Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#506497 por marcos lobo
23 Set 2010, 03:07
Fala ai galera!
Tentarei fazer um bom relato da minha travessia de angra dos reis ate lidice, 45 km pela linha do trem.

Preparativos:
Passei um mês pesquisando aqui no mochileiros e em outros sites da net sobre o caminho e como fazer essa travessia; um relato que me ajudou muito foi o do Augusto e do Felipe ( desde já agradeço muito ao augusto que me mandou dicas e sites preciosos) após o roteiro ficar pronto comecei a procurar companheiros para mais uma aventura, após muita procura e depois de fazer um tópico aqui no mochileiros o primeiro interessado apareceu o Gilsimar ( vulgo homem do oompa loompa ) que leu meu tópico aqui e gostou da idéia, após o Gil mais 2 amigos de trabalho se interessaram e depois conheci mais 3 malucos que entraram nessa comigo, totalizando 7 guerreiros.
Organizamos tudo o dia da travessia, à hora de saída do rio e compramos a passagem antecipada.

E chegou o grande dia, que foi marcado para 04/09/10 um sábado 2 dias antes do feriado.

04/09/10
As coisas começaram cedo para mim, acordei as 04: 30H, pois a passagem estava comprada para as 6:00 da manha, tomei o táxi com meu amigo Gil que reside próximo de mim e chegamos as 5:30 na rodoviária novo rio.


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Encontramos com o resto do pessoal e partimos para angra, viajem muito tranqüila sem transito chegando na hora prevista em angra as 9 h; fomos ao posto comprar álcool para a espiriteira e partimos para o trilho, entramos no trilho 10 h da manha.
Assim que entramos no trilhos tinham muitas casas e pessoas transitando pelo trilho, perguntamos a um homem que passava se aquela era mesmo a linha que ia para lidice ( sabe como e né tem que ter certeza) ele respondeu que era e perguntou se íamos para lá andando, respondemos que sim e ele gritou para uns amigos que estavam em uma casa próxima o que íamos fazer e estes falaram que éramos malucos ( fazer o que ).

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Continuamos andando e as casas iam rareando ate que chegamos no 1° túnel que era lama pura, já dando uma impressão errado de que todos os túneis seriam daquele jeito. A travessia desse túnel foi complexa e demorada já que não havia muitos espaços sem lama para pisarmos direito, após esse túnel vinha uma curva e a primeira ponte que era sobre a rio santos ponte pequena e toda cimentada paramos para tirar fotos e eu fiquei acenando para os carros que passavam (alguns buzinavam outros não) continuamos a andar o sol estava matando já um pouco a frente tinha uma cachoeira que estava com pouca água descendo dela e que não da para descer tiramos fotos e fomos em frente.
Ai foi só caminhada sem paradas e sem pontos cobertos apenas o sol rachando o crânio e o meu coturno que queimava meus dedos, poucos pontos para fotos e para descanso e quando achávamos algum lugar com sobra dávamos uma parada para tomar água e dar uma descansada.

Andar pelos dormentes da linha do trem e um trabalho muito complicado, pois não tem como cadenciar um passo certo horas estamos correndo, pois os dormentes estão longes um do outro e outrora devagar, pois estão muito próximos e isso faz a caminhada ficar muito mais cansativa e um pouco menos monótona, pois você fica pensando em como andar sobre eles.
Próximo ao km 10 achamos uma bananeira com um cacho bem grande verde e pegamos achando que ia amadurecer ate o outro dia andamos 2 km com elas nas costas onde as 12: 40 achamos ao lado do trilho um terreno com uma arvore bem grande que fazia uma ótima sombra e aproveitamos para almoçar ( essa arvore fica bem em frente à placa do km 12 ) onde comemos miojo e o Navarro fez uma mistura de quase tudo que ele tinha na mochila dentro de um copo com miojo após comer descansamos e partimos novamente em frente em menos de 1 km achamos uma mangueira largada no chão lógico que aproveitamos para lavar os pratos, panelas e encher o cantil e matar o calor.

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Após o almoço o sol ainda não dava trégua e os dormentes do trilho também não e em alguns quilômetros (você perde a noção de quilometragem andando e andando e nem sempre tem placas) chegamos ao 2° túnel que da em uma ponte linda com uma paisagem espetacular (para quem mora no rio assim que sair da ponte vai falar “ih to na lapa”) com uma rio que passava em baixo que tinha um grupo se banhando tentamos contato mais estava longe, no final dessa ponte vem o 3° túnel esses túneis já estavam secos e fácil de caminhar neles.
A saída do 3° túnel e linda, pois se da em uma parede muito úmida e com muitas plantas.
Continuamos a jornada e no km 14 demos uma parada para beber água e se esconder do sol. Logo depois do km 14 chegamos a uma ponte que só tinha os batentes e mais nada a baixo apenas uma cachoeiras na qual descemos para abastecer o cantil e jogar uma água na cabeça.

A caminhada e bem monótona sem muita coisa para fazer e observar, se bem que os dormentes do trilho tiram muito a atenção do que esta acontecendo em volta, pois você tem que se concentrar para não tropeçar ou torcer o pé.


Entre o km 18 e 19 mais uma cachoeira muito bonita e com bastante água que da para tomar um ótimo banho, e era o que precisávamos e o que fizemos, ela salvou o dia por que todos estavam doidos para cair em uma cachoeiras, ficamos por lá uns 30 min e foi maravilhoso, porem o sol estava querendo ir embora então tínhamos que nos apressar para chegar ate o ponto previsto para o pernoite a estação jussaral que fica no km 21.
E conseguimos chegar a tempo antes do sol se por, porem os companheiros e eu achamos aquela estação abandonada muito, mas muito macabra (rs) e pelo voto de todos a favor de continuar andando, pois, como tínhamos lido no relato do augusto ele tinha dormido ao lado da linha do trem em um bom espaço e caminhamos procurando essa aérea, mais não achamos e já estava muito escuro andávamos com as luzes das lanternas ate que um pouco depois do km 22 achamos uma saída para uma colina que pertencia a uma residência de um senhor, entramos e pedimos autorização para montar nossas barracas no alto desta colina era ótima para o camping e tinha uma vista linda de uma cidade que ate agora não descobri qual era ( imagino que seja angra, pois havia um pequeno aeroporto) autorizado pelo senhor montamos nossa barracas alguns dormiram e outros comeram isso por volta das 20 h.


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2° Dia 05/09/10
O 2° dia começou as 4:00 da manha com uma forte ventania e um clarão no céu, todos se levantaram menos eu, eu estava muito cansado e cheio de sono ouvi a barulheira e o pessoal conversando fora da barraca, porem eu continuei dormindo.
Acordei as 7:00h com o resto do pessoal que voltou a dormir depois da ventania, dois amigos foram no resgate de água que tinha acabado durante a noite, eles acharam uma fonte a 10 metros do nosso acampamento; enquanto isso o resto do pessoal ficou desmontando o acampamento.
Após tudo arrumado e as fotos batidas fui agradecer ao senhor por ter nós deixar pernoitar em sua propriedade.
E as 8:00 demos destino em nossa caminhada, começamos com uma cadencia bem pesada e não tínhamos esquecido de alongar, após um quilometro e meio de caminhada pesada um de nossos companheiros o bordalo teve um estiramento de coxa, o que nós atrasou muito, pois tínhamos que parar regularmente para que ele descansa-se e as 10:00 da manha paramos no km 25 para tomar o café da manha, aproveitei para ver como estava o bordalo que sentia fortes dores na coxa, demos remédio para ele e fiz uma massagem com gelol em sua perna para ver se sanava a pane. O dia havia amanhecido muito nublado e com jeito de que ia chover, então tentamos tomar o café o mais rápido possível.
Enquanto arrumávamos toda a bagunça do café mandamos bordalo ir andando na frente para ir ganhando uma distancia, ele e mais um companheiro saíram 5 min na frente o alcançamos rapidamente, e as dores dele só foram piorando e agente fazendo de tudo para ajudar o companheiro carregamos sua mochila e o apoiamos para que terminasse a caminhada.
O 2° dia foi bem tranqüilo já que o tempo estava nublado e não tinha o sol escaldante do 1 dia, caminhamos pela a forte neblina que encobria a serra, se ficasse um minuto para trás já se perdia os amigos de vista, que sumiam em meio a neblina, passamos por mais um túnel e mais uma ponte estilo a lapa, no km 30 junto ao túnel 13 que e demolido se encontra um chuveiro natural e ótimo para tomar um bom banho.
Mesmo estando um frio paralisante não podemos deixar passar a oportunidade de tomar um banho nessa cachoeira que cai em meio aos trilhos, tomávamos banho no meio da neblina porem que banho maravilhoso.
Após nos secar e a garoa não cessar continuamos a andar sobre aqueles trilhos que no momento já não eram tão aterrorizante, já que depois de 31 km todos já estavam mais que acostumados com aqueles dormentes.
Depois de muitas paradas para cuidar de bordalo enfim chegamos a estação alto da serra, que no meio de tanta neblina mais parecia uma cena de filme de terror. Descemos pelo lado direito da estação que sai uma estrada de terra batida em direção a lidice todos muito animados achando que faltavam mais 10 minutos de caminhada, mais todos erraram foram mais 7 km doloridos que nunca acabavam, com bifurcações de brinde para nós confundir, por volta das 16 h chegamos finalmente em um bar onde paramos para tomar aquela merecida cerveja gelada e trocar as meias molhadas pela a chuva que não parava de cair. Pedimos informação ao dono do bar de quanto faltava ate lidice e este responde que já estava chegando, mais esqueceu de falar que ainda faltavam 3 km o que rendeu mais 1 hora e meia de caminhada com o bordalo mordendo o casaco de dor (mulek guerreiro bancou ate o fim mesmo morrendo).

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Enfim chegamos em lidice adentramos na cidade como se louco fosse, vibrando e cantando canções, paramos na padaria em frente ao ponto do ônibus que nos levaria ate angra e comemos um maravilhoso pão com mortadela e um café com leite e as 18h pegamos o ônibus para angra.
Fomos a rodoviária compramos a passagem de 20:40 para voltar para o rio e as 23h estava em casa.

Enfim essa travessia e maravilhosa, com belas paisagens e maravilhosas cachoeiras; mais muito desgastante por culpa dos dormentes dos trilhos.
Me desculpe se o relato não ficou o melhor possível, fiz o meu Maximo para escrever algo bom para vocês, porem qualquer duvida sobre essa travessia e só me perguntar que ajudarei no que for possível.

Agradecimentos:
Quero agradecer a todos que me ajudaram a pesquisar essa travessia e a todos que me deram qualquer tipo de informação sobre ela.
Aos malucos que foram comigo e me fizeram rir demais Gil, Bordalo, Navarro, Liel, Daniel, Pé. Valeu galera pelo apoio.
E ao Gil por me ajudar a lembrar a ordem as horas e a quilometragem dos acontecimentos.


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MUITO OBRIGADO A VOCÊS

#508581 por Augusto
29 Set 2010, 21:20
Blz Marcos. Que bom que o relato te ajudou.

Eu tinha visto algumas fotos do Felipe e mostravam que em certos trechos a ferrovia tava tomada por desmoronamentos.
Já nessa caminhada que vc fez nota-se que limparam bem os trilhos.
Será que em breve os trens já estarão circulando?

Legais as fotos. E o álbum?



Abcs
#508898 por marcos lobo
30 Set 2010, 20:23
fala ai augusto!!

realmente tem um lugares ja bem limpos, e não tem mas desmoronamento mas acho que vai demorar um pouco ainda, pois como ja não passa a um tempo tem bastante mato nos trilhos la depois da estação jussaral pois ninguem passa por la já faz um bom tempo, então vão ter que limpar tudão.

e quanto ao album ja estou prvidenciando.

abraços

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