Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#798557 por Kássio Massa
17 Jan 2013, 10:51
Este relato é fruto de uma trip realizada a pouco mais de 1 ano. A princípio, havia apenas publicado um álbum de fotos, mas resolvi deixar minhas breves impressões acerca desta bela exploratória, organizada primariamente pelo experiente trekker Jorge Soto, em pleno "Mar de Morros" da região de Paranapiacaba! ::hahaha::

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Trip realizada no dia 18 de Dezembro de 2011
Link com as demais fotos da trip
Leia também as versões do relato escritas pelos trekkers Jorge Soto e Lucas Ramalho!


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Onipresente, elevado cerca de 850 metros sobre toda a região conhecida como Serra do Meio, entre Paranapiacaba, Rio Grande da Serra e Cubatão, o Morro do Careca apresenta em seus vastos mirantes vistas únicas de todo o complexo de cachoeiras do início do Vale da Morte, bem como uma vista panorâmica do Vale do Rio Mogi, por vezes, quase se perdendo nas frequentes névoas serranas.

A trip da vez, na verdade, foi totalmente ocasional. Meu amigo Gabriel Medina havia cogitado sobre irmos explorar a trilha da cachoeira da Torre, possivelmente descendo até o Parque Perequê, em, Cubatão, e assim foi decidido inicialmente. Porém, uma vez em Rio Grande da Serra, já prontos para embarcar, eis que trombamos com o lendário Jorge Soto - trekker nato, considerado um dos principais caminhantes do país - , que acompanhado de seu pessoal, Marcelo, Lucas e Carol, seguiriam para uma exploratória inédita, à qual acabamos sendo convidados a participar. Bem, na mesma semana, havia conversado com o Jorge e o mesmo disse estar planejando esta investida. Enfim, fechamos, plano do dia alterado!

Ainda antes de adentrarmos a trilha (inicialmente uma variante da trilha do Lago de Cristal, que também tem início na rodovia SP-122), ainda encontramos o André e o Ricardo, figuras já conhecidas por mim anteriormente, e que estavam de carro nesta ocasião.

O plano visava, primariamente, atingir o Morro do Careca, porém, a incerteza da existência de trilha até seu cume fez surgir rotas diversas, sendo duas as adotadas para serem tentadas - na impossibilidade da primeira, tenta-se a segunda. Pois bem, na bifurcação da trilha do Lago de Cristal, já proximos ao leito raso do Rio da Solvay, seguimos à direita, um caminho conhecido por Trilha das Torres, uma vez que serve de via de manutenção das torres de energia que rasgam o planalto nesta região.

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Entretanto, a partir de tal momento, constatou-se de que este não seria o melhor dos caminhos, e que a via mais certeira seria via rio, ou seja, a tradicional Trilha das Cachoeiras do Vale, alcançando o morro pela Cachoeira Escondida!

Com a primeira alternativa descartada e feito o trecho inicial em trilha batida e encharcada, retornamos à bifurcação e encontramos o Rio da Solvay logo adiante, pelo qual seguimos até o dito Lago de Cristal, por onde, desta vez, fomos só de passagem. Seguindo adiante, rio abaixo, atingimos a base da Cachoeira Escondida, a qual subimos seus dois lances pela "escadaria natural" à sua direita (o segundo lance é facilitado por uma corda improvisada). Enfim, 30m cachoeira acima, fizemos nosso primeiro break, com direito a fotos e um belo visual do Rio da Solvay abaixo de nós!

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Recuperado o fôlego, continuamos rio acima, agora num trecho bem mais leve, o qual rapidamente abandonamos em favor de um barranco à nossa esquerda. Era a partir deste que alcançariamos nosso alvo. Dito e feito, por volta de 12h, nos vimos na crista do Careca, pela qual não demoramos para percorrer e nos depararmos com o grande descampado deste cume! O calor e a aridez do local nos convidava para um breve picnic, alternado com um bom papo em que compartilhávamos nossas andanças naturebas e fazíamos registros fotográficos imperdíveis!

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Com o início da tarde dando as caras, o Verão também nos lembrava, através das nuvens carregadas que começavam a pairar sobre nós, de que não é feito apenas de Sol e Calor. Sendo assim, por volta das 13h30, iniciamos nosso retorno, mas por um caminho que havíamos encontrado no meio do descampado do cume, e que evidenciava levar até locais conhecidos por nós. Valeu a pena arriscarmos, pois este caminho nos deixou, em 20min, no rio da Cachoeira Escondida, já próximos à então percorrida Trilha das Torres. Enfim, toda esta região apresenta uma rede vasta e ao mesmo tempo interligada de trilhas, o que permite uma variedade de percursos!

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Daqui em diante, o caminho já era mais que conhecido. Resolvemos passar o restante da tarde no Lago de Cristal, uma vez que ainda estava relativamente cedo, e neste ponto, a chuva já não nos apresentaria maiores problemas, alias, esta veio em boa hora, um excelente meio, mesmo que rápido e passageiro, de nos refrescarmos e nos recuperarmos daquele calorento dia!

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O retorno da trip, bem produtivo, onde o Jorge compartilhava suas andanças e experiências de trilha com o pessoal, ainda guardava, antes do embarque no trem para São Paulo, uma digna "bebemoração" pós-trilha (na qual me resumi a sucos) em Rio Grande da Serra, na Padaria Barcelona, em frente á estação ferroviária, aonde alguns resolveram ir a pé, enquanto outros pegaram carona no carro do André.

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Esta empreitada é mais um exemplo de como mesmo os picos mais improváveis acolhem seus desbravadores, presenteando-lhes com maravilhas intocadas, mesmo que para isto, seja preciso um pouco de audácia, criatividade e foco!


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