Mochilando por Bolívia, Peru, Chile e Bonito (MS) - 37 dias "sozinha"

Confira os relatos de Mochileiros que viajaram para países da América do Sul. Se esse também é seu caso, escreva o seu relato!

Mochilando por Bolívia, Peru, Chile e Bonito (MS) - 37 dias "sozinha"

Nova mensagempor Cristiane_ » 26 Mai 2010, 12:53

Tomei vergonha na cara e vou escrever (depois de muito tempo) o relato da minha viagem no fórum, como prometido. Afinal, fui muito ajudada por aqui e é o minimo que posso fazer para retribuir a atenção de cada um. Agradecida! ::otemo::

Encanta-me ler cada relato e ver que para um mesmo destino há diferentes sensações, sentimentos e perspectivas. Pois bem... Esse é mais um relato Bolívia, Peru e Chile por uma nova perspectiva.

Destinos:
Bolívia, Peru, Chile e Bonito (MS), 38 dias, sozinha.

BSB – CRB – Corumbá – Puerto Suarez – Santa Cruz – La Paz – Copacabana/Puno – Cusco – Arequipa – Arica – San Pedro de Atacama – Uyuni – Oruro – Cochabamba – Santa Cruz – CRB – Bonito – CRB – BSB

Siglas das moedas:
BOB = Boliviano
CLP = Peso chileno
PEN = Novo sol (Peru)


[ 1º dia – Campo Grande ] – 19h

Começa a primeira história da viagem... rsrs

O resto de real que sobrava troquei por dólar. E adivinhem? Fiz a burrice de ficar sem REAL no Brasil! Ô beleza!!! ::dãã2:: Ainda bem que em todo aeroporto existe um caixa do Banco do Brasil...
... porém o de lá não estava funcionando, e não havia nenhum outro banco por perto.

Fui ao táxi e perguntei quanto que era até a rodoviária. R$ 20 ou US$ 15. Oi? A outra opção era o ônibus por apenas R$2,50...

Voltei para o aeroporto e fui ao guichê da HERTZ (aquela que aluga carros). Calma! Não fui alugar um... Diante do vazio aeroporto, era o único lugar que tinha maior número de pessoas, no caso 3.
Fui lá... super simpática com um sorriso estampado no rosto e pedi para me ajudarem com R$ 2,50 porque só tinha dinheiro em dólar, a máquina estava estragada, era tarde da noite, blá, blá, blá.... Uma moça me deu R$ 2,00 e outro homem inteirou com R$ 0,50. \o/
...
Depois de esperar uns 20 min. na parada de ônibus um táxi aparece. Falei que estava indo para rodoviária, mas só tinha R$2,50 porque a máquina do BB estava estragada, e de novo o blá, blá, blá...
Sei, que depois dele pensar por minutos ele falou que o ponto dele era na rodoviária e me levaria até lá de carona. Na outra parada pegou outros passageiros para compensar. Valeu Seu Albano!

Gasto : nenhum

Hospedagem : nenhuma (ônibus)


[ 2º dia – Corumbá ]

Assim que desci na rodoviária fui pegar outro ônibus até o centro e de lá ir para a fronteira. Nessa conheci Lucas, brasileiro, estudante de medicina em Santa Cruz que me ajudou muito! Pegamos o ônibus até o centro e depois um outro ônibus até a fronteira (trajeto desses dois ônibus não demora 20 min).
De lá atravessamos a fronteira a pé.
Como ainda era cedo e o guichê para carimbar o passaporte não estava aberto, entramos na Bolivia sem carimbo. Pegamos um taxi até a estação de trem para adiantar a compra da passagem. Voltamos para fronteira, esperamos abrir e carimbmos nossos passaportes (nunca pensaria nisso se não fosse pelo Lucas).
Conheci também Leonardo do Rio, que também fazia a viagem sozinho.

A hora de carimbar o passaporte: Fica um cara entregando um papel verde para preencher. Uma sala pequena com 6 homens, camisa de botão aberta até peito, colares e anéis dourados; mesas velhas, um monte de papel em cima, 2 carimbos, 1 computador quebrado e uma música latina. Um desses pegou meu passaporte e mal me olhou. Carimbou o passaporte e... "siguiente"

Na teoria você preenche com quantos dias permanecerá no país, 30, 60 e 90. Coloquei 60 por garantia. Mais tarde vi que ele carimbou com a permanência de 30 dias, ou seja, eles nem lêem o que é preenchido.

A única opção do trem era o Pullman.
E não é que o trem saiu dos trilhos? Poderia ser trágico, mas já havia lido alguns relatos sobre a possibilidade dele descarrilar. Não sei se é por costume, mas colocaram o trem de volta em poucos minutos...

Aaaaa as paradas! Quando o trem para, entram nos vagões um moooonte de gente (maioria crianças) vendendo comidas e bebidas. E ficam gritando o que estão vendendo. Acordei umas 2 vezes durante a viagem com os meninos gritando "limonadaaaa e sodaaa!!" "pooollo fritoooo", ....

A noite choveu bastante, o que fez a temperatura cair um pouco.

Vale a pena ir com o trem, pois será o primeiro contato direto com as pessoas desse país encantador!


Gastos:
- ônibus centro até rodoviária: R$2,00
- trem da morte (Pullman) – BOB 115
- táxi – BOB 5
- água – BOB 3
- almoço – BOB 26
- ajuda para um cara X que ia visitar a mãe em S. Cruz - BOB 20

Hospedagem: nenhuma (trem)


[ 3º dia – Santa Cruz de La Sierra ]

Chegamos (o Leo - se tornou um companheiro de viagem durante uma semana) em Santa Cruz por volta das 08h, e já compramos nossas passagens para La Paz com a empresa Trans Copacabana para o mesmo dia.

Como o ônibus só saiu às 16h50 fomos dar uma volta pela cidade e tive meu primeiro contato com a culinária boliviana, as famosas salteñas. O mais interessante é como foi servida. O jovem pega o salgado com a mão e coloca no prato. Simples assim! Guardanapo pra que? hehehe

Depois fui comprar a água mais cara de todos os tempos... BOB 5. (?) Tudo bem! Tinha acabado de chegar e ainda não estava inteirada com os valores....

O ônibus saiu direto para La Paz (19 horas de viagem) era muito confortável com poltronas de 3 fileiras e ótima inclinação.

Comprei um saco de cuñapé, uma espécie de pão de queijo boliviano. Muito gostoso!

Gastos:
- Santa Cruz para La Paz – BOB 150
- guarda-volumes – BOB 5
- banheiro – BOB 1
- salteña – BOB 1
- saco de cuñape – BOB 2

Hospedagem : nenhuma (ônibus)


[ 4º dia – La Paz ]

Cheguei em La Paz de boa. Sem passar mal, sem dor de cabeça, ou algo do gênero. Também não tomei o Soroche pills (composto de folha de coca e aspirina) ou mastiguei folha de coca. E não senti nada! Esses sintomas variam de pessoa para pessoa. A única coisa que complicada foi a falta de ar. Cada 3 passos na subida é como correr por 30 min. sem parar (exagero! rsrs). Mas realmente cansa mais rápido.

Para nossa surpresa hospedagem em La Paz estava o dobro do preço do que imaginávamos. A teoria da galera era a seguinte: agosto é férias da Europa e America Central e tudo fica mais caro.

Depois de andar e andar em busca de uma hospedagem mais barata achamos uma por BOB 80 quarto simples com banheiro privado. Achei caríssimo! Mas depois de 3 dias mal tomando banho e dormindo em ônibus precisa de um banheiro privado e dormir bem.

Sai para conhecer a famosa Plaza Murilo. Uma praça com um monte de pombos... e só. Tem quem goste... mas não gosto de pombos. Vale a pena pelo Palácio do Governo e o Congresso Nacional que ficam em torno.

Comi uma trucha do lago Titicaca. Delicia! A comida sempre era servida antes de uma sopa, depois o prato principal e por ultimo chá, geralmente de coca.

Gastos:
- Passeio Tiwanaku dia seguinte – BOB 40 (agência Alberth Tour)
- entrada no parque de Tiwanaku dia seguinte – BOB 80
- almoço – BOB 12
- janta – BOB 15
- lembrancinhas – BOB 18

Hospedagem: hotel

[ 5º dia – La Paz – dia 2 – Tiwanaku e mirante Killi-Killi ]

Temperatura: 4º

Meu quarto era o mais frio de La Paz, certeza! 7 cobertas, 1 saco de dormir, 2 calcas e 3 blusas... e muuuito frio dentro do quarto! ::ahhhh:: Fora que tudo estava gelado; minha mochila, minhas roupas dentro da mochila, sem contar o meu filtro solar que congelou. aff...

Tiwanaku é liiiiindo e emocionante! Os arqueólogos estão trabalhando em uma pirâmide chamada Akapana, e segundo o guia a previsão para vê-la por completo será de 7 há 10 anos... Horas caminhando e descobrindo um pouco mais sobre esse povo.

Como o sol ainda estava alto aproveitei para visitar o mirante Killi-Killi, onde se tem uma vista maravilhosa de La Paz. Para voltar de lá fiquei quase 1h esperando uma van para o centro.
Até que uma senhora chegou e perguntou se eu estava perdida... Não! Queria só não pegar táxi. rsrs
Começou a escurecer, esfriar, a rua ficar deserta...
...errrr!!! peguei um táxi!

Gastos:
- entrada em Tiwanaku - BOB 80
- almoco - BOB 35 (pense?! ¬¬)
- lembrancinhas - BOB 8
- taxi mirante - BOB 20
- Passeio Chacaltaya + Valle da Luna dia segunte - BOB 45 (agência Alberth Tour)


[ 6º dia – La Paz – dia 3 – Chacaltaya e Vale de la Luna ]

Para chegar em Chacaltaya precisamos fazer um desvio no caminho porque aconteciam festejos de independência nas ruas...

Antes mesmo da subida, uma Argentina do nosso grupo estava passando muito mal por causa da altitude. Por isso tivemos que subir em descer em 50 (longos) minutos. São apenas 300 metros de caminhada, mas pense na dificuldade? Cada 5 passos uma parada para respirar.
Por causa da falta de ar, os batimentos cardíacos aceleram e paciência é a palavra chave para subir.
Não tem como andar mais rápido, o esquema é parar um pouco, respirar e admirar a paisagem. Fazer no seu tempo, sem forçar seu corpo! No meio do caminho minha cabeça começou a dar sinais sobre o efeito da altitude. Chegar ao final é uma sensação única! Fazendo esquecer-se da difícil subida.
Infelizmente não tinha tanta neve por causa do aumento das temperaturas.

Depois de deixar a senhora na embaixada da Argentina (ela realmente estava muuuito ruim...) fomos para o Vale de la Luna (Mallassa). Um parque natural dentro de La Paz. Você nem precisa pagar um passeio para conhecer, basta pegar um ônibus ou um taxi para lá (no meu caso já estava incluso no pacote e também não sabia que era tão próximo).
Uma trilha de 45 minutos, que a principio é tudo lindo.
Não sei se era o meu cansaço... Mas depois dos 10 minutos caminhando enjoei de ver a repetitiva paisagem É super diferente, mas realmente esperava mais. Vale à pena conhecer, porém não precisa ser colocada como prioridade de passeio. Minha opinião hein galera?

No final fomos almoçar no Pollo Rey, uma espécie de Giraffas boliviano. Não tem muita opção, o que diferencia é a quantidade de comida. Arroz, batata frita e frango.
Também não tinha faca... Só 1 garfo e claro, sem guardanapo.
Uma particularidade são as bebidas que não são colocadas na geladeira. Por causa das baixas temperaturas, já fica pronta para beber...

O Museu Nacional de Arqueologia é bem conservado, com peças Inca e Tiwanaku, além de mais 2 múmias de homens incas em perfeito estado de conservação.

Gastos:
- passagem La Paz/Copacabana – BOB 30
- Museu Nacional de Arqueologia – BOB 10
- frutas – BOB 5
- chá de coca - BOB 5.5
- água - BOB 2.5
- hospedagem - BOB 210 (já sei que paguei caro...)


[ 7º dia – Copacabana – Lago Titicaca e Cerro Calvário ]

8h - Saímos de La Paz em um ônibus da Alberts' tour (BOB 30), mas pode pegá-lo também em frente ao cemitério que é mais barato. Confesso que optei em fechar com a agência para não caminhar em La Paz com a mochila mais uma vez... rsrs

Depois de 3h parada para atravessar o Lago Titicaca. Nossa... o Lago Titicaca! Que coisa mais linda!

Descemos do ônibus e fomos para um guichê pagar pelo transporte de barco (BOB 1,50) até o outro lado. O ônibus vai em um embarcação separada.

1h há mais na estrada é já estávamos em Copacabana.

Enquanto íamos pela estrada, o lago era nosso guia por todo tempo. Imponente e azul! Senti-me pequena diante daquele que guarda a historia de um império e alimenta até hoje vários povos. Meus olhos se encheram de lágrimas e naquele momento compreendi que para senti-lo, apenas estando ali.

A Festa da Virgem da Candelaria...

Ao chegar em Copacabana foi um susto. A cidade estava LOTADA de turistas e peregrinos, pois era a festa da Virgem da Candelaria ou Fiesta de la Virgen de las Nieves, considerada por muitos a mais importante no altiplano. Os andinos dançam, rezam e bebem (muito), em honra para a "mãe" milagrosa.

Deixamos as mochilas na loja que vende as passagens (não há terminais de ônibus) e fomos atrás de uma hospedagem. Mesma história... tudo cheio e as que sobravam eram caras. Andamos por quase 1h e ficamos em um hostel (Hostel da Sônia) simples, com um preço acessível e bem localizado. Dividi o quarto com o Leo e mais um francês.

Fomos até o Cerro Calvário junto com os peregrinos e devotos em passos lentos consequente o grande número de pessoas. Sobe-se no morro para pagar suas promessas, agradecer, pedir e celebrar à Virgem.

Subindo pelo cerro constatei o sincretismo religioso do país. Havia pessoas lendo à sorte com chumbo derretido (Molibdomancia), cartas, pedras, mão, ...
Além disso, os peregrinos desenhavam com vela derretida os seus pedidos nas paredes que ficam aos pés da santa. Mas o que mais me chamou atenção são as barracas que "vendem" milagres. Lá o devoto pode comprar em forma de miniatura o pedido à Nossa Senhora. Pode ser qualquer coisa; carro, casa, dinheiro, filhos e até saúde. Também participei do Ch’alla. Os carros são lavados de bebida alcoólica em uma ritual pedindo à Pacha Mama prosperidade e proteção para os carros, que são ornamentados com flores e fitas e em frente às portas de uma igreja católica.

AMEI tudo aquilo!

Em seguida fui me purificar com um xamã que começou com a defumação de palo santo¹, depois fez mais algumas coisas que não vi, passou um tatu empalhado no meu rosto e em minhas mãos e no final rezou um pai nosso.
... o sincretismo religioso.

Gastos:
- sanduíche (pão + salada) - BOB 5
- refrigerante (Coka Quina) - BOB 2
- água de Florida² - BOB 20
- almoço - BOB 22
- doação para o xamã - BOB 10
- 2 velas - BOB 1

Hospedagem:
Hostel da Sônia

¹ Palo Santo: madeira aromática natural, utilizada ancestralmente pelo xamanismo inca e pelos povos andinos como um poderoso meio de proteção, purificação e limpeza espiritual.
² água de Florida: essência de flores para purificação


[ 8º dia – Copacabana – dia 2 – Isla Del Sol ]

Fomos caminhando até o lago, porque era bem perto. Achamos melhor comprar na hora o bilhete, pois as agências costumam cobrar um pouco mais.
Conhecemos Bruno (SP, também viajando sozinho) e ao descer do barco conhecemos mais 2 brasileiros (Carla e Calos – RJ) .

Você pode optar por 2 passeios:

1 – Atravessar a ilha do lado norte até o lado sul de trekking – 4 a 5 horas (a trilha é super tranquila, bem marcada e pode fazê-la sem guia. Desembarca no norte às 9h e o retorno é às 16h do sul)
OU
2 – Descer na ilha norte, conhecer e seguir com o barco até a parte sul.
Optamos em fazer a caminhada.

Assim que chegamos na ilha fomos recebidos por um nativo muito engraçado. O cara se apresentou e nos levou até um “museu”... começou a falar, falar e falar sem parar. O homem perguntou se queríamos fazer a trilha com guia. Perguntamos qual era o valor POR CURIOSIDADE e sei lá porque ele entendeu que queríamos fazer a trilha com ele. Nos chamou em um canto e começou a falar sobre o lago, sobre o céu, falar sobre a vida, falar, falar e falar... Alguma alma divina o interrompeu e falou que não íamos fazer a trilha com ele, só queríamos saber quanto ele cobrava. O sujeito simplesmente parou de falar, virou e saiu... resmungando alguma coisa que nem fiz questão de traduzir... ::lol4::

5 brasileiros juntos... Não prestou! Viramos amigos de infância nos primeiros 10 minutos de caminhada.

O caminho é lindo e rodeado pelo Lago Titicaca. Há várias ruínas ao longo do caminho que cercam de mistérios o lugar.

Porém enquanto caminhávamos pela trilha, do nada surgiu um casal cobrando um “pedágio” de BOB 5 para continuar (?). Claro que ficamos discutindo o porquê, afinal já tínhamos pagado para entrar e ninguém nos avisou que teria que pagar no meio do caminho. Reclamamos e não adiantou... pagamos!
1 hora depois, outro “pedágio” (??) e mais BOB 5! Nesse ficamos quase 10 minutos discutindo o porquê do pagamento. Momento de mini stress que depois virou piada.

Carlos e Carla trocaram suas passagens de Cusco para o dia seguinte e foram para nosso quarto no hostel.

Nesse dia aconteceram umas perolas que preciso compartilhar pelo menos 2:

1 – No barco, o homem que se denominava Capitão em um momento disse: "adelante!" para TODOS os passageiros. Indicando que ficássemos na frente do barco PORQUE ASSIM, ELE ANDARIA MAIS RÁPIDO.

2 – No caminho encontramos 2 caras... Voltavam de uma festa eletrônica na ilha... Virados (sem dormir).... Pararam-nos e pediram para sentirmos a energia daquele dia. E visualizar o portal (?)... Pediu para olharmos nos relógios... E disseram que um portal de energia estava aberto naquele momento porque era: 12h 34m 56s do dia 07/08/09 (1 2 3 4 5 6 7 8 9)... ::hein: Tudo bem né?! Se eles estavam dizendo...Ainda bem que tinha mais gente para comprovar a veracidade desse episódio...

Gastos:
- bilhete Isla Del Sol e volta – BOB 20
- museu + trilha – BOB 10
- banheiro - BOB 1 ( e se você quiser ir no banheiro da ilha? tananãnã... tem que pagar)
- super janta - BOB 35
Editado pela última vez por Cristiane_ em 27 Set 2010, 17:13, num total de 1 vezes
Avatar de usuário
Cristiane_
Colaborador
Colaborador
 
Mensagens: 227
Data de registro: 21 Jan 2009, 13:37
Localização: Brasilia
Reputation point: 1050

Re: 38 dias - Bolívia, Peru, Chile e Bonito (MS)

Nova mensagempor Cristiane_ » 26 Mai 2010, 16:21

[ 9º dia – Cusco – dia 1 ]

Chegamos em Cusco a noite, e mais uma vez a correria para arrumar uma hospedagem (já estava me acostumando com isso... rsrs) Para variar todas as hospedagem cheias e muito caras!
O Bruno fez pelo Brasil um reserva em um hostel e não havia mais vagas para nós. Como Carla seguia para Cuba na manhã seguinte foi a única que ficou lá.
O Leo também foi para um hotel já reservado. Eu e o Carlos rodamos Cusco inteira atrás de opções mais baratas. E por fim a senhora super simpática do hotel que o Leo ficou, nos fez um preço de albergue se dividiamos o quarto.

Após a janta fomos conhecer o Mama África. Ao lado dele existem outros pub’s. Não pagamos para entrar em nenhum deles (na verdade nem sei se paga.. hehehe) e ganhamos vários drinks de graça. É bem comercial o local, poucos nativos e músicas estrangeiras não muito atuais. hehehee Falam que o Mama África é point dos mochileiros.... errr! Num achei que não hein?!

Gastos:
- água – PEN 3
- taxa de embarque - PEN 1
- janta – PEN 10

Hospedagem: Hotel


[10º dia – Cusco – dia 2 – Quorikanha, Saqsaywaman, Puçá Púcara e Tambomachay]


Acordei tarde (10h) por causa da balada na noite anterior. Fui ao Puma’s Trek marcar minha ida para Machu Pichhu.
Optei pela Salkantay (trilha alternativa) por causa das belezas naturais do caminho. A trilha inca dizem que é muito bonita, mas há mais ruínas... Por Cusco têm uma infinidade de sítios arqueológicos, que pesou muito na minha escolha pela outra trilha. Salkantay exige um pouco mais de preparo físico, no entanto é facilmente recompensada por suas belezas naturais.

O boleto turístico permite acesso em 16 atrações de Cusco. Mesmo quem não gosta de ficar visitando museus em viagens, o boleto dá acesso a lugares indispensáveis de conhecer como Pisac, Ollantaytambo e Valle Sagrado. Vale a pena!
O boleto é valido por 10 dias, mas em alguns locais é necessário pagar para entrar (mesmo com o boleto), exemplo é o museu de Quoricanha.
>>> O boleto não inclui entrada para Machu Picchu.

City tour:

Quorikanha é um templo onde se encontram fragmentos e cerâmicas do período pré-inca. Tem também exposição de metais, tecidos, pinturas, esculturas e instrumentos musicais. O museu tem 5 salas.

De lá seguimos para Saqsaywaman (2km de Cusco). Uma construção formada por blocos de pedras que são unidas com prefeita precisão. Uma grande muralha! A maior pedra pesa em torno de 70 toneladas. A cada 24 de junho comemora-se no local a festa Inti Raymi.

Conhecemos também Puca Pucara (7km de Cusco), uma plataforma que dá para vislumbrar um bonito mirante. Segundo o guia, o local foi um forte militar ou um posto de controle para entrar em Tambomachay.

Tambomachay (8km de Cusco) é conhecido também como baño de la ñusta. Seu nome significa Lugar de Descanso. Tem diversas fontes, inclusive cerimoniais.

Terminamos a noite em uma balada indicada por nativos, com cantores locais.

Acho que calculei mal o quanto precisaria levar de dinheiro... ::essa:: Neste dia meu dinheiro acabou... O último USD 80 que tinha, emprestei para o Carlos ir para Machu Picchu.


Gastos:
- boleto turístico (estudante) – PEN 70
- presente para meu irmão - PEN 30
- casaco - PEN 20
- ligação Brasil - PEN 21
- água - PEN 2
- passeio Vale Sagrado dia seguinte - PEN 25.


[ 11º dia – Cusco – dia 3 – Vale Sagrado e Chinchero ]

Vale Sagrado é maravilhoso!
Pode-se ver também um rosto em pedra da divindade protetora da vila, Aymara.
O passeio inclui uma parada em um restaurante turístico que cobrava PEN 30 pelo almoço - TRINTA! Nesse momento só tinha 10.
Você não é obrigado a comer nesses restaurantes indicados pelas agências. São parcerias feitas entre os 2 estabelecimento. Caso esteja afim de sair e comer em outro lugar avise o guia e vá sem medo de ser feliz! Ande um pouco e procure por lugares onde as pessoas locais comem. A comida é sempre mais gostosa, além de ser mais barata... ::cool::
Foi isso que fizemos (eu, Jules e Vinicius - outro brasileiro que apareceu). Sem precisar andar muito, achamos um "buteco" bem simples em frente ao "super mega sônico restaurante turístico de TRINTA soles" a adivinhem? O almoço era 7 soles com direito a entrada (sopa) e prato principal (arroz, batatas e trucha). Delicia a comida!

Conhecemos também Chinchero (30 km de Cusco), uma vila com seus tradicionais mercados coloridos e uma igrejinha. Lá é um dos poucos lugares que mantém a forma de comercialização chamada turque (troca) de produtos entre as pessoas da região. Consegui ainda trocar uma rasteira, um colar e um casaco por artesanatos e tecidos da região.

O passeio dura o dia todo e é realmente incrível! Vale muito a pena fazê-lo!

Gastos:
- almoço: PEN 7
- janta: PEN 5


[ 12º dia – Cusco – dia 4 –Passeio pela cidade ]

Depois do almoço, eu e Jules fomos caminhar por Cusco. Andamos o dia todo e encontramos lugares tão interessantes quanto os vendidos para o turista. Fomos em feiras, mercados, praças, museus gratuitos e exposições na rua.
A cidade é uma mistura da história pré-hispânica e de construções coloniais. Encontramos verdadeiras obras primas nas construções. A Rua Haun Rumiyoc é uma das mais conhecidas, com um muro de pedras gigantescas, milimetricamente recortadas. O encaixe perfeito é um desafio para cabeça de muita gente.

Museu Inca situa-se perto da Plaza de Armas e também vale a pena conhece-lo. Guradam porcelanas antigas e múmias em perfeito estado de conservação. No pátio central do museu é vendido artesanato local.

Caminhamos até Monumento Pachakuteq, uma torre de pedra de 9 andares que serve de base para uma escultura de bronze do inca Pachakuteq de 34m.

Vale a pena tirar 1 dia para "bater perna" pela cidade que é repleta de histórias!

Carlos havia voltado de MP no final da tarde e me pagou o que havia emprestado a ele.
Consegui também um trabalho temporário para um agência de turismo. Panfletar na Plaza de Armas no frio desgramado, mas foi engraçado! ::Cold::

De Copacabana até Cusco fui agregando a galera... Mais um pouco virava uma excursão.. ::hahaha:: Depois de 12 dias viajando com o Leo, 4 com Carlos e Bruno, 2 com Jules. Hora da despedida! Saímos a noite pois no dia seguinte cada um seguiria seu caminho...
A noite foi divertidíssima!!! Tão divertida que voltei para casa às 3h25 e esqueci que minha saída para salkantay estava confirmada para às 4h.

Ainda fiquei na dúvida: Durmo ou não durmo? Restava-me menos de 40 min de sono.
... dormi.

Gastos:
- Museu Inca : PEN 5
- almoço: PEN 5
- água: PEN 2


[ 13º - Salkantay – dia 1 ]


Claro que não acordei no horário!

Mal tinha fechado os olhos quando ouço de longe alguém batendo na porta. Era o garoto da recepção informando que a van já tinha passado e como iriam pegar outras pessoas eu deveria encontrar-los na Plaza Cabildo.

Detalhe: Na correria não deu tempo de pagar o hotel.... MAS como havia deixado minha mochila cargueira lá, combinamos que quando voltasse eu acertava tudo.

Cheguei em 10min. na praça. Toda descabelada, com a cara inchada, sem escovar os dentes (credo!), de chinelo, sem meias e com as roupas socadas na mochila. Entrei na van, fechei os olhos e dormi.

De Cusco ao povoado de Mollepata duram 3h. 3 horas dormindo, claro!
No café apresentações do grupo: 2 alemães (1 falava um pouco de espanhol e o outro nada) + 4 franceses (apenas 1 falava em esp.) + 3 americano (2 falavam pouquissimo em esp.) + 2 canadenses (também falavam pouco esp.). Moral da história: Fiquei quase muda durante 5 dias porque meu inglês é péssimo.... ::putz::

9h30 - saimos para o treeking, e logo no primeiro dia já foi muito puxado (seria o sono? ::hein: ). Muuuuita subida pelo altiplano andino. Porém o cansaço era compensado pelo cenário dos montes Salcantay, Umantay e Soray.
Estava andando como zumbi (virar noite na balada e seguir por Salkantay realmemte não dá certo!). O frio era outro fator que pesava que dava muita coriza por causa da baixa temperatura.

Quase 8 horas de caminhada e paramos no nosso primeiro acampamento, Soraypampa (3.600 m.a.n.m). Nossas barracas já estavam montadas quando chegamos. O local era bem simples. Possuía 2 banheiros e uma estrutura de madeira maior onde improvisaram uma cozinha e um canto para comermos.
O frio e o vento estavam quase insuportáveis. Estava com tanto sono que só tomei a sopa e fui dormir....

Bem... Dormir seria uma coisa que definitivamente não faria naquela noite... O frio chegou a ficar insuportável e o vento sacudia muito minha barraca. Como estava sozinha dentro dela, a sensação de frio era maior ainda. Meu pé de tão gelado, começou a formigar... Tentei aquecê-lo com as roupas que tinha, mas não adiantou. Para piorar o zíper do meu saco de dormir arrebentou e não conseguia arrumá-lo porque quando tirava as luvas ficava com mais frio ainda. Como diz um amigo : "foi teeenso!" Sem nenhum exagero de sagitariano, mas pensei que a qualquer momento teria uma hipotermia.


Umas dicas:
1. Recomendo não fazer a trilha Salkantay (ou qualquer outra) virado de balada. Uma boa noite de sono faz toda diferença para seu corpo.
2. Leve apenas o necessário para a trilha, pois você carregará sua mochila.

Estava incluso no pacote Salkantay:

• Translado hospedagem até Mollepata
• Guia
• Cavalos para levar os equipamentos de camping (só 3 dias - equipamentos de camping já incluso também com barracas e isolante térmico)
• Alimentação (4 cafés, 4 almoços e 4 jantas - opção vegetariana)
• 01 noite no hotel em Aguas Calientes
• Boleto de entrada nas ruínas de Machu Picchu
• Ticket de trem de volta: Aguas Calientes Ollanta - Cusco


Gastos:
- táxi hotel até a Plaza Cabilo -PEN 4
- café – PEN 10
- água + barra de cereal + chocolate - 8 PEN

Hospedagem: camping

Banho: nenhum


[ 14º - Salkantay – dia 2 ]

Acordar e dar de cara com o monte Salkantay - completamente nevado durante todo o ano, compensa qualquer frio passado na noite.

6h saímos para o 2º dia de trekking. Nosso guia nos deu um kit lanche (1 maça, 3 balas e 4 biscoitos).
Apesar de quase não ter dormido por causa do frio estava bem disposta. Subidas, subidas e mais subidas intensas, rodeados também pelo monte Humantay. Fazia muito frio e a altitude castigava. Subimos pelas Sete Voltas - um monte em forma de ziguezague de tão íngreme - com muito mais de sete voltas.
Muitos não conseguiram caminhar ou levar suas mochilas. Por isso, eram dispostos cavalos para levar as coisas e as pessoas...

Aproveitei para fazer uma celebração aos Apus, os espíritos das montanhas - faz-se vários pedidos e pede-se autorização para continuar. Empilham as pedras, e na parte inferior deve conter 3 folhas de coca ou 3 caramelos (balas). Bem... cada um tem uma teoria sobre esses montinhos de pedra. Gostei dessa explicação e fiz também o meu. ::tchann::
Depois desse trecho o nível é mais leve com subidas menos intensas. Paramos para almoçar às margens de um rio formado pelo desgelo dos montes (que infelizmente não me recordo o nome).
O cenário nevado ficou para trás e as montanhas cercadas pela Mata Atlântica nos davam boas vindas! Apesar do sol, não há como deixar de usar um casaco, pois venta muito.

Chegamos ao Challway (2º acampamento) às 17:40. Logo foi servido o happy hour e posteriormente o jantar (sopa de quinua¹, arroz, batatas e chá).

¹ Quinua - Vegetal da família do espinafre, nativa dos Andes e foi domesticada a mais de 5 mil anos. É cultivada entre 3.800 e 5.000 acima do nível do mar.

Gastos:
- 2 águas - 4 PEN
- chocolates + barra de cereal - 7 PEN

Hospedagem: camping


[ 15º - Salkantay – dia 3 ]

Dormi maravilhosamente bem com o calor da floresta amazônica peruana. Acordamos às 5h50 tomamos nosso café e seguimos para o 3º dia de trilha.
Calor e selva, esse era o cenário do dia. O rio Lucmabamba foi nosso fiel companheiro nesse trajeto repleto de pequenos riachos e cachoeiras.
No meio da manhã a caminhada começou a não render. A todo tempo alguém parava para tirar fotos. Foto da bananeira, das plantações de café, mosquitos (sim! até dos mosquitos), pé de mamão,...
Além disso, o sol forte (achei agradável...) deixava o resto do grupo cansado e andavam como um lesma.
Do nosso ponto de saída até onde almoçaríamos às 12h seria feito em 4h.
No entanto, eram quase 12h e não tínhamos caminhado nem 2h. O guia informou que o resto do grupo estava indisposto por causa do calor.

Logo depois de umas das milhares de paradas, tinha uma van parada no meio do caminho (?). O guia pediu para entrar pois ela nos levaria até o vilarejo onde almoçaríamos. Questionei por que! E ele me disse que todos estavam cansados por causa do sol forte.
(?) Como assim? "Todos” são muita gente! Não me lembro de ninguém perguntar se eu estava cansada... ::grr::
Com um bico do tamanho do universo entrei na van por último.
Minha indignação nem era porque o grupo tinha ficado cansado, isso seria totalmente compreensivo, mas vi que ninguém se esforçava...
Nunca havia permanecido por tanto tempo em local com temperaturas tão baixas, ou caminhado em altitudes tão altas e mesmo assim persisti. Nem por isso na noite que praticamente congelei na minha barraca saí correndo atrás dele para me providenciar um aquecedor. Mas enfim... acontece.

Gastos:
- águas termais – PEN 10
- água - 1,20 PEN
- 4 granadilhas¹ - 1,50 PEN

Hospedagem: camping


¹ Granadilhas - fruta totalmente tropical, espécie de maracujá. Come-se puro e lembra muito o gosto de maracujá doce. Muito bom!


[ 16º - Salkantay – dia 4 ]

6h de treeking de Santa Tereza para Águas Calientes.
Na parte da manhã a trilha foi feita sobre uma estrada de terra, por isso sempre passavam carros e vans. Abaixo de nós o rio Lucmabamba.

Paramos para preencher nossos dados (nome, passaporte, etc..) em uma hidroelétrica.
No período da tarde seguimos caminhando pelos trilhos do trem. O caminho pode ser um pouco desagradável para algumas pessoas, pois é feito passando por pedras. É muito bonito e avista-se Wayna Picchu em um trecho.
Como a trilha é feita pelos trilhos, se ficar longe do guia pode passar direto da entrada de Águas Calientes. Quase passei... Ainda bem que haviam pessoas sentadas na entrada e me viram passando direto. Juntei-me a eles até meu grupo chegar. 2 americanos do grupo passaram direto. O guia pediu para esperarmos em uma praça e foi atrás dos dois. Estava cansada porém muito feliz de ter chegado.

Em Águas Calientes nosso grupo se dividiu, e fomos direcionado para os hotéis - só um lugar para dormir e tomar banho, bem simples.

Gastos:
- gatorede - 4 PEN
- encomenda da minha mãe - 20 PEN
- 1 pulseira - 3 PEN
- creme/shampoo - 2 PEN
- 1 colar - 10 PEN
- 1 cachecol - 10 PEN
- 2 sucos - 14 PEN
- gorjeta para cozinheiros - 20 PEN

Momento consumista esse dia. rsrs

Hospedagem: hotel


[ 17º -Águas Calientes e Machu Picchu]

Águas Caliente é uma pequena vila aos pés de Machu Picchu que vive do turismo. Você anda e tropeça em hoteis ou restaurantes turísticos. Por isso, os preços são mais salgados.
Há poucos metros da vila se encontram as famosas águas termais. São águas sulforosas, e as temperaturas variam de 38º C e 46ºC. Lá tem uma estrutura turística de vestiários, banheiros e um bar.

Subindo para Machu Picchu....

4h da manhã saímos para subir as escadas que dão acesso à Machu Picchu. Quase UMA HORA E TRINTA subido pelas escadas com suas centenas de pequenos degraus. Subimos, subimos e subimos... achei que aquelas escadas não teriam fim! Como ainda era muito cedo, a noite estava linda! Um céu rosado e silencioso...

Chegamos à portaria e já tinha muuuuita gente na fila esperando para entrar. O guia informou que quando abrisse (6h) deveria sair correndo até a portaria de Wayna Picchu para pegar a senha. Na verdade esse é o motivo porque as pessoas sobem tão cedo.
Passei pela portaria e comecei a seguir um monte de gente que estava correndo.

São liberadas 400 pessoas por dia, divididos em 2 “turnos” de 8h e 10h. Peguei a senha de 10h e por pouco não fico sem, a minha senha era 304 de 400. Ufa!

O guia nos juntou para fazer um “city tour” pela cidade perdida dos incas. Impossível! Chegávamos em um ponto e já tinha outro guia com outro grupo, ficávamos esperando, .... E foi assim por todo tempo, para cada ruína tínhamos que esperar e nos apertar entre os poucos espaços no meio da multidão.
É muito engraçado escutar os guias falando, porque cada um conta sua versão da história de MP. Cheguei a escutar 3 versões diferentes em um mesmo local.
Como ainda tinha tempo antes de subir para Wayna Picchu, desisti de ouvir as explicações e fui comer.

Banheiros e lanchonetes ficam do lado de fora de MP.

Comprei UM gatorade e UMA torta de legumes por TRINTA pen. Ou seja, uns R$19 esse lanchinho. Como estava com muita fome, esqueci de tirar os pedacinhos de ouro dentro da comida.... ::putz::

O trabalho do guia se encerrou por aqui, e dali para frente estávamos “livres”. Aêêêêê!!!

10h subi Wayna Picchu, 1 hora de subida – quase cheguei no céu de tanto que subia nesse lugar. Magnífico!
E para mim, foi bem mais gratificante que Machu Picchu. De lá avista todo parque arqueológico de MP. Devido ao seu difícil acesso não são todos que animam a subir. As escadas tem degraus pequenos, que dá uma noção de como era a pequinês física desse povo. Há trechos que é praticamente necessário escalar. Mas sem dúvida vale mais a pena do que a própria cidade de MP.

Há duas maneiras de voltar para Águas Calientes: a pé ou de micro ônibus.

17h30 - saída do trem (a passagem era inclusa no serviço e já estava na recepção do hotel) O trajeto demora 1h45.
Chegamos no final da estação e a van da agência já estava nos esperando para seguirmos até Cusco, foram mais 2h.

Gastos:
- ônibus de MP até Águas Calientes - 25 PEN
- banho - 5 PEN
- almoço - 21 PEN

Lembrete: Na hora de ir embora, não deixe de carimbar o seu passaporte com o selo de Machu Picchu na portaria de entrada.
Avatar de usuário
Cristiane_
Colaborador
Colaborador
 
Mensagens: 227
Data de registro: 21 Jan 2009, 13:37
Localização: Brasilia
Reputation point: 1050

Re: 38 dias - Bolívia, Peru, Chile e Bonito (MS)

Nova mensagempor Thalita Figueiredo » 26 Mai 2010, 16:50

Parabéns Cris pelo relato!! Ontem viajei com vc pelo blog! Ótimas fotos!!
Bjs!
Colaboradora - Acre
"Há outras coisas no caminho onde vou. Palavras me aguardam o tempo exato pra falar..."


Relato BH e Ouro Preto 2011
belo-horizonte-e-outro-preto-mg-setembro-de-2011-com-fotos-t60347.html
Relato Manaus 2011
diario-de-viagem-manaus-marco-2011-t53473.html
Relato
Bolívia e Peru - 2010
http://www.mochileiros.com/cobija-la-paz-copacabana-cuzco-trilha-salkantay-machu-picchu-puerto-maldonado-out-2010-t49237.html
Avatar de usuário
Thalita Figueiredo
Colaborador
Colaborador
 
Mensagens: 296
Data de registro: 30 Nov 2009, 16:48
Localização: Rio Branco/AC
Próximo Destino: ...
Reputation point: 1137

Re: 38 dias - Bolívia, Peru, Chile e Bonito (MS)

Nova mensagempor Cristiane_ » 26 Mai 2010, 18:20

[ 18º dia - Cusco – dia 5 ]

Andei até chegar em um centrinho. Estudantes, trabalhadores, crianças e uma feira. Aaaa! Como gosto dessas feiras populares na rua. Frutas, verduras, comida, sucos, .... ::love::
Almocei em um restaurante bem simples e apertado. Tinham poucas mesas e nas cadeiras vagas, qualquer pessoa chegava e sentava. Fiquei uns 3 minutos até dividi-la com mais 3 companheiros peruanos.
Experimentei o suco de maíz morado, um milho preto. Com gosto forte não gostei...

Fui para a rodoviária e ao chegar deparei-me com vários guichês que vendiam passagens para Arequipa, todas com o mesmo preço (25 PEN). A escolha foi pelo visual. Passei de guichê em guichê e escolhi a que aparentava ter melhor ônibus e mais estruturada. A escolhida foi e empresa Cromotex que não deixou a desejar.
A viagem de Cusco até Arequipa durou 11 horas.

Gastos:
- Almoço – 3,50 PEN
- Tx htl até rodoviária – 2,5 PEN
- Resto da trilha Salkantay – U$ 60 + 35 PEN
- Hospedagem – 90 PEN
- Par de meias – 2 PEN
- 4 granadilhas – 1 PEN
- Ligação BRA – 7 PEN
- Taxa embarque – 1,30 PEN

Hospedagem:
ônibus


[ 19º dia – Arequipa ]


Peguei um táxi, e pedi que o motorista me deixasse na rua onde as hospedagens fossem mais baratas. Ele indicou um albergue escondido por uma única entrada apertada entre 2 prédios antigos, têm vários quartos simples de 3 a 5 camas e banheiros compartilhados. Apesar da aparência velha de paredes descascando e pinturas mal feitas, o lugar é bem limpo. ::lol3:: Mas sem dúvida não agradaria pessoas mais seletivas.
Fiquei por lá mesmo, pelo preço (10 PEN) e a proximidade do centro - apenas 4 quadras da Plaza de Armas.

Acabei tomando meu café da manhã pelo centro na lanchonete mais turística de todos os tempos. Um pão com ovo e um chá, por nada menos que 10,50 PEN.
Fechei com uma agência (Adventure – Peru) para conhecer o Cañón del Colca por 55 PEN.

Indignada com o meu caríssimooo café da manhã fui bater perna até achar um lugar barato para almoçar. Foi no lugar mais sujo que comi em toda viagem! Cria imunidade mesmo? ::lol4:: E para minha surpresa a comida era muito boa (sopa, prato principal e suco). Olhei e olhei para suco e resolvi não tomar. (Prefiro não comentar porque, para preservar os estômagos mais fracos...)

No inicio da viagem, não comia nada verde (coisas da minha gerente: "não coma nada verde de verdura e legumes na sua viagem, é um perigo!"), também não comia frituras, ovos, e mais algumas coisas que o povo fala para não comer. Ahãm! Juro que tentei. Mas é muito caro e perde o gosto, literalmente, da viagem. Por isso, nesse período não me privava de comer o que tinha vontade. Se os nativos comem porque não posso? Óbvio que não saia comendo tudo que via pela frente que nem uma louca... Preocupação com higiene, sempre! Quase sempre!

Gastos:
- táxi - 3.5 PEN
- almoço – 3 PEN
- Internet 2h – 1,20 PEN
- Compras mercado (chocolate + água + frutas + pães + suco + verdura + legumes) – 15 PEN
- Ligação BRA + net – 9,50 PEN

Hospedagem: Albergue


[20º dia – Canyon del Colca ]

Às 2h a van buscou no albergue. As saídas tão cedo de Arequipa para o cânion se justificam pelo horário que os condores sobrevoam o cânion, entre 8h30 e 10h.
De Arequipa até o cânion são 151 Km. Longas e intermináveis horas dentro da van. No percurso, a temperatura começou a cair, chegando até -15º marcados pelo embaçado termômetro do carro. Para piorar, a calefação não estava funcionando.
Na portaria do parque o guia gentil disse: "Deixa que recolho o dinheiro de vocês e levo até a portaria. Está um pouco frio lá fora." Um pouco...

A primeira parada foi em Yanque, um pequeno povoado onde em uma praça várias crianças em trajes típicos dançavam em volta de uma fonte a Danza Wititi (dança do amor). Enquanto dançavam, uma menininha passava com um pote recolhendo dinheiro dos turistas. Só apontar a máquina em direção dos dançarinos que a menina surge do nada.

No mirante Cruz del Condor um amontoado de pessoas na beira do abismo a espera do famoso pássaro andino. Todos prontos, esperando pelo momento certo com suas megas máquinas.
Sentei e esperei também né?
9h10... 9h30... 9h40... um já olhando para a cara do outro com a expressão "cadê?"
Eis que surge láaaaaaa no fundo um condor. Bem... isso foi o que disse a gringa do meu lado, com seu mega zoom. Porque se fosse falar pela foto que saiu na minha, afirmaria sem dúvidas que era uma pomba e nada mais.

10h e nada! Como o combinado da saída seria às 10h30, desisti de ver os condores e aproveitei para ir ao banheiro. Já retornando para a van, vejo um alvoroço de pessoas perto de um dos mirantes. E o que era? Condores voando pertinho das pessoas.
Olhei para a van, olhei para o mirante, olhei para van de novo e vi o guia acenando alguma coisa. Fiquei no "vou ou não?" para o mirante que estava há certa distância. Na dúvida firmei com Pacha Mama que se passasse mais 1 condor eu iria. E passaram 3 condores! Saí correndo para chegar e ver algum condor. E o guia gritou alguma coisa que nem escutei.
Imponentes e gigantes voadores do céu andino. Estavam ali, há menos de 3 metros de distância de nós. :o

Quando voltei para van todo mundo estava com "cara de poucos amigos" para mim. ::toma::

::hahaha::

Voltamos para almoçarmos em Chivay e o guia disse que iríamos naqueles restaurantes turísticos de "apenas" 20 PEN. Perguntei se podia comer pelo centro mesmo. Acho que ele não gostou muito da minha idéia, mas concordou ríspido avisando que se eu não estivesse na praça na hora combinada me deixaria para trás. Ele ainda teve a cara de pau de falar que não sabia se tinha restaurante barato ali.
Andei meio e metro e comi por 2,50 PEN (sopa + prato principal + sobremesa). A opção de ficar "abandonada" não me agradou muito com o orçamento já curto, por isso praticamente engoli a comida e logo voltei para praça.
Para minha surpresa, ao sair do restaurante encontro com 2 jovens americanos e 1 senhora chilena com sua filha (que estavam na van comigo) perguntando onde eu havia comido porque acharam caro o restaurante indicado pelo guia.

Paramos também para visualizar os vulcões Chachsnti, Misti e Pichu Pichu.

Gastos:
- entrada no parque – 35 PEN
- refri - 1,50 PEN
- internet - 1,80 PEN
- janta - 2 PEN
- chocolate - 0,60 PEN
- água 2 L - 2 PEN


[21º dia – Arequipa para Tacna ]


De manhã após o café fiquei na praça central. Conversei com o guarda, o guia, e uma senhora simpática. Conheci também 2 palhaços divulgando uma festa.
Eu não ia fazer nada... Estava sentada na praça ouvindo música... mas os coisas vêm até mim... Veio o palhaço... Alguns minutos de conversa perguntei como faria para conseguir um trabalho temporário, quer dizer, momentâneo. Poderia panfletar, andar em perna de pau, fazer malabaris e ajudar na divulgação.
E foi assim... Acompanhei os meninos por 1h e meia com roupas improvisadas, cara pintada e malabaris na mão divulgando uma festa.

13h30 peguei um ônibus para Tacna com a empresa Flores.

Depois de 3 filmes seguidos chegamos à Tacna. O ônibus desembarca na terminal da própria empresa (Flores) que fica há poucos metros da rodoviária.

Perguntei no primeiro guichê que vi se tinha algum ônibus para Arica (Chile). A louca mulher começou a falar milhões de coisas tão rápido que só entendi: "rápido! salidas ahora". Ela saiu do guichê pegou no meu braço e foi correndo até um estacionamento. Fiquei em pé, de frente para um carro, desses estilo galaxie, mas muito, muito, muito velho.
Chega o motorista mais louco que a mulher, pede meu passaporte e sai correndo para dentro da rodoviária falando outras mil coisas que não estava entendendo. Saí correndo atrás dele gritando: "Como assim? Meu passaporte! Vai aonde com ele? Peraí!" :shock: Finalmente ele parou e falou para esperar que ele já voltava.
Voltou mesmo... Sem o passaporte e pediu para entramos no carro (eu, 1 mulher, 2 homens - todos indo para o Chile). Mesmo resistente entrei no carro e o motorista louco começou a manobrar. Pela milésima vez em 20 minutos perguntei do meu passaporte. E pela segunda vez no dia fiquei sem resposta.
A senhora que estava do meu lado disse que aquele procedimento era normal, os motoristas pegam os nossos passaportes para cadastrar o nome dos passageiros e pegar as fichas de imigração. Hã? Custava ter falado antes?
Passaporte na mão seguimos até a fronteira.
Foi atravessar a fronteira e a policia chilena parou o carro. A conversa fiada do motorista não o livrou da multa por um farol queimado.

Fiquei em no hostel Summy Days indicado por um amigo - 8'000 CLP com café da manhã.

Gastos:
- ônibus – 25 PEN
- taxa de embarque – 1,50 PEN
- almoço – 5 PEN
- compras mercado (biscoito, suco e frutas) - 9,30 PEN
- hospedagem - 10 PEN
- táxi até rodoviária - 3,50 PEN
- batatas - 1 PEN
- táxi Tacna até Arica - 20 PEN

extra: 50 PEN

Hospedagem: Hostel


[ 22º dia – Arica – dia 1 ]

Depois de tomar café fui resolver a questão do dinheiro, ou melhor, a falta dele.
Errr.. não sei é culpa do meu signo, mas o otimismo exagerado e a falta de apego com as coisas me fez esquecer dessa história da falta de grana em 10 minutos assim que soube que a praia ficava ao lado do hostel.

De lá mesmo peguei um ônibus local e conheci o centro da cidade e um museu que esqueci o nome...

Também não vi muitas opções de pontos para conhecer dentro da cidade. Há muito atrativo em torno.

Gastos:
- almoço - 2'500 CLP
- ovos - 220 CLP
- bananas - 60 CLP
- compras mercado (suco, queijo, atum, bucha e 1 miojo) - 3'432 CLP


[ 23º dia – Arica – dia 2 ]


O melhor e-mail do dia! Dinheiro na conta! Recebi um pagamento de um trabalho e fui imediatamente sacar. uhuuuu

Estava programado com uma galera do hostel um rappel que não pude ir devido a outro e-mail não tão empolgante quanto o primeiro. Precisei fazer uma justificativa para um projeto que seria aprovado pelo Ministério do Turismo para o Festival de Cultura Popular de Brasilia. Passei o dia e a noite trabalhando nisso.

Gastos:
- hostel - 15'000 CLP
- passagem Atacama (Tur Bus) - 12'000 CLP
- taxa de embarque - 100 CLP
- compras mercado (água + frutas + sorvete)- 850 CLP
Editado pela última vez por Cristiane_ em 26 Mai 2010, 19:53, no total de 3 vez
Avatar de usuário
Cristiane_
Colaborador
Colaborador
 
Mensagens: 227
Data de registro: 21 Jan 2009, 13:37
Localização: Brasilia
Reputation point: 1050

Re: 38 dias - Bolívia, Peru, Chile e Bonito (MS)

Nova mensagempor João Rosenthal » 26 Mai 2010, 18:33

Muito bom o relato, farei um mochilao fim do ano passando por Argentina, Chile, Bolivia e Peru. Esperarei o termino para pegar dicas.
Colaborador: Israel, Chipre, Canadá e Santa Catarina

Relatos:
Israel, Jordânia e Chipre: israel-jordania-e-chipre-t44098.html
Argentina, Chile, Bolívia e Peru: argentina-chile-bolivia-e-peru-35-dias-em-dezembro-e-janeiro-de-2011-t50977.html
Guia:
Trilha do Gravatá - Floripa: trilha-do-gravata-florianopolis-sc-t45932.html
Avatar de usuário
João Rosenthal
Colaborador
Colaborador
 
Mensagens: 279
Data de registro: 20 Mar 2010, 22:22
Localização: Florianópolis - SC
Próximo Destino: Decidindo...
Reputation point: 382

38 dias - Bolívia, Peru, Chile e Bonito (MS)

Nova mensagempor Cristiane_ » 27 Mai 2010, 14:18

[ 24º dia – São Pedro de Atacama – dia 1 ]

Saindo de ônibus de Arica para Atacama são quase 10 horas. Fiquei encantada pela paisagem desértica do caminho.
O ônibus para no terminal improvisado de Atacama. Muitas pessoas ficam esperando os passageiros e oferecem albergues, pousadas e hotéis.

Durante toda a minha viagem não tinha usado a carteirinha de alberguista do HI hostel (já que estavam todos muitos caros), por isso, estava decidida a ficar hospedada em um da rede em Atacama. Tudo é pertinho e fui a pé mesmo.
A vila é linda! Não tem asfalto, pouquíssimos carros, muitas bicicletas, casas pequenas, pessoas lindas e coloridas. ::love::

Após acomodar minhas coisas, andei por quase toda cidade. Aproveitei para procurar uma lavanderia (afinal... 24 dias...).

Combinei com a Colque Tours de fazer a travessia até Uyuni em 2 dias. Apenas 2 empresas fazem o passeio até o Salar de Uyuni, Colque e outra que não anotei o nome. Optei pela primeira por ser bastante indicada.

Gastos:
- água - 600 CLP
- banana - 350 CLP
- salgado + refri - 850 CLP
- água 5L - 1'200 CLP
- lavanderia - 3'500 CLP
- chocolates - 300 CLP
- entrada hostel - 7'000 CLP

Hospedagem: Albergue


[ 25º dia - São Pedro de Atacama – dia 2 ]

Foi difícil achar um almoço simples... Quase tudo que era oferecido vinha a la gourmet... Veio um prato suuuper bonitinho. Daqueles com uma folhinha para um lado, batatas para outro e pinginhos coloridos em volta do prato. Tudo bem... Melhor pensar que não estava com tanta fome assim...

Aluguei uma bicicleta e resolvi pedalar até o Valle de la Muerte. E quase morri mesmo... de ódio! Porque não achei o lugar. Pedalei por horas, fui e voltei e nada. Também... Convenhamos! O mapa que ganhei ao alugar a bike é inacreditável. Uma pintura abstrata...

Pelo menos achei o Pukara Quitor, ruínas de uma fortaleza pré-inca. Quase abandona pelo tempo, é um dos locais cercados de mistério do deserto. Fica apenas 3km do centro do povoado.

Conheci também a fofa igreja de San Pedro de Atacama. Mesmo tão pequena, é a maior da região. No seu interior o teto é de grossas vigas de alfarrobeira amarradas com fitas de couro.

Vale muito mais a pena comprar água de 5 litros, pois o deserto é muito seco e precisará sempre de hidratação. Sai bem mais barato do que ficar comprando garrafinhas.

Gastos:
- internet (45min.) - 750 CLP
- almoço - 2'000 CLP
- aluguel bicicleta - 2'000 CLP
- compra mercado (pão + geléia + frutas + chocolate) - 450 CLP


[ 26º dia - São Pedro de Atacama – dia 3 ]


De onde estava almoçando, escutei uma música de Chico Buarque e em seguida Luiz Gonzaga vindo da loja ao lado. Engoli a comida para saber logo quem escutava as músicas brasileiras.
Era um casal de argentinos que estavam morando em Atacama durante uns meses. Eles viveram por 6 anos em Alto Paraíso-GO. Identificação imediata! :lol:
Conheci também uma galera que vive em comunidade, usam apenas túnicas de uma cor (mulheres, homens e crianças) e sempre com um turbante na cabeça ou um tipo de gorro. Me explicaram o porquê, mas não entendi nada... Conceitos de liberdade, religião, paz e vida saudável... um negócio assim...
Fiquei conversando horas com eles e nessa arrumei um trabalho de garçonete no restaurante vegetariano da família.

Em Atacama quase não há nenhum atacameños. A maioria das pessoas que moram lá são jovens de Santiago e outras partes do Chile que vivem totalmente do turismo.

De manhã conheci uma comunidade sustentável da galera dos turbantes, a tarde passei dando oficinas de tye-dye e a noite trabalhei no restaurante. Mas uma vez me diverti muito! Também conheci Pablo, outro argentino que trabalha com turismo sustentável.

Passei todas as minhas músicas do meu MP4 para o computador deles, e a noite foi regada por ritmos brasileiros. Entre os artistas conhecidos também deixei no deserto um pouco dos artistas do cerrado. Perfeito!!! O restaurante lotou e conheci muita gente bacana. Foi muito bom estar com aquelas pessoas naquele momento. Não queria mais saber de fazer passeio...


Gastos:
- almoço - 2'000 CLP


[ 27º dia - São Pedro de Atacama – dia 4 ]

Logo no café conheci Max, da patagônia chilena e como a maioria, vive do turismo em Atacama guiando turistas.
Fomos fazer um passeio pela cidade até "rio" do deserto, que fica sempre seco e por uma casinha abandonada chamada Casa das Flores... sem flores.

Na volta conheci Julie e Julia - francesas; Carlos - brasileiro e Filip - polaco, todos hospedados no hostel... Com essa trupe toda passamos o dia na casa da argentina.

A noite fomos ao observatório Space equipado com 5 telescópios que recebe turistas todo ano.

Fomos para o Milagro esperar o resto da galera terminar o expediente. Levei Julia, Julie, Carlos e o Jean.
Os bares fecham cedo e as festas são proibidas em Atacama. Por isso, as festas são todas clandestinas, feitas em propriedades particulares ou afastadas do centro. Naquele dia foi na Casa das Flores. Fomos a pé quase num silêncio absoluto...
E que céu é aquele? Nunca vi nada igual! No escuro, contemplei o céu mais lindo que já vi. O deserto de Atacama é ideal para observar o céu. O clima seco praticamente impede a formação de nuvens e ausência de cidades na região fazem do local um dos pontos na terra mais próximos do céu.
A noite foi alegre em volta da quente fogueira quebrando o frio do deserto.

Gastos:
- compra de mercado (empanadas, suco, frutas) – 3’500 CLP


[ 28º dia - São Pedro de Atacama – dia 5 ]


O trekking às 9h furou porque ninguém acordou cedo.
11h saímos eu, Max e Filip para a caverna Garganta do Diabo. Caminhada curta de 1 hora, suficiente para desanimar os dois que estavam de ressaca por causa da noite anterior.

Como nosso trekking não passou apenas de um mini passeio, fui andar de sandboard. Surfando no deserto! uhuuu
Comi muuuita areia até conseguir descer sem levar um tombo. Até hoje quando calço minha bota tenho impressão de sentir o deserto nos meus pés... ::dãã2:: E haja perna para subir as dunas de areia. Subir naquele sol e aquela secura é tenso.

De lá fomos ver o pôr do sol no Vale de la Luna.
Vale de la Luna foi declarado Santuário da Natureza, é um espetáculo geológico de grande beleza, especialmente no amanhecer e no entardecer.

Por causa da seca, em torno da minha boca ressecou tanto a ponto de ferir, mesmo usando protetor fator 40 o tempo todo. Passei o resto da noite com um papel molhado na região para umedecer.

A idéia seria ficar em Atacama 2 dias, mas fui embora no 6º dia já com saudades.

Filip foi comigo até Uyuni.

Conclusão: Quase não fiz nenhum passeio turístico, mas o aprendizado e as pessoas que conheci valeram muito mais. Sem dúvida! Ainda volto...
O pessoal me falou de um fenômeno raro que vai acontece ano que vem... Uma chuva de estrelas cadetes.. .uma coisa assim...

Gastos:

- hostel - 19'000 CLP
- passeio até Salar de Uyuni (Colque Tours) - 16'000 CLP
- suco + empanada - 1'500 CLP
- sandboard + valle de la luna - 10'000 CLP
- entrada valle de la luna (meia) - 1'500 CLP
- internet - 400 CLP
- sanduiche + refri - 3'000 CLP
- almoço - 4'000 CLP
- calça + bolsa - 20'000 CLP
- opte free - 7'000 CLP


[ 29º dia - Atacama rumo ao Salar de Uyuni – dia 1 ]


Dia de ir embora direito a despedida no café da manhã e várias cartinhas de agradecimento a cada um. ::Ksimno::

8h - Saímos em um ônibus com umas 20 pessoas até à imigração. Lá, uma fila grande porém rápida. O ônibus nos levou até a fronteira e mais uma vez pegamos uma pequena fila para entrar na Bolívia.
Foram divididos os grupos dos que voltariam direto para Uyuni e os que seguiriam pelo deserto durante 3 dias em 2 jipes.
Nosso grupo era composto por Alethia (Colômbia), Marine (França), Nina (Alemanha), Filip (Polônia) e eu. Ô mistura boa! Cada um de um canto.
Minutos depois paramos para tomar o café da manhã e já estávamos em perfeita sintonia.
Acordamos falar apenas em espanhol em respeito ao Doro (Bolívia), nosso querido motorista e guia.

Seguimos para laguna blanca e laguna verde.
Uma visão surreal! De um lado a lagoa branca "alimenta" a lagoa verde aos pés do vulcão Lincancabur. Parece uma paisagem intocável e estática. Tão lindo que nos faz acreditar estar dentro de quadro. O guia nos informou que a temperatura da água chega a -20ºC sem congelar. Isso ocorre pela quantidade de minerais como enxofre e carbonato de cálcio e o vento forte durante todo tempo. Em torno da lagoa há um camada de cinzas vulcânicas que muita gente acha que é sal.

Não contentes em vê-la de cima, resolvemos descer e chegar mais perto da lagoa cor de esmeralda. E o que acontece? Em questões de segundos me vi jogando meu corpo para trás e puxando meu pé para fora da água congelante. Sim! Caí na água. Na verdade só foi um pé....
Quando olho para o lado, Alethia estava sendo puxada por Filip para também não cair totalmente na água. Depois do desespero caímos na risada! Subimos correndo para tirar as roupas e o tênis molhado, pois já estavam criando pequenos gelos e nossos pés inchando.
No salar de Chalviri há uma piscina natural de água quente que convidou para um banho. Mas antes eu e Aretha fomos lavar nossas roupas.

Seguimos para os gêiseres do Sol da Mañana que possuem poços naturais de barro fervente e é possível caminhar perto deles. Os gases de enxofre jorrados pela terra não são tóxicos mas têm um cheiro forte.
Laguna Colorada muda de cor durante o dia devido ao pigmento das algas e minerais locais, é outro lugar incrível! Com apenas 80 cm de profundidade abriga vários flamingos. Andando pela orla da lagoa encontramos vários ovos da ave. Lindo... lindo... lindo!
Nosso alojamento era bem simples com quartos sem calefação. A água era tão gelada ao ponto de inchar e queimar a minha mão na primeira tentativa frustrada em escovar os dentes. Mas não me dei por vencida. Coloquei a água em um copo e deixei perto da lareira. Imagina tomar banho? Impossível!

Banho:nenhum



[ 30º dia - Rumo ao Salar de Uyuni – dia 2 ]

Iolanda, o jipe, acordou com preguiça de trabalhar. Enquanto tomávamos café Doro e o Juan (motorista do outro jipe) consertavam o motor.
A primeira subida o jipe morreu e precisamos empurrá-lo para pegar (1).
Nossa primeira parada do dia foi em uma região de pedras gigantes no meio do deserto. Na saída, Iolanda não pegou (2). Doro consertou rapidamente e seguimos para uma outra região.
Todo mundo feliz e saltitante até na hora de sair...E? Iolanda não pegou (3). Está repetitivo isso? Eu sei.. Mas foi assim! Ficamos quase 2 horas parados no meio do deserto esperando os 2 motoristas consertarem o jipe. Já por volta do meio dia estávamos famintos, dividindo a água e a pouca comida.

Na vila de apoio, Juan veio conversar conosco sobre o jipe. Falou que o 4X4 estava com problemas no motor (sério?) e que tínhamos duas opções:

1º opção: Dormir no povoado e no dia seguinte seguir direto para o Uyuni e lá trocaríamos de carro.
Pontos negativos - Se fossemos dormir no povoado perderíamos o resto do dia. Já não tínhamos passado pelo Árbol de Piedra. Detalhe: o grupo do outro jipe sairia prejudicado já que não poderiam seguir sozinhos.

2º opção: Tentar chegar até o próximo povoado, mas sem parasse o carro poderia não ligar de novo.

Foi decidida pela 1º opção.

Já que íamos ficar por lá, saímos para comprar comida. Mas não tinha nada aberto e nem ninguém na rua. Parecia uma cidade fantasma. Eu, Filip e Aretha achamos uma escola e entramos. Três garotos jogavam basquete, e Filip os convenceu de jogar futebol. Pense? 3 x 1 para os bolivianos. E quando acabou soubemos que eles estavam em aula.... tsc..tsc...

Mudança de planos, Doro disse que daria para seguir.

Err... mas não deu! Chegamos até um pequeno povoado onde acontecia uma festa religiosa. Como lá não é ponto de turismo, viramos atração. Foi muito divertido pela interação com os locais. Quase todos na festa estavam bêbados e dançavam embalados com a música de uma banda que tocava em cima do caminhão. Hilário!

Na hora de embora... Empurramos pela 4º vez!

Chegamos ao hotel 4 horas depois do horário previsto.

Gastos:
- aluguel da toalha - 3 BOB

Hospedagem:
Hotel


[ 31º dia - Salar de Uyuni – dia 3 ]

Paramos na Isla de Incahuasi (quer dizer "Casa Inca") ou Ilha del Pescado, uma ilha localizada no Salar de Uyuni que possui uma quantidade enorme de cactos gigantes e corais petrificados. Das 150 espécies catalogadas no mundo, 70 estão na ilha. Só vendo para ter idéia do que é. A brancura do sal chega a ofuscar os olhos. Quando é época de chuva, o sal molhado reflete todo o céu!
Há que diga que foi um grande lago pré-histórico salgado e outros afirmam que aquela região foi banhada há milhões de anos pelo oceano pacífico.

Passamos ainda pelo hotel de sal que atualmente funciona apenas para visitação devido ao impacto ambiental causado por turistas quando era aberto para hospedagem. Hoje só é permitido construções fora da extensão de sal. Inclusive outros hotéis feitos totalmente de sal já se existem em torno.

O cemitério de trens fica a 1km do centro da cidade. Um depósito com vários trens coberto de ferrugem A primeira impressão que tive foi de lugar abandonado e sujo.
Segundo Doro, Evo Morales pretende limpar os lixos e fazer um museu no local. Bom... se ele já limpasse já seria um grande passo.

Uyuni é uma cidadezinha que parece aquelas do filme de faroeste. E dela começaria a minha volta para o Brasil....
Para comprar passagens, não existe um terminal. Apenas uma rua com várias lojas improvisadas e vários ônibus antigos na porta. Escolhi a que parecia menos pior - Trans Predilecto.
Despedida de Filip, Nina, Aretha e Marine! Pessoas queridas que até hoje mantenho contato.

O ônibus era velho, sujo, sem banheiro e um motorista estranho. De Uyuni a Oruro – 7horas.

Se for pegar o ônibus de Uyuni para Oruro fique ligado ao chegar na cidade, pois ele segue para outro lugar! E nessa, quase fui para o "outro lugar"... Ainda bem que acordei na hora que o ônibus parou e perguntei ao senhor onde estávamos. Por pouco...
Por menos ainda quase perdi o ônibus que já seguia para Cochabamba, quando escutei: "Cochabamba! Cochaaaa! Coooo chaaaa!" Sai correndo para pegar o outro ônibus.


Momento mais tenso da viagem! ::ahhhh::
Havia acabado de descer do ônibus de uma viagem de 7 horas sem banheiro e perguntei se dava tempo de ir rapidinho em um antes do embarque, pois seriam mais 4 horas de viagem (sem banheiro). A resposta foi imediata "no!".

Vá ao banheiro (mesmo que não esteja sem vontade) antes de embarcar em qualquer ônibus na Bolívia.

Gastos:
- salar - 15 BOB
- almoço - 22 BOB
- bandeira para mochila - 20 BOB
- folha de coca - 3 BOB
- água - 5 BOB
- lanche durante viagem - 14,50 BOB
- Passagem Uyuni para Oruro - 30 BOB
- internet - 2,50 BOB
- banho - 10 BOB
- Oruro para Colcha - ?

Hospedagem: ônibus


[ 32º dia - Cochabamba ]

6h20 acordei muito apertada para ir ao banheiro (claro!). Pelas minhas contas chegaria à Cocha às 7h30 mais ou menos.
Tentei mudar o foco e esquecer... Passados 30 minutos a minha bexiga voltou a me lembrar que ela estava ali firme e forte.
Respirei fundo e fiquei de pé.
O ônibus parou para o desembarque de um passageiro antes do terminal e desci junto. Perguntei ao motorista se poderia ir ao banheiro ou fazer ali mesmo. Sério! Estava MUITO apertada. A resposta do ogro em forma de motorista: "No! Passa, passa... Solamente 20 minutos." 20 MINUTOS? Sem escolha, esperei pelos 20 eternos minutos.
Comecei a bolar um monte de planos e estratégias de como fazer xixi de tanto que estava apertada.
Já com dores e lágrimas nos olhos fiquei na porta do ônibus pronta para descer... Fechei os olhos e esperei...
Não sei o que aquelas pessoas pensaram ou por quantos longos minutos fiquei ali. Sei que quando abri os olhos vi que já estávamos entrando na rodoviária.
A porta abriu e sai correndo para o banheiro, deixando para trás a mochila que busquei depois.
Ufaa.... Melhor sensação do mundo!

Na Bolívia as companhias trabalham na base do grito. Você chega no terminal e já tem gente berrando os destinos.
São várias opções de empresa e todas pelo mesmo preço. Até Santa Cruz - 25 BOB. Devido ao evento da manhã resolvi que pagaria mais caro se achasse um ônibus com banheiro. Encontrei o Flota Bolivar que saia por 40 BOB.

Evidente que se essa história terminasse aqui, não seria a minha história

No caminho vi uma placa: Oruro. Puts... Oruro era a cidade da qual tinha vindo. Estava voltando? Verifiquei a passagem (burrice fazer isso depois!) e foi emitida para LA PAZ.!!!! ::putz::

Desci em um vilarejo desses na beira da estrada... E fiquei durante algum tempo. Passou um ônibus cheio, outro lotado e mais outro. Todos cheios! Quase 1h de espera e parou um. Eu e mais uma família (pai, mãe e filha - 5 anos) que também esperavam por algum ônibus saímos correndo para alcançá-lo.
O cobrador informou que em cima estava cheio. "Tudo bem! Vou embaixo... até melhor, porque nesses ônibus de dois andares têm cadeiras leitas na parte inferior." Pensei.
Só que embaixo era no BAGAGEIRO. E pagando o mesmo preço de quem estava em cima!!!
Voltei na empresa para pedir pelo menos algum reembolso já que a mulher havia me vendido a passagem errada. E não consegui nada. Discutir com bolivianos é perder tempo.

Comprei a passagem (de novo) e sempre com a mesma pergunta: "tiene baño?". E sempre a mesma resposta: "si".
Entrei no ônibus e surpresaaaa... não tinha banheiro! ::vapapu::
Desci para reclamar. E não deu em nada (de novo²).
A Bolivar visualmente é uma das maiores e organizadas do terminal, por isso mais cara. No entanto, o serviço é o mesmo das demais. Fiquem espertos com a Flota Bolivar!

Só um resumo para visualizar melhor como foi esse dia:

29/08 :
20h - Uyuni para Oruro (7h de viagem)

30/08:
3h06 - Oruro
3h10 - Oruro para Colchabamba ( 4h)
7h40 - Colchabamba
8h - Colcha para "Santa Cruz" (2h)
? - Da estrada X de volta para Colcha (2h)
19h - Colcha para Santa Cruz (10h)

25 horas seguidas passando de um ônibus para outro!


Gastos:
- Colcha para "La Paz" - 40 BOB
- lanche - 7,50 BOB
- almoço - 8 BOB
- internet - 1,50 BOB
- guarda mochila - 3 BOB
- passagem da estrada até Colcha - 10 BOB
- Colcha para Santa Cruz - 70 BOB
- banheiro - 1 BOB
- 2 taxas de embarque - 5 BOB

Hospedagem: ônibus


[ 33º dia - Santa Cruz de volta ]

Resolvi voltar de primeira classe no Trem da Morte para ter mais contato com os moradores locais. Seria também uma oportunidade de conhecer as outras classes do trem...
O trem da morte: Faz muito calor no vagão. As poltronas não reclinam nada e são feitas de um material que grudam no corpo à medida que vai esquentando. Totalmente desconfortável! A opção para dormir é no corredor ou ter a sorte de achar duas poltronas vagas. As janelas também não fecham direito e caso chova creio que não seja a melhor coisa...
Apesar disso, indico a primeira classe, pois o contato é direto com o modo de vida dessas pessoas que o usam diariamente.
Entretanto, se for sua opção faça-o na volta. Pois na ida com certeza perderá um dia de viagem recuperando o desgaste físico.

Gastos:

- Expresso Oriental (primeira classe) - 57 BOB
- banheiro - 1 BOB
- almoço - 5 BOB
- janta - 10 BOB
- taxa de embarque - 3 BOB


[ 34º dia - Voltando para o Brasil ]

Cheguei cedo em P. Quijarro e por isso precisei esperar até 8h para fronteira abrir. (Não imagine uma porta fechada entre Brasil e Bolívia com hora para atravessar...) O problema é sair sem carimbar o passaporte.

Peguei o ônibus para o terminal em frente à vendinha de uma senhora.

Do terminal é só trocar de ônibus e pegar outro para a rodoviária.
>>> Se sair do terminal terá que pagar outra passagem.

De Corumbá para Campo Grande o ônibus foi parado 2 vezes pela Policia Rodoviária Federal (procedimento comum para evitar o tráfico de drogas e de animais silvestres).
Um PF entrou no ônibus e olhou todas as identidades dos passageiros e de onde estavam vindo. Desceu, ficou uns minutos e voltou. Pediu para eu e mais uma mulher que estava na poltrona da frente descer. Desci para revistarem a minha mochila. Revistou TUDO pra nada....

Gastos:
- moto-táxi - R$ 5,00
- janta - R$ 5,00
- biscoito - R$ 3,00
- água - R$ 2,00



[ 35º a 38º dia - Voltando para o Brasil ]

Por ter chegado alguns dias antes do planejado, optei em ir conhecer Bonito/MS. Entrei em contato com West tour (operadora parceira da empresa que trabalho) e como acordado anteriormente, já tinha cortesia para o translado e passeios.

Bonito é um destino fascinante, porém esteja disposto para gastar. Apesar de pequena, a cidade vive totalmente do turismo.
Todas as atrações são visitadas apenas com guias e têm limite de turistas por dia. É obrigatório a compra de passeios pelas agências.
Mas elas não incluem o translado até o local a ser visitado. Ou seja, para você chegar terá mais uma despesa com o transporte. As atrações por sua vez são longes e precisam de carro. Por isso, programe-se antes de chegar, ainda mais se for alta temporada. Mas vale a pena! Bonito faz jus ao nome.

Há um trabalho fortíssimo na região voltado para o turismo, por isso os guias são muito bem treinados e o cuidado com meio ambiente é visível. Todo trabalho é voltado para minimizar os impactos ambientas.

Todo o ano há constante movimentação turística na cidade, porém meses como janeiro, fevereiro, julho e outubro são consideradas alta temporada e por isso os preços tendem subir um pouco mais. As agências trabalham com os preços tabelados.

Fim.

Foram 38 dias mochilando por Bolívia, Peru, Chile e Bonito sozinha. Uma viagem inesquecível resultado de belas fotos, muitas histórias, novos amigos e várias emoções...
O primeiro movimento para essa viagem foi feito em 2007 junto com mais 2 amigos, que não passou de barulho... Todo mundo falava que ia, mas com o tempo as palavras se perdiam no vento.
Por causa de uma doença repentina, uma tia que sempre almejou conhecer Machu Picchu faleceu levando consigo a espera de quase uma década pelo momento certo de ir ao Peru. Sim! Quase 10 anos....
Assim, decidi que não esperaria nada nem ninguém para embarcar rumo ao império perdido dos Incas.
Comprei a passagem de ida e volta sem saber muito bem o que faria. Rumo certo, Machu Picchu.
Com a ajuda de outros mochileiros daqui, 2 em especial: Leo e Iorran visualizei a possibilidade de conhecer outros lugares tão incríveis quanto Machu Picchu. E assim os segui... Incluindo novas cidades e países, refazendo meu roteiro por várias vezes.
Conheci pessoas incríveis das quais até hoje mantenho contato. Arethia, Bruno, Carla, Carlos e Léo fizeram a diferença!
Durante o trajeto sentimentos de alegria e gratidão não cabiam em meu corpo. E a cada oportunidade agradeci.
Meus olhos se encheram de lágrimas em vários momentos e permiti que caíssem ao ver as águas do Lago Titicaca, sentir o vento de Machu Picchu, ver o céu de Atacama, tocar o sal do deserto de Uyuni, ... Paisagens inusitadas....

È isso... Um resumão da minha viagem.

Como são muitas fotos, podem acessar aqui para vê-las: http://dentrodomochilao.blogspot.com/p/fotos.html
Avatar de usuário
Cristiane_
Colaborador
Colaborador
 
Mensagens: 227
Data de registro: 21 Jan 2009, 13:37
Localização: Brasilia
Reputation point: 1050

Re: Mochilando por Bolívia, Peru, Chile e Bonito (MS) - 37 dias "sozinha"

Nova mensagempor Márcio/Sp » 28 Out 2010, 09:21

Parabéns pelo relato, me serviu pra confirmar que realmente essa Coique Tours é um lixo de empresa
Avatar de usuário
Márcio/Sp
 
Mensagens: 158
Data de registro: 27 Set 2008, 15:33
Próximo Destino: Incerto
Reputation point: 1269

Re: Mochilando por Bolívia, Peru, Chile e Bonito (MS) - 37 dias "sozinha"

Nova mensagempor ro.see » 30 Out 2010, 16:24

Olá Cristiane, parabéns pela trip, seu relato está excelente, amei. Vou fazer minha viagem a Bolivia, Peru e Chile, agora em Dezembro,espero q seja tão boa qto a sua. bjs.
ro.see
 
Mensagens: 24
Data de registro: 05 Mar 2009, 23:29
Reputation point: 0

Re: Mochilando por Bolívia, Peru, Chile e Bonito (MS) - 37 dias "sozinha"

Nova mensagempor Aninha_ » 01 Nov 2010, 20:45

Nossa parabéns pelo relato! sensacional!! e parabéns por ter valorizado cada momento assim, muito legal a maneira e o espírito que vc fez a viagem!! e o relato muito bom! enxuto e organizado, mas ao mesmo tempo passa muita informação e suas impressoes!! com certeza vai ser um bom guia p/ qdo for fazer o meu proximo!

=]
Avatar de usuário
Aninha_
 
Mensagens: 7
Data de registro: 10 Ago 2010, 00:26
Reputation point: 0

Re: Mochilando por Bolívia, Peru, Chile e Bonito (MS) - 37 dias "sozinha"

Nova mensagempor kakazeth » 03 Nov 2010, 17:21

Quanto foi seu gasto em reais?
To qrendo fazer essa viagem! Mas nao pretendo ficar tantos dias em san pedro!
Tem como pular Arica, tipo ir de arequipa direto pra San Pedro... e de oruro para Sta Cruz?
Me ajuda?
Navegar é preciso se não a rotina te cansa! Enquanto existirem Universos Paralelos, Navegarei!

21-dias-com-1-mochila-900-usd-e-um-sonho-bolivia-chile-e-peru-marco-2011-t54035.html
Avatar de usuário
kakazeth
 
Mensagens: 68
Data de registro: 20 Ago 2009, 14:57
Localização: Castanhal, Pará
Próximo Destino: Argentina
Reputation point: 101

Re: Mochilando por Bolívia, Peru, Chile e Bonito (MS) - 37 dias "sozinha"

Nova mensagempor Cristiane_ » 03 Nov 2010, 23:14

Kakazeth,
Não sei exatamente quanto foi meu gasto para essa viagem. Pouco! Como uns mil reais... Mas nessa meu dinheiro acabou por várias vezes.. rsrs Por isso também fiquei mais tempo em Atacama. Uma porque apaixonei pelo lugar e outra pq estava trabalhando.
Não estou segura se há ônibus direto de Arequipa para San Pedro. E mesmo que tenha acho que deve ser muito caro. Seria melhor chegar até uma cidade qualquer no Chile e seguir para Atacama. Porque sair do Peru direto penso que seja muito caro. Não sei... Vê isso em tópicos do Peru ou Chile.
De Oruro para Santa Cruz tem como ir sim direto, mas também não tenho muita informação porque não o fiz.
Errr... acho que não ajudei muito! ::lol3::

Espero ajudar mais em outro momento.

Bjooo
Avatar de usuário
Cristiane_
Colaborador
Colaborador
 
Mensagens: 227
Data de registro: 21 Jan 2009, 13:37
Localização: Brasilia
Reputation point: 1050

Re: Mochilando por Bolívia, Peru, Chile e Bonito (MS) - 37 dias "sozinha"

Nova mensagempor Aninha_ » 15 Nov 2010, 21:02

Oi Cristiane, queria te perguntar uma coisa sobre o Salar do uyuni, (o passeio todo), vc diz q fez pela Colque Tours e pagou CLP 16.000 né? Isso em reais dá uns R$57, e pelo q eu pesquisei aqui no site, o pessoal tem colocado q pela Colque Tours têm pago em média uns R$150 a R$200,00 (pra mais)
Eu queria saber se vc pago 57 mesmo ou se coloco o valor errado, e se vc pagou mesmo isso, queria saber como fez p/ ter isso de desconto! auhauhauha

Brigada!! =]
Avatar de usuário
Aninha_
 
Mensagens: 7
Data de registro: 10 Ago 2010, 00:26
Reputation point: 0

Re: Mochilando por Bolívia, Peru, Chile e Bonito (MS) - 37 dias "sozinha"

Nova mensagempor Leite. » 16 Nov 2010, 18:10

Excelente roteiro, gostei muito da forma tal qual a viagem foi descrita e sinceramente de todos os que li até agora é o que mais se aproximou do meu ideal de mochilão.

Farei a mochilão Bolivia/peru/chile em junha de 2011 com mais um camarada, nada ainda foi definido por completo mas tenho certeza que seu roteiro sera uma base fundamental importante.

uma questão, não sei se não consegui depreender com clareza mas se puder me esclarescer o que é que voce já tinha em mãos ou agendado ( passeios ou hospedagens) antes de sair do Brasil, pois é algo que o tempo me preucupa.

um abraço.
Avatar de usuário
Leite.
 
Mensagens: 2
Data de registro: 16 Nov 2010, 18:03
Próximo Destino: Mochilão pela américa do sul - Bolivia/Peru/Chile
Reputation point: 0

Re: Mochilando por Bolívia, Peru, Chile e Bonito (MS) - 37 dias "sozinha"

Nova mensagempor Leite. » 16 Nov 2010, 18:10

Excelente roteiro, gostei muito da forma tal qual a viagem foi descrita e sinceramente de todos os que li até agora é o que mais se aproximou do meu ideal de mochilão.

Farei a mochilão Bolivia/peru/chile em junha de 2011 com mais um camarada, nada ainda foi definido por completo mas tenho certeza que seu roteiro sera uma base fundamental importante.

uma questão, não sei se não consegui depreender com clareza mas se puder me esclarescer o que é que voce já tinha em mãos ou agendado ( passeios ou hospedagens) antes de sair do Brasil, pois é algo que o tempo me preucupa.

um abraço.
Avatar de usuário
Leite.
 
Mensagens: 2
Data de registro: 16 Nov 2010, 18:03
Próximo Destino: Mochilão pela américa do sul - Bolivia/Peru/Chile
Reputation point: 0

Re: Mochilando por Bolívia, Peru, Chile e Bonito (MS) - 37 dias "sozinha"

Nova mensagempor Cristiane_ » 16 Nov 2010, 18:33

Aninha_ escreveu:Oi Cristiane, queria te perguntar uma coisa sobre o Salar do uyuni, (o passeio todo), vc diz q fez pela Colque Tours e pagou CLP 16.000 né? Isso em reais dá uns R$57, e pelo q eu pesquisei aqui no site, o pessoal tem colocado q pela Colque Tours têm pago em média uns R$150 a R$200,00 (pra mais)
Eu queria saber se vc pago 57 mesmo ou se coloco o valor errado, e se vc pagou mesmo isso, queria saber como fez p/ ter isso de desconto! auhauhauha

Brigada!! =]



Olá Aninha!

Paguei esse valor mesmo. Mas foi pura sorte!!! Como trabalhei alguns dias em Atacama porque estava com pouco dinheiro, acabei ficando amigo de muita gente inclusive do dono da Colque Tours. Ia lá quase todos os dias trocar a data do passeio porque não tinha completado o valor para pagar. Aí, acho que ele cansou da minha cara e me fez esse mega desconto. ::lol4:: Sorte!

Bjooo
Avatar de usuário
Cristiane_
Colaborador
Colaborador
 
Mensagens: 227
Data de registro: 21 Jan 2009, 13:37
Localização: Brasilia
Reputation point: 1050

Próximo

Retornar para América do Sul - Relatos de Viagem





Quem está online

Usuários vendo este fórum: Nenhum usuário registrado online e 3 visitantes