DIA 1 - LimaFiquei zanzando pelo aeroporto e umas 5 e pouco da manhã encontrei o Paulo de Fortaleza, que iria na "mesma trip" que eu. Tomamos um café expresso (R$2,90) e fomos despachar as mochilas para seguir para a sala de embarque. Mandei colocar a minha em um saco plástico que a TAM disponibiliza e dei tchauzinho para ela com muita esperança de reencontrá-la.
Na hora de passar pelo raio-x o Paulo estava com uns perfumes e creme dental na bagagem de mão. Quase ele teve que largar tudo lá, mas como eu tinha um saquinho ziplock no jeito, tudo ficou resolvido e ele não perdeu as coisas dele. Fica a dica, mande todos os líquidos na mochila despachada.
Decolamos no horário previsto (mais ou menos 8:30h) e na hora da decolagem eu fiquei tão emocionado (heheheh) que eu filmei toda a decolagem, mas só esqueci de um detalhe: apertar o botão para gravar. Bom, a primeira vez que o piloto anunciou que passaríamos por uma área de instabilidade eu apertei o cinto e não tinha idéia do que estava por vir. Quaaaaaase joguei os bofe para fora com aquelas quedas repentinas do avião! Depois daquilo nenhuma montanha russa será mais a mesma para mim. Tivemos algumas dessas em toda a viagem, mas sempre que a luzinha de apertar o cinto acendia, eu já grudava na poltrona e ficava todo duro. Acho que a mulher do meu lado percebeu que eu estava meio apavorado, pois toda hora ela olhava para mim. Eu via de “rabo-de-zóio” porque nem piscar direito eu piscava, quanto mais me mexer.
Algumas áreas de instabilidade e 5h depois, chegamos em Lima com tempo fechado (descobri depois que é normal não ter sol lá). Me perdi do Paulo no desembarque e encontrei meu amigo Juninho e o José (Rossé), que seria meu taxista nos próximos 2 dias.
Já fomos direto para Miraflores, no parque Maria Reichi, que é onde tem "as linhas de Nasca" no jardim, feito de flores. Muito bacana, grátis e com vista para o pacífico. Do lado tem o Parque del Amor com uma ótima vista também e um lugar onde a galera salta de parapente.
Fomos almoçar na ponta da praia, um lugar chamado La Herradura. Pedi ceviche, mariscada, um monte de comida que não lembro o nome e a famosa Inka Kola (pedi gelo, porque lá eles tomam tudo natural) que gostei bastante. Tinha uma coisa parecida com um pimentão vermelho, e como eu gosto, cortei um pedação e quando eu fui morder, o José falou: PICA! PICA! Não entendi mas falei brincando: que pica o que zé, e mandei bala. Quase tive um ataque. Uma pimenta foooooooorte pra caramba e só depois eu aprendi que pica, ou pika, é quando a pimenta "arde".
Tudo ficou em 69S ou U$23 e eu fiz questão de pagar. O troco de U$50 veio com câmbio de 2,95. Esse seria o melhor câmbio que encontrei no peru e se eu soubesse, tinha pago com uma de U$100. Na saída tinha um bêbado querendo propina (gorgeta) por ter olhado o carro. Eu disse para o Juninho: que nada, vamos embora, esse aí está com a cara cheia de pinga! Na hora o José fez uma cara estranha olhando pra mim. Bom, descobri mais uma: pinga em casteliano/espanhol é pinto (órgão sexual). Foi a segunda mancada em meia hora.
Saímos de lá para El Salto del Fraile, e lá tivemos que dar 1S para o tiozinho que olha carro. Gastamos um tempinho tirando foto, conversando e fomos para o shopping Lancomar (4S a hora do estacionamento). Gostei. Bem bacaninha, de frente para o pacífico, mas não tinha um fiozinho de sol para ver se pôr.
O tempo em Lima é bem estranho e há muita poeira, muita fuligem, então é possível ver em todos os lugares taxistas com um paninho na mão limpando os carros. É normal e em qualquer parada você pode ver isso.
O trânsito é tudo o que você já ouviu falar e mais um pouco. Um caos. Muita, muita, muita buzina. Eles buzinam para tudo e para todos. É impressionante. Lá existe briga e morte no trânsito, igual em qualquer grande cidade do mundo. Eu não ví nenhum acidente, mas ví um atropelamento e pelo tanto de sangue que estava escorrendo, a coisa foi feia.
Esse meu amigo Juninho é pastor missionário no Peru e à noite eu fui na igreja dele. Uma igreja pequena, com gente simples e de vida difícil, mas com muito amor no coração, sorriso no rosto e o objetivo de falar sobre a salvação em Jesus Cristo. Gostei demaaaais, principalmente das músicas, que rolou até Hillsong United (uma banda gospel australiana). Depois do culto fomos encher a pança. Gastei mais uns 60S (muito) e descobri que perdi uma nota de U$50. Fomos dormir mais de meia noite.
DIA 2 - LimaLevantei cedinho e tomei um café meio brasileiro, já que estava na casa do amigo brasileiro. Seria o único bom por vários longos dias.
A primeira parada do dia foi na Plaza de Armas, que achei muito bonita, limpa e bem policiada, principalmente porque era dia de troca de guarda as 10h.
A troca de guardas foi bem fuleira para o meu gosto. Chatinha, com a rua isolada e com portões fechados. As pessoas ficam do lado da praça, na frente fica a rua interditada ocupada por vários policiais. Não gostei e acho que perdi meu tempo, poderia ter feito alguma outra coisa. Um senhor que foi atravessar a rua para ver mais de perto, foi rapidamente cercado pelos policiais e "escoltado" de volta para a praça. Ali bem pertinho tem a Iglesia de la Merced, que também não achei graça nenhuma.
Fomos almoçar (na verdade eu não almocei porque comi muito no dia anterior) e troquei U$200 com um câmbio de 2,93. Troquei na rua mesmo. Conferi o dinheiro e meu amigo checou as notas.
Ali perto também, fui no Museo de la Inquisición, que é gratuito e muito interessante. Eu não sabia onde era, então fui perguntando (faça o mesmo!).
Saindo do Museo fui ver as Catacumbas, na Iglesia de San Francisco, ou melhor, no Museo del Convento de San Francisco (
http://www.museocatacumbas.com). Paguei 5S mas vale a pena. Não podia mas até consegui algumas fotos lá dentro, pena que só uma ou outra ficou boa.
Bom, isso tudo me consumiu o dia todo e a noite estava chegando. Fomos para a casa do Juninho e o José tinha um compromisso mais tarde e não poderia sair comigo. O irmão dele, Carlos Farfan (
charly_1415@hotmail.com), que também é taxista, ficou de me buscar para continuarmos os passeios. Paguei 200S de taxi pelos 2 dias. É um preço caro, mas eu não tinha combinado nada anteriormente e ele ficou à minha disposição o tempo todo. Não compensa fazer isso que eu fiz, compensa pegar corridas conforme a necessidade, mesmo porque no centro tem muita coisa que dá para fazer à pé.
Me despedi do José e à noite o Carlitos foi comigo no Circuito Mágico del Agua que fica no Parque de la Reserva (Jr. Camana, 564). O Juninho também não pode ir, então fomos só nós 2 mesmo. Pagamos 4S para entrar e 10S do estacionamento. O lugar é simplesmente fantástico. Gostei muito. Existem 13 fontes coloridas, com águas dançantes e uma especial, com espetáculo de projeções sobre a água e música que acompanha as apresentações.
O parque funciona de quarta à domingo (e feriados) das 16h às 22h fechando às 23h. É limpíssimo, com banheiros e muita segurança. As apresentações acontecem na Fuente de la Fantasía (fonte 2 no mapinha que recebe quando entra) às 19:15, 20:15, 21:30 e 22:30 e vale a pena.
Depois desse dia cheio, o Carlitos me deixou na Av. México, 333 para eu pegar um busão para Ica. Optei pela empresa Soyuz, peguei o das 23:40h (25S e de Ica para Lima custa 20S). Segundo me informaram, tem saídas a cada meia hora para Ica e Nasca. O trajeto demora em média 4 horas e o ônibus era confortável, semi-cama, e limpo. Não reparei se tinha banheiro. Dormi como uma pedra.
DIA 3 - IcaCheguei em Ica as 4h da manhã e obviamente não tinha o que fazer. Minha intenção era passar por essa cidade só para fazer o passeio para Islas Ballestas (Baiestas). Estava um frio monstruoso, que chegava doer, e eu fiquei na rodoviária assistindo um tipo "top 10" de clips em casteliano/espanhol. Até decorei uma ou outra musiquinha bacana. Tomei um chá de quinua (0,70S) na rua, bem em frente a rodoviária, depois paguei 0,50S para usar o banheiro.
Por volta das 6h resolvi ir até a Plaza de Armas para ver se me encaixava em algum passeio. Antes precisei parar em um cassino e ir no banheiro colocar mais uma calça de moletom por baixo, porque eu estava tremendo de frio. Conversando com o segurança ele me alertou que não era bom ficar zanzando aquela hora por ali.
Não encontrei passeio e estava tudo um deserto essa hora, ninguém na rua. Voltei para a rodoviária e o carinha da recepção me deu um telefone de um amigo dele que poderia ajudar. Acordei o cara as 7 e pouco da manhã e ele queria me cobrar mais de 100S pelo passeio. É claro que não aceitei. Na porta da rodoviária tem umas pessoas que ficam com vários celulares presos à uma corrente e ao corpo deles. Você paga por minuto e usa o telefone ali mesmo, pendurado no cara. Muito engraçado. Paguei 2S para falar com esse cidadão e mais 2,50S para falar com o LeoRJ, que estava dormindo e eu deixei recado com a Camila avisando que em breve estaria em Cusco.
Depois que amanheceu de verdade, fui em uma agência e realmente os passeios só sairiam no outro dia. A mocinha me passou o preço de 70S, mas com a choradeira ela fez por 60. Mesmo assim eu não fechei com eles. Fui em outras agências mas estavam todas fechadas. Fui procurar um hostel barato, pois na verdade nem queria ficar ali, queria passar a régua e ir para Nasca. Achei um por 20 soles com banho compartido no Colon Plaza (Av. Grau 120) e quando estava indo para procurar outro hostel, me deu um estalo.
Peguei o primeiro moto-taxi que ví e fui (por 3S) até a Laguna Huacachina para matar o tempo, só até eu decidir o que fazer.
Chegando na Laguna eu fiquei impressionado com a beleza do lugar. Estava vazio e um sol lindo, então resolvi apoitar meu barco por aqui e fazer o passeio no outro dia. Pesquisei preços em quase todos os hostels do lugar e o que mais me agradou era um novinho em folha (1 mês) que ainda nem tinha nome. Fica depois do Restaurante La Sirena, coladinho. Gostei do atendimento, da limpeza, do banheiro e porque estava com o quarto compartido vazio. Paguei 15S e fiquei com o quarto só para mim, enquanto outros pagaram 30 pelo quarto privado. A mocinha que me atendeu se chama Aliza e o msn dela é
alizaboardingbabe@hotmail.com caso alguém queira ficar nesse hostel. Tinha um por 10S mas bem nojentinho.
Depois de fechar e deixar as coisas no lugar, fui comer 2 sandwiches de pollo (poio) por 1S cada e também fui tirar umas fotos do local.
Entrei na internet para fazer umas pesquisas e (2S por 20min) e resolvi fechar o passeio para a Islas com a Av Dolphin Travel (
http://www.av-dolphintravelperu.com). Liguei lá mas eu e o cara que me atendeu não nos entendíamos sobre onde ele tinha que me buscar. Adicionei eles no msn e tudo ficou mais fácil. Só que os 60S não valia mais, como eu estava na Laguna, o preço era 70 mesmo. Não teve choro, fechei por 70 e combinei de me buscarem no outro dia às 6:45h da manhã. Eles ficaram meio desconfiados porque eu não tinha o nome do hostel, então eu combinei na base da polícia. Até pensei que eles me deixariam na mão. Paguei 5S pelo telefone e internet e fui almoçar umas 4 e pouco da tarde.
Os preços eram mais ou menos o mesmo e comi um lomo saltado (10S) e comprei uma água (2S).
Voltei para o hostel para arrumar as coisas e de tardezinha subi as dunas para ver o pôr do sol. Nem preciso dizer que foi fantástico né? Ao mesmo tempo que o sol estava baixando, do outro lado a lua já estava alta. Então olhando para frente eu tinha o sol se pondo e atrás a lua já alta. Não consegui tirar a foto dos 2 juntos, mas foi F A N T Á S T I C O. Lá em cima venta muito, então é bom levar uma touca e uma blusa, porque assim que o sol se põe a friaca já começa. Eu passei frio na hora de descer e a descida demora uns 15 min com passos apressados.
Cheguei no hostel já estava escuro, tomei um banho quentinho e saí para comer alguma coisa. Achei um menu por 5S mas não lembro o nome do lugar. Tem placas com os preços em quase todos, é só ir andando que você encontra. Quando veio a sopa eu cancelei o resto. Uma sopa com muito macarrão e muito legumes (3S), e aquilo me foi suficiente. Comprei outra água (2S).
Zanzei um pouquinho e voltei pro hostel para dormir. Não deu 10 min que eu deitei e as meninas que trabalham lá entraram no quarto. Ficamos conversando e pegamos um jogo, tipo uns pauzinhos que tem que ir tirando com uma só mão sem derrubar tudo, não sei o nome disso. Ficamos jogando até mais de meia noite e foi muito bacana porque elas não podem entrar nos quartos com hóspedes, aí teve uma hora que a dona do hostel estava procurando uma delas e elas se esconderam debaixo da cama. Foi engraçado. Mas a mulher nem entrou no quarto, só ficou andando para lá e para cá resmungando algo indecifrável e foi dormir. As meninas foram embora e eu fui dormir mais de meia noite. Quebrado!
DIA 4 - Ica e NascaLevantei 6h e todos no hostel estavam dormindo. Deixaram uma porta ao lado destrancada para eu sair. Encontrei o pessoal da agência às 6:45h em ponto e eles já estavam rodando por lá me procurando. De Ica até Paracas demora mais ou menos meia hora de carro e são 70km. Eu paguei 70S pelo passeio, mas conversando lá em Paracas descobri que Islas Ballestas custa de 30 a 35S diretamente com as agências e que se pode comprar na hora. O passeio para a Reserva de Paracas custa entre 20 e 25S e também pode comprar na hora, se formar grupo. Então não compensa ir para Ica para fazer esse passeio. Compensa você descer em Pisco, ir até o Mercado Central ou Plaza de Armas e pegar um ônibus circular até Paracas por 2,50S. Tem vários em intervalos de tempo curto.
Paguei 2S em uma água para levar no passeio. No cais tem que pagar uma taxa de 1S para embarque. Os barcos são novos e com 2 motorzões de 200HP.
Eu fiz alguma coisa errada na minha máquina e todas as fotos que eu tirei nesse passeio ficaram ruins, estourando branco. Primeiro passamos pelo famoso Candelabro, que não se apaga devido a inexistência de chuva nessa região (Lima, Ica e Nasca não chove! É isso, simplesmente não chove.) e devido à composição do solo. No barco faz muito frio, então, touca e blusa para não congelar. O nosso barco foi o que ficou mais tempo nos pontos de parada e o guia explicou muita muita coisa, que obviamente não lembro quase nada. É muita informação.
Muitos leões marinhos e muitas, muitas aves. O local tem um cheiro forte de fezes de aves, que às centenas, cruzam de um lado para outro o tempo todo. Só vi um pinguim, isso porque tinha muitos leões marinhos (que comem os pinguins). Na volta vimos vários golfinhos mas não consegui tirar foto de perto.
Chegamos no cais e eu me afastei um pouco do centrinho. Estavam construindo um campinho de futebol lá no final. Atravessei o campinho e tomei um café meio estranho por 2S, um lanche de azeitona por 1S e comprei uma água no mercadinho por 1S.
No passeio conheci uma coreana e ficamos conversando. Eu disse que ia para Nasca e ela também ia, então resolvemos ir juntos. Ficamos na rodoviária na volta.
Optamos pela Soyus (
http://www.soyuz.com.pe) e pagamos 10S com ônibus semi-cama. São 2 horas de viagem e saímos às 12:30h mas tem ônibus de hora em hora. Estava passando uns filmes engraçados mas como eu estava conversando, acabei nem assistindo. No caminho uma moradora local me alertou para uma formação na rocha que parece uma cara de um Inca. Achei legal ela ter me mostrado.
Chegamos em Nasca e logo fomos abordados por vários "agenciadores" falando inglês. Toda vez eu pedia para falar em casteliano porque sou brasileiro, e não gringo. Um deles era lutador de JiuJitsu e ficou me peguntando dos Grace e blá blá blá. Mas, passeio que é bom, tudo caro. Fomos procurar um hostel para a Hyunjung (Rãndjang) e bem em frente o terminal da Soyus tem um bem caro. Achamos um bacana que ainda nem estava pronto. Falamos com os proprietários e eles abriram para nós, mas eu não fiquei em Nasca. O dono e sua esposa eram uma simpatia só. O cara é cirurgião dentista e resolveu sair de Lima e abrir um negócio em Nasca. Em uma semana eles se mudaram e abriram o hostel (ainda não tinham aberto na verdade). O quarto foi usado pela primeira vez e custou 40 soles porque era de casal e com baño privado. Tinha opções mais em conta: compartidos. Não sei o nome do local porque ele ainda não me mandou email e não consigo falar com a Hyunjung. Mas assim que eu souber, edito aqui essa informação.
Perguntei sobre alguma agência idônea e o tio da esposa dela tem uma. O dono do hostel nos levou caminhando até lá mas às 15h não havia mais passeios para lugar nenhum. Perguntei sobre algum taxi de confiança e eles chamaram um que presta serviços esporádicos para eles. O Anibal (
aniball.r.h@hotmail.com / 051 9 5645 2686) foi a melhor coisa que nos aconteceu em Nasca. Combinamos 50S (25 para cada um) para fazer o Cementerio Chauchilla e Aquedutos (se desse tempo) e fomos embora. As explicações do cara foram incríveis e eu perguntei como ele sabia tanto. Ele disse que estudou e ainda estuda porque ele quer montar um negócio próprio, uma agência.
Não vou colocar histórias aqui, mas a das múmias é interessante. Quando as pessoas morriam, eram colocadas de forma fetal voltado para o céu porque eles acreditavam que as pessoas nasceriam novamente. Eles colocavam também todos os pertences do morto junto, inclusive os filhos, para que quando eles voltassem à vida, tivessem tudo de volta. Algumas tumbas tinham múmias pequenas, que eram os filhos enterrados juntos. No museuzinho que tem lá é bem ruim para tirar fotos por causa da claridade que entra pela janela. A entrada no Cementerio Chauchilla custa 5S.
Achei um lugar bem montadinho para turista, com caminho demarcado, tenda nas tumbas, etc, mas ainda assim, interessantes. A cor de fundo das montanhas é muito bonita. O Hanibal nos explicou a primeira tumba e nos deixou livres para percorrer as outras 12, se não me engano.
Quando estávamos indo para o aqueduto, fui conversando com o Hanibal e falei sobre o mirador da Panamericana, porque eu não ficaria em Nasca para fazer o vôo (não gosto de aviões. não gosto mesmo!). Fizemos um trato que por 40S a mais (era longe) ele nos levaria no mirador. Então ficou Cementerio + Mirador + Aquedutos por 90S (45 cada). Mandamos bala para lá e infelizmente, como era longe, não conseguimos ver o por do sol do mirador, vimos de dentro do carro. Coisa de 15 minutinhos a gente conseguia. Bom, estava um frio do caramba em cima do mirador e nós sem blusa, porque de dia estava muito quente e não pretendíamos nos demorar tanto. Tirei algumas fotos meio tosca por causa da pouca luz, mas deu para ver nitidamente as linhas. Quando descemos do mirador já era noite e veio um carinha querer cobrar ingresso, acho que 1S. Eu pedi o comprovante, e como já estava fechado, ele não tinha comprovante e disse que não precisaria pagar.
Bom, já era noite e eu pensei que o aqueduto tinha ido por água'baixo. Foi aí que o passeio ficou mais interessante. O Hanibal disse que poderíamos ir lá a noite mesmo, já que era lua cheia e não precisaríamos pagar os 10S de portaria porque estaria fechado. Nem acreditei. Perguntei para a Hyunjung e ela topou. Os aquedutos são para captar as águas das montanhas, já que não chove em Nasca, e são construídos em forma de ziguezague para ir diminuindo a força das águas. Esse sistema abastece até hoje a cidade e 1 vez por ano eles tem uma festa da água (24/06) onde eles limpam os dutos.
Vi uns cactos com um fungo branco e o Hanibal explicou que aquilo era uma plantação de cacto. Antigamente o cacto era vendido para vários fins por um preço muito baixo, e depois da descoberta desse fungo, que é utilizado como matéria prima para colorir, o Kg do cacto foi para U$20, então lá existe muitas dessas plantações.
Voltamos para o hostel para eu pegar minha mochila, comprei uma água por 1S, me despedi dos donos do hostel e da coreana e o taxista me levou para a rodoviária e foi andando comigo até eu encontrar uma passagem para Cusco. Consegui para as 21:30h pela Palomino (Jr. Lima, 115 / Tel. de Ica 056 52 1411), semi-cama com baño, e ficou por 80S depois da rebaja. As outras empresas não tinham mais para o mesmo dia e custavam mais de 100S. Só tem um horário noturno por dia, das 20:30 às 21:30, depende da empresa.
Deixei a mochila na agência e fui dar um role por Nasca. Estava tendo uma festa na Plaza de Armas. Tomei um chá de coca (1S), comprei 2 club social (1,20S) e paguei 0,50S para usar o banheiro da rodoviária.
Conversando com uns locais, descobri que a famosa TUR BUS está com vários problemas porque eles não se responsabilizam por bagagens, então eles colocam uns avisos no ônibus tipo: RURAL SI, NO AL TURISMO. Outros SI AL TURISMO, NO AL RURAL ou coisa parecida. Os de turismo são direto, e os outros param em qualquer biboca, então cuidado com sua bagagem então.
O busão que eu fui estava vazio, então levei a mochila comigo e ocupei 2 lugares. Tentei dormir, mas o caminho é difícil, cheio de curvas, frio, e cada vez subindo mais. Tome o chazinho de coca antes de subir, vale a pena e dá resultado: não fiquei enjoado.
DIA 5 - CuscoQuando amanheceu eu me mudei lá para o assento panorâmico e não dormi direito porque a estrada é mesmo muito ruim. Aliás, é muito sinuosa com muito sobe e desce, mas a qualidade do asfalto é boa. O caminho é tão complicado que para percorrer 600 e poucos km, demora de 13 a 14 horas, quando o normal seriam umas 7h mais ou menos. Às 8:15h em ponto uma mulher (rodomoça?) ligou o rádio bem alto. A música? Pense em Mim, Chore por Mim. Em espanhol! Ninguém mereeeece. Eu já estava acordado, mas tinha muita gente dormindo ainda e acordou com esse maravilhoso som. O CD, incluindo outros sucessos do mesmo gênero (em espanhol, claro), tocou várias vezes, até que alguém desligou. Umas 9 e pouco serviram uns biscoitos com bolacha e mate. Pedi uma graceosa (refri) depois do chá.
Cheguei umas 10 e pouco em Cusco e na rodoviária dei uma ligada para o Leo (0,20S). Paguei 3 soles no taxi da rodoviária até Wanchaq porque os taxistas pagam 1S para entrar na rodoviária. Conheci o Leo pessoalmente (figuraça), a Isabela que estava lá e a Camila. Ficamos um tempo papeando e fui dar um role de moto com o Leo. Fomos em Puca Pucara, Vale de la Luna e demos um rolezinho pelo centro. Tudo de grátis. No Vale de la Luna, além de um gramado bacana onde os peruanos vão fazer piquinique (e muita sujeira), tem um local que parece um templo, com as rochas polidas. Muito interessante.
Fomos em um restaurante chines mas não me lembro o que eu pedi. Gastei 20S com esse prato, uma cusqueña sem gelo e uma inka kola. Troquei 100U$ com câmbio de 2,91 e fechei um passeio para o Vale Sagrado com a Luna Tours (
http://www.lunatourscusco.com) por 25S às 9h do dia seguinte. O boleto turístico se podia comprar na hora, no primeiro local de visitação. Na agência eu comentei que eu tinha interesse em fazer a trilha para Salkantay e o menor preço que consegui nessa agência foi 170U$ fora o aluguel do saco de dormir, que era mais uns U$10. Não fechei nada mas disse que eu iria procurar em outras agências.
Fiquei zanzando pela Plaza de Armas, conhecendo o local, até anoitecer. Estava tendo festa na cidade, com palco montado, uns desfiles tipo carnaval, uma coisa bem típica deles. Vi muita gente, roupas e danças diferentes.
Não saímos essa noite porque a Camila estava malzona e eu pregado de cansaço. Fui dormir cedo para aguentar o outro dia.
DIA 6 - Cusco (Vale Sagrado)Acordei cedinho (5 e pouco) pra variar, arrumei minhas coisas e saí umas 7 e pouco. Deixei todos dormindo na casa do Leo. Paguei 2,50S no taxi até a Plaza de Armas e fiquei andando por lá até perto das 9h, que era o horário combinado. Comi um bolo de banana (1S) e comprei uma água (1S) para levar no passeio. Fui em várias agências ver preço para a Salkantay e o menor preço que encontrei foi 165U$ com saco de dormir, mas era um lugar meio esquisito e eu nem confiei muito. O cara muito blá blá blá, oferecendo até trilha inca para o próximo dia. Caí fora. Reparei que a parte central é extremamente limpa e sempre tem polícia.
Mais ou menos na hora eu encontrei a pessoa e fomos para o microonibus do tour. Fui ao lado de uma limenha que não foi com a minha cara ou o gato comeu a língua dela (acho que a segunda opção porque os amigos ficavam zoando com ela).
O guia muito bacana (Walter) explicava muita coisa no caminho, para que quando a gente chegasse nos lugares não perdêssemos tempo com as explicações.
A primeira parada foi no mercado de Purikuq. Um local feito para turistas comprarem vários produtos feitos de lã de alpaca e tomar um chazinho de coca gratuito. Tirei foto com as Lhamas e não comprei nada porque os preços eram altos. Logo depois paramos no mirador Taray. Novamente um monte de gente vendendo coisas.
No mercado de Pisaq, que tinha parada prevista de meia hora apenas, comprei uma luva dupla por 7S e um chapéu por 8S. Não lembro quanto era o preço inicial. O local é tipo uma feirona que se vende de tudo. Eu até queria comer um cuy mas não tive coragem porque é bem porquinho o lugar (mais que o normal) e o guia avisou que dependendo o que a gente comesse, poderia fazer mal. Resolvi não arriscar. Até todos voltarem, fui tomar um "café" (2S) mas não gostei, muito aguado. Tinha um casal de xaropes que sempre atrasava.
Saímos dali e paramos nas ruínas de Pisac por 1 hora mais ou menos. Aqui eu tive que comprar o boleto turístico, mas comprei só a parte do Vale Sagrado, que contém Pisac, Ollantaytambo, Chinchero e Moray, mas esse último as agências nunca vão. Paguei 70S e ele vale por 2 dias apenas.
Ruínas e mais ruínas, histórias e mais histórias e me fascina a inteligência dos povos antigos. A engenharia da época é uma coisa de louco, impensável até nos dias de hoje. O modo de vida, a separação da classe mais poderosa, dos agricultores, o sistema de irrigação, o cemitério ...
Fomos almoçar quase 15h em Urubamba. No restaurante Casa Grande o buffet completo custa 20S e é uma ótima opção, apesar do preço. Mas eu não estava a fim de comer, então comprei 3 club social no mercadinho ao lado do restaurante (3S) e fui tomar uma inka kola gelada (1S) no barzinho em frente. No outro bar, também em frente ao restaurante, a mesma inka kola, sem gelo, estava 2,50 e tinha menu por 11 soles (de frango, peixe, lombo, etc). Comprei uma bolsinha porta moedas por 1S, depois voltei e comprei mais 4 por 3S.
Nosso próximo destino foi Ollantaytambo. O mais interessante, mas não andamos muito porque já estava perto de escurecer. Acho que é o local mais bacana desse tour com uma escadaria gigante que nos espera logo de cara.
Existe um morro que tem a face de um inka esculpida, e no solstício de verão o sol se alinha com a face. O guia mostrou num livro uma foto com o ponto exato e o sol alinhado. No solstício de inverno é uma constelação de estrelas que se alinha. Impressionante. O livro contém a maior parte das explicações do guia e os locais que visitamos. Eu não lembro tudo de cabeça.
Depois de muita muita história fomos para Chinchero. Na descida comprei um saquinho de folha de coca por 1S. Teve gente que se atrasou novamente, mas dessa vez alguém caiu do cavalo, porque o guia largou para trás. Só ficou a mochila do cidadão. Uns 20 min depois ouvi o guia atender o telefone e dizer que ia largar a mochila dele na agência. O detalhe é que o cara estava indo pegar o trêm para Machupicchu, então presumo que ele foi de mão abanando para lá. Eu achei bem feito porque um monte de gente dispensou as explicações do guia e foi andar sozinho, mas todos sabiam do horário de voltar. Quase que o casal idiota lá ficou também, porque novamente foram os últimos.
Em Chinchero fomos nessa igrejinha xarope e vimos a feirinha local. Na saída da igrejinha ainda tinha que dar propina para os tiozinhos. Nem dei nada e não gostei porque chegamos lá a noite, foi tudo rapidinho, é longe pra caramba. Acho que Chinchero poderia ser trocado por Moray, se Moray fosse mais perto também.
Cheguei em Cusco umas 20h e tinha uma menina da Luna Tours querendo saber se eu ia para a trilha no outro dia cedinho. Disse que iria se no preço de 170U$ estivesse incluído o saco de dormir e que eu queria uma barraca individual. Trato feito. Ela queria um adiantamento mas eu não dei, disse que estaria pronto às 5:30h e se eles fossem me buscar eu pagaria tudo na hora. Dei o endereço do Leo e o telefone dele.
Passei em um mercadinho e comprei umas bolachas recheadas (8S). Comprei um DVD (2,50S) para descarregar a máquina e levá-la zerada para a trilha. Paguei 2,50S de taxi de volta até a casa do Leo.
Ficamos papeando enquanto ele estava arrumando as coisas para ir para a Bolívia de moto. Ele fez uma macarronada com molho branco deliciosa e comi com uns coraçõezinhos que tinha já pronto.
Como eu esqueci várias coisas, o Leo me emprestou uma mochila de ataque para eu não levar a cargueira, Clor-in para purificação de água e 2 bastões de caminhada que me foram extremamente, demasiadamente, muitissimamente útil. Salkantay sem walking stick é acabar com os joelhos na certa.
Fui dormir mais de 1h da manhã. Nem preciso dizer meu estado né?
DIA 7 - SalkantayAcordei às 4 e pouco e meu dia começou com caganeira. Sim, diarreia. Acho que o Leo colocou laxante no macarrão, não é possível! hahaha O pior é que ele estava indo de moto para a Bolívia e acordou ruim também, coitado. Conferi minhas coisas e resolvi não levar chinelo para a trilha. A agência me pegou de van exatamente às 5:25h e me levou para o centro, onde eu pegaria um micro ônibus. Saímos às 6h da matina rumo à Mollepata (Moiepata) na estrada sentido Nasca. O caminho durou 2:30h e passamos por um pueblo e uns caminhos bem ruins, de terra, com ziguezague e sobe e desce.
Em Mollepata tomei um café que me disseram não estar incluído no pacote, mas eu não paguei não sei porque. Ninguém estava pagando e ninguém me cobrou nada. Não sei agora se eles vacilaram ou se não tinha que pagar realmente. Fui no banheiro e descarreguei um pouco da coisa ruim que eu tinha dentro de mim. Eu fiquei meio com medo de entrar na trilha com essa diarreia e resolvi tomar um imosec. Esse remédio não é recomendado se você estiver com alguma infecção alimentar, diarreia com sangue e vários outros alertas, então cuidado se tomar isso, porque ele prende o intestino. Mesmo eu sabendo do risco, resolvi tomar. Comprei uma água (2,50S) e um chapéu para encarar a trilha (10S) porque eu até levei um chapéu daqui para o Peru e comprei um lá em Cusco, mas esqueci os 2, então tive que comprar esse terceiro aí.
Minha mochila estava pesando 7kg mais a água, câmera e bastões de caminhada. Calculo que uns 8kg com tudo. Tinha gente com mochila de quase 20kg e adivinha, mandaram tudo nos burros. Não sei quanto pagaram, mas eles levam até 5kg de cada um. Todos tinham 2 mochilas, só eu tinha uma, e por isso o guia disse que se eu quisesse eu poderia mandar a minha. Resolvi testar minha resistência e carregá-la no primeiro dia, e se eu visse que estava pesada, eu despachava ela no segundo dia.
Começamos a caminhada com muito protetor solar e protetor labial. Andamos mais ou menos 8km e às 13h, depois de avistar o Humantay, paramos para almoçar: picadinho de carne com cebola, pimentão e ervilha com chá de menta depois para ajudar na digestão. Paguei 0,50S para usar o banheiro nessa primeira parada e eu ainda estava bem ruim.
Chegamos no acampamento ao anoitecer, umas 18h e a caminhada é dura, com muita subida e a altitude castigando. Vale abrir um parênteses aqui para a questão da altitude. Acho que como eu fui subindo gradualmente desde Lima, eu não me senti mal e não tive reação nenhuma, só mesmo a dificuldade de respiração na caminhada. Mas eu vi muita gente passando muito mal, então não se embeste de entrar na trilha sem estar aclimatado ok? Tinha um japonês brasileiro com outra agência que eu achei que ele não chegaria vivo no final da trilha. Ele conseguiu mas passou um perrengue violento principalmente no primeiro e segundo dia. Então cuidado!
Fui andando em um ritmo um pouco mais lento e como nosso grupo era de 16 pessoas (bem grande), tínhamos 2 guias onde 1 sempre ficava na frente e outro sempre ficava atrás. Fui acompanhando uns brasileiros e o guia de trás. Me acompanhou também um chileno muito bacana, o Gonçalo, que eu encontraria em Santiago mais tarde. Os brasileiros eram o casal Alex e Regina e o Cláudio (buda) que junto com o chileno foi que salvou viu? Porque o resto, uns belgas, franceses e nem sei mais o que, eram beeeeem xaropinhos. Ou reservados, não sei. Acho que é o jeito deles. Bom, cada um na sua.
Os guias eram bem bacanas e já fiz amizade rápido com eles. A mochila do guia José (Rossé) estava com uns 10kg e eu perguntei porque ele não mandou ela nos carregadores. Para minha surpresa ele me disse que não confiava nos carregadores, que alguma coisa poderia sumir ou a mochila se perder pelo caminho, afinal, elas vão amarradas nos burros e podem se soltar e cair em alguma ribanceira. Eu fiquei de cara! Nunca esperava uma resposta dessas. Comecei a reparar e encontramos os carregadores diversas vezes pelo caminho amarrando a carga. Desisti de enviar a minha no segundo dia e resolvi carregá-la sempre comigo. Fica aí o alerta.
No acampamento tomamos um chá com umas bolachas e pipoca. Eles servem água quente e na mesa tem vários tipos de chá, café solúvel, etc, então você faz o que lhe agradar. O jantar, logo depois, foi sopa de legumes com macarrão, um arrozinho duro e sem tempero e frango com batata. Pouca comida para o tanto de pessoas que tinha. Depois do jantar foi servido um chá pronto não sei do que, mas muito gostoso.
O céu no primeiro dia foi indescritível. Nunca ví na minha vida um céu tããããão lindo, tão limpo, com as estrelas tão brilhantes e com lua cheia. Perfeito! Depois do jantar o guia foi explicar as constelações e como se localizar pelo céu. Mas estava tão frio e eu tão cansado, que aquela escuridão que nada temia nossas lanternas, me convidou à me recolher para minha barraca. Detalhe, eu esqueci minha lanterna lembra? Sorte que um casal de belgas pouco comunicativo estava com 2 lanternas e me emprestou uma. Foi minha sorte.
Todas as barracas do nosso acampamento eram Doite, mas já estavam meio surradinhas e umas precisando trocar. Minha agência me mandou um saco de dormir, então essa primeira noite, que dormimos praticamente no pé do Salkantay com o Humantay, eu dormi com uma camiseta, 2 blusas, 2 calças, 2 pares de meia, luva, gorro, saco de dormir e isolante. Deitei umas 20:30h e tentei dormir.
Hoje nós andamos 16km.
DIA 8 - SalkantayNão dormi quase nada. A noite inteira passei um frio do caramba e ouvi avalanches. O barulho era assustador e parecia que estava atrás de mim, que iria engolir minha barraca. Imagine um trovão bem forte. Beeeem forte. Sei lá, assustador! Segundo os guias a temperatura foi mais ou menos de -1C fora o vento. Isso para quem vive com 30C praticamente o ano todo é muito frio.
Levantei 5:30h com chá de coca na porta da barraca. Coloquei mais uma calça de moletom e desci para o café da manhã. Chocolatea com tortilha, manteiga, geleia, água quente para o café ou chá e omelete mexido com algumas coisas indecifráveis no meio, mas muito gostoso. Ganhamos um kit com maçã, bolacha e umas balas de chicha morada. Às 7h botamos o pé na estrada e eu estava com cachecol, luva, 2 calças de moletom + 1 calça tactel, 2 blusas e gorro, mas comecei a me “descascar” logo, porque o tempo muda muito. Esse é o inconveniente de não se ter equipamentos técnicos e próprios para atividade física. Minha blusa de moletom ficava molhada de suor e isso não é bom, porque quando o tempo mudava e começava ventar, eu tinha que colocar o anorak (que não respira) por cima da blusa úmida!
O caminho até o ponto mais alto e mais perto do Salkantay (4650m) é muito difícil. Com subidas íngremes o tempo todo, mudança de clima a todo momento e muita pedra pelo caminho. A altitude ajuda a ficar mais cansado. Teve gente que não aguentou e subiu de burro, teve gente que passou muito mal e eu achei que não chegaria no final da subida. A vista do Salkantay, bem de pertinho, é simplesmente incrível. O guia explicou um ritual de colocar 3 folhinhas de coca em baixo de pedras, fazer um pedido e não sei o que, mas nem prestei atenção. Fiquei só curtindo o visual e apareceu até um condor para alegria da galera.
Meio dia e pouco, e 11 km depois, chegamos no acampamento para almoço ao ar livre: sopa de milho (tipo fubá) com legumes, arroz sem gosto, salada de alface + cenoura + pepino + tomate + vagem e frango frito (delicioso) com salada de batata. Chá de anis com coca depois. Descansamos até as 14h e começaram as descidas (eu prefiro subida). Uma dica muito válida: NÃO VISITE A COZINHA DE NENHUM ACAMPAMENTO, SENÃO VOCÊ NÃO COME!
As descidas são tão fortes quanto as subidas, mas com um agravante: muita muita muita pedra. Por mais que você erga a perna elas pulam e se agarram em você. Eu chutei todas que eu consegui. Caminhei com dois bastões, usando muito os dois e ainda assim dava para sentir as rodillas (calma, os joelhos) sendo forçadas.
Comecei andar colado no guia da frente, com ritmo bem forte. Deixamos metade do grupo para trás. Alguns pingos de chuva começaram a me assustar, pois eu não tinha capa e uma chuva ali me complicaria muito. Aliás, quase ninguém tinha, se chovesse estávamos ferrado pois o tempo ainda estava alternando entre ventos muito frio e umas partes de calor. Molhado não seria uma boa experiência. Comecei a sentir meu dedão doer e descobri minha primeira bolha. Peguei um bandaid do guia porque deixei em Cusco meu kit de primeiros socorros (que burro!).
Entramos na mata ainda com o tempo fechado e instável. Eu pensei que quando entrássemos na mata a trilha melhoraria, seria de terra. Ledo engano. As descidas continuavam e as pedras não acabavam nunca e não é exagero. A beleza da paisagem variou de desértica, neve e floresta. Indescritível. Chegamos no acampamento umas 17h sempre em ritmo bem forte. Quando tirei a bota descobri outra bolha, no calcanhar e para ajudar na minha felicidade minha barraca não fechava o zíper da capa nem o zíper interno. Reclamei com o guia Simon e ele se ofereceu para trocar de barraca. Eu disse que não, que deveria ter um jeito. Aí o José arrumou um alicate e já arrumou quee ficou uma belezinha. Esses dois guias eram solícitos com qualquer um a qualquer tempo. Gostei muito. Roubei mais uns bandaids deles e fui jantar sem tomar banho, pois além do frio, a água estava simplesmente congelante. E porquinho é a vovozinha!
No jantar teve massa de pastel com doce de leite, pipoca e água para o chá ou café. Depois veio um arroz um pouco melhor, purê de batata e um bife ao molho de tomate muito bom. Chá de anis para completar. Como não tinha muito o que fazer com aquela escuridão e todos muito cansados, eu fui dormir exatamente às 20:40h e aposto que em 30 segundos eu estava roncando. Mais uma vez peguei emprestado a lanterna do casal de Belga.
Hoje caminhamos 18km.
DIA 9 - SalkantayHoje acordei bem antes das 6h, mas essa noite foi boa. Dormi bem e só com 1 calça, 1 par de meias, 1 blusa e o saco de dormir, sem luva e sem gorro. Às 6:30h, com o chá de coca na porta da barraca, arrumei minhas coisas e fui para o desayuno: aveia, pão com manteiga ou geléia, panqueca com doce de leite e água quente para chá ou café (a marca do café solúvel era Monterrey e foi o que quebrou o meu galho).
Às 7:30h em ponto estávamos na trilha e novamente entrando na mata. Eu tinha sinceramente esperança de que a trilha melhorasse, mas continuava bem ruim o caminho, com muita pedra. Acho que mais pedras que nos 2 dias anteriores. Esse terceiro dia foi marcado por muito sobe e desce, mas de longe um caminho muito mais tranquilo que nos outros primeiros dias. Vimos vários pássaros e vários tipos de plantas, incluindo algumas que temos por aqui, tipo bromélia, orquídea e outras que não lembro o nome. O guia parou várias vezes para explicar um pássaro, uma planta ou uma formação natural. Continuei firme e forte na frente do grupo, andando rápido no ritmo do primeiro guia.
No caminho teve uma hora que me afastei um pouco do pessoal e passei por um casal de mexicanos que estava com dor nos joelhos. Tinha uma americana obesa que também estava andando devagar, visivelmente cansada e vermelha por causa do sol que castigava. Eles estavam bem longe do grupo deles. Quando passei por um guia de outra agência, perguntei se ele era o guia dos mexicanos e da americana e o guia respondeu que não. De qualquer maneira eu disse que tinha 3 pessoas para trás que provavelmente precisariam de ajuda e ele pouco importância deu, continuou andando e não disse nada. Segui caminhando rápido encontrei nosso guia. Mais à frente, vimos um carregador com um cavalo que tinha uma pedra enfiada no casco. Eles vendam o cavalo ou burro e na porrada mesmo tiram a pedra. Dava dó do coitado.
No primeiro dia não tinha lugar para pegar água no caminho, mas do segundo dia em diante passamos por vários riozinhos e cachoeiras, então podíamos abastecer garrafinhas e sempre usei pastilha de purificação, mas vi gente bebendo a água no local mesmo. Resolvi não arriscar depois daquela diarreia. Em uma das paradas paguei 1S por 5 granarillhas (granariias), que é uma espécie de um maracujá, só que bem doce. Uma delííííícia. Fiquei com vontade disso o resto da trilha toda e não encontrei mais para vender.
Paramos em vários pontos de descanso e 14km depois, diretão, chegamos no povoado de Sahuayaco. Passamos por uma bandinha que se preparava para tocar e ainda pensei: que povoado animado. Encontramos aquela americana desesperada e quase chorando. Ela disse que já fazia mais de 1 hora que ela estava andando perdida, que o guia dela sumiu e ela não sabia mais o que fazer. O nosso guia disse para ela nos acompanhar porque já estávamos chegando no acampamento para o almoço. Começamos a caminhar e na mesma hora o guia dela apareceu, aí a mulher começou a chorar. Adivinha quem era? O mesmo idiota que tinha me dito que não era o guia! Contei para ela o que tinha acontecido anteriormente e o cara estava com uma cara de merda. Fiquei com vontade de dar um soco na cara dele. Era um cara de índio com cabelo comprido, camisa xadrez para dentro da calça, cinto para cima do umbigo ... parecia um zé ruela. Um soco só desmontava ele. Respirei fundo e continuei andando, já estávamos praticamente no local onde almoçaríamos.
Chegamos antes das 13:30h e fomos recebidos pelos borrachudos. Tive que pegar o repelente bem rápido, porque tinha bastante e eles estavam famintos. Aliás, foi um festival de desmontar mochila para pegar os repelentes hehehe. A banda começou a tocar e descobri que na verdade se tratava de um velório. Um garoto de 15 anos se suicidou e aquela bandinha "animada" que eu pensei era a banda da escola dele, que seguiu tocando em uma procissão pela rua até o cemitério. Triste.
Tomamos uma sopa de não sei o que com legumes e ovo. Aliás, todas as sopas vão clara de ovo, então, se você é alérgico, lembre-se disso e peça para a agência uma cardápio diferenciado. Tinha um casal de vegetarianos no nosso grupo que sempre tinham uma comida diferente (não necessariamente melhor, mas diferente). Rolou uma macarronada com vagem, cenoura e molho vermelho e um suco sei lá do que, e ninguém conseguiu descobrir do que era. A primeira facada da viagem foi pagar 3 soles em uma inka kola sem gelo. A coca-cola comprou a fábrica da inka kola há 5 anos mais ou menos, e devido ao boicote de muita gente, as garrafas de vidro não fazem nenhuma menção à gigante dos refrigerantes, mas as descartáveis contém Coca-Cola Company no rótulo.
Nesse ponto da viagem rola uma surpresa desagradável para uns e agradável para outros. Os carregadores e montadores das barracas se despedem e desse lugar seguimos até o próximo acampamento, em Santa Teresa, de VAN. Isso mesmo, não vamos mais caminhar hoje. Teve gente que achou um alívio, teve gente que ficou indignada porque pagou para fazer o caminho à pé. Bom, rola uma vaquinha para dar gorjeta para o pessoal e eu dei 5S. Daqui até o acampamento leva meia hora, mas a van que estava na frente furou o pneu e bloqueou a passagem de todos. Pneu trocado, chegamos às 15:30h no local indicado. Fui recebido por muuuitos outros borrachudos e por um macaquinho bem safado e arteiro heheh. Nós mesmos armamos a barraca hoje e tinha umas parecendo uma banana, de tão torta. O lugar à primeira vista me pareceu bem fuleira e não gostei.
Depois de tudo arrumado, o guia ofereceu um passeio às Águas Termais (Baños Termales Cocalmayo) e aí eu entendi porque fomos de van esse trecho. Se tivéssemos ido à pé do local do almoço até Santa Teresa, não daria tempo de ir nas termas. Vários toparam, mas 3 franceses e 1 casal de belga não quiseram ir. Comprei um sabonete por 2,50S (segunda facada) e pagamos 10S do transporte, na mesma van que nos levou até lá, e mais 10S para entrar no local. O caminho, como o da nossa trilha, é tortuoso e cheio de pedras.
O lugar é fantástico e depois de 3 dias andando, foi a melhor coisa que fizemos. Paguei 1S para deixar as coisas no locker e em 5 minutos que fiquei na fila, milhões de borrachudos me atacaram, então levem o repelente, pois o guia não avisa nada. Lá tem água morna, água bem quente e água gelada, da montanha. Fui direto na parte onde é permitido produtos químicos e fiquei lá atéééééé enrugar a pele e gastar pela metade o sabonete. Banho tomado, baterias recarregadas, fui para as piscinas e só saí da água 5 minutos antes do horário combinado de ir embora, às 19h (chegamos às 16:30h). Depois que escureceu não tinha mais borrachudos e estava moderadamente calor. Nessa hora o chinelo que não levei fez muita muita falta, porque descansar meus pés e não ter que calçar a bota seria a melhor pedida, mas não teve jeito.
Dois franceses se atrasaram mais de meia hora e às 19:30h começou a chover. Vazamos para dentro da van e ficamos aguardando as beldades. Chegamos super atrasados para o jantar, mas no acampamento não estava chovendo e não tinha mais borrachudo. Tomamos uma sopa de champignon muito boa e veio um arroz temperado com legumes, macarrão, salada, molho de champignon ... muita comida. O que eles regularam nos 2 primeiros dias, resolveram nos dar nesse terceiro. Chegou sobrar. Não tomei o chá. O local que eu achei chato quando chegamos, começou a ficar bacana, com um som decente bem alto e uma fogueira (logo após as apresentações típicas bem fuleira de alguns locais para recolher gorjeta).
Conheci uma galera e ficamos na fogueira batendo papo. Tomei 2 cusqueñas de 500ml beeeeeem gelada por 6S cada. O pessoal estava pagando 12S, mas como fui lá chorar e o cara gosta de brasileiros porque é um povo simpático, me fez um preço justo heheheh. Fui dormir 15 para meia noite e um pouco bêbado, já que não estou acostumado a beber. Quando cheguei na barraca ouvi um peido e comecei a rir muito. Aí não me lembro de mais nada, acho que dormi rindo e nem fechei a barraca.
Hoje andamos 14km.
DIA 10 - SalkantayAcordei de madrugada para ir ao banheiro e estava chovendo, na minha barraca inclusive, já que esquecí de fechar o avanço. Nesse dia a gente estava liberado para dormir até umas 7, 7:30h mas como eu acordo cedo, 6 e pouco eu já estava de pé com minhas coisas arrumadas. Logo os borrachudos começaram a aparecer, então já tratei de tomar um banho de repelente. Reparei nas pernas de algumas pessoas, que estavam com muitas picadas.
Hoje o desayuno foi salada de mamão com melão e iogurte de morango, pão com manteiga e geléia, uma espécie de pipoca escura meio sem gosto, e água para chá ou café. Esse foi o melhor café da manhã e ontem o melhor jantar, acho que para compensar tanto borrachudo. Saímos mais ou menos 9:30h rumo à Águas Calientes e o caminho de Santa Teresa até a hidrelétrica fizemos somente com um guia. O outro foi de Van até a hidrelétrica, não lembro porque. Essa caminhada é tranquila e há obras para todo lado, aliás, o Peru todo está em obras. Passamos por vários lugares lindos, sempre acompanhando o rio Salkantay e nos deparamos com uma cachoeira impressionante em certo ponto da trilha. Demais. Uns 10 minutos antes da hidrelétrica tem um estacionamento 24h e à partir daí não é mais possível transitar com veículos, somente à pé. Meio dia chegamos na linha do trêm, onde almoçaríamos. No caminho pegamos um chuvisqueirinho e quando chegamos deu uma chuva rápida.
O almoço saiu as 13h: sopa de quinua com legumes, arroz branco, macarrão, molho de lentilhas e salada de abacate com queijo ralado. Um refri custa 4S no restaurante Apu Salkantay, onde comemos, mas nas barraquinhas em frente a linha do trem custa 2,50 uma coca 600ml (sem gelo é claro). Comprei uma. Mais uma vez repito, NÃO VISITE A COZINHA.
Saímos as 14h e começamos a andar sobre os trilhos. Logo pegamos um caminho à direita para subir para a outra parte dos trilhos. Chegando lá em cima, dá para ver do lado esquerdo, ao longe, Machupicchu e Waynapicchu. Uma vista interessante. O caminho daqui até Águas Calientes é bem chato de fazer porque só tem trilho de trem, muita muita pedra e borrachudo. Fique atento para várias coisas: a primeira é para não tropeçar nos dormentes ou nas pedras. A segunda é para os pássaros. Pude ver muitos e alguns bem diferentes. A terceira é para a natureza que é linda (não se esqueça da primeira enquanto faz a terceira!). E por último, por mais inusitado que seja, fique atento para não ser atropelado pelo trem. É sério. O Karin estava com um MP3 no ouvido e todo mundo gritando gritando e só quando ele viu a gente, que estava na frente dele, fazendo sinal para ele sair do trilho foi que ele deu um pulo para o lado e tirou o MP3. Foi por poooouco que ele não foi atropelado! Não ouviu o moooonte de buzinadas que o maquinista deu.
Chegamos em Águas Calientes as 17h e fomos para o hostal Oro Verde (
reservasoroverde@hotmail.com). Foi uma boa surpresa. Lugar bacana e limpo. Trocando idéia com o dono Roger (
rogerlandaeta@hotmail.com), muito gente boa, me disse que o preço é entre 25U$ e 30U$, mas chorei, falei dos mochileiros e tal e ele disse que pode fazer por 30S por pessoa. Hoje, desde aquele dia que tomei o imosec, foi que consegui ir no banheiro, por isso repito, cuidado se você tomar esse remédio. Fiquei no segundo andar, e como na barraca, fiquei com um quarto simples só para mim. A tomada fica escondida atrás da cama, e quando consegui achar, coloquei a máquina para carregar. Tomei um banho queeeente e demoraaaado e antes de sair para jantar, fui num barzinho bem ao lado onde o dono falava um portunhol engraçado, e tomei 2 pisco sour no happy hour por 14S. Na verdade só tomei um e disse que voltaria para tomar o outro depois do jantar.
Fui dar um role na Plaza de Armas, comprei 4 bandaids (curita para poner en las ampollas - ampoias) por 0,20 cada e gastei 2S para ligar para casa (0,50 por minuto, não pague mais que isso!). Dei um rolezinho e fui encontrar o pessoal que já estava lá no Restaurante Andino. Jantar hoje: sopa de não sei o que, arroz, peixe frito muito bom, batata e salada de tomate com pepino. Não tomei o chá e fui embora, deixei a galera lá. Voltei para o barzinho para tomar o outro pisco e fiquei papeando com o tequileiro Alan. Ele me passou a receita do verdadeiro pisco sour peruano e vou compartilhar com vocês:
Dica do Alan (
cienciano1982@hotmail.com): usar o Pisco puro da marca Quebrante.
1 oz = 30ml
PISCO SOUR (o legítimo peruano)
3 oz de pisco
1 oz jugo de limón
1 oz jarabe de goma
1 oz clara de huevo
4 hielos
Bater no liquidificador por 2 minutinhos.
Não sei quanto andamos hoje. Fui dormir umas 23 e pouco para acordar as 2:30 da manhã.
DIA 11 - MachupicchuEra 10 para as 3 da madrugada quando levantei e como minhas coisas já estavam arrumadas, logo desci para encontrar o pessoal e subirmos para Machupicchu. Fiquei sabendo que na noite anterior, quando eu já tinha ido embora, rolou um stress por causa de gorjeta. O guia pediu uma vaquinha para os cozinheiros e ninguém deu nada. Na verdade deram 16S e o guia não gostou. Ficou reclamando, resmungando e queria saber quanto cada um deu para devolver o dinheiro. Lá é meio que da cultura deles dar gorjeta, mas ninguém é obrigado a dar.
Começamos caminhar quase 4h e estava escuro e bem frio. O caminho é só subida. Muita subida com muitos, incontáveis degraus. Fui acompanhando uma menina de Tel Aviv que estava com dificuldade para subir e não achei legal deixar ela subir sozinha, já que atrás de nós ficou um bom tempo sem ninguém. Chegamos na portaria as 5h e aí o frio pegou porque paramos de nos movimentar. Quando a bilheteria abriu, as 6h, começou a distribuição das senhas para Waynapicchu e eu peguei a número 273 para o horário das 10h. Tinha o horário das 7h mas aí nós perderíamos a explicação do guia, pois tivemos um tour guiado até umas 9:30h mais ou menos. Não é muito interessante visitar Machupicchu sem um guia por conta das histórias. Sem história Machupicchu é só um amontoado de pedra
O lugar é fantástico. Não vou colocar aqui a descrição de Machupicchu porque ela é diferente para cada pessoa. As histórias são fantásticas e me impressiona a inteligência daquele povo. Eu gostei, mas vi muita coisa estranha nesse lugar. Vi cimento em alguns lugares, em algumas pedras, vi umas partes com pedras muito limpas e tive a impressão de que não são autênticas. Perguntei ao guia e ele disse meio encabulado que eles lavaram. Sempre tem gente limpando as pedras lá, mas não tirando a cor delas, tirando somente as gramas que crescem. Não engoli essa do guia. Vi eles remendando um pedaço com a desculpa de que era para assentar o solo. Muito esquisito. No local existe várias lhamas para servirem como predadora das gramíneas. Tinha um casal em pleno acasalamento, se esfregando, se enrolando pelo pescoço ...
Nos despedimos do guia Simon (o José já tinha voltado para Cusco ontem a noite) e 10 e pouquinho entrei na trilha para Waynapicchu. A subida é punk! Muita subida, muita escadaria e subi com um ritmo forte, demorei 50 minutos. Em alguns locais fica meio perigoso porque é um espaço pequeno para passar e sempre tem gente subindo e gente descendo. É aí que mora o perigo de levar um esbarrão e escorregar. Mas cada degrau (são muitos, lembre-se disso quando for) compensa e muito depois que se chega no topo. Dá para ver a cidade toda, inclusive a estrada em ziguezague que os ônibus turísticos fazem.
Fiquei um bom tempo lá em cima, acho que 1 hora mais ou menos, e faz um ventinho gelado viu? Descemos para a portaria e se você quiser comprar algo lá no bar, vai ter que desembolsar uma grana, pois é tudo muito caro. Um chocolate quente médio custa 8S. Nem vi o resto dos preços, fiquei até com medo heheh. Meio dia e pouco começamos a descer as escadarias que subimos de madrugada. Agora, de dia e na descida, a paisagem é totalmente diferente. Tem ônibus turístico que faz o serviço de leva e trás até Águas Calientes e custa 7U$ one way. Acho que deveria custar mais caro.
Demoramos 1h e 20 min para descer, 10 min a mais que para subir. O motivo é que a descida judia mais dos joelhos e nesse momento todos estavam com os pés muito dolorido, então andamos devagar. Aliás, juntos andamos o Gonçalo (chileno), a Idit (israelense) e eu, porque o resto se dispersou e alguns voltaram de busão.
Chegamos em Águas Calientes e fomos procurar nossos tickets no restaurante Chasqi, bem em frente a linha do trem. Aproveitamos e comemos um menu por 10S. Não lembro o que comi, mas o suco era de banana. Não recomendo. Tem outros restaurantes com menu a 10S também e com maior variedade de comida. É só andar, procurar e chorar, porque sempre pedem no mínimo 15S, aí o desconto vai da sua conversa. Achamos os tickets, pegamos as mochilas no hostel e fomos para a charmosa estação de Machupicchu. Embarcamos as 18h e em 5 min eu já estava dormindo. Acordei as 19:30h quando chegamos em Ollantaytambo. Estava um friiiiiiiio de rachar quando chegamos e nosso transfer demorou um pouco para aparecer. Achei que tinham nos esquecido, mas uns 20 min depois apareceu o cidadão. Entrei no minibus e dormi novamente. Acordei chegando em Cusco, umas 22h. Encontrei o guia Simon e num gesto de amizade, trocamos uma camiseta. Eu dei uma camiseta minha, usada mesmo, dry, e ele me deu uma da trilha inca. A gente conversou quase a trilha toda e ele foi muito bacana principalmente com os brasileiros. Nos despedimos e fui pegar um taxi até a casa do Leo. Depois das 22h os taxis são mais caros, mesmo assim achei um por 2,50S.
Capotei!!!
DIA 12 - CuscoAcordei cedinho e levantei às 8h. Comecei a escrever algumas informações para não esquecer depois. Coloquei as roupas para lavar, tomei banho, fiz a barba, cortei as unhas e virei gente de novo. Fiz um café instantâneo e um chá de coca bem forte. Quando estava arrumando minhas coisas dei uma cabeçada na quina da janela que estava aberta e começou a sangrar, além do galo gigante que fez. Ficou um tempão saindo sangue e até achei que teria que visitar algum hospital para dar um ponto, mas lá pelas 15h ficou tranquilo e eu aproveitei para sair. Fui no restaurante La Casa del Chef onde a Camila estava trabalhando (2S até o mercado de Wanchaq) e comi um menu de lomo saltado com entrada de sopa de legumes (5S), depois fui conhecer o mercado.
Fiquei surpreso. É um local sujo e mal cheiroso em algumas partes. Lá se vende carne exposta à céu aberto, ao lado de barraca de ração de cachorro, junto com os engraxates, do lado do banheiro … uma coisa de louco. Vi um homem fazendo a barba ali na barraca mesmo. Uma coisa totalmente estranha e para nós, brasileiros, uma total falta de higiene, um lugar insalubre. Fiquei andando lá por uns 40 minutos e comprei 2 dvds por 1S cada. O mesmo dvd que eu paguei 2,50S na plaza de armas.
Subi à pé a Avenida del Sol e fui parar em outro mercado, o Mercado Central. Comprei 2 gorros duplos por 5S cada e mais um chapéu, também por 5S. Esse mesmo chapéu eu vi por 30S em outros lugares. Fiquei mais ou menso uma hora aqui e quando saí já estava escurecendo. Nas ruinhas próximas ao mercado eu comprei um pincel para limpar externamente minha câmera, mas sinceramente não parece um bom local para andar sozinho, mesmo assim entrei em muitas muitas galerias e lojinhas.
Paguei 0,50S em uma internet que não funcionava e fui em algumas agências ver preços de passagem para puno. A mais barato que achei foi 30S pela San Luis, e a mulher da agência me alertou para não comprar com empresas mais baratas por causa do alto número de acidentes envolvendo essas empresas menores.
Às 20h encontrei os brasileiros na Plaza e fomos em um barzinho bacana que estava tocando um jazz, o Le Nomade, perto da pedra de 12 ângulos. Gastei 27S por 2 cusqueñas, 1 caipirinha e minha parte da porção que nem lembro o que era. Fui para o Mama África, Inka Team, e vários outros também, mas fiquei mais nesses dois. Gastei 10S por 1 cusqueña e 1 pilsen no happy hour e 14S numa caipirinha que o francês fez o favor de derrubar. Conhecí uma peruana bonita, xerosinha, inteligente … e fui embora (3S) dormir umas 5h da manhã. Hoje minha garganta estava raspando um pouco e meu lábio começou a ficar muito seco. Dei uma relaxada com o protetor labial e passei um pouco de frio.
DIA 13 - CuscoAcordei 8 e pouco, mas levantei as 10 e fiquei enrolando até sair para o centro (2,50S), onde troquei 40U$ na rua com câmbio de 2,91. Almocei um ceviche + inka kola por 5S no Mercado Municipal mas não gostei, estava tudo frio. Comprei uma água por 1S e liguei para casa por 0,40S o minuto. Fui tirar umas fotos da Plaza de Armas vazia, da pedra de 12 ângulos e pedra do puma, que fica na rua Surtunwasi. Já vi alguns endereços errados nos posts por aí, então atualize. Conheci um mineirinho bacana e fomos dar um role. Paguei 0,50S em uma bebida típica chamada chicha morada e como o Museo Inka estava fechado por ser domingo, adiei minha ida para Puno e resolvi ficar mais um dia em Cusco. O museu funciona de segunda à sexta das 8 as 18h, sábado das 9 as 16h e custa 10S. Combinei com o mineirinho de nos encontrarmos a noite para curtir a baladinha e fui embora (2,50S). O taxi tinha muitas businas e acho que o motorista queria me mostrar, porque ele usou todas. Foi engraçado.
Lavei a louça para não ser tão folgado, fiz um chá de coca e dormi das 18 as 22h. Tomei um banho e fui me despedir de Cusco. Fiquei esperando um taxi na porta do prédio por uns 2 minutos, e esse foi o dia que eu mais esperei (3S).
Fui em vááários barzinhos e tomei os free drinks (cuba libre) que eles distribuem. Tem que chegar e pedir para os caras que ficam na porta dos bares dizendo para você entrar, eles dão na boa. Aí você vai de barzinho em barzinho tomando os free drink, já que não paga portaria mesmo. Depois escolhe o melhor e fica nele, ou não. Encontrei o mineirinho do lado do Inka Team, mas fomos para o Mama África, que estava vazio vazio, bichado. Na rua hoje tinha muita gente oferecendo droga: Coca? No gracias. Brasileiro? Si. Marijuana entonces? No, no me gusta, gracias. Ihhhh, entonces no es brasileiro!
Voltamos para o Inka Team e ganhamos mais free drink. Uma peruana praticamente me arrastou para o banheiro e quando ia fechar a porta o segurança entrou e me tirou de lá. Essas peruaninhas são bem safadinhas. Gastei 10S com 2 cusqueñas, o resto foi tudo free.
Peguei um taxi (3S) para voltar e na hora de sair o taxista falou: CHAU RONALDINHO! Mal sabe ele que nem de futebol eu gosto. Fiz um miojo não sei com que, porque não lembro, e fui dormir umas 4h com a garganta pior um pouco pior que ontem.
DIA 14 - CuscoAcordei 8 e pouco e 9h em ponto levantei num tiro porque ouvi a tiazinha que vende fruta na rua. Fui comprar granarilla, aquela da trilha, 4 por 1S. Fiquei uns 15 min na net e fui bater perna (2,50S) no Museo Inka (10S) e fiquei umas 2h lá, mas dá para ficar muito mais tempo, é bem bacana e valeu a pena ter adiado minha ida para Puno.
Ontem passei pelo Museo Pré-Colombino mas não tive coragem de pagar 20S porque me disseram que é bem chatinho. Comprei um pacote de folha de coca no Mercado Central (1S) e comi um menu (3S): sopa + arroz com mondonguito a la italiana (tipo miúdos de cordeiro com batata, ervilha e cenoura bem picadinho) + chicha morada. Uma delííííícia, mas tem que ter estômago forte. A aparência é daquelas comidas típicas nordestinas, tipo buchada de bode e tal. Delicioso, mas forte.
Peguei um taxi até o terminal (2,50S) e paguei 15S na passagem para Puno pela San Luis, a mesma que estava 30S lá na agência. Mais 2,50S de taxi até a casa do Leo e nisso já era umas 14h mais ou menos.
Fiquei a tarde toda na net, sem fazer nada. Deixei um bilhete para a Camila, que estava trabalhando, e as 21h peguei um taxi para a rodoviária novamente. Por mais perto que seja, o preço mínimo parece ser 2,50S, sem choro.
A rodoviária é um capítulo à parte. Os atendentes ficam o tempo todo gritando nos guichês: AREQUIPA AREQUIPA AREQUIPA AREQUIPA AREQUIPA AREQUIPA AREQUIPA bem rápido. Tenta aí. Uma hora emenda tudo e não dá para entender hAHAhAHAha. Outros gritam AREQUIPAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA. Coisa de louco. É bem capaz de lá na hora se pagar 10S pela passagem. Paga-se 1,10S de taxa de embarque, mas ví vários peruanos sendo liberados sem o ticket. Tenho a impressão que é coisa para turista mesmo.
Os melhores ônibus que eu ví foram os da Tour Peru, que são mais novos, espaçosos, só tem 1 andar, com banheiro e mais caros. Depois, semi-cama e sem banheiro, o da San Luis primeiro e San Martin segundo. Os outros que estavam na rodoviária nesse momento eram meio sucata. Fui na poltrona 48, última fila, e atrás tem um espaço até que grande, onde dá para levar a cargueira, mas a minha já estava no bagageiro. Sentou um velhinho fedido do meu lado, mas eu virei para a janela e dormi.