Encanta-me ler cada relato e ver que para um mesmo destino há diferentes sensações, sentimentos e perspectivas. Pois bem... Esse é mais um relato Bolívia, Peru e Chile por uma nova perspectiva.
Destinos: Bolívia, Peru, Chile e Bonito (MS), 38 dias, sozinha.
BSB – CRB – Corumbá – Puerto Suarez – Santa Cruz – La Paz – Copacabana/Puno – Cusco – Arequipa – Arica – San Pedro de Atacama – Uyuni – Oruro – Cochabamba – Santa Cruz – CRB – Bonito – CRB – BSB
Siglas das moedas:
BOB = Boliviano
CLP = Peso chileno
PEN = Novo sol (Peru)
[ 1º dia – Campo Grande ] – 19h
Começa a primeira história da viagem... rsrs
O resto de real que sobrava troquei por dólar. E adivinhem? Fiz a burrice de ficar sem REAL no Brasil! Ô beleza!!!
Ainda bem que em todo aeroporto existe um caixa do Banco do Brasil...... porém o de lá não estava funcionando, e não havia nenhum outro banco por perto.
Fui ao táxi e perguntei quanto que era até a rodoviária. R$ 20 ou US$ 15. Oi? A outra opção era o ônibus por apenas R$2,50...
Voltei para o aeroporto e fui ao guichê da HERTZ (aquela que aluga carros). Calma! Não fui alugar um... Diante do vazio aeroporto, era o único lugar que tinha maior número de pessoas, no caso 3.
Fui lá... super simpática com um sorriso estampado no rosto e pedi para me ajudarem com R$ 2,50 porque só tinha dinheiro em dólar, a máquina estava estragada, era tarde da noite, blá, blá, blá.... Uma moça me deu R$ 2,00 e outro homem inteirou com R$ 0,50. \o/
...
Depois de esperar uns 20 min. na parada de ônibus um táxi aparece. Falei que estava indo para rodoviária, mas só tinha R$2,50 porque a máquina do BB estava estragada, e de novo o blá, blá, blá...
Sei, que depois dele pensar por minutos ele falou que o ponto dele era na rodoviária e me levaria até lá de carona. Na outra parada pegou outros passageiros para compensar. Valeu Seu Albano!
Gasto : nenhum
Hospedagem : nenhuma (ônibus)
[ 2º dia – Corumbá ]
Assim que desci na rodoviária fui pegar outro ônibus até o centro e de lá ir para a fronteira. Nessa conheci Lucas, brasileiro, estudante de medicina em Santa Cruz que me ajudou muito! Pegamos o ônibus até o centro e depois um outro ônibus até a fronteira (trajeto desses dois ônibus não demora 20 min).
De lá atravessamos a fronteira a pé.
Como ainda era cedo e o guichê para carimbar o passaporte não estava aberto, entramos na Bolivia sem carimbo. Pegamos um taxi até a estação de trem para adiantar a compra da passagem. Voltamos para fronteira, esperamos abrir e carimbmos nossos passaportes (nunca pensaria nisso se não fosse pelo Lucas).
Conheci também Leonardo do Rio, que também fazia a viagem sozinho.
A hora de carimbar o passaporte: Fica um cara entregando um papel verde para preencher. Uma sala pequena com 6 homens, camisa de botão aberta até peito, colares e anéis dourados; mesas velhas, um monte de papel em cima, 2 carimbos, 1 computador quebrado e uma música latina. Um desses pegou meu passaporte e mal me olhou. Carimbou o passaporte e... "siguiente"
Na teoria você preenche com quantos dias permanecerá no país, 30, 60 e 90. Coloquei 60 por garantia. Mais tarde vi que ele carimbou com a permanência de 30 dias, ou seja, eles nem lêem o que é preenchido.
A única opção do trem era o Pullman.
E não é que o trem saiu dos trilhos? Poderia ser trágico, mas já havia lido alguns relatos sobre a possibilidade dele descarrilar. Não sei se é por costume, mas colocaram o trem de volta em poucos minutos...
Aaaaa as paradas! Quando o trem para, entram nos vagões um moooonte de gente (maioria crianças) vendendo comidas e bebidas. E ficam gritando o que estão vendendo. Acordei umas 2 vezes durante a viagem com os meninos gritando "limonadaaaa e sodaaa!!" "pooollo fritoooo", ....
A noite choveu bastante, o que fez a temperatura cair um pouco.
Vale a pena ir com o trem, pois será o primeiro contato direto com as pessoas desse país encantador!
Gastos:
- ônibus centro até rodoviária: R$2,00
- trem da morte (Pullman) – BOB 115
- táxi – BOB 5
- água – BOB 3
- almoço – BOB 26
- ajuda para um cara X que ia visitar a mãe em S. Cruz - BOB 20
Hospedagem: nenhuma (trem)
[ 3º dia – Santa Cruz de La Sierra ]
Chegamos (o Leo - se tornou um companheiro de viagem durante uma semana) em Santa Cruz por volta das 08h, e já compramos nossas passagens para La Paz com a empresa Trans Copacabana para o mesmo dia.
Como o ônibus só saiu às 16h50 fomos dar uma volta pela cidade e tive meu primeiro contato com a culinária boliviana, as famosas salteñas. O mais interessante é como foi servida. O jovem pega o salgado com a mão e coloca no prato. Simples assim! Guardanapo pra que? hehehe
Depois fui comprar a água mais cara de todos os tempos... BOB 5. (?) Tudo bem! Tinha acabado de chegar e ainda não estava inteirada com os valores....
O ônibus saiu direto para La Paz (19 horas de viagem) era muito confortável com poltronas de 3 fileiras e ótima inclinação.
Comprei um saco de cuñapé, uma espécie de pão de queijo boliviano. Muito gostoso!
Gastos:
- Santa Cruz para La Paz – BOB 150
- guarda-volumes – BOB 5
- banheiro – BOB 1
- salteña – BOB 1
- saco de cuñape – BOB 2
Hospedagem : nenhuma (ônibus)
[ 4º dia – La Paz ]
Cheguei em La Paz de boa. Sem passar mal, sem dor de cabeça, ou algo do gênero. Também não tomei o Soroche pills (composto de folha de coca e aspirina) ou mastiguei folha de coca. E não senti nada! Esses sintomas variam de pessoa para pessoa. A única coisa que complicada foi a falta de ar. Cada 3 passos na subida é como correr por 30 min. sem parar (exagero! rsrs). Mas realmente cansa mais rápido.
Para nossa surpresa hospedagem em La Paz estava o dobro do preço do que imaginávamos. A teoria da galera era a seguinte: agosto é férias da Europa e America Central e tudo fica mais caro.
Depois de andar e andar em busca de uma hospedagem mais barata achamos uma por BOB 80 quarto simples com banheiro privado. Achei caríssimo! Mas depois de 3 dias mal tomando banho e dormindo em ônibus precisa de um banheiro privado e dormir bem.
Sai para conhecer a famosa Plaza Murilo. Uma praça com um monte de pombos... e só. Tem quem goste... mas não gosto de pombos. Vale a pena pelo Palácio do Governo e o Congresso Nacional que ficam em torno.
Comi uma trucha do lago Titicaca. Delicia! A comida sempre era servida antes de uma sopa, depois o prato principal e por ultimo chá, geralmente de coca.
Gastos:
- Passeio Tiwanaku dia seguinte – BOB 40 (agência Alberth Tour)
- entrada no parque de Tiwanaku dia seguinte – BOB 80
- almoço – BOB 12
- janta – BOB 15
- lembrancinhas – BOB 18
Hospedagem: hotel
[ 5º dia – La Paz – dia 2 – Tiwanaku e mirante Killi-Killi ]
Temperatura: 4º
Meu quarto era o mais frio de La Paz, certeza! 7 cobertas, 1 saco de dormir, 2 calcas e 3 blusas... e muuuito frio dentro do quarto!
Fora que tudo estava gelado; minha mochila, minhas roupas dentro da mochila, sem contar o meu filtro solar que congelou. aff...Tiwanaku é liiiiindo e emocionante! Os arqueólogos estão trabalhando em uma pirâmide chamada Akapana, e segundo o guia a previsão para vê-la por completo será de 7 há 10 anos... Horas caminhando e descobrindo um pouco mais sobre esse povo.
Como o sol ainda estava alto aproveitei para visitar o mirante Killi-Killi, onde se tem uma vista maravilhosa de La Paz. Para voltar de lá fiquei quase 1h esperando uma van para o centro.
Até que uma senhora chegou e perguntou se eu estava perdida... Não! Queria só não pegar táxi. rsrs
Começou a escurecer, esfriar, a rua ficar deserta...
...errrr!!! peguei um táxi!
Gastos:
- entrada em Tiwanaku - BOB 80
- almoco - BOB 35 (pense?! ¬¬)
- lembrancinhas - BOB 8
- taxi mirante - BOB 20
- Passeio Chacaltaya + Valle da Luna dia segunte - BOB 45 (agência Alberth Tour)
[ 6º dia – La Paz – dia 3 – Chacaltaya e Vale de la Luna ]
Para chegar em Chacaltaya precisamos fazer um desvio no caminho porque aconteciam festejos de independência nas ruas...
Antes mesmo da subida, uma Argentina do nosso grupo estava passando muito mal por causa da altitude. Por isso tivemos que subir em descer em 50 (longos) minutos. São apenas 300 metros de caminhada, mas pense na dificuldade? Cada 5 passos uma parada para respirar.
Por causa da falta de ar, os batimentos cardíacos aceleram e paciência é a palavra chave para subir.
Não tem como andar mais rápido, o esquema é parar um pouco, respirar e admirar a paisagem. Fazer no seu tempo, sem forçar seu corpo! No meio do caminho minha cabeça começou a dar sinais sobre o efeito da altitude. Chegar ao final é uma sensação única! Fazendo esquecer-se da difícil subida.
Infelizmente não tinha tanta neve por causa do aumento das temperaturas.
Depois de deixar a senhora na embaixada da Argentina (ela realmente estava muuuito ruim...) fomos para o Vale de la Luna (Mallassa). Um parque natural dentro de La Paz. Você nem precisa pagar um passeio para conhecer, basta pegar um ônibus ou um taxi para lá (no meu caso já estava incluso no pacote e também não sabia que era tão próximo).
Uma trilha de 45 minutos, que a principio é tudo lindo.
Não sei se era o meu cansaço... Mas depois dos 10 minutos caminhando enjoei de ver a repetitiva paisagem É super diferente, mas realmente esperava mais. Vale à pena conhecer, porém não precisa ser colocada como prioridade de passeio. Minha opinião hein galera?
No final fomos almoçar no Pollo Rey, uma espécie de Giraffas boliviano. Não tem muita opção, o que diferencia é a quantidade de comida. Arroz, batata frita e frango.
Também não tinha faca... Só 1 garfo e claro, sem guardanapo.
Uma particularidade são as bebidas que não são colocadas na geladeira. Por causa das baixas temperaturas, já fica pronta para beber...
O Museu Nacional de Arqueologia é bem conservado, com peças Inca e Tiwanaku, além de mais 2 múmias de homens incas em perfeito estado de conservação.
Gastos:
- passagem La Paz/Copacabana – BOB 30
- Museu Nacional de Arqueologia – BOB 10
- frutas – BOB 5
- chá de coca - BOB 5.5
- água - BOB 2.5
- hospedagem - BOB 210 (já sei que paguei caro...)
[ 7º dia – Copacabana – Lago Titicaca e Cerro Calvário ]
8h - Saímos de La Paz em um ônibus da Alberts' tour (BOB 30), mas pode pegá-lo também em frente ao cemitério que é mais barato. Confesso que optei em fechar com a agência para não caminhar em La Paz com a mochila mais uma vez... rsrs
Depois de 3h parada para atravessar o Lago Titicaca. Nossa... o Lago Titicaca! Que coisa mais linda!
Descemos do ônibus e fomos para um guichê pagar pelo transporte de barco (BOB 1,50) até o outro lado. O ônibus vai em um embarcação separada.
1h há mais na estrada é já estávamos em Copacabana.
Enquanto íamos pela estrada, o lago era nosso guia por todo tempo. Imponente e azul! Senti-me pequena diante daquele que guarda a historia de um império e alimenta até hoje vários povos. Meus olhos se encheram de lágrimas e naquele momento compreendi que para senti-lo, apenas estando ali.
A Festa da Virgem da Candelaria...
Ao chegar em Copacabana foi um susto. A cidade estava LOTADA de turistas e peregrinos, pois era a festa da Virgem da Candelaria ou Fiesta de la Virgen de las Nieves, considerada por muitos a mais importante no altiplano. Os andinos dançam, rezam e bebem (muito), em honra para a "mãe" milagrosa.
Deixamos as mochilas na loja que vende as passagens (não há terminais de ônibus) e fomos atrás de uma hospedagem. Mesma história... tudo cheio e as que sobravam eram caras. Andamos por quase 1h e ficamos em um hostel (Hostel da Sônia) simples, com um preço acessível e bem localizado. Dividi o quarto com o Leo e mais um francês.
Fomos até o Cerro Calvário junto com os peregrinos e devotos em passos lentos consequente o grande número de pessoas. Sobe-se no morro para pagar suas promessas, agradecer, pedir e celebrar à Virgem.
Subindo pelo cerro constatei o sincretismo religioso do país. Havia pessoas lendo à sorte com chumbo derretido (Molibdomancia), cartas, pedras, mão, ...
Além disso, os peregrinos desenhavam com vela derretida os seus pedidos nas paredes que ficam aos pés da santa. Mas o que mais me chamou atenção são as barracas que "vendem" milagres. Lá o devoto pode comprar em forma de miniatura o pedido à Nossa Senhora. Pode ser qualquer coisa; carro, casa, dinheiro, filhos e até saúde. Também participei do Ch’alla. Os carros são lavados de bebida alcoólica em uma ritual pedindo à Pacha Mama prosperidade e proteção para os carros, que são ornamentados com flores e fitas e em frente às portas de uma igreja católica.
AMEI tudo aquilo!
Em seguida fui me purificar com um xamã que começou com a defumação de palo santo¹, depois fez mais algumas coisas que não vi, passou um tatu empalhado no meu rosto e em minhas mãos e no final rezou um pai nosso.
... o sincretismo religioso.
Gastos:
- sanduíche (pão + salada) - BOB 5
- refrigerante (Coka Quina) - BOB 2
- água de Florida² - BOB 20
- almoço - BOB 22
- doação para o xamã - BOB 10
- 2 velas - BOB 1
Hospedagem: Hostel da Sônia
¹ Palo Santo: madeira aromática natural, utilizada ancestralmente pelo xamanismo inca e pelos povos andinos como um poderoso meio de proteção, purificação e limpeza espiritual.
² água de Florida: essência de flores para purificação
[ 8º dia – Copacabana – dia 2 – Isla Del Sol ]
Fomos caminhando até o lago, porque era bem perto. Achamos melhor comprar na hora o bilhete, pois as agências costumam cobrar um pouco mais.
Conhecemos Bruno (SP, também viajando sozinho) e ao descer do barco conhecemos mais 2 brasileiros (Carla e Calos – RJ) .
Você pode optar por 2 passeios:
1 – Atravessar a ilha do lado norte até o lado sul de trekking – 4 a 5 horas (a trilha é super tranquila, bem marcada e pode fazê-la sem guia. Desembarca no norte às 9h e o retorno é às 16h do sul)
OU
2 – Descer na ilha norte, conhecer e seguir com o barco até a parte sul.
Optamos em fazer a caminhada.
Assim que chegamos na ilha fomos recebidos por um nativo muito engraçado. O cara se apresentou e nos levou até um “museu”... começou a falar, falar e falar sem parar. O homem perguntou se queríamos fazer a trilha com guia. Perguntamos qual era o valor POR CURIOSIDADE e sei lá porque ele entendeu que queríamos fazer a trilha com ele. Nos chamou em um canto e começou a falar sobre o lago, sobre o céu, falar sobre a vida, falar, falar e falar... Alguma alma divina o interrompeu e falou que não íamos fazer a trilha com ele, só queríamos saber quanto ele cobrava. O sujeito simplesmente parou de falar, virou e saiu... resmungando alguma coisa que nem fiz questão de traduzir...
5 brasileiros juntos... Não prestou! Viramos amigos de infância nos primeiros 10 minutos de caminhada.
O caminho é lindo e rodeado pelo Lago Titicaca. Há várias ruínas ao longo do caminho que cercam de mistérios o lugar.
Porém enquanto caminhávamos pela trilha, do nada surgiu um casal cobrando um “pedágio” de BOB 5 para continuar (?). Claro que ficamos discutindo o porquê, afinal já tínhamos pagado para entrar e ninguém nos avisou que teria que pagar no meio do caminho. Reclamamos e não adiantou... pagamos!
1 hora depois, outro “pedágio” (??) e mais BOB 5! Nesse ficamos quase 10 minutos discutindo o porquê do pagamento. Momento de mini stress que depois virou piada.
Carlos e Carla trocaram suas passagens de Cusco para o dia seguinte e foram para nosso quarto no hostel.
Nesse dia aconteceram umas perolas que preciso compartilhar pelo menos 2:
1 – No barco, o homem que se denominava Capitão em um momento disse: "adelante!" para TODOS os passageiros. Indicando que ficássemos na frente do barco PORQUE ASSIM, ELE ANDARIA MAIS RÁPIDO.
2 – No caminho encontramos 2 caras... Voltavam de uma festa eletrônica na ilha... Virados (sem dormir).... Pararam-nos e pediram para sentirmos a energia daquele dia. E visualizar o portal (?)... Pediu para olharmos nos relógios... E disseram que um portal de energia estava aberto naquele momento porque era: 12h 34m 56s do dia 07/08/09 (1 2 3 4 5 6 7 8 9)...
Tudo bem né?! Se eles estavam dizendo...Ainda bem que tinha mais gente para comprovar a veracidade desse episódio... Gastos:
- bilhete Isla Del Sol e volta – BOB 20
- museu + trilha – BOB 10
- banheiro - BOB 1 ( e se você quiser ir no banheiro da ilha? tananãnã... tem que pagar)
- super janta - BOB 35



Depois de 12 dias viajando com o Leo, 4 com Carlos e Bruno, 2 com Jules. Hora da despedida! Saímos a noite pois no dia seguinte cada um seguiria seu caminho...
Mas sem dúvida não agradaria pessoas mais seletivas.


Resumo