Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#1136927 por rafael_santiago
10 Nov 2015, 18:34
ImagemRio do Peixe pouco antes de despencar no cânion de mesmo nome

Se você, caro leitor, correu os olhos por este relato e viu que eu cumpri o roteiro em quatro dias, deve estar pensando - que exagero! E está certo, foi um pequeno exagero mesmo para um trajeto que pode ser feito tranquilamente em três dias, ou até em dois para os mais apressados. Mas houve vários motivos para esta esticada e os colocarei ao longo do texto. O que eu não poderia deixar de fazer é relatar mais essa caminhada para sugerir (e detalhar) mais um roteiro pela Serra do Cipó. O tempo de caminhada vai depender da disponibilidade e da disposição de cada aventureiro que o quiser seguir.

1º DIA: DE CABEÇA DE BOI AO LIMITE DO PARNA SERRA DO CIPÓ (OU QUASE)

As fotos estão em https://picasaweb.google.com/1165318991 ... GJul151Dia.

Na rodoviária de Belo Horizonte tomei o primeiro ônibus da Saritur para Itambé do Mato Dentro, às 8h30, um tanto tarde para quem vai começar uma travessia. Dormi boa parte da viagem e ao desembarcar em Itambé por volta de meio-dia procurei saber de algum táxi que me levasse a Santana do Rio Preto, povoado mais conhecido como Cabeça de Boi (não há ônibus para lá, nem que vá naquela direção). Tive a ajuda do rapaz de um bar que chamou o Adair, que logo apareceu com seu Uno todo empoeirado. Em poucos minutos de prosa vencemos a estrada de terra de 9,6km até o povoado. A corrida custou-me 30 reais.

Em frente à pequena igreja, às 12h52, iniciei a caminhada continuando em frente (oeste) pela rua principal. Altitude de 646m. Passado o mata-burro acaba o calçamento da rua (e também o vilarejo) e volta a ser estrada de terra, que desce até o Córrego Cabeça de Boi. O rio é largo mas a travessia é feita por uma ponte pênsil cujo acesso se dá por uma trilha à direita da estrada uns 60m antes do rio. Ao retomar a estradinha cruzo uma porteira junto a uma casa com curral e sigo à direita na bifurcação (em frente há uma porteira). Volto a subir, caminho pela sombra de uma mata e continuo à direita na bifurcação (a esquerda é apenas o acesso a uma casa de fazenda). Sempre que olho para trás confiro a presença constante da bela Serra do Lobo, com seus diversos cumes, sendo o mais conhecido deles o Pico do Itacolomi (não confundir com aquele mais famoso de Ouro Preto). Dez minutos após uma casa antiga azul e branca, às 13h42, cruzo um riacho pelas pedras (Córrego Mandioca, segundo a carta do IBGE), uma porteira e volto a subir. Do alto tenho visão panorâmica do fundo vale do Rio Preto do Itambé. Cruzo mais uma porteira, outro riacho (de água melhor) e um conjunto de casas após uma porteira aberta.

Às 14h36, após descer, alcanço uma bifurcação com três porteiras de ferro, uma ao lado da outra. A porteira da direita leva ao Poço do Lajeado, a da esquerda é só um acesso ao pasto e a da frente, por onde irei, vai ao Complexo do Entancado, conjunto de cachoeiras e corredeiras que costuma lotar nos finais de semana, segundo disseram. Por ser área particular, pode haver cobrança de ingresso (nunca estive ali em final de semana para confirmar isso). Por já ter visitado todos os atrativos do complexo muito recentemente passarei direto por todos. Dessa forma, na bifurcação cruzei a porteira em frente e desci ao largo e escuro Rio Preto do Itambé (junção do Córrego do Riacho com o Córrego Entancado), o qual cruzei num ponto mais raso e estreito tirando as botas. Esse local é chamado de Prainha e a junção dos rios se dá 270m acima. Aproveitei para um lanche naquele local tão aprazível (e deserto) e retomei a caminhada às 15h20.

ImagemSerra do Lobo e vila de Cabeça de Boi

Caminhei apenas 60m pela margem esquerda do rio e já localizei a tronqueira que deveria cruzar. Logo após, atravesso um gramado e sob algumas árvores pego as trilhas que sobem para a direita. Na bifurcação uns 100m acima a trilha da esquerda me leva a um curral, onde ela parece morrer. Para reencontrá-la basta dar uma guinada de oeste para norte, ou seja, quebrar 90º para a direita bem na entrada do curral. Com isso, subo mais e começo a contornar o morro com topo rochoso logo acima. Após contornar toda sua extremidade leste, ainda subindo adentro um pequeno vale entre ele e o morro vizinho do lado norte.

Ao sair desse vale estreito às 16h09 me deparo com uma nova e empolgante visão: um vasto campo com serras ao fundo, cenário das próximas horas dessa travessia. A trilha por esse campo está bem marcada e apresenta pequenas variantes, mas me mantenho sempre na principal, na mais larga e pisada. O sentido é oeste, grosso modo.

Às 16h57 encontro uma bifurcação que poderia gerar alguma dúvida, porém a continuação da trilha na encosta seguinte é visível dali, confirmando que devo seguir à esquerda. E isso me leva em 140m a um riacho (afluente do Córrego do Riacho) que abastece meus cantis já que será a última água boa e fácil do dia. Várias trilhas de gado saem desse riacho, mas mantendo-me ligeiramente à direita alcanço a trilha mais acima avistada antes de descer ao riacho.

A subida agora se acentua um pouco e se dá à esquerda de um leito rochoso sem água. No alto novamente a paisagem à frente se renova, abrindo-se para um grande vale e altas encostas a seguir. Mas a proximidade do pôr-do-sol me obriga a deixar tudo isso para o dia seguinte e procurar logo um local de acampamento. Por sorte, ali mesmo encontro um espaço plano e forrado de capim para o pernoite, com visão de serras e vales como pano de fundo para a minha tranquila noite de sono. Altitude de 1072m.

Nesse dia caminhei 11,4km.

ImagemCaminho percorrido desde o Entancado

2º DIA: DO LIMITE DO PARNA SERRA DO CIPÓ A CRISTA LESTE DO PARQUE

As fotos estão em https://picasaweb.google.com/1165318991 ... GJul152Dia.

De todos os cantos da Serra do Cipó, essa região parece ser a que tem o tempo mais instável. Já observei isso por diversas vezes. Quando faz sol nas outras áreas da serra, aqui sempre há nuvens pesadas, neblina e até garoa. E foi o que aconteceu, de novo. Amanheceu chovendo e com muita neblina no topo das encostas à minha frente, o que dificultaria muito a orientação. Por isso, só levantei acampamento bem tarde, às 11h38 (mais um motivo para essa pernada ter totalizado quatro dias... hehe)

Saindo do morrote onde acampei, a trilha desce suavemente a encosta até entrar na mata (as variantes aqui podem confundir um pouco). Ao sair, após 80m, surpreende a presença de um cânion à direita que abre visão para os paredões do Cânion do Rio do Peixe ao fundo. Às 12h atinjo um ponto de referência, uma tronqueira que marca o limite do parque nacional, embora não haja nenhuma placa ou aviso sobre isso. Aliás o próprio cânion avistado é o limite do parque. Cruzando a tronqueira adentro a área do ParNa Serra do Cipó. Ao final da matinha de árvores baixas, atravesso um campo e logo inicio a longa subida para as cristas mais orientais do parque nacional. A trilha continua bem marcada e cruza um riacho no começo da subida, primeira água desse dia, as quais correrão para o Cânion do Rio do Peixe. Às 13h o céu abriu e o sol finalmente iluminou os campos e morros. Mais acima a trilha desaparece por alguns metros mas deve-se manter o sentido oeste ainda. Num momento de distração cheguei a tomar uma trilha bem batida que me levou na direção norte, mas voltei e retomei o rumo oeste, mesmo com a trilha quase apagada. Mais acima aproveitei um ponto com uma bonita vista para um lanche de dez minutos. Podia avistar todo o caminho percorrido, o Cânion do Rio do Peixe ao norte e a Serra do Lobo a sudeste.

Chegando ao alto, a trilha novamente sumiu por vários metros. Já estou caminhando pelas cristas mais altas dessa porção do parque nacional e registro a maior altitude da travessia: 1493m. Encontrei às 15h15 uma trilha perpendicular bastante pisada pelo gado e tomei-a para a direita. Mas 100m depois, quando ela quase se perde no capim, saio para uma trilha discreta à direita para me manter no rumo noroeste. Assim, desço suavemente para dentro de um largo vale cujo córrego vai se formando à minha direita (um dos muitos afluentes do Rio do Peixe). Porém esse córrego despencará numa encosta íngreme mais à frente (uma cachoeira não visível daqui) e a trilha, por sua vez, fará um desvio para o sul (esquerda) para descer essa encosta de forma mais branda. Saio portanto desse vale para a esquerda, subo gradativamente uma encosta até a crista e tomo as trilhas que surgem mais à direita para descer para o largo vale que já avisto abaixo a oeste. Finalmente às 16h44 alcanço esse vale e encontro a trilha que me levou do Travessão ao Pico do Curral, roteiro descrito no relato travessia-alto-do-palacio-serra-dos-alves-serra-do-cipo-mg-mar-15-t111785.html. Porém desta vez meu sentido é o oposto, ou seja, vou descer para a direita (norte), no sentido do Travessão.

Desço suavemente por cerca de 1km e um local de capim plano e abrigado do vento me convida para um confortável acampamento, exatamente quando a luz natural começa a se esvair, às 17h30. Altitude de 1392m.

Nesse dia caminhei 6,7km (descontados os erros e explorações).

ImagemUm morador do parque

3º DIA: DA CRISTA LESTE DO PARNA SERRA DO CIPÓ AO VALE DO RIO CONGONHAS

As fotos estão em https://picasaweb.google.com/1165318991 ... GJul153Dia.

Esse dia amanheceu bem melhor, sol forte logo cedo prometendo um dia bem quente. Comecei a caminhar às 8h50. Continuei descendo suavemente o vale no sentido norte e à medida que a trilha tendia para a esquerda (noroeste) foi-se formando à minha direita um profundo vale do riacho que eu vinha acompanhando. Esse despencará vertiginosamente no Cânion do Rio do Peixe, cujos paredões avisto dali. Quando a paisagem se abriu à minha esquerda (oeste) e a crista em que eu passei a caminhar se dirigiu a uma elevação, era hora de retomar o meu rumo oeste, ou seja, descer dessa crista pela encosta da esquerda (mesmo sem trilha) e alcançar abaixo o largo vale das nascentes do Rio do Peixe.

E assim o fiz às 9h48. Encontrei os dois primeiros córregos formadores do Rio do Peixe com água parada, mas o seguinte já tinha água corrente e abundante. Uns 115m depois dele a trilha afunila para uma passagem entre morrotes de pedras até ganhar o campo abaixo, onde mantenho o rumo oeste mesmo sem trilha. Cruzo ainda dois riachos e uma vala com água.

Às 11h mudo minha direção de oeste para norte e cruzo pelas lajes o Rio do Peixe já um pouquinho maior, reunindo as águas de todos aqueles córregos lá atrás. Caminho 220m pelo campo na direção noroeste até encontrar a trilha batida que me levará ao Travessão. Na primeira descida é preciso atentar para uma trilha que sai à esquerda e tomá-la descendo ao riacho (Rio do Peixe de novo) já que em frente a trilha aparentemente não leva a lugar nenhum. Após cruzá-lo pelas lajes a trilha continua bem marcada para o norte até o Travessão, aonde cheguei às 12h19 (no caminho há uma variante à direita que leva a um ótimo mirante do enorme Cânion do Rio do Peixe).

A passagem pelo Travessão como de costume foi um pouco demorada pois não me canso de admirar e fotografar aqueles paredões monumentais e vales profundos. Para quem não leu meus outros relatos e não sabe, o Travessão funciona como uma ponte ou selado ligando os dois lados de uma imensa fenda, e ostenta por isso a função de divisor de águas entre duas grandes bacias: a leste corre o Rio do Peixe, que deságua no Rio Santo Antônio e depois no Rio Doce, encontrando o mar no Espírito Santo, enquanto que para oeste segue o Córrego Capão da Mata, que se junta ao Rio Bocaina e depois ao Mascate para formar o Rio Cipó, desaguando no Rio das Velhas e depois no Rio São Francisco.

ImagemPepalantus

Depois do Travessão a longa subida sob o sol por trilha e trechos de lajes até a Lapa dos Veados, cruzando um afluente do Córrego Capão da Mata no meio do caminho. Passei pela lapa às 13h23, depois o acesso à direita à Cachoeira dos Espelhos (não desci) e mais à frente o trecho entre samambaias até parar para um lanche às 13h56 junto ao Córrego Capão da Mata. A vegetação ao redor ainda se recupera de um incêndio, o próprio córrego não tem mais a generosa sombra que possuía. Até aqui encontrei três pessoas no Travessão e um grupo na cachoeira, apesar de ser uma sexta-feira comum.

Retomei às 14h37 enfrentando nova subida com o sol ainda bem quente. Essa trilha larga e batida me levaria a Duas Pontes, porém o meu objetivo era Cardeal Mota, onde teria mais opções de ônibus para BH. Assim, cerca de 980m após o riacho onde lanchei, ainda na subida para noroeste, procurei uma trilha saindo à esquerda (oeste) e encontrei uma bem pouco usada. Tomando-a me afastei da rota tradicional Duas Pontes-Cabeça de Boi para sugerir uma travessia um pouco diferente.

A trilhazinha cruzou um leito seco e praticamente desapareceu. Atravessei o campo de capim baixo sem trilha na direção oeste ainda, subindo suavemente até o alto, onde visualizei novos (e belos) horizontes à frente. No meu caminho o grande vale de um afluente do Córrego Congonhas. À esquerda, distante, o profundo vale do Rio Bocaina com as serras da Farofa, da Bandeirinha e da Lagoa Dourada ao fundo.

Iniciando a descida, sempre na direção oeste, procuro um local propício para cruzar um córrego (também afluente do Córrego Congonhas) e ao encontrar surge uma trilha do outro lado. Dali foi só seguir essa trilha, atravessando um largo campo em linha reta descendo até a mata ciliar de um córrego de água incrivelmente transparente (outro afluente do Córrego Congonhas). Ao cruzá-lo, às 15h51, a trilha me leva 130m para a esquerda (sul) até as ruínas de uma casa de pedra cuja parede ainda em pé possui quatro janelas. Ali não encontrei trilha, mas foi só subir a encosta para oeste por 280m que tropeço numa trilha bem larga correndo de norte a sul. É a trilha que vai de Duas Pontes (norte) para o Córrego Congonhas (sul).

Eram 16h15. Faltava pouco mais de uma hora para o pôr-do-sol e não seria tempo suficiente para alcançar Cardeal Mota ainda nesse dia. Como o caminho à frente era em parte desconhecido, resolvi procurar um local para acampar por ali mesmo. Desci então para a esquerda (sul) e gostei do abrigo de uma mata com palmeiras à esquerda da trilha, já com sinais de acampamento. Montei minha casa na entrada da mata. Porém alguns minutos depois, já com as coisas arrumadas dentro da barraca, percebi duas ou três saúvas do lado de fora da tela já tentando cortá-la para iniciar a destruição da minha barraca, novinha em folha!!! Enfiei tudo rapidamente na mochila de novo, calcei as botas e retirei a barraca do local o mais rápido que pude. Revistei com a lanterna cada canto da barraca para ver se não estava carregando alguma saúva mais insistente e me mudei para uns 50m fora da mata. Ainda me mantive atento por mais de uma hora à procura dos raivosos insetos, mas felizmente consegui me livrar deles. Altitude de 1159m.

Nesse dia caminhei 10,4km.

ImagemRochas apontando para o oeste, típicas da Serra do Espinhaço

4º DIA: DO VALE DO RIO CONGONHAS AO CAMPING VÉU DA NOIVA

As fotos estão em https://picasaweb.google.com/1165318991 ... GJul154Dia.

Sem nenhuma pressa nesse último dia de travessia, comecei a caminhar às 10h09 retornando um pouco pelo mesmo caminho, ou seja, subindo para o norte, como se fosse para Duas Pontes. Mas em determinado ponto abandonei a trilha batida para uma guinada para a esquerda (oeste). Aqui contudo não há sinal de trilha saindo da principal e a única referência que posso dar para encontrá-la é a proximidade com as ruínas da casa de pedra (bem abaixo, à direita). Por cerca de 80m caminhei pelo capim ralo para oeste até encontrar um sinal de trilha quase sem uso, mas que ia na direção desejada, descendo ao vale do Córrego Congonhas. E já era visível na encosta do outro lado do vale uma trilha subindo. Desci e me surpreendi ao encontrar sinais de civilização: um telhadinho sobre um banco de madeira e os restos de um curral 40m antes do rio. Ali a trilha quebra para a esquerda exatamente na direção da encosta a ser vencida, aquela em que avistei a trilha de subida. A partir do telhadinho a direção geral muda para sudoeste, e permanecerá assim por mais de uma hora.

Depois de cerca de 170m acompanhando o rio (afluente do Córrego Congonhas) após o telhadinho, atravesso-o facilmente num pulo às 11h09 e percebo que ali ele se junta ao próprio Córrego Congonhas, que vem do lado oeste. Subo o Congonhas por 120m, primeiramente pelas lajes, depois por uma trilha, até me afastar dele por uma trilha que sai para a esquerda (sul) e sobe a encosta pelo caminho avistado durante a descida.

No alto atravesso campos com ampla visão das serras do parque nacional, cruzo um riacho de água parada, sigo à esquerda numa bifurcação e às 11h59 entronca uma trilha vindo da esquerda (também do Córrego Congonhas, porém de um ponto bem mais abaixo dele). Começa a descida da serra gradativamente. Às 12h16 cruzo um riacho cujas límpidas águas despencarão no Rio Bocaina, muito abaixo à esquerda. Mais 7 minutos de caminhada e encontro uma grande placa do parque anunciando "acesso somente com autorização", logo a seguir a cerca que o delimita. A tronqueira estava difícil de abrir então passei pela cerca mesmo. Nesse momento saio da área do ParNa Serra do Cipó.

Diversas trilhas se cruzam ali mas me mantive na mais pisada, no sentido noroeste, descendo suavemente pelo campo com cavalos e algumas vacas. Às 12h43 começo a descer um degrau da serra já visualizando as esparsas casas do bairro Mãe-d'água e a continuação do caminho depois dele. A trilha de descida é bem marcada e com muitas pedras. Às 13h14 tem fim a descida e logo passo pela primeira casa do local, com aparência de abandonada. O caminho ainda é uma trilha. Uns 75m depois de um riacho (onde já há calçamento de pedras) alcanço o final de uma estrada de terra, junto ao portão de uma casa cor-de-abóbora (onde havia gente e um carro estacionado). Em frente ao portão, do meu lado esquerdo, tomo uma discreta trilha. Em 60m alcanço outra estrada, vou à esquerda por mais 30m até seu final e prossigo pela trilha à direita. Quebro para a esquerda e passo por uma placa verde de "proibido acampar", entrando logo na mata ciliar. Se continuar em frente vou me deparar com um rio difícil de atravessar, então caio para a direita dentro da mata e caminho sem trilha no sentido oeste e depois sudoeste até reencontrar a trilha. Quando a reencontro, ela cruza outra e ainda por cima bifurca para a frente, me dando quatro opções de caminho. Sigo para a frente tendendo para a direita (oeste) e observo abaixo à esquerda o rio que não precisei atravessar. Já é o rio da Cachoeira Véu da Noiva, do camping da ACM. Logo alcanço uma trilha mais larga e prossigo à direita. Às 13h51 chego ao bem conservado calçamento da Trilha dos Escravos, iniciando a última descida dessa travessia. Depois de muitas fotos da vila de Cardeal Mota (atualmente denominada Serra do Cipó) e do Morro da Pedreira, point de escalada, atinjo o asfalto da MG-010 às 14h20. Mais 5 minutos à esquerda e estou em frente ao Camping Véu da Noiva da ACM esperando o ônibus das 15h para Belzonte. Altitude de 837m.

Nesse dia caminhei 7,4km.
Total da travessia: 35,9km.

ImagemInício do calçamento da Trilha dos Escravos

Informações adicionais:

Horários do ônibus BH-Itambé do Mato Dentro (http://www.saritur.com.br):
seg a sáb - 8h30, 15h45
dom - 8h30, 17h45

De Itambé do Mato Dentro a Cabeça de Boi não há ônibus. A distância é de 9,6km em estrada de terra em boas condições. O táxi custa R$30 ou R$35. Um dos taxistas é o Adair, fone 31-99858-6938.

Horários dos ônibus que passam no Camping Véu da Noiva em direção a BH:
. viação Saritur (http://www.saritur.com.br)
seg a sex - 6h55, 9h45, 15h25
dom - 8h55, 9h45, 17h55

. viação Serro (http://www.serro.com.br)
seg e qua - 8h30, 10h, 11h30, 12h, 15h30, 17h, 19h30
ter, qui e sáb - 8h30, 10h, 11h30, 12h, 15h30, 19h30
sex - 8h30, 10h, 11h30, 12h, 15h30, 17h, 19h30, 21h
dom - 8h30, 10h, 12h, 15h30, 17h, 18h, 19h30

Cartas topográficas de:
. Conceição do Mato Dentro - http://biblioteca.ibge.gov.br/visualiza ... -Z-D-I.jpg
. Baldim - http://biblioteca.ibge.gov.br/visualiza ... -C-III.jpg

As denominações de rios e serras usadas aqui foram extraídas das cartas topográficas do IBGE e podem não coincidir com as denominações dadas pelos moradores da região, ou podem mesmo estar erradas.

Rafael Santiago
julho/2015
http://trekkingnamontanha.blogspot.com.br

ImagemPercurso na imagem do Google Earth - parte 1 (a linha vermelha marca os limites do ParNa Serra do Cipó)

ImagemPercurso na carta topográfica - parte 1 (a linha magenta marca os limites do ParNa Serra do Cipó)

ImagemPercurso na imagem do Google Earth - parte 2 (a linha vermelha marca os limites do ParNa Serra do Cipó)

ImagemPercurso na carta topográfica - parte 2 (a linha magenta marca os limites do ParNa Serra do Cipó)

#1137062 por nathan_mg
11 Nov 2015, 11:12
Obrigado por compartilhar a travessia, Rafael. Certamente terá utilidade pra mim e/ou pra outras pessoas que pretendem caminhar pelas bandas do PARNA Cipó. Fiz Altamira > São José da Serra pelo Vale da Lagoa Dourada mês passado, e vendo depois no Google Earth por onde passamos, fiquei imaginando várias rotas possíveis passando dentro do Parque.
#1152963 por rafael_santiago
11 Jan 2016, 18:11
Oi, Breno

Se você se refere à segurança de fazer a trilha sem se perder, diria que é melhor na primeira vez você fazer com alguém que conhece ou levar um gps. O caminho tem muitas bifurcações e grande parte é de trilhas de vaca que aparecem e somem de repente. Há trechos sem trilha definida.

Agora se você se refere à segurança pessoal (assalto ou algo assim), pode ficar tranquilo, não há esse problema.

Abraço.
Editado pela última vez por rafael_santiago em 11 Jan 2016, 18:46, em um total de 1 vez.
#1152967 por rafael_santiago
11 Jan 2016, 18:46
Fala, Chico!

Então, o percurso Duas Pontes-Cabeça de Boi já está se tornando bem conhecido ali na Serra do Cipó. Os privilegiados mineiros o fazem até de fim de semana. Aqui eu preferi alterar um pouco a rota e sugerir um percurso novo, com paisagens tão ou mais bonitas. Vale a pena!

Grandes trilhas em 2016 pra você!
Abraço

Usuários navegando neste fórum: Nenhum usuário registrado e 2 visitantes