Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#582151 por Jorge Soto
02 Mai 2011, 10:41
http://jorgebeer.multiply.com/photos/album/185/185

O POÇO DAS ANTAS DO GUACÁ
O Rio Guacá é mais um dos inúmeros cursos dágua q despencam planalto abaixo em meio à exuberância da Serra do Mar
paulistana rumo litoral. Juntamente com o Sertãozinho, é um dos gdes tributários q somados formam o majestuoso Rio
Itapanhaú, conhecido de tantas outras ocasiões. O Guacá sempre atiçou minha curiosidade e a exploração do seu
acidentado e sinuoso trajeto era mera questão de tempo. E pra descortinar seus tortuosos meandros nada melhor q
começar com um bate-volta dominical num dos seus atrativos pouco conhecidos, no caso o Poço das Antas, um bucólico
piscinão escondido na mata q marca o final do curso manso do rio e inicio de sua acidentada jornada rumo Bertioga.

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Nem mesmo o atraso causado pelo relapso em esquecer de tomar o sagrado bus das 8:20 diminuiu nossa empolgação da
trip. Pelo contrario, juntamente com outra galera q aguardava o mesmo coletivo pra ir pra outro atrativo da Serra do
Mar mogiana – no caso, a Cachu Furada - passamos o tempo na rodoviária de Mogi entre uma conversa e outra, porém
resignados em saber q nosso cronograma pra aquele domingo ensolarado não permitia falhas. Explico: nosso destino era
beeem distante dos rolês habituais pela região; ninguém havia pisado nele; e as poucas infos q dispúnhamos vinham
do folclórico Seu Geraldo, tradicional matuto local.
Qdo o latão partiu as 9:40, eu, Clayton, Fernando, Lucilene, Leo e Carlos nos acomodamos nos bancos empoeirados do
coletivo e zarpamos rumo à SP-98, mais conhecida como Rodovia Mogi-Bertioga. Saltamos no km77 q assinala o pto final
da Balança e lá nos juntamos ao Fabio, Vivi e Gabriel, q la nos aguardavam já a um bom tempo.
Sem perda de tempo pusemo-nos a caminhar pelo asfalto pois a jornada ate o inicio da trilha era longa, mais
precisamente distante uns 7km dali. Apesar de numeroso nosso grupo ate q andou bem rápido, e as 11hrs já cruzávamos
os limites municipais de Bertioga e Biritiba-Mirim, depois te nem ter reparado nas entradas pra Cachu Furada e pra
Trilha do Itapanhaú. Descendo a serra suavemente tive uma breve pausa no km82 pra minha primeira fotografia, no
caso, um mirante com bela vista de Bertioga reluzindo numa costela espremida pelo azul do mar e o verde da serra.
Cruzado o Rio Sertãozinho e o Monumento da Bica d´Agua, percebemos q a estrada faz a curva rumo pra esquerda, agora
ao lado das encostas serranas cada vez mais verticalizadas por onde escorrem constates filetes dágua. E logo numa
curva um imponente vale se descortina onde a silhueta nas montanhas ao seu redor faz um gigantesco “V” q se destaca
da geografia local. Esse vértice assinala o Vale do Guacá, cuja ponte cruzamos as 11:50 no km85. Já do alto podemos
ver o furioso rio despencando em varias cachus e poços sob a gente, aperitivo pro q viria a seguir. O sol do
meio-dia brilhava forte e minha ânsia por um banho naquelas águas era partilhada por td galera.

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Cruzada a ponte de concreto, demos um jeito de saltar a mureta e cair numa picada q desceu ate baixo da mesma. Uma
vez la reparamos q alguém vivia literalmente “em baixo da ponte”, provavelmente algum ermitão q no momento não se
encontrava ali. Mas era incrível em como havia organizado td numa aparente cozinha em tão exíguo espaço, na forma de
uma pia com captação, um pequeno pomar e um rústico “fogão” a lenha dividindo espaço com pilhas de garrafas de pinga
(vazias, infelizmente), louças, latas vazias e algum lixo.
Pois bem, desta “residência” parte uma trilha q sobe a encosta da serra bem forte, numa inclinação quase vertical. E
la vamos nos, ganhando altura rapidamente na base da escalaminhada em meio à mata, com o suor começando a escorrer
farto no rosto. No exato momento em q a subida aparenta nivelar em pequenos ombros serranos - onde sinais visíveis
de acampamento surgem – ela ressurge implacável, aos ziguezagues, atraves de emaranhados de raízes no chão q servem
de escada, tal qual a “Trilha do Itapanhaú”. O pessoal ameaça varias vezes parar pra descansar mas eu e o Carlos não
permitimos esse privilegio, pois temos q recuperar o tempo perdido na rodoviária, do contrario a volta seria no
escuro e isso tava fora de cogitação.
Mas eis q a subida tem fim e agora a caminhada fica mais amena e agradável e se dá ora pela encosta ora pela crista
serrana, com mato caindo de ambos os lados. Mas não demoram a surgir bifurcações (e muitas) onde nosso bom senso
sempre dita manter-nos sempre na mais batida (nordeste), na q se mantenha em nivel e acompanhe o agora fundo vale do
Guacá, cujo trovejar é audível da encosta q perambulamos, porem bem baixinho. No caminho surge mta mata tombada e
vários mega-deslizamentos, dos quais desviamos intuitivamente por meio de picadas improvisadas justamente pra este
fim até cair outra vez na vereda “principal”, por assim dizer. O bom é q água é o q não falta no caminho pq sempre
tem algum correguinho cristalino pronto pra molhar a goela ou abastecer o cantil menos favorecido.

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A caminhada então se mantem nesse mesmo compasso durante um bom tempo, através de cristas ou encostas sentido
nordeste. Após cruzar por um acampamento de palmiteiros aparentemente abandonado, a picada aparenta desviar do vale
mas apenas contorna desniveis maiores à nossa esquerda pra logo retomar o rumo desejado. Mas logo nos vemos perdendo
altitude, inicialmente numa crista descendente e depois em meio uma funda vala erodida no q parece ser o meio da
serra.
Enfim, as 13:30 desembocamos numa larga clareira no planalto, as margens do Guacá q aqui corre mansamente e nem
lembra o raivoso rio lá de baixo. Aqui tb havia outro acampamento de palmiteiros ou caçadores abandonado, porem de
proporções maiores. Lonas dispostas numa estrutura precária de bambu dividia espaço na clareira com muito lixo, um
pé-de-limão e sinais antigos de fogueira. Seu Geraldo havia nos alertado desta gente, q abre muitas trilhas nessa
regiao q acabam confundindo quem trafega pela principal, isto é, a q sobe ate o planalto.
Pois bem, da clareira a picada aparentava continuar acompanhando o Guacá, rio acima. No entanto, como nosso objetivo
é o Poço das Antas deixamos a vontade de prosseguir por ela pra outra ocasião. Sendo assim e pelas infos q
dispúnhamos, bastava acompanhar o manso rio sentido asfalto, agora ate o pto onde ele começava a despencar serra
abaixo, em tese. Retrocedemos então um pouco pela picada q viéramos afim de encontrar alguma bifurcação rente ao rio
e bingo, encontramos. Dali foi so seguir sem dificuldade por ela, ora margeando ora afastada do Guacá, q marulha
placidamente agora à nossa direita. As vezes o mato parece fechar e a trilha se perder, mas logo ela ressurge mais
adiante, não tem erro.

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Após cruzar pelos restos de uma antiga barragem, eis q as 13:50 finalmente desembocamos na praia fluvial e pedregosa
do Guacá q atende pelo nome de Poço das Antas. As infos batiam e as fotos da internet tb, ou seja, missão concluída!
O local é um charme, isolado de td e tds em meio ao coração da Serra do Mar. O Guacá aqui corre manso represando
vários piscinões de diversas profundidades em meio aos rochedos, pra logo em seguida iniciar sua encachoeirada e
furiosa jornada rumo o litoral. O GPS do Fabio marca 650m de altitude, e é nesse plácido remanso q finalmente nos
presenteamos com uma longa Prada pra descanso, lanche e contemplação. O tão almejado tchibum não foi esquecido, com
exceção da Vivi, Lu e alguém q trajava uma blusa azul ostentando “Leozinho”, lagarteando nos lajedões.
Nos regateávamos de sandubas, salgados, frutas, sucos e bolachas enqto o Fabio colocava o fogareiro pra ronronar qdo
de repente um negrume tomou conta do céu e nuvens ameaçadoras pairavam sobre a gente. Alguém lembrou-se de verificar
a previsão pra aquela tarde? Q nada. Primeiro começaram pingos minúsculos aqui e ali, q ignoramos solenemente, mas
logo depois desabou uma chuvarada q nos pegou tão de surpresa q ensopou num piscar de olhos até quem não se
aventurou a entrar no rio. Hora de voltar. Nosso plano inicial era descer pelo rio, mas com a chuva ele foi
imediatamente descartado pq naquelas condições era tremendamente perigoso. Ficava pra próxima.

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Sendo assim, nos protegemos o qto podiamos embaixo das arvores afim de nos preparar pra voltar pelo mesmo caminho,
já q nossa exploração havia terminado e a missão, cumprida. Sendo assim retomamos a pernada chapinhando td a volta.
A trilha transformara-se num verdadeiro rio diante daquele inesperado temporal q nos deixara feito pintos molhados
num instante, e caminhar rápido era a única maneira de esquentar o corpo, espantando o fantasma do frio q ameaçava
dar as caras.
O dilúvio escureceu a mata a tal pto de parecer q andávamos á noite, isso em plena tarde. Portanto td cautela e
atenção na trilha foi redobrada, o q não impediu q muitos levassem tombos constantes durante td trajeto. O Fabio
havia plotado o caminho na ida, mas mesmo assim isso não nos poupou de perdidos, principalmente na complicada volta,
onde nos separamos uns dos outros e perdemos contato provisoriamente. Bem no trecho final havíamos tomado uma picada
errada q nos levou no q parecia um abismo. Voltamos e retomamos a rota certa. Uffa! A piramba final foi um desafio
pra tds. Escorregadia feito sabão, os galhos e troncos aqui tiveram papel fundamental na redução significativa de
capotes, mas q não poupou outros de parecer q haviam saído recém do chiqueiro.
Alcançamos finalmente a segurança da SP-98 as 16:40, ainda com o rosto sendo fustigado pela chuva q caia
incessantemente. Mas o rolê ainda sequer havia terminado, pois ainda tínhamos 7 interminaveis e enfadonhos
kilometros pela frente. E la fomos nos, camelando cansativamente a volta sem esperança alguma de carona naquelas
condições. É, o Rio Guacá é um programa q deve ser melhorado no quesito logística e transporte.

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Chegamos tropegamente na Balança as 18hrs, onde pra nossa desgraça esta td fechado. Desta vez não teríamos nossa
sagrada bebemoração habitual. Q desaforo. Mudamos nossas vestes úmidas por outras mais aconchegantes e ficamos a
espera do busão, q so passou uma hora depois. Em Mogi sim, mais tarde, estacionamos num boteco a frente da Estacao
Ferroviaria onde comemoramos o perrenguinho molhado daquele dia, regado a cerveja e varias porções. So cheguei em
casa por após a meia-noite, diga-se de passagem, após cochilar e perder o pto de descida do bus, me abrigando a
andar ainda algo de 4km adicionais pela Raposo Tavares na madru ate o aconhego do lar.
E esse foi nosso cansativo e perrengoso bate-volta q serviu de introdução ao Rio Guacá. Primeira incursão de muitas,
diga-se de passagem. Melhorando-se apenas a logística de acesso pra bate-voltas ou adicionando mais um dia pra
compensar o deslocamento, o Guacá avista possibilidades como travessias ate Casa Grande ou à Represa Andes, como uma
simples e pauleira descida radical por td trajeto do rio. Isso apenas pra começar. As trilhas q se ramificam ao seu
redor sugerem inúmeras possibilidades, e portanto garantias de muitas aventuras vindouras. Uma diferente da outra.
Coisas q somente a nossa majestuosa Serra do Mar pode oferecer.

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