Relatos de Viagens por 2 ou mais países da América do Sul
#1197817 por victorfirmes
24 Jun 2016, 17:05
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ÍNDICE:

Introdução http://www.mochileiros.com/post1197817.html#p1197817
Capítulo 1 - Hasta Luego Brasil e o primeiro susto da viagem: O sumiço de Judite!!http://www.mochileiros.com/post1198421.html#p1198421
Capítulo 2 - Desbravando a capital da Bolívia - Sucre enquanto esperava Judite. http://www.mochileiros.com/post1198742.html#p1198742
Capítulo 3 - O reencontro com Judite e a despedida de Sucre http://www.mochileiros.com/post1199260.html#p1199260
Capítulo 4 - A tenebrosa viagem até Uyuni e o frio polar na madrugada. http://www.mochileiros.com/post1201929.html#p1201929
Capítulo 5 - Continuação do caminho da roça e o mal da altitude... http://www.mochileiros.com/post1205373.html#p1205373
Capítulo 6 - 4 brasileiros, 2 mexicanos e 1 boliviano bailando na divisa da Bolívia com Chile. http://www.mochileiros.com/post1208170.html#p1208170
Capítulo 7 - É PROIBIDO BAILAR EM SAN PEDRO DE ATACAMA http://www.mochileiros.com/post1214531.html#p1214531
Capítulo 8 - De bike no deserto mais árido do mundo http://www.mochileiros.com/post1218956.html#p1218956
Capítulo 9 - Arica - Tacna - Arequipa e o busão fake http://www.mochileiros.com/post1223776.html#p1223776
Capítulo 10 - A cidade de Yanque e a trilha pelo Vale del Colca
http://www.mochileiros.com/post1224007.html#p1224007
CONTINUA....



Falaaaaaaaaa amigos da mochila! Dando continuidade a eterna CORRENTE DO BEM que é o Mochileiros.com, chegou a minha hora de também contribuir com a comunidade que me ajudou bastante no planejamento da minha trip. Gostaria de deixar um agradecimento em especial aos mochileiros: rodrigovix, Tanaguchi, Bárbara Fabris, augustoosilva, Tia Poly, dentre outros que não consigo lembrar o nome...

Fica aqui também um vídeo com alguns momentos da jornada e uma mensagem inicial do nosso eterno viajante Amyr Klink que escrevi na primeira página do meu diário de viagem e que em vários momentos foi de extrema importância para mim:

"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ver."

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ROTEIRO
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Mapa
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01/04/16 - São Mateus ES - Vitória ES - São Paulo
02/04/16 - São Paulo - Santa Cruz de La Sierra - Sucre
03/04/16 - Sucre
04/04/16 - Sucre - Uyuni
05/04/16 - Salar de Uyuni
06/04/16 - Salar de Uyuni
07/04/16 - Salar de Uyuni - San Pedro de Atacama
08/04/16 - San Pedro de Atacama
09/04/16 - San Pedro de Atacama - Arica
10/04/16 - Arica - Tacna - Arequipa
11/04/16 - Arequipa
12/04/16 - Arequipa - Nazca
13/04/16 - Nazca - Ica
14/04/16 - Ica - Lima
15/04/16 - Lima
16/04/16 - Lima - Huaraz
17/04/16 - Huaraz
18/04/16 - Huaraz
20/04/16 - Huaraz - Lima
21/04/16 - Lima - Cusco
22/04/16 - Cusco
23/04/16 - Cusco - Águas Calientes (Hidrelétrica)
24/04/16 - Águas Calientes - Machu Picchu - Águas Calientes
25/04/16 - Águas Calientes (Hidrelétrica) - Cusco
26/04/16 - Cusco
27/04/16 - Cusco - Puno
28/04/16 - Puno - Copacabana
29/04/16 - Copacabana - La Paz
30/04/16 - La Paz
01/04/16 - La Paz
02/04/16 - La Paz - Santa Cruz de La Sierra - São Paulo - Vitória

PASSEIOS PRINCIPAIS

Bolívia: Salar de Uyuni, Isla del Sol, Lago Titicaca, Downhill na estrada da morte, Monte Chacaltaya e Teleférico de La Paz.
Chile: Piedras Rojas e Lagunas Altiplânicas, Valle de la Luna, Rúinas de Pukara e Quebrada del diablo.
Peru: Colca Canyon, Linhas de Nazca, Dunas de Huacachina, Reserva Natural de Paracas, Ruínas de Huaca Puclana, Laguna 69, Glacial Pastoruri, Machu Picchu, Pisaq, Moray e Maras.

SEGURO VIAGEM

Foi a primeira vez que eu fiz um seguro viagem e a partir de agora farei em todas. Precisei usar duas vezes, e darei mais detalhes no decorrer do relato. Eu fiz pela Mondial, modalidade Mochilão e tive uma sorte, pois fiz uma cotação pelo site com 15% de desconto e não fechei, depois de alguns dias apareceu no meu facebook um código com um desconto de 25%. Acabei fechando com eles o período total da viagem por R$ 173, 80 em 4x no cartão de crédito.

SOROCHE

Pessoal, assim como todo mundo que mora no nível do mar eu também fiquei um pouco apreensivo com o tal mal da altitude, não vou mentir... A dica que eu tenho é sempre RESPEITAR o nosso corpo. O soroche não é brincadeira. Eu presenciei várias pessoas passando mal e com sintomas variados. Como vocês poderão ver no relato eu não senti quase nada... Subir aos poucos também é muito válido, pois seu corpo vai se acostumando. No mais, tome muita água, coma alimentos leves e divirta-se.

CERTIFICADO VACINA

O único país que exige o certificado de vacina de febre amarela para a entrada é a Bolívia. Como eu já tinha de uma outra viagem recente que eu tinha feito só levei comigo, mas em momento algum foi preciso. Este certificado pode ser emitido na ANVISA e os locais podem ser consultados no site da agência.

O QUE LEVEI

No Mochilão:

3 bermudas de pano
2 bermudas de tactel
2 camisas de manga comprida xadrez
10 camisas de manga
10 cuecas
1 camisa segunda pele
1 calça segunda pele
3 calças jeans
2 camisas regatas
1 calça moletom
1 casaco moletom
1 casaco fleece
1 casaco corta-vento
1 sunga de praia
1 cinto
1 chinelo
5 meias
1 farmacinha
1 escova de dente
1 escova de cabelo
1 sabonete/shampoo líquido
2 cadeados
1 canga
1 repelente
1 caixa de lenços umedecidos
1 luva
1 livro
1 lâmina de barbear
1 fio dental
1 cortador de unhas
1 desodorante
1 tênis
1 bota (Useiiiii o tempo todo).


Na Mochila de Ataque:

1 caderno de anotações
1 moletom (me salvou no extravio do mochilão)
1 boné
2 cadeados
1 Gopro mais acessórios
2 óculos de sol
1 óculos de grau
2 canetas
1 fone de ouvido
1 pasta para documentos
1 carregador Iphone
1 T para tomadas
1 Hd Externo 500 Gb
2 filtros solar
1 caixa de preservativos
1 lanterna
3 sacolas plásticas
1 papel higiênico
1 pen-drive
1 documento de identidade
1 cartão de crédito
1 carregador portátil para celular e eletrônicos
2 pares de plugs de espuma para orelha (Evitar os roncos nos hostels).

Na Doleira:

1) Passaporte
2) Dólares
3) Seguro Viagem
4) Chave reserva cadeados
5) Comprovante de compra de passagens aéreas

DICA 1: Escanear todos os documentos e deixar salvo no celular e no e-mail para emergências.
DICA 2: Desbloquear o celular para chamadas internacionais. Nem lembrei de fazer isso e precisei de usar o celular.
DICA 3: Desbloquear o cartão de débito/crédito para emergências.
DICA 4: Levar um casaco coringa na mochila de ataque.

IDIOMA

Todos os países falam o espanhol que é bem parecido com o português, então não tem drama. Para quem fala inglês é importante para comunicação com a galera dos outros países. Aqui vai algumas palavras que são usadas o tempo todo:

Buenos dias - bom dia
Desayuno - café-da-manhã
Almuerzo - almoço
Cena - Janta
Baño - banheiro
Ducha caliente - água quente
Contra-senha - Senha do wi-fi
Cambiar - Milhares de significados dentre eles, trocar dinheiro, trocar coisas... etc...
Muchas gracias - Obrigado
Terminal de buses - rodoviária.

VIAJAR SOZINHO

Antes, durante e depois da viagem a família e os amigos sempre soltavam as seguintes perguntas: Você vai viajar sozinho? Como assim? E se te sequestrarem? E se te matarem e depois venderem seus órgãos? Eu sempre tentava sair com uma piada do tipo: "Se eu morrer, minha mãe me mata..." Brincadeiras a parte, só faz essa viagem sozinho quem quer. Os lugares e as rotas são muito famosos entre os mochileiros. São pessoas com interesses em comum e em algum momento o universo vai conspirar a favor para que todos se encontrem e façam a festa em algum lugar. No meu caso desde o momento que eu sai de casa eu já tinha feito amigos. Então, coloque a mochila nas costas, pense pouco e se joga na missão.

APLICATIVOS

Criei uma pasta no celular com os seguintes aplicativos:

Hostelworld - Para reservar os hostels - Só funciona com internet
Tripadvisor - Para localizar os principais locais de visitação, restaurantes, agências, etc - (Só funciona com internet).
XE Currency - Ótimo para verificar a cotação em tempo real das moedas e fazer a comparação. Esse aplicativo ajuda muito pois são 3 moedas diferentes além da comparação que é necessária para saber em reais e dólares - (Só funciona com internet).
Booking - Para ter uma ideia de quanto estão as hospedagens e avaliações dos locais. - (Só funciona com internet).
Maps.me - GPS que funciona offline (basta baixar o mapa da américa do sul). Esse aplicativo me salvou em várias madrugadas quando chegada em cidades sem conhecer um palmo a minha frente. - (Funciona sem internet).
Spotify - Consegui uma promoção para testar o premium por um mês. Você pode escutar as músicas offline o que ajuda muito nos deslocamentos de busão. Se você for fazer Lima-Cusco prepara para enfrentar 24hrs de viagem. (Funciona sem internet).
My Altitude - Verificar em tempo real a altitude por GPS. (Funciona sem Internet).

GASTOS

No total foram gastos 1500 dólares incluindo os ingressos, tours, alimentação, hospedagem, deslocamentos em terra e presentes. As passagens aéreas não foram incluídas porque ainda não parei para calcular o total. Fiz EXATAMENTE tudo que queria com direito a passeios um pouco caros (Linhas de Nazca), ficar em redes de hostels conhecidas bem como comer fora sempre.

Editado pela última vez por victorfirmes em 08 Nov 2016, 10:51, em um total de 10 vezes.

#1198421 por victorfirmes
27 Jun 2016, 21:43
CAPÍTULO 1 (01/04 e 02/04/16): Hasta Luego Brasil e o primeiro susto da viagem: O sumiço de Judite!!! ::mmm:
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Sucre
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Com tudo pronto para iniciar a trip, pedi minha irmã para me levar na rodoviária da minha cidade com destino ao aeroporto de Vitória e depois São Paulo. Toda ansiedade que estava sentindo nos últimos dias tinha sido substituída por uma grande vontade em aproveitar cada segundo da jornada pelos 3 países.

Quando cheguei em Vitória, encontrei com o meu amigo Antônio que me deu de presente um carregador de celular, pois o meu estava só o caco e também me emprestou uma bateria portátil para recarregar eletrônicos que SALVOUUU os registros que fiz na viagem. Ele também disse que qualquer problema poderia ligar que me ajudaria.

Fiz o check-in e despachei o mochilão e ainda me lembro de ter perguntado a funcionária da Gol onde retiraria minha bagagem (São Paulo ou Bolívia). Ela me respondeu com TODAS as palavras que minha bagagem deveria ser retirada no aeroporto de Viru Viru (Bol). Sabe aquele momento que você está pressentindo que algo de errado poderia acontecer? Pois é, esse meu sexto sentindo quase nunca falha.

Cheguei na terra da Garoa e meu voo para Santa Cruz de la Sierra só seria no outro dia as 11:00 hrs, então só me restava esperar. SEM DRAMA! Esperei 9 meses para nascer, algumas horas ali no aeroporto não seria tão ruim assim. Fui em direção ao Starbucks, comi e fiquei usando a internet para passar essas últimas horas antes do embarque.

Depois fui tentar achar algum local para tirar aquele cochilo e acabei deitando ali mesmo nos bancos do Gate 238 do aeroporto. Quando eu consegui dormir veio um funcionário do aeroporto e me acordou dizendo que iria fechar aquele salão de embarque e que o mesmo serviria para embarque/desembarques nacionais.

Passei a noite praticamente em claro, a sorte que tinha o Wifi e Spotifi. O tempo passou, tomei um café e fiquei esperando um amigo chegar com sua esposa, pois iríamos no mesmo voo. Esse casal era o Vagner e a Patrícia e nos conhecemos de uma maneira um pouco inusitada através do fórum. Eu estava fuçando a meses os relatos dessa viagem. E não tinha quase informação nenhuma sobre um dos passeios mais esperados, o Downhill na estrada da morte. Dois dias antes de viajar eu recebi um e-mail da viação Amaszonas, empresa que eu iria fazer o trecho Santa Cruz até Sucre, antecipando o voo em 20 minutos e no e-mail tinham algumas pessoas em cópia. De relance eu vi o nome do Vagner e 10 min depois ele postou no relato do rodrigovix perguntando sobre o Downhill.

Mandei mensagem para o Vagner e começamos a trocar ideias sobre a viagem. No dia do embarque o mais engraçado que coincidiu que eles desembarcaram justamente no portão que eu tinha tirado um cochilo e tinha sido expulso na noite anterior. A Gol tinha colocado que a conexão para Santa Cruz sairia dali, mas tinha mudado e acabei salvando eles de perderem o voo, pois eles estavam esperando no portão errado.

Embarcamos com destino a Santa Cruz e o voo foi tranquilo. Durante a viagem foram distribuídos dois formulários para entrada na Bolívia. Um foi entregue na imigração e o outro na saída. Este papel deve ser guardado, pois ele será solicitado na saída do país. Ao sair da imigração fui em direção a esteira no desembarque para pegar meu mochilão e passar no raio-X. Aqui que começou o primeiro perrengue. Passaram diversas mochilas e nada da minha.

Eu apelidei carinhosamente minhas duas mochilas de Judite e Jurema. Judite era o mochilão que estava pesando 13 kg, tava um pouco gordinha, mas não tinha ultrapassado o máximo de 23 kg permitidos para voos na América do Sul. Já Jurema a filha de Judite, vulgo mochila de ataque, estava magrinha pesando apenas 5 kg. Fiquei aguardando quase 10 minutos e nada de aparecer Judite. Chamei o funcionário da Gol que ficava em um guichê próximo a esteira, apresentei o comprovante e recebi a triste notícia: Tinham esquecido Judite no aeroporto de Guarulhos.

Eu fiquei com tanta raiva disso que por um momento achei que ia perder o controle e mandar o funcionário da Gol para aquele lugar. Ele só sabia falar em espanhol sobre procedimento e blá blá blá. Eu tinha feito tudo corretamente e eles esqueceram só a minha bagagem. Aos poucos fui me acalmando e pedi para falar com o supervisor da Gol. Esse cara simplesmente cagou para minha situação. Primeiro falou que não podia fazer nada que o máximo que a Gol podia fazer era mandar a mochila no outro dia e arcar com despesas parciais, que ele disse que seria em torno de 50 dólares, até a chegada da mochila.

Ele entrou para o escritório e o funcionário me chamou para abrir o processo de envio da mochila e ele disse que eu tinha que seguir para Sucre mesmo sem minha mochila. Eu descobri que os 50 dólares na realidade eram apenas 200 bolivianos (100 reais) e então percebi que os funcionários da Gol não tinham qualquer orientação para casos igual ao meu. Até mesmo o próprio supervisor desconhecia dos procedimentos. Eles disseram a todo momento que minha mochila chegaria no outro dia e eles enviariam a Sucre. Quase perdi a conexão para Sucre de tão descontrolado que eu fiquei. Nessa hora bateu uma bad sinistra, pois todos meus planos tinham ido pro espaço.

Nós tínhamos combinado de seguir diretamente para Uyuni nesse mesmo dia e iniciar o passeio do Salar no outro dia. Sucre seria apenas uma cidade de passagem. Na espera do voo para Sucre conhecemos duas cariocas super gente boas, a Mary e a Elisa. Elas e outros brasileiros que iriam embarcar ficaram sabendo o que tinha acontecido comigo e ficaram pensando se tivesse acontecido com eles o que fariam. Aqui a corrente do bem dos mochileiros já aparecia. A Mary também fazia parte do relato do Rodrigo, assim como todos nós. Vocês se lembram que eu disse que em algum momento todos se encontram? Esse tinha sido o primeiro dos encontros, que na realidade era um desencontro hahahahaha.

Seguimos para embarcar no avião e sem sacanagem, parecia um busão de transporte coletivo. Acabei conhecendo uma menina que agora não lembro o nome que morava em uma cidade do lado da minha. O mundo é realmente pequeno... Quando estávamos chegando em Sucre o tempo fechou de uma forma que eu pensei que o mundo ia acabar. Começou uma turbulência sinistra justamente na hora que eu tava no banheiro. Na mesma hora eu corri, afivelei o cinto e bateu um mal estar de tanto que o avião balançava. Não sei se a altitude ajudou mas fiquei ali concentrado torcendo para chegar logo em terra.
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No avião teco teco para Sucre
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Sucre, capital da Bolívia, vista do alto é uma cidade muito grande, parece um favelão, pois todas as casas são cor de tijolo. A primeira impressão da cidade não foi muito boa, mas depois confesso que gostei muito de lá. Quando saímos do desembarque apareceu um batalhão de taxistas falando diversos preços. Fechamos por 5 bols para cada até o terminal de buses para comprar as passagens para Uyuni. Quando chegamos no terminal fomos direto na empresa 6 de Octubre, queridinha dos Mochileiros, porém não tinha mais passagens para aquela noite. Eu chorei de todas as formas para diminuir o preço, justificando que todos brasileiros sempre compram ali etc, mas não colou. Paguei 70 bols na passagem para a noite seguinte. O pessoal comprou em outra viação para aquela anoite.
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Aeroporto de Sucre - Vagner, Patrícia, Eu, Mary e Elisa!
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Passagens compradas, optamos por ir comer algo no centro histórico e de lá eu seguiria na busca de um hostel e o pessoal voltaria para o terminal. Achamos um táxi que fez por 20 bols (4 para cada) e embarcamos. Chegando na Plaza 25 de Mayo e fomos cambiar e comer, estávamos famintos. O local do câmbio se chama Oasis Bolívia e fica na rua lateral da Plaza. Cambiei 225 dólares a 6,91 bol cada dólar num total de 1555 bol. Me senti rico só que não.
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Casa de câmbio
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Jantamos no restaurante Cosmo café, paguei 46 bols em uma lasanha e uma água. Eu estava sem almoçar, então a comida estava muito boa e aproveitei para usar o Wifi e avisar a família dos últimos acontecimentos. Ao sair do restaurante começou a chover torrencialmente com direito a relâmpagos e trovoadas. O pessoal entrou no táxi e vazou e eu fiquei forever alone em uma cidade a noite e sem hostel e não fazia a menor ideia onde ia achar um.
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Lasanha
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Eu tinha olhado no booking alguns hostels com preços bons, pura enganação. Depois de rodar muito acabei ficando no hostal San Francisco que só tinha de bom mesmo a localização. Não aconselho ninguém a ficar lá, pois é salgado e eles ainda não cumprem com o que oferecem. Fiz o check-in e sai em busca de um telefone publico para ligar para Mondial (seguro viagens), pois eles ofereciam apoio no extravio de bagagens. Não consegui falar com eles e depois descobrir que eles também não resolvem nada. Comprei uma água de 2 litros voltei pro hostel e apaguei.
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Plaza 25 de Mayo
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GASTOS:

Táxi Aeroporto X Terminal de buses: 5 bols
Passagem Sucre X Uyuni: 70 bols
Táxi Terminal de buses X Plaza: 4 bols
Jantar (Lasanha e água): 46 bols
Água 2L: 6 bols



Editado pela última vez por victorfirmes em 29 Jun 2016, 16:43, em um total de 3 vezes.
#1198494 por victorfirmes
28 Jun 2016, 08:38
isabela.amorim escreveu:Acompanhando... ::otemo::
Gosto de relatos com bastante detalhes! O seu já começou bem, tenho certeza q será útil!
Vamos viajar em agosto. Ansiosa d+


Obrigado Isabela... Qualquer informação que precisar só perguntar ::otemo::
E a ansiedade é sempre grande antes das viagens né...
#1198526 por victorfirmes
28 Jun 2016, 10:54
Fraga Dudu escreveu:Baita relato cara! Promete ser dos bons.

Em uma semana estarei partindo e estou com duvida se levo um par de tênis extra além da bota. O que tu me diz? Achou essencial?

Valeu!


Fala Dudu, obrigado meu camarada isso só nos motiva a continuar relatando. Então usei a viagem toda a bota, vale a pena investir em uma confortável e segura. A bota é um equipamento de proteção de extrema importância. Com relação ao tênis usei duas vezes a viagem toda. Uma no Atacama no Vale de la Luna e outra no Downhill na estrada da morte. No Downhill é bacana usar pois tem vários trechos de água e eu peguei bastante chuva. Mas se você tiver um bota impermeável que não foi o meu caso você pode dispensar o tênis para diminuir o peso na mochila.
O mais legal da bota que não precisa nem de limpar. Aliás quanto mais você vai usando mais legal ela vai ficando. Fica com aparência que você rodou muito. Aproveita essa viagem pois são experiências únicas e depois vem aqui contar como foi. Abraço.
#1198742 por victorfirmes
28 Jun 2016, 22:58
CAPÍTULO 2 (03/04/2016): Desbravando a capital da Bolívia - Sucre enquanto esperava Judite.


A noite não tinha sido boa, eu estava super preocupado com a minha mochila perdida e a cada 10 minutos escutava a campainha da recepção. Acabei levantando e lavei minha camisa e cueca para usar no dia seguinte, pois eram as duas únicas roupas que eu tinha além do casaco corringa que estava na mochila de ataque. Eu estava com muito receio das roupas não secarem.

Acordei e fui tentar contato com a Gol para saber se minha mochila chegaria em Sucre, porém o local que fazia ligações estava fechado. Perguntei a recepcionista do hostel onde teria um lugar para tomar o desayuno e ela disse que o mercado central seria uma opção barata e ficava justamente na quadra do hostel. Eu gosto de ir aos mercados das cidades onde estou conhecendo, pois ali é a verdade nua e crua (literalmente).
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Sucre
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O mercado é grande e a parte do café fica no segundo piso. Chegando lá encontrei com um casal que estava hospedado no hostel e eles me indicaram um pão com café e leite. Na verdade são dois pães mais mortadela (uma fatia apenas), um pedaço de queijo branco e uma xícara de café com leite por 9,50 bolivianos. O café estava bom, só o pão que estava duro igual uma pedra, mas desceu de boas.
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Desayuno - Mercado Central
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Vai um café da manhã típico da Bolívia ae?
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Refeições no segundo piso - Mercado Central
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De café tomado desci para dar uma volta no mercado e foi aí que percebi que estava na Bolívia. Ali tem de tudo, carnes expostas, bolos confeitados, sucos, verduras, comidas e frutas. Eu gosto muito de frutas e fui a procura de algumas para comprar. Quando eu estava ali na parte das frutas encontrei uma barraquinha que reconheci a sua dona.
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Mercado Central - Sucre
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Hoje vai ter churrasco!
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Bolos
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Mercado Central
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No noite anterior, quando eu estava perdido no meio da chuva, em meio a raios e trovões, morrendo de frio em busca de um hostel barato, pedi informação para uma boliviana que estava na rua, a Lupe. Como sou econômico, eu disse para ela que queria algo bem barato em torno dos 30 bolivianos a diária (preço médio dos hostels pelo booking). Ela me disse que a únicas opções com esse preço seriam alojamentos, porém ela não me indicaria pois era muito "peligroso". Comprei duas maças e mais 0.5 kg de uvas por 20 bolivianos. A Lupe foi muito simpática e me ofereceu muitas frutas para provar.
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Frutas no mercado central
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Eu e a Lupe 2
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Depois de conhecer o mercado fui ligar para Gol Bolívia para saber que horas minha mochila chegaria, mas não consegui notícias. Eu comecei a acreditar que ela chegaria mesmo naquele dia, pois meu amigo Antônio ligou para a Gol Brasil e a funcionária tinha confirmado que a mochila seguiria para Bolívia. Sabe de nada inocente!

Enquanto estava aguardando algum retorno da Gol decidi conhecer o centro histórico de Sucre. O primeiro local que eu parei foi a Plaza 25 de Mayo e estava cheio de crianças correndo atrás do pombos e famílias relaxando nas sombras da árvores. O lugar é incrível, todo arborizado e limpo. Tirei umas fotos e com auxílio do GPS fui em direção ao Parque Simon Bolivar. Sucre foi uma das surpresas boas da viagem. Eu simplesmente adorei aquela parte da cidade.
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Plaza 25 de Mayo
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Plaza 25 de Mayo
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No caminho até o parque encontrei várias igrejas e prédios antigos muito bem conservados e limpos. Cheguei no parque e já me identifiquei com a atmosfera do lugar. Muito verde, muitas famílias, crianças e monumentos históricos. Segui para a parte de baixo do parque e avistei a mini torre eiffel. Foi engraçado pois a subida é pela parte interna da torre e só da para uma pessoa ou subir ou descer.
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Teatro de Sucre
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Torre
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Monumento
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Igreja
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Mais para o final do parque tem uma espécie de fonte d'água iluminada onde pedi três meninas que estavam vestidas de jaleco para tiraram uma foto e elas comentaram algo entre si e sorriram. Como meu espanhol ainda tava enferrujado por ser início da viagem não entendi nada.
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Parque Simon Bolivar
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Após, conhecer todo o parque retornei a Plaza 25 de Mayo para almoçar. Escolhi o mesmo lugar da noite passada, o Cosmo Restaurante. Pedi um espaguete com uma carne que não lembro o nome, mas estava muito boa. A refeição mais uma água saíram por 46 pesos bolivianos. Depois que acabei de almoçar eu estava querendo ir no Parque dos Dinossauros que fica fora da cidade. Acabei recebendo um e-mail da Gol informando que Judite só chegaria no outro dia.
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Espaguete com uma carne não identificada
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Restaurante Cosmo
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Eu fiquei bem nervoso com aquilo tudo e liguei para a Gol Bolívia. Me atendeu uma brasileira que não soube explicar porque a mochila não tinha chegado. Vocês se lembram que o supervisor da Gol tinha falado que minha mochila chegaria sem falta no outro dia? Pois bem, nada de mochila e sem as roupas de frio eu não poderia seguir para Uyuni. Ela tentou me convencer a ir para Uyuni e eu me estressei e falei umas com ela e desliguei. Aquilo foi como jogar um balde de água fria em mim. Meu humor mudou na mesma hora e eu perdi a passagem para Uyuni que tinha comprado na noite passada, pois não aceitavam trocar os bilhetes.

Decidi fazer algo para esquecer aquele stress todo e fui passear. Como já estava um pouco tarde optei por ir ver o por do sol no mirante La Recoleta. Peguei um táxi na Plaza por 5 bols e depois de subir uma ladeira gigantesca cheguei no mirante. Essa subida pode ser feita a pé, mas como Sucre está a 2500 m de altitude eu não arrisquei.

Quando cheguei no lugar já gostei. É uma espécie de praça com um chafariz no meio, uma igreja de um lado e de outro o mirante com os arcos. Embaixo do mirante tem uns bares onde tem uma vista surreal da cidade. Sentei em uma mesa e pedi um suco de laranja por 20 bols (caro, mas era um local turístico). Fiquei ali contemplando aquele por do sol e por um momento esqueci que minha mochila estava perdida. Peguei um táxi de volta para a Plaza 25 de Mayo que seria 3 bols, mas saiu por 2,30 bols (moedas no bolso). Segui para o hostel sem saber quando minha mochila chegaria em Sucre.
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Mirante La Recoleta
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Mirante La Recoleta
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Mirante La Recoleta
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Por do sol
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Por do Sol
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La Recoleta Mirador
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GASTOS

Desayuno mercado: 9,50 bols
Frutas: 20 bols
Almoço: 46 bols
Água 600 ml no parque: 4 bols
Táxi ida mirante: 5 bols
Táxi volta mirante: 2,30 bols
Suco: 20 bols
Editado pela última vez por victorfirmes em 29 Jun 2016, 16:44, em um total de 2 vezes.
#1198910 por Flávio Amorim
29 Jun 2016, 14:53
victorfirmes escreveu:CAPÍTULO 1 (01/04 e 02/04/16): Hasta Luego Brasil e o primeiro susto da viagem: O sumiço de Judite!!! ::mmm:
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Com tudo pronto para iniciar a trip, pedi minha irmã para me levar na rodoviária da minha cidade com destino ao aeroporto de Vitória e depois São Paulo. Toda ansiedade que estava sentindo nos últimos dias tinha sido substituída por uma grande vontade em aproveitar cada segundo da jornada pelos 3 países.

Quando cheguei em Vitória, encontrei com o meu amigo Antônio que me deu de presente um carregador de celular, pois o meu estava só o caco e também me emprestou uma bateria portátil para recarregar eletrônicos que SALVOUUU os registros que fiz na viagem. Ele também disse que qualquer problema poderia ligar que me ajudaria.

Fiz o check-in e despachei o mochilão e ainda me lembro de ter perguntado a funcionária da Gol onde retiraria minha bagagem (São Paulo ou Bolívia). Ela me respondeu com TODAS as palavras que minha bagagem deveria ser retirada no aeroporto de Viru Viru (Bol). Sabe aquele momento que você está pressentindo que algo que errado poderia acontecer? Pois é, esse meu sexto sentindo quase nunca falha.

Cheguei na terra da Garoa e meu voo para Santa Cruz de la Sierra só seria no outro dia as 11:00 hrs, então só me restava esperar. SEM DRAMA! Esperei 9 meses para nascer, algumas horas ali no aeroporto não seria tão ruim assim. Fui em direção ao Starbucks, comi e fiquei usando a internet para passar essas últimas horas antes do embarque.

Depois fui tentar achar algum local para tirar aquele cochilo e acabei deitando ali mesmo nos bancos do Gate 238 do aeroporto. Quando eu consegui dormir veio um funcionário do aeroporto e me acordou dizendo que iria fechar aquele salão de embarque e que o mesmo serviria para embarque/desembarques nacionais.

Passei a noite praticamente em claro, a sorte que tinha o Wifi e Spotifi. O tempo passou, tomei um café e fiquei esperando um amigo chegar com sua esposa, pois iríamos no mesmo voo. Esse casal era o Vagner e a Patrícia e nos conhecemos de uma maneira um pouco inusitada através do fórum. Eu estava fuçando a meses os relatos dessa viagem. E não tinha quase informação nenhuma sobre um dos passeios mais esperados o Downhill na estrada da morte. Dois dias antes de viajar eu recebi um e-mail da viação Amaszonas, empresa que eu iria fazer o trecho Santa Cruz até Sucre, antecipando o vôo em 20 minutos e no e-mail tinham algumas pessoas em cópia. De relance eu vi o nome do Vagner e 10 min depois ele postou no relato do rodrigovix perguntando sobre o Downhill.

Mandei mensagem para o Vagner e começamos a trocar ideias sobre a viagem. No dia do embarque o mais engraçado que coincidiu que eles desembarcaram justamente no portão que eu tinha tirado um cochilo e tinha sido expulso na noite anterior. A Gol tinha colocado que a conexão para Santa Cruz sairia dali, mas tinha mudado e acabei salvando eles de perderem o voo, pois eles estavam esperando no portão errado.

Embarcamos com destino a Santa Cruz e o voo foi tranquilo. Durante a viagem foram distribuídos dois formulários para entrada na Bolívia. Um foi entregue na imigração e o outro na saída. Este papel deve ser guardado, pois ele será solicitado na saída do país. Ao sair da imigração fui em direção a esteira no desembarque para pegar meu mochilão e passar no raio-X. Aqui que começou o primeiro perrengue. Passaram diversas mochilas e nada da minha.

Eu apelidei carinhosamente minhas duas mochilas de Judite e Jurema. Judite era o mochilão que estava pesando 13 kg, tava um pouco gordinha, mas não tinha ultrapassado o máximo de 23 kg permitidos para voos na América do Sul. Já Jurema a filha de Judite, vulgo mochila de ataque, estava magrinha pesando apenas 5 kg. Fiquei aguardando quase 10 minutos e nada de aparecer Judite. Chamei o funcionário da Gol que ficava em um guichê próximo a esteira, apresentei o comprovante e recebi a triste notícia: Tinham esquecido Judite no aeroporto de Guarulhos.

Eu fiquei com tanta raiva disso que por um momento achei que ia perder o controle e mandar o funcionário da Gol para aquele lugar. Ele só sabia falar em espanhol sobre procedimento e blá blá blá. Eu tinha feito tudo corretamente e eles esqueceram só a minha bagagem. Aos poucos fui me acalmando e pedi para falar com o supervisor da Gol. Esse cara simplesmente cagou para minha situação. Primeiro falou que não podia fazer nada que o máximo que a Gol podia fazer era mandar a mochila no outro dia e arcar com despesas parciais, que ele disse que seria em torno de 50 dólares, até a chegada da mochila.

Ele entrou para o escritório e o funcionário me chamou para abrir o processo de envio da mochila e ele disse que eu tinha que seguir para Sucre mesmo sem minha mochila. Eu descobri que os 50 dólares na realidade eram apenas 200 bolivianos (100 reais) e então percebi que os funcionários da Gol não tinha qualquer orientação para casos igual ao meu. Até mesmo o próprio supervisor desconhecia dos procedimentos. Eles disseram a todo momento que minha mochila chegaria no outro dia e eles enviariam a Sucre. Quase perdi a conexão para Sucre de tão descontrolado que eu fiquei. Nessa hora bateu uma bad sinistra, pois todos meus planos tinham ido pro espaço.

Nós tínhamos combinado de seguir diretamente para Uyuni nesse mesmo dia e iniciar o passeio do Salar no outro dia. Sucre seria apenas uma cidade de passagem. Na espera do voo para Sucre conhecemos duas cariocas super gente boas, a Mary e a Elisa. Elas e outros brasileiros que iriam embarcar ficaram sabendo o que tinha acontecido comigo e ficaram pensando se tivesse acontecido com eles o que fariam. Aqui a corrente do bem dos mochileiros já aparecia. A Mary também fazia parte do relato do Rodrigo, assim como todos nós. Vocês se lembram que eu disse que em algum momento todos se encontram? Esse tinha sido o primeiro dos encontros, que na realidade era um desencontro hahahahaha.

Seguimos para embarcar no avião e sem sacanagem, parecia um busão de transporte coletivo. Acabei conhecendo uma menina que agora não lembro o nome que morava em uma cidade do lado da minha. O mundo é realmente pequeno... Quando estávamos chegando em Sucre o tempo fechou de uma forma que eu pensei que o mundo ia acabar. Começou uma turbulência sinistra justamente na hora que eu tava no banheiro. Na mesma hora eu corri, afivelei o cinto e bateu um mal estar de tanto que o avião balançava. Não sei se a altitude ajudou mas fiquei ali concentrado torcendo para chegar logo em terra.
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Sucre, capital da Bolívia, vista do alto é uma cidade muito grande, parece um favelão, pois todas as casas são cor de tijolo. A primeira impressão da cidade não foi muito boa, mas depois confesso que gostei muito de lá. Quando saímos do desembarque apareceu um batalhão de taxistas falando diversos preços. Fechamos por 5 bols para cada até o terminal de buses para comprar as passagens para Uyuni. Quando chegamos no terminal fomos direto na empresa 6 de Oct., queridinha dos Mochileiros, porém não tinha mais passagens para aquela noite. Eu chorei de todas as formas, justificando que todos brasileiros sempre compram ali etc, mas não colou. Paguei 70 bols na passagem. O pessoal comprou em outra viação para anoite.
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Passagens compradas, optamos por ir comer algo no centro histórico e de lá eu seguiria na busca de um hostel e o pessoal voltaria para o terminal. Achamos um táxi que fez por 20 bols (4 para cada) e embarcamos. Chegando na Plaza 25 de Mayo e fomos cambiar e comer, estávamos famintos. O local do câmbio se chama Oasis Bolívia e fica na rua lateral da Plaza. Cambiei 225 dólares a 6,91 bol cada dólar num total de 1555 bol. Me senti rico só que não.
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Jantamos no restaurante Cosmo café, paguei 46 bols em uma lasanha e uma água. Eu estava sem almoçar, então a comida estava muito boa e aproveitei para usar o Wifi e avisar a família dos últimos acontecimentos. Ao sair do restaurante começou a chover torrencialmente com direito a relâmpagos e trovoadas. O pessoal entrou no táxi e vazou e eu fiquei forever alone em uma cidade a noite e sem hostel e não fazia ideia onde ia achar um.
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Eu tinha olhado no booking alguns hostels com preços bons, pura enganação. Depois de rodar muito acabei ficando no hostal San Francisco que só tinha de bom mesmo a localização. Não aconselho ninguém a ficar lá, pois é salgado e eles ainda não cumprem com o que oferecem. Fiz o check-in e sai em busca de um telefone publico para ligar para Mondial (seguro viagens), pois eles ofereciam apoio no extravio de bagagens. Não consegui falar com eles e depois descobrir que eles também não resolvem nada. Comprei uma água de 2 litros voltei pro hostel e apaguei.
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GASTOS:

Táxi Aeroporto X Terminal de buses: 5 bols
Passagem Sucre X Uyuni: 70 bols
Táxi Terminal de buses X Plaza: 4 bols
Jantar (Lasanha e água): 46 bols
Água 2L: 6 bols





Fala brother to curtindo muito seu relato ! anotando cada detalhe e informação assim como dicas ! ::lol4:: Maluco eu não saberia o que fazer se extraviassem a minha bagagem ! Acho que pegaria o cara da gol e ::quilpish:: . Victor esclareça minha duvida da pra comprar a passagem area de st cruz p sucre em boleto bancario ?
#1198914 por rodrigovix
29 Jun 2016, 15:08
Putz, Victor. Foi contigo que rolou a bad da mochila esquecida? Que m*rda, ein?! Pelo menos no final deu tudo certo. Acompanhando o relato aqui...
#1198918 por Flávio Amorim
29 Jun 2016, 15:17
[quote="victorfirmes"]CAPÍTULO 2 (03/04/2016): Desbravando a capital da Bolívia - Sucre enquanto esperava Judite.


Cara que sacanagem da Gol ! 2 dias esperando a Judite é demais ! imagino como isso deve ter interferido em todo seu roteiro !

Pega esse encarregado e ::toma:: !

Aguardando pra ler a continuação e ver qual a justificativa da gol !

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