Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#503387 por Cris*Negrabela
14 Set 2010, 02:26
Travessia da Serra do Lopo em Extrema, da Fazenda Agua Branca ao Mirante da Caixa D'àgua.
Fotos: http://picasaweb.google.com.br/negrabel ... directlink

“Há muito a ser dito a respeito, para que as meninas também possam se soltar na trilha, sentir o vento no rosto, beber das mesmas fontes selvagens, e descobrir sua própria força – ao invés de ir apenas a reboque dos rapazes e compartilhar apenas das visões masculinas e da maneira masculina de praticar um esporte e de se envolver em aventuras. Infelizmente, não sou o cara certo para falar do assunto,. O ideal é que vocês, garotas, ouvissem algo da boca de outras mulheres. Pois existem outras diferenças entre homens e mulheres, do que apenas estatura, força e desempenho.
(..)
Pois as mulheres também precisam descobrir suas próprias razões para sair a se aventurar por ai – e que podem não ser as mesmas dos rapazes. Mas em primeiro lugar, elas também precisam tomar a iniciativa de sair a trilhar o mundo. Aventura não é privilégio dos rapazes.”
- trecho do capítulo I do livro Convite a Aventura , do Sergio Beck.


Faz pouco mais de um ano que eu havia lido esse trecho do livro pela primeira vez, e sempre sentia o mesmo comichão ao relê-lo. Daí que depois de um fim de semana de feriado, que eu não pude aproveitar, estava me coçando pra bater perna por ai. Lançado o convite entre os “Sem Limites” e entre o novato grupo dos “Aspiras SL”, pra fazer alguma coisa, enfiei na cabeça que neste ultimo final de semana eu iria para a Serra do Lopo, em Extrema. Mesmo que fosse sozinha, já que o acesso de ônibus era fácil , um pedaço da trilha eu conhecia e tinha bons relatos sobre os outros trechos.

Os Sem Limites já tinham outros planos ou compromissos. Mas foi dos Aspiras que vieram as confirmações, a adesão da Carol veio de imediato. E a Diana ainda ficou resistindo um tempinho a tentação antes de dizer que também “tava dentro”.

Foi engraçado comentar com as pessoas que conhecemos que estávamos indo sozinhas para a Serra do Lopo. Entre reações de “Mas , como assim, vão só vocês?!” e a da Diana perguntando se devia “levar uma facão, por segurança”, vieram também o “Vão na fé que eu confio no potencial dessa mulhegada!”. Incentivadas e destemidas, corre pra cá, corre pra lá, arruma mochila, dá uma estudada nos relatos, define o roteiro, pensa na comida ... de ultima hora, surgiu o Lee e sua esposa (desculpe Lee, mas não consigo lembrar o nome dela nem por decreto! rs) a fim de nos acompanhar. Eu tinha um roteiro tirado do “Guia de Trilhas” do Guilherme Cavallari com a trilha começando da Fazenda Água Santa, mas estava meio incerta em seguir por ele, já que teríamos ai alguns km de estrada de terra a enfrentar. O Lee ia de carro e já conhecia essa trilha da Água Santa, o que nos garantiria aumentar um pouco mais o roteiro inicial, que era subir a serra pela trilha do Mirante da Caixa D’água e voltar por ela mesmo.

Marcamos de encontrar o Lee e sua esposa as 07h00 na estação Tatuapé do Metrô, mas o trólebus sabotou a Diana, que só conseguiu chegar ao ponto de encontro pouco mais de 08h30. Para a total surpresa do Lee, uma falha de comunicação acabou fazendo com que ele pensasse que estávamos indo apenas para um bate e volta, então lá estavam eles com mochilas de ataque enquanto nós levávamos nossas cargueiras. Saímos pela Fernão Dias rumo a Extrema, saindo da rodovia no posto Fronteira, que fica poucos quilômetros após a divisa SP-MG..


Da Faz. Água Santa até a Pedra do Cume

A estrada começa a direita logo atrás do Posto , continua seguindo em estrada de terra a esquerda e entra a direita na porteira de arame , seguindo a estradinha particular até a porteira da fazenda Água Santa. O carro foi deixado na própria Fazenda, constituída de duas casas. O pessoal da fazenda não faz uma cobrança “fixa” pelo estacionamento, mas por educação e gentileza o Lee contribuiu com R$ 10,00 pelo estacionamento – afinal de contas, a outra opção é deixar o carro no posto de gasolina e encarar 3km de estrada de terra. E mega cavalheiro, tambem não nos permitiu rachar o combustivel, afirmando que o trajeto era curto demais para isso.

Eram 10h10 quando botamos o pé na trilha, que começa seguindo a esquerda da segunda casa, passando por debaixo da cerca de arame. Logo a direita ela bifurca, cruzando um riacho, que por conta da estiagem, estava completamente seco – por garantia, quem estava sem água abasteceu na própria fazenda.

A trilha segue subindo pelo pasto, seguindo a cerca de arame. Subida chata, totalmente exposta ao sol, que estava nos fritando. Subida forte, somada ao calor e a cargueira supercarregada (ainda não aprendi a ser leve como uma pluma) foram me deixando no passo “muito lerdo”. Foi a vez da Carol se “vingar” e começar a me zuar com a historia do “vamos lá, falta só mais um pouquinho” kkk.

Cerca de meia hora de subida e a trilha entra na mata, se afastando da cerca numa bifurcação a esquerda, e bordejando a encosta. Dá pra ouvir um riacho correndo lá embaixo, e ele acompanha quase todo o trajeto até a metade. Cerca de uma hora de subida e encontramos uma bifurcação a direita, que leva a uma cachoeira desse mesmo riacho. Como já havíamos saído tarde, estávamos subindo lentamente e preocupadas em atrasar o Lee e sua esposa, que voltariam no mesmo dia, nem descemos até a cachu para conferir.

A trilha continua subindo forte, sempre bem marcada, após a cachoeira até encontrar uma bifurcação a esquerda e sair numa mirante de Pedra. Da laje, é só seguir pela trilha mais larga, a direita, e continuar subindo até cruzar um riacho. Este é o ultimo ponto de água subindo por esta trilha, então abastecemos todas as garrafas e aproveitamos para fazer um lanchinho. A trilha continua a subir a partir do riacho, bifurcando a esquerda numa grande pedra – nesse ponto parece que não tem trilha a esquerda, mas ela está ali, bordejando a encosta, basta alcançar a pedra que já da pra ver a saída. Desse ponto a trilha já dá uma manerada, continua a subir com pequena inclinação até alcançar a ultima bifurcação no alto da serra. A esquerda, a trilha segue a Pedra das Flores. Para a direita, leva a Pedra do Cume. Era 13h35 quando chegamos nesse ponto, vencendo cerca de 700m de desnivel desde a fazenda (que pode ser feito em muito menos tempo; como disse, subimos devagar mesmo, a ponto de conseguir bater papo na subida, o que pra mim é uma imeeensa novidade, já que em geral ou eu respiro e ando, ou falo rs...).

Escondemos as cargueiras na mata e tocamos para o Cume. A trilha segue subindo por cerca de 10 minutos até uma grande pedra, onde há o marco de divisa SP-MG. Nesse local a esposa do Lee ficou descansando, na sombra da pedra, enquanto nós tomamos a primeira trilha que sai a direita pra seguir para o cume. Anda-se cerca de 5 minutos e já saímos na rampa de pedra que marca o começo da escalaminhada, são mais uns 10 minutos de trepa-pedra. Chegamos a pedra do Cume com a Di e a Carol com as pernas meio bambeando de medinho de altura, onde tiramos várias fotos e ficamos por alguns instantes. O Lee informou que já estava na hora de voltar, então descemos até encontrar sua esposa e os acompanhamos ate a bifurcação onde estavam nossas mochilas.

As 15h15, nos despedimos do casal, deixando um Lee preocupado em deixar aquelas três malucas sozinhas ali em cima. Depois de diversas recomendações eles desceram de volta a Fazenda, enquanto nós decidimos que íamos botar pra quebrar de vez e acampar lá em cima no cume. Não sem antes deixar as mochilas por ali e dar uma voltinha até a Pedra das Flores. Então toca a percorrer a trilha em frente, ignorando as bifurcações a direita. Cerca de 10 minutos de caminhada, a trilha começa a subir e sai num lajão de pedra inclinada, onde tem um algumas pixações, inclusive um pequeno marco (que parece ter sido feito em cimento) de alguém que esteve lá em 1986. Subindo mais um pouco, ela encontra uma rocha, que já é o começo do enorme platô que forma a Pedra das Flores. Dá pra subir pela rocha ou continuar seguindo pela trilha a esquerda. Tiramos algumas fotos, me diverti com as meninas espantadas ao verem de lá a pedra do Cume sem acreditar que haviam subido tudo aquilo.

Voltamos, tomando agora a segunda bifurcação a esquerda (das que tinham sido ignoradas na ida). Segundo informações, aquela era a trilha que “dizem” descer para Joanopolis, e que seguindo ela por cerca de 15 minutos, encontraríamos uma bica d”água. Como havíamos ido até a Pedra das Flores com apenas um squeeze, um pouquinho de água gelada iria muito bem.

Seguimos a trilha, que vai subindo até a encosta do morro e de lá, bifurca. Tomamos a direita, descendo até um pequeno bambuzal, onde uma nova bifurcação se apresentou. Marcando bem o caminho por onde viemos, tomamos a esquerda, continuando a descer a serra, até encontrarmos a bica, que era apenas um fiapinho de água, porém nos deu animo para retornar até o ponto onde estavam as cargueiras e enfrentar aquele trepa-pedra com mochila e tudo.

Trabalhosa, cansativa mas extremamente divertida foi a experiência de subir por ali com as cargueiras, coisa que era completamente nova para a Diana e nem tanto para mim e a Carol... mas as 16h40 alcançávamos a Pedra do Cume e começamos a armar acampamento. O único espaço para barracas fica pouco antes do cume, é pequeno, estreito, plano e protegido do vento por uma gigantesca pedra na encosta Cabem duas barracas confortavelmente, três já ficariam apertadas e expostas demais. Subimos então ao cume para apreciar o espetáculo do pôr-do-sol. Carol e Di, que subiram ali pela primeira vez com a perna bambeando do medinho de altura agora pareciam outras pessoas, confiantes e seguras onde pisavam. A Di até disse que seria capaz de dar cambalhotas ali em cima hehehe Para comemorar tamanha valentia, saboreamos o espetáculo de poder comer Club Social com nutella no cume de uma montanha ao por-do sol hahaha

Foi só o sol se esconder que a ventania tomou conta do lugar de vez. Mas o céu estava limpíssimo e coalhado de estrelas, com as luzes das cidades do entorno e a lua dando um espetáculo no céu. Ainda bem que havia a proteção da pedra, sem ela seria difícil preparar nossa refeição e extremamente arriscado acampar, pois facilmente o vento poderia levar a barraca ali em cima. Petiscamos um pouco de salame regado a um limão galego que colhemos no inicio da trilha da Água Santa , enquanto tagarelávamos...sobre trilhas, equipamentos, sonhos, objetivos e diversas outras coisas voltada ao tema. Essas meninas me enchem de orgulho de tão aplicadas kkk

Preparamos nosso jantar, uma deliciosa mistureba de Biffun, molho de tomate e frango desfiado com azeitonas, acompanhado de um vinho pra ajudar a embalar no sono. Papeamos mais um pouco e as 22h nos recolhemos para tentar dormir. Tentar, porque a ventania chacoalhava tanto as barracas que dificultou o sono. Além disso, a Carol novamente sofria com frio, porque tinha esquecido seu isolante térmico.


Da Pedra do Cume ao Mirante da Caixa D’água.

Acordamos as 05h50 para ver o sol nascer. A vantagem de acampar ali em cima é que não precisamos nos deslocar pra isso, a dois metros do acampamento subimos em uma pedra pra acompanhar o espetáculo do Astro Rei – que salvo engano meu, nasce atrás da silhueta do Pico do Selado, em Monte Verde.

O sol acabou de nascer, mas ainda estávamos muito sonadas devido a noite mal dormida. Uma olhou pra outra e sem falar muito, voltou todo mundo pras barracas tirar mais uma sonequinha – afinal , pressa pra quê? Apreciamos a grande vantagem de podermos nós mesmas decidir o nosso ritmo e nos entregamos a uma deliciosa soneca, com o sol aquecendo nossas barracas aos poucos. As 08h30 recebi um telefonema da Vivi querendo saber como iam as coisas. “Meeeu, que barato que voces estão ai em cima! Falei que botava fé nessa mulherada!!!”

A sonequinha extra tava tão boa que só tivemos coragem de levantar lá pelas 09h30 pra preparar um café da manha de rei (ou melhor, de Rainhas!) com panquecas recheadas com queijo e presunto e mais panquecas com nutella, acompanhadas de capuccino. Desarmamos acampamento, mais algumas fotos, demos risada com a Di constatando que a trilha do Lopo tinha vitimado seu tênis (como fez com o meu e o do Eros no ano passado) e afirmando que a orelha era um excelente local para pendurar a cordinha da câmera hehehe. Lá pelas 11h15, mochila nas costas e lá fomos nós descer rumo a Pedra das Flores e de lá, até as Pousada Ceu da Mantiqueira, onde termina o primeiro trecho da trilha.

Marcamos bobeira de não voltar até a biquinha encontrada no dia anterior para pegar mais água. A que tínhamos era pouca, e chutamos que encontraríamos água um pouquinho que fosse de água no riachinho que cruza a trilha. Ledo engano, o riachinho estava praticamente seco, só achamos algumas pocinhas. Como sabíamos que encontraríamos água mais para a frente, fomos racionando o pouco que tínhamos, mas ao chegar a Pedra das Cabras já estávamos com muito mais sede que aqueles golinhos pudessem resolver. Seguimos num passo maaais que tranqüilo, sem pressa alguma e tagarelando sobre a vida. Também, juntar a Carol - que fala pelos cotovelos – comigo, que falo mais que a “nega do leite” dá nisso. Acho que a Di disparou a falar também pra poder dar trégua a seus ouvidos rs

Entre a Pedra do Cume e a Pedra das Flores já varias clareiras comportando várias barracas. Alias, saindo da Pedra das Flores há duas clareiras imensas. Subimos na Pedra das Cabras para mais algumas fotos, encontramos uma galerinha de Taubaté ali, fazendo a trilha no bate e volta – e novamente surpresos por encontrar três meninas de cargueira fazendo trilha sozinhas.

Chegamos ao fim da trilha, saindo ao lado da Pousada as 13h30. Eu estava me sentindo acabada por conta do calor e da sede, fiquei por ali mesmo enquanto as meninas desceram a estradinha que leva a pousada pra pedir um pouco de água , e encontraram uma senhora muito simpática numa casinha no meio do caminho. Bateram papo, aproveitando pra se maravilhar com diversos beija-flores soltos pela propriedade, dos quais a proprietária cuidava, enquanto eu descansava junto ao portão. Quando voltaram, aproveitamos pra matar a sede duma vez e descansar mais um pouquinho, além de uma seqüência de fotos brincando com a sombra no formato do logo da Curtlo, atendendo a divertida idéia da Di.

Subimos a estrada até as torres de telecomunicações, onde fica o estacionamento pra quem vem fazer a trilha até o Cume a partir dali. Pelos relatos do Augusto e do Rodrigo Schemes que eu tinha em mãos, achava que a Trilha do Pinheirinho, que levava até a Pedra da Sacerdotisa saia dali. Pfff, que burra, dá zero pra ela! Nos informamos com um local, descendo a estrada de moto e descobrimos que ainda nos aguardava quase uma hora de descida pela estrada até chegar a ooooutra torre, que é a “Torre da Embratel “ oficial. É necessário descer até um ponto onde a estrada bifurca em três e há uma enorme placa indicando as trilhas e a torre. A direita, a estrada segue até Extrema; para esquerda, leva a Joanopolis, e subindo pela estrada a frente, vai para a torre. E lá fomos nós subindo pela estradinha até a torre. A trilha do Pinheirinho começa a direita da cerca e há uma placa indicando seu começo. Eram 15h45.

Não tem muito erro dali pra frente, são poucas bifurcações e não tem muito o que errar, só se manter na trilha mais batida. Pedi para a Diana controlar mais ou menos meia hora a partir daquele ponto, pois deveríamos passar por um pequeno riacho, segundo o relato. A trilha segue plana por cerca de 15 minutos e depois começa a descer suavemente. Há uma única bifurcação a direita, junto a uma árvore, que ignoramos, seguindo a trilha mais batida. Aproveitando o relevo tranqüilo, aceleramos o passo, passando por uma bica completamente seca. Carol ia na frente praticamente “saltitando” de tão contente consigo mesma , pelo desempenho da pernada – sensação que eu conheço bem, quando nos preocupamos tanto em “se vamos agüentar o tranco” e na hora constatamos que damos conta do recado tranquilamente. Cerca de vinte minutos depois dessa bifurcação, a trilha passa por uma laje de pedra e termina numa perpendicular com outra. Na nova trilha, cerca de uns três metros a direita, estava o riachinho que ouvíamos correr pelo caminho. Paramos pra tomar mais um gole de água fresca – mesmo ainda tendo bastante água na mochila - e as meninas aproveitaram pra refrescar os pés um instante.

Nosso caminho continuava na esquerda, na direção contrária ao riachinho, descendo pelo platô de pedra. Ali nos confundimos um pouco, mas foi fácil achar a continuação da trilha, que é bem batida e não tem como errar. Nem cinco minutos depois, chegamos a uma enorme pedra de formato estranho e logo ao seu lado, um pouco mais abaixo, um pequeno mirante, que pela descrição, era a Pedra da Sacerdotisa. Pausa para mais fotos e toca a descer o último trecho, que nos levaria ao fim da nossa jornada.

E quando eu falo em descida, falo em descida pra valer – é uma piramba de respeito. O terreno é todo arenoso e cheio de folhas secas, o que obviamente iniciou uma engraçada seqüência de tombos : um meu , um da Carol, que insistiu que não caiu, já que a bunda não tocou no chão – salva pelo fundo da cargueira, né? rs. Quando eu e a Carol começamos a brincar que faltava a Di pra completar o “Tombo três”... cataploft!

“A pedidos do público”, o "Tombo Três" foi imediato: eu consegui me esborrachar no chão de uma forma pra lá de hilária, caindo meio deitada, meio de lado, com a perna pra cima, pra completa alegria das meninas que riam disso por vários minutos (não sei se “ainda bem” ou “que pena” que não deu pra elas tirarem foto disso...). Vai , fica torcendo pela desgraça alheia e dá nisso kkkk

A trilha continua descendo até encontrar de novo um riacho despencando numa pequena cachoeirinha entre enormes pedras. Em cima de uma delas, cresceu uma arvore com a formação de raízes mais louca que eu já vi na vida. Fiquei me perguntando se era aquele o famoso “Bicão”. Se era, não tinha mais o tal do “cano caindo de quase dois metros de altura” citado nos relatos.

Continuamos a descida forte até encontrar outro ponto de água do mesmo riacho. Lá tinha um jovem casal e um mulequinho fazendo a maior algazarra na bica De novo, cara de espanto – mas dessa vez por saberem desde onde estávamos andando.

Toca a descer mais um pouco até sair na área de pasto, e a Carol, que ia na frente, empacou ao avistar a primeira vaca – que nem na trilha estava. A trilha continua a descer pelo pasto, atravessando um pequeno brejo. O local tinha algumas vacas e bezerros pastando tranquilamente em volta da trilha, mas foi o suficiente para Carol e Diana entrarem no “momento bundão”, com medo das vacas. Como eu também já tomei muita corrida de vaca quando era menor, dei uma espiada se tinha algum bezerrinho pequeno (o que pode realmente deixar a vaca-mae nervosa e protetora) ou algum touro que pudesse causar problemas de verdade. Não tinha, mesmo assim continuavam as duas empacadas com medo de passar por ali. Eu passei na frente e disse “Passem logo, sem enrolar, elas não estão na trilha”. Quando passei por dois bezerros mais próximos da trilha , eles deram uma corrida pro lado. Aí danou-se : olhei pra trás e as duas continuavam paradas no mesmo lugar, com mais medo ainda e afirmando que a vaca (que não estava nem aí) estava trotando e dando coices. Os únicos assustadiços eram os bezerros , que se sentiram meio cercados, já que eu passei crente que as duas estavam me seguindo de perto, enquanto elas continuaram paradas mais a cima. Foi preciso alguns minutos pros dois sacos de batata se convencerem que as vacas eram inofensivas e voltarem a serem as “mulheres destemidas” que me acompanharam até ali e passarem pelas vacas. Tsc tsc tsc... rs

A trilha vai contornando o ultimo morro e um curral, tendendo pra esquerda, até encontrar a cerca que marca seu final . Do outro lado da cerca, estava o Mirante da Caixa D”água, para nossa completa alegria, pois a caminhada desde o cume, por mais que o relevo ajude, foi bastante longa e cansativa. As 17h25 alcançávamos nosso objetivo, mas ainda não era o fim da trip, já que havia ainda uma longa descida pelas ruas de Extrema até a Rodoviária, onde chegamos as 17h50.

Compramos as passagens de volta pra Sampa no ônibus das 18:50, o que nos permitiu trocar de roupa, trocar as botas pelos chinelos (com a preocupação extrema da Diana em manter-se totalmente Lady e afirmar que só iria de chinelo até o metro e de jeito nenhum iria de chinelos no metrô rs), comemorar o sucesso da trip devorando alguns salgados com coca-cola gelada e sair correndo da lanchonete pra embarcar no ônibus – a ponto da Carol esquecer o pote de doce de leite que comprou pra trás e ser salva pelo tio da lanchonete, que foi atrás da bela dentro do ônibus (se fosse um muleque, DUVIDO que o cara teria feito isso kkk).

Continuamos fofocando dentro do ônibus já pensando na próxima trip, até o cansaço falar mais alto e embalarmos no soninho, dando trégua ao resto do busão, que já devia estar de saco cheio do nosso falatório interminável rs.

As 20h30 desembarcávamos na rodoviária, e a Diana, em sua preocupação com a auto-imagem acabou de comprovar que o chinelo era o menor de seus problemas naquele momento – o pé dela estava completamente sujo de poeira preta, muito provavelmente, adquirida no apoio para os pés do ônibus. Como ela mesmo diz, “já que ta no inferno, abrace a Cris”: baixou a "Fiona", largou mão de frescura e ergueu a cabeça e foi embora de chinelo mesmo kkk

O que dizer de mais essa trip? Que alguns agradecimentos sao obrigatórios!

Lee: muito obrigada, pela carona, paciência e ainda mais pela preocupação em deixar nos três sozinhas lá em cima. Mas viu? Demos conta do recado facim, facim ! rs

Vivi , que nos deu a maior força e ao Fábio, que vive me enchendo o saco para que eu pare de duvidar do meu valor e me supere sempre. Agradeço até ao Rafael (Veterinario) que foi o primeiro a esboçar o "Vão só voces?!!!", me dando ainda mais incentivo pra ir hehehe.

Agradeço também aos relatos do Schemes e do Augusto , postados aqui, que nos ajudaram a bolar essa trip e nos orientar na descida.

Carol e Diss... o que seria de mim sem vocês? Sempre tive ótimas companhias em pernadas, mas pela primeira vez tive a oportunidade de curtir uma trilha, sem me preocupar com o ritmo alheio, pois esse era o ritmo geral. E tudo isso, regado a muita palhaçada do tipo que só meninas são capazes de curtir. Sempre curti e me envolvi em ver relatos, estudar a topografia do entorno, prestar atenção no caminho... mas dessa vez não tinha um “macho alfa” pra dar a ultima palavra. Não menosprezando a cia dos rapazes, afinal minhas melhores lembranças de trilha foram na companhia do Fábio, Well , Bruno, Lee e demais SLs e agregados. Mas isso, é realmente uma visão toda nova sobre trilhar, que acho que todo mundo deveria experimentar um dia. Principalmente, como bem disse o Sergio Beck, as mulheres.

E mais uma vez, os Aspiras SL confirmam que "Missão dada é missão cumprida!". Que orgulho dessas meninas!

Eu conheci, algumas pessoalmente, outras só por relatos ou grupos de emails, mulheres que enfrentaram trilhas, travessias e escaladas pelo mundo, com coragem, força e valentia de deixar muito macho no chinelo. Mas sei que elas são poucas nesse universo em que quase tudo nos diz que “isso é coisa de menino”. Todas elas me serviram sempre como uma inspiração pra mostrar que isso não é verdade, que há muita aventura por ai a nossa espera. Problemas com segurança existem, é fato. Mas não devemos levar isso como uma desculpa, já que há tantos lugares por ai que nos permitem nos aventurar por conta própria assim como há praias e cidades por ai em que corremos risco maior.

Resumido: Meninas, aventurem-se! Vocês não sabem o que estão perdendo !

#503404 por diss.89
14 Set 2010, 08:23
kkkkkkkkkkkkkkkk ...
q bobaa ... hsuahusahu dei risadaaa lembrandoo do tombo .... das vacas ...do pé preto dentro do metrô e os olhares enojados por conta disso ...
bom meninas ...também SÓ tenho que agradece-las pela cia, dicas, ideias e risadas que somadas a beleza daquele lugar resultam num fds pra lá de gostoso ...

cris ... o relato ficou mto bom e bastante esclarecedor pros proximos que se aventurarem para aquelas bandas !!!

"Viva o desconhecido.... o medo e a vertigem, a satisfação e a euforia de viver lugares e pessoas improváveis....surreais"


beijo pra todos!!!
#503529 por Sandro
14 Set 2010, 13:19
Cris o que é uma trilha numa montanha diante de uma jornada de nove meses de gestação e um parto?
Para criaturas que são capazes de trazerem ao mundo outra vida não existe impossível.
O que mais limita as conquistas das mulheres não é a concepção machista de capacidades enraizada na educação de vocês, mas a insegurança e falta de visão das suas potencialidades.

Parabéns pelo relato. E parabéns às três pela conquista pessoal, pelo aprendizado, pela lição e exemplo.
#503572 por Vivi Mar
14 Set 2010, 14:36
Meninas, me desculpem o palavrão, mas "c a r a l ...%&*)¨%#*&*&¨$%" !!!!!!!!
kkkkkkkkkkkk
Meuuuuu, que relato fantástico gentem !!!!!!
Poutz, era disso que eu tava falando...eu disse que vcs eram capazes...kkkk
Cris, Parabens pelo relato, está f-a-n-t-a-s-t-i-c-o. Dis e Carol, fico mega feliz que tenham embalado nas trilhas, vida é movimento !!! Enfim, ao trio (Di, Carol e Nêga) parabéns pela trip, cheia de histórias, fotos e muuuuita energia positiva !!!
PS: Só quero saber o seguinte: Quem ganhou o prêmio Amy?!...kkkkkk
Só não pude pernar com vcs neste fds devido alguns compromissos durante o dia de sábado, caso contrário eu seria mais uma do sexo feminino para somar ao grupo SL e ASL...kkkk

Cris, kkk, pode crer, num certo momento indo para uma trilha no domingo fiquei pensando em vcs, e peguei o fone e telefonei para ver se estava tudo ok, kkkk, mas logo o sinal pifou e não consegui mais ligar...kkkk

Bom, mas é isso ai...eu que tenho a agradecer :) Agora tenho mais 3 cias femininas nos próximos rolês :)
hehehehehe

Grande beijooooo
Vivi
#503577 por Cris*Negrabela
14 Set 2010, 14:47
Dessa vez nao rolou vibe pro Premio Amy , Vivi... só tinha dois litros de vinho... e tenho que vergonhosamente admitir que bebemoramos o final da trip com COCA-COLA kkkk
(se bem que as palhaçadas sobrias estavam muito mais engraçadas que qualquer outra coisa que pudesse rolar rs )
#503611 por Vivi Mar
14 Set 2010, 16:33
tsss, comemorar com coca-cola definitivamente não combina com vc...kkk, e nem com a sua concorrente de peso q foi na trip...kkkk
Brincadeiras a parte, com certeza uma trip em tão boa cia merece uma bebemoração, rs, mesmo que de coca-cola...kkkk
#503928 por Fábio Borges
15 Set 2010, 10:20
Crisssssssss... meus parabéns pela trip e para as meninas tb.

Obrigado pelos agradecimentos.

Espero que continue com essa motivação e que consiga, finalmente, adquirir um melhor condicionamento físico para realizar trips mais pesadas. Lembre-se o nosso maior inimigo é nossa insegurança, más antes de saber se somos capaz ou não realizar uma atividade, precisamos tentar, tentar e tentar.

Aproveite esse momente de euforia e vá para academia.

ps: iria dar pontos positivos para vc, más como vc comemorou com coca-cola, ficará sem kkkkkkk
#650860 por Cris*Negrabela
09 Nov 2011, 13:35
Não faço ideia... mas... pesquise se tem alguma linha de Jundiai para Bragança Paulista. De lá tem onibus pra Extrema pela Viação Cambui.

Se usar o caminho que nos usamos pra descer, é so se informar da Trilha do Pinheirinho, ou trilha da Torre da Embratel, ela começa junto da caixa d'água da Cidade e termina na estrada que dá acesso a rampa de asa delta. Se voce ja tem a rota da subida, com essas referencias acredito que se localiza sem problemas.
#650878 por Cris*Negrabela
09 Nov 2011, 14:21
A estrada que leva até a rampa de asa delta e o inicio da trilha ate o cume pode ser feita de bike, mas as trilhas do Pinheirinho (da Caixa Dagua até o meio da estrada), a trilha do cume e a trilha da Agua Santa (da Fazenda ate a Pedra das Flores) nao tem como ir de bike nao.

Nas redondezas de Joanopolis tem pedais interessantes... vou perguntar ´pros amigos de duas rodas...

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