Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#502625 por Augusto
12 Set 2010, 12:13
Este é um relato detalhado dessa trip que chegou ao topo da Pedra da Mina cruzando a Serra Fina de sul a norte. Iniciamos a caminhada em Queluz/SP, seguindo pela margem do Rio Claro até chegar próximo à sua nascente, que é a base da Pedra da Mina, para depois descer do outro lado pela Trilha do Paiolinho. Iniciamos no dia 24/07 (Quinta-feira) e levamos 4 dias para chegar no topo e depois mais 2 dias para retornar à São Paulo. Estávamos em 4, mas logo no segundo dia tivemos uma baixa.

As fotos estão no Flickr:.
https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157656079236094



# Preparativos
Tudo começou em 2007.
Na época o Carlos Lessa, mais conhecido com Cela (montanhista do UNICERJ) enviou e-mails para mim e para o Jorge Soto convidando para fazermos essa travessia subindo pelo Rio Claro.
Ele até tentou ligar em um telefone que pertencia ao dono da Fazenda Jaboticabal, que fica em Queluz/SP onde se inicia a trilha, mas em vão.
E com isso passou a época de inverno e deixamos para lá, mas ali a ideia foi plantada.
E novamente no começo de 2008 voltamos a falar sobre essa travessia e em Abril consegui o telefone através de um relato que encontrei na Internet.
O telefone era do dono da Fazenda.
Ao longo dos meses de Abril e Maio, liguei algumas vezes para o escritório e consegui falar com ele, explicando nossa intenção de subir a trilha do Rio Claro, mas ele sempre dizia que a trilha estava muito fechada e que já tinha havido problemas com pessoas que tentavam fazer essa trilha (em um relato postado no site loucos de pedra comentavam que já tinha havido 7 tentativas frustradas para subida por essa trilha: Clique aqui- http://www.loucosdepedra.com.br/anterio ... claro.html).
Ele não quis citar as pessoas que tentaram, mas pelo relato deu para ver que a trilha é casca grossa mesmo.

Argumentei com ele que o grupo era só de três pessoas (eu, o Cela e o Jorge) e que já tínhamos feito algumas travessias pesadas, mas a cada momento que eu ligava para ele percebia que a autorização ia ser difícil conseguir.
No começo de Junho/08 comentei com o Jorge e o Cela sobre essas dificuldades da trilha. O Jorge disse que tinha conseguido a trilha plotada em uma carta topográfica de 1:10.000. Não pensei 2x e voltei a ligar novamente e comentei com ele sobre isso e daí em diante até se mostrou favorável para que fizéssemos a trilha, mas surgiu um outro problema: ele queria nos conhecer pessoalmente, o que seria uma dificuldade para nós, pois não era fácil reunir os 3 e se mandar para Guaratinguetá onde ele morava.
Outra exigência dele, que de certa forma entendemos, foi querer saber se tínhamos mesmo experiência em travessias pesadas. Pelo menos isso foi fácil, já que só foi mandar por e-mail relatos e fotos de trilhas que eu e o Jorge já tínhamos feito.
Pela dificuldade de agenda em marcarmos uma data para encontrarmos com ele, o Jorge propôs que no mesmo dia que fossemos iniciar a trilha, que passássemos pela sua casa em Guaratinguetá para assinarmos o Termo de Responsabilidade e dali para frente qualquer acidente ou morte seria por nossa conta e risco, isentando o dono da fazenda sobre isso.
Liguei novamente para ver se aceitava a nossa proposta e ele concordou.
Em seguida pediu nossos nomes completos e números dos documentos para que ele redigisse o Termo e assinássemos quando tivéssemos passando por lá.
Mas aí surgiu outro problema (era um atrás do outro): o Cela não estava respondendo os e-mails há vários dias e isso nos deixou preocupados quanto a sua confirmação na trip.

Depois de ligar no seu celular fui saber que ele estava no RS a trabalho.
Comentei que os planos de subir a Pedra da Mina pela Trilha do Rio Claro já estava quase tudo pronto e que estávamos planejando a travessia para última semana de Julho devido a disponibilidade de datas minha e do Jorge.
O problema é que ele só estaria disponível depois de Agosto e com isso antes de iniciar a caminhada, já tínhamos a primeira baixa.
Agora éramos só eu e o Jorge, mas ele prevendo isso já tinha convidado o Ricardo (outro trilheiro experiente que tínhamos feito a Transmantiqueira juntos – relato aqui) e mais alguns outros para a trip.
Liguei novamente comunicando a desistência do Cela e o acréscimo de mais pessoas na trip, mas ele disse que achava errado, pois em todos os contatos sempre mencionei que iriam só 3 pessoas.
No final tivemos que reduzir a trip e só ficamos em 4 (eu, Jorge, Ricardo e Ângelo), o que ele concordou.

O Ricardo estava levando um GPS com os pontos plotados do Google Earth e da carta do Jorge e eu estava levando uma carta topográfica com toda a trilha plotada desde a Fazenda até o topo da Pedra da Mina.
Nossa intenção era descer pela Trilha do Paiolinho e um irmão do Ricardo nos resgataria lá na Fazenda Serra Fina.
A Trilha do Paiolinho nenhum de nós tinha feito, mas iríamos descer por lá mesmo (no final a trilha foi muito mais fácil do que prevíamos, pois ela é bem demarcada – impossível se perder ali).
Nos últimos dias acertamos de entregar diretamente na Fazenda os Termos de Responsabilidade assinados e a data ficou marcada para o dia 24/08 (Quinta-feira) e o retorno para o dia 27/08 (Domingo) levando 3 dias somente para a subida da Fazenda até o topo da Pedra da Mina.
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# 1º dia

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Saímos de Sampa na Quinta pela manhã para encontrar o Ricardo na Rodoviária de Queluz, mas por um atraso no planejamento só saímos do Terminal Tietê às 09:00 hrs em direção a Resende (RJ), chegando em Queluz as 12h30min e nessa cidade pegamos um táxi em direção a Fazenda Jaboticabal onde chegamos as 13h20min.

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Aqui entregamos nossos Termos de Responsabilidade assinados para uma pessoa que cuidava da Fazenda e logo que iríamos iniciar a subida em direção a trilha, um caminhão entrou na Fazenda para fazer o mesmo percurso que a gente e com isso ganhamos uma carona que nos economizou cerca de 7 Km de subida íngreme pela estrada, nos deixando a cerca de 30 minutos do início da trilha.
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Daqui em diante, seguimos caminhando por uma antiga estrada de acordo com o GPS do Ricardo até encontrarmos o início da trilha.
As 15:00 hrs chegamos na placa que indicava o início da trilha que leva até o Rio Claro que o proprietário já tinha nos alertado, encontramos a trilha bastante fechada e com o mato tomando conta.
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Depois de uns 15 minutos varando mato, chegamos ao Rio Claro que merece o nome que tem, pois suas águas são de uma transparência nunca vista e aqui encontramos seu leito com inúmeras pedras e pequenos poções (dependendo da incidência da luz solar, a água pode se tornar azul ou verde).
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Devido a falta de chuva há vários dias o rio estava com alguns trechos secos, o que facilitou a caminhada, na verdade, escalaminhada.
A subida até a nascente foi um trepa pedra atrás do outro e isso quando não tínhamos que varar mato para evitar paredões verticais onde a subida era impossível.
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Nesse primeiro dia, não ganhamos tanta altitude porque o trecho inicial não estava muito encachoeirado, o que até facilitou para gente.
O Ricardo foi sempre à frente e eu logo atrás dele.
De vez em quando a gente parava para confrontar os dados do GPS com as coordenadas da carta topográfica para sabermos em que trecho do rio estávamos.
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Conforme íamos escalaminhando enormes pedras, o fim da tarde já ia se aproximando e por volta das 17:00 hrs eu e o Ricardo resolvemos explorar algumas partes planas nas laterais do rio e encontramos um local que dava pra acomodar as 3 barracas e a rede do Jorge.
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Era nossa primeira noite ao lado do rio e por volta das 20:00 hrs todos já estavam dentro das barracas e só me assustei que durante a madrugada acordei com um barulho estranho debaixo da barraca.
Era como se fosse um animal ou inseto roendo alguma coisa e na hora tive que dar várias porradas no piso da barraca para que o barulho parasse, mas que pouco adiantou.
Voltar a dormir não foi fácil, pois a todo o momento pensava que o bicho ou inseto podia entrar na barraca.
O local onde estávamos era forrado de vegetação e várias raízes, por isso o bicho continuava lá embaixo.
No horário que acordei, por volta das 02h20min, o termômetro marcava cerca de 12 °C e não lembro de quando voltei a dormir, mas por volta das 06:00 h acordei um pouco sonolento, mas pronto para mais 1 dia de escalaminhada.



Continua no segundo dia
Editado pela última vez por Augusto em 21 Dez 2015, 15:50, em um total de 6 vezes.

#502627 por Augusto
12 Set 2010, 12:15
2º dia

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Ao sair da barraca e enquanto esperava a galera, fui dar uma explorada pelos poções, só que não dei muita sorte, pois em um tobogã onde a água do rio escorria não consegui me equilibrar e fui descendo escorregando até cair no poção.
Não me machuquei, mas atingi o fundo do poção ficando com água até o pescoço não sobrando nada seco no corpo e por causa disso tive que trocar de roupa.
Refeito do susto e com roupa seca fui arrumar a mochila para zarparmos rio acima.

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Saímos pouco antes das 08:00 hrs e novamente com muita escalaminhada pela frente, mas depois de uns 30 minutos encontrei o Ricardo encostado numa pedra dizendo que não dava mais para seguir, pois numa tentativa de escalar uma pedra sem querer ele deslocou o ombro.
Com esse problema, o Ricardo disse que não dava mais e por isso resolveu voltar para a Fazenda e de lá ir para casa dele, só que tinha um pequeno detalhe, ele estava com o GPS e nós estávamos subindo o rio com as indicações dele.
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Na hora eu o Jorge dissemos que não sabíamos operar o GPS, mas o Ângelo disse que tinha um e sabia operar o aparelho e com isso ficamos mais tranquilos mas qual não foi a nossa surpresa em saber que ele não sabia nem ligar ou desligar o GPS.

Eu e o Jorge pensamos: estamos f....... .
Levamos um p..... tempo para conseguir autorização para fazer a trilha, estamos aqui e na hora em que o GPS era primordial, a pessoa dá uma mancada dessas. Pqp....
Mas fazer o quê, o jeito é seguir em frente assim mesmo.
No retorno para SP, troquei alguns e-mails com o Jorge sobre esse episódio e ele disse que o Ângelo conhecia muito sobre GPS e o que poderia ter acontecido naquele momento é um outro modelo de aparelho que ele não conhecia.
Se isso fosse verdade, seria uma p. sacanagem não é?
Depois que o Jorge disse isso, só sobrou uma conclusão plausível: a atitude dele foi para não chegar ao topo, já que em muitos trechos sempre tinha dificuldades para conseguir ultrapassar e nos momentos mais difíceis era sempre eu que ia na frente.
Ficou como lição de escolher a dedo pessoas para futuras trips.
Voltando à caminhada, o Ricardo sempre mencionava que tínhamos que chegar no ponto G que estava plotado em seu GPS e nesse local ficava a nascente do Rio Claro e o inicio do paredão que dá acesso à base da Pedra da Mina e sem sabermos mexer no GPS para nos orientar, ficava difícil saber onde o ponto G ficava.
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Nessa hora o que salvou a gente foram as cartas topográficas minha e do Jorge e o meu altímetro que íamos consultando a todo o momento.
Mas de vez em quando eu e o Jorge mexíamos no GPS para tentar aprender como ele funciona e assim retornamos a escalaminhada rio acima.
Conforme íamos ganhando altitude os trechos ficavam cada vez mais difíceis, mas para nosso alivio, por volta das 14:00 hrs pegamos um longo trecho plano e passamos do lado de uma antiga ponte construída no meio do rio, que era de uma estrada, já que se notava os vestígios dela, mas que estava tomada pelo mato.

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Em um certo trecho quando eu estava passando em cima de uma das pedras escorreguei e cai novamente na água, pelo menos dessa vez só molhei a roupa da cintura para baixo e pouco depois das 17:00 hrs olhamos na carta do Jorge e vimos que existia um trecho onde poderíamos montar as barracas mais à frente.
Devido ao local ser plano, a escolha do lugar foi perfeita.

Era na altitude de 1350 metros à esquerda do rio.
Eu armei um pequeno varal para deixar a roupa e a bota secando durante a noite e fomos dormir por volta das 20:00 hrs.
Durante a madrugada levantei e fui olhar o termômetro que marcava 8°C, o que foi uma queda em relação ao dia anterior.


Continua
Editado pela última vez por Augusto em 11 Jun 2013, 23:41, em um total de 1 vez.
#502630 por Augusto
12 Set 2010, 12:22
3º dia

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Pela manhã já nem contávamos em chegar ao topo da Pedra da Mina naquele dia, que era nosso objetivo inicial e com a retomada da caminhada, uma neblina espessa tomou conta da região e ficava até difícil a navegação, pois poderíamos pegar alguma bifurcação e não saber.
Em vários momentos tivemos que parar e checar as cartas topográficas para ver se estávamos no Rio Claro ainda.
Um trecho que nos deixou em dúvida foi quando encontramos o leito do rio seco, pois as enormes pedras estavam lá, mas a água do rio com certeza não passava por ali e olhando a carta e a altitude, percebemos que havia ainda um longo trecho até a nascente.
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Enquanto caminhávamos pelo leito seco do rio notamos que ressurgia na mata fechada à esquerda e a conclusão que chegamos foi que ele seguia por um trecho subterrâneo. Nesse local procuramos encher nossos cantis porque não sabíamos onde encontraríamos água novamente.
Com a neblina espessa e sem perspectiva de saber onde encontraríamos novamente o rio, seguimos ganhando altitude, mas não demorou muito e encontramos o leito do rio.

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Agora era a neblina que não deixava ver as cristas e o vale por onde tínhamos passado.
Vara matos, vales afunilados e muita escalaminhada ainda nos aguardavam nesse dia e em alguns trechos tivemos que fazer uso da corda e improvisar algumas pontes de madeira e pedras para ultrapassar inúmeros obstáculos, mas cada dificuldade vencida sempre aparecia outra pior.

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Nesse dia ganhamos muito mais altitude, porém o ritmo de caminhada era menor, já que os obstáculos ficavam cada vez mais difíceis.
Por volta das 15:30 hrs chegamos ao pior trecho nesse dia.
O rio se afunilava e tentar varar mato era complicado, porém existia um paredão do lado esquerdo onde dava para ir subindo, usando técnicas de escalada.
Se alguém caísse seria de uma altura de uns 3 mts em cima de uma pedra por onde escorria o rio e terminava em um pequeno poço.
A queda em si dava para aguentar, mas o problema era bater a cabeça na pedra ou fraturar algum membro do corpo.
Aqui ninguém queria tomar a frente.
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Vendo que nenhum dos dois estavam querendo seguir na frente, tomei a dianteira e fui subindo sem olhar para baixo.
Passado o trecho e o susto, pedi para jogarem a corda que eu puxaria todas as mochilas, o que não foi demorado.
O Jorge que seria o próximo resolveu não seguir pelo trecho de escalada e preferiu que fosse amarrado pela corda e eu o puxasse, enquanto ele ia subindo pelo trecho escorregadio da pedra.
Chegando mais para o final da tarde, a neblina teimava em não ir embora, então resolvemos tentar chegar pelo menos no ponto marcado na carta do Jorge, onde parecia ser plano.
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Ao passarmos ao lado de um enorme deslizamento de pedras na lateral esquerda do rio, resolvemos explorar alguns trechos onde podíamos montar as barracas.
Eu e o Jorge subimos rio acima para encontrar trechos planos, mas era impossível, então tivemos que retornar um pouco e acampar ao lado de um poção, próximo da altitude de 1780 metros.
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O local era escondido por uma enorme pedra e só tivemos que dar uma roçada na vegetação para que pudéssemos montar todas as barracas.
A minha, tive que ancorar com algumas pedras, imaginando que a noite poderia ventar muito, já que não estávamos no meio da mata, como nas noites anteriores.
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Mesmo quando a neblina e o Sol foram embora, o vento que vinha do norte era muito frio, o que até dificultava ficar fora da barraca.
Depois de preparado o jantar do lado de fora, todos se recolheram rapidamente.
Nessa noite percebi que estava bem mais frio que nos dias anteriores, por isso deixei o meu fogareiro aceso por alguns minutos para ver se o interior da barraca se aquecia um pouco e ficasse com uma temperatura agradável, mas não adiantou muito.
No meio da madrugada acordei e fui checar a temperatura e marcava próximo de 4 °C .


Continua
Editado pela última vez por Augusto em 11 Jun 2013, 23:46, em um total de 1 vez.
#502633 por Augusto
12 Set 2010, 12:33
4º dia

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No Domingo pela manhã acordamos com o tempo totalmente aberto e pela altitude em que estávamos, prevíamos que nesse dia chegaríamos na nascente do Rio Claro ou até no topo da Pedra da Mina.

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Barracas desmontadas e mochilas prontas, seguíamos rio acima, agora com muito mais dúvidas que nos dias anteriores.
As bifurcações dos afluentes do Rio Claro agora eram quase semelhantes e com isso sempre tínhamos dúvidas sobre qual bifurcação pegar.
Cerca de 1 hora desde o acampamento, chegamos em outro paredão, onde a escalada era difícil.
Novamente quem seguir na frente?
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Ninguém tomava a iniciativa e sobrava para mim, já que eu estava sempre em primeiro na caminhada.
Fui subindo por entre as pedras se agarrando na vegetação e levei a corda. Já no topo joguei ela para baixo e fui puxando as outras mochilas.
Depois de uma breve parada para descanso retomamos a caminhada.

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Nesse dia, a caminhada era cada vez mais íngreme e por volta das 11:00 hrs chegamos em um trecho bem aberto e consegui sinal do celular e com isso pude enviar uma mensagem para o Ricardo, para saber como ele estava.
Não demorou muito e ele me ligou dizendo que estava tudo bem e tinha passado no Hospital de Queluz para colocar seu ombro de volta no lugar e depois disso retornou para sua casa em MG.
Quanto ao resgate, que ele tinha sido o responsável, disse que teríamos de acionar o Sr. Edson em Passa Quatro para nos resgatar no Paiolinho.
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Anotei o número do telefone do Edson para chamá-lo quando chegássemos lá no Bairro do Paiolinho, no final da caminhada.
Voltando a subir, por volta das 12:00 hrs chegamos em uma tripla bifurcação e os dois rios que seguiam para esquerda eram parecidos.
Nesse ponto, segundo a carta topográfica minha e do Jorge devíamos seguir o rio do meio, mas existia outro paredão que dificultava a subida.
Nesse ponto tivemos que varar mato novamente para cair novamente no leito do rio alguns metros acima e pelo seu aspecto, essa parecia ser a última bifurcação, já que dali para frente a caminhada era mais fácil.
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E para nossa felicidade, pouco depois das 13:00 hrs chegamos em uma cachoeira que descia por um enorme paredão.
Era a Cachoeira do Rio Claro, cuja nascente ficava um pouco mais acima.
Aqui era o tão almejado Ponto G que o Ricardo tinha anotado no GPS (o meu altímetro marcava por volta de 2350 metros de altitude).

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A alegria só não foi maior porque o obstáculo a ser transposto naquele trecho era o pior de todos os que tínhamos passado.
Pelo paredão da cachoeira era impossível e pela encosta à esquerda, muito inclinada e pouca vegetação para ir subindo.
Só nos restava a encosta da direita onde existia vegetação abundante e podíamos ir subindo agarrando no capim.
A inclinação era de assustar e chegava a uns 70 graus, o que tornava a subida ainda mais perigosa.
A cachoeira por onde escorria a água da nascente do Rio Claro tinha uns 30 metros de altura, mas a encosta por onde íamos subir apresentava ter mais que o dobro disso.

Novamente quem seguir na dianteira? Essa tá muito fácil de responder.
Lá fui eu subindo sozinho com a mochila e a corda, se agarrando na vegetação e em um trecho onde encontrei uma pequena árvore, deixei ali minha mochila.
Dali em diante amarrei a corda na minha cintura e fui subindo por entre o capim elefante, até onde a corda alcançava, cerca de 30 metros acima de onde deixei o Jorge.

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Nem procurava olhar para baixo, pois qualquer movimento brusco poderia cair e fui subindo com o corpo colado na encosta e se agarrando nos tufos de capim elefante, que me cortaram as pontas dos dedos em vários momentos, mas graças a Deus cheguei em um ponto mais seguro da encosta onde pude ancorar a corda para servir de guia para os dois restantes que estavam abaixo.

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Até o trecho mais tranqüilo dessa encosta foram quase 100 metros de subida, segundo meu altímetro.
Desse ponto tínhamos uma bela visão de todo o vale do Rio Claro com Queluz ao fundo e daqui em diante restavam alguns trechos por uma pequena crista que nos levou até a base da Pedra da Mina, aonde chegamos por volta das 16:00 hrs, mas ainda nos restavam o último trecho de + - 40 minutos até o topo.
Seguindo quase em zig zags por entre a vegetação de arbustos fomos subindo até chegar no topo da Pedra da Mina, a quase 2800 metros, que já estava ocupado por algumas pessoas.
Era a terceira vez que chegava aqui no topo, mas dessa vez era diferente.
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Não estava vindo da Toca do Lobo, como aconteceu nas outras vezes. Montamos nossas barracas em pontos protegidos por pedras e depois fomos curtir o visual.
Tinha uma galera da cidade de Limeira/SP que estava fazendo a travessia tradicional da Toca do Lobo até o Pierre e que acampou com a gente no topo.
Depois de acompanhar os últimos raios do Sol, entrei na barraca e fiz um banquete para o meu jantar.
Usei todo o salame e resolvi mudar o cardápio um pouco, acrescentando alguns ingredientes.
Nas três noites anteriores era sempre macarrão com um pouco de carne e já estava cheio disso.
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Saí da barraca por volta das 20:00 hrs para tentar encontrar sinal para celular, mas o frio e o vento forte fez com que eu voltasse rapidinho.
A temperatura marcava próxima de zero grau, mas a sensação térmica era bem menor devido ao vento muito frio e cheguei a registrar a temperatura de quase 4 graus negativos na madrugada.
No interior da barraca tive de deixar por um bom tempo o fogareiro ligado para que a temperatura lá dentro ficasse mais agradável e durante a noite acordei varias vezes por causa do barulho na barraca que era provocado pelo vento.
Essa foi a pior noite de todas, não tanto pelo frio, mas pelo vento que castigou a madrugada toda.

Continua
Editado pela última vez por Augusto em 11 Jun 2013, 23:54, em um total de 1 vez.
#502635 por Augusto
12 Set 2010, 12:40
5º e 6º dia

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Por volta das 05:00 horas acordei para fazer necessidades fisiológicas e pude perceber todas as cidades iluminadas ao redor e sem uma nuvem sequer por toda a região.
Uma coisa magnífica, mas não demorei muito na contemplação e voltei logo para a barraca e peguei novamente no sono.
Pouco depois das 06:00 hrs o Jorge bateu na minha barraca me dizendo que o Sol já estava nascendo.
Peguei rapidamente a câmera fotográfica e saí para clicar os primeiros raios do dia.
Depois de um breve café da manhã, desmontamos a barraca e seguimos para a Trilha do Paiolinho.
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O Fabiano, que acompanhava o pessoal de Limeira na travessia tradicional, não estava aguentando o ritmo da caminhada e resolveu descer com a gente pela trilha.
Ele já tinha um resgate garantido lá na Fazenda Serra Fina e nos fez economizar com o resgate do Edson.
Logo que estávamos saindo, chegaram 2 montanhistas que seguiam para o Sitio do Pierre vindo da Toca do Lobo.
Eles tinham acampado na base da Pedra da Mina em um dos inúmeros descampados e estavam fazendo a travessia tradicional.
Despedidas de praxe e desejo de boa sorte à galera, iniciamos a descida para o Paiolinho pouco antes das 09:00 hrs.
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A descida é feita pelo lado norte da Pedra da Mina, seguindo a crista do lado direito.
Com inúmeros totens, a trilha é bastante demarcada e a descida é bem tranquila porém muito íngreme e em vários trechos tivemos que descer segurando na vegetação para não descer rolando encosta abaixo e por volta da altitude de 2100 metros encontramos um pequeno riacho, do lado direito, onde paramos para descansar e comer alguma coisa.
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A partir daqui a trilha entra na mata fechada e segue assim até a Fazenda Serra Fina.
Ainda passamos por outro pequeno riacho e as 13h20min próximo da altitude de 1700 metros cruzamos com um afluente do Rio Verde, à esquerda, que possuía inúmeros poções.
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Foi um convite para que todos tomassem banho (pouco metros antes de chegar nesse rio existe uma placa bem antiga presa por arame farpado, indicando a Pedra da Mina para a direita e Fazenda Serra Fina para a esquerda).
Cruzando o rio, a trilha vai ficando cada vez mais demarcada e passa por algumas bifurcações que levam a alguns pequenos sítios.
Ainda cruzamos uma pequena cerca de arame farpado e as 14h15min, depois de cruzar a última cerca de arame, chegamos na placa que marca o início da Trilha para a Pedra da Mina (é uma placa pintada em verde mostrando todos os tempos das trilhas e os locais para acampamentos).

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Aqui existem 2 casas, onde assinamos o livro de visitantes, mas como os celulares não obtinham sinal, tivemos que caminhar por mais uns 3 km até o Bairro do Paiolinho, onde o Fabiano pudesse acionar o resgate, que na verdade era o seu próprio carro dirigido por alguém de sua confiança.
Seguimos pela estrada de terra e chegamos em Passa Quatro por volta das 18:00 hrs e nossa intenção era pegar o primeiro ônibus que saía para São Paulo, mas o último já tinha saído cerca de 1 hora antes (as 17:00 hrs).
Existia um ônibus que ia sair por volta das 01:00 hr da madrugada, mas que as passagens eram vendidas diretamente pelo motorista e devido a isso seguimos para a casa da tia do Fabiano em Itanhandu e lá nos fartamos com o jantar delicioso, tipicamente mineiro.

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Dona Carmina e Sr. Hélio nos receberam de braços abertos em sua residência e até ofereceram para que dormíssemos naquela noite lá e só viajássemos no dia seguinte, mas recusamos.
Depois de um belo banho e o jantar, todos foram dormir por algumas horas e as 00:30 hrs o Fabiano nos levou até a Rodoviária para tomar o ônibus para Sampa, mas para nossa surpresa o ônibus já veio lotado, mas o motorista avisou que estava para passar um outro ônibus, mas que ele não parava na Rodoviária.
Tinha que ir até o trevo da Rodovia e esperá-lo lá e não demorou nem 10 minutos e o ônibus veio, mas nem parou ao nosso sinal.

Não era possível que estava lotado e na hora fomos seguindo ele até Passa Quatro, pensando se pararia na Rodoviária de lá, mas em vão também.
Só nos restou mesmo aceitarmos o convite da Dona Carmina para no dia seguinte pegar o primeiro ônibus para Sampa que saía por volta das 09:00 hrs de Itanhandu.
Depois de uma noite de sono maravilhosa, logo pela manhã liguei na Rodoviária e fiquei sabendo que os ônibus das 09h30min e das 12h30min para Sampa pela Viação Cometa já estavam lotados.

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As férias estavam chegando ao fim e todo mundo queria voltar para casa.
A unica opção que tinha era o de pegar o ônibus das 08h30min para Cruzeiro e de lá para Sampa, onde chegamos pouco depois das 14:00 hrs.



Abcs
Editado pela última vez por Augusto em 12 Jun 2013, 00:04, em um total de 1 vez.
#550015 por Augusto
31 Jan 2011, 22:19
Valeu galera.

Pena que querem transformar essa região em um PN e se isso acontecer vem toda a burocracia junto, qto a proibições disso e daquilo.
Em qqer PN eles só permitem o básico e quem quiser sair disso, só às escondidas.

Pelo que eu fiquei sabendo existe também um projeto de transformar esse trecho do Rio Claro em uma RPPN, mas com a criação do PN ela englobaria toda essa parte do Rio Claro, pode ter certeza.
E se criarem o PN, acho difícil a Reserva sair do papel.

Se for p/ melhorar o acesso a esses lugares lindos, sou a favor tanto da criação de um PN qto da Reserva, mas muitas pedras ainda vão rolar até tudo isso terminar.


Abcs


BETO-ABC escreveu:Coisa Fina............parabens!!!!

Lugar maravilhoso e inspirador........quem sabe um dia não me embrenho por lá tb.......rsrs
Show de bola............parabens msm!



lowpower escreveu:Relato sensacional! Parabens!
#558873 por Augusto
25 Fev 2011, 14:08
Blz Raziell.

Essa é uma travessia que eu nunca mais quero repetir sabia. Não nesse sentido. Uma travessia da serra fina no sentido tradicional quem sabe, mas como eu já fiz 2x esse percurso, tão logo não quero retornar lá.
Acho que usei toda a sorte que eu tinha nessa travessia.
Nunca ia imaginar que ela era tão casca grossa.

Vc viu todas as fotos?
Tem cada paredão e trepa pedra por lá que demos muita sorte que só o Ricardo que se machucou.
E veja as fotos em alta resolução. Lá no multiply tem essa opção. Vc vai ver que perrengue que a gente se meteu.

Na verdade, caminhada por leito de rios é sempre arriscado, ainda mais com acesso difícil. Não existe trilha. Nessa travessia era só subir pelo leito do rio até a nascente.
Em vários momentos tivemos que varar mato.

Minhas próximas trilhas serão sempre tranquilas. Chega de dificuldades.
Mas não tenho nada planejado.


Abcs


raziell escreveu:Augusto, você pretende fazer essa trilha de novo? qual seu próximo objetivo?
#560678 por carlos lannes
02 Mar 2011, 16:49
Show de bola sua aventura, já fiz a travessia tradicional três vezes sendo duas pela metade e uma inteira. A 1► abortamos devido ao mau tempo, iniciamos na Toca do Lobo e saimos pelo Paiolinho. A 2º pela falta de tempo iniciamos na sexta feira a noite subimos pelo Paiolinho e terminamos no domingo no Sitio do Pierre, o dia estava lindo perfeito, e, a 3► essa sim foi perfeita, tempo bom , mostrando todo explêndor da Serra da Mantiqueira, Temperatura sempre baixa, mais com 4 dias lindos perfeito!!! Parabéns Serra Fina é bem difícial imagina no leito de um Rio!!!
#561912 por Augusto
07 Mar 2011, 13:47
Na minha opinião, a única desvantagem é que nessa travessia não se tem muito visual durante a caminhada pelo leito do rio.
Como era um vale, pegamos poucas aberturas de visual da região ao redor.

Ainda acho que a travessia tradicional da Toca do Lobo ao Sitio do Pierre é muito melhor.
Caminhar pela crista da serra fina não tem igual no país.


Abcs


carlos lannes escreveu:Show de bola sua aventura, já fiz a travessia tradicional três vezes sendo duas pela metade e uma inteira. A 1► abortamos devido ao mau tempo, iniciamos na Toca do Lobo e saimos pelo Paiolinho. A 2º pela falta de tempo iniciamos na sexta feira a noite subimos pelo Paiolinho e terminamos no domingo no Sitio do Pierre, o dia estava lindo perfeito, e, a 3► essa sim foi perfeita, tempo bom , mostrando todo explêndor da Serra da Mantiqueira, Temperatura sempre baixa, mais com 4 dias lindos perfeito!!! Parabéns Serra Fina é bem difícial imagina no leito de um Rio!!!
#562219 por Jorge Soto
08 Mar 2011, 17:26
Subir ou descer rios nao tem visual algum a nao ser ambos lados do leito do rio. O bicho ta mais no desafio ao se autoimpor subir (ou descer)o mesmo, vencendo os obstaculos q se apresentam adiante, o q pode ser uma incognita conforme forem as condicoes meteorologicas qto a topografia q se aprsenta, pouco documentada ou registrada. Eu ja discordo do meu colega Augusto ja q curti mto mais essa subida de rio a Serra Fina tradicional justamente pelo pioneirismo q a imprevisibilidade impoe, eo nao saber o q esperar a seguir, a diferenca da SF, q so falta ter sinal de transito atualmente de tao batida q ta..Mas ai logicamente e questao de gosto mesmo.
Subir o Rio Claro é desafio pra poucos (ou ninguem mais) agora, ate pq o proprietario da fazenda em q se situa ja nao permite mais acesso a ele. Nao ha mais a autorizacao de antes..

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