Relatos de viagens pelo Chile
#1243027 por peaga
27 Dez 2016, 16:38
Olá,

Estive na Ilha de Páscoa recentemente. Cheguei na noite do dia 14 e fui embora na noite do dia 22. Inicialmente, lendo os relatos aqui, pensei que seria muito tempo lá; não foi e você já vai saber porquê.

A precipitação na ilha é alta o ano todo, mas na minha estadia peguei 4 dias de chuvas quase intermináveis, os primeiros 4 dias. No primeiro dia, a despeito da chuva, resolvi bater perna na cidade para me localizar. Já na cidade, você encontra vários moais [estátuas Rapa Nui] e ahus [plataformas cerimoniais]. Mas a chuva, apesar de leve, quase não dava trégua. Antes de ir à ilha, chequei a previsão do tempo e esperava chuva para todos os dias da minha estadia, então levei duas jaquetas de chuva que uso para correr, mas elas apenas retardaram o inevitável e fiquei molhado até a alma. O pior foram as botas, que ficaram encharcadas. Fiquei pensando que deveria ter gastado mais e comprado botas de cano mais alto (evitam torções) e goretex (impermeáveis).

Noutro dia, aluguei uma bike com um inglês que também estava hospedado sozinho no meu hostel e encaramos o tempo. Minha bicicleta Cannondale custou 18.000 chilenos a diária; a do inglês, mais simples, saiu por 12.000. Não lembro o nome do lugar onde as alugamos, mas achei caro, e as bicicletas não eram nada demais, meio velhas. Depois de algumas horas pedalando, sentimos muita dor porque os assentos eram bem duros. Se você é ciclista e não tem problemas em pedalar 30, 40 quilômetros (ou mais) por dia de subidas e descidas, acho uma boa ideia levar assentos mais confortáveis do que os que você vai encontrar nas bicicletas de aluguel. Um detalhe: quando chove lá, por motivos óbvios quase ninguém sai para pedalar. O inglês e eu fomos os únicos bravos (ou estúpidos) a nos arriscar. Não achei perigoso pedalar na ilha. Na estrada, os motoristas, em sua maioria turistas, diminuiam a velocidade e se afastavam ao passar pela gente. Os locais fazem o mesmo. Você também vai encontrar muito gado e cavalos na pista, mas eles não representaram perigo.

A melhor coisa que eu fiz, independentemente do tempo, foi alugar um carro (Suzuki Jimmy) para recorrer a ilha. Apesar de caro (aluguei sozinho), me deu muita liberdade e segurança. O aluguel saiu por 35.000 a diária por três dias, ou seja 105.000. Recomendo orçar antes de alugar. O meu tinha ar condicionado (que nem usei), era novo e saia mais barato que nas maiores agências da cidade, que cobravam mais caro (45.000 a diária).

Eu me hospedei no Hostal Kona Tau. Acredito que seja o hostel mais barato da cidade, apesar de ainda ser caro. A diária me custou mais ou menos 60 dólares. Maureen Crichton, que meio que gerencia o lugar, é adorável e nos ajudou com tudo. O hostel, por outro lado, é bem simples. O café da manhã era menos que aceitável e contava apenas com uma fatia de bolo ou uma panqueca meio enjoativa, um pão (não era francês), manteiga e geleia, um copo de refresco (não era suco), café e alguma fruta. Os quartos tinham cheiro a umidade, e os banheiros nem se fala. O chão da cozinha era um nojo e estava tão sujo que 'colava', me comentou o inglês, que entrou descalço lá uma vez. A internet é bem lenta e praticamente só funciona na sala de jantar (onde tomamos café da manhã) e numa areazinha na entrada do hostel. A cidade sofre com as baratas e você deve ver algumas nesse hostel. Lá você vai ver também galos e galinhas, gatos e cachorros, o hostel é praticamente um sítio.

A Ilha de Páscoa é cara. Não vou falar nos custos das passagens, pois moro em Buenos Aires e, depois da ilha, fui passar as festas com a família no Recife, então não tenho como isolar as passagens para Rapa Nui do restante. O que eu posso dizer é comer lá é bem caro. Se puder, leve comida. Eu levei muitas barras de cereal e proteína. Levei creme de amendoim e outros alimentos não perecíveis para cozinhar no hostel, mas pelos motivos apontados acima, preferi não usar muito a cozinha e acabei jantando sempre fora. Meu almoço, todos os dias: as barrinhas de cereal.

A grande atracão da ilha, na minha opinião, é a natureza, afinal depois do ducentésimo moai (sério), observar as esculturas e plataformas perde um pouco a graça. Meus lugares preferidos: Vulcão Rano Kau, Vulcão Maunga Terevaka, Península Poike. As trilhas do Rano Kau são claras e fáceis. Recomendo tomar a que fica à esquerda do mirador e caminhar até o finalzinho onde você pode ver as ilhas Motu Nui, Motu Iti e Motu Kao Kao do lado oposto da vista que você tem de Orongo. Maunga Terevaka tem trilhas também muito claras, a mais clara e larga leva ao topo, mas outras mais estreitas levam a outros pontos interessantes. O percurso leva algumas horas, mas vi senhoras de idade voltando sem dificuldades. A península Poike é enorme e mereceria dias de exploração. Eu fui sozinho num dia de tempo instável e me senti um pouco oprimido e assustado, quase como se o lugar me dissesse para ir embora. As trilhas não eram claras, desapareciam e o lugar era meio ermo e por isso só recomendo para quem realmente goste de trekking ou para quem não goste tanto assim, mas encontre um dia com bom tempo e tenha companhia.

Você pode comprar a entrada (obrigatória) para o Parque Nacional Rapa Nui em três lugares: no desembarque no aeroporto, na sede no Conaf e numa lojinha na rua principal da cidade. O custo é de 30.000 para estrangeiros, 10.000 para residentes do Chile. Vi um americano morador de Santiago comprar a entrada dele por 10.000 sem precisar comprovar residência. Eu preferi pagar o valor todo. O ingresso vale por 5 dias apenas a partir do momento em que você entra em Orongo (vila cerimonial) ou em Rano Raraku (fábrica dos moais). O meu se expirou antes do fim da viagem, mas não tive problemas.

Por qualquer dúvida, mandem mensagem.

#1257261 por marcmarc
14 Fev 2017, 13:46
Muito legal seu relato. Comprei minha passagem, estou indo agora em Junho/2017. Estou pensando em levar comida tambem. Quanto em media voce gastava por janta que fazia fora? Que tipo de comida é mais comum encontrar nos restaurantes para comer?


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