Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#832770 por Renato37
24 Abr 2013, 21:53
Trilha feita em 17/04/2013.

Álbum com todas as fotos em:
https://picasaweb.google.com/1104304139 ... directlink

Cheguei as 7:25h na estação de RGS envolvida em uma meia névoa e um friozinho típico de outono. O sol aparecia e desaparecia constantemente,disputando espaço com as nuvens, vendo quem ganhava os céus. 15 minutos depois, Mari salta do trem e se junta a mim, a espera da Marcela e do Wellington. Os 2 logo chegaram por volta das 8h00 e então, fomos para o ponto do busão para Paranapiacaba.

Após pegar o busão das 8h30, saltamos no km 43 as 8:45, próximo a entrada da estradinha da terra do etilenoduto. Preparamos as mochilas, dei algumas alongadas básicas e pusemos pé na estrada as 8:55hs. Eu e o Wellington seguimos logo a frente, a passos largos, enquanto a Mari fofocava com a Marcela, e pouco a pouco ambas ficavam para trás. Após o inicio da estrada do etilenoduto, viramos a esquerda em uma estrada de manutenção de torres, que também é porta de entrada para outras trilhas para mirantes e cachus da região.

A pernada segue num ritmo bom e es que as 9:35 chegamos ao trecho do rio da cachu do vale. Imaginei que a galera iria querer parar para descançar e também para uns cliques. Mas que para minha grata surpresa, todos estavam bem dispostos e se puseram a continuar a pernada sem pit stop.

Atravessando o rio, ignoramos a bifurcação a esquerda que leva para a cachoeira do vale em favor da direita, que segue para o mirante da torre e também para a entrada de uma trilha secundária, que leva para a cachu escondida. Mas, para a nossa grata surpresa, nos deparamos com vários trechos de desmoronamentos que cobrira toda a trilha, atrasando a pernada e nos forçando a procurar caminhos entre as árvores que desbarrancaram e que sepultava toda a área da picada propriamente dita, nos forçando a varar mato.

Nunca tinha visto a trilha das torres tão fechada daquele jeito. Mas seguindo em frente, após passar um trecho com várias árvores caídas, es que percebo que houve outras quedas menores além do suposto "desuso" da picada propriamente dita. Com isso,boa parte da trilha estava muito fechada, me obrigando a farejar a trilha e abrindo caminho para os demais, quase que um meio vara-mato.

As 10h05, por conta do enorme atraso provocado pelos desmoronamentos (onde tivemos que dar uma de ninjas para passar por valas profundas abertas por erosões),es que após fuçar nas encostas esquerdas em uma curva, encontrei a entrada da famosa bifurcação da cachu 2 quedas (mais conhecida como cachu escondida).

Adentro a mesma e observo que a mesma se encontra com marcação, um pouco aberta no começo, mas que por desuso, logo sumia completamente. Acabei sendo obrigado a tirar a bússola da mochila e decidir ir varando mato até chegar próximo do rio, onde imaginara que por esses lados, irei reencontrar a continuação da picada mais aberta.

Porém, como eu já imaginava, o trio que me acompanhava, mostrava esboços que não estavam nem um pouco afim de varar mato. Wellington e a Mari demonstram uma certa preocupação, por conta da Marcela não estar muito bem de sua sinusite, portanto, poderia sentir mto o desgaste de um vara-mato.

Como o objetivo era chegar no morro do careca, alertei sobre a possibilidade de não haver outro caminho, que esse era o único e mais fácil acesso direto, prevendo que o vara mato seria curto, pois já fizera essa trilha qdo estava aberta em anos anteriores. Democraticamente, o trio achou melhor não ir, sendo que a Mari dissera que há outro caminho para chegar até a cachu escondida, com trilha bem batida, cujo acesso era seguindo para a trilha da cachu do vale e descendo sua encosta até chegar no sopé da cachu escondida.

Pois bem, dado o desânimo da galera em querer ir pela entrada "oficial" da trilha que leva ao topo da cachu escondida, todos retornaram pela mesma até chegarmos no rio e a bifurcação da cachu do vale. Seguimos pela trilha e por volta das 10:30h passamos pelo poço de cristal e as 10h45, chegamos a famosa cachu do vale, onde fizemos um breve pit stop para tirar fotos e apreciar a bela cachu. Antes, um adentro: após passar o poço de cristal, es que noto uma picada a direita que não lembrava da ultima vez que estivera lá.

Ao explorar ela, percebo que a trilha segue contornando o rio pela direita, ignorando a cachoeira menor após o poço e seguindo bem batida até o topo da cachu do vale. Uma bifurcação bem enlameada a direita no topo, me deixa curioso sobre aonde poderia dar, embora seja menor e por palpite, poderia dar no topo ou em uma das 2 quedas da cachu escondida. Ignorando essa bifurcação, es que as 10:55h, todo mundo começou a descer a trilha ao lado da imponente cachu do vale, que despejava suas aguas que desceriam o vale da morte se encontrando com os rios da escondida, vermelho e da fumaça, despencando em sucessivas quedas, serra abaixo.

No meio da trilha, uma nova bifurcação a direita muito bem aberta chamou minha atenção, pois não lembrava de nenhuma bifurcação a direita naquele trecho de descida. Adentrei ela e percebi que era apenas uma opção de percurso a principal (que beira a encosta direita do rio).

Como não havia feito, resolvi continuar por ela e ver onde ia dar. Galera ficou em dúvida sobre ir ou não ir, e eu disse que podiam vir, que ela estava bem batida e que tinha sinais de ter sido aberta faz pouco tempo. Fomos nela e após 5 minutos, ela vira para a esquerda e segue o rio, porém, nessa curva, uma outra trilha bem batida subia ingreme o vale pela direita, o que atiçou minha curiosidade em dar uma rápida espiada nela para ver onde iria dar. Falei para o pessoal me esperar na curva e fui.

Após escalaminhar por cerca de 3 minutos, cheguei a uma area mais plana, onde ela virava para a esquerda, dando sinais de que provavelmente, estavam abrindo ela ainda. Bem, quem sabe daqui a alguns meses, ela já esteja aberta e pronta para ser explorada. Ficará para uma outra pernada futura.

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Cachoeira das 2 quedas, mais conhecida como "cachoeira escondida"

Voltei para a picada "alternativa" e segui pela esquerda, descendo, ou melhor dizendo, desescalaminhando um trecho curto, com o auxilio de troncos, galhos e até degraus feitos na terra batida por quem abriu aquela trilha nova. Pois bem, esse trajeto que interliga as cachoeiras do vale e cachoeira das 2 quedas (escondida), é curto e as 11h10 chegamos ao sopé da cachu escondida, onde fizemos uma pausa para mais fotos, claro. Enquanto o Wellington e a Marcela se preparavam para detonar seus lanches, es que eu, curioso para saber (por conta de relatos aqui mesmo do mochileiros), onde estaria a tal picada que sobe até o topo da cachu.

Então,olhei pelo lado direito e só vi um paredão, enquanto que no esquerdo, a mata cobrindo toda a encosta, o que me fez imaginar que se houver uma picada, ela estaria a esquerda. Pois bem,deixei a mochila com o pessoal, desci o pequeno trecho da picada que leva do rio até a cachu escondida, virei a direita e segui por um pequeno trecho, onde dei de cara com uma trilha bem batida que subia ingrime até o topo,mas com vários lances de escalaminhada nervosa, o que me fez pensar que poderia ser aquela a tal trilha.

Segui nela até o meio do caminho, qdo dei de cara com enormes pedras e que continuar escalaminhando ali sozinho poderia ser um risco, embora o caminho era possível.....Então cortei caminho pelo meio do mato, já que era um trecho curto e num minuto chegara onde estava a galera. Comentei com todos sobre a tal trilha, principalmente para a Mari, onde chamei em particular e sugeri que varassemos parte do mato por ali mesmo até um ponto, após os níveis dos "mega degraus" de pedras da encosta da cachu escondida, afins de encontrar um caminho para o topo.

Dito e feito, Marcela e Wellington ficaram, enquanto eu e a Mari fomos explorar o trecho bem acima. O mato nessa parte da encosta era pouca, então fomos subindo facilmente, mesmo sem trilha, embora escalaminhando boa parte do trecho, dado a declinividade forte do trecho. As 11:30h, após cerca de 20 minutos subindo, chegamos a um ponto onde o terreno nivela e a pernada fica mais facil. Estávamos praticamente no topo. Viramos a direita a fim de chegar no topo da cachu, qdo demos de cara com um desmoronamento que parecia ser recente, causados pelas ultimas chuvas de verão, provavelmente.

Passamos pelo "descampado" sem mato e chegamos bem próximo do topo, mas por conta de termos deixado as mochilas com a Marcela e Wellington, resolvemos abortar e voltar. E da-lhe desescalaminhada de uns 50 metros de volta até lá.......

Ao voltarmos, uma noticia ruim: Marcela dava sinais de que estava chegando ao seu limite, então o grupo decide que é melhor retornamos, já que havia 2 opções que bolei para essa trip: Com tempo bom e sem névoa: Subiríamos o morro do careca. Sem névoa e visão do alto: Desceríamos o rio do vale da morte até as cachoeiras da garganta do diabo. O fato é que a Marcela não tinha preparo algum para uma trilha na Serra do Mar, embora tenha dito a todos que fez uma trilha e que andou mais de 10 horas e etc. ::lol4::

Mas como eu já tinha feito tudo ali, estava focado em ir até o morro do careca (senão a trip não teria sentido para mim). Vendo que não havia vestígio de nuvem ou névoa alguma encobrindo o topo do morro, embora o tempo estivesse encoberto, comecei a imaginar que iria acabar indo sozinho mesmo. Isso porque, dentre todos, somente a Mari teria pique e ritmo para a pernada, que embora curta até lá (e foi mesmo), teria trechos de vara-mato no inicio da trilha para a cachu escondida.

Ali era o melhor e mais rápido ponto de acesso para chegar ao inicio da trilha do morro do careca, que sai de uma mini-cachu a direita que é afluente do rio das pedras, a única do trecho.As 13:00hs, no retorno ao topo da cachu do vale, es que me surge a ideia de seguir até o topo da cachu varando mato mesmo, com a bússola até atingir o rio logo a esquerda, já que o trecho seria curto. Sugeri a Mari levar o pessoal até o poço de cristal e de lá, pedindo para ficar curtindo o lugar e esperar enquanto a gente ia até o morro e voltava.

Ela levou o pessoal e eu segui pela bifurcação, varei um pouco de mato ali em cima, mas logo me dei conta que a mari não tinha bússola e precisaria estar comigo. Então voltei e qdo cheguei na trilha de novo, es que a fome bate, dai então, resolvi fazer um breve pit-stop ali mesmo para detonar uns lanches, com suco e 2 barras de cereais, que nunca estiveram tão deliciosos qto antes, rs

Após forrar o estômago e molhar a goela com o sucão, fiquei fazendo hora ali esperando a Mari, que estava demorando para vir. Imaginei que havia desistido por conta da Marcela. Então resolvi voltar pela trilha principal até a cachu do vale e ao chegar próximo ao poço de cristal, encontro os 3 ali sentados e conversando.Perguntei para a Mari pq não viera, e ela disse que não iria mais (por causa da Marcela), que havia escorregado em um buraco e se machucado levemente, nada que a impedisse de caminhar, pelo menos o trecho de volta até o asfalto.

Wellington resolveu ficar junto com elas e tb disse que se fosse só eu, Mari e ele, iria numa boa, mesmo varando mato, então, já tendo isso em mente, acabei colocando meu plano B em ação. Não iria até lá para não fazer o morro, o foco era o morro ou as cachus da garganta do diabo (que não tenho registros fotográficos). Como já tivera abandonado a ideia de descer o rio até lá, não iria desistir de subir o morro do careca, ainda mais porque ainda estava muito cedo para voltar.

Eram apenas 13:25h e ainda tentei (em vão) convencer a Mari a ir comigo, enquanto Wellington e a Marcela poderiam ficar ali no poço de cristal, descançando e curtindo o local, enquanto esperavam por nós. Mas como ela não quis, propus deles voltarem para casa, e eu seguiria sozinho mesmo para o morro do careca, pegando a bifurcação para a trilha das torres feita logo no inicio da trip.

Ainda estava com muito pique e a vontade de ver a bela visão la do topo me faria encarar qualquer vara-mato que fosse necessário, já que o morro tava logo ali, do nosso lado e eu sabia todo o caminho, além de ter a bússola como importante ferramenta para me auxiliar, caso fosse necessário. Sem contar que o trecho seria curto. E como previa, foi mesmo.

Me despedi do pessoal as 13:50h qdo a Mari, preocupada pq eu iria sozinho, disse que poderia ficar ali esperando por um tempo e chamaria alguém, caso eu não voltasse. Disse para ela que poderia ir, mas se caso quisesse esperar, eu estimaria 2 horas para estar passando por ali de novo, já contando com possíveis atrasos por conta de vara-mato até o topo do morro do careca.

Sem perder tempo, segui pela trilha das torres novamente até chegar no ponto da bifurcação com a trilha da cachu escondida, onde adentro a mesma as 14:00hs. Como dito anteriormente, a picada tem sinais batidos no começo até chegar no ponto onde ela some por completo, me forçando a varar o mato naquele trecho, onde não há sinal algum que ali já existira uma trilha que no passado era bem aberta.

A bússola indicava para leste e eu por precaução, resolvi deixar umas fitas com sacos plásticos amarrados no trecho mais aberto da mata, para fins de orientação na volta. O mato estava muito fechado ali e até alto, o que exigiu um pouco das pernas para conseguir avançar. Após passar aquele trecho mais fechado, es que a frente, reencontro a picada um pouco mais aberta, embora meio fechada ainda, mas pelo menos "andável".

Deixei mais umas fitas amarradas nos troncos das árvores e segui por ela, que ia na direção desejada e que me fez lembrar que era essa mesma trilha que fizera anos atrás, mas que fechou por desuso, infelizmente. As 14:20h cheguei no trecho do rio, onde uma simpática cachoeira com um mini poção me fez lembrar que estava no caminho certo e portanto, não precisaria + da bússola e nem de deixar as fitas amarradas.

A pernada seguiu em um ritmo rápido e logo a picada abriu de vez, o que permitiu que acelerasse os passos para compensar o tempo perdido lá atrás. Passei por outra cachoeira pequena, com 3 degraus e segui pela trilha, beirando a encosta esquerda do rio até que as 14:40h, encontro o ponto de referência da trilha que sobe para o morro, que é a pequena cachoeira a esquerda, afluente do rio da cachu escondida. Atravessei o rio e logo encontrei uma discreta trilha que subia forte e ingreme para leste, ao lado esquerdo da pequena cachu.

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Cachu do degrau

Adentrei ela e subi rapidamente uma parte do morro, qdo de repente a picada sumiu de vez me forçando a varar mato novamente. Passei por um trecho de desmoronamento mais no alto, e pelo percurso que a trilha seguia, pude notar que provavelmente passara por ali e o desmoronamento sepultou a continuação da trilha, infelizmente.

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Cachoeira dos Grampos

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Abaixo, vale da morte. A frente, vale do rio Mogi e quilombo do outro lado.

Fixei a bússola para leste e fui seguindo pelo mato mesmo, que ali por ser area de encosta e a mata mais espaçada, o avanço até que foi bem fácil (mesmo sem trilha), só com o auxilio da bússola, sempre em direção a leste. A trecho dentro da floresta dura pouco tempo e es que as 14:50, saio de dentro da mata e adentro uma pequena área descampada a encosta, onde pude desfrutar da primeira visu das cachoeiras do vale, escondida e uma outra que parecia ser a dos grampos bem distante, a direita.

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Cachoeira do vale a esquerda

O tempo estava fechado, mas as nuvens estavam bem altas, o que permitiu uma visão tão boa e ampla como se estivesse céu limpo. Coisa rara naquele local, já que é muito comum, qdo fica encoberto, nuvens baixas encobrirem tudo ali, não dando para ver um palmo diante do nariz.

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Primeira visão que se tem, logo que sai da mata fechada para o primeiro trecho descampado do morro do careca

Como toda alegria de pobre dura pouco, ao retornar a subida, dou de cara com um trecho de mata mto densa e mais fechada, o que fez meu avanço até o ponto fulminante ficar bem lento. Mas como já estava no morro e focado que chegaria até o fim, segui em frente, contornando trechos onde o mato estivesse mais baixo, portanto, mais fácil de passar. Fui subindo até o alto, onde para a minha alegria, dei de cara com uma picada pequena, que margeava o topo e seguia reto na direção desejada, ou seja, à leste.

Não pensei 2 vezes e segui rapidamente pela picada, que embora estivesse pequena, estava bem marcada, o que me fez atingir o ponto culminante do pico exatamente as 15:05h.

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Trecho que a suposta picada que desapareceu terminara e ponto culminante do morro.

Como eu tinha dito para a Mari e os demais que me esperassem até 15h00hs e o fato de ter chegado no topo exatamente no horário limite, imaginei que eles já teriam se mandado dali. Então, resolvi fazer uma mega pausa ali para apreciar a bela vista, tirar várias fotos e comemorar o objetivo da trip: Subir o pico do morro do careca. Imaginei que se fosse todo feito por trilha desde lá do inicio (da trilha das torres) na epoca que ambas eram bem abertas, não levaria nem 30 minutos para chegar até aqui.

Uma pena que ambas as trilhas não foram reabertas e provavelmente não serão mais, dado a proibição de adentrar nessas entranhas da serra do mar sem um monitor, embora não havia placa alguma na entrada da trilha avisando sobre isso, só em Paranapiacaba mesmo.

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Cachu dos Grampos a esquerda, Fumaça a direita.

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Cachoeira da fumaça

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Vale do Rio Mogi e funicular ao fundo!

A ausência de lixo e de qualquer outro vestigio no local, sugere que aquele lugar não é acessado por uma alma viva fazia um bom tempo, portanto, só para poucos mesmos. O vara-mato ali e o fato da trilha que dá acesso a cachoeira escondida estarem totalmente fechadas, inibe qualquer iniciante ou quem não conheça bem a região a não se aventurar por dentro das entranhas desse trecho da serra com risco iminente de se perder ali, caso não seja observador, tenha senso de direção aguçada, farejo de trilhas e não esteja portando uma bússola.

E eu só avancei rapidamente ali por conhecer bem o local e o rio, de pernadas anteriores pelo rio da cachu escondida, embora nem imaginava que ali existira uma trilha que subisse até o morro do careca.

O Mirante do morro do careca reserva uma visão privilegiada, permitindo avistar a maior parte das cachoeiras da região do vale da morte, o relevo da serra, funicular e vale do rio Mogi, além da baixada santista e parte de cubatão. Do outro lado, embora encoberto por várias árvores altas, se fosse descampado, permitiria uma visão em 360 graus, mas pelas frestas dava para ver o mirante da torre, por onde já estive 2 anos atrás com uma amiga, na época que a trilha das torres era bem aberta e batida. Pelo visto, quem faz a manutenção das torres deve estar acessando os locais de helicóptero, dado o estado lastimável do trecho inicial da trilha.

Pois bem, permaneci no mega mirante por cerca de 20 minutos, qdo as 15:20h, iniciei a pernada de volta, deixando o morro do careca para trás. Aproveitei (em parte) a picada pequena que margeia o alto do topo que permitiu o avanço rápido até o trecho onde ela some de vez, me obrigando a retornar varando mato novamente, agora sentido oeste. Fui perdendo altitude lentamente até sair do trecho mais próximo do topo, onde a mata está mto densa até adentrar no trecho de descida mais ingreme.

Ainda que antes de sair da picada que margeia o topo, fucei todo o entorno em um bom trecho para ver se ela não continuava logo a frente, do lado, etc, porém em vão, fechou completamente. Mais fácil e rápido descer por onde eu subi mesmo, afinal a bússola estava ali para isso mesmo e por via das dúvidas, deixei algumas fitinhas amarradas só para fins de auxilio e orientação do caminho da ida.

Após 10 minutos de vara-mato (o mesmo da ida), cheguei num ponto onde encontrei outro trecho da trilha da ida que perdera no inicio da subida, então para minha alegria, a descida foi ainda mais rápida e ágil, qdo finalmente cheguei ao ponto onde a picada passou perto da que eu passei inicialmente na subida, o que me levou a crer que por descuido, acabei seguindo reto e não havia visto que a mesma tinha virado a direita. De qualquer forma, qdo encontrei a mesma, subi um pouco para ver o percurso, mas ela novamente sumia de vez, então desci rapidamente o trecho onde a trilha estava marcada e as 15:45hs já estava no leito do rio da cachu escondida novamente.

Com 2 horas de claridade restantes e sabendo que levaria menos de 1 hora para chegar até o asfalto, estando perto do topo da cachu escondida, resolvo ir até lá para bater umas fotos e ver se tinha alguma picada que sai do topo e desce até a base da mesma. Cheguei ao topo da cachu as 15:55, bati algumas fotos e ao espiar a esquerda da mesma, es que de fato, havia uma picada bem batida com uma corda e troncos de auxilio pois ali seria feito na base da desescalaminhada mesmo.

Fiz um rápido pit stop ali ao mesmo tempo que decidia se desceria por ali e voltasse pela trilha principal (e bem aberta) da cachu do vale (feito horas antes com a galera), ou se voltasse pelo caminho que vim até cair novamente na trilha das torres (e encarando o vara-mato do trecho que estava fechado)

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Topo da primeira, das 2 quedas da cachu escondida

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Visão da parte de cima do rio...

Os músculos das pernas já davam sinais de cansaço e cobravam o preço de me proporcionarem a bela visão do morro, então, por conta disso, es que resolvo deixar para lá a descida pela encosta da cachu e as 16:05 inicio o caminho de volta para o asfalto. Mas não sem antes fazer uma pausa rápida para fotos nas pequenas cachus do caminho, que agora voltaram a fazer juz ao nome da cachu escondida. Isso até que alguém resolva reabrir a picada que tempos atrás, era bem aberta e acessível facilmente como a principal, que leva para o Lago de cristal e cachu do vale.

A pernada da volta foi mais rápida que a da ida, e o trecho de vara-mato estava mais fácil tb, pois na ida resolvi abrir um pouco a mata ali para facilitar a volta, o que foi uma decisão acertada, pois estando cansado, não precisei fazer esforço algum para transpor aquele trecho, exceto pelo fato de ter mergulhado parte de um dos pés num lamaçal escondido por debaixo das folhas. Azar, faz parte, quem está na chuva é para se molhar.

As 16:30h, estava novamente na trilha das torres e as 16:40 havia deixado o rio da cachu do vale para trás, qdo me dou conta que não iria dar tempo para pegar o busão das 17:00hs. Então, para não ter que amargar 1 hora no ponto esperando pelo próximo que só sairia de Paranapiacaba as 18:00hs (ou andar os 4km no asfalto até a estação de RGS), resolvo apertar o passo e correr a maior parte do trecho da trilha, aproveitando que estava com um pouco de pique ainda. Mas, os trechos enlameados por conta das chuvas do último fds, me obrigou a transpor as mesmas em ritmo de tartaruga, o que atrasou bastante o meu avanço.

Portando, resolvi desencanar no busão das 17:00 e pegar o das 18:00h, já que preferiria esperar do que encarar + 4 km de pernada até a cidade. Tô fora, só gosto de andar onde realmente interessa, na trilha. :mrgreen:

As 17:00hs, já estava no trecho final da estradinha e as 17:10 estacionei numa casinha bem no inicio da estradinha para trocar as roupas sujas e tênis molhado, por roupas limpas e tênis seco, além de detonar uma bolacha, o resto de suco que sobrara e terminar a trip com sensação de objetivo concluído, embora o corpo tenha me cobrado os tributos da minha ansiedade através de algumas cãibras nas pernas, que dificultou um pouco na hora de trocar de roupa. Paciência, quem manda não ter feito alongamento direito e de ter corrido boa parte do trecho? rsrs ::putz::

Peguei o busão das 18:00hs, em seguida o trem e em 40 minutos já estava em Tamanduatei, onde saltei para o metrô e as 19:30 há estava em casa.... ::otemo::

O Mirante do pico do morro do careca é um local espetacular, que reserva uma visão única e diferenciada de todo o vale da morte, parte da baixada santista, as belíssimas cachus brotando do alto da serra e despencando suas aguas cristalinas em um belo espetáculo natural, que formam o rio da onça que desce o vale da morte por trechos de cânios e se encontram com o rio do vale do Mogi, terminando na poluída cubatão até chegar ao seu destino final, o mar.

Por isso,mesmo 10 anos depois de ter posto os pés pela primeira vez nessa região e de ter explorado trilha por trilha cada fim de semana nessa parte de Paranapiacaba, ainda me surpreendo como essa região da serra ainda reserva tantos lugares e cachus escondidas, prontos para serem descobertos. Tudo isso a menos de 50 km duma das maiores cidades da américa do sul. As melhores e mais bonitas cachoeiras e belezas naturais de mata virgem e selvagem você só encontra nas entranhas da serra do mar.
Editado pela última vez por Renato37 em 01 Abr 2015, 18:08, em um total de 1 vez.

#896163 por Vgn Vagner
11 Nov 2013, 05:16
Fala Renato, tudo bom meu querido?

Então cara, vc sabe que eu tive uma investida sem sucesso ao Morro do Careca, né!? por não ter achado a picada após o deslizamento e fui parar lá no mirante das torres.
Mas como todo trilheiro é teimoso, voltei lá com as infos que me passou, e consegui subir ao topo. Como o tempo estava sobrando, fizemos (Eu e Diego), a exploratória mais completa que poderiamos realizar em Paranapiacaba: Morro do Careca, Cach Escondida, Cach dos Grampos, Cach das Tartaruguinhas e Cach da Fumaça. Valew mto a pena.
obrigado pelas info do Morro do Careca.
Abraço

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