Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#987321 por rafael_santiago
31 Jul 2014, 12:45
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Primeira cachoeira, ainda no alto da serra

As fotos estão em https://picasaweb.google.com/1165318991 ... acuRJJul14.

A travessia São Lourenço-Castália começa no bairro rural de São Lourenço, no município de Nova Friburgo, e desce a Serra do Mar para chegar ao bairro de Castália, distante 4,6km do centro de Cachoeiras de Macacu. É uma trilha de orientação fácil apesar de ser dentro da mata o trecho da serra. Nas duas vezes que a fiz peguei tempo meio fechado, sem visão das montanhas, e muita neblina na serra. Recentemente passaram máquina de terraplanagem em toda a parte do alto da serra e acabaram com a beleza da trilha nesse trecho.

No terminal de integração do centro de Nova Friburgo peguei o ônibus São Lourenço das 8h20 e pedi para o cobrador me avisar no ponto do cemitério de São Lourenço, onde desci às 9h30. Altitude de 1072m. Esse bairro fica 5,5km depois da entrada dos famosos Três Picos de Salinas. Toda essa área é um cinturão de plantio de hortaliças, com extensos "tapetes" verdes de tons os mais variados, dependendo da verdura ou legume cultivado. É uma bonita e diferente paisagem.

Às 9h40 dei início à travessia descendo a estrada de terra à direita. Cruzei a ponte de concreto sobre o Rio São Lourenço e segui para a direita na bifurcação, subindo um pouco até duas bifurcações seguidas, nas quais tomei a esquerda e continuei subindo entre eucaliptos.

Às 10h06 fui para a direita numa bifurcação no meio de um bambuzal, cruzando uma ponte de madeira. Apenas 7 minutos depois atravessei outra ponte de madeira e entrei na rua à direita (na esquina há um bar e um orelhão). Mais 260m e passei pela entrada da Fazenda Vale do Sol. O início da trilha está 20m depois, entre duas cerejeiras que dependendo da época podem estar cobertas de flores cor-de-rosa. Mas uma correção: aqui antigamente era a entrada de uma trilha, hoje é a entrada de uma estradinha lamacenta pois passaram a tal máquina de terraplanagem dali até o descampado dos dois eucaliptos, numa distância de 3,7km, tornando a caminhada feia, tediosa e escorregadia.

A partir das 11h08 passei por três pontos seguidos de água, sendo o último uma interessante bica de pedra. Na bifurcação subi à direita (à esquerda uma fileira de eucaliptos acompanha a descida) e logo a paisagem se abre à esquerda, com visão de uma casa abaixo, mas com as montanhas mais altas encobertas, não me deixando identificá-las.

Às 11h56 cheguei finalmente ao descampado dos dois eucaliptos e a chateação de andar pela estrada enlameada teve fim. Ali encontrei restos de fogueira e bastante lixo espalhado. Recolhi todo o lixo não orgânico e enfiei na mochila para decartar na cidade. Explorei um pouco o local e descobri que a trilha que sai para a esquerda (leste) leva a um riacho de água límpida.

Retomei a caminhada às 12h29 pegando enfim uma trilha, a que sai para a direita (oeste) de quem chega ao descampado. Apenas 90m depois entrei na mata novamente e só sairia dela quase três horas mais tarde, no meio da serra. Logo notei a passagem de motos por ali, para acabar de destruir e erodir o que restou da trilha.

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Às 12h51 atinjo o topo da travessia aos 1351m de altitude e começo a descer muito suavemente. Nesse trecho a vegetação está invadindo o caminho e nesse dia ela estava bastante úmida, o que encharcou a minha roupa com água fria. Vários pontos de água se seguiram, inclusive uma pequena mas graciosa cachoeira, e às 13h30 a declividade se acentuou com a trilha se convertendo num ziguezague serra abaixo. No ziguezague a trilha ficou mais aberta e deixei de me molhar tanto com a vegetação.

Notei também nesse trecho a abertura aleatória de atalhos para encurtar o vai-e-vem da trilha, o que também é bastante prejudicial pois acentua a erosão. O recomendável é não abrir ou usar atalhos em trilhas de forte inclinação. Se há algum visual da baixada ou do horizonte a partir da serra não sei dizer pois a neblina tomava conta de tudo, até escurecendo um pouco o interior da mata. Às 14h20 cheguei à maior cachoeira da serra, na cota dos 946m. Parei para um lanche e fotos e retomei a caminhada às 14h55, cruzando o rio abaixo da queda pelas pedras. Às 15h18 saio da mata diretamente para um enorme bananal na altitude de 786m. Pelo menos ali o tempo estava mais aberto e consegui fotografar a Pedra do Colégio, nos arredores de Cachoeiras de Macacu. Cerca de 100m após sair da mata já encontro a primeira casa, numa distância surpreendente do bairro mais próximo, Castália. Isso é que é gostar de morar isolado!

Mais abaixo cruzo uma tronqueira e 385m depois desemboco numa trilha mais larga, a qual tomo à esquerda. Logo ela também se estreita e sigo sempre descendo pela principal, desprezando pequenos acessos que surgem. Numa bifurcação às 15h50 com forte barulho de cachoeira (altitude de 619m) fui para a esquerda e ultrapassei a tronqueira, mas dá para descer um pouquinho à direita e admirar a bela queda-d'água, meio escondida na curva do Rio Valério.

Desço acompanhando o ruidoso rio à direita, bem abaixo e escondido pela densa mata. Logo me vejo descendo um bananal por um ziguezague e às 16h23 cruzo um afluente do Rio Valério pelas pedras e alcanço o final de uma estrada de terra com marcas de pneu (altitude de 509m). Era o fim da trilha mas não da travessia pois Castália ainda estava um bocado distante, mais exatamente 4,6km (até a rodovia RJ-116). No primeiro quilômetro dessa estrada duas fontes de água pareceram confiáveis, se por acaso a sua acabou. Os bananais continuam e deve haver diversas casas ocultas no meio deles. Um duplo caminho concretado começa ao lado de uma casa, mas termina logo depois na ponte do Rio Valério, ao lado de um (aparente) depósito. Daí em diante passo a ter o Rio Valério do meu lado esquerdo (altitude de 340m).

O calçamento definitivo do bairro só apareceu mesmo às 17h08, feito de paralelepípedos. Observei entre as casas do lado esquerdo uma ou outra saída estreita que leva ao rio, repleto de corredeiras e pequenos poços. Cheguei enfim à rodovia RJ-116 às 17h31, no limite da luz natural, e já caía a noite quando veio a kombi de Boca do Mato para Cachoeiras de Macacu. Altitude de 129m.

Distância percorrida: 17,7km

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Pedra do Colégio, nos arredores de Cachoeiras de Macacu

Informações adicionais:

Há duas formas de chegar ao bairro Campestre para quem sai do Rio de Janeiro:
1. ônibus até a rodoviária sul de Nova Friburgo, outro da rodoviária sul até o terminal de integração do centro e finalmente a linha para São Lourenço. Distância Rio-Nova Friburgo: 140km
2. ônibus até Teresópolis, ônibus ou van até o Ceasa do bairro Conquista e a linha para São Lourenço que sai do terminal de integração de Nova Friburgo. Distância Rio-Teresópolis: 100km

A segunda logística é bem mais rápida e curta mas é preciso ficar atento aos horários dos ônibus e vans para combiná-los da melhor forma.

Horários do ônibus Nova Friburgo-São Lourenço que sai do terminal de integração do centro (Praça Getúlio Vargas) e passa pelo bairro Campestre (fone 22-2533-9941):
seg a sex - 5h20, 6h10, 7h20, 8h15, 9h35, 10h35, 11h30, 12h35, 13h35, 14h25, 15h35, 16h35, 17h40, 18h40, 19h35, 20h35, 22h21
sáb e dom - 5h20, 6h20, 7h30, 8h30, 10h30, 11h30, 12h30, 14h25, 15h, 16h30, 18h, 20h, 22h40

No trevo de Castália na RJ-116 passam kombis para Cachoeiras de Macacu a cada 15 minutos diariamente, inclusive aos domingos. O ônibus passa de hora em hora.

Desníveis da travessia:
. de 1072m a 1351m - diferença de 279m
. de 1351m a 129m - diferença de 1222m

Carta topográfica de Nova Friburgo: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualiza ... B-II-4.jpg

Rafael Santiago
julho/2014
http://trekkingnamontanha.blogspot.com.br

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Percurso da travessia na imagem do Google Earth

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Percurso da travessia na carta topográfica


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