda d'água!
E olha que minha maquininha é meio semvergonha viu rsrs

Otávio, você precisa conhecer esse lugar rapaz!
É único, lindo, maravilhoso, imagem que impõe respeito! É uma legítima e "magnífica arquitetura divina"!!!

Obrigado mais uma vez, sucessos, saúde e paz pra Ti e família! Grande abraço!
#782329 por Otávio Luiz
27 Nov 2012, 15:55
Valeu pelas palavras Francisco!
MG é sonho de consumo, Lapinha-Tabuleiro, Serra do Papagaio, sul de Minas e suas montanhas...
#782379 por rafael_santiago
27 Nov 2012, 17:47
Chico, que surpresa boa!!! Publicando seus relatos por aqui também! É uma grande contribuição para o nosso fórum! E não tem esse negócio de "cem números de relatos sobre a travessia tal", não. Cada relato é único, cada trilheiro tem sua visão sobre o lugar e seu modo de expressar o que viveu (falando nisso, os meus relatos devem ser os mais técnicos por aqui, não é? mas é a forma como eu escrevo mesmo, "direto ao ponto" :D ). Além disso, quase não há relatos de subida do Pico do Breu na internet, e para piorar ainda tem gente que confunde (ou é confundido pelos guias locais) o Pico da Lapinha com o Pico do Breu. Só por isso, o seu já é de grande valor.

Que aventura reunir um grupo de 15 pessoas em que a maioria não se conhecia para uma aventura dessa, hein! Espero que o grupo se fortaleça e continue trilhando juntos. Quem sabe não me junto a essa galera qualquer hora dessas... posso???

Grande abraço.
#782403 por james dean
27 Nov 2012, 18:43
CARO CHICO!!!!!! É LOGICO QUE EU NÃO PODERIA DE DEIXAR MEUS PARABENS AQUI NO MOCHILEIROS!!!!!
ESSA TRAVESSIA, NÃO FOI UMA TRAVESSIA QUALQUER..... NÃO PELO LUGAR, QUE DIGA -SE DE PASSAGEM É LINDO, MAS PELA MAGIA, PELA ENERGIA, PELA CUMPLICIDADE DE UM GRUPO QUE MAL SE CONHECIA, MAS TALVEZ PELO CENSO COMUM, "A AVENTURA", ACABOU NOS UNINDO DE TAL FORMA, QUE PARECIA QUE TODO MUNDO JA SE CONHECIA A TEMPOS!!
EU ME SINTO PRIVILEGIADO POR TER CONHECIDO TODOS VCS..... QUERIA TANTO ESSA TRAVESSIA, QUE ELA SAIU DO PAPEL, PRINCIPALMENTE PELA AJUDA DA SOL E DO CHICO, E DE QUEBRA ME DEU UMA DUZIA DE AMIGOS!!!!! ESTOU INDO PRA MINHA QUARTA TRIP COM OS INTEGRANTES DA FARC AVENTURAS!!!! GRUPO ESTE QUE NÃO EXISTIRIA, SE NÃO FOSSE ESSE ENCONTRO QUE A LAPINHA X TABULEIRO NOS PROPORCIONOU, E SOU MTO GRATO A DEUS POR COLOCAREM TODOS VCS NO MEU CAMINHO!!!
SEI QUE NEM SEMPRE TEREMOS O GRUPO TODO NAS TRAVESSIAS, MAS OS QUE FOREM ESTARÁ REPRESENTANDO BEM O GRUPO E QUE O ANO QUE VEM, TODAS NOSSAS EXPECTATIVAS SEJAM ALCAÇADAS!!!! ANO QUE VEM PROMETE...... AGENDA CHEIA DE DESTINOS, INCLUSIVE A PRIMEIRA TRIP INTERNACIONAL DO NOSSO GRUPO!!!!!!
SAUDADES LEE E ESPOSA!!!! SAUDADES VALÉRIA!!!! SAUDADES RODOLFO!!!!! PENA QUE A DISTÂNCIA AS VESES ATRAPALHA UM POUCO!!!! EU NÃO PRECISO DIZER O QUANTO VCS TODOS DA FARC SÃO IMPORTANTES PRA MIM.... VCS JA SABEM!!! VCS MORAM NO MEU CORAÇÃO FOREVERMORE!!!!!!
É ISSO AWE!!! FINAL DE ANO SE APROXIMANDO, MAS O MEU PRESENTE PAPAI NOEL ME DEU FOI EM SETEMBRO.... TRAVESSIA LAPINHA X TABULEIRO!!!!!
::love:: ::love:: ::love:: ::love:: ::love:: ::love:: ::love:: ::love:: ::love:: ::love:: ::love:: ::love:: ::love:: ::love:: ::love:: ::love:: ::love:: ::love:: ::love:: ::love::
#782424 por gvogetta
27 Nov 2012, 19:45
Olá Francisco!



Ótimo relato. Bem detalhado e ilustrado. Conheço boa parte dessa região e seu relato foi muito fidedigno, em todos os aspectos. Parabéns!

Grande abraço!
#782426 por FRANCISCO CARDOSO
27 Nov 2012, 19:48
Otávio Luiz escreveu:Valeu pelas palavras Francisco!
MG é sonho de consumo, Lapinha-Tabuleiro, Serra do Papagaio, sul de Minas e suas montanhas...


É Otávio,
Minas realmente é um lugar repleto de pontos interessantes, que inclui cerrado, mata atlántica, campos de altitude etc etc
Aliás, eu nasci em Alagoa, sul de Minas, vizinha à cidade de Aiuruoca, onde fica o Pico do Papagaio; vizinha à Baependi; em ambas há a bela Travessia do Papagaio!
Do outro lado de Alagoa fica Itamonte, onde fica parte do ParnaItatiaia e onde também finda (ou inicia) a Travessia da Serra Fina.
Na própria cidadezinha de 3 mil almas (Alagoa) há um Pico, o Pico do Garrafão (ou de Santo Agostinho), que é até singelo, (2400 m) mas de onde se pode ter uma vista diferenciada da parte alta do Itatiaia, Serra Fina e até do Marins/Itaguaré. Poucos se dão conta disso!
E isto sem falar dos pontos menos famosos, que são muitos! Ah, e há outro, pouco visitado: a Mitra do Bispo!!!
Então, recomendado está: quando puder, venha pra Minas, certeza de muita coisa boa!

Como vês, seu sonho de consumo é bem pertinho ok, igual ao meu aí pros lados do Paraná!
Grande abraço Otávio!
#782433 por FRANCISCO CARDOSO
27 Nov 2012, 20:00
rafael_santiago escreveu:Chico, que surpresa boa!!! Publicando seus relatos por aqui também! É uma grande contribuição para o nosso fórum! E não tem esse negócio de "cem números de relatos sobre a travessia tal", não. Cada relato é único, cada trilheiro tem sua visão sobre o lugar e seu modo de expressar o que viveu (falando nisso, os meus relatos devem ser os mais técnicos por aqui, não é? mas é a forma como eu escrevo mesmo, "direto ao ponto" :D ). Além disso, quase não há relatos de subida do Pico do Breu na internet, e para piorar ainda tem gente que confunde (ou é confundido pelos guias locais) o Pico da Lapinha com o Pico do Breu. Só por isso, o seu já é de grande valor.

Que aventura reunir um grupo de 15 pessoas em que a maioria não se conhecia para uma aventura dessa, hein! Espero que o grupo se fortaleça e continue trilhando juntos. Quem sabe não me junto a essa galera qualquer hora dessas... posso???

Grande abraço.


Rafael,
Puxa, só fera!!!
Lá no interior havia um velhinho que dizia: "cada um, cada um". Sábio Ele era! E é verdade, cada um é único, portanto, cada um tem seu ponto de vista! E vê-los todos é o que enriquece um papo, uma história etc.
E seus relatos Rafael são técnicos e por isso prestam um serviço muito maior! Eu mesmo sou um fiel seguidor dos teus passos. Se me forçar, serei capaz até de descrever sua agenda eheh. Falando em agenda, eu lembrei de vc lá no Breu, acho que encaramos a mesma face complicadinha do dito cujo! E aí já viu, fiquei meio tenso, porque o grupo era grande e alguns pouco experientes! Por outro lado, os perrengues serviu pra nos unir e seria um privilégio imenso tê-lo conosco em alguma trip. Já pensou???
Nossa, seria um prêmio Rafael, da linha "Trip do Ano". Convidado está e vamos nos falando, de modo a botar na prática!
Grande abraço, obrigado pela ajuda e pelas palavras!
#782437 por FRANCISCO CARDOSO
27 Nov 2012, 20:07
gvogetta escreveu:Olá Francisco!



Ótimo relato. Bem detalhado e ilustrado. Conheço boa parte dessa região e seu relato foi muito fidedigno, em todos os aspectos. Parabéns!

Grande abraço!


Getúlio,
Outro fera, como aprendo com suas respostas!!!
Obrigado pelas palavras e pelo incentivo Getúlio, vindas de você, fico até corado ehehe

Grande abraço
#782445 por FRANCISCO CARDOSO
27 Nov 2012, 20:14
james dean escreveu:CARO CHICO!!!!!! É LOGICO QUE EU NÃO PODERIA DE DEIXAR MEUS PARABENS AQUI NO MOCHILEIROS!!!!!
ESSA TRAVESSIA, NÃO FOI UMA TRAVESSIA QUALQUER..... NÃO PELO LUGAR, QUE DIGA -SE DE PASSAGEM É LINDO, MAS PELA MAGIA, PELA ENERGIA, PELA CUMPLICIDADE DE UM GRUPO QUE MAL SE CONHECIA, MAS TALVEZ PELO CENSO COMUM, "A AVENTURA", ACABOU NOS UNINDO DE TAL FORMA, QUE PARECIA QUE TODO MUNDO JA SE CONHECIA A TEMPOS!!
EU ME SINTO PRIVILEGIADO POR TER CONHECIDO TODOS VCS..... QUERIA TANTO ESSA TRAVESSIA, QUE ELA SAIU DO PAPEL, PRINCIPALMENTE PELA AJUDA DA SOL E DO CHICO, E DE QUEBRA ME DEU UMA DUZIA DE AMIGOS!!!!! ESTOU INDO PRA MINHA QUARTA TRIP COM OS INTEGRANTES DA FARC AVENTURAS!!!! GRUPO ESTE QUE NÃO EXISTIRIA, SE NÃO FOSSE ESSE ENCONTRO QUE A LAPINHA X TABULEIRO NOS PROPORCIONOU, E SOU MTO GRATO A DEUS POR COLOCAREM TODOS VCS NO MEU CAMINHO!!!
SEI QUE NEM SEMPRE TEREMOS O GRUPO TODO NAS TRAVESSIAS, MAS OS QUE FOREM ESTARÁ REPRESENTANDO BEM O GRUPO E QUE O ANO QUE VEM, TODAS NOSSAS EXPECTATIVAS SEJAM ALCAÇADAS!!!! ANO QUE VEM PROMETE...... AGENDA CHEIA DE DESTINOS, INCLUSIVE A PRIMEIRA TRIP INTERNACIONAL DO NOSSO GRUPO!!!!!!
SAUDADES LEE E ESPOSA!!!! SAUDADES VALÉRIA!!!! SAUDADES RODOLFO!!!!! PENA QUE A DISTÂNCIA AS VESES ATRAPALHA UM POUCO!!!! EU NÃO PRECISO DIZER O QUANTO VCS TODOS DA FARC SÃO IMPORTANTES PRA MIM.... VCS JA SABEM!!! VCS MORAM NO MEU CORAÇÃO FOREVERMORE!!!!!!
É ISSO AWE!!! FINAL DE ANO SE APROXIMANDO, MAS O MEU PRESENTE PAPAI NOEL ME DEU FOI EM SETEMBRO.... TRAVESSIA LAPINHA X TABULEIRO!!!!!
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James Dean,
Meu amigo, parceiro e incentivador,
Você disse tudo rapá!!! Não se acrescenta ou tira-se nada do seu escrito!!!
Vc foi protagonista nessa Travessia e foi graças ao seu convite que pudemos realizá-la! Os méritos a Ti pertence ok?

Obrigado pelas palavras, sua alegria, emoção e disposição são contagiantes! Obrigado mesmo, de coração!

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