Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#628470 por Kássio Massa
30 Ago 2011, 02:57
Iae pessoal! Beleza?
Finalmente, depois de meses de angustia e pesquisas sobre as formas de realizar a travessia da funicular, conseguimos a proeza e fomos fundo, literalmente!

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Relato com todas as fotos neste link:
http://rotamassa.blogspot.com/2011/08/t ... 29-de.html

Trip realizada nos dias 27, 28 e 29 de Agosto de 2011
Por: Gabriel Medina, Kássio Maeda e Leandro Furquim


Ao longo da segunda metade do século XVIII, o Brasil vivia os momentos áureos de suas ferrovias, em decorrência do rápido crescimento econômico e comércio com outros países. A ferrovia ainda marca, quase que diretamente, o início definitivo da empreitada industrial brasileira, possibilitando ainda, um melhor fluxo de pessoas entre as diversas regiões. São Paulo, como sendo um grande pólo econômico, possuindo um dos mais importantes portos da América Latina, era ponto estratégico de entrada e saída de mercadorias em território nacional, e uma conexão ferroviária fazia-se primordial para abastecer tal demanda. E assim foi feito, quando, em 1867, uma empresa britânica denominada São Paulo Railway ergueu, em plena Serra do Mar paulista, uma ferrovia do tipo funicular, até que em 1890, devido ao aumento da demanda, um novo sistema do mesmo tipo teve de ser erguido, também pelos ingleses. Este Ultimo foi denominado Serra Nova e possuia ao todo, 5 patamares para a troca dos cabos, e 12km de extensão. Em 1974, é inaugurado o novo sistema ferroviário para vencer o desnível da Serra do Mar, que desta vez, utiliza o sistema cremalheira-aderência. Hoje, o Sistema Cremalheira é operado pela MRS e corre em paralelo ao antigo funicular.

Após a implantação da Cremalheira em Paranapiacaba, a Funicular, por ter se tornado obsoleta, fora reduzindo suas viagens, dando cada vez menos atenção ao transporte de cargas, até que, finalmente, foi desativada, na década de 80, em decorrência de um incêndio que destruiu a estação de Paranapiacaba.

Passados mais de 20 anos desde sua desativação, a estrada de ferro encontra-se castigada pela ação do tempo e do clima serrano local. As 16 pontes constituintes do percurso estão apodrecendo aos poucos, sendo que uma já foi abaixo. A mata cresceu e cobriu parcialmente as vias, formando assim, cenários fascinantes, porém, extremamente perigosos!

Assim que tomei conhecimento da existência desta relíquia histórica, coloquei-a no centro de minhas ganâncias como trilheiro. Jamais iria me contentar em não realizar a travessia da funicular. Passei mais de 2 meses lendo relatos, vendo fotos, videos e recorrendo diretamente a quem já havia se aventurado por aquelas bandas - e agradeço a todos os que se dispuseram a compartilhar suas experiências na funicular, através de relatos, mapas, etc -, até que tomei a devida coragem - confesso que estava dividido em querer e não querer fazer esta trilha, levando-se em conta, os altos riscos de vida - e fui-me a comprar os preparativos da trilha. Como o acesso à Funicular é proibido, a mesma deve ser adentrada com certa cautela, e preferencialmente à noite, pois as chances de ser visto diminuem... mas havia um outro jeito de atingir a Funicular - jeito este que haviamos estudando já ha algum tempo -, sem que corrêssemos o risco de sermos vistos: varando mato encosta abaixo, à partir da bifurcação da Estrada da Bela Vista com o início da Trilha do Mirante, até chegar à trilha de manutenção, que segue em paralelo à ferrovia, terminando na ponte da Grota Funda. Parece simples, mas nos rendeu bons tombos e quase 3 horas de cannyoning!

Caímos em Paranapiacaba, às 22h30, todos receosos e, ao mesmo tempo, ansiosos e empolgados, e fomos em direção à Estrada da Bela Vista, de onde sai uma trilha que nos levaria até o Mirante da Grota Funda, onde iriamos descansar nesta primeira noite.

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O local parecia ser perfeito, não fosse a gélida brisa que sobre nós pairava, impedindo qualquer mergulho em nossos pensamentos. Decidimos então, procurar algum outro local para passar a noite, até o amanhecer, e nos lembramos que, logo no início da trilha do mirante - exatamente no ponto escolhido para a descida da encosta, a qual seria realizada ao amanhecer -, havia 3 bancos de madeira, em bom estado, um belo convite para o restante do tempo de sono que nos restava.

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Logo nos primeiros sinais de claridade no céu, recolhemos nossas coisas e nos preparamos para dar início definitivo ao vara-mato que nos aguardava encosta abaixo - quase 500m de descida!

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Nosso vara-mato

Leandro portava consigo um facão, por isso foi na frente, seguido por mim e pelo Gabriel. O segredo era apenas seguir entre Oeste e Noroeste, sempre descendo a encosta, até atingir a trilha de manutenção. Mas mesmo parecendo fácil e com as habilidades formidáveis do Leandro, em burlar caminhos aparentemente impossíveis, acabamos indo muito para Oeste, e fomos parar num vale, por onde corria um riacho, afluente do Rio Mogi. A princípio, este rio também nos conduziria à trilha, porém, o mesmo tinha declividade alta e possuía algumas quedas bruscas, nos obrigando a recorrer à corda, a qual havíamos comprado para esta expedição.

Já estávamos descendo há mais de 4 horas, quando, finalmente, surge à nossa esquerda, a esperada trilha - uffa! -, bastando seguí-la adiante para se chegar à Grota Funda.

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Chegando à trilha

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Ponte numero 15

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Sistema Cremalheira, da MRS, sentido Cubatão

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No final da trilha, havia uma escada sinuosa, que nos conduzia até o 'túnel com janelas' o qual antecedia a temida ponte da Grota Funda, a mais alta de toda a Funicular. Logo abaixo desta, uma outra ponte correspondia ao Sistema Cremalheira da MRS, em pleno funcionamento. Paramos um pouco no túnel para nos reabastecer e descansar um pouco.

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Acesso ao túnel

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Recuperados, era hora de enfrentar o perigo de cara, pois à nossa frente, se estendia a majestosa e enferrujada ponte da Grota Funda. A atravessamos sem maiores problemas e demos continuidade ao percurso. É indescritível a adrenalina que toma conta da gente lá no alto, o perigo é constante e os únicos pontos de apoio confiáveis são os finos trilhos, pois os dormentes estão se quebrando!

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O abismo da Grota Funda tem quase 60m de profundidade

Neste lado da ponte, está localizado o quarto patamar da Serra Nova, onde paramos para vislumbrar o engenhoso maquinário que um dia, movimentou pesados trens pela serra.

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Seguindo adiante, nos deparamos com um túnel onde eram necessários alguns cuidados para não cair nas valas que alí haviam.

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Daqui em diante, as cenas praticamente se repetiam, se resumindo a pontes velhas e estragadas, trechos de trilho em terra firme e túneis, sendo que algumas das pontes estavam intransponíveis, tanto por condições estruturais quanto pela vegetação que costumava tomar conta de parte delas, o que nos obrigava a contorná-las através de caminhos alternativos. Não durou muito para que nosso suprimento liquido - 1 garrafa de 2L e 5 de 500mL - se esgotasse, mas o Leandro decidiu arriscar-se e abastecer todas as garrafas em um riacho, embaixo de uma das pontes - o cara é meio louco mesmo, mas devemos muito a essa coragem dele! Ao longo da trilha, encontramos algumas mexericas, que apesar de extremamente azedas, as comemos com muito gosto - mas só desta vez! hawuhwau

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Ponte 13

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Caminho alternativo para desviar da mata fechada

Passadas mais algumas pontes e túneis, a noite já estava próxima, quando nos deparamos com a mais extensa ponte, o viaduto de número 4, também conhecido por Ponte Mãe. Como o mesmo aparentava estar em razoáveis condições, optamos por atravessá-lo, sem darmos conta de que, após a metade do mesmo, uma densa vegetação o cobrira, nos obrigando a voltar e contorná-lo pelo caminho alternativo, logo ao lado. Segundo relatos, a maioria dos desbravadores da funicular a completam em dois dias, logo, minha ideia era de ao escurecer, procurarmos algum lugar para nos abrigar e alí passar a segunda noite. Porém, o até então corajoso e forte Leandro se mostrou fragilizado emocionalmente, ao afirmar que sua família não sabia de seu paradeiro, e que não conseguia estabelecer contato pelo celular, devido à falta de cobertura da rede. Portanto, minha ideia fora logo rejeitada, pois ele queria, a qualquer custo, terminar a trilha ainda naquela noite, o que, racionalmente falando, seria algo inviável! Após uma breve discussão, verifiquei que meu aparelho estava dando cobertura e o emprestei para que conseguisse contatar sua família. O Gabriel, logo, também fora tomado por uma espécie de desespero, que o fez lamentar-se em ter incentivado a realização desta travessia e se questionar se deveríamos mesmo ter nos arriscado em fazer esta trilha. Entre nós três, eu estava mais debilitado fisicamente, pois havia perdido muita água - transpiro com muita facilidade -, mas estava emocionalmente equilibrado. Tentei manter certa calma no grupo, alegando que uma noite passada na trilha estava dentro do tempo normalmente cumprido por quem realiza a Funicular. Novamente propus que passássemos a noite em algum abrigo na própria trilha, quando me lembrei do Túnel Pai, que se localizava logo adiante, e assim, todos concordaram e então, às 20h, nos instalamos no interior do Túnel.

Ainda sob lamentações a respeito da decisão de fazer a Funicular, tentei, novamente, dispersar a tensão no grupo, oferecendo-lhes minha câmera para que olhassem as fotos da viagem. Logo após, preparamos nosso lanche pré-sono e então, nos deitamos sobre uma plataforma de madeira - espaçosa até - e nos embalamos em nossas embaraçadas mentes!

Não habituados com aquela improvisada cama, frequentemente acordávamos. Numa dessas, eu decidi dar um passeio pelos arredores do local e tirar algumas fotos.

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A Ponte Mãe fica logo atrás desta densa vegetação

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Já eram 5h da manhã, quando finalmente nos despertamos para enfrentar os últimos quase 3km de trilhos. Recolhemos nossas bagagens e caminhamos até o final do túnel, onde, logo em seguida, havia o Viaduto 3, o qual foi facilmente desviado, através de uma picada à esquerda.

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O Túnel Pai, onde dormimos, é o maior da ferrovia, e tem quase 250m de comprimento

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Valas na segunda casa de máquinas

Mais à frente, uma cascata ligeiramente escorregadia tentava nos impedir de continuar, mas também fora facilmente transposta, bastando pisar com cautela sobre as rochas envoltas pelo véu úmido cristalino. Neste mesmo local, podia-se ver a segunda ponte, que há tempos, havia ruido!

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A partir deste ponto, a trilha passa a ser cada vez mais plana e o mormaço toma conta do clima local! A última ponte fora contornada, e agora, bastava que seguíssemos pelo leito da ferrovia, já sem os trilhos e cabos - provavelmente foram roubados - até sairmos na linha ativa da MRS. Daqui, tinhamos que seguir pelos trilhos até uma saída à direita, que nos deixaria no ponto de ônibus para Santos. Mesmo debilitados, conseguimos a proeza do enfrentar mais 3h de volta para Home!

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Primeiro viaduto da Funicular Serra Nova

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Mini-perigo

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Viaduto da Rod Piaçaguera-Guarujá

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De onde viemos: ao fundo, Rod. Piaçaguera-Guarujá

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Cubatão

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Pátio de manobras da MRS, em Cubatão

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Ponto de ônibus em frente ao Cosipa(atual Usiminas)

Esta, sem dúvidas, foi uma das maiores e mais espetaculares aventuras de toda a minha vida, pois, além dos riscos reais de vida, atravessando pontes, varando mato e rios, a viagem fora marcada, principalmente, por um jogo de sensações e emoções, e também, pelo forte cooperativismo entre os membros da equipe!

A Funicular de Paranapiacaba estará para sempre em minhas memórias, assim como se eternizou na história!

IMPORTANTE:
- O acesso à Funicular é, atualmente, proibido, por motivos óbvios, e por estar em área pertencente à MRS. Portanto, o acesso a ela(e a travessia como um todo) fica por conta e risco de quem o fizer. O acesso mais praticado se dá pela Picada Raiz da Serra - também conhecida como Trilha do Vale do Rio Mogi -, que começa no estacionamento da vila, sendo que, após cerca de 20m, é preciso adentrar a esquerda para sair nas vias da Cremalheira (MRS). Siga a via por uns 200m, atravesse-a e suba pela vala de escoamento, até chegar aos trilhos do antigo Funicular. O cuidado que se deve tomar é com os trens que descem e sobem a serra, e com os guardas que vigiam este trecho da via. RECOMENDA-SE que o acesso à Funicular seja feito apenas durante a noite! Ressalto que é contra a lei prejudicar o tráfego ferroviário, seja qual for o motivo, o infrator está sujeito à penalidades legais.

- Esta trilha não é recomendada para pessoas que tenham aversão à altura e problemas relacionados ao equilíbrio e à coordenação motora. As pontes costumam ser muito altas e encontram-se em precárias condições estrutrais. Em caso de acidentes nas pontes ou quedas, o resgate é praticamente impossível!

- A descida pela encosta da serra foi uma decisão estritamente nossa, sendo que o acesso tradicionalmente feito é a partir da Trilha do Vale do Rio Mogi. A descida da encosta até a Funicular NÃO É POR TRILHA, e sim, por mato e rio extremamente íngremes, e só foi possível com o uso de uma corda de 25m, própria para tal prática! Caso não conte com tais equipamentos, JAMAIS DESÇA ENCOSTAS E RIOS COMO ESSES, opte pelo acesso a partir da Trilha do Rio Mogi, bem mais seguro!

- O percurso da Funicular, com aproximadamente 11km de extensão, conta com alguns riachos onde é possível coletar água potável, mas mesmo assim, é importante que CADA caminhante leve água(e alimento) o suficiente para a TRILHA TODA(no mínimo 4L de água), uma vez que nem todos os riachos são confiáveis, e alguns estão poluídos. Lembrando que a maioria dos riachos acessíveis se encontram somente após a ponte mãe, ou seja, no final da travessia... evite ingestão de açúcares...

- A questão do peso é extremamente delicada. Deve-se evitar carregar muito peso, não ultrapassar 15kg de bagagem, uma vez que as pontes, sempre em mau estado, não contam com pontos de apoio, exigindo que o caminhante se equilibre sobre dois estreitos trilhos enferrujados, pois os dormentes - ONDE ELES AINDA EXISTEM - estão em sua maioria podres e provavelmente não aguentarão o peso de uma pessoa. NEM TODAS as pontes são contornáveis por caminhos alternativos, por sorte, as piores, mais para o final da trilha, podem ser contornadas, mas é exaustivo.

- Ao todo, a ferrovia conta com 5 patamares, onde estão as casas de máquina da Funicular. Estes são os melhores locais para acampamento, porém, evite o 1º Patamar, pois é frequentado por pessoas de má índole e existe o risco de ser assaltado alí. Os dois melhores túneis para se acampar são o primeiro e o Túnel Pai, logo após à Ponte Mãe. Vale qualquer medida para se manter isolado ao máximo do meio externo, enquanto estiver dormindo, há um grande número de borrachudos(transmissores da Oncocercose, ou "cegueira do rio", que como o próprio nome sugere, é uma parasitose que causa cegueira permanente) e há possibilidade de haver outros insetos e até animais peçonhentos. Recomenda-se um bom repelente a ser usado durante toda a travessia.

- A duração desta travessia costuma ser de 1 a 2 dias, então leve suprimento o suficiente para isto!

NÃO FAÇA A TRAVESSIA DA FUNICULAR SEM ESTUDÁ-LA AO MÁXIMO, EM TODOS OS SEUS DETALHES MÍNIMOS: pontes, patamares, pontos seguros para descanço e acampamento, fauna, flora, relevo, clima local, percurso, túneis, e os RISCOS!
Editado pela última vez por Kássio Massa em 17 Jan 2013, 07:59, em um total de 11 vezes.

#628739 por Jefferson Zanandréa
30 Ago 2011, 20:05
Fala querido Massa!

Parabéns pela travessia, coragem e extrema ousadia (no bom sentido) em encarar a Funicular sem barracas ::Cold:: ...
Fiquei impressionado em ver que vocês dormiram no chão HAHA... Realmente são essas aventuras que nos motivam a praticar cada vez mais a arte de mochilar!

Estarei realizando essa trilha no próximo dia 16 de Setembro, no dia 09 deste mesmo mês estarei atravessando Parelheiros até Itanhaém, quem estiver afim é só dar um ALOHA ::otemo:: ... Espero que tenhamos a mesma sorte de vocês e outros aventureiros em pegar um dia de sol maravilhoso!

É isso aiiiiiii, TRIP, TRIP, TRIP FOREVER HAHA... ::hahaha::
#628742 por Kássio Massa
30 Ago 2011, 20:22
Vlw, mano!
O infeliz do Gabriel n levou a lona, daí o jeito foi dormirmos no chão mesmo kkkkkkk mas valeu a pena!
Mas é isso mesmo que penso... quando estamos longe do conforto, das mordomias, a gente aprende a dar muito mais valor a coisas curriqueiras, que costumamos até desprezar. Por exemplo, quem compraria uma mexerica ainda verde, totalmente azeda? Na sede extrema, comemos estas frutas com extremo bom gosto!
#630641 por Kássio Massa
06 Set 2011, 20:21
Pois é, Marco hauwhawu... tinhamos apenas um humilde repelente em mãos, mas ainda levamos algumas picadas la. Claro que não recomendo a ninguém se arriscar a dormir no "relento" assim, pois sabe-se lá quais insetos e outros animais podem residir alí, neh... É um risco que acabamos correndo.
Vlw man! abraço o/
#632032 por Kássio Massa
11 Set 2011, 22:23
A Funicular realmente possui seu clima místico, fantástico e tbm, sinistro... É uma das travessias mais temidas da região, mas vale muito à pena, apesar dos inúmeros riscos! Caminhar por ferrovias é algo que me agrada muito, passar pelas estações e estruturas ao longo do caminho nos faz viajar na história... no tempo... xD
#635068 por omarvin
21 Set 2011, 12:24
Cara, desculpe, mas não tem como lhe Parabenizar ... eu já fiz a Funicular mas acho que vocês cometeram vários erros e contaram muito com o acaso ... não digo pra tirar o teu mérito (que é louvável - a funicular não é pra qualquer um) ... mas digo pelo fato de que algumas pessoas podem encontrar o teu relato e sentindo-se encorajadas ...

Primeira questão foi o modo que você entrou, não havia a necessidade de pernoitar nos bancos, muito menos se arriscar em meio a mata fechada ... a entrada deve ser feita a noite mesmo mas ainda é possível pelo acesso próximo ao inicio da trilha pra travessia do Vale do Rio Mogi !... vc pega um pedaço da cremalheira e na mesma noite acampa no 1º tunel, iniciando a trilha pela manhã e ganhando um tempo bem precioso ... (mesmo assim não é recomendável iniciar a funicular achando que vai concluir em um dia)

...penso que o fato de estarem sem barracas ajudou muito com a questão do peso, quando fui pra Funicular estava pesado e me arrependo disso até hoje, pois peso e vento não é uma boa combinação quando precisamos de equilibrio, tive que me agachar diversas vezes e isso foi desgastante ...

Não digo pra não levarem barracas, tem que levar sim ... mas recomendo muita atenção com o peso !

Não ficar sem agua, jamais ... priorizar o acampamento nos patamares é SEMPRE a melhor opção !

Muito Cuidado !

... amigos experientes voltaram lá por esses dias, dizem que a ponte Mãe está mesmo cheia de mato com espinho, quando fui já estava começando mesmo, sorte que tinhamos um facão pra esse tipo de eventualidade !

Fora isso, é sim uma Trilha Fantastica, que além de muito agradavel ainda nos leva pro passado, mostrando o inicio do desenvolvimento da capital !

Força e Evolução ! Sempre !
#635143 por Kássio Massa
21 Set 2011, 16:08
Omarvim,

De maneira alguma vejo isto como uma depreciação do "meu mérito", uma vez que este é um local para se compartilhar informações, e por que não, puxar os ouvidos de certas pessoas ::lol3::

Muito pelo contrário, agradeço por ter me alertado sobre meu relato, no quesito "encorajar pessoas a realizarem tal travessia", de fato, não havia notado a falta de detalhamento referente aos riscos e cuidados a serem tomados lá, então eu já acrescentei tais informações EXTREMAMENTE IMPORTANTES ao relato, tanto aqui quanto em meu blog, pois os leitores que desejam fazer a Funicular devem estar totalmente cientes de que a mesma é uma travessia de extrema periculosidade e pouquíssimas possibilidades de resgate.

Só não vou poder concordar com a questão do "acaso", uma vez que esta trip foi planejada em todos os detalhes, durante mais de 2 meses. Confesso, até, que a trip teria sido mais emocionante, caso tivesse havido algum imprevisto. Mas enfim, vou explicar aqui então:

Quanto ao acesso à Funicular, a princípio, planejávamos mesmo acessá-la a partir da Trilha do Rio Mogi, porém este modo faz com que o caminhante se exponha ao campo de visão dos vigias da MRS, podendo causar inconvenientes, uma vez que não é permitido transitar em linhas férreas em funcionamento. ENTÃO, estudamos o relevo da encosta referente à parte baixa e decidimos nos arriscar a entrar a partir de lá(trilha do Mirante). Porém, para isto, tivemos que adquirir uma corda própria para descidas em encostas e rappel, de 25m de comprimento. Caso contrário, não seria possível descer a encosta, que possui quedas verticais de mais de 5m de altura! A descida pela encosta foi decisão exclusivamente nossa, sendo que o modo mais seguro é pela Trilha do Rio Mogi mesmo, apesar dos guardas e da ferrovia Cremalheira.

Durante o tempo em que planejamos a travessia, com base em sites, mapas, relatos, e pessoas que já a realizaram antes, notei que quase todos os casos envolviam, pelo menos, uma pernoite, seja em patamares, seja em túneis, e que o tempo para se concluir a travessia variava de 8h e 12h(sem contar o tempo reservado para pernoites). Como decidimos realizar a descida pela encosta, acrescentamos entre 3h e 6h ao tempo extimado, e consequentemente, mais uma pernoite, totalizando 2 pernoites. O erro crucial mesmo foi quanto à água: acabei contando apenas com 2L, - isto, porque não tinha uma mochila maior e não cabia mais nada lá dentro(pelas fotos, é possível notar o tamanho de minha mochila). Porém, após a Funicular, consegui adquirir uma maior. Quanto à quantidade ideal de água, recomendo levar, pelo menos, 4L de água POR PESSOA para esta travessia, uma vez que a maioria dos riachos acessíveis para reabastecer ficam mais para o final da trilha, e alguns são poluidos.

Quanto à falta de barracas, compensei com o uso de um bom repelente e muita roupa (uma blusa grossa com capuz e minha mochila, para tampar o rosto), para que me mantivesse isolado ao máximo do meio externo, evitando assim, as baixas temperaturas da madrugada, os insetos e outros animais. Mesmo assim, recomendo para que, se puder, leve barraca, mas pense no peso da bagagem!

No mais, obrigado novamente.
Abraços
Editado pela última vez por Kássio Massa em 22 Set 2011, 00:38, em um total de 2 vezes.
#635263 por Jefferson Zanandréa
21 Set 2011, 21:47
Fala Massa, quero mais uma vez parabenizá-lo pela trip. E mais ainda pela nobre explicação acima!
É isso mesmo cara, força, ousadia e cada dia a mais sede por aventura!

Paz.
#697553 por Fábio Villela
20 Mar 2012, 18:34
Kássio Massa escreveu:Iae pessoal! Beleza?
Finalmente, depois de meses de angustia e pesquisas sobre as formas de realizar a travessia da funicular, conseguimos a proeza e fomos fundo, literalmente!

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Relato com todas as fotos neste link:
http://rotamassa.blogspot.com/2011/08/t ... 29-de.html

NÃO FAÇA A TRAVESSIA DA FUNICULAR SEM ESTUDÁ-LA AO MÁXIMO, EM TODOS OS SEUS DETALHES MÍNIMOS: pontes, patamares, pontos seguros para descanço e acampamento, fauna, flora, relevo, clima local, percurso, túneis, e os RISCOS!


Kassio, que trip sensacional hein ?

Já fui várias vezes para Paranapiacaba, mas essa travessia que vc fez foi show !!

Parabéns pelo relato e compartilhamento.

Abraços

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