Relatos de Viagens por 2 ou mais países da América do Sul
#999287 por polybhh
05 Set 2014, 12:37
Salve, Salve Galera Mochileira!!! Bão ou não? ::cool:: ::bad::

Cá estou, com mais um relato e vivenciando novamente a depressão pós-viagem! Quem nunca? Na verdade, a minha depressão tem 2 motivos e vcs vão entender o por quê com o desenvolver do relato.

Como a maioria, irei relatar a minha experiência com essa viagem fodástica!! Vivenciei todas as emoções possíveis! Me apaixonei várias vezes (gringos lindos), venci a barreira do idioma e conheci pessoas super legais, vi lugares fantásticos, conheci outras culturas, experimentei sensações e sabores que jamais esquecerei! Nossa, sabe o que é melhor? Terei histórias e memórias para a vida inteira! Essa viagem não tem como esquecer!

Resolvi escrever esse relato como uma forma de registrar essa viagem e toda vez que bater a saudade, voltar aqui, ler e vivenciar a viagem mais uma vez! Além é claro, de agradecer mais uma vez aos mochileiros de plantão que contribuíram com informações e/ou conselhos e me ajudaram a estudar a melhor forma de montar o meu roteiro. Eu amo viajar e a minha vontade só aumentou depois de ler o relato do Rafael Sorrent, fiquei fã desse cara e acho que a maioria aqui já leu o relato dele. Eu li o relato em 1 dia inteirooooo ::ahhhh:: Não consegui parar! E sempre sonhava que um dia eu faria essa viagem. Agradeço ainda as lindas: maritortorella, larissamarques11 e barbaraleitao. Amei o relato de vcs! ::otemo:: e ao querido Nogy! ::otemo::

Eu sou conhecida aqui no Fórum como Tia Poly Turismo ..kkkkkk.. pra vcs entenderem o motivo e conhecerem as 2 loucas que viajaram comigo, aconselho a lerem esse relato primeiro:
http://www.mochileiros.com/desbravando-santiago-e-regiao-com-a-galera-que-conheci-aqui-no-forum-7-dias-t86479.html

Se você leu o relato acima, viu que a galera é grande. A principio todo mundo ia fazer essa trip, mas como já dizia o filoso Joseph Climber, a vida é uma caixinha de surpresas.. :lol: E, muita coisa acontece em 1 dia, quem dirá, em 1 ano. Alguns saíram do emprego, outros mudaram o período de férias, outros já haviam feito esse roteiro, os q estavam solteiros, agora não estavam mais e alguns haviam feito outros planos. Mas, o principal é que continuamos amigos! A gente conversa todos os dias pelo whatsapp e marca encontros esporádicos. A nossa amizade é muito importante pra mim. Já tivemos encontro em BH, SP e Rio.

PREPARATIVOS
Sou sagitariana e tenho espirito aventureiro, maaaassssss eu gosto de ter as minhas coisas mais organizadas possíveis, pelo menos quando se trata de viagem, porque o resto é uma zona mesmo.. ::lol4:: Eu prefiro viajar já com hostels reservados e passagens compradas. Acredito que economiza tempo e dinheiro, além de evitar situações meio chatas e estressantes. Sei que muita gente vai na raça mesmo e no final dá tudo certinho, mas eu AMO fazer o roteiro, pois eu já viajo antes mesmo de pegar o avião.. hahahahaah.. sem falar que dessa forma, eu pesquiso sobre o local e verifico se eu realmente quero conhecer. Esse jeito funciona bem pra mim. Ainda mais nessa viagem que eu queria conhecer muitos lugares e tinha apenas 21 dias. Tive que cortar alguns lugares e com um aperto no coração deixei de ver: Copacabana, Isla del Sol e Huaraz! Affff. :cry: :cry: . Por esse motivo eu prefiro um roteiro para me orientar.

DICA:priorize o que você realmente quer fazer, lugares que quer visitar e verifique a distância entre eles. Na Bolívia qualquer 200 km, demora umas 18 horas para chegar. Verifique os horários de bus / avião / trem. Isso vai facilitar demais a sua vida!

Eu e as meninas começamos a olhar as passagens em janeiro/2014. Mas Tia Poly você tá muito adiantada hein? Sim, eu sei, eu sei.. mas, é pq eu teria mais tempo para pagar as passagens e quando tivesse próximo eu não teria que pagar mais nada. #ficaadica Apesar que, eu não fui direto pro Peru ou pra Bolívia, pois as passagens estavam extremamente caras.. gente, a Copa fudeu com a gente.. LITERALMENTE NÉ? :? #eterno7a1. As passagens que antes comprávamos ida e volta por R$ 800 conto, estavam R$ 1.700,00 só a ida.. Socorro!! Eu teria que vender um rim + minha mãe + os olhos da cara pra pagar. Por esse motivo, optei em ir por Campo Grande.

Vcs irão observar que no nosso roteiro, optamos por utilizar pouco ônibus. Eu li vários relatos do povo enfrentando mais de 20 horas de bus em estradas fudidas, num frio do cão, com criança chorando, povo sentando no chão, banheiro fedorento e as cholas fazendo xixi na frente de todo mundo..kkkkk.. depois disso eu desisti! kkkkkkkkkkkkk por isso eu preferi pagar um pouco a mais e ter a oportunidade de ir em mais lugares, poupando tempo e também o meu estado físico, visto que, muitas vezes eu iria chegar já morta de cansada e não iria aproveitar tanto assim. Gente, eu não sou fresca, juro! Mas quando eu vi as fotos dos banheiros da Bolívia...

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Desanimei total !! Porque uma coisa é você mijar em pé, outra é ...................ABAFA!! Nós mulheres, sofremos viu? De todas as preocupações que eu tive nessa viagem, essa era a principal: BANHEIRO e depois COMIDA. Não gosto nem de lembrar!

ROTEIRO
02/08: BH - CAMPO GRANDE - CORUMBÁ
03/08: CORUMBÁ - PUERTO QUIJARRO
04/08: SANTA CRUZ DE LA SIERRA - SUCRE
05/08: SUCRE - POTOSÍ - UYUNI
06/08: SALAR DO UYUNI
07/08: UYUNI
08/08: UYUNI – SÃO PEDRO DO ATACAMA
09/08: ATACAMA
10/08: ATACAMA
11/08: ARICA – AREQUIPA
12/08: AREQUIPA - ICA
13/08: ICA
14/08: PARACAS - Paracas/Ilhas Ballestas
15/08: LIMA
16/08: LIMA-CUZCO
17/08: CUZCO – VALE SAGRADO
18/08: MACHU PICCHU
19/08: CUZCO
20/08: CUZCO
21/08: CUZCO – RIO BRANCO
22/08: RIO BRANCO - BH

**Houveram algumas pequenas alterações no roteiro q vcs verão mais pra frente.
Dica: intercale dias de descanso, ou de atividades mais tranquilas. A gente fica moído.

ROUPAS
Se você colega, é como eu que já estava desesperada pensando em como ia colocar todas aquelas roupas que você havia separado + sapatos + acessórios + utensílios básicos de sobrevivência ( maquiagem, alicate de unha, secador, babyliss e afins ).. bom, tenho só uma coisa a te dizer:

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SENTA E CHORA!! ::lol4:: ::lol4:: ::lol4::

Coloquei só roupa e tralhas de viagem na mochila e deu 14kg. Muita coisa ficou de fora. ACREDITEM!! O problema maior é que os casacos fazem volume demais! E ficamos com medo de passar muito frio no Salar. Por isso levei mais opções. Senão teria levado 1 só. A dica que eu dou é investir mais em camisas diferentes, cores diferentes e acessórios, como lenços, toucas e cachecóis. Porque aquela blusa de frio colega, vai aparecer em praticamente todas as fotos. Não tem jeito! Observe em qual época vc vai. Meses de julho e agosto, as temperaturas caiem mais um pouco.

Outra dica: ar condicionado de avião é super forte! Então, se for de avião já leva a blusa de frio com você. Se vc nao tem nada de roupa, vai comprando aos poucos, pq esse tipo de roupa é cara! Eu comprei 4 peças na Decathlon ( blusa fleece ) e paguei quase R$ 700 conto!!!!! A gente acaba gastando um pouco antes. Então, pra não assustar: vai comprando as coisas aos poucos! Outra dica: luvas, eu comprei aqui e não suportaram o frio de lá. Comprei outro par no Atacama. Aquelas com pelinho dentro. Ahhh algumas pessoas podem considerar o secador um item supérfluo, mas, acredite, é bom levar. Arrume um pequeno, o cabelo naquele clima, não seca nem a pau. Seque pra evitar ficar doente. Se vc não vai fazer trilha, nem leve o saco de dormir. Eu levei, não usei, e tive q ficar carregando aquele trem a viagem inteira, e toda hora ele ficava meio q querendo abrir, q apelidamos ele de fimose.

SEGURO VIAGEM
Acho super importante, não deixem de fazer.. Vocês verão o por quê. Foi a melhor compra que fiz na viagem inteira!!! E não façam o mais barato, façam o valor intermediário. Eu fiz pela GTA. Paguei R$ 238,14 e esse valor pode variar um pouco, pois depende da cotação do dólar. Coloque o seu seguro viagem junto com o seu passaporte, não desgrude. A gente não sabe quando vai precisar. Acredite!

CÂMERA USADA PARA FOTOS
Sony H5XV - 16MP
Iphone 5S
Se tiver grana pra investir em uma Go Pro, não pense 2x. É muito mais fácil pra vc fazer selfies, se for viajar sozinho(a). E os vídeos??? Sensacionais!!!

CLIMA
De todos os lugares que passei, eu senti frio mesmo, daqueles que a gente lê aqui e morre de medo, foi: Salar, mas foi só na última noite, frio de congelar a alma e você não sentir seus pés. Senti frio na fronteira com o Chile, que pensei que eu fosse morrer congelada. Muito frio também no Atacama, mas somente no passeio das Lagunas e Geisers. Congelante!! O resto dos lugares, era tranquilo suportar, ou fazia calor de dia e o frio mesmo era só a noite. Vocês poderão ter uma ideia pelas fotos.

CÂMBIO E DINHEIRO QUE LEVEI
ANTES DA VIAGEM: Conseguimos dólar por um preço muito bom! Comprei 600 por 2.25 já com taxas e depois 350 por 2.21!!!!!! Só não comprei mais pq o cara já não tinha.. Snif .. Snif.. Pq nessa mesma época as casas de câmbio daqui de BH estavam vendendo por 2.37 sem taxas!! Socorrooooo!

Levei 950 dólares + 400 reais. E só! Nem cartão eu levei. Gastei 900 dólares e voltei com 100 reais.

Trocamos dólar em: Santa Cruz de La Sierra, Uyuni, Atacama, Arequipa e Cusco.

Em Santa Cruz, a cotação no dia 06/08, era:
Moeda
Dólar 6.92
Euro 9.10
Real Brasileiro 2.84
Peso Argentino 0.50
Peso Chileno 0.011

Em Uyuni, o dólar estava 6.80
No Atacama eu não me lembro da cotação gente, me desculpe...mas não era muito boa.
Em Arequipa e Cusco estava 2.783

MOCHILA
Eu passei uns 2 meses procurando uma mochila que fosse boa e barata.. a Nord na Centauro tava esgotada já tinha um tempão.. foi quando eu achei essa daqui na Decathlon:

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Essa aguenta o tranco. Muito resistente!
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Eu sou alta. Tenho 1.75m, e ela se adequou bem. Mas, tem que ajustar e colocar as roupas pesadas no fundo, pra vc não correr o risco de ir pra frente e vc tombar.
Detalhe: se eu entrasse direto no site, ela não aparecia.. eu digitei o nome da mochila no google e ai me deu o link..
A mochila é ótima gente.. R$ 300,00 - 70 Litros..
http://www.decathlon.com.br/montanha---aventura/mochilas-38170/mochila-trecking-38173/mochila-forclaz-70-litros-quechua_31663
Em maio teve promoção dela que não durou 5 minutos, ela passou para R$ 199,90 ::vapapu:: ::vapapu::

IDIOMA
Me viro bem no inglês e isso não foi um problema. Eu tenho dificuldade é pra entender espanhol, pois tem hora que eles falam muito rápido, mas depois de um tempo por lá, o seu ouvido já se acostuma. É incrível. Se você não fala nada de inglês e nem de espanhol, aconselho a ter conhecimento de palavras chave, como banheiro = baño, entre outras que podem te salvar no momento do aperto.

VACINA
Tomei 15 dias antes da viagem, a vacina de febre amarela, e no dia da viagem tirei no aeroporto o certificado internacional. O processo é simples e bem rápido, mas ninguém me pediu.

SEGURANÇA
Me senti segura o tempo inteiro. Só não dava bobeira com bagagem. Sempre ficava com a mochila, câmera e celulares por perto. No Chile, eu deixava a doleira na mochila de tão tranquilo que era, mas colocava no fundo dela. Eu sei que pode parecer loucura, mas a doleira fazia tanto volume que parecia q eu estava grávida de 4 meses... Tinha hora q ficava ruim e sem falar no medo de molhar o passaporte, com tamanho calor.

REMÉDIOS
Levei todos que você possa imaginar, para vômito, diarreia, laxante, glicemia, gripe, febre, etc. Aliás, eu mesma usei bem pouco, compartilhei os remédios q levei com o pessoal que tava passando mal e usei esses: aspirina, que substituí pelo sorochi pills. Dorflex pra aliviar as dores de carregar a cargueira, Simeticona pra aliviar os gases de ficar sentada muito tempo, Soro usei muito pra colocar no nariz, pq fica muito ressecado. Dramin B6 usei 1 dia em Sucre.

ALIMENTAÇÃO
É isso tudo que você lê nos relatos e mais um pouco, mas dá pra comer bem sim. É só evitar coisas mais gordurosas. Acho que na Bolívia é mais difícil, porque o senso de higiene passa longe, então a gente fica com mais receio de encarar, mas comi bem em toda viagem. E frango mesmo, comi pouco. Tive sorte de achar carne. ( não sei se era de alpaca, ou lhama kkkkkkk ).

EFEITOS DA ALTITUDE
Não sei se foi efeito da altitude ou porque a cerveja era forte mesmo, mas senti algo estranho, somente em Sucre. Depois de tomar cerveja fomos comer algo e eu estava com fome, mas não consegui comer quase nada. Me deu uma dor, parecendo comprimir minha cabeça e um leve enjoo. Mas, foi só. Voltei pro hostel, tomei Dramin, dormi e aí passou. Mas, foi uma sensação diferente..

BANHEIROS
Chuuuuuuuutaaaaaaaaaa que é macumba!!! Sempre tenha trocados no bolso, 1, 2 ou 5 bolivianos. Na Bolívia você sempre paga pra usar o banheiro. SEMPRE! E, mesmo pagando, dá vontade de chorar. Sem descarga, sem água, as vezes nem pra lavar a sua mão. Leve sempre papel higiênico e lenços umedecidos. Ahhh, se vc é daqueles q acha melhor comprar tudo por lá, saiba que folha dupla não existe por lá, viu? Só uma dica. Outra coisa: na Bolívia nenhum ônibus que pegamos tinha banheiro e faz paradas. As paradas são só pra subir e descer passageiros. Prepare-se para ficar 5 a 6 horas sem fazer xixi. Nem te conto que aperto era algo normal na minha vida de mochileira... PQP!!! Quase fiz xixi nas calças, várias vezes!

GASTOS COM PASSAGENS, COMPRADAS COM ANTECEDÊNCIA
A passagem CAMPO GRANDE - CORUMBA, pelo site da Andorinha (http://www.andorinha.com) vc consegue comprar com antecedência sim, mas a minha que era para 02/08 eu consegui comprar dia 13/06 ( 50 dias antes ). Sempre assim. 50 dias.
Comprei passagem de avião de Santa Cruz de La Sierra para Sucre pela Amaszonas de 10:45h chegando lá as 11:15h por 67,35 dólares
Comprei também passagem de ônibus de Arequipa para Ica pela Cruz Del Sur de 21:00h chegando lá as 09:00h por 31 dólares
Comprei de ônibus de Ica para Lima pela Cruz Del Sur de 18:30h chegando lá as 22:50h por 7 dólares
Comprei passagem de avião de Lima para Cuzco pela Star Peru de 08:35h chegando lá as 09:25h por 92,62 dólares
Comprei passagem de avião de Cuzco para Puerto Maldonado pela Star Peru de 10:30h chegando lá as 11:25h por 74,25 dólares.

DÓLAR OU REAL?
Definitivamente dólar. E olha que eu achei que o dólar estava mais valorizado. No Peru, em vários lugares não aceitavam real.


Ai genteeeeeeee! Me perdoem, mas eu sou muito detalhista.. quero informar tudo :lol: :lol: Eu sempre tento minimizar o relato, mas eu nunca consigo. Sorry!
Espero que se divirtam e sintam a vibe! Pra quem não teve a paciência de ler o relato do Chile, eu vos apresento as minhas companheiras de viagem:

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Vilma (SP), eu e Lorena (BH)

Podem perguntar o que quiserem, que eu respondo por aqui mesmo, pois eu não tenho Facebook.
Então, bora começar? Preparados? SENTA QUE LÁ VEM HISTÓRIAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!
Editado pela última vez por polybhh em 07 Out 2015, 10:07, em um total de 1 vez.

#999304 por polybhh
05 Set 2014, 13:54
1º DIA - BELO HORIZONTE - CAMPO GRANDE - CORUMBÁ ( SÁBADO )

ATENÇÃO: Pessoal, queria deixar claro que a trip que irei relatar é baseada na MINHA experiência. Não quer dizer que é a certa. Por favor, quando eu falar de alguém, não generalizem, ok? Tipo, achar que todos os bolivianos são assim.. que todos os chilenos são assado.. Não façam isso! Vou tentar ser a mais direta e real possível, pois sei que quando lemos um relato, ficamos imaginando, e as vezes a nossa cabeça voaaaa e ao chegarmos lá, podemos ter uma pequena decepção. Sei também que nada do que eu escrever aqui vai dar a dimensão do que é estar realmente lá. Você tem que ir! :)

Acordei, revisei a mochila e os meus documentos pela décima vez e mesmo assim estava com a sensação de que estava esquecendo alguma coisa. Almocei e fiquei descansando, pois o meu voo era somente a tarde. Meus pais resolveram me levar no aeroporto e eu já achei aquilo muito estranho. Eles nunca fizeram isso. Mas era o meu primeiro mochilão e nunca fiquei tantos dias viajando, fora de casa.. então acabei entendendo essa decisão. Pra quem não sabe, BH tem 2 aeroportos, mas o mais utilizado é o Aeroporto de Confins e ele fica longe pra cacete da cidade. Eu logo agradeci por eles terem me levado, pois de carro tudo é muito melhor, né? Imagina carregar aquela cargueira, pegando ônibus ? Melhor deixar para sofrer mais tarde, quando realmente eu ia sentir o peso daquela que seria a minha companheira por muitos dias..hehehehehe. Do caminho até o aeroporto escutei os meus pais falando aquelas recomendações básicas.. hahahahaha. Chegando em Confins, encontrei com a Lorena na mesma situação. Mas, ela ainda tinha um bônus: o irmão também foi. Hahahahahha. Chegamos cedo, pois não sabia como funcionaria para conseguirmos emitir o certificado internacional. Despachamos a mala, a minha 14kg e a da Lorena 12kg. Depois fomos procurar o posto de atendimento. Em Confins fica no piso Mezanino - sala 37, 38 e 39 e funciona de 9h as 17h, todos os dias. Foi rápido, não havia filas. Só entreguei o passaporte e o comprovante que havia tomada a vacina da febre amarela. A atendente me perguntou para onde iria viajar e em 2 minutos já estava com o certificado em mãos.

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Lorena e eu.. nada pra fazer no aeroporto, bora tirar foto
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O meu voo e o da Lorena saia de BH as 17:45h, faríamos uma conexão em Brasilia e chegaríamos em Campo Grande as 21:01h. Fomos de TAM, a passagem custou R$ 181,57 já incluso a taxa de embarque. O valor baixo, foi porque compramos com antecedência. Geralmente o custo é em torno de R$ 300. A TAM foi pontual, chegamos em Brasilia e eu fiquei impressionada como ficou maravilhoso o aeroporto de lá. Havíamos feito confusão com o horário e achamos que estávamos muito atrasadas para o voo. Saímos correndo e quando chegamos quase sem conseguir respirar, bufando..percebemos o nosso erro, rimos da nossa burrice e ainda deu tempo de usarmos o banheiro. Chegamos em Campo Grande era 21:00h. LEMBRANDO QUE EM CAMPO GRANDE É 1 HORAS A MENOS QUE EM BRASILIA. Fiquei chocada como o aeroporto é pequeno, e as lojas estavam todas fechadas. TODAS! Dois caixa eletrônicos não estavam funcionando. O bom do aeroporto ser menor é que em 5 minutos as mochilas já estavam nas esteiras e pegamos rapidinho. Nesse momento, eu pensei: caralho, como vou carregar esse troço durante toda a viagem?? A Lorena me ajudou a ajustar as alças da mochila, pois eu estava indo pra frente e perdendo o meu equilíbrio, a minha coluna agradeceu. Saímos e avistamos uns bancos e ficamos sentadas para esperar a Vilma que só chegaria 30 minutos mais tarde. O voo dela saiu de Guarulhos às 20:56h, com previsão de chegada às 21:37h. A passagem custou R$ 135,57 também já incluso as taxas.

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Aero Campo Grande, a gente desce na pista


Enquanto aguardávamos, fui carregar o celular e enviar mensagens pelo Whatsapp para a família e amigos que estavam tão ansiosos quanto a gente. O voo dela chegou e nada de vermos a Vilma, até as bagagens estavam na esteira e nada dela aparecer. KD ESSA MULHER? Eis, que logo, sai ela empurrando um carinho com a cargueira dentro. Ohhhhhh Vilma!!! Vc não é mochileira não?? A cena foi engraçada! Ela não andou nem 12 passos com o carrinho. Logo foi falando: MEUU, vou ter q carregar esse bagulho a viagem inteira, me deixa usar o carrinho e economizar coluna.. kkkkkkkkk, ficamos conversando um pouco e agora sim, a viagem começava de verdade.. q ansiedade gente! Q expectativa! E medo tb do desconhecido sabe? Mas, era um frio na barriga bom. Fomos ao banheiro. Saímos de lá e estávamos nós 3 reclamando da fome, pois havíamos comido só o lanche do avião, mas como não tinha nada aberto resolvemos deixar pra comer algo na rodoviária.

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Foto no banheiro não podia faltar #selfies
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Resolvemos pegar um táxi, e aí começa a nossa raiva. Primeiro, estávamos na fila já tinha uns 10 minutos aguardando, o taxista chegou e ficamos esperando ele abrir o porta malas pra podermos guardar as 3 cargueiras e nada do cara abrir. Pra piorar o fecho da frente, que fica na cintura da minha mochila não estava abrindo e o cara começou a ficar meio sem paciência. O táxi era grande e coube as cargueiras, mas o taxista foi um grosso e jogou as mochilas daquele jeito sabe? Ele tava sendo ignorante sem motivo algum, sabe? Pensamos, o cara tá em um dia ruim.. deixa pra lá. No caminho do aeroporto para a rodoviária, percebemos que não havia gente na rua. Que estranho, não era muito tarde, mas a cidade estava meio deserta. E era sábado. Tentamos perguntar se a cidade era muito perigosa, mas o taxista não queria conversar e disse: tá pior q SP :o . A gente não via nada aberto, tipo lanchonete, esses lugares que vendem hamburguer, bares, nada. Demorou uns 15 minutos e chegamos na rodoviária. O taxista cobrou R$ 45,00 pela corrida e ao pegar as mochilas foi jogando no chão. Que raiva!

A gente já estava com a passagem comprada, só iriamos trocar o voucher pelo ticket. O nosso horário era 23:59h, teríamos que esperar mais de 1 hora. Compramos a passagem na internet, pelo site da Andorinha, pelo valor de R$ 93,86 de ônibus convencional. Como tínhamos tempo, resolvemos morgar na rodoviária e forrar o estomago que já estava gritando comigo! Fomos andando na rodoviária, q é pequena e carambaaaaaaaaa, tava tudo fechado. É isso mesmo,produção?
Não havia nenhuma loja aberta. Só os banheiros estavam funcionando e ficamos meio que desesperadas. Pessoal, não façam como fizemos, levem sempre um lanchinho e água. Eu estava acostumada com as coisas da minha cidade, que tudo fecha tarde, ou na maioria das vezes nem fecha. E, essa situação pegou a gente desprevenida. Sabe o q vc ter dinheiro e não ter como comprar água? Affff.. A nossa sorte é que a Vilma tinha uns biscoitinhos de aveia e mel que salvaram a gente, despistando a nossa fome. Mas, a Lorena inconformada, resolveu perguntar pro cara da recepção se tinha um lugar para comprar pelo menos água. O senhor indicou um bar, do outro lado da rodoviária. Parece que ela tinha que atravessar a rodovia, um trem assim. A Lorena foi sozinha, enquanto olhávamos a mochila e conseguiu comprar água, pois segundo ela o bar, era copo sujíssimo! Ufa, pelo menos isso!

Quando li os relatos, na minha cabeça a partir desse trecho eu já encontraria com vários mochileiros e tal. Não vi nenhum. Aliás, vi um casal, que acredito que era de ingleses, comprando passagem para voltar de bus para SP. Foram os únicos, que encontramos. E com isso, foi aparecendo um monte de pessoas, meio estranhas, que ficavam encarando a gente. Pra piorar, a rodoviária fica sem luz, tipo uns 2 minutos, em um escuro total. Nossaaa, grudamos na mochila..kkkkkkk.. Eu não estava me sentindo bem ali. Tava com mais medo de ficar ali do que de andar em SP a noite, por exemplo. O cenário era muito estranho, nada parecia com o q eu lia aqui nos relatos. Por isso, eu parabenizo as mulheres q viajam sozinha, viu? Não é fácil, não.

Chegou o horário e entramos no bus. Seriam 7 horas de viagem até Corumba. Sentei no primeiro banco ao lado esquerdo, o que foi ótimo pq eu esticava totalmente a minha perna o que fez com que eu não cansasse a viagem inteira. Como já disse, sou alta, e esse espaço fez a minha alegria. Nada a reclamar da empresa Andorinha. As meninas ficaram do lado direito, mas não sentaram juntas. Quando a Vilma foi sentar no lugar dela, que ela comprou, uma senhora já o ocupava e estava se fazendo meio que de desentendida. A Vilma logo pediu para a senhora dar licença e a mesma ficou inconformada e começou a xingar a Vilma e falar mal dela no bus...kkkkkkkkkk... Oi?

O ruim é que como estava a noite, não dá para ver nada do lado de fora. Eu acho que a paisagem deve ser maravilhosa. A estrada é perfeita, não há curvas. Só reto. O ônibus faz uma parada de 15 minutos, na cidade de Miranda que é considerada como Portal do Pantanal. Essa parada é boa, pois tem opções de lanchar bem e comprar biscoitos, água e refrigerante, com muita variedade. Então, sugiro que comprem tudo o que necessitarem ali. O preço é amigo, já que você é turista e sabemos que esses lugares de beira de estrada, exploram bem né? Eu comi um pão de queijo enorme e tomei um café com leite por R$ 5,70. Enquanto estávamos sentadas comendo, eramos observadas por todos os homens do local. Situação muito desconfortável, pq eles ficavam encarando a gente e falando umas coisas totalmente desnecessárias.

Voltamos para o bus e me senti revigorada sabe? O café fez bem. Começamos a ver o dia clareando. Chegamos as 05:30h na rodoviária de Corumbá, mas aquilo pra mim não é rodoviária nunca! Kkkkkkkkkkk.. É um lugar para parar ônibus com uns banquinhos. Já chegamos e como ainda estava muito cedo, fomos ao banheiro para dar um trato na cara, escovar dentes, essas coisas. O banheiro até que não é de todo ruim, mas logo que saímos o cara da lanchonete disse q a água do local tinha acabado. A lanchonete não vendia nada. Não tinha um salgado, nada. Só refrigerante, cerveja e sorvete da Kibon. Cara, tinha um tio que já estava na terceira garrafa...kkkkkk, como consegue? Ficamos fazendo hora até dar 7h. Quando deu esse horário fomos pegar o táxi e a história continuaaaaaaaaaaaaaaa.....
#999392 por alexandresfcpg
05 Set 2014, 18:42
Opa, vou acompanhar este também, em duas semanas embarco rumo à Bolívia.
Comprei exatamente a mesma mochila que você comprou, paguei 299 dilmas na Decathlon aqui de Praia Grande, só a cor é pouco diferente. Ela é boa mesmo, aguentou legal a viagem?
#999508 por polybhh
06 Set 2014, 12:54
Oi Renato, que bom que você está acompanhando, espero que goste da leitura!
Oi Alexandre, a mochila é boa sim. Pode confiar! Tem garantia de 10 anos. A minha vivia lotada e deu tudo certinho! Me atendeu bem e é resistente. O importante é ajustar as alças..
#1000391 por polybhh
09 Set 2014, 12:08
2º dia - Corumbá / Puerto Quijarro

Saímos da “rodoviária” e fomos a procura de um taxista que nos levasse até a fronteira. Haviam 4 táxis parados, perguntamos a todos e o preço era o mesmo: R$ 40,00 para nós 3. :( Já que não conseguimos mais desconto, fomos no primeiro que estava na fila. Senhorzinho simpático, viu? Toda a má impressão que tive em Campo Grande foi desfeita quando cheguei em Corumbá. As pessoas eram muito simpáticas. ::otemo:: O taxista foi contando um pouco da história da cidade, explicando sobre o Pantanal e etc. A nossa ideia principal era ir de trem. Queriamos muito, muito mesmo. Mas, o taxista já botou aquele medo na gente. Que era melhor irmos de ônibus, que era muito sujo, muita gente estranha, comida ruim, entre outros motivos que nós 3 ficamos olhando uma para a cara da outra, tipo, será que vamos aguentar? :? :shock: :o

De táxi até a fronteira são 20 minutos. A fronteira é bem feinha viu? Chegamos lá tinha um grupo de pessoas, aproximadamente 10 na nossa frente. Era domingo e a fronteira estava fechada. Foi chegando gente, muitos estudantes e ficamos lá esperando, o sol tava muito forte e não tinha uma sombra gente! Começamos a conversar com um grupo de estudantes de medicina que estavam retornando para a Bolivia para o inicio das aulas e eles começaram a nos dar várias dicas e contar da experiência de vida deles vivendo em outro país. Falamos sobre comida, qualidade de ensino, dificuldade no idioma, higiene etc. Começamos a perguntar onde deveríamos ir e como chegaríamos na estação de trem para podermos comprar a passagem de trem. Todos, eu digo, TODOS, havia 6 pessoas na qual estávamos conversando, nos aconselharam a não ir de trem. Falaram que deveríamos ir de ônibus. Começamos a pensar que talvez seria melhor ouvir o pessoal, pois não eram os primeiros que falavam que o ônibus era a melhor opção. Ficamos com receio e resolvemos que iriamos mudar o nosso roteiro. A insegurança falou mais alto. Optamos por ir de bus. :| ::putz::

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Foto da fronteira, tirada da internet pois eu nem lembrei de tirar
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Ficamos mais de 1 hora esperando a fronteira do lado brasileiro abrir. Os caras chegaram atrasados e abriram só as 9h. Depois ficamos mais 30 minutos torrando no sol, na fila da fronteira boliviana. DICA: não esqueça da caneta, pois na fila eles te entregam uns papeis que você tem que preencher. O sol estava muito forte e as mochilas e as nossas roupas já estavam imundas, pois tinha muita poeira, terra, e estávamos colocando as mochilas no chão e depois tínhamos que carregar e voltávamos a coloca-las nas costas. E eu estava de blusa preta, então imagina, né? Fizemos amizade com uma menina, chamada Jordana, que era de SP, mas estudava medicina na Bolívia fazia 2 anos. Ela ainda estava com a sua cachorrinha Yorkshire. Ela nos ajudou imensamente, dando dicas e nos resolvemos acompanha-la, pois o seu destino também era Santa Cruz de La Sierra. Na fronteira nós trocamos um pouco de dinheiro, para pagarmos o táxi e o ônibus e comprar algum lanche. Nós 4 pegamos o táxi, que era um carro imundo, velhoooooo, mas que pelo menos cabia todas as nossas mochilas e a mala da nossa amiga com tranquilidade. O táxi custou 5 bolivianos para cada uma até a rodoviária de Puerto Quijarro. Dentro do táxi eu observava as ruas, as pessoas e você vê uma mudança muito drástica. É tudo muito diferente, muito pobre. Quando chegamos na rodoviária, eu olhava e não acreditava. O conceito de rodoviária era bem diferente, viu? Na verdade era um galpão, onde havia vários balcões feito de cimento mesmo, onde têm guichês oferecendo as passagens. Totalmente diferente. Que experiência!

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Dentro do táxi em Puerto Quijarro
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A Jordana foi na frente e a gente seguindo ela. Ela disse que a melhor companhia era a 18 de mayo, pois dentro do ônibus tinha até wi-fi. Mas, quando chegamos lá, já não tinha mais passagens e só teria horário para as 18h. E não era nem 10h. Já imaginou ficar lá? Mal havia bancos para sentarmos. A internet do Brasil ainda pegava no celular da Vilma e aproveitamos para enviar e-mail pro Hostel Jodanga, uma vez que os nossos planos mudaram e iriamos dormir em Santa Cruz. Acabamos comprando as passagens na Idi Suarez por R$ 43,00. Sim, eles aceitam real. O nosso ônibus saia as 11h. Que bom, pois não tinha nada lá, então queria sair logo dali. Estávamos com fome e não tinha muita opção, comprei água, uma lata pequena de coca cola e 1 caixa de biscoito REX, é tipo salpete e tem por toda a Bolivia e Peru. Essa compra ficou em 19 bolivianos. Para usar o banheiro paga-se 1 boliviano e para usar o chuveiro 4 bolivianos, mas o banheiro é bem precário. Mas, na entrada eles te dão papel higiênico. ::otemo:: Quando retornamos do banheiro, o hostel havia respondido o nosso e-mail comunicando que não fazia reservas por e-mail. Somente pelo site, pagando os 10% antecipado. Deu ruim! A internet já começava a perder a conexão e não abria nenhuma página. Pensamos: seja o que Deus quiser. Queriamos reservar pois chegaríamos muito tarde para ter que procurar hostel, mas era isso que teríamos que fazer já que o Jodanga lota rapidamente e só havia 6 camas disponíveis. A rodoviária começou a encher e vi muitos estudantes, mas poucos mochileiros. Na verdade 3 ou 4, e 2 eram gringos. Chegou a hora de ir, estávamos bem animadas, mas com um pouco de receio do bus. Mas, quando vimos, eu levantei a mãos pro céu e agradeci. O ônibus era top demais! Muito melhor do que eu esperava. Pagamos 2 bolivianos de taxa de embarque. O assento era confortável, tinha TV que passava os filmes Smurfs 1 e 2, Rio 2 e Transformers 4. Foi uma longa viagem e o ônibus sempre faz umas paradas, para entrar o povo vendendo refrigerante, água, frango e etc. Mas, teve uma hora que ele parou pq tava querendo estragar. A estrada é tranquila demais, só reto e diferente de alguns relatos que eu li, o asfalto está ótimo. Só em algumas pequenas partes tem buracos e/ou é de terra. Dormi bem durante a viagem.

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Dentro do bus, com a nossa amiga salvadora
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Dentro do bus, assentos confortaveis


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Smurfs hahahaha


Parece que nunca chega, a verdade é essa. Eu estava tão cansada da viagem, que eu só pensava em chegar logo, mas a medida que ia se aproximando de Santa Cruz, é tudo tão feio, tão esquisito, que eu só pensava, o que eu estou fazendo aqui? Que ideia maluca é essa de vir para esse lugar? Podia ter ido pra praia e estou aqui. Foi batendo meio que um desespero. Chegamos já era mais de 21h na rodoviária e que confusão. A quantidade de pessoas gritando é enorme, um tanto de carro, o trânsito é louco.. A gente fica nervosa, mas é pela primeira impressão, depois vc se acostuma com essa bagunça. Estavamos com muita muita muita fome, cansaço, dores no corpo e a única coisa que eu queria era um hambúrguer e uma banho quente. Nos despedimos da Jordana, agradecemos pela ajuda e ficamos com peninha dela que ficou sozinha esperando uma amiga ir busca-la. Perguntamos se ela queria que esperássemos, mas ela disse que não precisava, pois a amiga já estava a caminho. Paramos perto de um ponto de táxi e combinamos o preço com o taxista, que nos cobrou 20 bolivianos até o Centro, na Plaza 24 de setembro. Perguntamos se ele conhecia algum hostel ou hotel com um preço camarada e ele falou que sim. Estavamos tão cansadas gente, já era mais de 22h e eu só pensava em comida, pois a ultima coisa que a gente tinha comida era o biscoito REX. Eu olhava pra fora da janela e só pensava em comida. Aí o taxi para em um hotel, com cara de caro. As meninas foram lá perguntar o preço: 80 doláres para as 3. Caroooooo! Mas na nossa situação resolvemos pagar! ::prestessao:: ::prestessao:: O nome do hotel é Arenal, 3 estrelas e bem localizado. Mas, o hotel sofre pela falta de conservação e manutenção. Tem cara de antigo. O pagamento é feito no check in, dei uma nota de 100 dolares e o cara não tinha troco em dólares para me dar. Como assim? ::grr:: ::grr:: Ele disse que daria o troco no dia seguinte e se consumíssemos algo ele já descontaria no meu troco. Fiquei puta, mas só pensava em comida então concordei. Subimos no quarto e quando entramos, o quarto era até bonitinho, com quadros bem bacanas, 3 camas enormes. A Vilma foi usar o banheiro e quando abriu a torneira a agua caiu toda no chão!! Putz! Mas a gente tava com tanta fome que resolvemos deixar tudo lá e saímos pra comer. Perguntamos o senhor da recepção se tinha rede de fast food por perto, ele nos falou como chegar ao Burguer King que ficava na Plaza. Super perto, 8 minutos andando a pé. Chegamos lá e comemos tanto, mas tanto que nossa, eu estava realizada!

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O hambúrguer mais gostoso que comi na vida!!


Estava tendo uma festa na praça, parecia algo relacionado a futebol. Eles estavam comemorando, mas não deu pra saber o que, mas tinha muita gente e era mais de 23:30h. Voltamos para o hotel, não ficamos com receio de andar sozinha, estava bem tranquilo. Chegamos e fomos resolver o problema da pia e resolveram nos mudar de quarto. E a gente tinha espalhado muita coisa na cama, lá vamos nós. O melhor do hotel é a cama gente. Super grande e muito gostosa. O chuveiro custa a esquentar e derrama agua pra tudo quanto é lado. Mas, no fim deu pra tomar um banho tranquilo.

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Quarto
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Nesse meio tempo, já eram quase 00:40h, e fui iluminada por algum anjo e resolvi ler os últimos e-mails que havia recebido, quando percebi que havia recebido um e-mail da cia aérea dizendo que o nosso voo havia mudado de 10:45h para as 16:00h. Caramba! Comecei a gritar e falar com as meninas já estavam quase dormindo que o nosso voo para Sucre havia mudado de horário. Putz! Já imaginou se eu não tivesse lido? Fizemos o nosso check in online e já começamos a pensar o que iriamos fazer, pois teríamos tempo! Eu só deitei na cama e não passou 2 minutos e capotei!
#1000419 por polybhh
09 Set 2014, 13:31
3º dia – Santa Cruz de La Sierra / Sucre

Acordamos tarde, tomamos banho e também aspirina para garantir o nosso bem estar e nos proteger do mal de altitude ( a aspirina tem o mesmo componente da sorojchi pills ) e descemos para tomar café da manhã, que era bem simples para um padrão 3 estrelas. E, já nos deparamos com algo que é bem comum nos 3 países que passamos. Não nos foi servido café e sim a essência do café. Não tem o gosto que conhecemos, é bem escuro, coloca uma colher no leite e fica super preto.

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Café da manhã


Resolvemos sair um pouco para conhecer a cidade, o tempo estava nublado. Queríamos trocar dinheiro, mas, não achamos casas de câmbio com facilidade, tinha uns caras que trocavam dinheiro, em torno da praça. Quando estávamos desistindo, encontramos 2 casas de câmbio. Trocamos apenas 50 dólares, pois ainda tínhamos bolivianos. A cotação que eu encontrei está no início do relato. Visitamos o Museu de Arte Sacro, demos uma volta na praça, tiramos fotos e começou a chover bem forte, mas mesmo assim o calor permanecia.

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Muito comércio nessa rua


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A plaza


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O Museo de Arte, é uma igreja
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Valenada, Javali e Javaleu
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Escondemos em uma cafeteria bem bonitinha. Eu comprei um sundae por 35 bolivianos, a Lorena pegou um suco natural por 18 bolivianos e a Vilma pegou um sundae de chocolate por 35 bolivianos. Pagamos, deixamos 5 bolivianos para a garçonete que foi bem atenciosa e resolvemos ir pro hotel para fazer o check out.

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Delicinha...


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Vilma e seu sundae
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Na hora do check out, lembra do meu troco? Não tinha. Fiquei sem saída e tive que aceitar bolivianos. Eles fizeram o cambio a 6,90. Ódio, define. ::vapapu:: A recepcionista chamou o táxi para gente. Resolvemos ir um pouco mais cedo para o aeroporto, já que não tinha muito o que fazer pelo tempo ruim. O caminho até o aeroporto demora uns 30 minutos e o taxista sem noção ainda parou no posto para abastecer e nem nos disse antes. Imagina, se tivéssemos atrasadas para pegar o avião? Nessa parada de abastecer, ele demorou uns 10 minutos. A corrida ficou em 60 bolivianos até o aeroporto Viru Viru. Caroooooo. Chegando lá, tomamos um chá de cadeira de umas 2 horas e meia. Tentamos despachar pelo menos as cargueiras e a cia aérea não permitiu. Disse que só 30 minutos antes do voo é que conseguiríamos despachar a bagagem. Ficamos sentadas, bem no portão de desembarque internacional, tentando imaginar as histórias de quem chegava. Já era 14:00h e resolvemos comer algo no aeroporto, depois fizemos o check in e aí começa o desespero para a Lorena. Eu havia falado com ela que era para levar o cartão de crédito que ela havia feito a compra. E adivinha o que aconteceu? A Lorena estava com 2 cartões, menos o que ela havia comprado a passagem. Eu já até tinha cancelado o meu cartão, mas levei ele mesmo assim. Nossa, a Lorena ficou nervosa, suava coitada, e eles não queriam deixa-la embarcar. Depois de muita canseira, ela assinou um termo de responsabilidade dizendo que ela havia perdido o cartão e blá, blá, blá. Conseguimos! Na hora de passar pelo raio x do aeroporto, eu sou barrada e a Lorena também. A Lorena foi fácil, ela havia esquecido e colocado o alicate de unha na bagagem de mão. Agora eu?? Vcs não acreditam. Eu tinha colocado um garfo e uma colher dentro da necessarie de remédios, nem sei porque eu levei isso, mas levei. E os talheres vieram comigo, na minha bagagem de mão desde BH e passei por 3 aeroportos e ninguém me parou. Quando chego em Santa Cruz, o trem apitava toda hora. O policial, querendo me explicar o que era e nem ele sabia me explicar, ficou fazendo gestos de cortar e eu sem entender e jamais passou pela minha cabeça que era isso, eu tinha esquecido que tinha levado. Por fim, o outro policial chegou e foi tirando tudo de dentro da minha mochila e o outro falando, é coisa de churrasco, que usa em churrasco. Caramba, o que será que era? Comecei a pensar que alguém até tinha colocado algo na minha mochila. Fiquei nervosa! Quando ele abre a necessarie e acha o garfo, a minha cara de tacho e de constrangimento, nem dá para falar..kkkkkkkk :oops: :roll: Eu só queria sumir da frente do policial, que ficou com aquela cara de deboche pra mim. E as meninas, me zuando e eu me perguntando como que ninguém havia me parado antes. Por fim, entramos no avião e em 30 minutos já estavamos em Sucre. O voo foi super tranquilo, ninguém passou mal, não vi nada de diferente. Nem turbulência, nem problemas com altitude, nada.

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Sucreeeeeee, chegamos!
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Aeroporto de Sucre


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Muito legal a decoração do Aeroporto


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O aeroporto é bem pequeno e rapidamente as mochilas já estavam na esteira. Quando saímos havia muitos taxistas na porta do aeroporto e aqui também o preço da corrida era o mesmo. O taxista nos cobrou 30 bolivianos até o Hostel Siete Patas que fica na Calle Loa, 525. Chegamos no hostel sem reservas e conseguimos os últimos 3 quartos. Ficamos em um quarto com 10 camas e pagamos 38 bolivianos cada. É um ótimo hostel, com cama boa e chuveiro com água realmente quente. Adorei esse hostel e recomendo demais! Só achei os gringos lá bem de boa..kkkkkkk.. os homens trocavam de roupa na minha frente de boa, tiravam tudo mesmo! E andavam de cueca pelo hostel tranquilamente. ::love:: ::love:: Deixamos a mochila lá e saímos para conhecer um pouco a cidade e comer algo, pois no voo eles só oferecem café e suco. Fomos na Plaza 25 de mayo, mas fiquei decepcionada, pois não era nada do que eu via nas fotos dos relatos, cheio de plantas, gente, jardins conservados. Tava bem suja e feia. A grama estava seca. Sentamos no banco, tentando decidir o que faríamos já que o nosso roteiro tinha mudado demais, pois o previsto era chegar na cidade as 11:15h, como mudaram o nosso voo, não tínhamos muitas opções pelo horário. Como não tinha nada de interessante ali, ficamos pouco tempo e resolvemos ir ao El Mirador. Andamos um pouco e eu vi que tinha um ponto de informações e a senhora nos informou que poderíamos pegar um micro - ônibus que nos levaria e deveríamos descer no ponto La Recoleta. A nossa sorte é que estava passando um na hora e entramos. O ônibus é bem velho e pequeno. Pagamos 1,50 bolivianos. Quando descemos, avistamos uma grande feirinha e foi a primeira vez na nossa viagem que nós vimos uma chola! Olha que emoção!! Essa feira vende de tudo, chocolate, toucas, panelas, pizzas e até calcinhas eróticas! Resolvemos comprar uma pipoca de sal, que estava cheirando demais para despistar a nossa fome. A tia foi enchendo o nosso saquinho e a gente olhando as unhas pretas e sujas dela..kkkkkkkkkkk.. foi o tempero que faltava, pois a pipoca tava gostosa! Tem um morro que você sobe até chegar no Mirador, nossa, a gente chega lá sem fôlego. Lá em cima tava cheio de crianças com aquelas uniformes típicos de saia e meia, parecendo os meninos da novela Carrosel. Eles haviam saído da aula e estavam curtindo o que me lembrava aqueles parques que passam em filme americano, com direito a mesa de totó, ping pong, entre outros jogos. O Mirador mesmo não tem muita graça, o bacana é o bar que fica embaixo. Descemos lá e pedimos uma Paceña que nos custou 18 bolivianos cada e ficamos ali apreciando a cidade, o por do sol e jogando conversa fora até escurecer. Foi um momento bem bacana..

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Servidos?


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Lorena curtindo o por do sol


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Visão da cidade, no mirador
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Saímos já era mais de 19h e eu estava com uma vontade enorme de fazer xixi. Quando estavamos descendo para voltarmos a pé até o nosso hostel, compramos uma touca por 20 bolivianos. Sim, eu sei que foi cara. Passamos perto do Mercado Central e encontramos um lugar digno, dentro de uma galeria para comermos algo. O lugar tinha uma pegada rock n' roll que eu amei! Usei o banheiro, muito limpo por sinal e fizemos o nossos pedidos. Eu pedi um x-burguer, com papas fritas e água que saiu por 18 bolivianos. Nesse momento eu comecei a me sentir meio estranha, estava com fome, mas não consegui comer tudo. Não sei se foi o efeito da cerveja, que é bem forte, misturado com a altitude e o fato de eu ter bebido de estomago vazio... só sei que saímos de lá e fomos direto por hostel, descansar. Chegamos eu deitei, tomei um dramin e descansei um pouco. Mais tarde, eu fui tomar banho e depois fomos dormir. Precisava me recuperar desse dia, que foi intensamente maravilhoso!
#1000526 por Renato Pinto
09 Set 2014, 18:44
Adorando acompanhar esse relato Poly, nossa como sinto saudades e vontade de fazer tudo novamente.... Mais futuramente retornarei, ou melhor em breve hehehehe.
#1000646 por polybhh
09 Set 2014, 23:53
4º dia - Sucre / Potosí / Uyuni

Acordei com o barulho da porta e a Lorena entrando no quarto. Não era nem 7h e ela já havia levantado e tomado banho. Eu e a Vilma resolvemos fazer o mesmo. O povo no quarto estava apagado. Pra não incomodar o pessoal, resolvemos colocar as mochilas do lado de fora do quarto e arrumar as nossas coisas. Ficou aquela bagunça, com tudo espalhado. O hostel não serve café da manhã. Peninha! Eu pra variar estava com uma fome absurda. Descemos e fomos fazer o check out. Na recepção do hostel tem uma “vendinha”, com uma variedade de coisas. Eu comprei biscoito, MM’s e água, acho que paguei 15 bolivianos. Saímos do hostel com aquelas mochilas cargueiras pesadas e começamos a procurar algo para comer ali perto mesmo, mas como ainda era bem cedo, o pessoal estava começando a abrir as lojas e a maioria ainda estava fechada. Começamos a andar em direção a Plaza a procura de um táxi que nos levasse até a rodoviária para comprarmos a passagem para Potosí. Avistamos um táxi, demos o sinal e entramos. Entramos no táxi e em 10 minutos estávamos em uma rua bem movimentada e com um trânsito que só de olhar já deixava a gente doido! Enquanto o motorista descia a rua bem lentamente, a porta do passageiro do lado direito, onde a Vilma estava foi aberta de repente e duas mulheres gritavam pra gente, Uyuniiiiiiiiiiiii, Orurooo, Calamaaaaa. ::ahhhh:: ::ahhhh:: ::ahhhh:: Gente, que puta susto! A Vilma ficou branca coitada! Ficamos de cara com o atrevimento das mulheres. Perigoso isso! Enfim, chegamos na rodoviária na parte de cima, onde ficam somente os guichês. Eu não havia visto nenhum ônibus parado e achei meio estranho. Na hora de pagar o taxista dei uma nota de 20 bolivianos e ele falou que ia pegar o troco no carro e simplesmente entrou e foi embora. Eu fiquei sem reação, parada, tentando entender se isso realmente tinha acontecido ::vapapu:: ::vapapu:: e as meninas riam da minha cara sem parar. Como ainda estava cedo, resolvemos comer algo e subimos a rua, tem muitas lojas, tipo mini supermercados por lá, por sorte avistamos uns pães na prateleira que estavam com uma cara boa e resolvemos entrar. Tava vazio, tinha só 1 mesa ocupada, mas quando saímos de lá o lugar já estava lotado. Eu pedi café com leite e queijo quente e depois suco de laranja natural, a conta deu 28 bolivianos. Aproveitamos para ir ao banheiro que tinha lá e resolvemos andar um pouco para comprar uns snacks. Eu comprei biscoitos e mais uma garrafa de água que deu 6 bolivianos ( pra vcs verem como paguei caro no hostel ). Do lado de fora tinha uma senhora vendendo maças e eu queria muito comer fruta. Eram 5 maças vermelhas por 10 bolivianos. Comprei! Resolvemos voltar para comprar a passagem para Potosí. Chegando próximo aos guichês, você já é bombardeado por um monte de gente que vem lhe oferecer passagem. Vimos um guichê que estava mais arrumadinho e tinha a foto de um ônibus vermelho, leito, resolvemos fechar com essa empresa, sorry não lembro o nome. O ônibus saia as 11h e faltavam apenas 10 minutos. Pedimos para ver o ônibus e ela arrumou uma correria, saiu correndo e a gente atrás, desceu uma rampa, depois escadas e mais uma rampa e por fim chegamos a um local onde estava estacionado o ônibus que não tinha nada a ver com a foto, a começar pela cor: era verde. Falamos que fecharíamos com ela e falou 23 bolivianos e choramos por 20 e ela fechou. Ela escreveu nosso nome todo errado, deu os tickets e mandou a gente entrar porque nessa hora o motorista já estava ligando o ônibus. A gente começou a falar com ela que precisávamos guardar as cargueiras no bagageiro que ainda estava aberto, sinceramente eu achei que o motorista ia embora com ele assim.. ::lol4:: ::lol4:: Ela só falava... Tranquila, tranquila. Uma gringa começou a discutir com a moça pois ela pagou 30 bolivianos.. Vixi, olha a treta! Entramos no bus, mas ainda tínhamos que pagar a taxa de embarque que eram 3 bolivianos por pessoa, eu não tinha mais trocado e o cara com pressa, e as meninas juntando as moedas, que cena! Eu já estava suada! A gente tava tão lesada que sentamos no lugar errado e o povo chegou, e tivemos que levantar e os bolivianos começaram a rir da gente. Estávamos nos penúltimos bancos. Começou a viagem, a estrada eu achei bem perigosa, pois tem muitas curvas com muitos abismos. A paisagem é bonita, mas depois você começa a enjoar de ver sempre a mesma coisa.

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A cortina da janela fedia tantoooooo


Depois de 1 hora de viagem eu começo a sentir vontade de ir ao banheiro. E no ônibus não tem banheiro e só faz parada para descer ou subir passageiros. Eu já estava controlando a vontade de beber água, mas infelizmente a vontade veio. Gente, e veio forte. E eu fiquei rezando para todos os santos possíveis para me ajudar a não fazer xixi na roupa. As meninas estavam me zuando horrores e eu não conseguia pensar em mais nada. Nem conversando eu tava. E as lombadas???????? Eu quase morria. Fiquei mais de 2 horas segurando xixi e por fim eu já estava fazendo igual o Michael Jackson com a mão na perseguida para não cair nem uma gota.

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Eu já tinha visto a placa bem vindo a Potosí, mas a gente não chegava nunca! MEU DEUS!!!! O psicológico fica abalado, né? Parece que quando sabe que está chegando a vontade aumenta 300%. Eu só falei com as meninas: gente, vocês pegam a minha cargueira porque eu vou sair correndo!!! Enfim, chegamos! A sorte é que as nossas mochilas eram as primeiras e eu consegui pegar a minha rapidinho. Começa a saga, conseguir um banheiro. Eu saí correndo com a cargueira e a mochila de ataque e as meninas atrás, todo mundo olhava. Avistei uma plaquinha de banheiro, opa!!! Era feminino, opaaaaaaaaaaaaaa!! Tava trancado PQP ::vapapu:: ::vapapu:: ::vapapu:: ::vapapu:: Eu estava tão desesperada, que uma lágrima já surgiu no canto do meu olho. Foi quando avistei um banheiro no segundo andar e nem vi se era feminino ou não, larguei as minhas coisas com as meninas e saí correndo. Era feminino! ::otemo:: Paguei ainda 1 boliviano, sorte que tinha essa moeda e gente foi questão de segundos para eu não mijar nas calças em pleno banheiro! Que alívio! E que sorte que o banheiro era limpinho em plena Bolívia! :D :D :D :D :D :D :D :D :D :D :D :D Eu saí de lá aliviada e as meninas foram usufruir do banheiro limpinho também. Sentei no banco para olhar as mochilas, foi quando ouvi aquela gritaria, um monte de vozes, ouvia alguns nomes de cidades, mas era algo bem confuso! As meninas apareceram e juntas fomos procurar um táxi para irmos ao velho terminal, de onde saem os ônibus com destino ao Uyuni. A nossa sorte era que estava chegando um táxi para deixar passageiros e ficamos colados no táxi para não perde-lo, pois foi o único que vimos por lá. O taxista nos cobrou 15 bolivianos. Logo que entramos no táxi, eu achei que estava em uma boate. Altas mixagens, underground e muita música boa que eu duvidei estar na Bolívia. Ponto pro taxista!!! Já começamos a zuar, dançando horrores no táxi, o cara percebia que estávamos gostando e colocava uma musica melhor que a outra. A corrida durou mais ou menos 12 minutos. Chegamos e percebemos que esse antigo terminal é bem bagunçado, a gente entra e já escuta as mulheres gritando: Uyuniiiiiiiii 6 e meiaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa... Uyuni 5 e meiaaaaaaaaaaaaaaa.. CARALHO! Que voz estridente!!! No começo vc acha engraçado, depois isso começa a te irritar num grauuuuuuu, porque a voz delas são bem finas, doí a cabeça. Quando uma fala Uyuni 6 e meiaaaaaaaaaaaaaaa, respira, a outra já imenda, Uyuni 5 e meiaaaaaaaaaaaaaaaa, não para !!!! O horário de 15h já tinha acabado, então fechamos para o das 16h, por 30 bolivianos. Como ainda faltava 1 hora, resolvemos almoçar e sabe o que foi o nosso almoço? As maças.. Que estavam deliciosas ::love:: ::love:: Eu estava com sede, mas estava controlando pra não me dar vontade de ir no banheiro, pois o trauma foi grande. Faltavam 30 minutos e resolvemos ir ao banheiro para escovar os dentes, dar um jeito na nossa cara e fazer xixi né? Pagamos 2 bolivianos cada, e recebemos um pedaço de papel higiênico, tinha uma fila de 3 pessoas na minha frente, há cerca de 5 banheiros e todos estavam ocupados. Passaram quase 5 minutos para que um fosse desocupado. Quando a mulher saiu do banheiro, ela foi em um tanque de água, tipo um balde grande, pegou uma vasilha encheu de água e jogou no vaso. Ou seja, não tinha água para dar descarga! Abriu outra porta e saiu uma senhora, meio gordinha com 2 crianças lá dentro. CACETE!! COMO COUBE? Eu entrei no banheiro e mal me cabia lá dentro.. Era apertado! Coisas da Bolivia, né? Fizemos o mesmo processo, ir lá fora pegar a água desse tanque e jogar na descarga. A Lorena não conseguiu fazer xixi nessas situações. Eu ainda insisti para ela fazer o barulhinho da água .. ::lol4:: ::lol4:: ::lol4:: Saímos de lá e ainda ficamos esperando um tempo, faltavam apenas 5 minutos eu e a Vilma nos olhamos e resolver ir de novo no banheiro só para garantir. E acreditem, eu fiz xixi de novo! Tinha que fazer isso gente, pois eram 6 horas e meia sem banheiro. Não podia correr o risco de novo! Enfim, pegamos as cargueiras que estavam guardadas em um quartinho no terminal mesmo e fomos. O ônibus é bem simples, sentamos nos últimos bancos, é pequeno, sem banheiro, parece uma Sprinter, só que bem velha. Entramos e seguimos viagem. Faz frio, mas nada muito exagerado!

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O que a gente sente muito é o ar seco, o nariz fica terrível, a gente começa a sentir dificuldade para respirar. A sorte é que eu levei soro fisiológico e foi o que me salvou. Toda hora pingava um pouco para aliviar. Eu comecei a notar que a pele fica muito seca também, não deixem de usar o protetor solar e também um brilho labial e/ou manteiga de cacau. A boca fica muito ressaca, é triste! O que eu achava impressionante era o povo descendo do bus no meio daquele breu total.

Faltando uma hora e meia para chegar na cidade, adivinha o que acontece? A Lorena sente a vontade de ir ao banheiro. Vixi! Finalmente chegamos em Uyuni e estava um frio enorme, no relógio marcava 5º, mas eu tinha sensação que era bem menos, pois ventava bastante. Não existe rodoviária, o ônibus para em uma rua e você desce. A gente fica meio perdido até saber para qual lado ir. Saímos a procura do hostel Piedra Blanca Backpackers, muito indicado por aqui. Andamos, andamos, e o frio junto com o peso da mochila tava de matar, viu? Chegamos no hostel e estava lotado! PQP! A Lorena estava tão desesperada para ir ao banheiro, que invadiu o banheiro do hostel mesmo, deixou a mochila no chão e saiu correndo.. a cena foi hilária! Saímos a procura de um hostel, do lado avistamos um hotel. Eu falei com as meninas, vamos olhar esse mesmo? Ahhh, eu tava com muita fome, sono, cansaço e sair para caçar hostel é muito chato! O nome do hotel era Palace Uyuni.

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Fachada do hotel
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Foto tirada do Facebook deles: https://www.facebook.com/hotelalaceuyuni.31149

Chegando lá, perguntamos se havia quarto para 3 com ducha caliente, a senhora falou que sim. Ela disse que o valor era 70 bolivianos para cada, sem café da manhã. Eu sei, caroooooooooooooooooooooooooooo... mas, o frio tava de matar, resolvemos ver os quartos, ela nos deu a chave, quarto 31, subimos 3 lances de escadas, caramba, que canseira! Não era um Brastemp, mas dava pro gasto e a localização era excelente! Queríamos tomar banho e a água não estava quente. Ahhhhhhhh nemmm, lá vai a gente descer os 3 lances de escada e ir reclamar com a senhora. Ela nos deu outra chave, quarto 34, era bem menor, com apenas 2 camas, mas com água quente. Pensamos, ok, a gente junta as 2 camas e se for necessário usa o saco de dormir e problema resolvido. Só que a senhora não deixou. Falou que não podia de jeito nenhum. Disse, que poderíamos dormir no primeiro quarto e ela deixaria a gente tomar banho no outro quarto, nada mais. A gente tava puta, tentamos argumentar ao máximo, mas a tia era casca grossa, não cedia de jeito algum, como a fome nos dominava, concordamos. Subimos de novo, deixamos as coisas no quarto e saímos para comer, pois já estava super tarde e a gente tinha almoçado maça, lembra?

Queríamos comida mesmo, não lanche. O corpo estava pedindo. Do lado do hotel tinha um restaurante , onde nos fundos, ficava o hostel Piedra Blanca, parecia simpático e entramos. Lá estava tão quentinho, que mesmo que não fosse muito bom a gente resolvia que iriamos ficar por lá mesmo. Sentamos e havia mais 3 mesas ocupadas. Tinha uma TV enorme que estava passando um programa tipo os Legendários do Marcos Mion. Muita mulher pelada rebolando e os homens fazendo umas brincadeiras meio ridículas. Estávamos lá a 5 minutos e ninguém nos atendia. A Lorena levantou e resolveu ir na cozinha e voltou com uma cara de nojo, a gente tinha percebido que tinha uma menina de uns 13 anos assistindo a TV e dando altas risadas.. sim, ela era a garçonete. Quando ela viu que a Lorena estava próximo da cozinha, levantou em um pulo e nos atendeu. Ela nos trouxe o cardápio e tudo o que a gente queria pedir ela falava que ia demorar 40 minutos para ficar pronto. Era uma piada! Inclusive a batata frita, dá para acreditar??? Pedimos uma Coca Cola de 2L e ela voltou dizendo que não tinha e trouxe 3 cocas de 500ml. Falamos que podia ser Sprite de 2L ( 18 bolivianos ) e ela voltou toda desanimada para trocar.

As meninas pediram 2 lasanhas a bolonhesa ( 45 bolivianos ), eu pedi um spaghetti carbonara ( 25 bolivianos ) para despistar pedimos uma porção de batata fritas que chegaram quase juntas com as lasanhas das meninas. Enquanto esperávamos, descobrimos que havia um grupo de rapazes brasileiros na mesa do lado, era grande, tipo uns 7, eles estavam no hostel e tinham comida pizza. Eles já tinham feito o Salar e estavam indo para Potosí para visitar as minas. Que pessoal bacana, nos deram várias dicas, falaram sobre a temperatura o que nos ajudou também para irmos mais preparadas. Eles saíram de San Pedro do Atacama, fecharam com a Estrela Del Sur e estavam bem satisfeitos com essa agencia. Foi muito legal esse bate papo, eles mostraram fotos do Salar e de San Pedro, ficamos ainda mais empolgadas para conhecer. Pena que já estava tarde e eles muito cansados. Nos despedimos e eles foram embora e a gente ainda aguardava pela comida. Chegou a nossa papa fritas e depois a lasanha das meninas e o meu spaghetti nada. A menina tinha esquecido do meu pedido. ::vapapu:: ::vapapu:: ::vapapu:: ::vapapu:: Me enchi de refrigerante e mais 15 minutos o meu pedido chegou. Estava caprichado e gostoso! Comi, comi e ainda sobrou bastante. Pagamos e voltamos ao hotel. Ao pegar as toalhas a senhora da recepção nos informou que um senhor ia subir com a gente para dar uma olhada no nosso chuveiro. Ele ficou uns minutos mexendo e consertou. A água não estava caliente, estava pelando. Eu mal consegui entrar dentro do chuveiro. Me queimei toda, principalmente as mãos. E o fato de eu ser alta nesse caso era pior, porque eu pegava a água mais fervente ainda. A água fria deles era congelante. Putz, dois extremos sabe? Foi terrível tomar banho, mas eu tinha que fazer, pois sabia que eu não tomaria banho por 3 dias. Era a minha última oportunidade. Mas, foi sofrido!

De banho tomado fomos tentar dormir. Tentar né, porque dormir foi quase impossível. Uma parte do teto tinha telha, vcs não tem ideia do frio que passamos.. ::Cold:: ::Cold:: ::Cold:: CONGELANTE! Daqueles de cortar mesmo a alma, de você sequer conseguir conversar direito. Apesar de não ter vazamento de ar no quarto, estava muito frio, ninguém dormiu bem. Foi a segunda noite mais fria que pegamos, a primeira foi no último dia do Salar. O hotel tinha 3 cobertores bem grossos e muito bons, mas pareciam que não eram suficientes, não esquentava nem a pau. E para acordar e fazer xixi? Quem tinha coragem de fazer tal coisa? O jeito foi vestir todas as meias e calças possíveis. Mas, no fundo, todas nós estávamos pensando, se aqui está assim, quem dirá no Salar hein? Aiiiiiiiii que medo!!! ::Cold:: ::Cold::
#1000735 por Aletucs
10 Set 2014, 11:49
Cara, sou de Campo Grande-MS. Seu relato retrata bem a cidade, kkkk. o pessoal aqui é meio pantaneiro caladão, não dão muita conversa mesmo. o aeroporto é um lixo, tudo parece interior, o táxi é caríssimo e a rodoviária é longe. as pessoas na rodoviária são esquisitas, mas não chega a ser perigoso não. nada como são paulo, o taxista tava tacando o terror em vcs. pode ficar de boa na rodoviária, basta nao descuidar como qualquer lugar da América do sul.

Em tempo, tá ficando bem legal o relato. quanto a vcs mulheres e os banheiros bolivianos, eu solucionei esse problema pra minha esposa. comprei um PIEZ pra ela, é um urinol de silicone cirúrgico em formato de funil que vcs encaixam e fazem xixi em pé. veja fotos

https://www.google.com.br/search?q=piez ... d=0CDgQsAQ

no mercado livre tem, basta digitar "xixi em pé" que tem. ela adorou, disse que funciona super bem e o melhor, não fica liquido nele, vc chacoalha e depois passa uma água e pronto. limpíssimo.

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