Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#650032 por Kássio Massa
07 Nov 2011, 14:44
Trip realizada no dia 06 de Novembro de 2011
Galeria de fotos da trip

Roteiro traçado é roteiro cumprido, mesmo que, para isso, sejam necessárias uma ou mil tentativas!

Minha tentativa de atingir os trechos mais dificultosos do tal Rio do Meio, na última Quarta-feira(02/11), não me rendeu mais que alguns ralados e retratos do trecho que antecede o chamado "Portal", onde o mesmo encontra a cachoeira da Fumaça, do Rio das Pedras, para assim prosseguir pelo Vale da Morte, com o nome de Rio da Onça.

Determinado a conseguir tal façanha de burlar os enormes pedregões do leito do rio, para assim, atingir, em uma cota mais abaixo, um precipício com pouco mais que 30m de profundidade, batizado de Garganta do Diabo, fui, tão somente acompanhado pelo Gabriel, a saltar nos arredores de Rio Grande da Serra, este Domingo(06), às 8h30. Demos início fácil e ligeiro à caminhada pela estrada das antenas, até atingirmos o Lago de Cristal, em cerca de 40min, por uma encharcada, porém, suave, trilha que acompanha o leito raso desta parte do Rio do Meio - ou Rio da Solvay, se preferir -, o mesmo rio que, após o dito Lago de Cristal e a Cachoeira das Graças, se revela extremamente agressivo e traiçoeiro.

Desta vez, estávamos pouco mais adiantados que na incursão do feriado, porém, não nos atentamos a fazer hora nestes pedaços sussas da trilha. Às 9h30, adentramos o "caminho das pedras", passando pela Cachoeira Escondida para uma breve - muito breve - refrescada, e demos início à descida do rio, ora saltando, ora escalaminhando, ora desescalaminhando, por pouco mais de 1h, até atingirmos o referido "Portal". A partir deste ponto, nosso rio passa a se juntar ao Rio das Pedras - Cachoeira da Fumaça - e segue adiante com o nome de Rio da Onça, até desaguar no Rio Mogi, que por sua vez, finaliza seu curso em Cubatão.

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Após a breve parada frente a um poço formado no final da Cachu da Fumaça, encontramos um grupo de rapazes que terminavam sua descida pela dita cachoeira quase vertical, e que, também, seguiam rumo à garganta demoníaca. Sendo assim, resolvemos acompanhá-los, sem muitas paradas mais.

O "Portal" também marca o início de um trecho crítico do rio, denominado Vale da Morte, onde as pedras ficam ainda mais altas e difíceis de serem transpostas - cabe aí muita cautela e atenção, pois qualquer vacilo pode comprometer não apenas a jornada, mas sim, a vida de quem se acidentar. Mesmo com algumas dificuldades, até devido à minha baixa estatura, consegui desenvolver um "bom" ritmo, sendo que, após cerca de 1h desde a Fumaça, atingimos o topo da cachu que despenca abismo abaixo, por pouco mais que 30m, na chamada Garganta do Diabo

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Deste local, ainda sai uma íngreme trilha que leva à parte de baixo da cachoeira. Não satisfeitos com o magnífico visual que já presenciávamos alí, decidimos seguir por esta trilha, que, antes mesmo de atingir o rio mais abaixo, passa por uma clareira onde é possível acampar, ou mesmo, a partir de uma bifurcação à esquerda(para quem está descendo) ter vista da Garganta por outro privilegiado ângulo!

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Desescalaminhada após desescalaminhada, atingimos um novo poço, onde a rainha da vez era uma modesta queda d'água que procedia a grande queda da Garganta do Diabo. A partir deste local, só é possível prosseguir munido de equipamentos apropriados.

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Retornamos pelas mesmas pirambas, acompanhados dos rapazes, que também desceram a íngreme trilha. Porém, os mesmos seguiram às pressas rio acima, enquanto eu e o Gabriel ainda paramos para fotografar as últimas paisagens surreais. Ainda na acidentada trilha, era preciso enfrentar um obstáculo: um paredão escorregadio, com poucos pontos de apoio e quase vertical. Me apoiei em uma pedra que, aparentemente, estava firme, porém, a mesma se desprendeu, fazendo com que eu caísse 5 metros paredão abaixo! Acabei saindo ileso dessa, e por muito pouco, a mesma pedra não veio a me atingir, caso não a tivesse empurrado para o lado, ainda durante a queda.

Enfim, demos continuidade ao retorno, que, por ser praticamente todo em subida, tornou-se muito mais fácil, seguro e, igualmente, cansativo! Atingimos a Cachu da Fumaça em menos de 40min, chegando à Escondida 30min depois. Já na trilha íngreme, após deixar para trás o árduo caminho das pedras, orientei o Gabriel a seguirmos pela Cachoeira das Graças, que também era possível caminho para o Lago de Cristal, bastando escalar um paredão vertical com diversos pontos de apoio. Uma vez no lago, uma sensação de dever cumprido toma nossos pensamentos, acompanhando-nos até a volta para nossas... homes!


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