Relatos de Viagens em Portugal
#1131862 por juliad
21 Out 2015, 01:18
olá a todos!
só posso agradecer pela colaboração de todos nesse forum por ter me propiciado uma viagem mais do que incrível. fui sozinha e conheci um dos países mais incríveis com um povo hospitaleiro, comida deliciosa, ótimos vinhos e paisagens incríveis.
além do Mochileiros, me baseei nos foruns do Lonely Planet e Fodors Travel para montar o meu roteiro e saber mais ou menos o que ver em cada lugar.
destaco alguns blogs como o 360meridianos, oportoencanta, oportocool, lisbonlux entre outros. Enfim, pesquisei bastante e, por isso, consegui ver bastante coisa e ficar pouco tempo perdidona.

Vamos à vaca fria:

>>> por que Portugal?
já estive na Europa outras vezes e quis retornar. no entanto, minhas experiências anteriores me mostraram que vale muito mais gastar mais tempo em um lugar do que sair correndo igual gincana de um lado para o outro. Portugal é um país pequeno, conta com fácil locomoção entre as cidades, preços ainda convidativos, vôos diretos, culinária incrível e um povo muito hospitaleiro. e, ao que tudo parece, aos poucos vêm se consolidando como um destino mais popular. resolvi ir agora porque o país está estruturado para o turismo mas ainda não tão infestado de turistas (cito Praga e Barcelona como exemplos de cidades que me irritaram pelo excesso de gringos)

-roteiro
dia 01 - chegada no Porto
dia 02 - Porto
dia 03 - Porto, daytrip para Pinhão, no Douro
dia 04 - Porto
dia 05 - Porto - Aveiro - Evora. passar algumas horas em Aveiro e seguir viagem. Pernoite em Evora
dia 06 - Evora
dia 07 - Evora - Lisboa
dia 08 - Lisboa
dia 09 - Lisboa
dia 10 - Lisboa
dia 11 - Lisboa/Brasil

>> considerações sobre o roteiro
acredito que acertei em cheio. antes de viajar, vi muitas pessoas dizendo que 2/3 dias seriam suficientes em cada cidade. na minha opinião: não mesmo. mesmo as cidades sendo pequenas, anda-se muito e aos poucos fui descobrindo detalhes de cada lugar que preencheram cada minuto. a parada de 2 dias em Evora foi estratégica: a cidade é pacata e plana, uma boa pausa entre dois centros montanhosos.

>>meios de transporte
aéreo: vôo direto TAP. vejo muitos comentários sobre companhias aéreas aqui, mas pessoalmente, minhas únicas preocupações são: atrasos e pontuação de milhas. TAP nota 1000000
trem: comprei antecipadamente pelo site da companhia portuguesa de trens cp.pt os trechos Aveiro - Evora e Evora - Lisboa.

>>hospedagem
comecei a reservar os hostels com quatro meses de antecedência. com isso, garanti ótimos preços em ótimos hostels. fiz tudo pelo booking. peguei quarto

Porto: Hostel Gaia Porto
considerações: uma graça de hostel. super familiar, a ponto do pai do dono comprar o pão para o café da manhã e ele e a mulher arrumarem a sua cama. limpíssimo. tem três terraços, com vista para a Ribeira. o único ponto é que ele fica em Vila Nova de Gaia (do outro lado do rio) e não no Porto. mas ele está a 3 quadras do rio e outras 3 da estação de metrô General Torres.

Evora: Inn Murus
considerações: também agradabilíssimo. ele foi, há uns 300 anos, residência estudantil. o espaço é imenso e, quando cheguei, metade do hostel estava vazio: só eu usei o banheiro coletivo, por exemplo. quarto enorme. poucas quadras da praça principal. os donos eram uns amores também - passei a noite bebendo vinho com um deles, no terraço, com vista para a cidade.

Lisboa: Sunset Destination Hostel
considerações: o hostel fica NA ESTACAO DE METRO. sim, na parte de cima da estação Cais do Sodré. ele tem uma piscina com vista para o tejo. foi eleito um dos 5 melhores do mundo, e não é para menos. mas, cá entre nós, tem estrutura de hotel: muitos gringos, muitas regrinhas, precinho um pouco inflacionado nas bebidas. mas mesmo assim, incrível.

>>grana
é, o tal do euro, a tal da crise...assim que percebi que o euro estava disparando, resolvi pagar tudo que podia aqui no Brasil: hospedagem+transportes. também comprei aos poucos, e orcei 100 euros/dia. superestimei: gastei cerca de 50 euros/dia, comendo, bebendo e fazendo o que bem quis. ressalto apenas que não sou de comprar (não entrei em um shopping) e só uso transporte público.

>>viajar sozinha
já passei alguns dias avulsa fora do brasil. mas isso é muito diferente de fazer uma viagem 100% do tempo sozinha. vai por mim: é seguro, é incrível e você vai curtir e MUITO

>>malas
resolvi não despachar nada. como andaria em cidades que são pura pirambeira, levei uma mala de rodas pequena e fui lavando o que precisava no caminho.

#1131863 por juliad
21 Out 2015, 01:28
Algumas fotos iniciais aqui. aos poucos vou postando. o que posso dizer sobre Portugal é: apaixonadíssima pelo país <3
Anexos
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Quinta da Regaleira, Sintra
Foto 12-10-15 06 58 14.jpg (2.76 MiB) Exibido 4417 vezes
Foto 13-10-15 11 13 32.jpg
Lisboa, pq tão linda?
Foto 13-10-15 11 13 32.jpg (3.2 MiB) Exibido 4417 vezes
Foto 11-10-15 05 16 21.jpg
Óbidos, incrível Óbidos
Foto 11-10-15 05 16 21.jpg (2.05 MiB) Exibido 4417 vezes
Foto 08-10-15 15 12 32.jpg
Evora ao entardecer
Foto 08-10-15 15 12 32.jpg (1.69 MiB) Exibido 4417 vezes
Foto 08-10-15 07 29 19.jpg
Aveiro e seus moliceiros
Foto 08-10-15 07 29 19.jpg (2.75 MiB) Exibido 4417 vezes
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Quinta do Popa, Pinhão, Vale do Douro
Foto 06-10-15 11 09 38.jpg (2.58 MiB) Exibido 4417 vezes
Foto 05-10-15 09 06 10.jpg
Mosteiro Serra do Pilar, Porto
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#1132501 por juliad
23 Out 2015, 18:35
eita, Juliana...quase vontade de ficar por lá mesmo!
#1132516 por juliad
23 Out 2015, 20:50
dia 01

Cheguei no Porto umas 9 da manhã e, pela primeira vez na vida fui parada pela anfândega. Não é nenhuma surpresa que só existiam mulheres sozinhas ali também - mas de todas as nacionalidades. O sujeito revirou minha mala e perguntou meu roteiro: no final, falou que eu cheguei em um dia de chuva horrível, que ontem tinha feito o maior sol, blabla.
Segui as placas e fui até o metrô. A máquina é intuitiva, como em qualquer cidade européia. Mas, de qualquer maneira existia um funcionário ao lado, dando apoio para todo mundo que chegava. Comprei o passe e fui.
Qual foi a minha surpresa quando o metrô saiu da estação subterrânea de São Bento e se aproximou da General Torres: a cidade do Porto apareceu na janela e caiu a minha ficha de que eu estava em cima da Ponte Luis XV. Desci do metrô e fui andando pro hostel. Lógico, com meu guarda chuva e o GPS. Uma dica que eu já usei em outras viagens e bastante nessa: o aplicativo MAPS ME, que baixa o mapa da cidade e permite que você navegue totalmente offline.

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Estação de Metrô Aeroporto do Porto

Mala deixada no hostel e rosto lavado, bora passear pela cidade =)
O Porto me surpreendeu logo nas primeiras ruas. Por mais que eu havia lido sobre quão encantadora era a cidade, nada me preparou para ser surpreendida com tantos detalhes lindos em cada fachada, cada ruela, cada azulejo. A chuva e o tempo nebuloso deixou todo o clima muito mais misterioso.
Uma coisa que eu havia lido sobre é que a cidade era suja. Confesso que me surpreendi muito com isso também. Achei todas as cidades de Portugal extremamente limpas, assim como o pessoal. Desde as ruas até os metrôs (todos novos!). Como disse, já estive antes na Europa e, todas as vezes que pisei no continente e começava a andar pela rua/metrôs, pensava "gente, mas esse metrô fede. caramba, quanta lata de cerveja no vagão." etc. Lá foi exatamente o contrário.

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Fachadas e mais fachadas de azulejo.

Meu hostel era na Vila Nova de Gaia. Explicando: O Porto é, na verdade, apenas uma "margem" do rio Douro. A famosa ponte liga a cidade do Porto com Vila Nova de Gaia. As adegas de vinho do Porto estão todas as Vila. Mas eu escolhi ficar deste lado do rio porque, além da vista ser mais bonita de Vila para Porto do que o inverno, as coisas eram mais baratas nesta margem. Acertei em cheio na minha opção e, de quebra, ainda fiquei feliz de verificar que do meu lado tinham MUITO MENOS turistas do que do outro. Digo isso porque tenho pavor de hordas e mais hordas de turistas e putz...Portugal está se tornando um destino muito popular na Europa agora, porque, além de ser um país barato, conta com uma infra incrível para atender o pessoal. Hoteis novos, cardápios em trocentas linguas, funcionários com inglês e francês fluentes, etc: ninguém passa por aperto ali.

Segui até a Ribeira, cruzei a ponte Luis XV e passei o dia pelo Porto, andando de um lado para o outro e conhecendo um pouco o território. Entrei em vielas e mais vielas, bebi taças de vinho a 1,2 euros, comi bacalhau, relaxei um pouco e andei mais.
A cidade é um sobe e desce infinito (bem menos do que Lisboa, mal sabia eu!) cheio de caminhozinhos e coisinhas lindas de um lado para o outro. Provei também uma bebida de lá, o Porto Tonica: vinho do Porto com água tônica. A partir daí, tomei várias delas durante toda a viagem.

Gostaria de ressaltar que achei a cidade super segura. Voltava de madrugada pelas ruelas sozinha e não passei por qualquer aperto (nem nada próximo). As vielas tem um ambiente super família, em que você vê senhorinhas conversando de uma janela para a outro, crianças berrando e um delicioso cheiro de sardinha assada no ar <3

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Vila Nova de Gaia, do outro lado o Porto. E a tal ponte. Você pode atravessar a ponte por baixo ou por cima. Pessoalmente, tenho pavor de altura e me arrependi as duas vezes que atravessei por cima, mesmo com a vista linda. Era muito vento e a linha de metrô passava ao lado.

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Vinho Verde =)

Porto Tonica.
Anexos
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#1133504 por juliad
27 Out 2015, 22:54
baita clube, Filipe! nunca havia dito isso antes, mas Portugal me surpreendeu pelo povo =)
#1133522 por juliad
28 Out 2015, 00:10
Dia 02 - Porto

Um pouco mais "situada", resolvi me aventurar pela cidade. Eu tinha um compromisso na cidade neste dia, no meio da tarde: um tour específico sobre azulejos pela cidade, seguido por uma oficina de criação de azulejos. Ao longo do relato detalho melhor.

Sai cedo do hostel com o objetivo de "ticar" os principais pontos turísticos. Como estava em Vila Nova de Gaia, a primeira atração que eu consegui matar foi o Mosteiro da Serra do Pilar.
Uma coisa que me surpreendeu (dentre outras tantas...) em Portugal é a quantidade de miradouros que as cidades possuem. Quando você menos esperam eles estão ali, na sua frente. Muito pelo Porto e por Lisboa serem cidades com sobes e desces, o efeito psicológico de trombar com uma vista incrível depois de gastar pernadas e mais pernadas é realmente recompensador. E, acredite, não são necessários mapas ou guias: eles simplesmente surgem ali, no meio do nada.

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Mosteiro Serra do Pilar, Vila Nova de Gaia

Muito esperta que sou, resolvi cruzar a ponte a pé, pelo lado de cima. Já havia feito o percurso no dia anterior, mas na parte inferior. Qual seria, afinal, o problema?
R: o vento. A PORRA DO VENTO. o metro ao lado podendo aparecer a qualquer momento.
A vista, meus amigos, é de tirar o fôlego. No entanto, eu perdi o meu pela fobia que tenho por alturas e claro, pelo receio eterno de ser levada ou atropelada por um trem (ou comboio, como eles preferem chamar...)
Sustos a parte, cheguei ao Porto novamente. Minha idéia ali era turistar sem compromisso. O legal de cidades com o porte do Porto é que, por terem as atrações concentradas, não necessitam de consultas de mapas e afins - as coisas vão surgindo na sua frente.

Alguns lugares que passei:

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- Estação de Trem São Bento: ela tá ali, no epicentro. Durante os meus 4 dias no Porto, todas as vezes que eu passava na frente dela eu dava uma conferida básica =). ADORO estações de trem, e esta é especial.E sim, os azulejos são incríveis e lindos. Uma nota: a estação de trem é subterrânea e a entrada é do lado de fora do prédio.

- Café Majestic: outra coisa que eu adoro são casas de chá/café. Em prédios tradicionais, então! E, se você fizer uma ligeira pesquisa sobre o Porto, muitos apontarão este café como um dos mais lindos do mundo. Posso falar? Simplesmente: não. Pelo tanto que eu li sobre este café, esperava algo mais do que incrível. O que eu encontrei foi um café decadente (quem já visitou a Colombo do Rio de Janeiro sabe...) com preços super faturados e gringos e mais gringos. Minhas expectativas eram do mesmo nível dos cafés que tem em Viena, onde estive ano passado. De boa, qualquer padaria que eu entrei no Porto tinha um café delicioso, preços ótimos, um dono simpático e doces fresquinhos. Doces melhores que os de Viena, inclusive, com preços e um pessoal muito mais simpáticos =)

- Igreja das Almas: ela simplesmente APARECEU no meio do caminho. Linda.

- Mercado do Bolhão: Peguei o hábito de visitar mercados aonde vou. O do Bolhão é muito legal, tem preços bons e nem tantos turistas.

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Em Portugal, nego manda ~indireta~ por azulejos

- Rua Miguel Bombardia, reduto dos mudernete, das galerias de arte e das lojas hipsters: junto da Rua Cedofeita, é uma região de bares e lojinhas simpáticas com grafites, lojas e cafés legais. Mas não espere algo "mastigado": o lugar é legal porque tem achados aqui e acolá. Fui numa casa de chá que o cardápio contava com umas 10 páginas, visitei um brechó que ficava dentro de um café, conheci uma loja que vendia cartões postais do início do século passado, entre outras coisas. Tudo isso num esquema (AINDA!) bem mais low profile do que a Vila Madalena, aqui em São Paulo

- Jardins do Palácio de Cristal: quando li sobre no Brasil, não havia dado qualquer atenção. Mas sabe como é: cê tá na frente, então bora visitar. O palácio em si é abandonado (rá! tava esperando algo como aquele lugar em Madrid? não, pois!). Todo o lugar em si te dá a impressão de "WTF, isso aqui é armadilha pra bandido..." #brasileiramodeon
Mas o legal de lá (e isso vale para Portugal todo) é que se você se jogar, vai trombar com coisas legais. E foi isso que eu fiz.
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O tempo não estava bom, então prometi para mim mesma que iria voltar ali outro dia com um ceu mais aberto.

- Livraria Lello: outro ponto de referência MASTER na cidade do Porto. Tinha uma fila grande na porta e eu, turistona que assumo ser, peguei. Chegou na minha vez de entrar, e me pediram um ticket. OI QUE? Uma nota: os portugueses não entendem OI. Enfim: 3 euros para sorrir la dentro. "mas podes converter em produt's". TO FORA.

Já tinha dado o horário para encontrar com o pessoal do tour "Passeando e Azulejando". Explicando melhor: este é um tour que a magnífica Rita, brasileira radicada no Porto, que comanda o também magnífico blog O Porto Encanta (http://www.oportoencanta.com/) organizou, junto a uma especialista em azulejos. A ideia do tour era passear pelo Porto explicando a história dos azulejos, mostrando, nas fachadas, um pouco da sua história, técnicas e curiosidades.
Logo que a Rita me encontrou, disse "e ai, já está encantada com o Porto?" E COMO NÃO???????? =DD
Logo fomos para o maior acervo de azulejos do Porto. Tratava-se de uma espécie de cemitério de azulejos, como temos aqui em São Paulo, com uma diferença: na cidade do Porto, caso você deseje que a prefeitura reforme sua fachada, basta solicitar neste lugar.
Passeamos pela cidade e a espanhola, entendidíssima de toda a história dos azulejos em Portugal, nos explicou muita coisa e nos apontou trocentas curiosidades, técnicas e outros mais detalhes.
Recomendo a todos que tiverem algum tempo no Porto fazerem este tour. Aliás, recomendo super. Dentre os inúmeros pontos altos que tive nesta viagem, este sem dúvida foi um deles. Não sou de fazer tours: este foi o único que efetivamente participei. Junto comigo, existiam 3 mineiras que estavam no Porto ha uma semana. Claro, apaixonadas pela cidade.
Após passear, era hora de criar os nossos azulejos. Fomos a um lindo café, em uma linda praça e ganhamos uma taça de vinho do Porto <3
Daí, a hora de fazer os nossos azulejos.
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eu ju-ro que esse roxo vira azul.

Como disse: FACAM este tour. Basta andar em qualquer cidade de Portugal por uma hora para perceber a importância dos azulejos na cidade. E a Rita é uma pessoa incrível. A espanhola, que infelizmente não lembro o nome, também. Tudo foi organizado com um cuidado tão gracinha que olha, sem palavras.

Tour terminado, azulejos ao forno! Como não os pegaria naquele dia, bora bater perna mais um pouco. Resolvi ir até Matozinhos, na foz do Douro.
Pausa
Toda viagem tem uma ROUBADA. Um momento em que você para e pensa "QQ EU TO FAZENDO AQUI?". Pra mim, Matosinhos foi isso. Peguei um ônibus (indicação da Rita) e segui até o mar. Não sabia onde descer. Meu objetivo era comer uma sardinha assada. Desci. Encontrei um monte de lugar caído, ninguém na rua. Tentei achar algo interessante por meia hora, e desisti. O tempo estava ruim mesmo, então...bora voltar pro Porto. Achei uma estação de comboio e retornei para a cidade. Comprei o bilhete na plataforma, o trem chegou e...putz, não validei. Quando validei, o trem tinha ido embora. Ok, mas 10 minutos aqui.
Ser certinha foi recompensada: pela primeira vez na Europa um fiscal entrou no trem para checar nossos bilhetes.
Vi a minha linha parava na Casa da Música, e decidi descer lá para ver o prédio.
...a fome bateu e eu lembrei que o Mercado Bom Sucesso ficava na região. Acionando o celular: beleza, 2 quadras =DD

O local me lembrou muito o San Miguel, de Madrid. Um pouco gourmetizado, mas sem aquela carona de shopping center (Time Out Ribeira de Lisboa, tô falando de você!). Preços convidativos, pessoal simpático. Peguei uma taça de vinho (1,20) e uma porção de mariscos (o moço fez um "bem bolado" pra mim, que não tava com fome). Depois, fui numa lojinha de sobremesas em que a atendente era uma bahiana pra lá de simpática.

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Percebes, Gambas e Mariscos. foi uns 4 euros isso aí.

Com a barriga forrada, peguei o comboio para a Ribeira e arrumei de arrumar um lugar que vendesse vinho. Sim, em Portugal você pode beber na rua - diferentemente da Espanha ou da Inglaterra =))
Uma senhorinha mega simpática me vendeu um vinho verde por 1 euro e eu fiquei admirando o Douro, até o sono aparecer (e a garrafa acabar...)
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No dia seguinte iria até Pinhão, e, por isso, fui dormir cedo.
#1133527 por juliad
28 Out 2015, 01:36
dia 03 - Vinículas do Douro

Sem dúvida, este foi um dos dias mais esperados da viagem, senão o mais. Para quem não sabe: a cidade do Porto (na verdade, Vila Nova de Gaia) cuida da parte de maturação de vinho, mas as vinículas localizam-se coisa de 200km da cidade, nas margens do rio. A região do Douro é a região de vinhos mais antiga da história. Sabe essa história de vinho DOC (denominação de origem controlada)? Pois é, foi Marques de Pombal que instituiu isso, graças a quantidade de "falsificações" dos vinhos portugueses que existiam no mercado.
Toda a região foi alterada pela população local para a produção de vinho - desde aquela famíliazinha portuguesa (com certeeeeeza) até a produtora de vinho mais mega blaster (aka: Sandeman): tá todo mundo dividindo o terreno ali.
Antes de prosseguir, gostaria de detalhar que a minha pesquisa para a região foi bem aprofundada: meu objetivo era passar um dia inteiro ali, curtir uma vinícula e a região. SEM CARRO. Os horários de trem são um pouco restritos, as vinículas tem perfis diferentes e existem diversas cidades nas margens do Douro. Como só tinha um dia em uma região tão "espalhada", meu planejamento foi essencial. Não sou de planejar viagens a cada minuto, mas me preocupo em saber o que me encontra - no entanto, num vilarejo no meio do nada, resolvi pesquisar a fundo e ter um roteiro "fechado".
Para isso, contei com a ajuda de um pessoal aqui, de outro no forum da fodorstravel, do blog Porto Encanta e também do site de trens português, o cp.pt. Montei três roteirinhos para ter na manga e seguir o que achasse mais viável (porque só na hora entendemos algumas coisas, né?).

ANTES DE MAIS NADA: SE VOCE TEM DOIS DIAS INTEIROS NO PORTO, VOCE PRE-CI-SA FAZER ESSE PASSEIO
Precisa mesmo. Tive a oportunidade de ter visitado lugares incríveis na minha vida. Mas o Vale do Douro tem um lugar reservado no coração. Gaste o seu tempo aqui. Você não precisa ser fã de vinho, esqueça isso. O que tá em jogo nesse rolê é como o homem modifica uma região - e tudo isso para produzir algo superfluo como...vinho! A história de Portugal (e especialmente do Porto) e do vinho andam juntas, então, entender um pouco o Douro é entender a cidade.

À vaca fria:
Peguei o comboio em Vila Nova de Gaia em direção à estação de trens central, Porto-Campanhã, com destino à Pinhão, às 7h30. O bilhete você compra na estação mesmo.

(mais uma pausa: a região do rio Douro tem 3 cidades principais: Peso da Regua, que é a porta de entrada para a região dos vinhos, Pinhão, bem no centro e Pocinhos, a região do chamado "alto Douro", quase na fronteira com a Espanha. inicialmente, iria até Pocinhos, mas, decidi no Brasil mesmo ater-me à Pinhão. Julguei que seria muita viagem de trem (coisa de 4 horas só ida!) para pouco tempo em terra. Novamente, foi uma ótima decisão)
#1133952 por debalves
29 Out 2015, 17:34
Esperando ansiosa por essa sua parte da história!
Meus bisavós eram de Régua e vieram para o Brasil trazendo meu avô com 4 anos. Antes da viagem eu tinha pensado em a gente conhecer Régua. Não sabemos se ainda temos parentes lá e os documentos do meu avô se perderam no tempo. Antes da nossa viagem pesquisamos e vimos que a cidade é pequena, o atrativo é o vinho. Os passeios por empresa eram caros e a gente pensou em pagar a passagem de trem e ir por conta própria. Mas no dia chovia canivetes, meu marido não estava muito animado (viagem a dois conta com isso também, né?!) e ele nem bebe (ou seja, não tem o atrativo do vinho) e acabamos ficando só pelo Porto mesmo. Mas um dia eu volto com a família e com meu pai, principalmente, para ele conhecer a terra do pai dele!
#1133983 por juliad
29 Out 2015, 20:35
poxa, Deb! pena mesmo que você não foi...você tava em Portugal na mesma época que eu, e o tempo no Porto tava maluquíssimo...no entanto, quanto mais você se afasta de lá, mais o tempo abre. dá uma chance pra esse passeio numa futura visita sim!
#1133992 por juliad
29 Out 2015, 21:23
dia 03 - Vinículas do Douro

Como disse, pesquisei bastante e cheguei ao meu roteiro "final" para este dia. comprei um docinho na padaria ao lado da estação e já entrei no trem. =)

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Foto 06-10-15 07 07 44.jpg (1.73 MiB) Exibido 3834 vezes

Ainda amanhecia no Porto.

A viagem é lindíssima. Aos poucos você sai da zona urbana e o cenário passa a ser rural. Casinhas com vinhas minúsculas no quintal, junto a repolhos, cenouras...Daí que, quando você menos espera, o rio surge. e nele, as montanhas todas dominadas com plantações de uvas.

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Foto 06-10-15 09 24 56.jpg (2.03 MiB) Exibido 3834 vezes


A gente sempre fala e escuta a frase "ao vivo é 30 vezes isso". Te digo: é 50 vezes. Por onde se olha, a paisagem é essa. O legal é que o trem vai BEIRANDO o rio Douro, então você consegue ter o máximo de visão de todo o vale, por todo o tempo.
Após a troca de trens (imediata) em Régua, o caminho ficou mais e mais bonito. Em pouco mais de 40 minutos, cheguei à estação de Pinhão.

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Foto 06-10-15 09 44 04.jpg (2.63 MiB) Exibido 3834 vezes

No meio do nada =)

Já era quase 10am, e eu havia agendado visita à vinícula Quinta do Popa 10h20. Por isso, tratei de arrumar um taxi. Nenhum problema: tinham uns 4 na frente da estação. Perguntei para o primeiro quanto ele faria para me levar lá e me buscar mais tarde, de volta ao Pinhão. Ele disse 30. Eu disse 20. Fechamos por 25 e eu fui com a mulher dele. "O local é muito longe", ele disse. De fato, foram uns 15 minutos no carro com a Fátima.
Fátima era uma fofa. Logo que ela via que eu tentava tirar uma foto, ela reduzia a velocidade e falava "vamos parar aqui, aqui a vista é mais legal".

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Sim, o caminho todo é assim. E quanto mais você sobe, mais você enxerga toda a região. Dentre outros motivos, escolhi a Quinta do Popa exatamente por estar numa região alta E por ser uma vinícula familiar.
Fátima me deixou lá dentro e combinou de me pegar de volta dali uma hora.

A Quinta do Popa é uma vinícula artesanal. Por 7,50 eu tive uma visita particular com a Leila. Foi uma experiência ótima: tive a oportunidade de perguntar tudo o que queria e de ouvir com atenção todos os detalhes do lugar.

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Foto 06-10-15 10 26 08.jpg (2.26 MiB) Exibido 3834 vezes

Uvas recém pisadas em processo de fermentação. As vindímias (colheita anual) tinham terminado na semana anterior. Em Portugal, o pessoal ainda segue essa tradição de pisa. O pessoal passa a noite toda pisando, alternando turnos, porque de dia o calor é de matar. A galera tem que estar no mesmo ritmo, então é muito comum o pessoal colocar uma música.
Não vou contar a história da vinícula nem a do Popa (o seu criador) para não estragar qualquer surpresa. Mas garanto que é linda: foi um sonho que conseguiu ser concretizado.

Após a visita, hora das provas. Não foi 1 vinho, não foram 2...foram 5! e com a vista aí embaixo, ó
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Teve um tinto recente, um reserva, um doce (exclusividade deles), um branco e o outro...putz...já não lembro mais =)

Fátima apareceu lá para me buscar e falou para eu aproveitar a vista e o vinho. Disse que sabe que o lugar era especial, então não precisava me incomodar com ela. Terminei a taça e me despedi daquele lugar lindo.

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Ela parou no meio das vinhas e me mostrou uma árvore.
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"Arranca-se esse casco e daí esta é a cortiça que faz a rolha. Olha, essas árvores já estão peladas..."
Fatima, melhor guia.

Ela me deixou novamente na estação e eu fui dar uma volta na cidade (e deixar o alcool baixar um pouco também...)
Como já havia conferido os horários de trem de volta, sabia que horas poder seguir para Pinhão: ou 12h15 ou 14h. Decidi ficar até as 14h. Não é qualquer dia que você tem a chance de estar num lugar desses.

(continua)
#1134008 por juliad
29 Out 2015, 22:32
...desci na estação e resolvi fazer o reconhecimento da região. A cidade é uma vilazinha de interior, sem afetações turísticas, que segue o seu ritmo pacato. Os lugares para comer são tranquilos e os preços não são inflacionados. O legal é que ela vive para o vinho: vi várias lojas vendendo equipamentos para as colheiras, para o plantio...

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Uma dica para quem não quiser fazer uma visita a uma vinícula tão ~distante~ quanto a que eu escolhi: tem diversas vinículas no entorno da cidade, que são possíveis a pé. Na verdade, tem algumas que são dentro mesmo. Super tranquilo. Outra coisa que pode-se fazer é um passeio de barco de uma hora (coisa de uns 10 euros) pelo rio. Eu não fiz porque preferi gastar o meu tempo andando.
Comi uma sardinha delícia, perambulei para cima e para baixo e contemplei aquilo tudo.
Meu objetivo agora era ir voltando ao Porto, mas com uma parada em Peso da Regua.

Pausa para a brasileirice: não havia lá uma bilheteria ou máquina de comprar bilhetes. Pensei "caramba, como que pego o trem? vão me parar e daí já era...uma baita multa". Vi na plataforma um botão escrito "ACIONE EM CASOS IMPORTANTES". Achei que o meu caso era importante.
- quem está lá?
- sou eu. err. seguinte: não tem como comprar tickets aqui.
- sim.
- e como eu compro?
- oras. se não tens como comprar, não compras!
- mas...mas...COMO EU FAçO?
- não compreendo!
- vão me parar no comboio e vão me multar.
- oras, não!
- o moço vende no comboio?
- claro, oras. se não há um gajo para vender aí...

Segui para a Regua. Sim, havia um gajo a vender. =)
Próxima parada: Peso da Régua!
Anexos
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#1134070 por debalves
30 Out 2015, 10:50
Que maravilha esse seu relato, juliad! Estou amando! Agradeço por compartilhar!
Antes da minha viagem eu só tinha lido relatos de pessoas que tinham feito o cruzeiro pelo rio Douro passando por essas cidades, mas esse passeio é caro e não dava pra gente fazer. Consegui poucas informações antes da viagem, a gente ia tentar ir de trem e ver no que ia dar quando chegaasse lá, mas mesmo assim não deu... Muito bom ler esse seu relato para quando eu conseguir voltar ir lá também! Ansiosa pela parte de Régua! ::love:: Abraços!

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