Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#885799 por clovisher
06 Out 2013, 02:00
Esta é minha visão/versão sobre a travessia Marins itaguaré, realizada nos dias 27, 28 e 29 de setembro de 2013.


Aqui eu pretendo relatar como foram os preparativos para a travessia que iniciou-se meses antes, o perrengue que eu passei por não ter dormindo no primeiro dia de acampamento, o efeito que uns kilos a mais produz no desempenho, demonstração de respeito e amizade que eu vivênciei, além de dicas e avaliações sobre planejamento e equipamentos. Quem estiver buscando um relato mais técnico recomendo o do Renato: travessia-marins-x-itaguare-t87374.html



A minha travessia começou meses antes, mesmo tranquilo em relação a logística pois o Renato já estava incumbido desta tarefa, havia muito o que ser feito, pois é necessário preparar-se fisicamente, fazer um planejamento básico de segurança, e escolher os equipamentos adequados para levar, afim de evitar peso desnecessário.
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Eu já prático esportes habitualmente mesmo sem ter travessias ou aventuras programadas, quando há travessias ou outras aventuraras dou ênfase a treinamentos em subidas, fortalecimentos da musculatura em torno dos joelhos e treinos de resistência, não menos do que três horas por dia e 4 vezes por semana, exceto na ultima semana antes da travessia que diminuo um pouco o ritmo, com o objetivo de chegar inteiro para empreitada.
Além de disso, uma semana antes também uso creme hidratante nos pés e áreas de atrito para evitar bolhas, pois um dos motivos da formação de bolhas é a pele ressecada.
A alimentação saudável com pouca gordura, no meu caso, é essencial, mas cada um deve inteirar-se de qual a melhor forma de alimentação.

Na hora de montar a mochila há sempre um dilema, pois é difícil conciliar peso x conforto, quanto mais conforto geralmente mais peso, e eu já cheguei numa fase em que um mínimo de conforto é necessário, nem pensar em sair com uma pequena mochila, 1 garrafa de água e 1 pacote de biscoitos, como já cheguei a fazer 10 ou 15 anos atrás e sem preocupação em usar uma roupa adequada ou uma bota, isso ficou no passado e não me pertence mais.
Hoje estou sempre em busca do equipamento mais adequado, com menor peso e boa usabilidade, e sempre conforme a experiência e as possibilidades permitem vou renovando os equipamentos em busca da melhor relação conforto x desempenho.

Outro item que considero importante é um planejamento de segurança e ou imprevistos, mesmo havendo algum amigo planejando e organizando a aventura, na montanha cada um é responsável pela sua própria segurança, então você tem que se preparar e estar ciente do que fará em caso de imprevistos, até mesmo caso fique sozinho na trilha vc tem que saber se virar. (http://www.pegaleve.org.br) Por isso é importante levar seu gps, ou mapa com detalhes da trilha e ter o mínimo de noção e senso de orientação antes de se aventurar em locais mais técnicos. Também é importante ter consciência das regras e ética de conduta e preservação ambiental. Eu fico irado quando vejo gente fazendo fogueira na montanha e acha que está apavorando sentindo-se o verdadeiro bandeirante, por isso conheça as regras e evite problemas.

Organizando a mochila.

Pelo menos uma semana antes começo organizar os itens da mochila, isso é para min além de divertido relaxante. Nessa travessia, como não havia um abrigo de montanha, foi necessário levar barraca, isolante, panelas, etc..
A barraca. É importante uma barraca que tenha boa resistência a chuva e a condensação interna, e que seja leve, algo difícil de conseguir aqui no Brasil. A minha barraca é super resistente a chuvas, gelo, terremoto e furacões, confortável, tudo isso ao custo de 3 kilos, o que me faz ter a certeza que compensa alugar uma barraca resistente quando for para as cordilheiras do que usar essa barraca aqui no Brasil. Minha barraca é a Manaslu discovery mountain intermediária, está na minha lista de equipamentos a serem substituídos, ela será mais útil para alguém que vá com mais frequência a lugares extremamente exigentes. Hoje almejo uma barraca resistente a chuva e com menos de 1,5 quilos.E se alguém estiver pensando em comprar uma barraca igual a minha, recomendo avaliar bem a necessidade de uma barraca destas, principalmente por conta do peso.
Do isolante térmico. Antigamente usava os isolantes de EVA aluminizados, depois passei a utilizar os auto infláveis, é outra história, muito mais confortável e vale a pena o peso adicional, nessa travessia a montanha levou o meu isolante, ele pesava 1,2 kilos, e eu já pretendia substitui-lo por um de outra marca(camp) também auto inflável e que pesa 640 g, essa economia de 640 gramas fará muita diferença.
Nessa travessia fiquei preocupado com os amigos que estavam usando os isolantes de EVA aluminizados, pois na noite de sábado para domingo choveu com bastante trovoada e raios, o raio quando cai no chão a energia pode se espalhar por até 5 km, dependo do local, e o alumínio do EVA pode servir como um convite atrativo para o raio e fritar quem estiver deitado nele, a borracha do isolante pode não ser suficiente para evitar o choque, na maioria dos casos de incidentes com raios as pessoas são atingidas indiretamente, fiquei atento a distancia em que os raios caiam de nós, e felizmente estavam distantes, se estivessem mais perto, teríamos que sair na chuva e descer o vale as pressas. Sem contar que as varetas da minha barraca são de alumínio...
Os raios são perigosos, principalmente na montanha, é importante saber como reagir nesta situação, ainda mais aqui no Brasil, onde ocorre 1 morte a cada 50 com raios no mundo.

O saco de dormir. Tenho dois sacos de dormir na relação 8/80, um deles da náutika, só serve para usar em Cuiabá, sempre passei muito frio com ele, isso porque ele promete cobrir temperatura de 8 graus, mas de fato não suporta 20 graus, tenho outro o deuter orbit -5, esse já é bom para o Alasca, quando eu for para Fairbanks ver o acampamento do Supertramp no ônibus 142, ele será ótimo... Nesta travessia levei o saco de dormir para -5 e tive que usar ele aberto como um cobertor, mas melhor o calor do que o frio...Peso 1,2 kilos. Há um saco de dormir para -5 que pesa 900 Gramas, mas é muito caro e é de plumas de ganso, não gosto nem das plumas e nem do preço, então este é um equipamento que pretendo manter, mesmo achando pesado.

Botas. Uso uma nômade titã já tem um tempo, já tive de outras marcas. Eu já me decepcionei com essa minha bota por ela ter um desempenho baixo em pedras com limo, mas ultimamente conheço mais as limitações dela e estou satisfeito com o desempenho, fui fazendo ajustes nela, mudando a amarração, troquei a palmilha por uma de silicone, e agora ela está bem confortável, o desempenho da bota nesta travessia foi bom, preservou bem meus pés e meu joelho, mas ainda preciso resolver problemas ocorridos pois no ultimo dia da travessia tive calos e machucados no dedão e dedinho dos dois pés, diminuindo ainda mais minha velocidade de cruzeiro.

Meias. Sempre uso duas meias uma grossa e uma liner, isso é recomendado evita bolhas nos pés, eu comprei uma liner há uns dois anos num site dos EUA ela é ótima e tem tecnologia com fios de prata, etc etc etc, que não permite odor nos pés e transporta a transpiração para fora, mesmo usando 3 dias seguidos nada de parmesão no pé. Essa foi a ultima travessia dela pois esta bem desgastada e está perdendo o efeito tecnológico, é um equipamento que recomendo e vou repor por outro igual.

Mochila. É um equipamento importante, tenho duas cargueiras, uma da alto estilo e uma da curtlo, a da alto estilo é mais leve, muito resistente e relativamente confortável a da curtlo é um pouco mais pesada e bem confortável, para este tipo de travessia é importante uma cargueira fechada, pois a montanha não perdoa equipamento do lado de fora. Se você pretende comprar uma mochila de baixo custo e boa qualidade recomendo pesquisar as mochilas alto estilo pois tenho, já testei bastante e recomendo, a da curtlo também recomendo.
Cantil hidratante, tenho um da nautika, na primeira vez que fui usar, ele vazou toda a água, na ultima hora consegui uma garrafa pet de 3 litros que me salvou. Depois disso eu reformei ele, refiz a solda do conector da mangueira na base, e ele já está comigo a quase 2 anos firme forte, é um equipamento não obrigatório mas que vale a pena, se for comprar da nautika teste bem antes de levar para a montanha, já vi gente perder toda a água com ele no meio da montanha.
Bastão de caminhada. Vejo poucas pessoas usando, mas considero essencial, ele alivia o peso e pressão que vai para os joelhos, e como tenho problemas de joelho vale muito a pena.
Das roupas. Com o objetivo de diminuir peso, não levei roupas extra para a travessia, apenas uma segunda pele para dormir a noite e uma jaqueta Anorak. Usei na travessia uma camiseta da curtlo que já tenho ha um tempo, ela tem proteção contra odores e secagem ultra rápida, recomendado, vale super a pena, usei manga comprida para não ter que usar protetor solar, mas manga curta vale mais a pena pois refresca mais, ainda mais com o sol cozinhante que pegamos. ( exceto para caminhar no bambuzal)

O equipamento destaque.

Resolvi eleger um equipamento de destaque em cada aventura, lembrando que um equipamento pode ter um bom desempenho em um lugar e em outro não. O prêmio destaque vai para minha jaqueta Marmot precip, já tenho ela há algum tempo, ela já subiu muita montanha comigo, mas só desta vez tive a oportunidade de usá-la, ela me manteve seco, permitiu a evaporação da transpiração e ainda resistiu ao mato e aos bambuzinhos. Cumpriu bem o que promete.
Confira no final dicas de site de lojas internacionais que já testei e funcionam.

Alimentação. O planejamento da alimentação é algo muito importante para min, sempre levo frutas secas separadas em saquinhos com porções individuais contendo uva passa, noz ou castanha, damasco, para comer de hora em hora.
Também levei alimento pronto, não liofilizado que basta apenas aquecer, da marca alimentação (http://alimentacaopronta.com.br), é bem mais saboroso que o liofoods e não precisa de água, este o motivo da escolha, como não precisa de água é mais pesado que o Liofoods, mas em travessias com restrição de água vale a pena. A única coisa que me chamou a atenção e que havia alguns pelos dentro da embalagem de papelão, gerando dúvida quanto a correta armazenagem das embalagens pela empresa fornecedora, mas a embalagem metalizada com o produto estava intacta.
Suplementos. Esses itens são de extrema importância para min, sempre levo suplementos alimentares de whey protein para utilizar no almoço, já que não é possível fazer uma refeição mais elaborada no almoço, suplemento de carboidratos uso o oxy maze, é um suplemento de carboidrato de baixo índice glicemico, este é para ir tomando durante todo o dia, e também levo o glycofull, que é um repositor hidroeletrolitico e energético para ir tomando também durante todo o dia. Nesta travessia experimentei o suplemento glicodry com a mesma função do glicofull, mas ainda prefiro o glycofull pois considero melhores os resultados em relação a desempenho e energia.

Café da manha : pão sírio, polenguinhos, leite em pó, toddy, e whey protein, no terceiro dia de travessia eu resolvi bater um almoço de arroz com carne moída e batatas no café da manha, ou seja as 7:00, o resultado foi ótimo e penso seriamente em rever o meu plano de café da manha.
Almoço levo sempre para o almoço uma lata de atum, uma batata doce assada, mais um suco de whey protein com oxymaze. No primeiro e no segundo dia acabei pulando esta etapa e o meu organismo respondeu severamente a isso, mas logo a diante falarei sobre.
Jantar. Levo sempre alimentos tipo liofoods, e agora alimentação pronta, são fáceis e rápidos de fazer e relativamente saborosos. Mas depois desta viagem vou rever isso, pois o amigo e chefe Idolo Giusti, nos brindou com ótimas refeições com alimentos frescos na janta e foi realmente surpreendente e uma experiência muito boa.
Lanches, para lanches levo as frutas secas e barrinhas de cereal para comer rapidamente durante a trilha sem perder muito tempo.


Da travessia.

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mapa gps travessia por ⌇∁ႧႽႹ⋉ ⌇✌, no Flickr
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grafico da travessia por ⌇∁ႧႽႹ⋉ ⌇✌, no Flickr

No primeiro dia percorremos uma distância de 6,2 km, com 700 metros de desnível a uma velocidade média de 0,9 km\hora. Com inicio as 10:00 e final as 17:00.
Logo no primeiro dia a travessia já mostra que não é brincadeira e a montanha deixa bem claro sua resplandecência.
Mesmo diante da imponência da montanha, não faltou força e nem coragem da galera para continuar.
Essa turma é do tipo que caminha a luz do luar em trilhas que outros temem falar durante o dia.
Subida difícil e desgastante, no acampamento fomos presenteados com uma janta gourmet ao melhor estilo haute cuisine , preparada com todo esmero pelo amigo e companheiro de trilha chefe Idolo Giusti. Nessa hora me veio a mente aquele bordão de comercial de cartão de crédito que fala de coisas que não tem preço, e jantar de primeira linha na montanha não tem preço.
O dia foi embora e noite caiu, surgiram as estrelas que levaram meus pensamentos que voavam leve como uma pluma ao vento levada pelo ar, que voa leve, mas tem a vida breve, e precisa que haja vento sem parar. (TJ)


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1385217_555410781174914_1115208535_n por ⌇∁ႧႽႹ⋉ ⌇✌, no Flickr
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1381976_661230347222486_1400929700_n por ⌇∁ႧႽႹ⋉ ⌇✌, no Flickr

Segundo dia

Distancia 6,4 km, desnível máximo de subida 217 metros, velocidade 0,6 km/h,
Início 07:53, termino 17:13.
A noite foi longa, e o sono não veio me visitar, no segundo dia da travessia um alto preço eu tive que pagar.
Sem dormir o corpo e os músculos não puderam se recuperar, e não demorou muito para a fadiga me alcançar.
Fadiga, falta de sono é uma coisa que não rima muito com travessia de montanha.

Por volta das 14:00 cheguei na pedra redonda literalmente destruído, parecia que eu carregava dois sacos de areia nos olhos, a mochila parecia pesar 10 vezes mais. Eu estava disposto a acampar por ali mesmo, sozinho, dormir e seguir pela noite ou no dia seguinte bem cedo, cheguei até a pensar em abandonar a cargueira e seguir a travessia de ataque, ainda que eu goste dos meus equipamentos eles não eram a prioridade naquele momento.
O Ídolo e o Micheu me esperavam, O Ídolo assim que eu cheguei logo perguntou, - E aí descansa um pouco aí e em 10 minutos a gente segue? Eu: - preciso de mais. Ele - 20?
Me joguei na sombra de uma pedra, e ali fiquei jogado uns minutos, se estivesse sozinho provavelmente teria dormido por algum tempo, o sono veio ao meu encontro como um amante num leito vazio.
Insisti para que o Micheu e o Ídolo seguissem, mas logo escutei " Tamo junto", e isso foi foda, pesou muito, fez muita diferença foi uma atitude de camaradagem, de companheirismo, de consideração, pois eles tinham pique para seguir e acampar no itaguare com o Renato e o Marco, Eles fizeram o que lhes pareceu certo, e foi, valew!
Nesse momento, logo chegou o grupo do Pedro, ( Pedro, Eduardo, Gustavo e Tailan), eles iniciaram a subida no mesmo dia, desde o acampamento base, e sabendo que eu estava andando lentamente e no perrengue falaram "Tamo junto também" , e ficaram com a gente até o final, isso foi foda, essa galera é gente boa demais!
Atitudes assim não tem preço, não há agradecimento que expresse toda a minha gratidão por todos que ficaram lá.
Embora destruído, eu estava sem um pingo de fome, comi a pedido do Ídolo, e poucos minutos depois comecei a notar a diferença, logo me dei conta que embora desgastado eu não tinha nenhuma dor muscular, e me dei conta que a alimentação praticada por min até aquele momento estava insatisfatória, eu estava andando desde cedo, não havia almoçado só estava tomando suplemento de glicodry, não havia tomando nada de weyprotein e nem de carboidratos. O almoço lanche que eu preparei em seguida com atum, suco de whey protein, glicofull, barras de cereais e frutas secas fizeram toda a diferença, eu tive um up de energia e disposição que foram suficientes para chegar até o local onde acampamos uns dois km a frente.
Depois eu fiquei pensando, eu me preocupo tanto com alimentação e como eu fui me deixar cair nesta situação, que me custou um preço alto no terceiro dia, pois para repor a energia faltante, devido a má alimentação, o organismo acaba consumindo energia da musculatura, e o resultado disto foi um desgaste muscular no terceiro dia, que eu não esperava.
Mas em fim, após a pedra redonda, seguimos por mais dois km, onde levantamos acampamento numa área de camping, o Ídolo novamente nos privilegiou com duas paneladas de um preciso jantar, foi ótimo para recompor as energias e preparar para o sono.
Fomos todos dormir, até que a tempestade chegou por volta das 22:00 mas não tardou muito a ir. Nesta noite tb não consegui dormir direito, mas tive vários momentos de sono que foram importantes para seguir no dia seguinte.

O GPS e a fenda.

Num vale antes de chegar a pedra redonda, há uma região de rochas com várias fendas, como haviam várias bifurcações eu caminhava lindo e bonito com meu gps na mão, até que veio um bambu sem cara e nem coração, e bateu na minha mão que estava o gps, e ele pulou diretamente para dentro de uma profunda fenda, com mais de 2 metros e bem estreita.
Senti um forte aperto no coração, embora eu não seja apegado a meus brinquedos de montanha, o gps é o meu predileto.
Tentei de várias formas alcançar o equipo por cima e não consegui, a raiva tomou conta de min. Parei alguns segundos para pensar, já me conformando que meu cadged, ficaria por ali, foi quando pude observar uma fresta de sol entrando pela lateral da fenda, e logo pensei que se o sol entra aí há outro caminho e eu entrarei ali também. Escalaminhei a rocha para baixo, contornei uma pedra, amarrei um cordelete para apoio, e eis que a frente vejo um buraco e meu gps reluzente olhando para min, olhei para ele fiquei feliz, contente o apanhei, guardei muito bem e voltei para a trilha depois de quase 40 minutos na empreitada. Na próxima pernada de alguma forma vou prendê-lo junto a min, pois esse brinquedo de forma alguma deverá pertencer a montanha.
A lição aqui é que a emoção não é racional, se tivesse agido apenas na emoção, meu gps teria ficado na montanha. Trilhar as montanhas, não é o mesmo que fazer um piquenique.


Terceiro dia.

Distancia 7,8 km, velocidade média 08km/h, início 8:03 termino 14:40.

Acordei por volta das 4:30 com um despertador em alguma das barracas, logo veio uma chuva, e acabei não dormindo mais, aproveitei para ir arrumando minhas coisas e preparando um café da manha ao melhor estilo almoço.

Por volta das 7:00 zarpamos, pegamos alguns trechos com garoa, mas em geral, embora sentindo a musculatura, o dia foi tranquilo, o céu era um lençol cinza coberto de nuvens que pareciam querer transformar-se em chuva, mas não conseguiam reunir forças para isso, e as 14:40 chegamos na saída da trilha, onde logo em seguida o Marco chegou de caminhonete para nos buscar.
Neste trecho, tínhamos pouca água, a nossa sorte foi que o grupo do Pedro nos disponibilizou 2 litros, que foi muito importante.
Durante o caminho, separei meio litro em uma garrafa de gatorede, que coloquei em um compartimento externo da minha mochila, e adivinha o que aconteceu quando eu fui pegar? A garrafa não estava lá, a montanha levou. Mas como eu estava bem hidratado, e o dia estava nublado, não tive problemas até chegar no ponto de água do itaguaré.

Conclusão.

Valeu a pena, um desafio em que o sucesso esta garantido não é desafio algum.
A propósito, se não fosse por um ou dois erros aparentemente insignificantes, eu poderia ter ido muito melhor. Mas ficou a lição de que tenho que continuar e aprimorar meu treinamento diário, não se pode descuidar nestas atividades, o mato e a montanha são lugares que não perdoam.
Todo o grupo foi sempre muito prudente, e isso é importante, pois coragem e força não são nada sem prudência.
E realmente fiquei muito feliz em participar desta travessia organizada pelo Renato, e poder compartilhar isso com todos os presentes, afinal, a "Felicidade só é real quando compartilhada".(Alex supertramp).
Valeu a pena conhecer todos, todos eram super gente boa, e espero em breve ter a companhia desta galera em novas trips.


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1385338_242594145894615_133839681_n (1) por ⌇∁ႧႽႹ⋉ ⌇✌, no Flickr
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"Na vida só há um modo de ser feliz. Viver para os outros."
(Leon Tolstoi)

"A alegria de fazer o bem é a única felicidade verdadeira."
(Leon Tolstoi)

"Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o!"
(Nietzsche)
"Então, eu acho que somos quem somos por várias razões. E talvez nunca conheçamos a maior parte delas. Mas mesmo que não tenhamos o poder de escolher quem vamos ser, ainda podemos escolher aonde iremos a partir daqui. Ainda podemos fazer coisas. E podemos tentar ficar bem com elas."
(As Vantagens de ser Invisível)


Valeu!!!!!



Segue dicas de lojas onde costumo comprar equipamentos de boa qualidade com preços muito mais baixo do que aqui no Brasil as lojas abaixo eu já usei e recomendo. É necessário saber que comprando nessas lojas, sempre há a possibilidade de ocorrer tributação.

http://www.rei.com
scoutgear.com
mountaingear.com
basegear.com
ebay.com

Aqui no Brasil:

kanui.com.br
decathlon.com.br
basebrasil.com.br
altoestilo.com
bivak.com.br
Editado pela última vez por clovisher em 07 Out 2013, 21:51, em um total de 1 vez.

#886102 por Otávio Luiz
07 Out 2013, 11:18
Muito legal seu relato da travessia, parabéns pela conquista!!! Realmente Marins-Itaguaré me parece bem exigente.
O erro de pular as refeições é comum, pois a fadiga nos tira o apetite. Mas é muito importante comer várias vezes ao dia, para repor a energia gasta.
E "tamo junto" é norma na montanha, não existe essa de "te esperamos lá na frente". Nunca se deixa um companheiro pra trás, pois ele pode se perder, cair de cansaço e não conseguir se alimentar, montar barraca, etc... entrou junto, sai junto. ::otemo::
E como você colocou algumas frases no final, me permita adicionar mais uma:
"Ame o próximo como a ti mesmo".
Jesus Cristo.

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