Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#396417 por Jorge Soto
24 Ago 2009, 17:12
pics da Milena Rabello, Barbara Pereira e Eddy Aquino
http://jorgebeer.multiply.com/photos/album/6


RIO SERTÃOZINHO: RUMO À CACHU DA PEDRA FURADA
A Serra do Mar q circunda os arredores de Mogi das Cruzes (SP) realmente esta cheia de belas surpresas. O Rio Sertãozinho, por exemplo, nasce em Biritiba-Mirim, desce a serra formando varias quedas até desaguar no Rio Guacá, q por sua vez é + um tributário do majestuoso Rio Itapanhaú. Contudo, antes de singrar td este trajeto, o Rio Sertaozinho oferece um raro espetáculo natural, a Cachu da Pedra Furada, possível de ser apreciado mediante breve caminhada em meio à exuberante Mata Atlântica. E lá me vejo novamente topando + um irrecusável convite da animada galerinha “Pé na Lama” afim de conferir de perto + este belo show natureba, neste recanto escondido da serra mogiana.

O tempo havia virado subitamente c/ uma forte frente fria dando às caras na regiao sudeste, anunciando tempo cinzento, chuva e mto, mas mto frio. Entretanto, isso não bastou p/ povo desanimar do bate-volta de sábado e tds compareceram no horario pre-estipulado, na Est. da Luz. Ou quase tds. O frio segurara no berço 1/3 do pessoal confirmado. A previsao meteorologica anunciava “frio c/ tempo encoberto porem s/ precipitacao”, o q já era otimo. Dito e feito, a dia amanhecera bastante animador, inclusive c/ eventuais janelas de sol e céu azul. So não contavamos q essa previsao otimista não vale na Serra do Mar.
Assim, após zarpar de Sampa e fazer a respectiva baldeaçao em Guaianazes, saltamos em Mogi das Cruzes as 8:30. Os remanescentes da lista eram dignamente representados pela Báh, Nei, Fernando, Vanessa, Milena, Karina, Eddy e Claudio 1 e Claudio 2 - A Missao. Na sequencia, não tardou mto até tomar o busao q nos deixaria em seu pto final, isto é, o rustico boteco no meio do nada q atende pelo nome de “Balança”, a meio-caminho de Bertioga (km77), onde chegamos as 9:40.
Após + uma sessao de comilança, onde coxinhas, pasteis e tortas deram conta dos protestos de nossas lombrigas, pusemos pé-na-trilha, finalmente, as 10hrs. Ou melhor, pé-no-asfalto. Mas nao sem antes o Claudio tomar seu Redbull matinal. Marchamos pelo acostamento esquerdo da estrada e fomos avancando, sentido litoral. Nos primeiros 500m ignoramos a entrada (à direita) q nos leva pra “Trilha das Antas”, sempre em frente, até sair do municipio de Mogi pra adentrar no de Biritiba-Mirim. Porem, lentamente brumas úmidas comecavam a encobrir o alto da serra ao redor, fustigando uma fina garoa sob nossos rostos, o q nos obrigou irremediavelmente a trajar anorakes. “O tempo já já abre!”, pensei. Sonho meu.

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Após cruzar com a placa “Você está entrando no Pque Est. Serra do Mar”, mais precisamente um pouco depois do km80, as 10:40 adentramos numa discreta picada em meio a capinzal e brejo, à esquerda (leste). Dali foi só prosseguir desimpedidamente, s/ mta variacao de altitude, chapinhando por trilha, brejo, lama e capim, durante um bom tempo, sempre nos mantendo na principal. Mas logo mergulhamos na mata fechada e úmida, onde o silencio sepulcral da floresta so era rompido pela nossa presença e pelos respingos no solo da garoa acumulada na densa vegetacao, marcada por vistosas bromelias, touceiras de altos bambus e muito cipó batendo no rosto.
Mas após sair brevemente no aberto surge uma bifurcacao, e instintivamente tomamos à esquerda. Na verdade, iamos guiados pelo Fernando, Nei e Claudio 1, q conhecem bem estas bandas como ninguem, tendo como co-pilota a Milena, q já havia estado na Pda Furada noutra ocasiao. Entretanto, a mata havia crescido mto (e em pouco tempo) a pto de mudar algumas referencias basicas da picada principal. A trilha fechar de vez foi a deixa p/ perceber q estavamos na bifurcacao equivocada, mas q seria oportuna apenas na nossa volta. No trajeto, um bambuzinho + ousado tascou um violento “beijo” no rosto da Karine a pto de deixar evidente marca rubra dessa irresistivel paixao. Pra acudi-la, Claudio 1 e seus trocentos apetrechos incluiam uma pomada q - à base de algum elemento “psicotrópico” - deixaram a incauta trilheira na dependencia total do mimo.
Voltamos entao à bifurcacao anterior pra tomar o ramo da direita, q num piscar de olhos tb se enfiou na densa e exuberante mata. Após passar por 2 corregos cristalinos por meio de pequenas pinguelinhas de troncos carcomidos, eis q surge nova bifurcacao q intuitivamente nos obriga a tomar a direita ainda bordejando a encosta, pois a outra ramificacao aparentemente descia a um vale. Mas acredito q ambas picadas dessem no mesmo local, pois logo a trilha q palmilhavamos - após suave sobe-desce - perdeu altitude respeitavel bordejando uma encosta, p/ depois nos despejar às margens de um pequeno riozinho, cujas aguas marulhando já eram audiveis faz tempo. Daqui bastou acompanhar o rio, ora pela trilha na encosta de sua margem direita ou pelas pedras coalhadas sobre seu leito, ate dar na origem do som ensurdecedor de alguma cachu proxima, cujo rugido aumentava conforme nossa aproximacao.
As 12:30 caímos na confluencia do riachinho c/ o largo e manso Rio Sertaozinho, q após serpentear a morraria despencava furiosa e ruidosamente numa sequencia de cachus consecutivas em meio as pedras e declividade do terreno, serra abaixo. E justamente a 1ª delas era a Cachu da Pda Furada, da qual tinhamos vista privilegiada do alto dos seus 20m. Seu topo so foi alcancado tateando cautelosamente lajotas e pedras, escorregadias feito sabao devido ao limo e a umidade da garoa, q por sua vez não nos deu tregua desde inicio de trilha. Estavamos bem molhados e c/ frio, mas a recompensa de estar ali c/ as cachus c/ volume redobrado despencando já havia valido a pena. Eu, Báh e Eddy ate nos arriscamos andando (irresponsavelmente, diga-se de passagem) sobre as ardilosas pedras do topo da cachu ate o meio da mesma, onde haviam ate grampos de rapel. Cachu, ok.. mas pq Pda Furada? Bastou descer ate a base da mesma pra saber o porque...

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Do alto da cachu, cuidadosamente, desescalaminhamos o paredao esquerdo. Inicialmente acreditavamos haver necessidade de rapel, e o Fernando ate já posicionara corda p/ povo descer, mas isso foi desnecessario pois estudando bem a muralha de pedra vi q era possivel descê-la atraves de uma oportuna e firme raiz q ia ate embaixo, fornecendo agarras e apoios seguros junto à rocha besuntada de limo. E lá fomos desescalando, aos poucos, ate dar nos amplos lajedos e piscinoes da base da cachu. Ou quase tds, pois o Nei teve q acompanhar a novata andarilha Vanessa e dar uma volta (enorme) pela encosta ate ali, pois ela não sentiu firmeza em descer pela “raiz-escada”.
Uma vez tds la embaixo, pudemos constatar de fato o motivo do nome da Cachu da Pedra Furada. No alto da cachu, o Rio Sertaozinho é represado por uma enorme rocha perpendicular a ele, e a agua, por entre fendas entre as rochas submersas, sai em forma de jatos paralelos mais abaixo. Isto é, a cachu despenca pelo “furos” da pedra. Um espetáculo da natureza. Queda dágua diferenciada é isso aí, merecedora de varios cliques e nenhum tchibum, claro, devido ao frio e à correnteza redobrada!
Pois bem, após um tempo de contemplacao e de beliscar alguma coisa, percebemos q era necessario comecar a andar logo. Encharcados ate a alma naquela friaca, ficar parado por mto tempo esfriava o sangue e congelava os ossos, razao pela qual insistimos em prosseguir a pernada. Como a trip ate a cachu era relativametne curta, haviamos decidido na volta esticar ate a “Pedra do Sapo”, um belo mirante proximo. Mas tendo em vista o péssimo tempo, o despreparo de alguns e a impossibilidade qq visu na “pedra-anfibia”, optamos por melhor comecar a volta p/ casa, ainda com luz natural. De qq maneira, chegar ate aquela bela cachu já havia valido o dia.
Retomamos a pernada no sentido inverso as 14hrs, refazendo td percurso c/ + rapidez. Quica pq agora já não tinhamos preocupacao em desviar de poças ou de nos molharmos. Afinal, já “q tamo no infermo vamo abraçar o capeta”, enfiando o pé td na lama e td mais. À diferenca da ida, onde a trilha td foi feita em meio a mta animacao e descontracao, na volta estavam tds imersos em seus proprios pensamentos, cada um matutando sobre alguma coisa. Os meus, particularmente, giravam em torno da iminencia de ter acochegante roupa seca e meias quentes pros meus pés gelados! Bem, p/ não voltar necessariamente pelo mesmo caminho, ao alcançar a 1ª bifurcacao, tomamos o ramo da esquerda, afim de cair numa estrada de terra secundaria proxima. Sim, aquele mesmo no qual o mato fechado havia nos barrado. Pois bastou avancar + um pouco q a trilha outra vez surgia, limpa e desimpedida. Sempre indo em frente, logo percebemos q estamos no q outrora foi uma estrada, agora tomada parcialmente pelo mato, q desce suavemente a encosta da serra.

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Após dar brevemente no aberto (pra constatar ainda o péssimo tempo) mergulhamos outra vez num bucolico bosque e cruzamos c/ 2 bifurcacoes quase q consecutivas, uma saindo p/ direita e outra p/ esquerda, q ignoramos. Mas continuando pela principal percebemos q não iamos no sentido desejado, de acordo o gps do Claudio. Voltamos entao à ultima bifurcacao e tocamos pra frente. Mas logo a picada se estreita ate dar num riozinho, q é cruzado c/ água cristalina e gelada ate o joelho. Na outra margem, o trilho envereda em meio à mata, cada vez + precario e incerto, ate ser tomado por mato caido. Duvida: voltar td ou seguir em frente, sendo q a tal estradinha distava apenas 400m em linha reta? Eu e o Eddy nos enfiamos na vegetacao apenas pra constatar q bastava contornar o trecho de mata tombada q a picada novamente surgia discreta + adiante.
Dito e feito, as 16hrs desembocamos na tal estrada de terra e cascalho, q foi so tomar pra esquerda, pra oeste, isto é, o asfalto. Esta estrada esta inserida dentro de uma propriedade particular q aparenta ser de producao de celulose. E tome pernada bordejando morraria forrada de verde s/ gdes desniveis, ainda c/ rosto fustigado pela fina garoa daquele final de tarde. O tom opaco típico de densa serração tomava conta de td visu acima da linha do arvoredo, cunhando de vez nossa decisão de retornar. Apos contornar uns enormes rochedos (a direita) q poderiam servir de eventual protecao pra tempestade maior, saltar um ultimo riozinho por sobre as pedras e cruzar c/ a casa vazia de Seu Geraldo (o caseiro dali), caimos no km79 do asfalto.
O resto da pernada é extremamente monótono e parece interminavel. Sob frios respingos no corpo e buzinas impertinentes no ouvido, chegamos finalmente no boteco da “Balança”, tiritando, as 17:15. Eu já tava c/ as maos entorpecidas pelo frio faz tempo, tanto q demorou pra traduzir os garranchos de minhas anotacoes pra este relato. Enqto aguardavamos o bus, trocamos nossa umida indumentaria por roupa seca e quente, comemos (e bebemos) alguma coisa q revigorasse nosso corpo, alem de prosear animadamente c/ Seu Geraldo, q la estava de bobeira.
Tomamos o busao somente as 6hrs, viagem q são não foi imersa no mundo dos sonhos em funcao de outros passageiros promovendo uma sessao cover “acústico-brega” do grupo forrozeiro “Deja Vu”. Em Mogi, nem paramos no boteco da vez anteior pra celebrar a trip. Em contrapartida, embarcamos imediatamente no trem pra “Terra da Garoa”, onde saltamos somente as 20hrs. Ironicamente, consegui o impossivel após td cautela e cuidados redobrados na trilha daquele dia: me estatelar no chao da forma + estupida imaginavel, na calçada da Av. Ipiranga, após devorar um delicioso churrasquinho grego (c/ direito a um suco gratis!). Mas isto fica apenas entre nós, ta?

E assim chegamos tds em casa, por volta das 21hrs. Cansados, imundos e levemente úmidos, ansiosos por um chuveiro quente. Mas com + um bom perrengue pra contar. Eis a trilha da Pedra Furada, um programa relativamente facil e passivel de um simplorio bate-volta num fds qq. E a Pedra do Sapo? Pois é, ela continua lá e não vai fugir tao facilmente seja da serra, como tb de nossas futuras investidas à regiao q a incluam num circuitao mais amplo. Assim como outras belas surpresas q a serra mogiana tem a oferecer em termos de visual. Surpresas e atrativos, de preferência, a serem explorados com bom tempo e sem chuva, claro!


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