Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#474348 por davicaetano
30 Mai 2010, 21:31
Finalmente pude sentar em frente ao computador para escrever esse relato. Em parte porque já tenho outra aventura pendente e não é bom deixar que as idéias fiquem na cabeça, pois podem se misturar e até a realidade.
Eu havia decidido fazer a Petrô-Terê, pois essa travessia se faz em tres dias, que é o tempo que tenho geralmente, pois não tenho aula na sexta-feira e posso voltar no domingo, mas li um relato chamado “Paranapiacaba em dois tempos” e me senti atraído pelo local me é ligado a lembranças próximas. Primeiro porque nasci em São Bernardo do Campo, cidade do ABC paulista vizinha a Santo André, meu destino. Depois porque houve uma época em que meu irmão, hoje bastante distante, cursava técnico em turismo, e fazia parte das suas abrigações escolares conhecer esses lugares turísticos que ele sempre falava. Tenho na memória, em especial, ele se referindo às “cachús” de Paranapiacaba. Então, ao invés de atravessar o estado, fui conhecer o quintal de casa.
Decidi ir de trem, pois seria mais barato, mais seguro e eu achava que entraria mais rapidamente no espírito que procurava conforme o trem fosse deixando São Paulo. Porém acho que exagerei ao sair de casa e caminhar cerca de 45 minutos até a estação. Várias trocas de linhas depois, consegui sentar num banco e iniciar a leitura do livro que duraria o exato tempo da viagem e que me foi uma revelação no caminho todo. “Memória de minhas putas tristes”, de Gabriel Garcia Márquez me faria levar um ancião e uma ninfeta que me ensinariam um pouco o que é o amor num local propício para falar dele.
Desci na estação em Rio Grande da Serra o procurei a padaria Barcelona para tomar um lanche, porém acabei me atrasando para o ônibus que leva até Paranapiacaba. Um senhor que estava no ponto me informou que o ônibus acabara de partir e o próximo apenas em uma hora. Eu já estava bem atrasado em relação ao grupo que eu seguia o relato, impresso e dobrado no bolso da bermuda. Porém, ao me virar passou um ônibus. Dei sinal e perguntei se ia para o meu destino. O motorista, para minha surpresa, respondeu afirmativamente. Perguntei novamente e ele confirmou. Entrei achando que o velho estava tirando uma com a minha cara.
Continuei minha leitura e em poucos minutos chegamos a vila de Paranapiacaba. Sentei numa escadaria em frente a Igreja logo ao lado do ponto de ônibus e comi uma maçã, apreciando a vista que tinha da chamada parte alta. Após alguns instantes de concentração me levantei e comecei a caminhar. Sabia que andaria bastante e enfrentaria dificuldades, mas era exatamente por isso que tinha decidido naquela manhã, ao invés de passar o dia assisntindo à televisão, estar ali.
Logo no começo da ladeira vi um senhor saindo de uma carro com a placa da minha cidade natal, São Bernardo. Perguntei se ele conhecia a Pedra Grande de Quatinga, meu destino final e local que havia planejado montar acampamento. Ele me olhou de baixo a cima e falou “voce vai andar um bocado, heim?”. Após me indicar a direção que deveria rumar, perguntei de onde ele era em São Bernardo, e ele disse que do Rudge Ramos. Disse que era da Paulicéia, bairro ao lado. “Nosso bairros já foram melhores. Hoje estão muito violentos”. Eu confirmei, me despedi e segui caminho. Parecia conversa de filme do Clint Eastwood, mas me deixou com a impressão de que eu tinha um lugar de onde havia saído.
Continuei a descida em direção aos trilhos. Paranapiacaba tem duas partes, a alta e a baixa, estranhamente conrtada por uma ferrevia que opera apenas com cargas. Se operasse ainda passageiros não precisaria ter pego o ônibus em Rio Grande da Serra, seria apenas esperar pela próxima estação. Mas me incomodou a maneira brutal como os trilhos de meral cortavam aquela pequena vila feita na maior parte de madeira.
Na ponte que atravessa a linha férrea tive que parar por um instante para não atrapalhar uma filmagem. Era uma casal que, romanticamente olhava para a torre do relógio. Perguntei a uma assistente de estagiário o que filmavam e ela me disse que era um clipe do Ed Mota. Nesse instante veio uma música dele na minha cabeça. Nas duas vezes que acampei antes dessa fiquei com uma música na cabela durante todo o tempo, e só não queria que dessa vez ficasse com uma música do Ed Mota. A garota me perguntou para onde eu ia e me desejou boa sorte. Agora sim podia seguir viagem.
A parte baixa da cidade é bastante bonita. As casas são todas antigas, de madeira, e parece que aquele trem voltou um século no tempo. Caminhei mais devagar para que pudesse permanecer mais tempo naquelas ruas, mas logo cheguei na entrada do Parque das Nascentes, que me levaria ao meu destino.
Havia uma guarita e uma segurança e achei que seria indagado sobre a grande mochila ou algo do tipo, mas passei deixando apenas um aceno com a cabeça. Seguia por uma estrada de terra um tanto larga em que passei por algumas pessoas. No caminho um rio cruzava a estrada em um ponte e teria que pegar água, pois levava apenas garrafas vazias. Porém, ao descer as pedras, escorrei e caí de bunda no chão. Gargalhei um pouco enquanto verificava se nada havia acontecido na minha perna esquerda, onde guardo uma prótese de titânio que ganhei graças a um acidente de moto, anos atrás.
Garrafas cheias, segui pela estrada, onde o guia que seguia anunciava que naquela estrada havia uma trilha que levaria até uma cachoeira, ou cachú, como meu irmão dizia. Vi, a minha esquerda, uma trilha bem saliente e imaginei que seria ali, mas passei reto, consiente do meu objetivo.
Após alguns minutos cheguei à pequena Vila de Taquarussu. Simpatissíssima, há uma pequena igreja e um coreto, onde foi impossível não parar para comer outra maçã. A cidade estava deserta e me lembrou cidadezinhas de jogos de computador pós apocalípticos. Segundo o relato que segui como guia, foi fundada por imigrantes italianos que mineravam carvão naquela região na época da segunda grande guerra.
Atravessei a cidade e continuei através da estrada que continuava após a cidade. No relato que seguia havia a indicação de uma bifurcação a direita e, logo no início da estrada após Taquarussu havia uma estrada bem menor que a pincipal subindo bastante à direita. Então, para perdeir ainda mais tempo, subi ela até ver que não levava a lugar algum. Perdi mais uns 20 minutos e comecei a fazer as contas percebendo que, se minha burrisse permitisse, chegaria por volta do por-do-sol no topo da Pedra. Não queria pegar trilhas apenas com o uso da lanterna, e por isso aprecei o passo. Encontrei a verdadeira bifurcação e entrei a direita sentido camping do Simplão. Após passar uma entrada à esquerda, avistei duas casas onde, no relato que seguia havia um senhor que deu muitas informações e frutos de cambuci para os aventureiros, porém, mesmo com minhas insistentes palmas ninguém apareceu. Segundo o guia havia um caminho mais rápido porém mais confuso seguindo reto, e outro mais longo porém cerco voltando alguns metros sentido a entrada a esquerda que havia passado. Minha esperança era encontrar o senhor e obter mais informações acerca do caminho rápido e difícil, mas, após refletir sobre ter me perdido há alguns intantes numa estrada de terra onde passa carros, decidi seguir o caminho mais longo.
Segui então pelo caminho a esquerda e passei por uma encruzilhada. Havia ali o caminho de onde eu havia vindo, o caminho a esquerda, que levava de volta a Taquarussu (se ao invés de ter pego a bifurcação à direita tivesse pego o ramo da esquerda, no sentido Camping do Simplão, teria vindo dessa via), o caminho seguindo em frente e o a direita. No guia que eu seguia havia a indicação para seguir reto, porém, se alguém aqui estiver fazendo esse caminho rumando para a Pedra Grande de Quatinga, basta entrar à direita e, após passar pelo Pesqueiro Truta das Pedrinhas, entrar à direita denovo e estará no caminho.
Sim, fui engadado para a direção errada. E o que é ainda pior, achando que estava indo para o lugar certo. O Pico que eu queria atingir era visível a minha direita e eu não entendi porque, ao invés de atacá-lo eu ia em para o começo da montanha. Encontrei um orelhão num local um tanto deserto, que era um dos pontos de referência que seguia. Entrei numa estradinha à direita, conforme indicado e andei. Andei bastante até que algumas casas surgiram. Numa delas perguntei a uma senhora que estendia roupas no varal se eu estava no caminho da Pedra Grande de Quatinga. Ela me disse para seguir toda vida. Em outra propriedadem fiz a mesma pergunta, e fui respondido com um “Voce quer dizer Quatinga?”. Eu pensei que a Pedra Grande de Quatinga deveria ficar próxima a Quatinga, e mudei então a pergunta que fazia as pessoas que encontrava, procurando, a partir de então, Quatinga.
Após passar por uma ponte, entrei numa pequena trilha a esquerda e me desesperei um pouco ao ver que no relógia jpa era cerca de 16 horas. Apressei o passo, mas não chegava a lugar algum, nem via ninguem. Enfim, quando cheguei a uma estrada que parecia que passava carros tinha certeza que estava perdido e deveria criar meu próprio caminho. Andei por muito tempo sem ter a menor idéia de onde estava, apenas seguindo onde eu pensava que seria Quatinda quando ouvi, na mesma direção que eu caminhava, um caminhão. Fiz sinal de carona e o motorista me perguntou para onde ia. Após contar toda a história ele me disse que estava indo para Quatinga e poderia me deixar lá. Subi na caçanba que levava um cachorro da raça Fila de botar susto em qualquer um e recebi um aviso “Não morde não. É tão manso que chega a ser bobo”. Andei cerca de meia hora de caminhão até que, já quase noite, finalmente cheguei a Quatinga.
Mal agradeci o motorista, entrei num mercado para perguntar se estava perto. Havia uma senhora japonesa no caixa e um casal de senhores pagando por suas comprar. Após uma rápida explicação ouvi que estava no local errado e teria que caminhar umas 2 ou 3 horas para chegar no local. Realmente me desesperei e pensei que tinha perdido a viagem, afinal, não seria nada inteligente caminhar da escuridão. Não sabia se voltava pra casa, se procurava um hotel ou se montava a barraca na pracinha central daquele vilarejo afastado de Mogi das Cruzes. Ainda perguntei para a caixa se era seguro andar por ali no escuro e o casal, com o rosto comovido, disse que eu não deveria fazer aquilo. Não sei de que forma ou como aquele casal me lembrou minha adolescência, minha revolta com o sistema, com a sociedade, com os pais hipócritas. Não caí na pior das armadilhas e naquele momento disse a mim mesmo que seguiria até chegar na Pedra Grande, não importa o que teria que fazer. Sorri para os tres que me olhavam e, apenas para deixá-los um pouco desesperados, disse que seguiria em frente. A senhora ainda disse “Não vai não”.
Cruzei o vilarejo, passando ao lado de um campo de futebol e adentrando a sua periferia. Segundo as indicações era só seguir naquela estrada que chegaria ao meu destino. Coloquei a lanterna na cabeça e comecei a caminhar no escuro. Ainda havia algumas casas, porém, após cruzar um riacho, que não pude ver se ela fundo pela falta de luz, por uma ponte, deixei a civilização para trás. A partir dali seria apenas eu e minha mochila. Mais importante que estar preparado era estar convencido disso, pois nesses momentos, como disse Alex Supertramp, “(...)E também sei como é importante na vida não necessariamente ser forte, mas sentir-se forte. Confortar-se ao menos uma vez, achar-se ao menos um vez na mais antiga condição humana. Enfrentar a pedra surda e cega a sós, sem outra ajuda além das próprias mãos e da cabeça”. Caminhei cerca de duas horas sem ver nenhuma prova da existência humana, apenas algumas placas coladas em ávoras sinalizando “Pedra Grande de Quatinga”. Numa delas havia uma indicação a esquerda. Segui um pouco a frente, e numa cerca havia indicações de cão bravo e a trilha continuava a esquerda, porém bem acidentada e escorregadia. Eu havia acabado de passar pela entrada da trilha que, pela pouco luz, não consegui visiualizar. Seguia mais ainda uma meia-hora e peguei o celular. Eu me sentia completamente perdido e, apenas por questão de garantia tentei ligar para 190, pois, mesmo estando sem sinal as vezes outra operadora faz a chamada de emergência. Tentativa vã. Encontrei uma bifurcação que apenas me deixava mais confuso e pensei em acampar ali mesmo, esperando o dia seguinte e a luz para seguir, mas escolhi o ramo da esquerda e segui em frente. Em meio ao meu desespero comecei a cantar, fazer preces, tudo que poderia fazer para me acalmar, quando, no meio da escuridão avistei uma luz. Continuei na trilha, spo que agora correndo e, na frente da propriedade comecei bater palmas. Acordei cachorros, gatos, patos, galinhas e até os moradores. Um homem saiu a porta e pediu para que eu entrasse. Eu perguntei sobre a Pedra Grande e o homem me disse que eu havia passado por ela havia algum tempo. Perguntei a ele se podia montar acampamento por ali, e ele me disse que não havia problemas. Me senti mais aliviado e pude, finalmente fazer minha refeição. Preparado para dormir li ainda mais uma boa parte do livro que carregava comigo.
Na manhã seguinte acordei logo cedo e parti para o ataque a Pedra Grande. Ah, como era fácil caminhar a luz do dia. Logo encontrei a entrada da trilha para a Pedra e percebi que seria realmente difícil ter acertado o caminho durante a noite.
Caminhei cerca de duas horas, alimentado, descançado e bastante fortalecido por ter decidido enfrentar o desafio do dia anterior. Pode ser muito fácil fazer tudo aquilo que fiz em grupo eu com mais experiência, mas eu sabia que, para mim, aquele teria sido um grande psso. Nem sei rumo a que, mas foi.
Enfim, cheguei ao topo. Estava bastante feliz e a vista realmente compensava tudo o que havia passado. Passei umas tres horas ali, olhando o mundo como se fosse meu, e na verdade era. Consegui ver grande parte do caminho que tinha feito e do que teria que fazer para retornar. Já era cerca de 10 horas quande decidi descer. Refiz o caminho de volta muito mais tranquilo. Só pode enter como é um caminho de volta como esse alguém que já fez o de ida. É ali, sozinho, que a vida se mostra, que tudo tem sentido sem nem ser nada. Eu não lembrava dos compromissos, do saldo bancário, das provas que tinha por fazer. A vida se fazia completa. Eu não precisava buzinar para passar, eu não precisava lutar pelo meu lugar como quem luta por uma vaga para estacionar. Ali tudo era certo, até a morte, e a ilusão de controle não existia, pois não havia o que controlar. Senti que aquele era meu lugar e que, mais difícil que chegar era ir embora.
No caminho de volta encontrei um casal de senhores na trilha. Cumprimentei-os e perguntei para onde iam. Eles iam para a Pedra Grande e fiquei um tanto surpreso. Então contaram que moravam em Santo André e fazia bastante tempo que iam andar naqueles lugares. Cada vez iam mais longe, até que um dia tiveram a curiosidade de saber se havia um jeito de chegar a Pedra Grande. Descobriram o caminho na base da tentativa e erro, andando ali várias vezes. Depois disso não pararam mais de andar. Já haviam feito o caminho de fé, o de Santiago de Compostela, e vários outros. Passaram algum tempo falando sobre todos e me encorajando a fazê-los. Quando o senhor dizia um dos caminhos a senhora interrompia e dizia outro, que segundo ela era melhor, e iam assim, se intercalando. Após uma boa meia hora de conversa me despedi, desejei boa sorte, e continuei o caminho. Eles haviam também me indicado o caminho mais rápido para voltar a Paranapiacapa. Eu estava a cerca de uma hora da encruzilhada do começo de tudo, logo após a bifurcação do camping do Simplão.
Passei em frente ao Pesqueiro Truta das Pedrinhas e, mais um pouco a frente cruzei uma ponte sobre um pequeno rio com águas que desciam da montanha. No caminho de volta eu havia pensado que seria bom se encontrasse alguma “cachú”, pois estava realmente quente, porém aquele rio me encheu os olhos. Havia, após a água passar por baixo da ponto, uma pequena represa de pedras que criava uma piscina natural. Passei cerca de meia hora me refrescando.
Voltei a caminhar com as energias renovadas e, para minha surpresa, logo cheguei na escruzilhada que havia passado no dia anterior. Peguei a caminho certo, a frente, e logo cheguei novamente em Taquarussu. Ali havia vários japoneses. Alguns almoçavam, outros apenas descançavam. Parei um pouco em frente a igreja para comer a última maçã que carregava e continuei seguindo para Paranapiacaba.
Logo cheguei em frente a entrada da trilha que eu pansava levar a cachoeira, segundo o relato que eu seguia. Passei reto por ela mas, algum metros a frente voltei e segui por ela. Se havia uma cachoeira ali eu havia de descobrir. Logo a frente encontrei dois japoneses que viam em meu encontro. Eles disseram que não viram nenhuma cachoeira, mas havia uma bifurcação que eles não sabiam para onde levava. Eu perguntei de onde eles vieram, e me responderam que da entrada de Paranapiacaba, próximo a uma guarita. Eu concluí que haviam saído da entrada do Parque das nascentes e, portanto não estaria me desviando da rota que me levava de volta pra casa. Ledo engado. Caminhei por cerca de 3 horas, encontrando caminhos realmente difíceis de passar com o peso que levava nas costas. Havia uma parte que a água transformava tudo em lama e era impossível passar sem se atolar até os joelhos. Encontrei dois rapazes que faziam aquele trecho de bicicleta. Sim, de bicicleta. Após eu alertar sobre o barreiro que eles encontrariam pela frente se sentiram encorajados em continuar. Encontrei ainda um grupo que fazia trilha de moto, bem mais adequado que as bicicletas para a região. Cheguei enfim a bifurcação e conmecei uma descida bem acentuada mas, após descer cerca de meia hora e encontrar outras várias bifurcações decidi voltar, pois o cansaço e o tempo que se fechavam me deixavam prudente.
Já de volta a cidade encontrei um senhor com um motor-home. Passei alguns minutos conversando com ele sobre os lugares que havia conhecido, sobre seu estilo de vida e fiquei um tanto impressionado. Na cidade ainda havia bastante movimentação de turistas e me apressei para pegar o onibus. No caminho de volta ainda terminei de ler o livro e, após descer do trem na mesma estação em que tudo começou, caminhei de volta para casa novamente, ao invés de pegar um onibus.
Geralmente eu termino meus relatos antes da volta pra casa, mas aqui acoteceu um fato importante. Jpa de banho tomado e bem alimentado, liguei a televisão e para minha surpresa estava passando o filme “Na natureza selvagem”. Eu já o havia visto, mas fazia tempo. Dessa vez vi com olhos completamente diferentes. Eu me indentificava com o que estava acontecendo. Aquele caminho me parecia obvio. Desde então li o livro, assisti o filme diversas vezes e ouço compulsivamente a trilha sonora.
Quando adolescente eu sempre fiz muitas perguntas. Certa feita parei de fazê-las. Então minha vida tomou um rumo que me fazia sentir mal e eu não entendia porque. Há alguns meses voltei a fazê-las. Eu não tinha a menor idéia das respostas, assim como quando era adolescente, e pior que isso eu sequer sabia se as respostas existiam. Mas se há uma coisa que posso dizer é para que não pare de fazer as perguntas. Pois, quando menos esperar, as respostas virão, e voce perceberá que elas sempre estiveram lá. Mas essa nem é a pior parte, pois agora terá que viver com as respostas, sem poder ignorá-las como fazia antes.

#505748 por Jorge Soto
21 Set 2010, 08:21
davicaetano escreveu:Eu havia decidido fazer a Petrô-Terê, pois essa travessia se faz em tres dias, que é o tempo que tenho geralmente, pois não tenho aula na sexta-feira e posso voltar no domingo, mas li um relato chamado “Paranapiacaba em dois tempos” e me senti atraído pelo local me é ligado a lembranças próximas. Primeiro porque nasci em São Bernardo do Campo, cidade do ABC paulista vizinha a Santo André, meu.


É extremamente gratificante saber de alguém q meteu as caras movido por meus devaneios trekkeiros convertidos em prosa. Somente por isso já valeu a pena tê-lo redigido. Não basta ter vontade, tem q ter culhão o suficiente pra dar o primeiro paso, e isso é algo q aprecio nas pessoas. Poucas, aliás. Em tempos onde tem gente q depende pura e exclusivamente de GPS pra ir até a padaria, meter as caras por conta com um pedaco de papel seguindo a intuição e bom senso - sem ter td mastigado pelo aparelhinho - já é algo digno de nota. Lembrando q meus relatos nao sao nada mais q isso mesmo.. relatos. Não sao roteiros.

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