Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#689564 por cissa29
26 Fev 2012, 20:00
Viciada em fazer trilhas altas como eu sou, não quis perder a chance de ir até o Caparaó e trilhar alguns dos picos mais altos do Brasil, aproveitando pra treinar diversos aspectos de trilhas em altitude, e fazer minha primeira trilha solo em montanha. Então vamos ao que interessa!

DIA 1 - SEXTA FEIRA, 17 DE FEVEREIRO
Na sexta, 17/02, saí mais cedo do trampo com a benção do meu querido chefinho, e corri pra casa pra terminar de fechar a mochila, e dar os tapas finais na casa - deixar as plantas molhadas e comida e água dos gatos. Achei que fosse ter mais tempo, mas não tive, então nem deu tempo de tomar banho. O que teria sido muito bom, já que eu ia ficar uns dias sem tomar banho. Mas já tinha tomado de manhã, então beleza. Fechei a mochila e saí, estimando estar com 17-18kg. E olha, praticamente acertei! Metrô lotado, rodoviária idem! Na pesagem da entrega de bagagem, estava com 17.3kg. Contando que estava levando absolutamente tudo sozinha, até que não estava ruim.

O ônibus da Itapemirim saiu do Tietê às 19:15 (10 minutos de atraso), mas demoramos umas 2h pra realmente começar a rodar, por conta de ser saída de Carnaval. Inúmeras paradas em lugares bizarros depois, chegamos em Manhumirmim às 11h.

DIA 2 - SÁBADO, 18 DE FEVEREIRO
Eu já estava com passagem pra Alto Caparaó comprada pras 8h30, mas felizmente a mulher da Viação Rio Doce trocou pra mim sem ônus (a passagem custa R$ 4,50, e o trajeto demora de 50-60 minutos). Achei desnecessário ter comprado o segundo trecho antes, mas em alta temporada imagino ser altamente recomendável. Dei sorte de ter um ônibus saindo pra Alto Caparaó em 15 minutos, então lá fui eu. Esse ônibus é circular e pára em vários lugares de Manhumirim, depois Alto Jequitibá, e finalmente Alto Caparaó. Desci no ponto final onde já fui abordada pelo seu Valdir Aguiar (32 8426 5737), que me levou até a portaria do PN por R$ 10. Dá pra ir a pé? Sim, mas se for subir até o Tronqueira a pé, não recomendo, pois a subida é puxada. Se só quiser começar a andar na trilha do Terreirão, negocie um preço que ele também leva até o Tronqueira, último lugar onde dá pra chegar de carro.

Mais ou menos 12h40 eu estava na portaria do PN. Paguei R$ 11 pra entrar, e mais R$ 6 por pernoite, me cadastrei e ganhei um número, que teria que devolver na saída. Ajeitei umas coisas pra começar a caminhada, usei o toalete, e comecei a caminhar.

São mais ou menos 6km de subida, ás vezes asfaltada, ás vezes terra, ás vezes pedregulho. A estrada vai ladeando a montanha, e conforme você vai fazendo curvas, mais montanhas vão aparecendo na paisagem, sempre encobertas de nuvens - é acima delas que quero chegar. Nesse caminho tem vários pontos de água. Parei bastante pois o primeiro dia com a mochila pra mim é sempre mais difícil. Vi alguns carros subindo, alguns descendo, ninguém ofereceu carona e eu também não pedi. Um dos meus objetivos era treinar resistência.

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Início da estrada pro Tronqueira, pausa para um lancha, e dados do trecho Portaria-Tronqueira.

Cheguei no Tronqueira perto das 15h, e já um pouco preocupada que estava meio tarde, decidi não almoçar e só fazer um lanche rápido. Acho que foram uns 15 minutos de parada. Aqui já tinha algumas pessoas, que me olharam estranho - acho que primeiro por estar sozinha, segundo por ter feito esse trecho a pé. Logo notei um cheiro forte de cloro na parte de cima da mochila, e depois de fuçar um pouco, me deparei com a primeira cagada da viagem: meu purificador de água tinha vazado quase que por inteiro! Enfim, comecei a caminhada ao Terreirão, e logo que pus o pé na escadaria vi que teria à minha frente um tropeiro com 2 mulas. Ou seja, merda na trilha. Que ótimo!

Depois de algumas horas de caminhada, e de fazer anotações mentais de lugares pra parar na volta, cheguei quase que me arrastando no Terreirão. Pra minha felicidade, só tinha mais 1 casal acampado, um pessoal fazendo pesquisa (iam descer), e os guardas do acampamento. Desempacotei a mochila e montei a barraca, e logo fui fazer minha janta: risoto de frango da Liofoods e uma pizzinha (sábado é dia de pizza né), seguidos de um capuccino com chocolate, pra estimular o sono. Minha idéia era subir o Bandeira de madrugada em outro dia, e no caminho inverso, pois achei que o PN fosse estar lotado. Mas conversando com o casal chegamos à conclusão que seria boa ideia subir no dia seguinte mesmo, então às 19h, eu já estava no sétimo sono. Não tive coragem de tomar de banho nesse dia.

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Final da trilha para o Terreirão, primeiro jantar acampada, e dados do trecho Tronqueira-Terreirão.

DIA 3 - DOMINGO, 19 DE FEVEREIRO
Choveu de madrugada, o que contribuiu pra derrubar ainda mais a temperatura. Acordei à 1h, comi um sanduba dentro da barraca e coloquei todas as roupas de frio que eu tinha pra sair (estava com 3 camadas), e mesmo assim senti frio. Desmontei acampamento e montei a mochila. Começamos a caminhas às 2h. A trilha é toda de pedra - lembra um pouco os perrengues da Serra do Mar, mas em menor escala. Apesar de bem marcada com as setas amarelas, em dois momentos saímos da trilha, e o GPS foi fundamental pra nos localizarmos de novo. No final parei bastante, e confesso que foram os 400 metros finais mais difíceis que eu já fiz! Depois os 200 mais difíceis, os 80 e assim vai! Bem, a trilha bifurca bastante o tempo todo, e mais ainda no final, mas todas elas levam ao Bandeira, então escolha sempre a mais fácil (ou com menos pedra). Por conta de erro de cálculo (horário de verão), chegamos lá quase 1h30 antes do sol nascer. Ou seja, ficamos um tempão congelando lá em cima. Depois de nós chegaram 2 caras de BH que tinham subido durante a chuva, e de noite (parece que BH também vira um caos na saída de Carnaval, por isso o atraso), sem equipamento, e acabaram dormindo um pouco na Casa de Pedra pra depois subir de madrugada. Imagino que estivessem congelando com a roupa toda molhada! Depois ainda chegou um grupo farofa vindo do ES - digo farofa porque escutamos a gritaria deles desde o Calçado, e num grupo de 15, apenas 4 tinham lanternas.

Bem, durante a subida o céu estava super aberto, salpicado de estrelas, e dava pra ver várias cidadezinhas lá embaixo. Foi uma experiência realmente nova. O sol demorou a sair, mas pra alegria de todos, o espetáculo foi um pintura - o céu estava aberto com poucas nuvens, e pudemos apreciar um nascer do sol em 360 graus, com uma eventual movimentação de nuvens pra lá e pra cá que deixou a coisa toda ainda mais bela. E claro, com o sol saindo, a temperatura foi aos poucos aumentando.

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Dados do trecho Terreirão-Pico da Bandeira, sol nascendo, e Bandeira visto do Calçado Mirim, às 7h22.

Saí de lá praticamente às 7h pra inciar minha descida até o Acampamento Casa Queimada. Me despedi do pessoal bacana que conheci lá em cima, coloquei a Azulzinha nas costas e fui em direção ao Calçado. Como estava bem cansada, decidi fazer o Cristal na volta. Neste dia tive a parte mais "com emoção" da viagem. O caminho do ES pro Bandeira é bem mais íngreme que o caminho que vem de MG, e isso vale pra descida do Calçado, quando se tem que passar por um paredão de poucos metros de altura porém que nada mais é que um desfiladeiro. Tem que se descer usando degraus na pedra. Depois de uma leve escorregada, retomei o bom senso e decidi descer sem a mochila. Averiguei a trilha até lá embaixo, subi de novo e desci mais um vez arrastando a Azulzinha pela pedra. Definitivamente, foi a coisa prudente a se fazer. Confesso que nessa hora rolou medinho.

Vencido esse obstáculo, continuei a descida, parando bastante pra apreciar os momentos em que não tinha nenhuma alma viva no meu campo de visão. Ficar sozinho assim é uma experiência quase libertadora! Mas só até aparecerem as malditas mutucas do Caparaó, que ficaram literalmente 2 horas voando em círculos a minha volta, até eu chegar no Casa Queimada. No meio do caminho tirei a mochila, e o case do GPS saiu voando. Não vi pra onde foi, e pronto, nessa hora o desespero chegou chegando, e achei que tinha perdido o GPS. "Impossível! Tava super bem preso no peitoral da mochila!" Estava no meu pé. 15 minutos depois desse susto, parei numa cachoeirinha pra pegar água, e decidi que ia prendir o GPS no cinto. Coloquei ele em cima da mochila, peguei água, peguei a mochila, e adivinha??? Mais uma vez o GPS saiu voando, desta vez pra cair na água! ISSO SE CHAMA BATISMO A LA CLARISSA! Sorte que ele caiu numa pocinha e é a prova d´água. Esse foi o momento estabanada da viagem - bem, antes isso que cair em precipício né.

Cheguei no Casa Queimada, vazio. Sim, só eu. Botei a barraca e quase todas as roupas pra secar/ventilar, e fiquei um tempão deitada na mesa só bodeando. Aproveitei o calor pra tomar um banho (de gato, pois a água estava geladíssima). Fiz almoço, e nesse meio tempo chegou um casal super simpático de SP, que ia subir de madrugada, e uma família de 3, que ia subir de manhã, também muito simpáticos. Todos vierem bater um papo comigo - incrível que viajando sozinho você atrai muito mais as pessoas. Diria que 80% das pessoas com quem cruzei nas trilhas/acampamentos vinham conversar, ficam meio impressionadas, etc, coisa que muitas vezes não acontece quando se está em grupo. Fui dormir cedo nesse dia também, e dormi tão bem que não escutei uma bagunça que rolou de madrugada, de gente que veio subir durante a noite.

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Setas marcando o caminho, Casa Queimada lá embaixo, e dados do trecho Pico da Bandeira-Casa Queimada.

DIA 4 - SEGUNDA FEIRA, 20 DE FEVEREIRO
Durante a tarde do dia anterior fiquei pensando muito se faria o Cristal ou não. A mochila ainda estava pesada, e eu sabia que o Cristal tinha lajes bem expostas com trechos de escalaminhada íngreme, o que poderia ser arriscado estando com uma cargueira, e sem corda. Aliás, antes de sair pra viajar fiquei pensando se não seria bom levar corda, e neste dia meio que achei que daqui pra frente, em solos, eu deveria levar, com uns mosquetões melhores. Talvez isso faça a diferença na hora de subir algum pico, pois eu vou poder içar a mochila e subir com mais tranquilidade.

Acordei umas 6h, e 7h e pouco já estava saindo. O pai e o menino (Gaspar, tinha 13 anos), estavam muito a fim de subir comigo, e bem inseguros de fazer a trilha sozinhos. Beleza, avisei que iria devagar e fomos juntos. Neste dia pegamos bastante névoa e um pouco de frio conforme fomos subindo, o que era presságio de que o tempo não estaria aberto no Bandeira. A trilha que vem do ES realmente tem trechos mais íngremes, mas diferente da que vem de MG, que é só pedra, a do ES tem muita trilha de chão batido, então a gente cobre uma boa distância sem fazer muito esforço. Também achei a do ES mais bonita, mais cênica, mais montanha. Foi engraçado ver o Gaspar todo empolgado com os trechos mais "técnicos" (algumas escalaminhadas bem simples). Já falei pra ele pedir de presente pro pai um tênis de trilha adequado.

Realmente o tempo não estava aberto no Bandeira. As nuvens iam e vinham, revelando e escondendo a paisagem. Desta vez tinha muita gente lá em cima, fazendo muita bagunça, e muita criança também. Nessa hora pensei que talvez seria bom mudar o nome do lugar pra "Pico da Farofa", mas seria um desrespeito com a montanha, afinal de contas, a culpa não é dela. No entanto, aquela torre, escultura e cruz lá em cima são medonhas e deviam ser retiradas, já que não fazem parte da paisagem natural e literalmente, não servem pra nada.

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Dados do trecho Casa Queimada-Pico da Bandeira, Gaspar curtindo seu primeiro pico, Azulzinha no Bandeira.

Fiquei lá um tempo descansando, tirei umas fotos, e comecei a descida, pensando em ir bem devagar. Neste dia não iria no Cristal, talvez no dia seguinte. Muita gente passou por mim, subindo e descendo, tinha até criança de 7 anos. Enfim, parei em 2 mirantes no caminho pra dar uma descansada, e aproveitar que ainda era cedo e poderia bodear bastante no acampamento. Um pouco antes de chegar no Terreirão encontrei a entrada da trilha pro Morro do Cruz do Negro. Tem uma pedra com uma seta branca enorme pintada, mas meio escondida pelo mato. A trilha até que é bem visível no começo, mas depois fica um pouco fechada, sendo necessário um mini vara mato pra prosseguir. Pensei que seria um bom programa pro dia seguinte, pra fazer junto com o Cristal, sem a cargueira.

Cheguei no Terreirão e repeti o procedimento: colocar a barraca pra secar, ventilar as roupas, descansar, fazer almoço. Nesse dia tinha 2 barracas montadas. Montei a minha perto da onde tinha montado da outra vez, entre uma mesa de madeira e o riachinho que ladeia o acampamento, próximo à entrada da trilha do Bandeira. Talvez tenha sido uma decisão errada, pois passa muita gente ali durante o dia, e isso me deu insegurança de deixar a barraca sozinha ali no dia seguinte pra ir até o Cristal, até porque os guardas do acampamento estavam trancados na casa de guarda e não saíram o dia inteiro. Além do que, não rola "levar só coisa de valor", pois todo meu equipamento é de valor - quem faz trilha sabe disso e nem preciso entrar em detalhes. Resolvi pensar no assunto durante a tarde. Aproveitei e descobri um mirante no final do acampamento, com uma trilha bem fechada que provavelmente daria numa cachu lá embaixo.

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Dados do trecho Pico da Bandeira-Terreirão, entrada da trilha pro Cruz do Negro, e o tradicional capuccino com raspas de chocolate, pra dar aquela relaxada.

Fiquei bastante tempo sem fazer nada na tarde desse dia. Um dos casais que estava numa barraca foi embora, algumas pessoas de alguns grupos vieram falar comigo por curiosidade, e até escutei comentários do tipo "essa daí é a mulher que foi até o Espírito Santo e voltou" (virei assombração?) ou "essa é alpinista de verdade, está com todo o equipamento, blá blá"... esse segundo comentário provavelmente se deu porque durante a descida percebi que estava com as mãos inchadas, por conta de queimaduras fortes de sol. Então cheguei lá e fiquei com todas as segundas peles, inclusive luvas, boné e bandana pro pescoço, além de óculos de sol. Quase um ET, afinal estava quente, e todo mundo de bermuda e camiseta e eu lá, toda coberta, de preto dos pés à cabeça.

Enfim, fui dormir cedo também, sem decidir muita coisa sobre o dia seguinte. Apenas que eu não teria hora pra acordar.

DIA 5 - TERÇA FEIRA, 21 DE FEVEREIRO
Acordei mais ou menos 8h30. Enrolei pra sair da barraca, pra fazer o café, pra ir no banheiro. Desisti de deixar minhas coisas por lá e fazer o Cristal. Cagaço mesmo, de subir de cargueira, ou de deixar minhas coisas lá sem ninguém pra olhar. Então, elegi esse como o dia da preguiça. Fiquei perambulando pelos mirantes do Terreirão por horas. Mesmo. O pessoal da última barraca foi embora, e eu estava totalmente sozinha (os guardas não contam né, nem abrir a janela eles abrem). Ficar sozinho assim por muito tempo é tão bom, que ao invés de você começar a pensar na vida, não pensa em absolutamente nada, e as horas passam. E muitas! Em vez de me sentir pequena, me senti tão parte do ambiente que acabei me sentindo grande (uma pequena parte do grande), mas foi um sentimento meio que de simbiose.

Obviamente que isso só durou até começarem a chegar os farofas e gritar e perturbar a minha paz. Incrível como as pessoas tem prazer em fazer barulho. Fiquei um tempão sentada num mirante que tem atrás da Casa de Pedra, mas fora da trilha que vem lá de baixo. Em vez das pessoas passarem reto, não, elas faziam questão de vir aonde eu estava e ficar gritando, fazendo pergunta idiota e zona generalizada. Enfim, acabou quebrando o clima da minha quase meditação-transcedental-espontânea, e resolvi arranjar alguma coisa pra fazer.

Não é que nessa hora a casa de guarda se abriu? Estava considerando descer pro Tronqueira já nesse dia, porque senão teria que descer correndo na quarta e não ia conseguir pegar umas cachus. Vi com eles se tinha vaga lá embaixo, e com a resposta afirmativa, arrumei a tralha e comecei a descida. Meio na dúvida se estava fazendo a coisa certa, pois o Tronqueira é bem farofa, mas enfim, valeria pelas cachoeiras e descanso devido.

Nesse dia a mochila já estava mais leve, ainda bem. A trilha acompanha o Vale Encantado, por onde desce um rio com vários poços e pequenas cachus. Reparei nisso desde lá de cima, principalmente num poço lindão meio com fundo infinito que eu queria muito entrar, e fui procurando alguma trilha ou picada que descesse pra algum poço. Não achei e fiquei bem frustrada. Perto da Araucária parei pra um lanche, abri a mochila, fechei, enfim, toda aquela função. E louca por um mergulho! Juro que não mais que 15 passos depois da Araucária, abre um trilha curta e bem marcada pro poção dos meus sonhos! Não deu outra, larguei a Azulzinha na pedra e aproveitei meu merecido mergulho. Fiquei lá um tempo e continuei a descida.

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Azulzinha pronta pra começar a descida, poção daóra no Vale Encantado, dados do trecho Terreirão-Tronqueira.

Descer é uma coisa meio triste. É se afastar do seu objetivo. Da montanha, do topo. É um sentimento ruim, que já tive outras vezes. Pior ainda quando não se cumpriram todos os objetivos. Mas já que não dá pra ficar por lá, a gente desce. Cheguei no Tronqueira e tinha várias barracas enormes na área de camping, que é bem pequena. Muitos visitantes de 1 dia também, muito barulho, muita zona. Mas consegui tomar banho. Porém numa água tão, mas tão gelada, que doeu até meu cérebro. Juro mesmo!

Durante a tarde um grupo de quatis invadiu o acampamento e causou rebuliço. Jantei "ao por-do-sol", e fui dormir já no escuro. Na verdade tentar - o último grupo que ficou lá ficou jogando stop ou sei lá o que até altas horas e obviamente que não consegui dormir. Mas tudo bem, pois o plano era acordar às 5h no dia seguinte, e desmontar tudo pra descer - inclusive sacudir bastante a barraca.

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Não precisa ser muito inteligente pra realmente entender o que está escrito. Por do sol no Tronqueira, seguido de janta.

DIA 6 - QUARTA FEIRA, 22 DE FEVEREIRO
Dia de ir embora. O despertador tocou às 5h, mas como dormi mal, deixei ele em snooze de 15 em 15 minutos até às 6h. Tenho certeza que isso acordou algumas pessoas. Saí da barraca e já tinha gente daquele grupo de pé. Aliás foi só montar a cozinha que já apareceram vários quatis querendo filar meu café da manhã. Comi, desmontei a barraca, sacudi ela MUITO - pois foi o dia que ficou mais molhada (isso porque a área de camping do Tronqueira é numa clareira bem protegida de vento), arrumei a mochila, e comecei a descida às 7h40 mais ou menos. Aliás falando em mochila, neste dia o peso já estava totalmente tolerável, a ponto de eu não lembrar que estava com uma mochila pesada. Imagino que com mais de 16kg ela não estava.

Parei primeiro na linda Cachoeira Bonita. Fiquei um tempo lá apreciando mas sem entrar, porque a água tava bem fria e eu não queria abrir a mochila que eu tinha arrumado tão bem a menos de meia hora. Saí de lá e voltei a descer - no caminho vi um gaviãozinho, um tucano de bico verde (lindo) e um cachorro (oi?) correndo atrás de alguma coisa no meio do mato (oi???). Bem lá no final peguei a trilha pro Vale Verde, onde deu sabia que tinha uma cachoeira. Eram 10h e pouco, imaginei que não teria gente lá, e não tinha. No Vale Verde tem uma cachoeira não muito íngreme, bem parecida com essas da Serra do Mar, com mata bem fechada em volta, e que termina num poção de água meio verde, absolutamente lindo! Nesse momento pensei que apesar da farofa, valeu a pena ter descido pro Tronqueira pra ver as cachus.

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A maravilhosa Cachoeira Bonita.

Imaginei que sendo estando numa altitude mais baixa, a água desta cachu estaria menos gelada. Ledo engano, mal entrei e senti meus ossos doendo. Acho que nem a água do poço do Salto Angel era tão gelada, sério. Mas já estava lá, então fui! Mergulhei com tudo e tentei chegar até o outro lado do poço, mas só até não conseguir mais sentir as extremidades nem mexer direito os braços. Sério, tava muito gelada. Saí, me troquei e fiquei secando lá um tempo. Nisso apareceu uma família, que começou um churrasco numa das churrasqueiras que tem mais pra cima na área da cachoeira. Mas estavam lá em cima, fora do meu campo de visão, e vice-versa.

Desci até a portaria feliz da vida (mas nem tanto né Cristal?), liguei pro seu Valdir, com quem já tinha deixado combinado meu retorno, e me troquei pra voltar. Enquanto esperava o seu Valdir, apareceu um gringo maratonista, que subiu a estrada do parque correndo. Escutei a conversa dele com o povo da portaria de longe, e ele ia subir correndo até o Tronqueira, e se aguentasse até o Terreirão. E era de Viena. Tãotáné! Depois eu que sou louca!

Seu Valdir, muito gente boa, me deixou num restaurante mineiro (R$ 10 à vontade, perto da pracinha da Matriz), onde fiz uma belo almoço com direito a feijoada, farofa, uma batata doce e macaxeira incríveis, lasanha e frango frito. Estava tão impressionada com as comodidades da civilização que tomei até refrigerante (quem me conhece sabe que eu tomo refrigerante 1 vez por ano, se muito). Comprei uns "souvenirs" numa lojinha, e fiquei esperando o ônibus pra Manhumirim na pracinha. Conversei com uns locais, fiquei amizade de um cachorro e tive que aguentar um cobrador xavequeiro mala pra caralho até Manhumirim. Faz parte né.

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Azulzinha no poço do Vale Verde, dados do trecho Tronqueira-Portaria, e um belo almoço mineiro em Alto Caparaó.

Nem sei que horas cheguei em Manhumirim, sei que fiquei horas esperando o busão pra SP. Nesse meio tempo tomei um sorvete por quilo cheio de tudo que engorda numa sorveteria que fica ali perto e que chama "Gelin". Peguei o ônibus perto das 18h, e parti de volta pra Babilônia, quase que completamente feliz.

No meu blog tem além desse relato, a preparação pra viagem e análises pós-viagem, mas ele ainda está privado pois ainda estou arrumando o layout. De qualquer maneira, fica o link:
http://cissasolo.blogspot.com

#689760 por NeoConker
27 Fev 2012, 04:57
Cissa,

Muito bom o seu relato.

O que eu venho percebendo é que as trilhas está virando um esporte e o pessoal anda meio avacalhando os lugares.

Vou acompanhar por aqui ou blog.

abs!

PS: Tirou foto do tucano?
#690308 por gvogetta
28 Fev 2012, 13:13
Oi Cissa!

Então, como já lhe disse no blog e em outro tópico aqui mesmo no mochileiros onde discutíamos sobre o Caparaó, curti muito seu relato e a sua aventura. Acho muito bacana a mulherada se soltar e se embrenhar (com responsabilidade e planejamento, como você fez) nestas aventuras, dantes só praticadas pela marmanjada... ::otemo:: ::otemo::

A região é fascinante, apesar da farofagem, que infelizmente vem tomando conta de muitos recantos naturais no Brasil.

Parabéns!

Grande abraço e boas trilhas!

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