Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#731345 por Jorge Soto
26 Jun 2012, 10:59
http://jorgebeer.multiply.com/photos/al ... Estudantes

A PEDRA DOS ESTUDANTES SUZANENSE
De altitude bem acanhada se comparada as gdes montanhas da Mantiqueira, os menos de 960m de altitude do Morro das Pedras já por si só constituem uma elevação significativa, senão uma das maiores, da região periferica de Suzano (50km da capital paulistana). Situado as margens da Estrada do Viaduto e paralelo a SP-031 (Rod. Indio Tibiriçá), este serrote doméstico se destaca por ser coroado por um conjunto de enormes e imponentes monolitos de rocha pura q atendem pelo curioso nome de Pedra dos Estudantes, q eventualmente se torna palco de escaladas. Aproveitando o tempo limpo deste domingo fomos então bisbilhotar o referido rochedo, apenas pra recomendar mais um passeio curto, leve e sussa pra menos de meio-dia, mas cujos largos visuais podem ser emendados com qq outro programa da região.

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Se você nunca ouviu falar da Pedra dos Estudantes eu então muito menos. Bem, até algumas semanas atrás, qdo recebi um email convidando prum rapel solidário q seria realizado numa tal Pedra dos Estudantes, em Suzano. Como qq bela pedra próxima a urbe desperta meu interesse imediatamente contatei o remetente da msg e organizador do evento, o Wellington Carvalho, o Tuca (http://www.sentidobrigatorioaventuras.blogspot.com.br) , q gentilmente me passou as coordenadas da lugar. Melhor ainda, pra q “não me perdesse” me reencaminhou a um amigo dele, o Albino César (http://www.rumoselvagem.blogspot.com.br) , q bastante prestativo fez questão de me passar o tracklog! Quem me conhece sabe q sou avesso (e totalmente leigo) a qq troço vindo de GPS. Dessa forma e me fiando apenas das infos verbais de ambos, resolvi meter as caras pra chegar na referida pedra. Era apenas o q precisava. Afinal, prum trajeto curto e breve, não custava nada aproveitar a ocasião p/ comparar os dados descritivos com a topografia apresentada pela carta da região, no caso, a de Mauá.
Eu e a Carol já havíamos tomado nosso delicioso desjejum qdo a Vivi e o Fabio nos encontrou na “Ki Paladar”, simpática padoca do lado da Estação Suzano da CPTM. Eram quase 10hrs da manhã e as brumas do inicio daquela manhã fria já haviam se dispersado totalmente, dando lugar a um dia limpo e seco, qdo então nos dirigimos ao terminal rodoviário, bem do outro lado da rua. Papo vai e papo vem, o fato é q nosso ônibus (“Fazenda Viaduto”, da Linha 07) so partiu por volta das 11hrs, permitindo q até lá já tivéssemos esgotado quase q td nosso estoque de fofoca colocada em dia.

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O sol brilhava qdo o coletivo rodou o centro da cidade por inteiro arrebanhando meia dúzia de passageiros, pra depois então seguir rumo pro sul, atraves de uma longa via vicinal chamada por Estrada do Viaduto. Os tons acizentados e elevados da pacata Suzano logo deram lugar a verde horizontalidade tipicamente rural desta região suzanense q evoca o interior paulista. Chácaras, igrejas evangélicas, sítios, pequenos vilarejos e antigas olarias pipocam na paisagem q emoldura as janelas do coletivo, num terreno de poucas e discretas elevações significativas durante td viagem.
Qdo o asfalto dá lugar a uma poeirenta estrada de terra em suave aclive, é preciso já prestar atenção ao lugar de descida. “É aqui!”, diz o robusto motorista, já deixado de sobreaviso pra nos dar um toque. E assim saltamos as 11:40hrs na frente da “Fazenda do Pneu”, q recebe este nome por causa de um enorme pneu de trator disposto bem na frente, feito um totem de borracha. Mochilas nos ombros e observando o busão levantar poeira pra então descer o estradão, pusemo-nos a andar na sequência, embalados em mta conversa furada.

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Daqui tomamos uma estradinha de chão q sai da principal (pela esquerda) e toma rumo nordeste, passando primeiro por um barzinho e depois pela entrada de vários sítios e chácaras em meio a muito mato. Algumas pequenas bifurcações surgem pela direita, mas basta sempre se manter na principal, agora virando imperceptivelmente pra leste e finalmente pro sul. Neste trecho já é possível avistar um elegante serrote forrado de verde q se eleva e espicha paralelamente à estrada, á distancia. E observando atentamente a larga cumieira do mesmo descortinam-se um punhado de blocos acizentados emergindo do alto desta verdejante serra, espiando os horizontes ao redor. Fora isso o destaque deste trecho ficou por conta de uma fazenda criadora de avestruzes. “Isso ai dá uma bela coxa empanada!”, diz uma Vivi já meio faminta.
Pois bem, a estrada então ganha um aclive suave pra sair no aberto onde chácaras já começam a rarear, ate q ela faz uma curva bem fechada pra direita, onde uma lacônica placa indica o Sitio do Emanuel (oeste). No entanto, ao invés de seguir pela estrada a gente a abandona, tangenciando-a ainda rumo sul, porém agora caminhando claramente sobre um largo carreiro em meio a um capinzal, tendo como cia uma cerca á nossa direita. A picada então se estreita, passa por uma casa bem simples, e se embrenha morro abaixo, sempre tocando pro sul. Mas foi qdo cruzamos com uma carcaça de veiculo, saltamos um pequeno afluente do Corrego dos Marques e descambamos noutro estradão de chão (q faz conexão com a SP-031) q logo saquei q havia alguma coisa errada. Ou seja, havíamos deixado escapar alguma bifurcação (pela esquerda) importante durante o trajeto.

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Percebido o erro retornamos td observando atentamente qq vestígio de picada saindo pela direita (de quem volta) até q encontramos a maledita. Ela se encontra, bem discretamente, na frente da primeira casa após a cerca. Como referencia da lugar existe uma placa na frente dela com os dizeres “Proibida entrada – Lucio”. Uma vez na trilha não tem mais erro, pois ela serpenteia sinuosamente em nivel uma matinha considerável até desembocar numa vereda bem mais larga. Daqui tomamos pra direita, onde a caminhada perde suave declividade atraves do q parece ser um discreto selado de ligação q vai de encontroá crista ascendente principal. A nossa esquerda temos um fundo vale onde corre agua farta q abastece uma pequena propriedade pendurada em suas encostas.
Mas não tarda p/ picada se estreitar e embicar de vez pra cima. Aqui é preciso ter cuidado pq além de algum matinho alto caindo sobre a trilha, a dita cuja é composta daquele chão argiloso bem escorregadio, propiciando alguns capotes e deslizes durante o trajeto. Sempre em meio a mata fechada, neste trecho passamos pelos restos de uma pequena habitação (a esquerda), assim como enormes rochedos (a direita) q justificam o nome do morro. Belos e respeitaveis exemplares de pedras infelizmente ostentam “inscrições burrestres”, quiçá oriundas de algum vândalo capiau. Logo emergimos em meio a um vasto capinzal, no aberto, onde mais pedras pipocam aqui e ali, e onde já se tem uma noção do qto já se subiu pelo panorama q se descortina à oeste.

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Contudo, após adentrar novamente no frescor da mata por um breve trecho pirambeiro é q finalmente alcançamos o alto do Morro das Pedras, a exatas 12:45hrs! A Pedra dos Estudantes é um conjunto de 3 enormes rochas dispostas no topo: duas bem grandes na frente, e uma terceira, menor, atrás. “Caraca, legal pra escalar mesmo! Dá pra abrir varias rotas aqui!”, diz o Fabio, olhando com alguma cobiça pro alto dos mais de 30m de altura da pedra. Dando a volta pela direita, atraves de uma picada íngreme q se embrenha entre a primeira e terceira pedra se tem acesso ao alto do enormes monolitos, cuja superfície é vasta, larga e áspera. “Nossa, parece a Pedra Grande de Atibaia!”, frisou a Carol. E pior q lembrava mesmo, não somente pelas características da rocha e da vegetação do entorno mas tb pelo maravilhoso visu q se descortinou do alto, q nos presenteia com uma panorâmica generosa de td quadrante oeste da região, com vistas de Mauá, Ferraz de Vansconcelos e até Suzano, pequenina no extremo norte.

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Logicamente q jogamos as mochilas ali mesmo e nos brindamos com um merecido e prolongado pit-stop, com direito a lanche farto e descanso em meio aos grampos de escalada ali dispostos. Eu ainda até arrisquei dar uma fuçada numa trilha q nascia discretamente do alto, mas após andar um pouco percebi q ela levava a uma generosa clareira na mata, capaz de comportar umas 3 barracas confortavelmente e o melhor, sem nenhum lixo! Outra picada q derivava dela levava a outra pedra do topo, mais precisamente no setor norte, onde apesar de estar forrada de enormes bromélias havia vestígios de rapel selvagem. So fiquei mesmo encucado pela origem do nome do point. “Pq Pedra dos Estudantes?”, pensei. Faria sentido se estivesse situada perto de Mogi das Cruzes.. Mas Suzano? Logo, se alguem souber a resposta por favor esclareça mais esse novo misterio insondável da humanidade.

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Retornei então à cia dos meus amigos apenas pra me juntar á comilança e, posteriormente, lagarteada geral no alto da pedra, com direito ate a um bem-vindo cochilinho. O dia estava perfeito e havia nos brindado com um céu azul impar além dum sol brilhando forte, aquecendo aquele final de manha de inverno, q comecara frio mas q áquela altura estava bastante agradável. Foi ai q algo se mexeu na mata e despertou nossa atenção. Eram dois elétricos sagüizinhos q deviam estar ali curiosos pela nossa presença, olhando atentamente pra gente pra então saltar pro galho mais próximo de modo a ganhar um novo ângulo de visão daqueles intrusos no morro. “Eles so tão esperando a gente vazar pra pegar as sobras de farelo q deixamos na pedra..”, falei.

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Descansados até além da conta, as 14:20hrs iniciamos a volta pelo mesmo caminho da ida sob aquele lindo céu azul, maculado apenas por alguns aviões riscando o firmamento como por solitários e perigosos balões, típicos de julho. Incrivelmente a volta foi mais rápida q a ida, enum piscar de olhos já estavamos quase as margens da Estrada do Viaduto. Antes, porém, fizemos uma parada providencial no botequinho bem ao lado, onde calibramos o gogó com uma garrafa de “A Outra”, uma pitoresca breja q nunca ouvira falar, mas cujo sabor tava bom demais aquela altura do campeonato. Tanto q compramos umas latas da dita pra aguardar o buso, q passou pontualmente as 15:10hrs. Com tempo de sobra pelo rápido bate-volta, cada um retornou então a seu aconchego ainda a tempo de fazer qq outra atividade de fim de domingo, mas contente e satisfeito por ter descoberto mais um rincão local pouco conhecido dos arredores de Sampa.

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É verdade q a Pedra dos Estudantes seja um point bem melhor aproveitado por escaladores (q devem levar chapeleta e porca à tiracolo!) q andarilhos propriamente ditos. Afinal, o rochedo não tem a altivez dos gdes picos de outras serras mais notórias do entorno, por exemplo, Mantiqueira ou até Bocaina. No entanto, nada impede q um dia de aventuras e belos visuais seja bem melhor aproveitado por estes mesmo andarilhos emendando este serrote doméstico com outro roteiro próximo na região, a Pedra do Elefante, e assim completar um circuito de belas pedras da divisa Suzano-Ribeirão Pires. Melhor ainda: pq não fazê-lo montando numa magrela? E assim incluir outras tantas rotas desta bela região, cujas possibilidades no quesito bate-volta sequer foram arranhadas.


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