Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#739516 por ricardojcarvalho
22 Jul 2012, 14:52
Vejam o álbum completo dessa trilha no meu site:
http://www.panoramio.com/photo_explorer#view=photo&position=23&with_photo_id=75754394&ss_play&order=date&user=6483509&tag=Paranapiacaba%20-%20Morro%20Careca

O Morro Careca é dos muitos atrativos do distrito de Paranapiacaba no município de Santo André. Trata-se de um enorme maciço de granito encravado na Serra do Meio. Muitas pessoas podem não conhecê-lo pelo nome, mas quem já passou pelo Rio da Solvay próximo ao Portal do Vale da Morte já deve ter reparado em um grande deslizamento que assoreou boa parte do rio e mudou a paisagem do local: Pois bem, esse é o Morro Careca, cujo cume de 800 metros de atitude proporciona uma panorâmica geral das cachoeiras que despencam do planalto rumo ao Litoral além do Vale do Rio Mogi e da Baixada Santista.

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Morro Careca antes do Deslizamento

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Morro Careca depois do Deslizamento (Foto: André Pimentel)

Todas as vezes que o André e eu visitávamos a Cachoeira da Fumaça ou o Vale das Cachoeiras ficávamos analisando aquele enorme maciço rochoso que se ergue de ante de nós e achávamos que era impossível chegar ao seu topo, isso até dezembro de 2011, quando nós tivemos o privilégio de alcançarmos o cume daquela montanha na companhia de Jorge Soto e mais uma galera.
Apesar de já conhecermos a região, sempre tive vontade de voltar lá pois a panorâmica que se observa do topo do morro é realmente espetacular. Sendo assim, após observar que as condições climáticas para o fim de semana estavam favoráveis (pois seria perda de tempo ir até lá em um dia com nevoeiros ou chuva) decidimos que o roteiro da vez seria explorar o Morro Careca novamente.
O André recebeu a visita de um conhecido dele chamado Afrânio que veio do Ceará para fazer um curso de 15 dias em São José dos Campos e aproveitou o desembarque no aeroporto de Cumbica para passar 2 dias em sua casa (ele chegou na quinta-feira de noite e iria embora no sábado a noite). Segundo André, o cara só queria ficar "batendo perna" e conhecer os pontos de São Paulo que ele só via pela televisão. Como já estávamos com a trip marcada, o André disse a ele que não poderia levar ele a São Paulo por que já tinha compromisso marcado no sábado. O Afrânio insistiu em saber qual seria o tal compromisso e o André explicou a ele sobre o percurso e os riscos e o cara se interessou em nos acompanhar. Chamamos também mais dois amigos, o Jefferson e o Fernando, que não puderam comparecer devido a imprevistos de última hora.
Pois bem, com o trio formado, saímos de Diadema às 6:30 com destino a Paranapiacaba onde chegamos às 7:30 da manhã. Estacionamos o carro no Clube da Solvay e entramos na Estrada do Gasoduto da Petrobrás. Chegamos à "ponte" do Rio Vermelho às 8:15. O André e eu passamos tranquilamente por ela, mas o Afrânio começou a fazer um "escândalo" dizendo que a ponte era perigosa e que não ia passar por cima. Dissemos a ele: "Passa por baixo!". Ele passou, com muito medo de escorregar nas pedras, mas passou.

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Foto: André Pimentel

Continuamos a pernada até chegarmos ao Rio da Solvay, às 8:35. Pausa para alguns cliques e continuamos. Na outra margem do rio existe uma bifurcação à esquerda que dá acesso ao Lago de Cristal e a da direita que dá acesso às torres de alta-tensão. Pegamos a bifurcação da direita e prosseguimos. Logo em seguida reparamos que ocorreu um deslizamento de terra que obstruiu a trilha (que na verdade é uma estrada de manutenção das torres).

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Contornamos a mata caída pelo lado direito e prosseguimos. A entrada da trilha para o Morro Careca fica bem próximo desse deslizamento, mas como a picada é bem escondida passei batido por ela. André que notou o meu erro e mandou que eu retornasse. Entramos nessa discreta trilha à esquerda (onde estava amarrada uma fitinha amarela zebrada), às 8:45 , e prosseguimos por ela. A trilha é batida, porém em certos pontos ela não é tão óbvia, o que requer um pouco de atenção. Logo nos primeiros metros da caminhada nos deparamos com alguns pântanos onde afundamos os pés na lama. Nada que fosse impossível de transpor. Após 25 minutos andando por esta trilha, às 9:10, chegamos a um córrego (o mesmo da Cachoeira Escondida que deságua no Rio da Solvay) onde notamos duas pequenas cachoeiras: Uma com cerca de 3 metros de altura (do córrego principal) e outra cachoeira de cerca de 6 metros (um afluente do primeiro riacho).

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A partir desse ponto acompanhamos o córrego que é de fácil transposição. O Afrânio nos contou que já havia escorregado em umas pedras com limo no Ceará e ficava com medo de andar sobre as pedras, mas mesmo assim continuara nos acompanhando em um ritmo mais lento, até que às 9:35 chegamos à trilha que sobe até o topo do morro careca. Fizemos uma rápida parada para o lanche e descanso. Quando íamos iniciar a subida do Morro, última parte do percurso até o destino final, tivemos uma surpresa: O Afrânio entrou em pânico. Disse que não iria subir "aquela ribanceira", que nós éramos loucos e que não tínhamos amor as nossas vidas. Insistimos para que ele nos acompanhasse, afinal já estávamos muito próximo do topo do morro, mas ele disse que não subiria conosco e que era para prosseguirmos sem ele e ele nos esperaria lá mesmo no córrego, próximo a entrada da trilha. Cheguei a comentar com o André: "Se ele já fez um drama para passar a ponte do Rio Vermelho, tava claro que ele não teria coragem de subir essa trilha que é um pouco mais íngreme ". Sendo assim, André e eu iniciamos a subida da trilha sozinhos, às 9:45. A entrada da trilha fica ao lado de uma pequena cachoeira de cerca de 4 metros de altura.

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A trilha inicialmente acompanha o riacho dessa cachoeira, logo em seguida faz uma curva pra o lado esquerdo e depois vai subindo suavemente até que às 10:00 da manhã alcançamos cume do Morro Careca. Começamos a caminhar em meio a uma vegetação rasteira e arbustiva, característica daquela região. Já era possível ver as escarpas da Serra do Meio nitidamente. Prosseguimos por uma pequena trilha que se "embrenha" em meio os arbustos até que chegamos a uma Crista de Serra onde podíamos ver as Cachoeiras dos Grampos e da Fumaça em um visual espetacular. Também era possível ver os Vales do Rio Quilombo e do Mogi bem como as ferrovias cremalheira operada pela MRS Logística e a funicular, atualmente abandona.

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Cachoeira dos Grampos

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Cachoeira da Fumaça

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Vale do Rio Mogi

Ficamos lá cerca de uma hora e meia fotografando a panorâmica daquele lugar que, sem sombra de dúvidas, faz a trip valer a pena. Pena que o Afrânio não quis subir. Estava perdendo o que o Morro Careca tinha de melhor a nos oferecer. Após muitos cliques decidimos que era hora de retornar, pois o Afrânio estava sozinho lá embaixo e nós não sabíamos qual poderia ser sua reação. Pois bem, iniciamos a trilha de volta às 11:30. Pegamos uma trilha errada que nos levou até um outro deslizamento um pouco mais abaixo do cume do morro. Retrocedemos um pouco e logo em seguida localizamos a trilha correta onde chegamos às 12:00 ao córrego da Escondida. Felizmente o Afrânio estava lá apenas aguardando o nosso retorno. Iniciamos a trilha de volta passando pelos mesmos lugares: o córrego, cachoeiras e atoleiros, saindo da trilha do Morro Careca e chegando a trilha das torres às 12:30. A fitinha amarela zebrada que eu havia comentado inicialmente não estava tão aparente. Desamarrei e coloquei-a em um lugar onde ficasse mais fácil de visualizá-la. Para facilitar ainda mais, amarrei uma outra azul a fim de permitir sua localização.

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Entrada da Trilha do Morro Careca a partir da Trilha das Torres de Paranapiacaba

Continuamos a caminha de volta sem muitos problemas. O André e eu perguntamos ao Afrânio se ele gostaria de conhecer o Lago de Cristal ou a Vila de Paranapiacaba, mas ele disse para deixar para a próxima vez, pois ele estava cansado e sua perna estava doendo. Pelo o que pude perceber, seu único desejo era sair logo daquele lugar. Chegamos ao Clube da Solvay para buscar o carro exatamente às 13:30 onde nos limpamos e pegamos a estrada de volta novamente. Apesar dos contratempos e alguns desencontros que ocorreram antes e durante a trip, sai da trilha totalmente satisfeito, pois tive, novamente, a oportunidade de retornar a esse belo reduto da nossa Serra do Mar Paulistana.
Editado pela última vez por ricardojcarvalho em 23 Jul 2012, 22:23, em um total de 4 vezes.

#739567 por Jefferson Zanandréa
22 Jul 2012, 18:44
Fala Ricardo, beleza?

Realmente foi uma pena não ter acompanhado você nessa trip, porém tenho certeza q terão MUITAS ainda pela frente!
O Morro do Careca é um lugar lindo, mesmo nunca tendo alcançado o seu cume, sempre fico o admirando e fitando seu delinear fascinante, quando escalaminho a cachoeira da Fumaça e o observo ali no segundo poção...

O deslizamento que ocorreu na região realmente mudou a paisagem, e é incrível como um ambiente lindo e tranquilo, pode-se tornar imprevísivel e hostil em uma fração de segundos. Enfim...

Ótimo relato, e excelente Trip, tirando o fato do querido personagem Afrânio (Eitáa nome lindo), ter se borrado na subida ao cume...

Abração e pode ter certeza q ''essa não foi a melhor trip, a melhor é sempre a próxima.''

Aloha!

Morro do Careca, visto da Cachoeira da Fumaça (2º Poção);
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#740093 por Kássio Massa
24 Jul 2012, 02:11
Saudoso Morro Careca! Parabéns pela reinvestida!

Po, ideia boa é chamar o Afrâncio pra dar uma visitada na Garganta do Diabo ou no Poção heim!
Quem sabe um Funis kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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