Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#1121155 por fernandobalm
08 Set 2015, 20:46
Considerações Gerais:

Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, rotas e informações adicionais que eu achar relevantes.

Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade.

Informações Gerais:

A viagem foi para fazer o Roteiro dos Bandeirantes (http://www.roteirodosbandeirantes.com.br), de Santana de Parnaíba a Tietê-SP. Só não passei em Salto, em parte da qual já havia estado antes. A ideia me veio de um programa matutino dominical do SBT somado às placas que eu havia visto nas estradas em viagens anteriores e a informações que eu havia visto num folheto da Secretaria Estadual de Turismo sobre roteiros turísticos paulistas. O objetivo não foi visitar detalhadamente as cidades do trajeto.

Em toda a viagem houve bastante sol. Chuva média só peguei num dia na chegada a Porto Feliz e durou menos de meia hora. As temperaturas também estiveram bem razoáveis (para um paulistano), chegando a 28 C no primeiro dia, mas nos outros ficando abaixo de 26 C. À noite a temperatura chegou a cair até cerca de 15 C.

A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil ::cool::. Ofereceram-me várias vezes calçados :lol:.

As paisagens das estradas agradaram-me muito, principalmente entre Barueri e Itu, em que as estradas eram menores e com menos movimento ::otemo::. Foi possível ver muitos pássaros e aves, como pica-paus, sabiás, bem-te-vis, anus, urubus, beija-flores, garças e outros que não sei identificar ::otemo::. Acho que houve vários trechos de Mata Atlântica nativa (ou reflorestada, mas com espécies originais) ::otemo::.

A caminhada no geral foi tranquila. Os maiores problemas foram as pistas sem acostamento e as várias subidas e descidas íngremes em alguns trechos.

Levei sapatos que não estavam muito bons (já não conseguia utilizá-los socialmente) com o objetivo de aproveitá-los até o fim, o que surtiu o efeito desejado, mas em contrapartida, gerou algumas bolhas e cortes nos pés ::essa::, mas nada que comprometesse.

Durante algum tempo estive só em alguns trechos de algumas estradas, que estavam desertas. Não tive nenhum problema de segurança (nenhuma abordagem indesejada), mesmo com a mochila nas costas. Um funcionário do SAMU disse-me em Araçariguama que o trecho entre Pirapora do Bom Jesus e Cabreúva era perigoso e eu poderia ser assaltado ou sofrer violência, pois a estrada era deserta. Não achei este trecho muito deserto nem tive nenhum problema de segurança. Achei o trecho da Estrada Parque entre Cabreúva e Itu bem mais deserto, mas também não tive nenhum problema de segurança.

Fiquei um pouco preocupado quando ocorreram 2,5 semanas antes as chacinas em Osasco e Barueri, áreas por onde eu iria passar a pé, vestido como mochileiro, com aparência de andarilho, sendo completamente estranho à região, pois num clima desses as pessoas nem sempre raciocinam direito e reagem emocionalmente sem pensar. Mas não houve nenhum problema.

Todos os hotéis aceitaram cartão. Apenas o de Itu só aceitou o de débito. Os outros aceitaram o de crédito. A viação de ônibus só aceitou dinheiro.

Gastei na viagem R$ 292,62, sendo R$ 4,22 com alimentação, R$ 250,00 com hospedagem e R$ 38,40 com a passagem rodoviária de volta para SP. O gasto médio foi de R$ 58,52 por dia. Mas considere que eu sou bem econômico.

A Viagem:

Minha viagem foi a pé de SP (minha casa no Cambuci, Avenida Lins de Vasconcelos) a Tietê-SP iniciando em 01/09/2015. Saí de casa perto de 9 horas da manhã. A volta foi de Tietê-SP a SP (Barra Funda) em 05/09/2015 pela Viação Vale do Tietê (http://www.valedotiete.com.br). O ônibus saiu cerca de 17:45 e chegou cerca de 20:25 hs. Paguei R$ 38,40 sem o seguro opcional. Só aceitaram dinheiro.

Na 2.a feira, 31/8, dia anterior à saída, comprei 2 sacos de pão de forma de 500 g e fiz cerca de 22 sanduíches com queijo branco, pepino, beterraba, batata, chuchu e cascas de mixirica, que acomodei em 3 sacos de pão. Levei ainda várias mixiricas, chocolates e 2 pepinos. Devido a isso, para caber bem na mochila, resolvi deixar um dos pés do sapato de reserva que acreditei não precisar durante a viagem. Eu me enganei e isto me custou algumas bolhas e cortes em um dos pés ::putz::.

Na 3.a feira, 1/9, saí com destino a Santana de Parnaíba. Fui pela Rua do Paraíso, Rua Abílio Soares, Avenida Brasil, Avenida Rebouças, Avenida Pedroso de Morais, Avenida Gastão Vidigal, Ponte dos Remédios, Avenida dos Remédios, Avenida Nossa Senhora dos Remédios, ruas da divisa com Osasco, Avenida Presidente Kenedy, Avenida Pirambóia, ponte que cruzava o Rio Tietê perto de Alphaville Empresarial, ruas de Barueri e Estrada dos Romeiros (SP-312).

Na saída de São Paulo visitei a Igreja Nossa Senhora dos Remédios (http://www.diocesedeosasco.com.br/local ... s-remedios), de que gostei, principalmente pelo ambiente positivo e alegre que me pareceu inspirar ::cool::. Pouco depois, perto da divisa de Osasco com São Paulo passei numa área pobre (quase uma favela), em que um homem que estava na janela ofereceu-me um sapato, ao considerar que o meu estava em situação ruim. Eu agradeci e lhe disse que tinha um tênis em bom estado na mochila e que estava usando o sapato justamente para desgastá-lo até o fim.

No trecho mais intrincado do percurso, que era a divisa de São Paulo com Osasco, depois da Avenida Nossa Senhora dos Remédios até a Avenida Presidente Kenedy, consegui informações com as pessoas que me fizeram não errar o caminho. Olhando a partir da Ponte dos Remédios dava para notar a degradação do Rio Tietê a que eu já estava bastante acostumado, mas que sempre salta aos olhos, pela aparência e pelo odor ::bad::. Após a Avenida Presidente Kenedy o trânsito diminuiu um pouco e, abstraindo-se a sujeira e a poluição, até que a paisagem era interessante, com bastante vegetação nas margens do rio. Após cruzar a ponte em Barueri e pegar o provável início da Estrada dos Romeiros, se não fossem alguns homens trabalhando na estrada e um soldado do exército eu teria pego o caminho errado e ido em direção a Jandira. Após pegar o caminho cruzando o centro de Barueri, cruzei a Rodovia Castelo Branco e cheguei do outro lado na Estrada dos Romeiros. Lá bastou seguir por cerca de 10 Km até Santana de Parnaíba. Após afastar-me da área urbana de Barueri, as paisagens naturais começaram a aparecer e vi até um bando de garças sobre o poluído Rio Tietê, após subir numa ladeira ao lado da estrada ::cool::. Interessante como a vida consegue resistir aos desequilíbrios que provocamos. Só não sei até quando. Apreciei bastante a paisagem da mata, das montanhas e do rio ::otemo::, porém as espumas e os poluentes manchavam a beleza da paisagem ::bad::.

Cheguei em Santana de Parnaíba perto de 18 horas, ainda com claridade e fui procurar um hotel. Só achei 2 e fiquei no mais barato que era a Pousada 1896 (http://www.pousada1896.com.br). Paguei R$ 75,00 pela diária usando cartão de crédito com banheiro no quarto, TV, ventilador e sem café da manhã. Fiz minhas refeições com os sanduíches, mixiricas e chocolates que havia levado. Foram cerca de 43 Km de percurso.

Para as atrações de Santana de Parnaíba veja http://www.santanadeparnaiba.sp.gov.br/ ... ticos.html. Eu já conhecia Santana de Parnaíba, mas aproveitei para rever vários dos seus atrativos, incluindo uma subida num morro que tinha uma cruz que eu não conhecia e que proporcionava uma bela vista dos arredores ::cool::. Fui a ele à noite e depois retornei de manhã. Os pontos de que mais gostei foram o Monumento aos Bandeirantes ::otemo::, a Igreja Matriz (apesar de algumas imagens mostrando sofrimento), a vista das paisagens naturais ::cool::, a vista do alto a partir do morro da cruz e o conjunto arquitetônico colonial ::cool::. Da vez anterior havia também apreciado o Museu Casa do Anhanguera ::cool::.

Na 4.a feira 2/9 fui rever alguns monumentos e a paisagem a partir do morro da cruz com a luz do dia, visitei a Igreja Matriz por dentro e rumei para Cabreúva, onde não conseguiria chegar. Para iniciar a caminhada do dia peguei o caminho errado e tive que voltar cerca de 500 metros até pegar novamente a Estrada dos Romeiros. A estrada aqui tinha menos movimento do que no trecho anterior. A cidade seguinte era Pirapora do Bom Jesus. No meio do caminho, para minha surpresa, o sapato do meu pé direito quebrou na parede de trás, o que fez com que o andar se tornasse mais difícil e lento, pois ele ficava saindo do pé, além de ficar roçando no dedão e no dedinho e fazendo o calcanhar raspar no chão várias vezes. Como eu não tinha trazido o pé direito reserva e não queria desgastar o tênis na caminhada, resolvi tentar continuar com ele assim mesmo. Na estrada apreciei muito a vista da mata, das montanhas, do rio e de toda a paisagem ::otemo::. Cheguei em Pirapora perto de 11:45, quase 1 hora depois do que eu havia previsto.

Para as atrações de Pirapora de Bom Jesus veja http://explorevale.com.br/roteirodosban ... urismo.htm. Eu também já conhecia Pirapora, mas resolvi visitar os principais pontos e nisso gastei cerca de 45 minutos. Os pontos de que mais gostei foram o Portal dos Romeiros ::cool::, a Igreja Matriz, com as imagens de Jesus crucificado e deitado ::cool::, o morro do cruzeiro e a orla do Rio Tietê ::cool::, apesar das espumas poluídas em suas águas e do seu odor ::bad::.

Saí de Pirapora em direção a Araçariguama perto de 12:30. Fui pela Estrada Municipal padrão que os automóveis usavam. O Google havia dado outro caminho para mim, mais curto, mas como não o tinha impresso e as pessoas indicaram a Estrada Municipal, resolvi segui-la. Gostei das paisagens desta estrada ::otemo::, mas sofri um pouco com as subidas e descidas e com a ausência de acostamento em alguns trechos e a pista com alguns pontos de afundamento ::bad::, que me deixaram preocupado em relação a algum veículo perder a direção. Ainda bem que o movimento não era muito grande. Por outro lado, as subidas e descidas proporcionavam vistas da paisagem que achei espetaculares ::otemo::, principalmente das montanhas e da mata. Cheguei em Araçariguama cerca de 15 horas, 2 horas depois do que havia previsto. Decidi então pernoitar lá, pois seria inviável ir a Cabreúva ainda com claridade. Foram somente 25 km de percurso no dia.

Para as atrações de Araçariguama veja http://www.explorevale.com.br/roteirodo ... urismo.htm e http://www.turismoemsaopaulo.com/visita ... guama.html. Esta cidade eu não conhecia. Os pontos de que mais gostei foram as minas (incluindo a trilha com minas antigas) ::otemo::, o museu ::cool:: e a Capela de Santa Bárbara (simples, rural) ::cool:: no Parque da Mina de Ouro, o lago ::cool::, o avião (incluindo a vista a partir do morro em que ele ficava) ::cool::, as esculturas feitas com sucata automotiva ::cool::, lembrando-me alguns filmes americanos, a atmosfera alegre que as imagens da Igreja Matriz exalavam ::cool::, onde cheguei a subir no mezanino para ter uma visão global e a Praça Central.

No Parque da Mina de Ouro perguntei quais eram as atrações e se havia morcegos nas minas e num primeiro momento as atendentes falaram que não, mas depois quando voltei para iniciar a subida da trilha das minas antigas, uma disse que eu encontraria morcegos, cobras e aranhas. Na volta, ao lhes dizer que não encontrei nenhum deles, uma das mocinhas atendentes perguntou se eu era "andarino" e depois, olhando para meus sapatos, se eu era morador de rua ou se eu ficava andando de cidade em cidade e se dormia ao relento :D. Respondi que não era andarilho nem morador de rua nem ficava andando de cidade em cidade, dormia em hotéis, os mais baratos possíveis e só estava fazendo uma caminhada ou peregrinação.

Só achei 2 hotéis na cidade e fiquei hospedado no Hotel Araçariguama (http://www.hotelaracariguama.com.br) por R$ 60,00 a diária usando cartão de crédito com banheiro privativo, ventilador e TV, sem café da manhã. Fui atendido por um haitiano que ajudava a recepcionista. Fiz minhas refeições com os sanduíches, mixiricas, pepinos e chocolates que havia levado.

Após decidir onde me hospedar, ao procurar informações de como ir para Cabreúva sem passar por Pirapora, conforme havia visto nos mapas do Google, um funcionário do SAMU me perguntou, após confirmar que eu precisava passar por Pirapora, se eu tinha um revólver, pois iria precisar para andar na estrada entre Pirapora e Cabreúva. Fiquei preocupado, apesar de achar que ele estava exagerando. Ele disse que ali não era interior (estava muito perto de São Paulo) e que a estrada era deserta e tinha boas chances de eu ser assaltado ou sofrer violência das pessoas que poderiam estar na estrada :o. Um motociclista amigo dele para quem também fiz a pergunta sobre a rota, participou da conversa dizendo que não era bem assim e que a estrada era tranquila, usada por romeiros. Eu resolvi ir assim mesmo, mas fiquei preocupado, pois se tem alguém que sabe de ocorrências deste tipo é quem trabalha no SAMU.

Após me hospedar e quando ia visitar a Igreja Matriz, encontrei novamente a atendente do parque que se surpreendeu por eu estar agora de chinelos e me perguntou se eu havia achado hotel.

Na 5.a feira 3/9 rumei para Itu. Após alguns poucos passos, resolvi abandonar o sapato quebrado. Estava fazendo com que eu fosse muito devagar e estava machucando o meu pé. Ainda assim não quis por o tênis e resolvi usar um pé de sapato e outro de chinelo.

Voltei para Pirapora, pois as indicações de caminhos alternativos para Cabreúva me pareceram muito vagas e eu preferi não arriscar. Na saída da cidade passei novamente pelo avião (um antigo avião de carreira em cima de um morro) e fui ver o Monumento ao Desbravador, que haviam me informado que tinha caído. Apreciei novamente a estrada até Pirapora, com sua paisagem natural cheia de mata e montanhas ::otemo::.

No meio do caminho, um rapaz que estava trabalhando em uma cerca ofereceu-me um par de sapatos, mas eu disse que tinha um tênis bom e tinha feito a opção de usar o chinelo para desgastar até o fim o outro pé de sapato. Perguntei a ele e seu colega sobre a estrada entre Pirapora e Cabreúva e eles me disseram que a estrada era tranquila, mas no fim da conversa o colega dele perguntou se eu queria algo que entendi como uma paca. Perguntei "uma paca?" e ele respondeu "uma faca". Eu perguntei "você está me oferecendo isso por causa da estrada?" e ele respondeu "É, nunca se sabe". Respondi-lhe "Eu não uso isso", mas fiquei mais preocupado :o, somando esta oferta ao que havia dito o funcionário do SAMU. Ainda assim, pelo que havia visto da região, achei que era exagero e que a estrada não devia ser assim tão perigosa.

Poucos quilômetros à frente, um outro rapaz com que cruzei ofereceu-me um par de sapatos novamente. Após explicar o mesmo que anteriormente segui em frente e cheguei a Pirapora perto de 10:30. Minha velocidade tinha aumentado e voltado a ser igual à do primeiro dia, o que foi muito produtivo. A única lembrança do sapato quebrado foram bolhas e cortes no pé, mas que não geraram nenhum incômodo relevante.

Passei por Pirapora e peguei novamente a Estrada dos Romeiros para Cabreúva. Cruzei com várias pessoas nas proximidades de Pirapora e lhes perguntei se a estrada era tranquila e todas disseram que sim. Já um pouco afastado da cidade vi dois rapazes fazendo corrida na estrada com tênis e roupas de marca e concluí que a estrada não podia ser perigosa naquele horário.

Gostei muito das paisagens da estrada ::otemo::, que não era assim tão deserta. Passaram muitos carros por mim, embora na primeira parte realmente houvesse muito poucos moradores em suas laterais. A paisagem da mata, do rio, das montanhas e de toda vegetação pareceu-me muito bela ::otemo::. Em vários trechos não havia acostamento e na parte inicial havia muitas serras, o que gerava algum desgaste em subir e descer, mas proporcionava vistas que achei magníficas ::otemo::.

Após cruzar a divisa de município com Cabreúva o número de casas nas laterais aumentou consideravelmente o número de casas e, no primeiro povoado, ao ver duas crianças brincando perto do acostamento, fui até elas, perguntei-lhes se estudavam e ao dizerem que sim, dei-lhes uma caneta que havia encontrado na estrada. A mãe se assustou ao me ver aproximar-se delas e gritou para voltarem para casa. Ao perceber que ela havia se assustado, falei-lhe que só tinha dado ao seu filho uma caneta.

O trecho entre a divisa de Pirapora e Cabreúva era bem mais movimentado, tinha bem mais habitantes nas laterais e menos paisagem natural, mas possuía pequenas propriedades rurais típicas do interior paulista, incluindo alambiques artesanais, o que gerou uma paisagem que me agradou ::cool::. Cheguei em Cabreúva perto de 15 hs, o que me mostrou que mesmo se não tivesse tido o atraso devido ao sapato, teria sido inviável chegar lá no dia anterior por aquele caminho. Talvez pelo caminho proposto pelo Google fosse viável.

Para as atrações de Cabreúva veja http://explorevale.com.br/roteirodosban ... urismo.htm e http://visitecabreuva.blogspot.com.br. Eu não a conhecia. Pude apreciar a arquitetura colonial, a Igreja Matriz ::cool::, que me agradou pela sua simplicidade, pelo seu astral alegre e pelas pinturas que possuía e a praça central que também me pareceu muito bonita. Consultei o escritório municipal de turismo e me disseram que a estrada para Itu era tranquila. Alguns falaram que a distância até a rodoviária de Itu era de 22 a 25 Km, outro disse que a distância até Itu era de 11 km e as placas na estrada anterior davam a entender que era de 16 Km. Resolvi continuar viagem.

A estrada que ligava Cabreúva a Itu era a Estrada Parque (nome deste segmento da Estrada dos Romeiros), esta sim com trechos quase desertos e muito pouco movimento. Nas laterais havia área de preservação, o que me permitiu apreciar uma paisagem natural de que muito gostei, com ampla mata (provavelmente Mata Atlântica), o Rio Tietê, serras, montanhas, vários tipos de aves e pássaros, incluindo garças e alguns parecidos com pica-paus ::otemo:: ::otemo::. As subidas e descidas ajudavam a proporcionar vistas muito belas ::otemo::. Num trecho bem isolado (embora no local em si tivesse um grupo de rapazes visitando) havia uma gruta com uma imagem negra de Nossa Senhora e uma outra imagem negra menor que eu não consegui divisar ao certo se era de Maria ou Jesus. Foi possível entrar na gruta e subir sua escadaria artificial para contemplar a paisagem do entorno ::otemo::. Interessante que apesar de toda a beleza as espumas de poluentes ainda continuavam no Rio Tietê e por vezes era possível sentir um odor desagradável vindo dele ::bad::.

Cheguei ao fim da estrada perto de 18 hs, perto do fim da claridade. Próximo a este horário já havia alguns insetos, parecidos com cigarras, que estavam cutucando meu corpo, principalmente o rosto ::essa::. Realmente foram 16 Km até o fim da estrada, porém ela acabava um pouco longe do centro de Itu, o que me fez andar mais cerca de 1 hora e meia. Creio que o percurso total do dia foi de cerca de 50 a 55 km.

Após o fim da estrada pude cruzar uma ponte, que permitiu um belo visual ::cool::, atravessei um entroncamento viário e peguei uma espécie de via expressa para o centro. Acabei saindo para uma rua lateral, dentro de um condomínio e perguntei ao porteiro como chegar ao centro e qual hotel seria mais barato. Após chegar lá fiquei hospedado no Hotel Sabará (http://www.guiamais.com.br/itu-sp/hospe ... 9-2/sabara) por R$ 45,00 a diária com banheiro fora do quarto, ventilador, TV e café da manhã. Não aceitou cartão de crédito, mas aceitou de débito. Neste dia acabaram meus sanduíches e fui ao Supermercado Dia comprar pão de forma, mamão e laranja para unir com o pepino, as mixiricas e o chocolate para meu jantar. Gastei R$ 4,22.

Para as atrações de Itu veja http://www.itu.com.br/guia/lista.asp?t= ... r%EDsticos. Eu já conhecia Itu e não pretendia fazer uma visita extensa desta vez. Os pontos de que mais gostei foram os itens grandes típicos ::cool::, as igrejas antigas ::cool::, o casario colonial ::cool:: e o Museu da República ::otemo::, que visitei numa ocasião anterior. Aproveitei para (re)ver a Praça Central com o orelhão e o semáforo grandes, a outra praça próxima com as fontes, a praça em frente ao quartel do exército e o próprio quartel por fora, as igrejas por fora que existiam nas praças citadas e o casario colonial.

Na 6.a feira 4/9 saí rumo a Porto Feliz. Agora mudei de estrada. O caminho era pela Marechal Rondon (SP-300), uma rodovia bem maior, com muito mais infraestrutura, com acostamento em quase todo o trajeto e tráfego de veículos muito mais intenso. As paisagens já eram mais tendentes a grandes instalações rurais, fábricas e áreas urbanas, mas ainda pairava um certo ar de interior. O Rio Tietê sumiu. Mas mesmo assim achei o trajeto agradável ::cool::. Quando já tinha me afastado de Itu, as paisagens voltaram a ficar com mais vegetação e menos áreas urbanas ou fabris. Foram cerca de 25 Km de percurso.

Assim que cheguei em Porto Feliz, perto de 14 hs, começou a pingar e rapidamente veio uma chuva de média intensidade. Como eu já estava na entrada da cidade, consegui um local para me abrigar e não me molhei. Aproveitei e tirei o pé de sapato que usava, ficando com chinelo nos dois pés, pois caso contrário iria molhar o sapato e as meias. Fui procurar um local para pernoitar e só encontrei 2. Fiquei no Hotel Bandeirantes (https://www.facebook.com/hotelbandeiran ... 4475078881), pagando R$ 70,00 a diária usando cartão de crédito com banheiro privativo, ventilador, TV e café da manhã. Fiz as minhas refeições com sanduíches do que havia comprado em Itu e do que ainda havia restado que eu havia trazido.

Para as atrações de Porto Feliz veja http://www.portofeliz.sp.gov.br/content ... 20&idm=220 e http://www.explorevale.com.br/roteirodo ... urismo.htm. Os pontos de que mais gostei foram a Igreja Matriz Nossa Senhora Mãe dos Homens ::otemo::, que possuía azulejos contando a história da igreja entremeada com a história das monções (expedições exploratórias para o oeste do Brasil numa época determinada do ano) e da cidade, a Igreja de São Benedito ::cool::, simples, toda branca, incluindo pilastras de mármore e as construções históricas ::cool::. Fiquei um pouco decepcionado pelo Parque das Monções, que abrigava vários atrativos, estar fechado pelo Corpo de Bombeiros. O Museu das Monções também estava fechado para reformas ::bad::.

À noite ainda fui visitar a Igreja Matriz e as praças para vê-las com iluminação artificial. A Igreja Matriz ficou muito bela por dentro e por fora com a iluminação artificial ::otemo::.

O dono do hotel falou comigo do seu desejo de ver a cidade prosperar, mas da sua decepção pela situação atual. Comentou sobre algumas histórias referentes à Copa do Mundo, na qual Honduras ficou hospedada em Porto Feliz.

No sábado 5/9 ainda voltei à entrada do Parque das Monções para ver se ele iria abrir, mas foi em vão. Então parti rumo a Tietê-SP, meu destino final. Continuei pela Rodovia Marechal Rondon, só que neste trecho ela era bem menos povoada e movimentada, o que permitiu vista de paisagens naturais bem preservadas novamente ::otemo::, embora não tanto quanto na Estrada dos Romeiros. O Rio Tietê, que passava em Porto Feliz, mais uma vez não apareceu na estrada. Foram cerca de 25 Km até a entrada de Tietê e provavelmente mais 5 Km até a região central, o que deu um percurso de aproximadamente 30 Km.

Logo na entrada de Tietê havia uma área verde, aparentemente uma chácara ou fazenda, com um lago no meio, que muito apreciei ::cool::. Pedi informação a passantes e me indicaram o caminho até o centro. Cheguei na Praça Dr Elias Garcia, que ficava no centro perto de 14:45.

Para as atrações de Tietê veja http://www.tiete.sp.gov.br/turismo.php?idCat=11. Esta cidade eu não conhecia. Os pontos de que eu mais gostei foram a Igreja Matriz ::cool::, a estátua de Santa Terezinha no Seminário ::otemo::, com flores e rosas, os periquitos ou maritacas na praça central ::cool::, as árvores altas (talvez palmeiras) nas praças ::cool::, principalmente perto do Paço Municipal, o casario antigo ::cool::, o Rio Tietê ::cool:: e a estátua no Parque do Divino ::cool::, além da área verde na entrada da cidade que mencionei.

Reencontrei o Rio Tietê, passando por uma ponte construída no Governo Montoro. Interessante que aqui não havia mais o odor desagradável forte e as espumas também tinham desaparecido, embora a cor do rio ainda desse a impressão de que ele estava poluído.

Por fim voltei em direção à rodoviária, ainda pude ver 2 construções antigas em seu entorno e comprei passagem para São Paulo por R$ 38,40 em dinheiro na Viação Vale do Tietê (http://www.valedotiete.com.br). Antes de entrar no ônibus troquei de camisa para viajar com uma limpa. Esperei o ônibus que saiu perto de 17:45 e chegou no Terminal Barra Funda perto de 20:25. Pensei em voltar a pé para casa, pois eram cerca de 8 Km, mas como eu iria cruzar uma área lateral à Cracolândia e já era noite, achei melhor pegar o Metrô. Antes de entrar no Metrô, troquei de camisa de novo, voltando a colocar a que tinha usado na caminhada e estava desgastada e um pouco suja, pois iria caminhar cerca de meia hora até minha casa. No trem, usando os chinelos, com a mochila e a camisa desgastadas, um homem me ofereceu R$ 10,,00 para que eu comesse alguma coisa. Eu me surpreendi, agradeci e lhe disse que eu tinha dinheiro. Depois fiquei algum tempo rindo :lol:.

Agora que acabei a narração e vejo pela minha janela a chuva que cai desde domingo (6/9) e ouço as notícias de caos na região metropolitana, percebo que foi feliz a escolha da semana passada, pois se tivesse escolhido esta semana, começando a viagem hoje (8/9), teria sido um banho, eu poderia ter ficado bem encrencado e talvez tivesse que interromper o roteiro no meio :).


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