Relatos de Viagens por 2 ou mais países da América do Sul
#1082847 por andreiac
28 Abr 2015, 07:55
DIA 03: SALAR (Domingo)

Chegava o dia mais esperado da viagem! ::otemo::

Acordamos cedo e fomos até a rua das empresas de ônibus pra pesquisar preços da passagem até La Paz. Como no último dia de salar já pretendíamos chegar e viajar direto pra La Paz, não queríamos correr o risco de deixar pra comprar no dia e não ter passagens #sucrefeelings :(

Tínhamos referências de duas: a Todo Turismo, única que tem wifi no ônibus e que custava 270 bolivianos (ouch!), e a Illimani, empresa relativamente nova e que custava 180 bolivianos. Tinha também outras empresas que faziam o trajeto e tinham preços intermediários, como a Omar, mas confesso que não lembro os valores. Estávamos ainda pensando em qual comprar, quando fomos abordados na rua por uma mulher, perguntando se já tínhamos passeio pro salar praquele dia, e como não tínhamos, fomos pro escritório dela ouvir a proposta. Não lembro o nome da empresa, sorry, mas eles ficam bem na esquina da rua dos ônibus, acho que no mesmo prédio que os correios.

Chegando lá, a moça explicou o passeio pra gente e passou a proposta: 650 bs para o tour + 150 bs a passagem para la Paz, com a Illimani, num total de 800 bs, ou seja, um preço ótimo, tão bom que era quase inacreditável. Disse que já tinha quatro pessoas, que só faltava a gente pra fechar, e blablabla. Só que eu, desconfiada que sou, e já vacinada do papo das agências de que "só falta vocês pra fechar o grupo", achei o negócio bom demais pra ser verdade.. nem sei se era furada mesmo ou só paranóia minha, mas eu já tinha lido tantos relatos de agências sem vergonha, que prometiam um paraíso e no fim das contas não era nada daquilo, que preferi dar uma olhada nas outras agências primeiro e depois voltar, se fosse o caso. Agradeci e fomos pro hotel tomar o desauyno (naquele padrão normal da Bolívia: suco, chá, pão, manteiga, geléia, e esse teve até uns ovos mexidos!).

Terminado o café, voltamos pra rua pra procurar as agências clássicas, que eu já tinha anotado recomendações: Colque, Andrea's, Esmeralda Tours, Cordillera.. Como eu já tinha lido que se fecha tudo na hora, e que dá até pra ficar indo de uma pra outra barganhando preço, eu estava bem tranquila que tudo daria certo. Mal sabia que isso ia virar uma tortura...

Fomos primeiro na Colque, que ficava quase de frente pro hostel, e lá tivemos nossa primeira surpresa, de uma saga que seria para conseguir fechar o tour para o Salar: como era domingo de páscoa, a Colque estava fechada e não ia sair nenhum carro naquele dia, só no dia seguinte! Nesse momento já me bateu um mini desespero, porque já passava das 9h e não tínhamos nada fechado ainda.. Mas ok, partimos pra próxima, a Esmeralda. Ficamos muito tempo esperando lá dentro pra ser atendidos, pois estava lotado, e quando finalmente nos atenderam, só o tour estava 850 bs. Tentamos chorar um desconto, pois eu já sabia que o preço normal é entre 700~800, mas a mulher não queria baixar por nada. Até que depois de muito insistir, ela falou que ia ver se podia, e saiu da sala pra fazer uma ligação. E nisso nós ficamos lá, mofando, esperando.. ela tava demorando uma vida pra voltar e quando finalmente voltou, disse que não tinha mais vaga. Aham, sei.. aposto é que na verdade ela encontrou alguém pra pagar os 850 bs que ela queria! :x Rodamos mais um pouco e encontramos a Andrea's. Na hora tinha um grupo de gringos sendo atendidos, se esforçando pra entender o que a moça falava em espanhol, e a gente lá, esperando impaciente. Quando enfim eles foram embora e fomos atendidos.. não tinha mais vaga praquele dia também!!

Gente, juro, nessa hora eu juro que me deu vontade de sentar ali mesmo e chorar! :cry: Eu já tinha perdido um dia da viagem no ônibus entre Sucre e Uyuni, e já estava crente que ia ter que perder mais um dia ali.

Nessa hora acho que a Andrea viu meu desespero, e disse que tinha uma amiga, de outra agência, que estava procurando pessoas pra fechar o passeio, e que então ia ligar pra ela pra saber se ainda tinha vaga. Depois de eu já estar quase botando o coração pra fora, Andrea volta com a moça, que estava chamando a gente pra ir na agência dela negociar. Só que a agência dela ficava a três ruas dali, e, bom, a gente já não tava mais com saco (e tempo) de ficar ouvindo pela quinta vez os detalhes do percurso e tal, então já perguntamos logo qual o melhor preço que ela podia fazer pra gente: 930 bs (750 bs do salar + 180 bs da passagem para la Paz, via Illimani). Achamos caro pra cacete e nessa hora me deu um mini arrependimento de não ter fechado com aquela primeira empresa que vimos.. estava até cogitando ir lá rapidinho ver, mas gente, correr qualquer uma quadra que seja, a quase 4 mil metros de altitude não é moleza! Já que estávamos literalmente no sal, lá fomos nós.. Chegando lá já eram 10h da manhã, não tínhamos tour fechado, as outras agências já estavam cheias, não sabíamos mais pra onde ir, e não tínhamos mais poder de barganha: era fechar ali ou perder um dia da viagem em Uyuni; preferi a primeira opção. E já adianto que foi a melhor coisa que fizemos. Não sei como foi com as outras agências, mas com a nossa foi top! Demos muita sorte mesmo!

O nome da agência que fechamos é Expediciones Gaviota; é uma agência relativamente nova, pelo que a dona estava me contando, e justamente por isso eles ainda não são muito conhecidos, e estão lutando pra fazer o nome deles, concorrendo com as gigantes mais antigas. O escritório deles não fica na avenida principal, é mais afastado (fica na av. Cabrera, duas ruas acima da avenida principal, entre as ruas Camacho e Santa Cruz). Nosso guia foi o Pedro; procurem por ele, se resolverem ir lá, ele foi sensacional, e responsável por grande parte do sucesso do passeio. :D No caminho, sempre encontrávamos outros grupos, e teve um grupo de brasileiros que reclamou demais do guia deles, disse que o cara só fazia papel de motorista mesmo, que não falava nada, não explicava, etc.. Então acaba que na verdade o grande responsável por bombar ou minar o passeio acaba sendo o guia.

Passeio fechado, enfim pudemos respirar tranquilos.. só que não! Eram 10h, e o tour sairia às 10:30h, e nos disseram que não poderíamos levar as cargueiras, só uma mochila pequena cada um. Então, novamente, sebo nas canelas pra correr até o hotel, arrumar as mochilas, fazer o check out, passar no mercado pra comprar suprimentos e correr de volta pra agência.

Nessa de ter que arrumar tudo correndo, acabei esquecendo de colocar toalhas e roupa de banho na mochila, e por conta disso não pudemos entrar nas termas, no último dia do salar, então recomendo que deixe tudo mais ou menos arrumado com antecedência. Depois de tudo arrumado, passamos no mercado pra comprar uns suprimentos básicos (água, biscoitos, papel higiênico, chocolates..) e já estávamos em cima da hora e esbaforidos de tanto correr, então acabamos pagando 8 bolivianos num táxi até a agência, chegamos lá correndo e.. não tinha ninguém! ::ahhhh:: Ô dia de fortes emoções, hein.. Já estávamos achando que tinham nos deixado pra trás, quando começaram a aparecer outros turistas que também tinham fechado o passeio. Corremos tanto e no fim tomamos um chá de cadeira, pois fomos sair já mais de 11 horas.

Nosso grupo tinha seis pessoas, mais o motorista (não deixem colocar mais de seis pessoas, se não fica muito apertado no carro): Fred e Maís, um casal de peruanos, Sabrina, uma alemã que já estava viajando há três meses, Rafael, também brasileiro, e nós.

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Tchurminha legal
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Mais uma vez, demos muita sorte de cair num grupo bacana! Eu estava muito receosa de cair num grupo de gente estranha, ou então num grupo cheio de gringos que só conversassem entre eles e excluísse a gente, ou ainda num grupo que só falasse inglês ou alemão, por exemplo (eu falo um pouco de espanhol, e meu inglês só serve pra ouvir). Tinha um grupo de brasileiros (o mesmo que reclamou do guia, ô pessoal azarado!), que disse que entre eles tinha cara lá que se recusava a dizer de onde era, que não ia dizer porque segundo ele era um país muito odiado pelo mundo! Pensa, viajar com um cara três dias e o cara não dizer de onde era! Dizem que já tinham até embebedado o cara pra ver se ele abria o bico, e nada! :lol: Acho que ao final do terceiro dia eu já tinha enchido o cara de porrada e obrigado ele a dizer na marra! hahaha (meninos brasileiros (desculpa, esqueci o nome de vocês!!), se vocês estiverem me lendo, afinal, descobriram a nacionalidade do rapaz?)

A primeira parada do passeio é o Cemitério de Trens, que basicamente é um ferro velho de vagões desativados. Não tem nada de mais por lá, mas dá umas fotos bem legais (quando dá pra tirar fotos, porque olha, posso fazer um desabafo e um apelo? Você, viajante que adora tirar mil fotos, depois que tirar suas fotos, vaza, desocupa, rala peito do lugar, e dá espaço pras outras pessoas fotografarem também! Fiquei muito chateada nesse dia, no Cemitério de Trens, e também mais tarde, no monumento do Dakar, porque a galera não tinha noção na hora de tirar foto, ficava mil anos ali, furava a fila dos que estavam aguardando sua vez, não davam espaço pro coleguinha, saíam de papagaio de pirata.. Mas ok, voltemos a programação normal!)

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Campo de tétano a céu aberto (mas quem se importa? hahaha)

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Whey, muito whey!

Depois do Cemitério de Trens, paramos em Colchani, que é uma pequena vila onde se faz a extração do sal. Se quiser artesanato de sal, esse é o lugar pra comprar! Imãs de geladeira, llaminhas de sal, e outras coisas do tipo, só vimos ali. Ouvi dizer que essas coisas não resistem ao clima úmido do Brasil, e acabam se desmanchando, mas não resisti e comprei algumas coisas.. daqui um tempo volto pra contar se estão durando. Ficamos um bom tempo em Colchani, enquanto Pedro consertava os freios do carro, que estavam apresentando defeito #medo!

UPDATE: Gente, não resistem mesmo! Meus imãs estavam literalmente derretendo na porta da geladeira, então tive que tirar de lá e guardar.. Talvez funcione em uma cidade com clima mais cedo, mas na maresia de Vitórinha não rolou :(

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Colchani - Além de lhamas, alpacas e chá de coca (que não, não dá barato!), o que mais havia em todo lugar: artesanato!

Saindo de Colchani, passamos em uma parte meio alagada, onde tem uns montinhos no chão, que é onde fazem a extração do sal, e depois paramos num lugar onde tem o monumento do rali Dakar e um hotel de sal desativado, que hoje funciona como museu, e onde almoçamos.

E ali no monumento do Dakar aconteceu algo que fez de Pedro o herói da viagem. Fred subiu em cima da estátua do Dakar pra tirar foto e o celular dele caiu ali, dentro da estátua! tenta de um jeito, tenta de outro e nada feito. Falamos com Pedro e ele disse pra irmos almoçar primeiro que depois ele ia ver o que dava pra fazer. Fomos almoçar, ali sentado do lado do hotel de sal mesmo (bife de lhama, arroz com legumes, salada, coca-cola quente, água e banana de sobremesa), já pensando que não ia dar em nada, que o celular já era.. Só que depois do almoço Pedro realmente voltou lá e resolveu o negócio! Resumo da ópera: ele entrou dentro da estátua, pegou o celular e teve que ser içado por uma corda pra sair de lá! Então se vocês forem na agência Gaviota e encontrarem um desenho do Pedro resgatando um celular no monumento Dakar (desenho feito pelo Fred, na volta), agora vocês já sabem do que se trata!

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As primeiras tentativas de resgate

Saindo de lá, entramos mais dentro do salar de fato. Nem adianta falar muita coisa sobre.. é uma coisa linda que precisa ser vista ao vivo! Aquela imensidão branquinha, aquele silêncio.. apenas: vão e vejam com seus próprios olhos!

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Pode chorar de emoção?

A última parada do dia é na Isla del Pescado, que é uma ilha de cactos gigantes no meio do salar. Pra subir nela paga-se 30 bs, mas teve gente que subiu e não pagou nada, simplesmente porque não tinha ninguém ali fiscalizando e cobrando, na hora. Eu não subi, porque estava com preguiça, e hoje me arrependo por isso. Subir na altitude é fogo, mas sabe lá quando você vai voltar num lugar como esse de novo? Na dúvida, suba!

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De boas curtindo uma praia.. não, péra!

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Isla del Pescado

De lá fomos direto pro abrigo, que, olha, surpreendeu! Eu estava preparada pra ficar num lugar sem estrutura nenhuma, sem água quente, sem lugar, com cobertas fedorentas, passar frio.. e no final não teve nada disso! Tinha água quente, luz, cobertas quentinhas.. nesse dia nós podíamos ficar em quarto privado para duas pessoas.

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Alojamento de sal

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Nossa pequena mansão

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E a vista privilegiada!

Logo o Pedro nos chamou pra tomar um chá com biscoitos, e mais tarde ele serviu a janta: sopa com pão, e depois frango com batatas fritas, estava tudo muito bom!

Ah, nesse dia pra tomar banho tinha que pagar 10 bs.


Gastos do dia: (lembrando que tudo é para duas pessoas, gente!!)
1930 bs: Agência Gaviota (salar + passagens La Paz)
68 bs: mercado (coisas para o Salar: água, papel higiênico, comidinhas)
8 bs: táxi hostel x agência
30 bs: chapéu + souvenirs - Colchani
20 bs: imãs - Colchani
20 bs: 2 Paceñas - Colchani
4 bs: banheiro - Museu de sal
10 bs: ducha - Salar
Total de gastos do dia: 2.090 bolivianos
Editado pela última vez por andreiac em 19 Jun 2015, 07:48, em um total de 2 vezes.

#1083046 por andreiac
28 Abr 2015, 15:39
suellensza escreveu:Andreia, tô adorando! E esse Tour do Salar foi TOP hein. Já li gente que comeu atum enlatado. Vou em julho e esse era um dos meus receios. Continua que está muito bom!


suellensza, na verdade no terceiro dia a gente comeu atum enlatado ::tchann::

Mas além de atum tinha outras coisas, como arroz, legumes, salada, etc, então tava bom ::otemo::
#1083214 por andreiac
28 Abr 2015, 21:42
Lari382 escreveu:Estou acompanhando também!

Pretendo fazer esse roteiro + Chile no jeito mais mochileiro possível... será que com 3 mil reais consigo fazer isso? (Sem contar as passagens)


Lari, vai depender de quantos dias você passar na estrada, mas eu acho que com 3 mil reais você faz a festa por lá! Eu gastei cerca de 800 dólares comendo em restaurantes mais turísticos, ficando em quarto privado e comprando um bocado de presentes. 3 mil reais dá quase mil dólares, então comparando, acho que dá tranquilo ::cool::
#1083314 por andreiac
29 Abr 2015, 08:10
Segue mais uma parte, galera:

DIA 04: SALAR (Segunda)

No dia seguinte, acordamos 6h, tomamos café (chá, pão, doce de leite, manteiga, geléia, leite.. um banquete pros padrões bolivianos!) e fomos pra estrada.

Nesse dia saímos do Salar e já começamos a adentrar nos desertos do altiplano boliviano, então a paisagem muda totalmente. Primeiro passamos por uns campos de quinoa, e depois paramos num povoado (San Juan? Não lembro bem...) onde tem umas vendinhas. Se você estiver desabastecido de água e lanchinhos, aproveite, pois depois dessa parada não encontramos mais nenhum mercadinho até voltar para Uyuni.

Seguimos deserto adentro e começamos a visitar as lagunas. Primeiro passamos pelo vulcão Ollague, um vulcão ativo, só de fumarolas, que fica na divisa entre Chile e Bolívia, e depois vamos para a Laguna Negra, onde fizemos também nossa parada para o almoço. Depois do almoço, seguimos para as Lagunas Cañapa, Hedionda e Honda. Depois entramos no Deserto de Siloli e passamos pela Arbol de Piedra, que é uma formação rochosa esculpida pelo vento, gente! E não foi a toa, ventava muito! Jesuis, nessa hora estava congelante, eu mal consegui sair do carro pra tirar foto! Foi só bater a foto e correr pra dentro de volta! Foi um dos momentos que mais passei frio na viagem toda, e olha que estava de dia, com sol..

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Ao fundo, um vulcão fumante! Vulcão Ollague, fronteira entre Chile e Bolívia

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Parada pro almoço na Laguna Negra (a "mesa do bufet" é essa aí, na traseira do carro, onde Pedro preparava e servia as refeições)

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Laguna Cañapa

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Laguna Hedionda

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Laguna Honda

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Arbol de Piedra - tira logo essa foto pra eu voltar correndo pra dentro do carro!

De lá partimos para a Laguna Colorada (linda, linda, e lotada de flamingos!), já no finzinho da tarde, e nessa hora paramos num posto de controle e todo mundo tem que pagar 150 bolivianos à parte, pela entrada na Reserva Eduardo Avaroa. Lembrando que esse valor é sempre pago à parte, diretamente pros fiscais da reserva (desconfie se a agência te disser que está tudo incluído), e eles dão um papel de comprovante do pagamento com carimbo (se quiser também dá pra pedir pra eles carimbarem seu passaporte! Aparentemente eles não estão muito acostumados com isso, mas eu fui na cara de pau mesmo e pedi!). Dica: nos pediram essa papel no dia seguinte, em outro posto de fiscalização, então guarde-o bem junto com seu passaporte!

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Laguna Colorada - que tal morar nessa casinha e acordar com essa vista?

Saímos de lá e fomos pro abrigo em que passaríamos a noite. Acho que já estávamos um pouco atrasados em relação aos outros grupos, pois passamos por uns dois ou três alojamentos, e já estávamos todos lotados, até que finalmente achamos um que tinha vaga. Mas até que foi bom, pois Pedro tinha nos alertado que nesse segundo dia era bem provável que não tivesse ducha quente e nem eletricidade, mas nesse alojamento que ficamos no final era bem quentinho (tinha "calefação" no refeitório, que consistia em uma lareirinha improvisada, rs), e teve banho quente e energia pra galera recarregar os eletrônicos durante um período de umas três horas. Nesse dia eu fui a única do grupo que tomou banho, rs, e novamente, foi bem tranqüilo, nada daquele terrorismo todo que eu tinha ouvido. Pagava 15 bolivianos pela ducha.

Novamente, primeiro Pedro nos serviu chá com biscoitos, e depois a janta, que foi até um mini luxo: primeiro sopa e pão, e depois macarrão, e teve até vinho pra acompanhar!

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Luxo para jantar: macarrão e vinho!

Nesse dia cada grupo ficava junto em um mesmo quarto, então depois de jantar, nós ficamos um tempão no quarto rindo, conversando e inventando brincadeiras pra passar o tempo. Rolou polícia e detetive, mímica, qual animal eu sou.. Tínhamos comprados dois packs de cerveja naquele dia cedo em San Juan, então foi uma noite bem animada, rs Depois até apagaram a luz geral por lá, mas brasileiro sempre arruma um jeito de bagunçar, então ligamos nossas lanternas e tava tudo certo ::otemo::

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Abrigo do segundo dia


Gastos do dia:
40 bs: cerveja em San Juan (cada pack com 6 latinhas custava 50 bolivianos, então o grupo rachou)
10 bs: chocolates em San Juan
4 bs: banheiro - San Juan
300 bs: entrada Reserva Eduardo Avaroa
15 bs: ducha - Salar
Total de gastos do dia: 369 bolivianos
Editado pela última vez por andreiac em 19 Jun 2015, 07:50, em um total de 1 vez.
#1083337 por andreiac
29 Abr 2015, 09:21
DIA 05: SALAR - LA PAZ (Terça)

Depois de ficar até tarde jogando e bebendo, acordei às 4h da manhã ainda um pouco "borracha".. ::dãã2::

Nesse dia a primeira parada são os Geiseres Sol de Mañana, e eles são mais fortes logo cedinho, antes do sol sair, por isso nesse dia precisamos acordar tão cedo. Todos tomamos café rapidinho (mesmo cardápio do dia anterior: pão, geléia, manteiga, doce de leite, chá, leite e iogurte) e 4:30 já estávamos na estrada, e chegamos nos gêiseres antes de amanhecer. Nessa hora estava bem frio, mas suportável.

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Geiseres Sol de Mañana

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O prêmio por acordar tão cedo

Ficamos lá um tempo e seguimos para a próxima parada: as águas termais. Como eu disse, na correria de arrumar as mochilas, acabei esquecendo roupa de banho.. então fiquei lá só enrolando, enquanto a galera aproveitava :( Pra quem não for tão relapso quanto eu, ali nas termas tem uma casinha com uma espécie de vestiário pro pessoal se vestir. Paga pra usar as termas e o vestiário, mas como não fui, não lembro o valor, mas acho que era coisa de 6 bolivianos.

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Termas

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Já que não tem nada pra fazer, vamos fotografar!

Ficamos uns 40 minutos nas termas, e de lá Rafael se despediu do grupo e seguiu para San Pedro de Atacama em outro carro, e nós seguimos para o Deserto de Dalí e para as Lagunas Blanca e Verde (que não estava verde, fuén, fuén, fuén.. porque pra lagoa ficar verde, tem que ter vento, e como não tinha vento, a lagoa não estava colorida. Pra pegar a lagoa colorida tem que ser mais perto do meio-dia, então tem que enrolar bastante nas termas).

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Laguna Blanca/Verde, e ao fundo, o vulcão Licancabur

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Deserto de Dalí

Depois passamos por uma outra laguna muito bonita, acho que é Marejon o nome dela, paramos em um outro lugar no meio de um morro pra almoçar (esse foi o dia mais "pobrinho" do almoço, era basicamente tudo enlatado, com exceção dos legumes: arroz, legumes, atum enlatado, salada de tomate, milho, pepino e champignon, pêssegos em calda de sobremesa, coca e água), e começamos a fazer o caminho de volta pra Uyuni, a maior parte só no carro, parando uma outra ou outra pra tirar umas fotos, como no Vale de las Rocas.

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Laguna Marejon (?)

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Parada do almoço

* Aliás, queria abrir um parênteses aqui porque uma vez vi uma pergunta de uma menina querendo saber como é que faz pra ir no banheiro, durante o passeio pelo salar, principalmente considerando a recomendação de beber muita água no deserto. Então, gente, banheiro é todo lugar onde você possa ir discretamente e se esconder (HAHAHAHAHA ::lol4:: ), ou então se você for mais desinibida, pode fazer como a Sabrina, que mandou todo mundo entrar e foi atrás do carro, ali no vento gelado mesmo :? . Mas nas condições normais, o vale de las rocas é, tipo, o paraíso!! hahaha. Eventualmente a gente até achava um banheiro, como no museu de sal ou no povoado de San Juan, mas normalmente era ao ar livre mesmo. Virou até piada interna, o Pedro já informava pra gente se a próxima parada teria muitas pedras ou não ::tchann::
(Só pra reforçar: leve seu próprio papel higiênico pra todo lado e, obvious, recolha seu lixinho no final e descarte-o corretamente!)

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Vale de las Rocas (ou "Vale de los Baños", para bom entendedor, hehe)

Seguindo viagem, paramos rapidinho em um povoado chamado San Cristobal, que na verdade não tinha nada de mais, acho que foi só uma parada estratégica pro Pedro tirar uma água do joelho (aliás, a gente morria de rir, porque Pedro era muito prestativo, mas em outras horas ele era tão prático que era quase ríspido. Tipo, a gente tinha acabado de almoçar e ele queria recolher as coisas todas, então virava pra gente e falava: "agora vão caminhar um pouco que depois eu chamo vocês", e a gente sabia que isso não era exatamente uma sugestão que a gente podia acatar ou recusar, rs). ::lol3::

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San Cristobal - só eu vejo um cenário de filme de terror por aqui? o.O

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Pedro, nosso guia durante um passeio. Um boliviano que disse que não gosta de viver na Bolívia, que ouve de The Cranberries a Ziriguidum, e que ao final dos três dias, foi também mecânico, cozinheiro, motorista, contador de histórias de extraterrestres e resgatador de celulares dentro da estátua do Dakar!

De lá, só paramos quando chegamos em Uyuni, por volta de 17:30h. Nosso ônibus para La Paz era às 20h, então fomos procurar um lugar pra jantar antes. Como perdemos um tempinho ajeitando as coisas na agência, estávamos com o tempo corrido e acabamos voltando na Casa del Turista novamente, só pra não perder tempo procurando outro lugar. Nesse dia jantamos uma pizza que até estava bem gostosa e acho que valeu a pena (71 bs, pizza média + bebida), mas deu uma confusão com o lanche da Maís e do Fred, e eles ficaram numa má vontade pra resolver (tinha sido erro deles), que eu definitivamente não recomendo o lugar. :evil:

Depois de jantar, passamos na agência pra pegar nossas mochilas cargueiras, que estavam lá desde o dia que saímos para o Salar, e pegamos o ônibus para La Paz, onde só chegaríamos no dia seguinte.

Gastos do dia:
50 bs: propina Pedro (obs: "propina", em espanhol, não é como no português, é "gorjeta"!)
71 bs: janta Casa del Turista
10 bs: baño e mercado
Total de gastos do dia: 131 bolivianos
Editado pela última vez por andreiac em 19 Jun 2015, 07:51, em um total de 2 vezes.
#1083613 por rafaelbsantos
29 Abr 2015, 17:41
Acompanhando, fui para Bolívia em Junho do ano passado e quando cheguei no aeroporto de sucre pegamos um taxi por $50 cada que nos deixou em Potosí em 2 horas em um carro super confortável. E logo compramos a passagem para Uyuni num onibus fedendo muito que levou 5 horas até lá.
Outra observação o segundo abrigo que fiquei no Salar era muito rustico sem chuveiro e as 21h o luz se apagava geral.
#1083753 por andreiac
29 Abr 2015, 22:46
rafaelbsantos escreveu:Acompanhando, fui para Bolívia em Junho do ano passado e quando cheguei no aeroporto de sucre pegamos um taxi por $50 cada que nos deixou em Potosí em 2 horas em um carro super confortável. E logo compramos a passagem para Uyuni num onibus fedendo muito que levou 5 horas até lá.
Outra observação o segundo abrigo que fiquei no Salar era muito rustico sem chuveiro e as 21h o luz se apagava geral.


Valeu pelas informações, Rafael! ::otemo::

Infelizmente na época eu não tinha muitos detalhes sobre o táxi pra Potosí, fora que rolava o medo de ficar sem transporte de Potosí para Uyuni, né. Você lembra a que horas saiu o ônibus de Potosí?

No segundo abrigo que fiquei era bem completo, mas também apagou tudo ás 21 horas (mas sacamos nossas lanternas e continuamos :lol: )

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