Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#844190 por Renato37
27 Mai 2013, 00:29
2ºparte da trilha feita em 25/05/2013.

Álbum com todas as fotos estão em:
https://picasaweb.google.com/1104304139 ... directlink

Ainda estava escuro qdo lá estava eu, partindo de SP as 5:50h da manhã em uma madrugada fria, numa viagem que levaria cerca de 2 horas e meia até São Francisco Xavier, bucotica cidade paulista ao sopé da Serra da Mantiqueira. A céu estava livre de qualquer vestígio de nuvem e a Lua era bem visível. Após 20 minutos já estava na Dutra, passando por Guarulhos e vendo o dia clareando. Com o frio da madrugada, nuvens baixas e serração encobria as baixadas, formando belíssimas paisagens. Ao passar pela região de Santa Isabel, o céu limpo deu lugar a um mega nevoeiro, que me obrigou a reduzir a velocidade e trafegar com mais cautela, já que visão ficou totalmente prejudicada.

Mas do mesmo jeito que a neblina veio, passou. Ao chegar no segundo pedágio, o céu se abrira totalmente e pude contemplar mais uma vez o surgimento do Astro-rei bem tímido.....As 7:10 cheguei a São José dos campos onde resolvi fazer uma parada num posto para abastecer e em seguida numa padoca para comprar lanches e tomar um café da manhã mais reforçado. Após o rápido desjejum, retornei minha viagem para SFX. Porém as 8:15, qdo estava na vicinal entre Monteiro Lobato e SFX, ao avistar uma pequena e simpática cachu no lado esquerdo da estrada, resolvo fazer uma rápida parada para ver a cachu mais de perto.

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Pequena queda d´agua as margens da vicinal entre Monteiro Lobato e SFX.

Tirei algumas fotos e retornei o resto do percurso até SFX, onde cheguei as 8:38 no ponto de encontro no único posto da cidade, um posto BR. Com bastante tempo sobrando, es que resolvo dar um rolê até a estradinha de terra que dá acesso ao Pico queixo da Anta, adiada sua ida na última vez que estivera ali por conta do problema da relação da moto.

Após coletar novas infos sobre o tal Pico e seu caminho até a fazenda particular onde se paga uma pequena taxa para ter acesso a trilha, logo retornei ao ponto de encontro e permaneci ali esperando o pessoal, que chegaram por volta das 9:30.

Fizemos uma rápida parada numa padaria local para o pessoal comprar lanches e bebidas. Sem perder tempo, as 10:10 adentramos a estradinha de terra que leva até a Fazenda Monte Verde, local onde fica o inicio da trilha para o Pico da Onça. Deixamos o carro no estacionamento a 100 metros da trilha, onde havia outro grupo de pessoas que recém chegara e estava se preparando para subir na trilha tb, na qual acenamos e cumprimentamos cordialmente.

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Galera no inicio da trilha

Alonga aqui, ali, es que finalmente as 10:30 pusemos pé na trilha que inicialmente começa discreta, como 2 sulcos e após alguns minutos, mergulha na floresta, onde fica mais larga e bem marcada. Porém, para nosso azar, havia algumas vacas pastando na entrada da trilha, que ao notarem nossa aproximação, fugiram trilha acima. Mas não antes de deixar suas marcas de m*** na mesma, onde por muito pouco, quase carimbei minha bota numa dessas "marcas". Inicialmente tentamos ultrapassa-las, sem sucesso.

A medida que íamos avançando, as vacas, assustadas, insistiam em subir na dianteira. Após 15 minutos de subida e as mesmas ainda na frente, começamos a bolar um meio de ultrapassarmos elas e espantar trilha abaixo. Mas infelizmente as ditas cujas insistiram em querer nos "guiar", atrasando o ritmo da pernada. E assim, com a presença delas a nossa frente, carimbando a trilha a medida que iam avançando, o frescor e o ar puro da mata deu lugar ao odor e ao cheiro forte de cocôs e urinas expelidas pelas vacas, que não paravam de liberar seus "atos", emporcalhando a trilha e dificultando nosso avanço, para o desespero da galera.

Dessa forma, para que pudéssemos avançar mais rapidamente, gritávamos alto constantemente para espanta-las, permitindo assim que ganhássemos altitude mais rapidamente (sem muito atraso),enquanto pensávamos numa maneira de ultrapassar as ditas cujas e se livrar do maldito cheiro das fezes. Com o passar do tempo, Augusto e Talita davam sinais que não estavam muito bem e não demorariam muito para começar a passar mal após tanto tempo inalando o cheiro desagradável das fezes das vacas.

Então, teríamos que passar por elas na primeira oportunidade que surgir. Enquanto isso, a outra parte do pessoal (com menos pique), foram ficando para trás, enquanto eu, Léo, Augusto e Talita, mantínhamos um ritmo forte e concentrados em encontrar uma maneira de ultrapassar as ditas cujas em infinitas tentativas, por conta do forte cheiro que simplesmente colocaram nossas narinas e estômagos a prova máxima de resistência. A subida da trilha estava tranquila, porém o cheiro era uma tortura tanto qto um perrengue de vara-mato. Se parássemos, as ditas cujas empacavam mais acima. Se andássemos, elas andavam tb.

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As ditas cujas

Com a falta de espaço nas laterais da trilha que possibilitasse um vara-mato rápido afim de ultrapassa-las sem muita demora (do lado direito era uma ribanceira, do esquerdo, um paredão erodito), não conseguíamos acreditar que após quase 40 minutos de trilha e inúmeras tentativas fracassadas em ganhar a dianteira, as mesmas continuavam ali, firmes e fortes na dianteira, irredutíveis a não nos deixar ultrapassa-las. ::dãã2::

Será que não se cansaram de subir tudo aquilo sem parar? Qdo achávamos que teríamos a (in)desejável cia delas até o topo, es que noto um trecho a frente, qdo a picada faz uma curva a esquerda, ela se divide em 2. Es a oportunidade de passar a frente delas. Fiquei na manha e espantei as vacas para a picada da direita.

Ao notar que todas foram para a trilha da direita (que dava uma volta maior), es que grito para o Leo, Augusto e Talita: Corre aqui pela bifurcação a esquerda que corta caminho e a gente conseguirá passar. Elas estão com dificuldades para subir o trecho mais esburacados....De fato, as vacas, assustadas, porém doidas para se manterem a dianteira por não terem para onde fugir, tentaram subir rapidamente a outra trilha com erosão. Mas a trilha estreita, esburacada e emlameada, impediu que as mesmas subissem rapidamente. Acabou a "mamata", comemorei!

Assim, eu e o Léo rapidamente ultrapassamos o "mini rebanho", tomando a dianteira de quase todas, exceto pela líder que conseguiu subir rápido e ainda se mantinha a frente de nós. Mas seria por pouco tempo, pois agora com uma só, eu e o Léo decidimos que passaríamos a frente dela, nem que fosse preciso atropelar a dita cuja que estacionou logo a frente, qdo notou que as demais estavam tendo dificuldades para vencer o trecho erodito da trilha. Porém, nem todos conseguiram ultrapassar as vacas: Talita e Augusto foram vencidas pelas mesmas e tiveram que aguentar o odor por mais alguns minutos, para desespero da Talita qdo viu que eu e o Leo conseguimos ultrapassa-las.

A vaca que ainda estava a nossa frente, ao notar que o resto do rebanho se encontrava mais abaixo, estacionou ali, permitindo que a ultrapassemos sem dificuldades alguma, para a alegria e alivio do Leo e desespero dos demais que ficaram para trás. Assim que ultrapassamos a líder, começamos a gritar e a jogar objetos no chão a fim de obriga-la a descer, enquanto o Augusto e Talita estavam decididos a varar-mato afim de passar o resto do rebanho a qualquer custo, já que ainda se encontravam atrás deles. Eu e o Leo gritamos e finalmente, a líder resolveu descer e levou as demais juntos, liberando a passagem a Talita e o Augusto, que vibraram o fim do sufoco do odor, obviamente.

Deixamos as mesmas para trás (que depois estacionaram logo abaixo como se não soubessem o que fazer: descer ou subir) e rapidamente apertamos o passo trilha acima afim de nos afastarmos delas o mais rápido possível. E dessa forma, o odor e o mal cheiro finalmente deram lugar ao frescor e o ar puro da mata, para o alivio de nossos pulmões, narinas e principalmente de nossos estômagos. Que ninguém passe mal depois por causa da exposição prolongado a m*** de vaca. Estávamos livres delas, porém restou para a galera que estava vindo logo atrás, a dura tarefa de ultrapassa-las (inclusive a outra turma das vans). :lol:

As 11:27 chegamos a uma bifurcação a direita que leva a uma pequena queda d´agua, onde resolvemos fazer um pequeno pit-stop afim de esperar o restante do pessoal, purificar os pulmões do "odor" e recuperarmos o folego. Aproveitei para mandar ver em uma bolacha afim de adoçar a lingua e sentir um aroma de wafer de chocolate, enquanto a Talita molhava a goela com um gatorade que trazia contigo. Porém, após alguns minutos no silêncio, a Talita exclamou: Estou ouvindo um som de algo se aproximando ...e não era o pessoal.

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Uma das vistas durante alguns trechos da subida

De repente, surge como um pesadelo, as "vacas" que espantamos para baixo, subindo a trilha, por conta do restante do pessoal que vinham logo atras e estavam assustando as mesmas. Eu ainda estava detonando um pedaço de bolacha qdo tivemos que levantar as pressas e sair correndo. E da-lhe corrida trilha acima, descançados ou não, queríamos mesmo era distancia das vacas malditas a qualquer custo. Não podiam ultrapassar a gente de jeito algum. E tão pouco sermos "atropelados" pelo estouro da boiada...

Leo e Augusto dispararam na frente igual o papa-léguas e ligeirinho, sumindo da minha vista, enquanto a Talita subiu rapidamente e eu tive que sair correndo sem ao menos ter tido tempo pra terminar de comer o pedaço de biscoito e de fechar a mochila direito.

E foi assim por cerca de 5 minutos, até que paramos, ao notar que as bichin ficaram para trás. Deixa esse pepino para quem ficou para trás, brinquei. A dianteira é nossa e assim será. Paramos rapidamente para recuperar o fôlego e vendo que as vacas haviam ficado bem para trás e não estavam vindo mais, logo retornamos a pernada trilha acima. As 12:05, chegamos a uma bifurcação em uma área descampada, onde a trilha se dividia em 2.

Para a esquerda seguia para o pico e para a direita, descia para o bosque dos duendes e Monte verde. Seguimos pela esquerda, onde a picada ficou um pouco mais íngreme. Passamos pelo marco divisor que marca a divisa dos Estados de São Paulo e Minas Gerais, onde seguindo trilha acima ou a direita pelo bosque dos duendes, estava em Minas, para baixo, São Paulo.

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Marco divisor dos estados

Mas não deu nem 10 minutos na mesma que as primeiras vistas em meio as frestas das arvores surgiram, permitindo as primeiras visões de monte verde e do vale do alto da Mantiqueira em geral. A picada fez uma curva a esquerda, passando próximo a uma enorme rocha. Uma discreta trilha dava acesso a tal rocha, onde pudemos contemplar uma preview do que nos aguardava logo a frente. Leo e eu adentramos a discreta picada até a rocha em meio a enormes voçorocas de bambus e pequenas árvores cheias de espinhos, que não tardaram a deixar suas marcas em nossos braços e pescoços, principalmente no Leo.

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Enormes rochas próximo do pico

Retornamos a trilha principal e após mais alguns minutos de subida, es que as 12:25, com 1 hora e 20 minutos cravados de subida conometradas, (descontados as paradas pra cliques, descanço e outros), chegamos ao cume do Pico da Onça, a 1.960 metros de altitude segundo o gps do Myung. Finalmente pusemo-nos a descançar e comemorar a conquista, após mais de 1 hora de subida, sendo metade desse tempo aguentando o cheiro de bosta de vaca que nos foi enfiado narina abaixo a força, devido a necessidade de subir e as ditas cujas na nossa frente.

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Topo do Pico da Onça, mega clareira onde cabe várias barracas...

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Uma das vistas em uma das pedras, Monte Verde a esquerda e a cadeia de montanhas do alto da Mantiqueira

Enquanto aguardávamos os demais do grupo chegarem, Leo e Augusto foram contemplar as 2 visões do topo, que permitia uma visão privilegiada, enquanto eu e a Talita aproveitamos pra forrar o estômago com os lanches, biscoitos, barra de cereais e sucos/agua para molhar nossas goelas secas, enquanto contemplávamos aquela visão magnifica do topo.

De um lado lá embaixo (a 750 metros de altitude em média), a minúscula cidade de São Francisco Xavier (SFX). Do outro, a cidade mineira de Monte Verde e a cadeia de montanhas do alto da Serra da Mantiqueira, com o Pico do Queixo da Anta bem ao fundo a direita e os picos da Pedra Partida, Redonda e Selado a frente, envolvendo a cadeia dos imponentes picos da Mantiqueira daquela região.

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Pico da Pedra Bonita.

O cume do Pico da Onça entre suas 2 pedras, possui um ampla clareira onde cabe várias barracas com folga, sem contar outras clareiras próximas. Tanto das pedras, qto do própria clareira, permitia diferentes pontos de vistas de tirar o fôlego, com o livro do cume em uma dessas pedras, através de uma picada que sai a esquerda por baixo de uma das grandes rochas.

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Clareiras do cume do Pico da Onça!

Muitas nuvens cobriam o topo, comprometendo a visão. Mas estava abrindo e fechando constantemente, então ficamos aguardando uma das aberturas do tempo sopradas pelo vento forte lá no topo....Assim que abria, corremos para tirar fotos. Do lado esquerdo, a continuação da trilha seguia em direção a outro pico, mais alto, e mais para frente os picos da Pedra Partida, Redonda e o Selado bem ao fundo. Apesar do sol, o vento gelado se fez presente o dia todo, por conta da altitude elevadíssima.

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São Francisco Xavier lá embaixo (com zoom)

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A visão não estava aquelas maravilhas por conta da nebulosidade...mas já dá para ter uma ideia.

É, o inverno chega bem mais cedo naquela região. Isso não impediu que o Léo e o Augusto tentasse (em vão) fazer um rapel em uma das enormes rochas, enquanto a Talita aproveitou o longo pit-stop para tirar um cochilo e recarregar as baterias, após o interpere das vacas e da subida de mais de 1 hora.

15 minutos depois chegou outra parte do pessoal (que ficaram presos por conta das vacas que espantamos para baixo), e quase 20 minutos depois, Myung Lee e sua esposa chegaram, atrasados pelo mesmo motivo. Sim, as vacas impediram a passagem e atrasou a vida de todos, inclusive do outro grande grupo que deixamos para trás. Malditas sejam!

Com o grupo todo reunido novamente, nos fartamos com várias fotos e apreciarmos a vista. Permanecemos no cume por mais de 1 hora, qdo as 13:30h, com bastante tempo disponível ainda, decidimos esticar a trip até outro Pico próximo, cuja trilha de interligação estava logo ali, acessível. Myung Lee e sua esposa não quiseram ir devido ao nevoeiro que estava novamente tomando conta do topo e por achar que a trilha até o outro pico iria ser longa, embora eu dissera que estimava em cerca de 20 minutos para alcançarmos o outro pico, preferindo nos esperar ali.

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O Livro do cume, a qual fiz questão de deixar meu registro ali, claro :D

Então, seguimos para o outro pico pela continuação da trilha, um pouco menor que a principal, porém bem marcada e visível. Por via das dúvidas marquei a direção da mesma na bússola, para fins de info e seguimos em frente. A Picada segue ziguezagueando as cristas, dividindo em 2 ramificações (que logo se encontravam a frente), em algumas partes, descendo suavelmente até um vale para logo subir a crista do outro pico.

Após um pequeno trecho mais ingrime, emergimos da floresta em uma rocha enorme, onde escalaminhamos a mesma afim de ganhar altitude rapidamente. A picada continuava logo a frente, virando a esquerda e passando por entre 2 enormes rochas, nos obrigando a agachar afim de possibilitar a passagem por baixo das mesmas, onde a trilha seguia pela direita. A partir desse ponto, era possível a visão de uma grande rocha acima, que era praticamente o pico avistado do outro lado.

As vezes a picada sumia, mas nada que um bom farejo de trilha e senso de direção não resolvesse. No meu caso, logo encontrava a continuação da mesma logo a frente. Após sairmos de um trecho mais estreito da trilha, as 13:55hs caímos em uma larga e extensa rocha, onde uma outra rocha maior cobria o topo dela. As bandas de nuvens cobriam totalmente o topo, impedindo qualquer visão que desejássemos ter. A rocha era bem extensa, onde para caminhar de uma ponta a outra, gastei cerca de 6 minutos.

Da outra ponta, a picada continuava discreta e estreita, em direção a Pedra Partida. Sem visão alguma por conta do nevoeiro e o fato de estar com o grupo, cujo objetivo era apenas chegar até o Pico da Onça, encerramos a pernada ali, deixando qualquer exploração para o próxima vez que ali retornamos.

Leo, frustrado por chegar até ali e não ter visão alguma, sugeriu que ficassemos até as 15:00hs afim de esperar para ver se o tempo abrisse e pudessemos desfrutar da belíssima visão que ali deve ter, a exemplo do que vimos no Pico da Onça. Porém, após ficarmos ali até 15:25h e nada do tempo abrir, com o horário avançado e a estimativa de levarmos 1 hora para chegarmos até a estrada de terra onde estão os carros, es que resolvemos retornar, deixando para voltar ali em uma outra oportunidade, dessa vez para acamparmos e podermos contemplar o nascer e o Pôr do sol lá do alto.

Então as 15:30h, iniciamos o retorno, com uma breve passada no Bosque dos Duendes, acessível pela bifurcação a direita que leva até Monte Verde. As 15:45h estávamos de volta ao cume da Pico da Onça, onde o Myung e sua esposa já não se encontravam mais, pois disseram que iriam descer e nos esperar no estacionamento. Encontramos outras 3 pessoas que recém chegara com cargueira e iriam acampar ali, na qual cumprimentei cordialmente e troquei algumas infos bacanas com eles, sobre a trilha que interliga o Pico da Onça com os Picos da Pedra Redonda e Partida.

Nos despedirmos deles e pusemos-nos a descer a trilha, afim de ter tempo para passar no Bosque dos Duendes para apreciar a floresta em um aspecto diferenciado e tirarmos fotos, claro. Ao chegarmos na bifurcação para decidirmos quem iria ir comigo e quem preferiria continuar descendo sem conhecer o bosque, es que a Talita foi a única que preferiu seguir sozinha, enquanto o restante do grupo me acompanhou pela bifurcação do vale dos duendes. O pitoresco bosque, cujo cenário lembra muito cenas do filme do Harry Potter, era um atrativo a parte que não poderíamos deixar de lado. Pelo menos eu não pretendia voltar sem antes dar uma passada lá e fazer meu registro.

Tão logo adentramos a bifurcação, não deu nem 7 minutos e já chegávamos ao tal bosque as 16:15h, onde as árvores ficam mais espaçadas e o cenário de "mata atlântica" muda completamente, a ponto de parecer que estamos em alguma floresta de outro país, de clima mais temperado e frio.....As meninas do grupo ficaram deslumbradas em meio de um cenário como aquele, que de fato lembra muito as cenas dos filmes do Harry, faltando apenas os duendes para completar o cenário diferenciado e único. Até a trilha fica diferente ali, bem larga e batida, ficando em destaque em meio do bosque.

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Trecho do Bosque dos Duendes

Permanecemos no bosque por cerca de 15 minutos e nos fartamos de fotos ali, inclusive com alguns raios de sol com dificuldades para penetrar a espaçada, porém densa vegetação do bosque. Augusto e Leo se deslumbraram com um tronco lotado de cogumelos. Nem preciso dizer que tiraram várias fotos, claro.

As 16:30h demos as costas ao bosque e retornamos a bifurcação da trilha que desce até SFX. Sem perder tempo, iniciamos a descida e eu avisei a galera que pelo horário avançado, poderíamos terminar a trilha no escuro e ter que recorrer as lanternas. Então teríamos que apertar o passo afim de chegar no final ainda de dia.

Fui na dianteira com o pessoal vindo logo atrás. Vendo que estavam um pouco lentos, tentei impor um ritmo mais forte a pernada afim de que o pessoal seguisse logo atrás. Com bastante pique, o corpo aquecido e o fato de estar frio, disparei na frente descendo quase que correndo a trilha. As vozes e as risadas da galera foram ficando para trás,dando lugar ao silêncio da floresta, onde optei por parar para aguardar, afim de esperar que me alcançassem.

Enquanto aguardava, aproveitei para bater fotos dos paredões da imponente serra da Mantiqueira, através de um trecho de forte erosão e relaxar um pouco, embora não estivesse cansado.
Assim que as vozes do pessoal se tornaram audíveis novamente, voltei a andar, parando mais umas 3 vezes abaixo pelo mesmo motivo. Após passar pela penúltima bifurcação que leva a um riachinho e bica d´agua (a segunda qdo se está subindo), apertei o passo e em 10 minutos já estava na saída da trilha com 46 minutos de descida conometrados desde a bifurcação, onde optei por esperar mais um pouco.

Novamente, assim que ouvi as vozes ainda longe, retomei a pernada e tão logo cheguei na estrada de terra, encontrei a Talita sentada numa pedra e o Myung Lee com sua esposa em seu carro lendo um livro na area do estacionamento.

O frio da montanha começara a apertar enquanto eu comentava com a Talita o que vimos no bosque dos duendes....conversa vai, conversa vem,o tempo foi passando e começou a escurecer. Talita e Myung ficaram preocupados porque o povo não chegava, então não tardou para eu pegar a minha lanterna e voltar a trilha, afim de encontra-los e auxiliar no restante da descida, imaginando que sem lanterna, andar no escuro sem visão alguma da trilha seria a mesma coisa que estar cego. Isso porque, no meio do mato a noite fica tudo preto e você não vê nada mesmo.

Porém ao adentrar na trilha, logo encontrei todos terminando de descer a mesma e as 18:15 estávamos todos no estacionamento novamente, onde nos despedirmos e cada grupo seguiu em seus carros de volta a SP, onde no meu caso, cheguei somente as 22:00hs.

A trilha do Pico da Onça, assim como a Serra da Mantiqueira possui inúmeros picos e possibilidades diversas de pernadas, seja pelas batidas e conhecidas trilhas da Pedra Redonda e Partida, seja pelo Chapéu do bispo. Para os mais audaciosos e que não se contentam a ir somente em locais batidos, a " Travessia dos Poncianos", famosa picada que interliga SFX a Monte Verde é uma possibilidade de pernada diferenciada, entrando por um ponto e saindo pelo outro, com direito a pernoite ou contemplação de visão diferenciada e mais privilegiada de SFX e Monte Verde a partir do Pico da Onça e o outro Pico vizinho, que tem formato de "ovo" por conta da enorme rocha bem extensa.....

Outra possibilidade é a travessia entre os picos, começando pelo Pico da Onça, passando pela Pedra Partida, Chapéu do Bispo e estendendo-a até o Pico do Selado, com 2 opções de travessia rápida: Entrando pela trilha do vale dos duendes ou então pela fazenda Monte Verde, em SFX. Sem contar outras entradas como uma picada que sai a direita e que tb desce até Monte verde, caindo em alguma fazenda lá embaixo. O pico da Onça apenas reabriu novas possibilidades de retorno ao local, programado para ser o mais breve possível, com outra turma, a mesma ou então sozinho mesmo. E assim, só faz programas repetidos e batidos, quem quer. :mrgreen:

Na Semana seguinte retornei lá mais uma vez em uma 3º Parte para fazer a Travessia Pico da Onça x Pedra Partida com outra turma, es o link:
Travessia Pico da Onça x Pedra Partida em Monte Verde - MG

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Para chegar ao Pico da Onça, há 2 entradas:

Por São Francisco Xavier, acesse a estrada dos Ferreiras e que leva a Fazenda Monte Verde. Ignore todas as bifurcações e siga até o final.

Por Monte Verde, o acesso a trilha se dá pela Rua Taurus. Na duvida, pergunte a moradores locais pela trilha do Pico da Onça ou que vai até SFX, caindo na fazenda Monte Verde. Ao passar pelo bosque dos duendes, cairá na bifurcação em "T" onde a trilha da esquerda desce até SFX e a da direita sobe até o Pico da Onça. Não tem erro.


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