Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#872689 por Renato37
21 Ago 2013, 15:32
Trilha feita em 17/08/2013.

Album com todas as fotos nessa 1ºinvestida:
https://picasaweb.google.com/1104304139 ... directlink

Eram 4:15 da manhã qdo lá estava eu no estacionamento do meu prédio, ajeitando a cargueira no bagageiro da motoca, pronto para partir para mais uma investida a mais um pico da imponente serra da Mantiqueira. Dessa vez, o dito cujo em questão seria a outra ponta da travessia Marins x Itaguaré: O Pico do Itaguaré, ponto de inicio ou final da clássica travessia. Inicialmente, 3 amigos toparam ir comigo na empreitada, mas por problemas familiares de 1 deles, justamente o que tinha carro, os demais que iriam de carona (inclusive este que voz escreve), ficaram na mão aos 45 do segundo tempo....Tudo bem, imprevistos acontecem, paciência né... ::mmm:

O problema é que fui avisado bem no final da noite, com a cargueira pronta e indo dormir, o que me gerou certa frustração, mas não o adiamento da trip. Somente para os demais. Então, como miou a carona, sobrou para minha motoca, velha de guerra, o transporte daqui até a trilha, a cerca de 250km de distancia. Felizmente, procuro sempre deixar a manutenção dela em dia para qdo precisar. Então, decidi que iria mesmo assim e fui dormir.

Felizmente, a madrugada de sábado não estava mto fria e o jaquetão anti-termico mais uma vez cumpriu bem seu papel, me mantendo quentinho e protegido dos fortes ventos do começo ao fim da viagem na motoca. Deixei o despertador para acordar as 3:30 e as 4:40 já estava na Marginal, acessando o inicio da Rodovia Presidente Dutra, essa que seria meu trajeto pelas próximas 3 horas até meu destino, a cidade de Cruzeiro, onde faria uma parada para um café da manhã reforçado e descançar um pouco da viagem.

A rodovia estava com baixo movimento e o tempo encoberto, embora sem neblina, felizmente. As 6:10 com o dia já clareando, estava passando por São José dos Campos e as 8:40h, finalmente avistei o acesso para Cruzeiro, onde cheguei pontualmente as 9:00h. A bucótica cidade do vale do paraíba, situada ao sopé do enorme paredão da imponente serra da mantiqueira como seu plano de fundo, ainda estava despertando, numa manhã encoberta de sábado, com o astro-rei querendo aparecer entre muitas nuvens. Parei numa padoca local para mandar ver num pingado e um sanduba esperto afim de forrar o estomago.

As 9:20, retomei a viagem em direção a Passa Quatro/MG e tão logo passei pela bifurcação das rodovias que vem de cruzeiro com a que vem da Dutra, começou a subida sinuosa da Serra, onde pude contemplar as vistas da cidade ficando lá embaixo.

A subida em direção a Passa Quatro não dura muito tempo e logo já me encontrava no topo da serra, já na cota dos 1.200 metros de altitude, onde visualizei do lado direito, uma area de mirante com uma bela vista lá do vale, mas passei batido por ali. A vista do topo do Itaguaré já me proporcionaria tudo isso e muito mais. Após passar por uma placa azul indicando a divisa de Estados, segui por mais uns 5 minutos até avistar uma entradinha de terra a esquerda, onde erroneamente, adentrei.

Ela descia até um vale, mas ai lembrei do relato do Augusto, onde ele dizia que a entrada da estrada de terra que leva até o acampamento base, inicia-se no acesso para o Bairro do Caxambú.
Ao avistar uma casa, parei e bati palmas, mas ninguém apareceu. Passei por uma outra casa, que parecia não ter ninguém,mas logo vi um senhor. Então, ao perguntar a ele sobre a estrada para o bairro do caxambú e o pico do Itaguaré, es que minhas suspeitas estavam certas: Estrada de terra errada, bora voltar.

Ao retornar para a rodovia, segui por cerca de 1 km e logo avistei o ponto de ônibus e a placa indicando: Bairro do Caxambú. Entrei nela e após novamente descer até o vale e passar pelos trilhos de uma linha de trem de carga, finalmente as 9:40, adentrei na chamada "Estrada Real", que dá acesso ao bairro do Caxambú, bairro rural pertencente ao municipio de Passa Quatro.

Nesse trecho, a estrada segue por meio de casas e pequenos sitios, onde havia algum movimento, e logo avistei uma placa indicando o sentido "Marmelopólis/Pico do Itaguaré" a frente.....algumas bifurcações surgiam, mas o sentido era óbvio...seguir pela estrada mais larga e batida, sempre a frente.....as bifurcações apenas davam acesso as casas e sitios da região.

Só para não ficar dúvidas, por ser minha primeira vez ali, resolvi parar e perguntar pelo caminho para o Pico do Itaguaré, afim de confirmar o roteiro mapeado e se batia com o relato que estava me servindo como guia. O tempo no alto da mantiqueira estava encoberto o que não permitiu visu alguma do Itaguaré durante todo o trajeto pela estrada de terra até o acampamento base, infelizmente.

Não tardou e a estradinha começou a longa subida íngreme serra acima, dando voltas, enquanto contornava os morretes e passando por alguns sitios. Passei por uma casa onde um cãozinho solitário late a minha passagem e passa a correr atrás da minha moto, como se quisesse me espantar, desistindo ao ver que conseguiu seu objetivo. ::mmm:

Também cruzei com alguns tratores e pequenos caminhões de alguma obra próxima, vindo em sentido contrário, que me fizeram comer poeira.....em alguns trechos, a estrada estava meio esburacada o que para motos que não é de trilha é péssimo, mas carro vai de boa, pois não era nada se comparado com algumas crateras das ruas de São Paulo...

Fui subindo por cerca de 25 minutos até finalmente alcançar o topo na cota dos 1.600 metros, onde a estrada nivelou e seguiu por um trecho de mata-burros e logo começou a descer um vale do alto da serra. Havia saído de uma altitude de 1.100 para mais de 1.600, para depois descer para pouco mais de 1.570. Subida de pelo menos 500 metros, com mais uma bela vista lá do alto. A segunda do dia. A paisagem era bem tipica de altitude mesmo, com muitos pinheiros e araucárias. A temperatura estava mais baixa nesse ponto tb. Segundo o relato do Augusto, eu teria que passar por um grande lago que estaria a minha direita.

Visualizei o mesmo a frente no vale e como era um dos meus pontos de referência do caminho para o Itaguaré, vi que estava no caminho certo. Continuei seguindo, nesse ponto, após a estradinha atingir o topo da serra, desce até o vale, onde está o grande lago, lago esse na cota dos 1.570 metros de altitude. É o unico da região, então se não passar por ele, é sinal que você pegou algum caminho errado e ai o melhor a fazer, é buscar infos com moradores dos sítios da região.

Após passar o lago, a estradinha chega em uma bifurcação, onde peguei a estrada a direita (que faz o contorno do lago). E continuei, pela estrada mais batida. Na dúvida e para confirmar o caminho, parei mais umas 3 vezes para perguntar, afim de otimizar tempo e sem precisar ficar voltando ou dando voltas pra voltar pro caminho que deveria ter seguido.....Outras bifurcações foram surgindo, mas era só ignorar e seguir a estrada mais batida.

A partir dai, a estrada nivela, vai seguindo bem batida e sem trechos esburacados ou lamaçal, o que me permitiu aumentar a velocidade. Como não havia chovido nos últimos dias, a mesma estava ótima. O velocimetro indicava que já havia rodado cerca de 11 km e ainda nem fazia idéia de qtos quilometros ainda iria rodar até chegar a entrada do acampamento base. Mas fui seguindo. Em todo esse trecho existem bifurcações, então é preciso prestar atenção no caminho. Se estiver sendo guiado por GPS com o tracklog da percurso, ai fica bem facil. Como eu não tinha nada disso, me guiei pelo relato do Augusto, no boca-a-boca e pela intuição do chamado "sentido obvio".

Mas para minha surpresa, cheguei a um trecho da estrada que tava todo enlameado e barrento, me obrigando a parar e analisar a situação bem parecida com a subida do trecho final da estrada do Saigui para o acampamento base Marins. Na hora, pensei: Será que vou conseguir passar por aqui? Desci e fui olhar mais de perto, mas felizmente encontrei um caminho e indo de primeira, passei sem grandes dificuldades. Carros aqui, provavelmente iriam atolar, embora o trecho seja plano. O risco é passar por aqui na ida, cair um temporal a noite e não conseguir voltar. Dai terá que voltar por Marmelópolis.

Após passar esse primeiro trecho ruim, a estrada vira a direita e novamente dou de cara com outro trecho pior. E mais uma vez, cuidado redobrado ao passar por ali, afim de não atolar ou derrapar.....após passar por esse trecho, a estrada chega a mais uma bifurcação, que me gerou dúvidas a que caminho seguir. Então, optei pela estrada à esquerda, pois ia no sentido desejado.

Como sabia que o sentido desejado era preferencialmente a esquerda, ignorei a estrada a direita em favor da esquerda e fui seguindo, até que de repente, após rodar mais 1 km, numa descida, avistei a placa e a entrada do acampamento base Itaguaré, onde cheguei exatamente 1 hora depois, as 10:40. Ufa, foram 15km chacoalhando, entre algumas paradas para perguntar aqui, ali, acolá.....afinal, quem tem boca vai a roma, né?

Imagem
Finalmente chegando ao acesso

Imagem
Acampamento base Itaguaré

Imagem
A placa indicando, não tem erro.

Depois de retirar a cargueira do bagageiro da motoca e ajeita-la, resolvi fazer uma parada longa para detonar um sucão e mastigar algumas barras de cereais, já preparando os músculos para a ardua subida que me esperava logo ali do lado....Mas não sem antes dar uma boa descançada ali, afinal, só havia uma caminhonete no local, o que me fez supor que encontraria apenas um grupo lá no topo.....Tb...com a cara que tava o tempo...encoberto lá no topo....bem, eu tava ali para conhecer o local, então se não visse nada, tudo bem, era só voltar novamente num outro dia.

Imagem
Havia gente na trilha..... ::otemo::

As 11:30 iniciei a trilha propriamente dito, que já mergulha na floresta logo de cara. O 1º ponto de água fica logo no inicio da trilha. Como sabia que não haveria água na subida inteira e no topo, aproveitei para carregar os cantis, deixar preparado um suco e me fartar do precioso liquido, antes de começar a caminhar para valer. Aproveitei inclusive para ajeitar melhor a cargueira, que ficou estupidamente pesada por conta de 2 litros de agua, 1 de gatorade e outro de suco que adicionei na "carga".

Imagem
Inicio da trilha que diferentemente do Marins, sai diretamente do acampamento base.

Imagem
1ºponto de água fica ao lado do acampamento base

Imagem
Aqui, há uma bifurcação e uma placa indicativa...provavelmente deve descer até Cruzeiro. Mas não adentrei nela para saber, com a mesma indicando que vai até Cruzeiro, nem faço ideia por onde ela deve ir.....Será que desce a serra? ::essa::

Para compensar o peso da água, resolvi esconder alguns itens que não iria precisar lá no topo, como um pacote de ferramentas básicas da motoca (o chamado kit de emergência) que pesa em torno de 1kg e outros, como tênis reserva. Retomei a trilha para valer as 11:48. Agora acabou a moleza, é pé na trilha e bora logo para o topo.

A trilha para o pico começa em nível, e vai seguindo o vale adentro dando voltas, inicialmente ao lado do rio. Após cruza-lo logo no inicio, 10 minutos a frente, cruzo com a única bifurcação de toda a trilha, onde uma placa sugere que seguindo reto, subiria para o Itaguaré e o inicio da travessia,a esquerda iria para a cidade de cruzeiro, e voltando, cairia no acampamento base. Segui em frente e a trilha cruzou o riacho, sendo o 2º ponto de coleta d´agua. Mais a frente, a trilha cruza com mais um ponto de água, o 3º e último ponto de coleta, com cerca de 25 minutos do inicio da trilha, antes de iniciar o subida para o cume. Para economizar peso nesse trecho inicial, deixe para pegar água a partir desse último ponto.

Imagem
Seguindo a frente, outro ponto de coleta de água

Após a trilha passar por um descampado com sinais de camping, ela inicia a subida. É a partir dai que você pode se preparar: Os primeiros trechos de subida forte começam, onde as pernas, pré-aquecidas no trecho inicial, serão postas a prova máxima de resistência e força. Isso porque, os próximos 90 minutos, serão inteiramente de subida forte com vários lances de escalaminhada em trechos que a trilha possui vários trechos eroditos. Como acontece nos picos em geral, à medida que ia subindo, a trilha ia ficando mais íngreme e o auxílio das mãos era necessário para impulso nos troncos, raízes e em algumas rochas.

A subida não dava trégua e desanimava só de olhar para cima e ver a pirambeira sem fim....E eu nem sabia que o pior trecho estava por vir...e bem no final. Por outro lado, nesse ponto a trilha fica mais larga e definida. E assim, fui ganhando altitude rapidamente, parando algumas vezes para recuperar o fôlego e relaxar os músculos. Nessas rápidas paradas, a dica é mastigar uma barra de cereais ou frutas secas afim de repor naquele momento o que é gasto no esforço muscular. Subir não é ruim. Ruim é subir com chumbo nas costas... ::lol3::

As 13:10 cheguei a uma pequena bifurcação que dava a 2 grandes rochas partidas, meio torta. Lá, escalei uma enorme rocha que me proporcionou a primeira vista do vale, da estradinha de terra que percorri, o qto já havia subido e o qto ainda faltava para chegar ao cume. A nebulosidade que encobria o topo havia saido de lá, o que me deixou animado. Desse ponto ainda não se consegue ver o Itaguaré, mas é possivel avistar o primeiro maciço do trecho de "chapadão" no topo, que parecia estar próximo, mas ainda estava um pouco longe.

Imagem
Ainda sem visu algum do Itaguaré

Imagem
Dando a volta pela trilha, se chega a base dessa enorme rocha que subindo ela, se tem as primeiras vistas de um belo mirante.

Aproveitei para fazer um pit stop aqui e apreciar um pouco a vista dos contrafortes serranos do alto da mantiqueira. A vista já dava uma ideia do que me esperava lá no topo.....O que me chamou a atenção nesse pequeno mirante foi a área de bivaque natural, onde é possível até se abrigar de chuva e temporais. Cabe pelo menos 2 ou 3 barracas do tipo "iglu" em 2 mini clareiras, uma no "bivaque" embaixo da enorme rocha e outra no acesso a rocha que serve como mirante. É uma boa opção para se abrigar das chuvas e camping de emergência, mas não há água próxima.

Imagem
A vista do vale e do trecho de subida já percorrido foi legal.

Imagem
Entrada para a "Area de Bivaque natural"

Imagem
Aqui (apertando bem), deve caber 1 ou 2 barracas do tipo "iglu"

Após o breve descanço e contemplação do visual, retomei a pernada trilha acima e durante a subida, achei uma luva caida no chão, que imaginei ser de alguém do grupo que tava lá em cima. Coloquei no meio da trilha para que a pegassem na volta. Depois de mais algum tempo de caminhada, achei 2 gorros. Então pensei: que povo mais descuidado. Primeiro a luva, agora 2 gorros? puxa, se eu quisesse ficar com eles, iria me dar bem, pois estavam em ótimo estado. Mas o bom senso me mandou leva-los comigo e entrega-los assim que encontrasse o grupo, imaginando que iria encontra-los em algum ponto lá no topo ou acampados.

Enquanto subia, fiquei imaginando: Se o grupo for para a travessia, os donos desses gorros passarão aperto com o frio a noite.

As 13:40, após uma subida que parecia não ter fim, de repente a trilha emerge da mata de cara na base de um dos maciços do Itaguaré, ponto esse que a trilha dá lugar aos enormes rochedos dos campos de altitude. Nesse ponto, imaginei já ter passado da cota dos 2.000 metros de altitude. Aproveitei para fazer mais um rapido pit stop afim de recuperar o folego, pois só de olhar a piramba quase vertical que teria que escalaminhar para chegar ao trecho de chapadão, era de cansar até a vista....Lá debaixo não se via o fim dela.....

Imagem
Trecho de escalaminhada com trepa-pedra nervoso..... ::mmm:

Imagem

Imagem
Essa rocha simboliza o fim do trecho tenso e exaustivo da subida. A partir dele, já se avista o Itaguaré a direita

5 minutos depois, comecei o trecho de "trepa-pedra" e escalaminhada, utilizando as frestas e pequenos buracos e degraus naturais na enorme fenda da encosta a direita, entre as rochas e o capim elefante, subindo a passos de tartaruga manca, literalmente. Porém, para a minha surpresa, o trecho que parecia não ter fim, é relativamente curto e as 13:55, finalmente chego a uma enorme rocha, que marca o topo e o fim da "escalaminhada e trepa-pedra. Dali, inicia-se o trecho do chapadão já na cota dos 2.200 metros. A partir daqui, a navegação passa a ser mais por totens do que por trilha, embora tenha vários trechos de trilha, principalmente aberturas entre os enormes capins elefantes.

Imagem
A vista desse ponto já impressiona....

Imagem
Trecho por onde vem a trilha


Imagem
Os famosos totens... ::otemo::

Nesse ponto, já se avista o Itaguaré a direita, todo imponente, então o sentido a seguir era o óbvio....assim que se chega a rocha, vira-se a direita e segue sentido a base do Itaguaré, ou seja: Noroeste.
Como era minha primeira vez ali, tive alguns perdidos, algumas trilhas que dão a alguns mirantes ou clareiras para camping, mas basta voltar para o ponto da bifurcação e ir pelo outro caminho... Tendo a vista do Itaguaré a minha direita, apenas precisei procurar pelos totens, setas, pequenos trechos de trilha e aberturas entre o capim elefante, para me guiar, sem grandes dificuldades . . .

Imagem
Trecho de Chapadão e campos de Altitude

Imagem
Marinzinho a direita, pico da Pedra Redonda a esquerda (antes do ruço cobri-los totalmente)

Avistei um grupo no outro pico, do outro lado do vale a esquerda. Percebi que estavam descendo o mesmo e ao me avistarem, gritaram perguntando se eu havia achado umas luvas e um gorro. Acenei que sim e mostrei um dos gorros a eles. Rapidamente vieram ao meu encontro e entreguei os gorros, avisando que deixei uma das luvas lá no meio da trilha, visivel....Aproveitei pra perguntar se ainda faltava muito para chegar as areas de acampamento na base do Itaguaré. E para minha grata surpresa, me disseram que eu já havia chegado, era só olhar para o vale logo abaixo para visualizar o mega descampado no meio entre os 2 morros e o Itaguaré a direita.

Imagem
Mega clareira no meio do vale entre os 2 morros, na base do Itaguaré (parece pequeno, mas não é)

Agradeci pela info, entreguei os gorros e me despedi do grupo, que eram da região e haviam subido apenas para fazer um batevolta com ataque ao cume. E estavam iniciando a descida, enquanto eu havia acabado de chegar. Desci a curta trilha de acesso até a area e cheguei a base as 14:25, com pouco mais de 2 horas e meia cravados desde o acampamento base.

Por incrível que pareça, não havia ninguém acampado no local. Então, dono absoluto do lugar, tive o luxo de poder escolher o melhor ponto para armar a barraca, sendo obviamente, o ponto mais protegido dos ventos possível, embora ali já era protegido por estar em um vale entre 2 grandes morros e o Itaguaré. Montada a barraca, joguei minhas coisas lá dentro, e aproveitei para forrar o estomago com um belo sanduba de presunto, queijo, com biscoito e um sucão para molhar a goela seca.

Imagem
Itaguaré ao fundo....

Saciado, deixei tudo na barraca e parti para o cume, numa trilha facil de localizar que não levou nem 20 minutos para chegar lá.....passei por um valezinho, onde havia uma nascente. A água estava parada, mas como a area de camping não era do lado, ela não parecia estar poluída, mas por estar parada e em pouca quantidade, considerei não ser confiável.....Se for pegar dessa água, utilize um clorin para purifica-la ou na falta dele, ferva ela antes de consumir.

Continuei pela trilha e ela logo chegou a base, onde iniciou a subida final ao cume. No meio da subida, cheguei a uma bifurcação, onde a trilha da direita é a que vai para a travessia para o Marins. Inclusive há uma seta amarela indicando o caminho: "" MARINS"" =>

Imagem
Bifurcação com a indicação para a travessia até o Marins a direita.

Já a trilha da esquerda sobe até o cume do Itaguaré, pena que o nevoeiro veio com tudo durante a subida e não deu para ver mais nada. Mesmo assim continuei subindo, até que finalmente, as 15:50 atingi o cume do Itaguaré a 2.307 metros de altitude. Como a nebulosidade estava variando muito, resolvi ficar um tempo ali com a esperança de que o tempo abrisse e eu pudesse ver alguma coisa, mas em vão. Então, me limitei a bater algumas fotos do topo e de algumas pecularidades do Itaguaré.

Imagem
Seguindo por entre as rochas já em alguns trechos do cume

O cume é bem interessante, formado por enormes rochas que parecem ter sido colocadas ali, umas em cima das outras. Durante a subida, mas principalmente no topo, há alguns trechos perigosos, onde tive que pular de uma pedra para a outra, com enormes fendas e um precipício ao lado, que só de olhar no vazio lá embaixo em meio do forte nevoeiro, dava medo....20 minutos depois, iniciei a descida em direção as clareiras, mas não sem antes dar uma explorada na bifurcação da trilha que indica o inicio/final da travessia para o Marins.

Imagem
A tal Rocha que divide os penhascos.....

Imagem
Precipícios.... ::essa::

Imagem
Se por um lado o ruço tomou conta do cume e a vista do Vale do Paraíba, do lado mineiro, a vista era essa

Algumas aberturas de nebulosidade mostrava um Pico e um enorme vale onde se via a trilha descendo da base do Itaguaré em direção a esse vale, subindo novamente esse pico que acredito ser a Gruta das pedras partidas.
Ao fundo, consegui ver rapidamente os Picos da Pedra Redonda, Marinzinho e o Marins a esquerda antes da neblina encobri-los de vez. Já havia passado das 17:30, e já estava começando a escurecer, qdo cheguei ao acampamento. Resolvi preparar minha janta, fazer um pouco de hora e logo fui dormir.

Acordei algumas vezes durante a noite, com o som dos ventos e a garoa que caia durante a madrugada, mas logo pegava no sono novamente. A garoa era influência da frente fria que estava passando pelo litoral de SP e fiquei imaginando o perrengue que deveria estar passando a galera que optou por ir ao Pico do Corcovado, que fica na serra do Mar em Ubatuba. Por ser mais próximo ao litoral + o efeito da orografia, o impacto lá é sempre maior do que na serra da Mantiqueira, que está mais afastado, sentido interior.

Voltei a dormir e nem me preocupei em acordar cedo para ver o nascer do sol, pois sabia que o tempo estaria fechado mesmo. Então, deixei o despertador desligado e só fui acordar por volta das 7:10, numa manhã fria do alto da mantiqueira e o termômetro marcando cerca de 04ºC lá fora. Ameno, para essa altitude....

O local estava totalmente tomado pelo ruço (nevoeiro), frustrando qualquer esperança de ter alguma visu do entorno. Então, preparei meu café da manhã, e fiquei fazendo hora na barraca até umas 9:00h para ver se o tempo abria. Percebendo que não iria abrir, resolvi desmontar a barraca e vir embora, com a promessa de um retorno ao local o mais rápido possivel, dessa vez somente com previsão de tempo seco. Pelo menos, não choveu e deu para ter parte da visão do lado mineiro e todo o percurso de subida.

Imagem
Tempo não abriu até a metade da manhã, então levantei barraca e me mandei....

As 10:30, iniciei a descida, retornando pelo mesmo caminho de subida, mas agora em meio a um chapadão sem visibilidade alguma com fortes ventos que sopravam de sudeste, ou seja, do mar. Totens, pontos de referência e marcações de trechos de trilha foram mais úteis do que imaginava, embora tenha decorado quase todo o caminho de ida, logo encontrei o trecho por onde se desce até a trilha. Depois de desescalaminhar as enormes rochas, onde fendas, buracos e etc fui descendo cautelosamente, acessando novamente a trilha, mergulhando novamente na floresta. As 12:05, já estava de volta ao acampamento base.

Olhando para cima e vendo o topo todo coberto pelas nuvens, nem conseguia acreditar que na verdade, estava no meio delas....

Continuei o chato e tedioso trajeto de 15km pela estradinha de terra, de volta a rodovia. Porém, os 15km acabou sendo 17, pois passei batido pela bifurcação a direita que deveria ter virado (e que leva ao bairro caxambú e é o caminho mais curto), seguindo reto pela estrada em frente...com isso, acabei seguindo por uma estrada de terra que leva diretamente a cidade de Passa quatro, pelo bairro do Pinheirinho. Ela é mais direta, com quase nenhuma bifurcação, mas não é tão boa qto a outra e é mais longa.

Porém, voltar por ela me proporcionou uma vista mais generosa de todo o vale do Caxambu, a rodovia de longe e passa quatro lá embaixo. Água nesse trecho inclusive não é problema, pois visualizei várias quedas durante o trajeto. Mas não subiria e nem desceria por aqui, pois são 3 km a mais de percurso. Só serviu mesmo para economizar gasolina da motoca, pois como era só descida, desliguei a mesma e fui descendo em ponto morto, heheh

Olhando no google earth depois, vi a besteira que fiz.....tomei o cuidado para não me perder na ida, mas relaxei na volta. Qdo me dei conta, já estava bem para frente para retornar, então ao ver um senhor vindo montado num cavalo, perguntei para ele a direção da rodovia e ele indicou continuar reto por onde eu estava que sairia lá....então acabei indo. Quem for lá e entrar pelo bairro do Caxambú (2º entrada à esquerda ao lado de um ponto de onibus na rodovia), atente-se ao caminho de ida. Qdo chegar a um ponto, após o trecho do grande lago, a estrada irá terminar em outra larga, que vem da direita. Na volta, deve-se virar a direita e não ir reto. A referência é que a estrada do caxambu é toda avermelhadona.

Já na rodovia, estacionei em um restaurante e lanchonete "alto da serra" bem próximo ao mirante e a placa azul que indica a divisa de estados de SP e MG, onde mandei ver num PF (coma a vontade). Retomei a viagem de volta a SP por volta das 14:40, chegando as 19:00hs. A volta demorou mais, devido a vários trechos de congestionamentos que peguei no caminho, inclusive na marginal Tietê. Congestionamento típico de hora do rush em pleno domingão e sem ter tido acidente algum, apenas galera voltando das montanhas e do tradicional viagens de "Fim de semana" no interior e litoral.

Imagem
Já na Dutra, voltando para SP, fiz uma rápida parada para tirar essa foto e constatar que o tempo não iria abrir mesmo, permanecendo encoberto o dia todo...mas pelo menos não choveu ::otemo::

Como não tive sorte com o tempo na primeira vez, voltei lá no fim de semana seguinte. E dessa vez consegui pegar tempo bom nos 2 dias em que permaneci lá e de quebra fiz uma investida até o Pico das grutas. Todas as fotos dessa 2º investida estão no link abaixo:

https://picasaweb.google.com/1104304139 ... directlink

---------------------------------

Como chegar ao Pico do Itaguaré:

- Para quem vem de SP ou do Rio, pegar a saída 35 indicando "Cruzeiro-SP/Passa Quatro-MG". Seguir direto pela rodovia, ignorando a bifurcação que indica o caminho para a cidade de Cruzeiro (exceto se quiser fazer uma parada lá para comer algo). Seguindo a placa que indica "Sul de Minas", você seguirá em direção a serra, onde verás outra placa indicando as distancias até Passa Quatro e outras cidades próximas do Sul de MG.

- Após terminar a subida e passar pela placa que indica a divisa de estados, siga em frente até visualizar um ponto de ônibus a direita e a placa "bairro do Caxambú". Desça a discreta estradinha de terra a esquerda e siga em frente até cruzar os trilhos de trem. Siga reto e verás outra placa indicando "Marmelópolis/Itaguaré". Você passará por dentro do pequeno e discreto bairro do Caxambú, pertencente a Passa 4. Seguindo em frente, pela estrada de terra mais larga e batida, começará o trecho de subida da serra, que fará contornos e seguirá até atingir o topo. Se estiver no caminho certo, após cruzar o topo, visualizará um grande lago a sua direita durante a descida.

- Siga em frente, passe pelo lago e vire a direita na bifurcação que contorna o mesmo. Na dúvida, há várias casas e sitios pelo caminho, basta parar e perguntar a moradores locais sobre o caminho para o Pico do Itaguaré. Não tem erro

- Depois do lago, a estrada seguirá pela direita pelo trecho de planalto até encontrar com outra vindo a direita. Vire a esquerda e siga reto, onde chegará a 2 trechos complicados e que vira um lamaçal qdo chove muito na região. Por conta de ser um trecho plano e não de subida/descida ou um vale, consegui passar com minha moto com certa cautela.....Esses 2 trechos são os unicos trechos ruins da estrada, desde a rodovia até o acampamento base. Após passar esse trecho, uma nova bifurcação surge, vire a esquerda e siga em frente que logo você visualizará a placa "Acampamento base Itaguaré" e o enorme descampado onde dá para acampar ou deixar o carro.

Mas aqui vai um ALERTA: Por conta de relatos de furtos e roubos de veículos por falta de segurança a noite, pode evita-los deixando seu carro no Estacionamento do Nata, na fazenda Gondarim, a cerca de 1,8km antes do acampamento base e que possue inclusive uma trilha "corta caminho" particular até o acampamento base. Segue os dados:

Proprietário: Nata Juanna Greca

Mapa da localização do local e fanpage

https://www.facebook.com/photo.php?fbid ... =3&theater

Face do Nata: https://www.facebook.com/nata.greca

Segundo amigos que o indicaram, é gente boa e implantou recentemente já nessa temporada, um estacionamento base como no Milton, onde é possivel deixar seu carro com segurança. Não sei ainda qto é a diaria, pois não cheguei a utilizar por não saber. Então é só contacta-lo inbox pelo face dele, avisando do dia que pretende chegar que ele. Se tiver dúvidas sobre a localização da fazenda, basta consultar o mapa ou perguntar a ele. Você evita o trecho de lamaçal e o risco de ter seu veículo danificado ou furtado.

Caso não tenha ninguém na fazenda, segundo me disse o Nata inbox, há um casal que mora ali, é só contactar o seu Toninho ou sua esposa, a Fátima, dando um "agrado" para eles depois por conta de que irão tomar conta do seu carro/moto.

Para acampar, já não tem problema. O Descampado da base Itaguaré é bem espaçoso e cabe várias barracas e de 4 a 6 carros com folga. Mas com os relatos de gente que deixou seus carros ali e tiveram os mesmos furtados, com rodas arrancadas, vidros estourados, entre outros, o melhor mesmo é usar o local somente para acampar com os carros lá no Nata, iniciar a subida no dia seguinte bem cedo, já que há água perto.

Qdo estive lá, não sabia disso, só fiquei sabendo depois, então achei por dever incluir o alerta no relato afim de precaver a galera que deixar o carro ali não é seguro. Mesmo o local estando no meio do nada e distante centenas de quilometros dos grandes centros urbanos, ainda tem disso. O mundo está perdido mesmo!
No meu caso, mesmo sem saber, por notar vestígios de acampamento, optei por colocar minha moto nos fundos quase dentro da mata, distante das areas, afim de deixar a area livre para quem fosse acampar ali.
Editado pela última vez por Renato37 em 28 Mar 2015, 22:30, em um total de 1 vez.


Usuários navegando neste fórum: Nenhum usuário registrado e 2 visitantes