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DIVANEI

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  1. Henrique monteiro Bartz começou a seguir DIVANEI
  2. Eu moro em Sumaré e gosto muito dessa região e ali tem um potencial incrível, com pouca gente, sempre quando posso, eu levo os amigos para passear ali, que é praticamente o quintql de casa.
  3. Quando estivemos na região, no ano passado, tentamos acessar as grandes quedas do Rio Passa Cinco, mas estávamos de bicicleta e fomos barrados pelo tempo e por uma trilha fechada que nos fez enfiar a viola no saco e dar meia volta e ainda, desconhecendo um maneira de sair de dentro do cânion pelos paredões laterais e não querendo retornar pela mesma trilha cretina que o acessamos, fomos obrigados a dar a volta em toda a serra e voltamos arrastando a língua no chão, desembocando novamente em Ipeúna por volta das nove da noite, dois farrapos humanos humilhados por um terreno cruel, composto por muito areia, pedras e trilhas erodidas. Ficou aquele gostinho de quero mais, apesar do encanto de uma das regiões mais legais para pedalar e praticar todo tipo de fora de estrada, então eu já havia decidido que numa próxima oportunidade, meteria uma mochila nas costas e dessa vez iria fazer o que sei de melhor, usar apenas minhas pernas para próxima aventura na Serra do Itaquerí. A semana que antecedeu a nossa partida foi de muita chuva e aí formou-se o clima ideal para que pudéssemos pegar as cachoeiras com um bom volume de água, então numa segunda feira de carnaval, apanhei o DEMA na casa dos pais dele e rumamos para Ipeúna no velho NIVA 4X4 , que a muito tempo não saia da garagem. Uma viagem tranquila de não mais de 80 km, nos leva praticamente para o quintal de casa, já que subir a Serra do Itaquerí ou parte da CHAPADA GUARANÍ, já tem se tornado coisa corriqueira, nosso parque de diversões locais. ( Serra do Itaquerí) Ainda é muito cedo quando desembocamos na minúscula cidade, pacata e vazia como sempre. Sem perder tempo, apontamos nosso nariz para os chapadões de arenito e basalto, onde a Pedra do índio é nossa referência e logo ganhamos as estradinhas de areia e vamos vagarosamente nos deliciando com o visual característico da região e somos obrigados a nos deter por uns minutos para uma foto clássica dos paredões vermelhos, antes mesmo de começar a subida da serra. Na subida da Serra, engato a reduzida e o Niva desfila suave, comendo cada metro de buraco. Mas a estada piorou muito nos últimos tempos, fazendo com que rochas gigantes ficassem expostas e numa delas, dou uma bobeira e deixo a bruto escapar para um buraco e uma dessas rochas atingi em cheio um braço da suspenção, que se rompe do assoalho. Descemos do carro mais à frente, bem na derradeira curva da serrinha, onde poderíamos pegar uma trilha a pé e irmos visitar as sensacionais grutas , mas como já estamos atrasados, só damos uma olhada nas avarias e vendo que daria para prosseguir, mesmo que devagar, tocamos em frente e ao chegar numa bifurcação em “T”, viramos à direita, assim como na próxima bifurcação e tomamos a direção que vai passar por uma floresta de eucaliptos e nos levar direto para a Cachoeira da lapinha ou do Carro Caído. ( Cachoiera da Lapinha ou Carro Caído) Muitos anos atrás, empreendemos uma jornada partindo la das grutas de arenito e subindo todo o cânion da Lapinha, até nos pormos embaixo da grande cachoeira, mas na ocasião, a encontramos com pouquíssima água, mas hoje ela está bufando, certamente seria lindo vê-la desse jeito lá de baixo, mas não vai ser hoje, pois nosso objetivo dessa vez, são outras cachoeiras maiores ainda, então sacamos uma foto e partimos. O caminho agora é por dentro das florestas de eucaliptos e mais uma vez, na próxima bifurcação, vamos seguir para a esquerda, em direção às placas que indicam o caminho da Cachoeira São José. Daqui para frente, sempre haverá uma placa e quando acabam os eucaliptos, se abre um mundo ensolarado, com propriedades bonitas, com lagoas pitorescas, até que estacionamos num gramado verdinho, junto ao BAR SÃO VALENTIM, a propriedade que guarda a própria CACHOEIRA SÃO JOSÉ e vejam só, com entrada gratuita e por aqui deixaremos nosso jeep estacionado pelos próximos dois dias, agora a nossa jornada continua a pé. A nossa intenção era acampar dentro do cânion, então abastecemos nossas cargueiras com equipamentos para pernoite, mas ao invés de uma barraquinha, optaremos por redes e toldos. Estacionado o jeep ao lado do bar, numa área meio neutra, nem nos demos ao trabalho de passar no bar e deixaremos para fazer isso na volta. Tomamos imediatamente a continuação da estrada e 5 minutos à frente, vamos ignorar o ramal da esquerda, que é a estrada principal, por onde chegam os carros que não tem tração nas 4 rodas e sobem o caminho por São Pedro. Agora vamos seguir justamente pelas bordas do Cânion Passa Cinco, que estará a nossa esquerda e que em mais 2 minutos, o nosso caminho vai interceptar um MIRANTE, que surpreendentemente vai nos dar uma visão geral para dentro do próprio cânion, onde é possível avistar do lado oposto, uma CACHOEIRA despencando de uns 100 metros de altura, numa das mais belas visões da Serra do Itaquerí. ( Cachoeira lateral do Cânion PASSA CINCO) E é realmente um assombro de bonito e o meu maior espanto é que uns 15 anos atrás, eu estive no Bar São Valentim acompanhado com a minha filha e nem me dei conta de que existiria esse vale encantador, já que havíamos atolado o próprio Niva ao vir por outro caminho e quando chegamos no bar e na cachoeira do bar, estava fechado, então demos meia volta e retornamos sem saber da existência dessa maravilha. Outra coisa que só saberíamos no dia seguinte, é que aquela cachoeira maravilhosa, que víamos do mirante, nem era a queda principal e que a verdadeira queda do PASSA CINCO, estava escondida no fundo do vale e que não conseguimos ver também, quando estivemos ano passado tentando alcançá-la no passeio de bicicleta. Abandonamos o mirante e continuamos seguindo pela estradinha, que vai bordejar o cânion, entre mata nativa e plantações de eucaliptos. Vamos caminhar por cerca de quase 2 km junto ao vale e logo depois de passarmos por um grande bambuzal, vamos virar à esquerda e nos manter firmes na principal, inclusive, desprezando uma saída a esquerda e 700 metros depois, andando por dentro de uma floresta de eucaliptos, vamos continuar subindo, sempre para noroeste, desconsiderando outras saídas, tanto para esquerda, quanto para direita, até que a própria estrada vai se aproximar novamente das bordas do cânion, que ainda continua à nossa esquerda e chegaremos a uma espécie de estacionamento e logo a frente, um arremedo de trilha nos leva ao MIRANTE DA PEDRA DO GORILA. ( PEDRA DO GORILA) De onde paramos nosso carro, até o Gorila, são exatamente 5 KM, com as paradas, num caminhar lento e descompromissado diante de um sol que beirava uns 35 graus de temperatura, gastamos quase duas horas de pernadas, hora de parar para apreciar a vista e fazer um lanche, afinal de contas, a tarde já vai pela metade e a nossa água tem que ser racionada, já que havíamos pego apenas 1 litro por pessoa. Estamos a pouco mais de 900 metros de altitude, que são mais ou menos as altitudes médias dos relevos das elevações do interior Paulista, principalmente nesses chapadões. Aqui no mirante da Pedra do Gorila é praticamente as bordas norte do Itaquerí, como se estivesse na beirada do mundo. É um cenário belíssimo, onde dá para avistar vários morros testemunhos, tanto que, num cenário isolado, quem não está acostumado com a paisagem pode achar que está, guardando as devidas proporções, na chapada Diamantina. O sol está realmente muito quente. Depois de umas belas fotos encima da formação rochosa, apanhamos nossas mochilas e partimos. E poderíamos voltar pelo mesmo lugar, para depois voltarmos a interceptar o caminho que nos levaria para a trilha de acesso para dentro do cânion, mas resolvemos voltar por outro caminho, dessa vez vamos nos apegar as bordas do cânion que está do nosso lado direito e não vamos largar mais dela. No início apenas uma trilha, que depois se transforma quase numa estradinha, que vai subir e descer, passando entre os eucaliptos e a mata. Serão 3 km penosos diante da temperatura altíssima, até que do lado direito, um rasgo na floresta nos indica que chegamos ao caminho que procurávamos. Estamos agora na conhecida TRILHA DO LISINHO, uma trilha usada pelo pessoal do motocross e que praticamente ficou imprestável até para bicicleta, onde se formaram inúmeras valas por causa da erosão e hoje, até passar a pé ficou complicado, mas é por onde nós vamos seguir. É um caminho extremamente liso em alguns momentos, mas pelo menos a sombra da floresta nos ajuda a aguentar a temperatura. Em alguns momentos eu abandono a trilha e prefiro varar um pouco de mato, mas essa também é uma floresta espinhenta, então me contento com os escorregões. Meia hora depois desembocamos no Rio Passa Cinco, estamos finalmente dentro do Cânion. No ano passado, quando aqui estivemos, o rio era só um arremedo, um palmo de água espalhado no seu leito, mas hoje não, hoje está bufando e até correnteza tem. Não há outra coisa a fazer, tiramos a roupa e pulamos para dentro dele e lá ficamos, arrefecendo a temperatura, deixando a água nos levar pela força do rio, afinal de conta, foi para isso que viemos, para nos entregarmos ao lúdico, sem pressa, sem dar satisfação ao tempo. Agora temos 2 caminhos a seguir, um do lado esquerdo do rio e um do lado direito. Da outra vez que aqui tivemos, por estarmos de bicicleta, fomos barrados do lado esquerdo subindo o rio e quando tentamos a trilha do lado direito, já não tínhamos mais tempo para ir tentar achar as grandes cachoeiras, então abortamos, mas dessa vez como estamos a pé, o lado esquerdo foi o escolhido. Avançamos por uma trilha consolidada, mas do nada ela começa a desaparecer, cruza um outro afluente e simplesmente começa a subir como quem vai subir de volta para as bordas do cânion, aí tivemos que reconsiderar. Aqueles caminhos pareciam mesmo não levar a lugar nenhum, então tomamos a decisão de abandonar em definitivo e tentar a margem direita. Cruzamos por um brejo, atravessamos o rio e nos vimos cercados por uma floresta de goiabeiras, carregadas com a fruta, que aproveitamos para matar a fome. Outro arremedo de trilha foi encontrado, mas logo à frente já se perdeu e toca a gente voltar a varar mato até que bem lá na frente, finalmente interceptamos a trilha principal que vem lá da sede da FAZENDA ABANDONADA, que é justamente o caminho que deveríamos ter pego desde o começo. E a trilha é realmente quase uma avenida, que vai atravessando o rio de um lado para o outro várias vezes e talvez venha daí o nome do cânion, por transpormos o rio 5 vezes. Em alguns momentos o próprio rio é o caminho e entre algumas subidas de pedras, vamos nos aprofundando cada vez mais para dentro do cânion, vendo os paredões se fechar sob nossas cabeças, até que interceptamos um grande desmoronamento do lado direito, que marca nossa chegada aos pés das grandes cachoeiras. Já é finalzinho de tarde e por sorte o sol ainda brilha com força. A partir de quando interceptamos o rio, já andamos quase 2,5 km dentro do cânion e a chegada às CACHOIERAS DO PASSA CINCO é um verdadeiro espanto, porque é a primeira vez que botamos os olhos na queda principal, aquela que despenca bem do fundo vale, que não foi possível enxergar lá de cima do mirante, porque a cachoeira que avistamos é a cachoeira lateral, igualmente bela, mas nem se compara a queda principal. (Segunda queda da PASSA CINCO) Aliás, daqui de dentro do vale, nem é possível avistar toda a queda lateral, pelo menos do ângulo de chegada, mas a queda principal, essa sim me surpreendeu, e fico me perguntando porque levei tanto tempo para visita-la, um cenário mágico, totalmente isolada e naquela tarde, um espetáculo contemplado por apenas eu e o Dema, mesmo em uma segunda feira de carnaval. A GRANDE PASSA CINCO, é uma cachoeira com 2 quedas, onde a principal deve ter uns 70 m de altura e a segundo beirando uns 30 metros, mas lá de baixo, parece muito mais. Na queda inferior, forma um lago, que deve ser profundo, mas que nem chegamos a entrar, porque queríamos concentrar nossos esforços na queda superior, mas ainda não sabíamos se seria possível escalar o paredão para ter acesso a ela, já a outra queda lateral, que obviamente é proveniente de outro rio, só é possível ver o salto inferior, que deve ter uns 15 ou 20 metros e que despenca bem ao lado da outra. Eu e o Dema ficamos analisando o grande paredão do lado esquerdo da queda principal e decidimos que seria por lá que tentaríamos ir ao salto superior, mas decidimos subir de mochila, achamos que não era hora de largarmos nossos equipamentos. Uma névoa aspersava água sobre a gente e sobre o barranco, deixando tudo escorregadio, mas logo no começo da subida, localizamos um arremedo de corda, que nos elevou até um patamar bem mais acima, mas quem fez o trabalho, fez pela metade, porque o próximo lance já tivemos que subir escalaminhando, confiando num tronco podre e liso e quando chegamos mais acima, aí a coisa ficou feia de vez, porque a parede empinou, sem corda, sem tronco, aí tivemos que parar para analisar como seria a subida. O Dema resolveu meter o louco, agarrou na parede com unhas e dentes e se elevou metro à metro, enquanto eu dava um apoio psicológico lá de baixo. Não que fosse muito alto, mas uma queda ali e a coisa ficava feia. Na minha vez de subir, já não tinha ninguém para tentar me amparar caso eu despencasse, por isso dei uma refugada no começo, mas logo o Dema conseguiu me dar um apoio de mão, para que eu conseguisse me elevar e me segurar numa raiz podre logo acima. A partir dali, foi contornar pela direita, com todo cuidado para não despencar no vazio, e ficar diante de um dos maiores espetáculos da Serra do Itaqueri, a CACHOEIRA DO PASSA CINCO estava vencida. Enfrente a grande queda, que despenca para dentro de um poço profundo, um mirante alto nos dá abrigo da água que se espalha para quase todos os lados e foi ali que deixamos nossas mochilas. É um turbilhão de água que se joga num dos saltos mais legais da região, por ser algo exclusivo, provavelmente é daqueles lugares que meia dúzia ira chegar por trilha e pela força da água, até com rapel não é uma tarefa fácil. Para quem olha para cor da água, pode se decepcionar, claro, estamos em terreno basáltico , avermelhado, então o fundo do rio vai refletir uma agua cor de barro, não muito bonita de ver, mas se olharmos pelo ângulo da geologia, iremos desprezar essa primeira impressão e se olharmos pelo ângulo da aventura, já irão ver eu , me jogando para dentro do poço, de roupa e tudo, extasiado com aquele momento, sendo chacoalhado pela força da natureza, que faz o vento bater nas paredes do cânion , girando a água e quem lá dento estiver. Logo o Dema abandona tudo e vem me fazer companhia e aí somos duas crianças largadas embaixo daquele monstro aquático, vendo um arco-íris que passa sobre nossas cabeças em um daqueles momentos que a gente se dá conta de que o passeio valeu cada gota de suor derramado. ( Poço da queda principal da Passa Cinco) Mas antes de retornar, ainda faltava conhecer a PARTE SUPERIOR DA CACHOIERA LATERAL, que obviamente não da nem para ver lá de baixo e aproveitando que estávamos ali, subimos o barranco da direita e fomos varando mato lateralmente, com todo cuidado para não escorregar, até que conseguimos descer o barranco e nos pormos praticamente embaixo da queda de uns 50 metros de salto, outro espetáculo impressionante. Não era exatamente embaixo da queda, mas num patamar uns 5 metros mais abaixo, o que nos deixava com visão total dela despencando e até tentamos chegar onde o salto caia, mas erramos o lado e perdemos tempo, sem conseguir descer, mas já estávamos satisfeitos com mais esse presente , então tomamos o caminho de volta, apanhamos nossas mochilas e descemos a ribanceira, mas dessa vez, usamos a nossa cordinha para baixar com segurança e rapidamente estávamos de volta ao início das quedas, já de volta a trilha. ( Queda superior da CACHOEIRA lateral) A nossa intenção era acampar perto das grandes cachoeiras, para isso havíamos levado as redes e o toldo, mas ali era um lugar totalmente imprestável para acampar com um certo conforto, então resolvemos voltar pela trilha e procurar um lugar para acampar na parte mais plana, mais ou menos onde havíamos interceptado a trilha principal. E a volta foi rápida, porque agora já sabíamos o caminho largo e desimpedido e quando chegamos a uns 500 m da sede da fazenda abandonada, nos deparamos com uma clareira maravilhosa e ali demos por encerrado nosso dia intenso de caminhadas, jogamos as mochilas no chão, montamos nossas redes e fomos cuidar do jantar enquanto ainda tínhamos luz do sol. Logo cedo estávamos de pé, mas não fizemos enforco nenhum para voltar à caminhada, nos envolvemos em bater papo e jogar conversa fora, enquanto tomávamos um café mais demorado e só após isso, nos animamos a desmontar nossas redes e partir. É mais um lindo dia de sol e agora vamos percorrendo o cânion de volta, mas não andamos nem 500 metros pela larga trilha que nos levaria até a sede da fazenda abandonada e quando interceptamos uma grande moita de bambu junto a um brejo, fomos obrigados a nos deter por um instante. No ano passado, sem conhecer, tentei achar um caminho que nos levasse para fora do cânion, do lado oposto por onde entramos, justamente nesse mesmo local, mas como estávamos de bicicleta, acabei não encontrando caminho algum, mas desta vez estava convicto de que o caminho existia, mas se não houvesse, avançaríamos nem que fosse varando mato parede acima. E realmente, atrás da moita de bambu, um caminho de vaca nos conduz para a beirada do paredão e entre moitas de capim alto, localizamos um sulco de trilha, onde forcei passagem e lá estava ele, um caminho largo, quase uma estradinha. A trilha vai ziguezagueando, abrindo passagem no terreno, quase umas voçorocas, mas perfeitamente passável até para bicicletas e meia hora depois, saímos acima, bem nos pastos, estamos fora do cânion, estamos de volta ao alto dos chapadões da Serra do Itaquerí. E a visão daqui de cima é lindíssima, inclusive dá para ver a saída do cânion que se abre muito, porque os paredões se afastam, nos apresentando largas vistas dos baixios que rodeiam a serra em que estamos. Agora, nos valendo do terreno quase plano e das pastagens e de terras agricultáveis, vamos nos manter ao lado do cânion, que estará do nosso lado esquerdo, porque vamos nos dirigindo para interceptar os riachos que se jogam para dentro dele, os formadores das grandes quedas do Passa Cinco. Algumas cercas são puladas, outras passamos nos arrastando por baixo, divisas de propriedades que se estendem até as bordas dos paredões, por certo deverá haver um caminho mais fácil e direto, mas não estamos a fim de procurar. O primeiro riacho é cruzado e esse também deve formar uma cachoeira alta, mas quando estamos enfiados no cânion, não conseguimos nos dar conta, mas logo à frente, somo obrigados a nos afastar das bordas e interceptamos o outro riacho que forma a cachoeira lateral e aí nos aproximamos dos abismos para vê-lo se jogar no vazio. Claro, ainda nos falta o rio principal, o verdadeiro RIO PASSA CINCO, aquele que entra bem no começo do cânion, o próprio rio que forma a Cachoeira São José, aquela junto ao famoso Bar São Valentim. Eu e o Dema atravessamos o rio para a outra margem e ao nos aproximarmos de uma grande árvore, é possível ver o rio despencar de uma altura colossal para dentro do lago que tomamos banho no dia anterior. Do topo da grande queda, o horizonte se alargou e nos deixa ver toda a extensão do cânion, inclusive a GRANDE CACHOIERA LATERAL ou parte dela. E é incrível como sobrou somente a vegetação nativa do vale e mais incrível ainda é poder usufruir dessa maravilha sem ter que dar satisfação a ninguém, coisa rara no polo eco turístico de Brotas, que quase faz divisa das terras que estamos, porque tudo é controlado, onde é preciso vender um rim para acessar as cachoeiras e aqui é território livre. O dia já vai pela metade, então nos despedimos do rio e ganhamos novamente a estrada que nos levou até o Bar São Valentim, onde encomendamos uns espetinhos e fomos nadar na Cachoeira São José, já que a entrada também é gratuita. Não é uma cachoeira alta e a água tem um aspecto escuro, mas não suja, como eu disse, o solo basáltico reflete a cor avermelhada, mas o calor está sufocante, hora de esquecer tudo e se jogar para dentro do poço, lavar a alma e comemorar a caminhada bem-sucedida. ( Cachoeira SÃO JOSÉ) A SERRA DO ITAQUERÍ, que faz parte também do roteiro da CHAPADA GUARANÍ, no interior de São Paulo, é daqueles lugares que o turismo de massa ainda desconhece, porque se voltam mais para a região de Brotas e esse isolamento torna o lugar mais especial ainda, onde é possível visitar cavernas, cânions, cachoeiras, morros testemunhos, nadar em lagoas, fazer rapel, andar de 4x4, de bicicleta, de moto, a pé, fazer trilhas, travessias, enfim um mundo voltado para a aventura mais raiz e autentica, pequenos vilarejos charmosos que ainda é capaz de conquistar pela beleza e simplicidade. Fevereiro/2026
  4. Mais um relato da SÉRIE 30 ANOS DE AVENTURA PEDRA DO RODAMONTE – A LENDA( 2022) Já é final de tarde quando ascendemos a crista final que nos separa de uma lenda da Ilha da Aventura. Eu e o Potenza estamos completamente tomados por um sentimento avassalador, um misto de ansiedade e medo, misturado com encantamento e deslumbramento. Thiaguinho e Morado seguem à frente, abrindo uma espécie de bambuzinho apenas com a força do ódio, já que vínhamos enfrentando uma vegetação cretina desde a parte da manhã. Quando nossa alma tocou o último degrau, o ultimo e derradeiro penhasco e a PEDRA se apresentou para gente, aí sim, fomos inundados por um oceano de emoções, porque sabíamos que havia chegado a hora, o desafio havia sido lançado em nossa direção, fomos chamados para a aventura ou a gente escalava aquele gigante rochoso ou simplesmente teríamos que enfiar o rabo entre as pernas e voltar para casa com um fracasso no bolso. A PEDRA DO RODAMONTE é daquelas montanhas que ao longo do tempo, acabou por se tornar uma LENDA entre a comunidade montanhista, bom, pelo menos entre o nicho dos montanhistas raiz, aqueles poucos que ainda restaram em matéria de montanhismo de aventura e exploração. Muito porque, a única menção a essa formação rochosa, vinha de um aventureiro do passado (AUGUSTO), que tentou chegar até ela por duas vezes, mas não obteve sucesso. Mas tudo na vida parece ter o seu tempo e sua hora, então acabou que a gente se dedicou a tocar “trocentos” outros projetos, inclusive subindo outros picos selvagens na própria Ilhabela, montanhas que receberam muito menos gente que a lua. E toda vez que eu olhava aquelas montanhas na travessia da BALSA, sempre me vinha à cabeça sobre os mistérios que poderiam se esconder no topo daquela PEDRA, que num passado muito distante, eu até pensei que ela seria o tal do Pico do Papagaio, pela semelhança com a ave bicuda. ( Rodamonte ao fundo) O tempo passou, subimos não só o Papagaio, como o Queimada do Frade, o Pico do Eixo, o distante Serraria, a Agulha do Bonete, sem contar o turístico Baepi, além de explorar uma infinidade de rios selvagens e praias e cachoeiras isoladas dos olhos humanos, mas chegou uma hora que não foi mais possível adiar e assim, o RODAMONTE entrou em definitivo no nosso radar, já era tempo de formar um grupo e botar os pés naquela montanha lendária, mesmo que a gente ainda não soubesse qual seria o nosso ponto de partida. ( Foto tirada pelo Augusto em 2001, um zoom que fez a pedra ficar menor) As discussões giraram em torno do relato do Augusto, que teria partido lá pelos lados da Cachoeira do Veloso, encontrado uma picada que o levou bem próximo da PEDRA. Mas o relato era de mais de 20 anos atrás, bem provável que essas picadas nem mais existissem, além do que, também não é muito fácil conseguir extrair todas as localizações apenas de um relato, então simplesmente resolvemos descartar essa possibilidade e fomos a procura de outra solução, tentando achar pelo menos um ponto de partida. Localizamos no aplicativo de trilhas (wikloc ) um caminho que partiria próximo ao píer do CABARAÚ e que subia a encosta por trilha até acima da cota 250 de altitude, o que já era melhor do que partir varando mato da cota zero. Bom, realmente imaginávamos que aquele caminho seria uma trilha, mas não foi bem isso que encontraríamos durante a expedição. Traçado a estratégia, lançamos o convite nos grupos de trilhas, que a cada dia ia ficando cada vez menor ou ao menos, com cada vez menos gente a fim de se enfiar nessas expedições dos quintos dos infernos, alguns botaram a culpa no trabalho, outros quando ouviram falar na possibilidade de escalada com corda, já pularam fora, enfim, o mundo do montanhismo raiz vem a cada ano se desintegrando, perdendo adeptos para outros esportes menos filhos da puta, como a escalada, por exemplo. Então, além de mim, o Thiago Silva e o Paulo Potenza, veio se juntar a nós, o paranaense mais casca grossa do Estado. Marcelo Morato se deslocou do sul do pais e veio nos fazer companhia, formando assim o quarteto fantástico, mas nem tanto. ( rsrsrsr) Antes das nove da noite, o Thiaguinho e o Morato nos apanhou na rodoviária do Tietê e mesmo antes da meia noite, já estacionamos em São Sebastião e como de costume, atravessamos para a ilha pela balsa, apenas como passageiros, já que agora em diante não necessitávamos mais do carro e optamos por usarmos o transporte público, que pouco antes da uma da manhã, nos deixou bem em frente ao PIER DO CABARAÚ. Tomando portando, o asfalto no sentido sul da ilha, não andamos nem 2 minutos e já entramos à esquerda, subindo numa rua calçada e em mais 5 minutos passamos em frente a uma casa onde o asfalto terminou e aí aceleramos o passo para nos livrarmos logo de um cão barulhento e ganhamos a escuridão da noite, já longe de qualquer habitação. Interceptamos o caminho marcado pelo gps, subindo um córrego a nossa direita, abandonando em definitivo a estradinha que a frente se tornaria uma trilha, mas que a gente não havia se dado conta disso. Estávamos caminhando agora às margens desse riacho, subindo ele, mas não era propriamente uma trilha e sim uma picada que desaparecia constantemente, fazendo com que a gente caísse no leito do riacho, pulando pedras para não molharmos as botas. Aquele traklog era cretino e parecia que não nos levaria a lugar nenhum e a madrugada foi chegando, a gente caindo de sono e nada de encontrar um lugar decente para acamparmos, mas depois de nos lascarmos todos numa florestinha de espinhos, interceptamos uma trilha vindo da esquerda, que nos levou para longe do riacho e nos jogou num bosque plano e com arvores frondosas e aí não tivemos mais dúvidas, jogamos as mochilas ao chão e demos por encerrada nossa caminhada noturna. Já eram três da manhã, estávamos exaustos e eu e o Potenza optamos apenas por jogar nossos isolantes ao chão e bivacar, mas o Thiaguinho e o Morato ainda tiveram forças para montar suas redes, mesmo que nem tenham se dado ao trabalho de montar os toldos, já que a previsão era zero milímetro de chuvas e a noite estava extremamente quente. Antes das nove da manhã, desmontamos tudo e partimos. A trilha/picada nos devolveu à TRILHA PRINCIPAL, justamente a que havíamos abandonado depois que a rua acabou, mas que a gente não se deu conta que existia. Foi aí que notamos que o caminho que seguimos tratava-se apenas da marcação para medir a qualidade de água ou para jogar algum larvicida a fim de diminuir a infestação de borrachudos na ilha. Paciência, nos lascamos à toa, mas agora, na trilha larga e desimpedida, vamos avançando até que essa trilha também nos leva para outro leito de rio, atravessa para o outro lado e em 2 minutos tropeçamos numa cerca junto a um final de um possível condomínio, mas ainda longe das casas. Pulamos a cerca e subimos para a esquerda, vamos passando por várias caixas d’agua até que essa trilha termina a 270 metros de altitude, bem numa minúscula barragem, de onde despenca uma cachoeira e as vistas se alargam de vez, fim da linha. Ali traçamos nossa nova estratégia: Decidimos que usaríamos esse outro riacho como caminho, subindo por ele até onde fosse possível, depois o abandonaríamos para a direita em direção ao Rodamonte, mas antes era preciso achar um jeito de escalar uma parede de uns 100 metros de altura para ganharmos o alto da cachoeira. Optamos por subir pela direita da grande cachoeira, subindo por uma rampa de pedra até que interceptamos uma CORDA, provavelmente usada pelos locais para dar manutenção nas mangueiras de captação. Escalamos pela corda e ganhamos metade da cachoeira, pulamos o leito do rio, onde tinha uma piscininha e um pequena gruta e vendo que a parede a nossa frente era impossível escalar, nos afastamos para a esquerda e empreendemos um vara mato após contornar uma grande pedra e galgar um barranco que nos levou direto para um amontoado de matacões que formavam excelentes abrigos em formato de grutas. Passamos raspando as barrigas nessas enormes pedras até voltarmos para o rio, agora no topo da cachoeira, num cenário de tirar o fôlego. Estamos há exatos 400 metros de altitude, sentados no topo de uma cachoeira com pouca água, mas com uma vista deslumbrante, onde céu, mar e montanhas se confundem com a própria água do riacho e o mundo nunca nos pareceu tão azul. Mal passa das 10:30 da manhã e a equipe, que até então estava meio ressabiada com a decisão de tomar aquele rumo, agora se abriu num sorriso de felicidade e satisfação, porque conseguir ver caminho aberto através do riacho, nos dava esperança de que poderíamos avançar mais rápido, sem ter que comer muito bambu, coisa que a gente tentava evitar a qualquer custo. Agora, dentro do rio, fomos ganhando altitude aos pouco, transpondo grandes lajes com laminas d’agua, que nos permitiam subir escalaminhando e quando essas lajes aumentavam a inclinação, sempre conseguíamos encontrar um caminho subindo pela margem esquerda, as vezes nos valendo de vestígios de algumas picadas ou simplesmente varando mato ralo de acesso tranquilo ou pulando pedras no leito do rio, até que ganhamos em um hora de caminhada, pouco mais de 130 metros de desnível, chegando aos 530 de atitude, praticamente havíamos ganho metade da altitude que teríamos que percorrer, mas um CACHOEIRA de um afluente nos fechou o caminho, hora de picar a mula do rio e voltarmos para o inferno de bambus. Abandonar um caminho desimpedido e de acesso livre, não é fácil, mas infelizmente a direção que o rio tomou, não serviria mais aos nossos propósitos, então escalamos o barranco a nossa direita, que nos prendia dentro do vale e ganhamos o alto, para azar nosso, tomado com os desgraçados bambus. E mais uma vez, ali estávamos nós, presos naqueles malditos bambus da Ilhabela, avançando 100 metros por hora. É um sofrimento em conjunto, mas também individual e cada qual cultiva sua dor como pode, ainda mais que agora tivemos que aumentar o peso nas mochilas, tendo que apanhar uns 3 litros de água por pessoas para sobreviver nos próximo dia e meio. O avanço é lento, modorrento, dolorido, cansativo, ainda mais porque, mesmo estando em pleno inverno, a ilha está sob a influência de uma massa de ar quente, que faz a temperatura se aproximar dos 32 graus, é um verdadeiro inferno de calor e mormaço. Quando uma floresta de bambus é vencida, simplesmente nos jogamos ao chão para um gole de água mais demorado e para mordiscarmos alguma coisa, tentando premiar o nosso corpo pelos feito recente. Mas é preciso avançar, ganhar terreno, ganhar altitude, porque o dia já passou da sua metade faz tempo e se não nos apressarmos, corremos o risco de bater na PEDRA só à noite, aí a nossa chance de tentar bater cume, simplesmente diminui muito. Outra floresta de bambu é cruzada e quando já não aguentamos mais comer bambu, somos levados pelas curvas do terreno em direção a um terreno onde nos deparamos com arvores grandes, um bosque onde tropeçamos numa picada antiga. Estamos acima dos 700 metros de altitude e essa antiga picada vai nos conduzindo cada vez mais para cima, até que vimos surgir bem ao longe, a sombra do Rodamonte, mas é apenas a ponta do gigante, que vimos por entre a vegetação. Os meninos querem avançar pela picada, que morre aqui, renasce ali, mas eu já acho que é hora de parar de subir e apontar logo o nariz em direção à Pedra, porque já tô achando que estamos ganhando altitude desnecessária, até que ao batermos na COTA 1000 de altitude, me rebelei e insisti em mudar de direção. Esse ato de indisciplina, causou um pouco de mal-estar porque alguns achavam que deveríamos ir ao cume da crista e tentar ver se não haveria uma trilha mais consolidada lá encima, talvez a própria picada ou trilha citada pelo AUGUSTO há mais de 20 anos atrás. Mas eu estava de saco cheio, queria varar mato logo em direção ao PEDRA, deixar de lenga-lenga e partir para o nosso destino de vez. O impasse durou por algum tempo, até que o Thiaguinho contornou uma grande rocha e se dirigiu para PEDRA, varando mato novamente. Eu o acompanhei de perto, até que assumi a dianteiro e vento o rasgo iluminado no meio da floresta, me livrei dos últimos malditos bambus e ganhei uma RAMPA DE BARRO, um deslizamento de uns 100 metros, uma verdadeira parede em pé que nos levou a quase 1.100 metros de altitude, vem aos pés de um amontoado de pedras gigantes que muito provavelmente marcaria o cume da crista e que imaginamos que a foto tirada pelo aventureiro do passado, teria sido feito do seu cume, mas com acesso vindo por trás, porque onde estávamos era impossível subir. De onde estávamos, era possível ver o bico da pedra, um pedaço minúsculo por entre as árvores, mas o suficiente para botar pilha no grupo. Agora teríamos que voltar a perder mais de 150 metros de desnível, num buraco descomunal, onde tivemos que nos valer de algumas fitas para conseguir descer. Avançamos lentamente, com cuidado, até que encontramos uma CRISTA perfeita, que não media mais que 3 metros de largura com abismos dos 2 lados. O avanço foi lento, a crista estava tomada por um bambuzinho de difícil transposição. Thiaguinho e Morato iam à frente, enquanto eu e o Potenza nos mantínhamos na retaguarda. Mãos geladas, coração disparado, adrenalina inundando nossa capacidade de nos mantermos concentrados e quando a PEDRA surgiu no final da CRISTA, a gente quase enfartou. Diante dos nossos olhos, aquilo que até então não passava de um projeto sobre uma carta topográfica ou uma imagem de satélite, se materializou na nossa frente, um MONSTRO GIGANTESCO que se elevava do outro lado do vale de onde estávamos, muito maior do que imaginávamos. Ali marcava o final da crista e agora era preciso encontrar um caminho que nos levasse na base da pedra. Era preciso nos lançarmos definitivamente para baixo, nos atentando para os abismos, que pareciam nos chamar e enquanto o Morato e Thiaguinho desenrolavam essa descida, eu e o Potenza nos prostramos à frente da pedra colossal, meio que em transe, extremamente nervosos e ansiosos pelo que viria pela frente. Claro que o fracasso e sucesso de uma expedição depende de todo mundo, é o grupo quem faz algo dar certo, mas no fundo, nós dois sabíamos que de agora em diante, se fosse necessário escalar, seríamos nós quem deveríamos assumir a bronca, afinal de contas os pseudos especialistas na escalada éramos nós dois e isso nos deixava angustiado e ansiosos. Surpreendentemente, ao lado do final da crista, uma rampa entre duas paredes, nos abriu um portal que nos levou quase que escorregando no tobogã, para bem mais abaixo, mas foi precisa passar com toda a atenção para não sermos jogado para o vazio, aí outra rampa cercada de mato nos conduziu para o ultimo e derradeiro patamar, que nos apresentou a GRANDE FENDA de rocha e mata, um rasgo na pedra, o caminho que traçamos para o topo, era chegada a hora da onça beber água. Os meninos que iam à frente abrindo caminho, estavam tão pilhados, que quando eu e o Potenza nos aproximamos da fenda, Morato e Thiaguinho já estavam no meio dela, escalaminhando a parede íngreme e lá dentro, o Morato deu um grito, nos avisando que havia encontrado um rudimento de escada, já pulverizada pelo tempo. Eu e o Potenza nos olhamos, mas ninguém disse uma palavra e nem precisava, imediatamente a expressão de alivio saltou das nossas faces e lá no fundo, nós sabíamos que se alguém tivesse subido aquela pedra, nós também subiríamos, mesmo ainda não sabendo como, mas não sairíamos dali sem botar os pés no cume. O Potenza se adiantou e foi se juntar aos dois que já se posicionaram ao lado da escadinha de troncos, de onde pendia um cabo de aço e uma velha corda carcomida pelo tempo. O Morato subiu em um laço do cabo, enfiando um dos pés e com o outro apoiou na escada, mas sem botar muita força, até que sua mão conseguiu segurar na corda e se elevou, vez ou outra apoiando na parede que subia atrás das suas costas. Lá embaixo, ainda socado na entrada da fenda, eu acompanhava com apreensão, porque ouvia a velha corda chiar, como se fosse estourar a qualquer momento, numa angustia que parecia não ter fim. Por sorte o Morato ganhou o alto e instalou umas fitas de escalada para que o Potenza e o Thiaguinho pudessem subir com mais segurança, mas quando o último antes de mim partiu, levou para sempre o que restara da velha escada e eu simplesmente fiquei sem apoio para os pés, mas percebi logo que eles estavam bobeando, estavam tentando passar espremidos entre as duas paredes e estavam sendo travados pela mochila, quando o melhor a fazer era simplesmente balançar o corpo para esquerda e escapar da rocha e ganhar altitude apenas se elevando, caminhando na parede, fácil e sem desgaste físico e psicológico. Retiramos as fitas e partimos para o segundo lance, que não passou de uma escalaminhada sem maiores problemas, até que nos vimos diante de uma enorme parede que subia à nossa esquerda, sendo que à nossa frente, a PEDRA se partia ao meio, formando uma fenda gigante e ao lado direito, era possível se elevar numa escalaminhada, mas que não dava para lugar nenhum, então nos concentramos em achar uma solução na parede à esquerda, se houvesse um caminho, teria que ser por ali, mas não tinha nenhum vestígio deixado por exploradores do passado, teríamos que dar o nosso jeito, conquistar aquela montanha dependia só da gente. O Potenza foi o primeiro trouxa que se apresentou para tentar escalar a parede. E era uma escalada na unha, numa prede com uns 80 graus de inclinação, forrada de vegetação baixa, que ao serem tocadas, desgrudavam da rocha e deixava a pedra nua. Esse tipo de escalada é muito pior do que uma escalada clássica, porque embaixo da vegetação, a rocha fica molhada e não há aderência para os pés e também tem o fator de ir subido e não ter onde proteger, então o escalador vai ganhando altura e ficando cada vez mais exposto a despencar e isso vai minando o psicológico, enervando quem escala e a gente que está plantado lá embaixo, tentando nos manter concentrados para minimizar a queda do escalador, caso ele despenque, muito porque, numa queda, a chance de passar reto do patamar mais abaixo e despencar no vazio , é enorme. E o Potenza sofreu e nós sofremos juntos. Na eminencia de despencar, ele chamava por todos os santos, na ânsia de que os mesmos viessem em seu auxilio, espantar os demônios que pairavam sobre os seus ombros. Lá embaixo, a gente dava apoio psicológico e eu pedia para que ele se mantivesse colado o máximo à rocha, com as mãos grudas em qualquer vegetação que ele pudesse segurar, até que ele chegou ao patamar mais acima e os nossos corações se acalmaram de vez. O segundo a subir foi o Thiaguinho, que foi arrastando os últimos vestígios de vegetação e quando chegou bem perto, foi puxado pelo Potenza. Agora, lá embaixo, vendo que não existia mais no que se segurar, eu tive que contar com o auxílio das fitas de escala, que foram unidas para que pudéssemos nos agarrar a elas e ter uma tábua de salvação caso despencássemos. E foi mesmo preciso que o Thiaguinho e o Potenza fizessem a segurança de corpo, porque não havia nem árvores para ancorar a nossa corda na direção de onde estávamos, claro que poderíamos subir um pouco mais e usarmos uns arbustos um pouco mais acima, mas sem querer perder tempo e já com adrenalina a mil, improvisamos a subida final. Quando eu cheguei ao patamar onde estavam os 2 primeiros, eu estava já tresloucado. Me livrei da fita e fiquei olhando os 2 darem segurança para o Morato subir e então meu coração não conseguia se aquietar. Eu olhava para todos os lados, cassando a sequência da subida, admirando sobre minha cabeça, um monólito descomunal de onde descia uma parede que se estendia até onde não poderia mais ser vista, servindo aos abismos profundos. Eu estava eufórico, não tinha mais como segurar. Me encostei na rocha que estava do meu lado esquerdo e fui ganhando uma crista fina, meio metro de largura até que uma espécie de rampa fosse baixando e eu conseguisse subir numa rocha exposta e me lançar direto para a própria rampa, ganhando o alto e com um pulo certeiro, me pus à caminho do estirão final. Quando me pus de pé e os horizontes se alargaram sobre o Canal de São Sebastião, eu quase desmontei e mesmo sabendo que poderia galgar a rampa e atingir o cume, que estava a menos de um minuto de onde eu estava, fiz questão de esperar que o grupo se juntasse, a glória do montanhismo só pode ser completa quando pode ser compartilhada por todos. No momento em que eles chegaram, eu já estava envolto em lágrimas, extremamente emocionado. Cada qual que ia tomando ciência do momento mágico que estávamos vivendo, igualmente a mim, iam se desmanchando de tanto chorar e quando todos se abraçaram naquele finalzinho de tarde, a PEDRA DO RODAMONTE virou mar e esse talvez tenha sido o dia mais emocionante que vivemos juntos em todos esses anos de montanhismo selvagem. Ainda não era o cume, porque nos faltava galgar a rampa final, um lance de não mais de 20 metros, onde era preciso saltar sobre uma boca de fenda escondida pelo mato e quando lá chegamos, o abraço coletivo novamente se repetiu e aquela montanha, aquela PEDRA, que até então fazia parte do nosso imaginário, existindo apenas como um ponto perdido numa carta topográfica e numa tosca imagem de satélite, se materializou definitivamente e seus não oficiais 938 metros de altitude, mais uma vez recebeu pés humanos, como eu disse, provavelmente menos gente que o solo lunar. (Thiaguinho , Divanei , Morato e Potenza ) O CUME DO RODAMONTE era pequeno, não mais que uns 3 metros de comprimento por 2 de largura, pontuado por uma gramínea e uns arbustinhos que se estendiam até a beirada do abismo. Na sua parte rochosa de cume, antes da rampa, nos surpreendemos com um marco do CAP (Clube Alpino Paulista) datado de 1.990, a data da conquista e também cunhado na plaqueta de alumínio, uma inscrição que nos levou a entender que estiveram lá, também em 2001, mas não era possível ter certeza se era isso mesmo. O certo é que nos pareceu mesmo, que depois disso, a montanha foi simplesmente esquecida e ignorada pelo montanhismo tradicional, tanto que não é possível encontrar nada, nem no limbo da internet,que possa nos dizer que outros voltaram a subi-la, talvez um nativo ou outro, mas ainda assim por ser uma montanha que exige um nível técnico, essa chance nos pareceu bem inviável. Esquecendo um pouco da parte geográfica, mas nem tanto, voltamos a nos concentrar nas larga vistas que a montanha nos proporcionava e podemos afirmar que essa é de longe a vista mais espetacular que se pode ter da ilha vista de uma montanha. O sol já dando sinais de que iria nos deixar, mas antes disso, pintou um quadro que será difícil apagá-lo da nossa memória. Um oceano pontilhado de ilha, desde o Montão de Trigo até Alcatrazes, num canal onde barcos gigantescos navegam tranquilos feito canoas caiçaras e lá de cima o mundo nunca nos pareceu estar tão em paz. Atrás de nós, olhando para o interior da ilha, o PICO DO PAPAGAIO é o rei do horizonte e quando o sol se vai de vez, as luzes da cidade de Ilhabela e São Sebastião, nos dão as boas-vindas, nos chamando para um dos maiores espetáculos luminosos das nossas vidas. A noite chega com ventos secos e não querendo abandonar aquela visão dos sonhos, decidimos que iríamos BIVACAR no cume, um acampamento sem barraca, sem cobertura, apenas a arte de jogar isolante e sacos de dormir ao chão e acampar. Mas o cume é tão pequeno que o Potenza teve que se virar no sopé da rampa, enquanto os outra três, improvisaram um apoio com as mochilas para conseguir esticar o corpo, metade na rocha, metade na graminha de cume, mas nem pensar em rolar para não cair nos abismos da serra. No cume, sem barraca, não foi nem preciso nos levantar para ver a alvorada, apenas nos sentamos onde estávamos mesmo, para acompanhar o sol derramando seu prateado sobre nós, sobre a ilha e sobre o mar. O dia prometia ser novamente muito quente, apesar de estarmos em pleno inverno. Tudo aquilo era muito lindo, mas infelizmente acabei esquecendo de trazer o livro de cume que eu havia feito e então, improvisamos um descritivo com a data e os nossos nomes dentro de uma pequena garrafinha e a amarramos junto a placa da conquista e quando nosso coração decidiu que era hora departir, abandonamos o cume a sua própria solidão e partimos. ( Ao fundo, Pico do Papagaio , 1307 m) Para descer, optamos por instalar uma corda de rapel, amarrando numa pequena árvore, mas só o Potenza usou os equipamentos, nós três decidimos agilizar e descemos na mão mesmo e quando chegou na fenda, usamos também as cordas para descermos rápido até o sopé da pedra e quando todo mundo chegou, nos reunimos para montar a estratégia de volta: Antes da subida, eu e o Morato já havíamos confabulado sobre, ao invés de voltarmos a subir quase 200 metros de desnível, ganhar logo uma rampa de descida. E foi isso que fizemos, fomos caminhando encostados à PEDRA até que me deparei com um lance bem alto, onde continha um arremedo de corda, denunciando que talvez aquela fosse a rota da conquista. Logo à frente um buraco parece que vai nos deter, mas ao me aproximar dele, localizei uma rota de descida que nos levou até um patamar mais abaixo e foi quando me posicionei na “esquina” da PEDRA, bem na frente rochosa, onde um bico formava um balcão invertido, um monstro de pedra que marcava o fim da nossa rota, nos jogando agora para um mato fechado, um mato sem cachorro. Escorregamos para o mato desgraçado, perdendo altitude considerável, mas o que parecia estar ruim, piorou de vez. À nossa frente, uma floresta de bambus espinhudos, um inferno quase que intransponível. Eu e o Thiaguinho fomos à frente, nos revezando na arte de se fuder, abrindo caminho no peito e se já não bastasse as dificuldades que estávamos enfrentando, ainda tínhamos que ouvir as lamúrias do Potenza, reclamando do caminho tomado, segundo ele, fazia mais sentido retornarmos tudo, subirmos ao topo da serra e encontrarmos o caminho de volta. A gente não avançava, os espinhos iam nos destruindo, furando cada centímetro de pele exposta, mas a conversa fiada do Potenza, eram como espadas que dilaceravam a nossa capacidade de não mandar ele tomar no rabo. ( rsrsrssrs) Talvez o Potenza tivesse razão, talvez a gente tenha sido um pouco intransigente ou talvez não, o certo é que a gente tinha que achar um jeito de nos livrarmos daquele bambuzal e tentar uma diagonal para interceptarmos nosso caminho do dia anterior, mas para isso, tivemos que voltar a subir um pouco e mirar nosso nariz para o lugar onde haviam grandes árvores, num terreno mais aberto. A estratégia deu certo e quando alcançamos a área de bosque, o bambu já era passado e eu e o Potenza já estávamos fazendo galhofa do entrevero momentâneo. O Morato tomou a dianteira, mas não demorou muito, já teve que recuar por causa de uma jararaca monstro que interceptou seu caminho e não querendo incomodar a bichinha, demos a volta numa grande rocha e finalmente cruzamos com o caminho do dia anterior, já na altitude 690. Agora caminhávamos em caminhos melhores, até que interceptamos um arremedo de picada e pensando que ela nos levaria muito mais rápido para baixo, tentamos segui-la, mas essa simplesmente se perdeu do nada, então retornamos e nos grudamos ao nosso caminho do dia anterior, saindo levemente para a direita, até interceptarmos a nascente da cachoeirinha e ali paramos para um demorado lanche e para nos esbaldarmos de tanto beber água. A fim de evitar o bambuzal que sabíamos ter à frente, antes de chegarmos definitivamente de volta ao rio, decidimos usar o afluente como caminho, desescalando pedra e não demorou muito, já nos virmos no topo da própria cachoeirinha, então apenas saímos para a esquerda, descemos o grande barranco e finalmente chegamos ao RIO CABARAÚ, apesar do bambuzal no sopé do Rodamonte, esse caminho de volta foi quase perfeito. O rio é o melhor caminho que alguém possa desejar, pelo menos nessas expedições selvagens, porque é avanço rápido, desimpedido e sem os malditos bambus. Então ganhamos rapidamente as lajes com apenas uma lamina de água e descemos numa velocidade impressionante e como estávamos com tempo de sobra, paramos novamente no topo da cachoeira de acesso, para que alguns pudessem tomar um banho, naquela tarde extremamente quente. Com a energia renovada, desescalamos novamente a rampa que nos levou até o alto da cachoeira e ganhamos a picada na direita, passamos pelas grandes tocas, escorregamos pelo barranco e voltamos para a esquerda até interceptarmos o rio, cruzá-lo para outra margem, ganharmos o lance da corda e sem perder tempo, baixamos novamente para trilha principal, bem na barragem que represa água para abastecer as casas mais abaixo. Agora na trilha larga, caminhamos até o terreno descampado do final do condomínio, que nem chegamos a ver as casas, pulamos a cerca para a direita, ganhamos o riacho e atravessamos até nos vermos na grande trilha, que em meia hora nos devolveu à civilização, onde reencontramos nosso amigo cachorro, que continuava na espreita. Já na rua, passamos pelas casas na surdina, sem fazer alarde e ganhamos o asfalto principal, ENTRAMOS SEM SERMOS VISTOS, SAÍMOS SEM SERMOS NOTADOS, missão mais do que cumprida. Ao ganharmos o asfalto, nos dirigimos em direção ao píer do Cabaraú, mas antes de lá chegarmos, entramos no caminho à esquerda, que nos levou em 2 minutos, direto para a Prainha do Cabaraú, muito cênica, pontilhada por meia dúzia de coqueiros e uma água limpíssima. Na pequena praia, aproveitamos para lavar a alma e comemorarmos juntos, o sucesso daquela expedição, enquanto ao longe, admirávamos nossa PEDRA , um solitário monólito destacado da paisagem verde, que outrora fora um mistério , uma lenda entre os montanhista, mas hoje o nome RODAMONTE , é só mais uma na nossa seleta lista de conquistas nessa incrível ilha e nessa sensacional Serra do Mar Paulista. (Thiaguinho, Morato , Divanei e Potenza) Xxxxxxxxxxxx
  5. Consegui editar, agora as foto voltaram.
  6. Estranho, até ontem estava, vou editar.
  7. ESTRADA PARQUE SUL-MATO-GROSSENSE. Quando desembocamos em CORUMBÁ, o dia estava encandecente , como sempre foi por aquelas bandas. Eu já estivera por lá 3 outras vezes , indo ou voltando da Bolívia e do Peru, porque simplesmente é o ponto de partida para o lendário TREM DA MORTE , basta atravessar a fronteira para o país vizinho e embarcar para Santa Cruz de la Sierra-BO, mas dessa vez seria apenas um porto para outra viagem , mas agora para dentro do próprio país. E quando falo porto, tem tudo a ver, porque a cidade está às margem do incrível Rio Paraguai e por isso mesmo se auto denomina CAPITAL DO PANTANAL SUL. ( RIO PARAGUAI, Corumbá) Aproveitamos para um bom mergulho numa das praias do rio e no outro dia partimos para fazer a travessia de carro pela Estrada Parque, numa extensão de mais de 120 km , aproveitando que estávamos na estação seca e não necessitaremos de um 4x4 . Bem sedo, fomos em direção para quem vai voltar para Miranda e uns 15 minutos depois, abandonamos a rodovia pavimentada e pegamos para a esquerda, numa rotatória que indica a direção à Porto Manga( MS 228). Uma estrada empoeirada, onde caminhões vindo de alguma mineradora, infernizam as nossas vidas , nos cobrindo de terra o tempo todo. A informação de que seria melhor atravessar a estrada parque na seca , nos levou ao erro, simplesmente porque não sabíamos que estava tão seco , tão seco a ponto da maioria das lagoas que beiram o caminho , praticamente não terem água, só sobraram cheias as lagoas maiores . O primeiro trecho é cruzado por incontáveis pontes e serão mais 100 e em algumas delas , jacarés vagabundos nadam preguiçosamente. O caminho segue , sempre cruzando por mais pontes, a maioria são cruzadas sobre terreno seco e uma hora e meia depois, trafegando a 60 km por hora ou até menos, interceptamos o povoado de PORTO MANGA, bem às margens do impressionante rio Paraguai , obviamente, um pouco mais abaixo de Corumbá. É um povoado minúsculo, pontilhado por casas sobre palafitas e um ar de fim de mundo paira sobre o lugar , deserto de gente, deserto de casas , espremido do lado direto do rio , sem pontes , apenas servido por uma balsa velha que , se aproveitando da situação, arranca o couro dos turistas desavisados , cobrando 80 reais por veículo para uma travessia de pouco mais de 100 metros. Quando chegamos era hora do almoço e balsa não funciona, então aproveitamos para comer algo numa birosca poeirenta e depois, fui nadar no rio. Com muito tempo a disposição, fui dar uma volta pelo povoado pra conhecer uma construção característica e única, trata-se da casa usada pelo lendári desbravador do Brasil, o MARECHAL CÂNDIDO RONDON, que por ali passou , abrindo as fronteiras , estalando telégrafos. Como nossa passagem seria rápida , a intenção era apenas cruzar de carro no mesmo dia , não tive dúvidas, saquei do porta malas do carro, uma varinha de pesca, que sempre carrego comigo e como não haveria tempo hábil para ir atrás de iscas específicas, lancei mão de uma calabresa e fui me divertir, pescando umas piranhas , que obviamente foram devolvidas ao rio . Quando a balsa estacionou, embarcamos nosso carro, pagamos a "extorsão" e fomos curtindo a travessia , que não leva mais que uns 10 ou 15 minutos e nos deixa novamente na sequência da Estrada Parque, que a partir daqui, iremos encontrar um pouco mais de propriedades , mais áreas alagadas e outras incontáveis pontes , algumas com a possibilidade de ver alguns jacarés. Mais à frente , o caminho vira a direita e entra em outra estrada a MS 184 e até aí já rodamos uns 70 km, uns 20 depois de Porto Manga. Aí rodamos mais uns 35 km até o RIO MIRANDA , onde há um povoado ribeirinho , um pouco maior que MANGA , mais movimentado, onde há uma ponte para passagem de veículos e uma de madeira , que cruza o grande rio por baixo, onde os nativos se divertem e eu , sem nada pra fazer , aproveito para aplacar o calor e me batizar em mais um rio pantaneiro. ( RIO MIRANDA) A tarde já se avizinha e a viagem tem que seguir, afinal de contas , ainda temos uma viagem longa até a cidade de Miranda e 8 km depois , interceptamos novamente a rodovia, junto ao posto da polícia rodoviária , quando o sol já havia nos deixado. Não foi exatamente o passeio que sonhamos, a seca não nos deixou ver os bichos que fomos procurar , mas como já estávamos ali na região de Bonito, curtindo férias , vislumbramos a possibilidade de aproveitar a oportunidade, já que dificilmente faríamos uma viagem somente pra isso . E viajar é isso mesmo, nunca será possível prever o que vai acontecer, mas alguns diriam que escolhemos o momento errado, e para esses eu sempre digo, se formos esperar o momento certo na vida, nunca iremos fazer nada e o momento certo é um só: Quando temos TEMPO, SAÚDE E DINHEIRO para fazer as coisas , do resto a vida se encarrega de botar tudo no seu lugar. Divanei Goes de Paula
  8. Estive fazendo os roteiros de Mato Grosso , me recusei a pagar uma fortuna para ir na caverna e mesmo dentro do Parque Nacional, era um burocracia dos infernos para subir até o cume do parque, tendo que morrer com guias e grana. Brotas eu frequentei muito, moro a uns 120 km de lá e acampava nas cachoeiras nos anos 90 , hoje querem te cobrar mais de 200 reias numas quedas barrentas, já faz anos que não vou lá. Ainda tenho a sorte de viver junto a Serra do Mar, onde consigo ir à lugares incríveis sem precisar pagar nada, mas a gente tem que viver na clandestinidadel, vivendo como bandido , só por ir tomar banho de rio ou subir alguma montanha selvagem.
  9. BONITO, é sem dúvida um espetáculo, mas não dá para normalizar um valor de 400 reias por um passeio e olha que tem passeios que chegam a custar mais de mil reais. O absurdo é tão sureal, que uma entrada para Machu Pichu, um atração MUNDIAL, não custa 400 reais. Mas o Brasil está indo para um caminho sem volta, amigos estiveram na Chapada dos Veadeiros, onde uma cachoeira chegou a custas mais de 400 reais por pessoa , simplesmente porque as vendas são casada, vc é obrigado a comprar a cachoeira e um monte de outras coisas sem ter opção. Imagina uma família de 3 ou 4 pessoas, vão gastar um salário mínimo em apenas um passeio. Foi como eu disse, nenhuma atração natural no país deveria custar mais que uma entrada em um parque nacional. Por outro lado, a rede hoteleira vai no embalo e se hospedar e se alimentar nesses lugares, virou artigo para ricos. E talvez essa seja mesmo a intenção, atrair só quem tenha dinheiro, uma especie de apatartheid social.
  10. TRAVESSIA: PARQUE ESTADUAL XIXOVÁ - JAPUÍ Confesso, nunca fui muito fã das praias do litoral central do Estado de São Paulo, o que chamamos carinhosamente de Baixada Santista. Sempre me pareceu lugares muvucados de mais, gente de mais, praias totalmente urbanas, que não despertava muito a minha admiração. Claro, dezenas de anos atrás, frequentei algumas, principalmente as praias quase selvagens do extremo norte do Guarujá, ali na divisa com Bertioga (Praia Branca, Preta), mas depois que conheci o litoral Norte Paulista (Bertioga, São Sebastião, Ilhabela e Ubatuba), a baixada santista virou apenas passagem. Mas calhou nesse ano, que fui intimado a acompanhar parte da família que mora no interior do Estado e que pela primeira vez iriam conhecer o mar e como o local escolhido por eles, onde alugaram os apartamentos, foi a famigerada PRAIA GRANDE, não me sobrou outra alternativa senão, inventar alguma trilha, algum roteiro que nos tirasse de lá e nos levasse para uma praia de verdade, então era preciso que eu voltasse meus olhos para os mapas locais. Alguns minutos de pesquisas e logo me deparei com o PARQUE ESTADUAL XIXOVÁ-JAPUÍ, um parque criado para proteger um dos últimos resquícios selvagens de mata atlântica ali naquela região, inclusive algumas praias e também, vejam só, uma reserva indígena. A entrada em parte do parque Estadual é gratuita, sendo a trilha autoguiada, ou seja, não é necessário contratar ninguém, somente se o caminhante desejar ir até a aldeia indígena é que deverá se valer de um condutor credenciado. A fim de evitar burocracias desnecessárias, escolhemos um roteiro que pudéssemos ir por conta própria, no caso, uma trilha que leva o nome de TRILHA DO CURTUME, não mais de uns 2 km de andanças até a praia de ITAQUITANDUVA E A PRAIA DO SURFISTA, de onde parte mais uma trilha, que seria a que usaríamos para retornar, estabelecendo assim uma travessia, na verdade um circuito, que no total não nos tomaria mais que 4 km de pernadas tranquilas. Como em se tratando de Parque Estadual em São Paulo, nada é tão fácil como parece, ao entrar no site do parque, descobrimos que era necessário fazer um cadastro de cada pessoa para garantir vaga, que se limitava a no máximo 60 pessoas por dia. Além disso, tinha um monte de recomendações, como o uso de sapato para caminhada, coisa que não tínhamos, justamente porque fomos à praia e ninguém estava preparado. Então foi sum sufoco para improvisar os equipamentos solicitados, mas pelo menos consegui fazer o cadastro dos 5 integrantes, que além de mim, contava com minha esposa, minha irmã e mais dois adolescentes. Do nosso apartamento até a entrada principal do parque, não deu mais que 4 ou 5 km de distância, já que o parque fica justamente na divisa entre a Praia Grande e São Vicente. Chegando à portaria, estacionamos o carro e fomos nos apresentar, mostrar o agendamento que continha um QR CODE para cada caminhante, mas simplesmente a atendente cagou para esse agendamento, somente pediu para que puséssemos nosso nome numa prancheta com os documentos, não inspecionou nada, não informou nada, ou seja, as informações do site não valeram para nada, aliás, nem sei porque ainda se mantem uma portaria ali, já que em nenhum momento vimos ninguém do parque fiscalizando nada. Enfim, estacionamos o carro na rua de acesso à trilha, já que não havia nem vagas no estacionamento, que pelo menos é gratuito. O dia já ia pela pela metade, quando deixamos o estacionamento e ganhamos a trilha demarcada e bem consolidada, pontilhada por palmeiras e matas nativa, no início, uma caminhada em terreno plano que em menos de 10 minutos nos leva no que foi uma antiga pedreira e que hoje está desativada, uma ferida aberta na montanha, que ao longo do tempo foi deixando a floresta desnudada. Voltando para a trilha principal, em mais alguns minutos começamos a subir, enfrentar uma cascalheira e é aí que a minha irmã (ROSINEI), desacostumada a trilhas e afins, já começa a colocar as mãos nas cadeiras e vai dando sinal de que o radiador pode ferver a qualquer momento. Por outro lado, minha esposa, apesar de meio esbaforida, se mantém firme e os meus sobrinhos, molecada jovem, picam a mula na frente e deixam a gente comendo poeira. Para quem não está acostumada com caminhadas com um mínimo de declive, vai sofrer, porque o sedentarismo não poupa ninguém, mas como eu disse, é uma trilha para fazer brincando e quando bate a altimetria de míseros 100 metros, ela estabiliza e daí para frente é somente aproveitar o caminho, numa descida tranquila, com alguns declives mais acentuados, mas nada demais. Pouco mais de 30 minutos, caminhando num ritmo de tartaruga paraplégica, adentramos numa floresta de bambus e taquaras e uns 5 minutos depois, passamos uma pequena ponte de madeira e antes de completarmos 40 minutos de caminhada, desembocamos num mirante que nos presenteia com vistas da pequena e selvagem prainha. Três minutos mais, nos valendo de uma descidinha tranquila, desembocamos de vez na PRAIA DE ITAQUITANDUVA. A praia está quase que vazia, não mais que uma dúzia de pessoas estão por ali, largados ao sol ou se refrescando no mar, onde as ondas estão um pouco fortes. O sol realmente resolveu queimar tudo nesse início de primavera, então todos nós caímos no mar, eu e os meninos fomos trombar com as ondas, enquanto as meninas ficaram na beirinha, se refrescando e se protegendo da fúria do mar. O nome do parque é em alusão aos dois morros que se elevam na unidade de conservação, o morro do Xixová (morro pontudo) e o morro do Japuí (morro grande). Além das praias do Itaquitanduva, ainda preserva as praias de Paranapuã e do Canto do Forte, essas do outro do lado do morro de onde estamos, à nossa esquerda. Bom, depois de uma bela refrescada no mar e de comermos alguma coisa, foi hora de voltarmos para a caminhada. Pegando agora a trilha para a nossa direita, vamos em direção a maior praia desse roteiro, a PRAIA DO SURFISTA. A trilha é bem larga, plana e menos de 05 minutos chegamos ao mirante do canto esquerdo da praia, que igualmente a praia que acabamos de deixar, é desabitada e selvagem. Eu parei no mirante para bater uma foto, o resto do grupo seguiu. Ao contrário da prainha anterior, essa está lotada, claro que não como as praias urbanas, mas há um número considerável, só que como é uma praia extensa, as pessoas se espalham pelo local. Apesar de bonita, achei muito mal cuidada, por estar em área e preservação ambiental, com muito lixo espalhado acima da linha da maré, claro que a culpa é apenas da natureza, que traz de outros lugares, mas claramente não há nenhuma manutenção pelo parque, pelo menos foi essa a minha impressão. Além disso, o local é bem mal frequentado, a maconha come solto por lá, caixa de som e muita bebida, coisas que são proibidas pela própria unidade de conservação, que deveria fiscalizar, mas com certeza faz vistas grossas. Me encontro com as meninas, que não aguentando o calor, estacionam numa grande bica d’água, onde um cano serve para tirar o sal do corpo e outra fonte ao lado, abastece nossas garrafas com água potável. O menino Pedro e seu amigo foram ao mar e eu aproveito para fazer o mesmo, um último mergulho antes de retomarmos nossa caminhada de volta. Agora iremos voltar por outro caminho, uma trilha mais curta que parte de um bairro, pouco mais de 1 km, onde o Parque Estadual também mantem uma portaria e é por onde vem a maioria dos que frequentam essa praia maior. É uma trilha calçada com degraus de madeira e corrimão, pelo menos nesse trecho inicial, até que ela atinja a maior altimetria, que não chega nem a 100 m de altitude. Menos de 3 minutos, passamos por uma ponte de madeira, justamente encima do córrego que abastece a bica lá embaixo e a partir daí, ela embica para cima de vez e é nessa hora que a minha irmã empaca e é preciso acompanha-la mais de perto, contando umas lorotas de que já está acabando a subida, afim de fazê-la não desistir e sucumbir de vez. Mas ela aguenta firme, mesmo que a língua venha arrastando subida acima, até que menos de 15 minutos depois, o caminho estabiliza de vez. Caminhando sobre pedras irregulares, mas de fácil caminhar, vamos seguindo e cruzando com todo tipo de gente, carregando seus molambos, desde caixas de isopor, aos trambolhos eletrônicos, sua farofa e sua galinha e não dá nem meia hora, chegamos a uma construção abandonada que praticamente marca o fim da nossa jornada e logo em seguida, chegamos ao estacionamento, onde está uma instalação improvisada que serve como portaria do parque, que controla ou deveria controlar o acesso e se faz isso, não cumpre as regras que estabeleceu no seu site. Essa caminhada toda, contando as 2 trilhas pode ser feita e menos de 3 horas, caso seja seu único objetivo e não queira ficar lagarteando na praia e esse foi o tempo que gastamos. A saída da TRILHA DOS SURFISTAS é num bairro bem meia boca, para falar a verdade, um lugar meio sinistro, então é bom estar atento e o meu conselho é que se retorne pela mesma trilha, ou seja, pela TRILHA DO CURTUME, além de mais segura, você já volta direto para o carro, mas eu queria conhecer a outra trilha. Nós caminhamos por mais uns 15 minutos até encontrarmos uma lanchonete para comermos algo e deixei o grupo descansando e parti sozinho para resgatar nosso veículo, uns 800 metros mais à frente. Quando cheguei de volta à sede do parque, me apresentei para dar baixa no nosso grupo e avisar que havíamos saído pela outra portaria, mas surpreendentemente ou não, falaram que não precisava e nem perguntaram quem eu era, vai entender para que serve essa portaria, talvez só para encher linguiça. Apesar de tudo, gosto muito dessas pequenas trilhas do litoral de São Paulo, porque serve de escola para quem está começando e quer se lançar nesse mundo sem a presença de um guia, faz a pessoa ir ficando confiante que poderá começar a se soltar independente por aí, mesmo porque, é uma trilha sem nenhum problema de navegação. Um caminho que te tira do caos absoluto das praias urbanas e te entrega uma paisagem ainda selvagem, em estado bruto e uma caminhada dessa, abre os olhos para que o iniciante possa voltar sua atenção para os mapas e descobrir tantos outros encantos que o Litoral Paulista tem para nos oferecer. Divanei, setembro - 2025 683
  11. CANION SALOBRA: Serra da Bodoquena – MS BONITO, foi uma palavra que sempre soou no meu imaginário nesses últimos 30 anos dedicados ao mundo da aventura. Sempre foi um lugar que eu quis conhecer, mas por se tratar de um dos lugares mais caros do nosso continente, onde os preços parecem beirar a extorsão, acabei por renega-lo ao final das minhas extensas listas de desejos, porque com tanta coisa para conhecer por esse imenso país, não passava pela minha cabeça me submeter a tamanha exploração cretina. Mas o tempo passou e as informações colhidas por outros aventureiros amigos, foram quebrando a barreira da minha desconfiança, principalmente quando foi me apresentado alternativas mais acessíveis financeiramente, então comecei a amadurecer a minha viagem ao Mato Grosso do Sul, mas era preciso montar uma estratégia, ter um plano para que eu voltasse de lá sem estar falido. Era preciso reinventar as viagens de férias, que ultimamente estavam sendo resumidas em escolhermos o local, comprar uma passagem aérea com antecedência e alugar um carro popular, mas dessa vez decidimos por optar em sair dirigindo do interior paulista com o nosso carro, economizando o preço do avião e do aluguel do veículo e ainda tendo a possibilidade de levar todo os nossos equipamentos de camping, além de comida, panelas , enfim tudo que precisássemos para nos mantermos o mais independentes possíveis. A distância da nossa casa até Bonito no Mato Grosso do Sul era de 1200 km, mas como sempre fizemos, como era necessário dirigir tão longe, montei um roteiro para que pudéssemos conhecer outros destinos e fracionar a viagem, já que tínhamos 20 dias disponíveis de férias. Nossa primeira parada foi em Teodoro Sampaio-SP, uma pequena cidade aos pés do PARQUE ESTADUAL DO MORRO DO DIABO, uma enorme reserva florestal em meio a um mundo que se resumia em plantações agrícolas, principalmente a monocultura da cana de açúcar. A estrada cruza o parque ao meio e o terreno extremamente plano é quebrado por uma MONTANHA acanhada, um morrinho coberto de florestas, mas que é a única elevação que existe em centenas de quilômetros e muito provavelmente é o único morro que grande parte daqueles nativos viu durante a vida. Há uma trilha que parte da estrada e sobe o morro, mas não nos animamos a percorre-la, muito porque, não era o nosso objetivo por ali, estávamos de olho em outra atração, essa sim imperdível, nos confins dos extremos do Estado de São Paulo. A nossa chegada à ROSANA-SP foi com muita surpresa, pois não esperava encontrar uma cidade tão pequena e charmosa. Quase um vilarejo minúsculo, pouco mais de 7 mil habitantes, bem às margens do gigante RIO PARANÁ, exatamente no seu encontro com outra perola paulista, o sensacional RIO PARANAPANEMA. Essa cidade peculiar sempre me chamou a atenção por ser um dos extremos paulistas, sendo a cidade mais a oeste do Estado e não é só isso, ela ganha também o título de cidade mais distante da capital de São Paulo, estando a mais ou menos 750 km, ou seja, se existe um fim de mundo paulista, esse é o lugar. Com tempo de sobra, resolvemos ficar e acampar no BALNEÁRIO MUNICIPAL, um lugar pitoresco, com uma prainha de águas limpíssimas e infraestrutura de fazer inveja a qualquer cidade litorânea do pais. ( Balneário de ROSANA) O camping municipal tem um preço irrisório, não custou nem 20 reais por pessoa e fomos atendidos pela própria Secretaria de Turismo da cidade, foram pessoalmente nos visitar no balneário e nos alocaram no camping recém construído. Há várias atrações interessantes para se conhecer, desde praias de ilhas, a mirantes de frente para o rio, mas a gente se aventurou a ir conhecer os encontros dos Rios Paraná com Paranapanema, num bico de terra que marca o extremo oeste paulista, ultimo palmo de terra que separa também nosso Estado, do Estado Paranaense e Sul Mato-grossense, um lugar lindíssimo que fica a poucos quilômetros da cidade. Na volta, aproveitamos para ir até o MIRANTE para apreciar o pôr do sol às margens do Paranazão, outro espetáculo para guardar na memória. ( Encontro Paranapanema com Rio Paraná) No outro dia, apesar da vontade de ficar, atravessamos o rio encima da ponte na usina de Porto Primavera, um espetáculo com quase 2 dezenas de extensão e ganhamos o Mato Grosso do Sul e dirigimos até PONTA PORÃ, mas poderíamos ter pego um caminho mais curto, mas queria dar um pulinho em Pedro Juan Caballero, uma das cidades paraguaias que faz divisa com o Brasil. No dia posterior estávamos decididos a chegar em Bonito e tocamos direto, mas não para Bonito e sim para Bela Vista, porque eu tinha umas dicas de uns rios de aguas azul turquesa perdido num caminho de terra entre as 2 cidades. E a nossa jornada por esse caminho acabou por se tornar numa aventura, porque o caminho tinha mais de 80 km de estradas de terra e quando chegou na sua metade, simplesmente a ponte que cruzava uns dos rios estava interditada, aí caímos num desvio e nos perdemos num mundo sem fim, em meio a quilômetros de milharal, onde a estrada só passava caminhonetes altas. Fomos avançando, sem saber onde estávamos até que um veículo de uma fazendo cruzou com a gente e nos guiou até o caminho correto, mas aí já era tarde demais, estávamos cobertos de terra, uma poeira vermelha desgraçou as nossas vidas. Até encontramos alguns rios muito bonitos no caminho, mas a mulher já estava destruída psicologicamente, putaça da vida e foi assim que uns 3 ou 4 horas depois, fomos devolvidos ao asfalto que dá acesso a estrada para Bonito.Já era final de tarde e as emas corriam livres pelos campos, enquanto o sol já ia se despedindo, quando desembocamos no CAMPING DO BALNEÁRIO DO RIO FORMOSO, uns 5 km distante do centro da cidade. ( Camping Rio Formoso) Já sabendo que os preços em Bonito beiram ao ridículo de tão caro, optamos por nos hospedar num camping e mesmo em alta temporada, os custos são obsceno, chegando a custar 120 reais por pessoa, mas como estamos em maio, na baixa temporada, pagamos a metade do preço (60,00), mas pelo menos o camping é excelente, com um quiosque disponível, churrasqueira, pias e é possível montar a barraca abrigada, mas o melhor de tudo é que a diária do camping também te dar acesso gratuito ao Rio Formoso, um espetáculo aquático único. ( Rio Formoso) Antes de tudo, é preciso deixar bem claro que a REGIÃO DE BONITO, tem pelo menos uma meia centena de lugares exuberantes, que com certeza poderia ser incluídos na lista dos lugares mais bonitos do planeta, mas os preços são realmente absurdos e depois de viajar por quase todo o Brasil e a maioria dos países da América do Sul, é fácil afirmar que os preços praticas aqui, estão entre os mais caros do nosso continente, ou seja, Bonito não é para a maioria dos brasileiros e até mesmo os gringos endinheirados reclamam dos custos, então já sabíamos que ali não era lugar para a gente, mas tínhamos em mente de fazer algum passeios e havíamos nos preparados financeiramente para isso. Os 2 primeiros dias optamos por descansar no Balneário do Rio Formoso, curtir o camping e obviamente o espetacular Rio Formoso, um verdadeiro aquário, onde os peixes vem comer na mão. Ao lado desse balneário também tem o Balneário Municipal, com preço parecido para passar o dia, mas como era o mesmo rio, não achamos vantagem ter que pagar novamente para usufruir do rio que já tínhamos acesso gratuito usando ainda o camping. No terceiro dia, fomos até a cidade para agendarmos um dos passeios que havíamos planejado, que era a descida flutuando pelo RIO SUCURI. E poderíamos escolher quaisquer outros rios, que muito provavelmente não iríamos nos arrepender, mas o título de RIO MAIS CRISTALINO DO BRASIL, realmente pesou muito a favor do SUCURI. Quanto ao valor, por estarmos na baixa temporada e temos escolhidos uma versão mais barata, acabamos tendo que morrer com 269 reais por pessoa, mas na alta temporada, esse preço beira os 400 reais, é muita grana para um país onde o trabalhador comum tem um salário de merda. Tendo pago o ingresso no dia anterior e recebido o voucher via WhatsApp, nos dirigimos para a fazenda onde fica a foz do Rio Sucuri, que desagua no Rio Formoso. O passeio consiste em subir o rio num barco elétrico por quase 2 km e descer flutuando com roupa de neopreme e equipamentos de mergulho livre (máscara e snorkel), que são fornecidos. É um impacto gigante ver o contraste do translúcido Rio Sucuri se encontrando com o Formoso, que tem um aspecto mais leitoso. Dentro do rio, as piraputangas desfilam mansas e calmas, um verdadeiro aquário natural. O barquinho elétrico desfila silenciosamente corredeira acima, enquanto vamos passando por outros mergulhadores que passar ao largo. Chegando quase próximo das nascentes, saltamos para dentro do rio e deixamos que a correnteza nos carregue, enquanto nossa vida se resume a um mundo novo, sem sabermos se somos gente ou peixe. Mergulhar nesse rio é um privilégio, mas a água, mesmo com a roupa de borracha está extremamente fria. Não dá nem 10 minutos e absolutamente todos os mergulhadores, se agarram ao barco de apoio, mas eu me mantenho firme à frente de todos, quero aproveitar cada minuto naquele rio, mas isso vai me custando caro, porque já me sinto uma foca nadando no Ártico. ( Rio Sucurí) A chegada é justamente o local da partida. Alguns estão extasiados com o passeio, mas outros parecem aliviados, porque sentiram medo do mergulho, mas são meros turistas desacostumados com natureza bruta e só se meteram ali, no impulso para colocar o rio nos seus currículos de meia página. Eu, por outro lado, me adianto para sair da água o mais rápido possível, o corpo já pouco responde aos movimentos, estou enfiado numa semi-hipotermia de dar dó, quase me arrasto até a sede da fazenda a fim de tirar a roupa e me jogar para debaixo de um chuveiro quente, antes que alguém tenha que chamar o SAMU, mas valeu a experiência, não é todo dia que se tem o privilégio de poder mergulhar no terceiro rio mais cristalino do mundo e no mais translúcido do Brasil. Como eu disse, há algumas dezenas de lugares incríveis para conhecer em Bonito, mas praticamente todos custam uma fortuna para os padrões de um trabalhador comum, então é necessário escolher a dedo o que vai se fazer na região. Existem flutuações em todas as direções, com rios sensacionais, mas para quem está em economia de guerra, é necessário ponderar e experimentar coisas diferentes para ter um apanhado do geral. Então optamos por escolher uma das grutas e não era uma gruta qualquer, era simplesmente o CARTÃO POSTAL de Bonito, aquela imagem que me fez voltar meus olhos para esse lugar desde a minha adolescência, quando via fotos nas revistas de viagens. A GRUTA DO LAGO AZUL sempre esteve na minha memória e se tinha um lugar na minha lista para conhecer em Bonito, essa gruta figurava no topo da lista. Ainda hospedado no Camping do Rio Formoso, compramos os ingressos para visitar a caverna e é preciso deixar claro que, não interessa a agencia que você compre o ingresso, o preço é tabelado e não tem para onde correr, vai ter que desembolsar 110 reais, lembrando que todos esses preços são fora de temporada, ainda que me pareça que a entrada nessa gruta, que é municipal, o preço permanece o mesmo em qualquer época do ano. Chegamos na gruta pela manhã, com o horário agendado, primeiro você tem que assistir um vídeo explicando como deverá ser o comportamento para a visitação, que no fim, não passa de pura cagação de regras para turista, do tipo que você não pode tirar nem as mãos do corrimão para fazer uma foto e o uso obrigatório de máscara, um excesso que é claro, ninguém vai cumprir mesmo. Ao adentrar na grande boca da gruta, uma escadaria vai nos conduzindo até o centro da terra e certamente, para aqueles que jamais entraram numa caverna antes, a experiência será simplesmente avassaladora. É um mundo novo de estalagmites e estalactites, formações rochosas que pendem do teto e saltam do chão, num espetáculo único. Mas a chegado ao LAGO AZUL, é o gran finale, é aquilo que todos esperavam e realmente não decepciona, hipnotiza, desconcerta a nossa capacidade de acreditar que aquilo seja real. ( Gruta do Lago Azul) Nós poderíamos ficar um mês hospedados em Bonito, poderíamos aproveitar mais meia centena de passeios incríveis, mas com certeza isso nos custaria a nossa falência financeira pelos próximos anos, então foi hora de abandonarmos a cidade e nos lançarmos à novas aventuras, ir atrás de uma dica valiosa que haviam nos dado ainda em São Paulo e que me fez resolver escrever esse relato, então partimos para o norte, uma hora de viagem até a minúscula cidade de BODOQUENA, ainda no mato Grosso do Sul. Bodoquena é uma cidade minúscula, mas que acabou por se contaminar com os preços abusivos de Bonito. A hospedagens mais baratas, num muquifo qualquer, custava 200 reais e a gente se recusou a pagar tudo isso numa espelunca fedorenta, então, mesmo sendo já num final de tarde, resolvemos encarar mais de 30 km de terra e irmos tentar nos hospedar num camping bem as portas do Parque Nacional da Serra da Bodoquena. Uns 20 km de estrada e a paisagem se transforma, parece que estamos adentrando num fundo de vale, onde o mundo parece que vai acabar a qualquer momento e é exatamente isso que acontece, quando chegamos num final de estrada e percebemos que o CAMPING 3 IRMÃO, que procurávamos, já havia ficado para trás. Então retornamos e adentramos num sítio, onde havia uma placa, mas o tal camping parecia mesmo apenas um espaço espalhado pelo pasto das vacas. ( Camping 3 Irmãos) Já sabíamos do preço, que também beirava o ridículo, mas diante das instalações medíocres, os 70 reais cobrados pelo camping, beirou a extorsão, mas não havia como voltar atrás, a noite caiu sobre o vale e o jeito foi nos ajeitarmos com as vaquinhas, num pasto cravado de bostas, mas pelo menos já estávamos na entrada do Parque Nacional, o que nos ajudaria muito em questão de logística. Aqui eu preciso fazer um parêntese para explicar porque viemos parar nesse lugar: Dentro do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, está o magnífico RIO SALOBRA, mas apesar de ser um parque que deveria pertencer ao cidadão, ele foi entregue quase que totalmente a iniciativa privada, então para fazer algo lá, você precisa contratar os serviços da ECO SERRANA PARQUE , que tem vários roteiros e para fazer o aquatreking , que é a caminhada pelo cânion , você vai ter que desembolsar entre 350 e 450 reais por meio dia de atividade, um valor tão surreal que a gente não iria pagar nem fudendo . Mas aí que está o pulo do gato desse roteiro, os moradores locais foram autorizados a guiar dentro do parque e o próprio dono do camping onde estávamos acampados é um desses guias e nos ofereceu um valor quase 4 vezes mais baratos que o da agencia, claro, sem as mordomias que eles ofereciam, mas o que nos interessava mesmo era o rio e o cânion, então fechamos o passeio para o outro dia pela manhã. Do camping até o Rio Salobra, a distância não era maior que 1.500 metros, mesmo assim seguimos de carro até uma porteira fechada com cadeado e aberta pelo guia. Na verdade, a porteira demarca a propriedade da ECO SERRANA, mas deve haver um acordo de liberação aos guias locais. Estacionamos o veículo à sombra e nos pomos a caminhar, interceptamos a sede da empresa, contornamos pela esquerda e ganhamos a trilha que logo nos levou direto, não para o rio Salobra, mas para o seu afluente, o RIO LIMOEIRO. O RIO LIMOEIRO é um rio muito transparente e de águas frias, mas a gente só se dá conta do espetáculo que estamos prestes a presenciar nessa jornada, quando, depois de descê-lo por alguns minutos, ele se encontra finalmente com o SALOBRA, que além de ser imensamente mais transparente que o Limoeiro, ainda tem uma água quente, talvez uma das poucas da região. Menos de 20 minutos de caminhada, subindo por dentro do rio, nossa jornada nos leva até o primeiro grande poço do rio Salobra e não é qualquer poço, é simplesmente um dos cartões de visita dessa linda caminhada, e é difícil até de acreditar que estamos diante de uma beleza absurda. A cor dá água do POÇO DAS BORBOLETAS, beira o surreal, o verde contrasta com as pedras claras do fundo do poço, onde as piraputangas passeiam de um lado para o outro, é hora de parar e esquecer da vida, aproveitar cada segundo naquele que me pareceu ser um dos rios mais belos do país, mas ainda sem saber que o melhor ainda estava por vir. Abandonando o Poço das Borboletas, subimos o barranco e ganhamos a trilha sombreada. Aliás, é uma trilha toda demarcada, aberta e por vezes dotada de proteções de madeiras, tanto em algumas laterais como para conter possíveis erosões, até que uns 20 minutos depois interceptamos a CACHOIERINHA DAS PEDRAS, com poços verdes, permeados por uma água leitosa junto a pequena queda. Nos jogar para debaixo dela foi questão de tempo, ainda mais porque a temperatura se elevou bastante por estarmos perto do meio dia. Mas aqui ainda preciso fazer outro parêntese sobre os nomes dos lugares, porque me pareceu que cada nativo chama por um nome, já que faltou placas para identificar cada ponto daquele paraíso. Voltando a trilha, alguns minutos nos levam a travessia do rio para sua margem direita de quem sobe e a travessia é feita sob a proteção de um CORDA que dá sustentação em dias de rio mais cheio, bem ao lado o POÇO CANA DOS MACACOS, onde já é possível notar que estamos adentrando para dentro do cânion pelo surgimento de alguns paredões rochosos, onde começamos a avançar por dentro da água, curtindo cada passo dado. A caminhada segue sempre paralela ao rio e nossa próxima atração é um amontoado de grandes PEDRAS CALCÁRIAS, que acabam por contrastar com o verde intenso do poço que as cercam, onde mais uma cachoeirinha é um ótimo pretexto para uma nova parada. Aliás, nessa parte do rio Salobra, não encontraremos grandes quedas, mas nem precisa porque o cenário vai simplesmente nos empurrando cada vez mais para um mundo surpreendente. Mais uns 10 minutos de caminhada e os olhos começam a enxergar um verde meio azulado, o cérebro começa a dar uma bugada com a mudança das cores do rio, até que no meio da trilha, um marco divisório marca definitivamente nossa entrada na área do PARQUE NACIONAL DA SERRA DA BODOQUENA. Logo em seguida, voltamos a cruzar o rio para margem direita, para pegarmos a CURVA DO JERICÓ, onde paredões rochosos represam um poço qualhado de peixes. A partir daí , as MURALHAS DO CÂNION se tornam cada vez mais imponente, vão se erguendo majestosas e talvez sejam essas que alguns também deram o nome de MURALHAS DE JERICÓ, mas o certo é que o cenário se transforma e assim que as muralhas vão ficando para trás, o rio simplesmente se torna AZUL, que contrasta com o verde da floresta, logo depois de atravessarmos novamente o rio para a margem direita nos valendo de mais uma corda e tropeçarmos com a galera que desce o rio de caiaque, aí foi hora de parar novamente, para mais um banho e comer alguma coisa. A caminha vai seguindo e incontáveis poços vão surgindo, cada um mais deslumbrante que o outro, alguns de um verde claro, mas outros tão azuis que chega doer os olhos , mas um em especial nos desconserta de uma tal maneira, que somos obrigados a nos deter e prestar reverencia , saltando para dentro dele de cima de uma grande pedra. É um poço profundo e ficamos por mais de meia hora nadando até cansar e mesmo que os nativos o chamem de POÇO DO JACARÉ, não conseguir saber de que jacaré estavam falando. Assim que voltamos para a trilha, cruzamos o rio novamente e o guia nos diz que agora estávamos cruzando pelo POÇO DO JERICÓ , aí entendi que tríade estava formada , curva, muralha e poço acabara de ficar para trás. A nossa jornada vai encaminhado para o final do roteiro, vamos cruzando o rio com a água pela cintura, passando por outros poços surreais, até que o terreno nos empurra para a margem esquerda, onde um grande paredão parece nos fechar a passagem, mas que na verdade é só uma curva do rio e do outro lado um paredão que o guia nos disse haver uma grande caverna suspensa, que o parque está se preparando para abrir ao turismo. Há uma pequena queda d’água que nos sopraram como CACHOIERA DA GRUTA, mas desconfio desses nomes, como falei, parece que cada local resolveu dar um nome diferente para os lugares. O nosso passeio pelos cânions do Rio Salobra só vai até aqui, foram três horas subindo o rio lentamente e agora vamos retornar, aproveitando tudo novamente, nadando, boiando, nos jogando em cada poço colorido e certamente dá para afirmar que esse rio figura entre os mais belos cursos d’água do país e sem não for muito exagero, estará entro os mais bonitos do mundo, um paraíso ainda a ser desconhecido no coração do centro-oeste do Brasil. Quando abandonamos o Parque Nacional da Serra da Bodoquena, naquela mesma tarde e voltamos para cidade, eu não conseguia tirar aquele lugar da minha cabeça, tal foi o impacto que ele causou na gente. Mas a viagem precisava seguir, então rumamos para Corumbá porque eu ainda sonhava em atravessar a ESTRADA PARQUE DO PANTANAL SUL MATOGROSSENSE, o que acabamos fazendo nos próximos dois dias, mas infelizmente tudo estava muito seco e acabamos não aproveitando muito o passeio, apesar de termos cruzado o Rio Paraguai e o Rio Miranda e até parei para pescar em um deles, mas quando retornamos, o nosso carro quebrou perto da cidade de Miranda e tivemos que ficar mais um dia para os reparos. Foi aí que a minha esposa resolveu fazer uma proposta, quando eu já pensava em bater em retirada para minha casa, ela queria voltar ao Rio Salobra, mas não para refazer a trilha, mas para ficar hospedada em uns refúgios-camping que fica mais abaixo, fora do Parque Nacional. E lá fomos nós, enfrentar novamente aquela estradinha empoeirada, mesmo assim, felizes e ansiosos para novamente podermos voltar ao Rio Salobra. Quando chegamos à bifurcação que nos levaria novamente ao camping 3 Irmãos, pegamos para a esquerda e em mais meia dúzia de quilômetros, interceptamos o REFÚGIO CANAÃ, uma propriedade a beira do Salobra, que além de camping, também oferece hospedagens. Não posso negar, tudo era bem organizado, o camping impecável, que além disso, oferecia várias vantagens, como tirolesa, boias e coletes salva-vidas, além de quadra de areia, tudo incluído no valor da diária do camping, que obviamente, era muito cara, mas os caras têm o privilégio de abrigar um dos rios mais bonitos do país, então pagar 90 reais pela diária com tudo incluído, até que me pareceu justo, pelo menos na baixa temporada. E essa parte do RIO SALOBRA, não nos decepcionou, porque o rio era tão bonito quanto o cânion, e o poço principal, onde despenca quem resolve saltar na tirolesa, era simplesmente um encanto, onde vários peixes enormes desfilavam o dia todo. Passamos 2 dias acampados no refúgio, agraciados com a companhia de dezenas de araras selvagens e outros bichos do Pantanal, descendo o rio de boia e nadando até descolar a pele do corpo. ( Refúgio CANAÃ) Depois disso, retornamos para São Paulo, mas antes, ainda passamos mais um dia num camping à beira do Rio Paraná, na cidade de Presidente Epitácio, outra joia paulista, mais um dos lugares que nos conquistou pela simplicidade e pela grandiosidade de sua paisagem, à beira de um rio que mais parecia um mar, inclusive com praia e tudo. ( Rio Paraná, Pres. Epitácio) Claro que a região de BONITO, tinha muito mais a oferecer, mas é uma pena que num país onde seus cidadãos precisam se superar a cada dia para continuar sobrevivendo dignamente, tenhamos um lugar tão espetacular, mas que está renegado apenas aos mais abastados, uma discriminação absurda contra o nosso próprio povo, inclusive, conhecemos vários nativos que jamais puderam conhecer seu próprio quintal. Na minha modesta opinião, nenhuma atração natural no pais deveria custar mais que uma entrada num Parque Nacional, mesmo sendo em área particular. Em visita ao Equador esse ano, frequentamos os Parques Nacionais daquele país, sem pagar um mísero centavo, mesmo sendo estrangeiros, porque lá, as áreas naturais pertencem ao povo e mesmo as atrações em areais particulares, os custos são muito acessíveis à todos. Enfim, levaram-se 30 anos para que eu pudesse finalmente botar meus olhos nessa região, mas de todos os lugares, o CÃNION DO RIO SALOBRA foi o lugar que vou guardar na memória e fico aqui, torcendo para que um dia lugares como esse, seja acessível para cada cidadão desse país. Divanei, Maio - 2025 Publicado em 02/10/2025 14:09 Realizada em 22/05/2025
  12. Mas e aí, depois de toda essa pesquisa de ebola, será que dava para encarar??? Outro dia, eu estava lendo relatos de trekkings espetaculares do @DIVANEI, um aventureiro das antigas, que faz muita trilha e travessia sensacional, bem raiz (link na Ref. 16). Muito bacana ler as “travessias expedicionárias” na Serra do Mar. Em algum relato, Divanei fazia uma reflexão que se encaixou como uma luva para mim: "Quando a gente é jovem, costumamos tocar o f*da-se, fazer umas porra-louquisses... A gente acaba tomando decisões sem pensar muito nas consequências, vai meio que por impulso, é da nossa idade fazer estupidez. Mas aí, quando a idade chega, a maturidade já toma conta do nosso bom senso...... Só que não, aí a gente descobre que esse papo de maturidade não tem nada a ver com nada, e que quem viveu tomando decisões cretinas, nunca vai aprender mesmo 🤣🤣🤣 ” Hahahahaha, nem me lembrava disso, mas obrigado pela citação e mesmo passado tantos anos, continuo com o mesmo pensmente, heheheheh. Abraços. rsrsrsrsrs
  13. Boa escolha, Itatiaia é o melhor lugar para começar a se soltar sem guias, tem muita travessia legais lá. Cinco Lagos, Couto x Prateleiras, Cachoeiras do aiuruoca, Rebouças x Maromba, Serra Negra, Parte baixa x Parte Alta, etc......
  14. Não estou desmerecendo o guia, deve ser uma boa pessoa , mas eu estava conversando com uma galera sobre voces . O nosso grupo tem muitos guias e a eles disseram que são poucos guias que tem aquele comprometimento 100% com o cliente e todos com quem conversei disseram que se fossem eles, teriam botado voces no cume. Mas não importa , voces se sentiram realizados assim mesmo. Mas deixa eu te dar um conselho: Vá para as trilhas faceis, abertas e bem demarcadas, instala um aplicativo de trilha no seu celular e vai aprendendo a mexer nele. Quanto ao cume do Itaguaré, tenho certeza que em pouco tempo voces estarão subindo lá com os pés nas costas. Aquele tal de PULO DO GATO, eu nem sabia que existia, desde a primeira vez que estive lá 25 anos atrás. Ano passado estive lá, porque havia assumido um compromisso com um amigo de fazer a cada 10 anos e mais uma vez, passamos batido naquele lance, que sempre achei algo normal, pensava eu ser o tal pulo do gato num lance a 3 m do cume, um pulo besta que se faz para atingir o cume, rsrsrsrsrsrsrsr.
  15. Desculpa, preciso fazer um adendo: o ideal é realmente fazer um pernoite no PICO DO MARINS e outro na Pedra Redonda. Muito porque é quase imperdível acampar nos Marins, poder descansar, dar um pulo no Maria e no Mariana, que são 2 picos incríveis ali pertinho. Agora sei que vai ser POLEMICO , mas que guia CHINELÃO , não dar apoio para voces irem até o CUME DO iTAGUARÉ , foi de lascar. Esse pulo do gato aí é meramente psicológico, bastava ele ter instalado 2 metros de corda e voces tinham passado com os pés nas costas, mas pelo que entendi, ele fez corpo mole. E a mesma coisa no cume, é um pulinho de nada, uma bobagem que com uma ajudinha, tinha botado voces no cume para assinar o livro. Mas enfim, voce só vai entender isso mais pra frente, quando já tiver subido outros cumes, outras travessia mais casca grossa, aí vai voltar sem guia e subir o quiser.

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