Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#479600 por rsfreitas
21 Jun 2010, 23:41
Fiz esta viagem já faz algum tempo, em outubro de 2008, mas acabei não postando aqui.
O Pico dos Marins é o mais alto que fica inteiramente dentro do Estado de São Paulo. Ele perde para o Pico da Mina, por exemplo, que fica entre SP e Minas Gerais.
O Pico tem 2420 metros de altura, e fica no município de Piquete. O acesso até o início da trilha é fácil e pode ser feito por qualquer carro.
Para chegar de São Paulo até o Pico dos Marins:
Dutra - Saída 51
BR 459 - Passar por Piquete e logo depois (menos de 1km) pegar a estrada José Rodrigues Ferreira à direita, para chegar à Vila do Marins.
Passando o portal de Marmelópolis, logo a direita é o acampamento base.

Já no acampamento base, deixe seu carro, negocie o preço com o Milton, e bata um papo com ele para conhecer melhor o que você terá pela frente.

Apesar de eu ter levado o GPS para essa viagem, tinha comprado ele há menos de 1 semana, e mal sabia usar. Resultado: praticamente não usei, e o caminho tortuoso, demarcado por rochas empilhadas ou marcações bem toscas nas pedras, facilitou que nós 3 errassemos o caminho duas vezes na ida, e mais uma na volta.
Recomendo levar um GPS com uma track bem feita (que não é o caso da minha), ou subir com um guia.

A subida é realmente linda! A paisagem da mantiqueira vista cada vez mais do alto é de tirar o fôlego!
Subimos em um dia muito quente e com muita bagagem (barraca, fogareiro, pratos e talheres, comida, água, etc..) o que dificultou muito nossa velocidade.

Depois de aproximadamente 4 horas de subida e um erro, já estávamos bem cansados, e estávamos chegando nas subidas mais íngremes da aproximação do cume. Na quinta ou sexta hora, erramos o caminho novamente, em um grande charco que fica próximo ao ataque ao cume. Neste local o tempo fechou e começou a chover de leve, o que provocou um misto de calor e suor fortes sob o anorak, com muito cansaço e exaustão com o erro do caminho, que nos fez saltar de pedra em pedra no meio do charco, atolando o pé em lamas, com vegetação da nossa altura. A sensação foi de esgotamento geral.

Neste ponto, tão perto do Marins, desistimos de continuar subindo e procuramos o local mais próximo para acampar: uma pedra mais plana e ampla, que cabia bem nossa barraca.

O caminho tem essa peculiaridade. Quando você erra, ele é complicado de se caminhar. A vegetação entre as pedras é muito alta, por mais que não pareça, e quando você não consegue passar de uma pedra a outra, tem que entrar nessa vegetação, e passar um bom perrengue pra sair em algum lugar correto!

Paramos no vale que antecede o cume, montamos a barraca e o fogareiro, arrebentados de cansados, e começamos a fazer nosso macarrão. Problema: água.
Onde estacionamos não tinha água limpa. Tinham algumas passagens de água pouco corrente sobre as pedras, que tivemos que pegar com muito custo para pode fazer o macarrão, fervendo antes, para não ter muito problema. No dia seguinte viríamos descobrir um ponto de água próximo, mas com nosso erro não encontramos.

Dormimos ali mesmo, no vale a beira do Marins, em uma noite incrível, com nuvens cobrindo a lua como se fosse o sol, criando sombras estranhas, depois limpava, e num instante uma massa de névoa vinha em nossa direção e cobria tudo, como se estivessemos em meio à serra na neblina. Demais!
Algumas pessoas que desistiram pouco antes de nós passaram um belo perrengue nesta mesma noite. Eles estavam na área elevada, antes de nosso vale, e a noite foi de um completo vendaval, que fazia a barraca deles encostar em seus narizes durante a noite! Fica a dica: acampe no vale.

Apagamos e no dia seguinte acordamos nos perguntando se deveríamos atacar o cume ou voltar, afinal, era domingo.
Achamos que poderíamos levar muito tempo para subir e resolvemos não arriscar. Descemos em metade do tempo da subida, o que nos deu certo arrependimento de não ter deixado a bagagem e subido leve até o cume. Valeria a pena!
Sim, voltamos sem alcançar o cume, mas com a promessa de voltar!

Veja as fotos, e acesse o GPS Track com nossos erros no meu blog: http://tripsetracks.blogspot.com/2009/1 ... paulo.html - lá estou colocando todos os relatos de minhas viagens.


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